[Música] Olá estudantes do curso de pós-graduação em neurociências meu nome é Luciana Leci Maluf e eu vou dar continuidade a aula de dimorfismo sexual em neurociências agora nós vamos ver as bases biológicas do dimorfismo sexual no período puberal e na vida adulta então nós veremos a hipótese organizacional ativacional a instalação da puberdade e os hormônios sexuais e os hormônios esteróides segundo a hipótese organizacional ativacional agora no período puberal então próximo da puberdade a gente vai ter a fase ativacional que que é isso a partir da puberdade vai ocorrer a produção novamente de testosterona pelos testículos
e agora pela primeira vez a produção de estradiol e progesterona sobre os ovários ambos com ação sobre o sistema nervoso central além das gônadas as adrenais as glândulas adrenais elas também produzem hormônios esteróides Então ela também produz andrógenos que podem ser aromatizados a estrógenos e ter também a ação sobre o sistema nervoso central utilizando então novamente as mesmas figuras da primeira parte da aula agora então nós temos a fase de ativação do circuitos previamente organizados durante o período perinatal então a gente vê que no sexo masculino existe uma produção de testosterona próximo do Nascimento depois
essa produção ela acessa durante toda a infância e ela volta a surgir na puberdade e se mantém constante pelo resto da fase adulta desse indivíduo já o hormônio masculino já o hormônio feminino o estrógeno e a progesterona que antes no período perinatal no período intra o útero não havia produção desses hormônios bem no decorrer da infância agora na puberdade vai haver o surgimento desses hormônios e que também vão perdurar pela fase adulta só que de forma oscilatória no em mulheres então agora a gente vai ter a ativação de núcleos sexualmente de mórficos organizados durante o
período perinatal nesse momento a gente vai ter também o início do comportamento sexual sexo específico então aqui nessa imagem no outro gráfico abaixo mostrando então apenas a testosterona sérica em humanos a gente tem existe um pico no período fetal então nas primeiras semanas do desenvolvimento depois um pico pele Natal e em seguida passa toda a infância com níveis baixos de testosterona e ela volta a aumentar na puberdade Então como é que esses hormônios masculinos e femininos Eles começam então eles passam a ser sintetizados e liberados isso vai ocorrer no momento da instalação da puberdade a
instalação da puberdade ela começa através da liberação regular e pulsátil de um hormônio produzido por neurônios no hipotálamo cujos axônios projetam-se para eminência mediana esses neurônios agora vão passar a liberar de forma regular e pulsat o gnrh que é o hormônio liberador digona do trofina esse hormônio liberador de guanadotrofina ele vai agir sobre células específicas na hipófise anterior que são os gonadotrofos que por sua vez vão sintetizar e liberar os hormônios FSH e LH que são hormônio folículo estimulante e o hormônio luteinizante que por sua vez age sobre as gonas das masculinas e femininas fazendo
com que essas gônadas produzam então o estradiol a progesterona e a testosterona que vão por sua vez regular a ação desses neurônios e dessas células hipotálamicas aqui a gente tem então o eixo estabelecido o funcionamento do eixo hipotálamo hipófise gonadal ou eixo hhg esses esses hormônios agora na circulação em grande quantidade a partir da puberdade eles vão levar as características sexuais primárias e secundárias masculinas e femininas com relação às características masculinas o que é que vai acontecer o aumento de tamanho e agora o funcionamento dos órgãos sexuais masculinos com produção dos espermatozoides também o crescimento
de pelos no corpo engrossamento da voz o anabolismo proteico e desenvolvimento muscular o aumento da massa óssea aumento do metabolismo basal além do aumento da produção de hemácias a presença desses hormônios esteróides gonadais femininos então do estrógeno e da progesterona vão levar ao surgimento de características primárias e secundárias femininas que são o aumento de tamanho e agora o funcionamento dos órgãos sexuais femininos também agora o estabelecimento do ciclo menstrual aumento da matriz óssea e da deposição de cálcio então aumento de massa óssea um leve aumento do metabolismo proteico leve aumento de metabolismo basal além de
o depósito de gordura e regiões específicas como na região subcutânea nas mamas nos glúteos e nas coxas esses hormônios então eles têm ação sistêmica como a gente viu e eles vão ter também ação no sistema nervoso central uma vez que o encéfalo ele é ele possui receptores para todos esses hormônios esteróides então aqui a gente tem representada a distribuição dos receptores de estradiol no encéfalo Então a gente tem aqui receptores do tipo alfa e do tipo Beta amplamente distribuídos em várias regiões cerebrais então vejam aqui no hipotálamo em vários núcleos hipotalâmicos a quantidade de receptores
de estradiol o receptor do tipo alfa ele está envolvido na regulação do comportamento e função neuroendócrina reprodutiva enquanto que os receptores de estrógeno os er do tipo Beta eles estão relacionados a comportamentos não reprodutivos como aprendizado e memória ansiedade e humor os efeitos do estradiol então nas funções cerebrais ele vai incluir a ação organizacional que nós já vimos né durante durante o período intraúltero ou seja efeito sobre o número de neurônios morfologia conexões durante fase críticas do desenvolvimento Esse estradiol ele também vai ter ação neurotrófica então na diferenciação neuronal na extensão de neuritos na formação
de sinapses além de interagir com o neurotrofinas úlceradiol nas funções cerebrais ele também tem uma ação neuroprotetora então proteção contra apoptose propriedades antioxidantes propriedades anti-inflamatórias vai levar ao aumento do fluxo sanguíneo cerebral aumento do transporte de glicose para dentro do cérebro além de um enfraquecimento uma diminuição da resposta glicocorticoide em casos de estresse comportamental esses o estradiol ele também tem interação com o neurotrofinas e os receptores de progesterona então o encéfalo ele também tem receptores para progesterona e aqui a gente destaca os receptores do tipo a e o receptor do tipo B esses receptores eles
são amplamente distribuídos no sistema nervoso central especialmente no hipotálamo no hipocampo e no córtex pré frontal e qual a ação da progesterona no encéfalo bem como do seu metabólito que é alopignolona eles agem Como reguladores da ação do estradiol em múltiplas funções não reprodutivas como na cognição e na neuroproteção aqui a gente tem uma imagem um slide bastante interessante mostrando que mostrando a distribuição de receptores dos hormônios guanabais então receptores de dos hormônios sexuais que eles formam clusters ou seja eles se localizam com o receptores de glicocorticoides em várias regiões cerebrais então por exemplo no
hipocampo no córtex pré frontal na amígdala nos números da raf então a gente vê que existe uma relação entre os eixos hipotálamo hipófise gonadal e o eixo hipotálamo e hipófise adrenal que é o eixo do estresse que regula né a resposta de estresse então a gente vê que existe um dimorfismo sexual também no eixo hipotálamo e hipófise-adrenal então machos e fêmeas eles secretam diferentes concentrações de glicocorticoide após um mesmo estímulo e o principal fator que influencia a atividade diferencial do eixo potável em hipófise adrenal são Então os hormônios assim isso tem ainda outras repercussões que
são a liberação cíclica e oscilante dos hormônios sexuais femininos especialmente o estrogênio diferente então do masculino onde a produção ela é constante aqui a gente tem uma liberação cíclica e oscilante ela está associada ao maior uma maior vulnerabilidade das mulheres em idade reprodutiva ao estresse e ao desenvolvimento de distúrbios afetivos Ou seja a ansiedade e a depressão quando comparadas aos homens sendo essa prevalência de duas a três vezes maior no sexo feminino estudos mostram que não são os altos ou baixos níveis plasmáticos de estrogênio os principais causadores dos distúrbios afetivos e a maior vulnerabilidade das
mulheres mas sim mudanças repentinas nas concentrações dos hormônios sexuais que é o que acontece durante o ciclo de vida feminina como por exemplo na puberdade na gestação no pós-parto e no início da menopausa na transição para menopausa isso em combinação logicamente com a vulnerabilidade genética e com fatores ambientais Como por exemplo o stress crônico assim a gente a gente vê a importância do estudo com fêmeas e Estudos em mulheres são ainda relativamente escassos os estudos relacionados ao stress em fêmeas isso e eles são principalmente em animais e experimentação em roedores principalmente devido à complexidade da
fisiologia feminina e a influência dos hormônios sexuais no comportamento grande parte dos estudos em corredores eles são realizados em machos e depois generalizados para o sexo feminino no entanto evidências mostram que o cérebro feminino ele é anatômico funcionamento diferente e ele emprega a estratégias próprias para lidar com stress o que reforça a importância do estudo em fêmeas e mulheres hoje em dia no campo da farmacologia isso já está sendo bastante desenvolvido tanto que hoje a gente vê nas farmácias nos mercados a existência de medicamentos próprios para mulheres como por exemplo Advil para mulher Buscopan para
mulher então levando em consideração então a fisiologia toda a fisiologia feminina que é diferente da fisiologia feminina masculina como nós lemos agora então a gente vai passar para a terceira parte da aula que onde nós abordaremos as bases biológicas do dimorfismo sexual na meia idade Então nós vamos ver a hipótese organizacional ativacional Como se dá o envelhecimento O que ocorre durante o envelhecimento masculino e a transição da menopausa Então a partir da meia idade os hormônios sexuais masculinos eles vão diminuir a sua produção Então os níveis vão ficar mais baixos os níveis de testosterona produzidos
pelos testículos mas ele não cessa ele apenas diminui já na mulher vai haver vai cessar completamente a produção dos hormônios pelos ovários Então aí fica as adrenais elas também Em ambos tanto nos homens como nas mulheres as adrenais elas também produzem o androgênios que pode ser aromatizado a estrogênio só que em quantidade muito pequena então no sexo masculino a gente tem uma diminuição da testosterona e aqui o completo cessamento da produção dos hormônios femininos com relação ao envelhecimento masculino vamos acompanhar então o que que aconteceu ao longo do ciclo de vida masculino durante o período
fetal então durante o primeiro segundo e terceiro trimestre né da gestação particularmente segundo e terceiro vai haver um pico de testosterona depois para produção então dos da diferenciação especialmente das genitália externa e interna no período Neonatal a gente vai haver um outro pico de testosterona relacionado agora a fase organizacional e depois essa testosterona ela ela vai a níveis bastante baixos até que na puberdade você tem novamente o surgimento da testosterona em Altos níveis isso perdura na fase adulta e durante a serenidade diminui os níveis de testosterona mas eles não cessam já a produção dos espermatozoides
ela começa no período bobeiral ela perpassa toda a fase adulta e ela diminui na durante a senilidade embora não haja embora ela não deixe de acontecer não cessa já no feminino a gente tem a chamada transição da menopausa e que é aqui a gente tem um artigo bastante interessante da Nature de 2015 que ele mostra que é durante esse período o período de peri menopausa cerca de 20% apenas das mulheres elas são assintomáticas em resposta a essa queda hormonal os outros 80% das mulheres elas apresentam sintomas neurológicos referentes a essa baixa brusca Na quantidade de
hormônios femininos na circulação desses 80% de pessoas de mulheres sintomáticas cerca de 30% só tem os calores né as ondas de calor já outros 70% tem além das ondas de calor disfunção cognitiva disfunção cogn associada a insônia ou então disfunção cognitiva associada a mudanças a mudanças de humor as três coisas juntas depressão ideação suicida Então são várias modificações que ocorrem no estado neurológico em resposta a essa queda hormonal nesse mesmo artigo os autores eles eles colocam uma hipótese que da associação desses sintomas neurológicos com o metabolismo de glicose cerebral os autores colocam o seguinte que
aqui em azul está representada variabilidade de sintomas neurológicos endócrinos e na linha vermelha o metabolismo da glicose no cérebro Lembrando que a glicose ela é o principal meio principal combustível né para de utilização das células do sistema nervoso central não é o único mais o principal então aqui no período pré-menopausa ou seja na fase adulta a existem o que se relata são a baixa quantidade né de baixa variabilidade de sintomas neurológicos enquanto que o metabolismo da glicose é alto na fase da pele menopausa Olha só olha o que vai acontecer vai haver um aumento com
um pico de variabilidade de sintomas neurológicos seguido de uma queda relacionada a adaptação ao novo momento de vida e com uma estabilização na durante a menopausa após o estabelecimento da menopausa já com relação ao metabolismo da glicose esse metabolismo ele é alto na fase adulta ele sofre uma queda brusca no período da pele menopausa e depois ele estabiliza embora em queda durante o período durante a pós-menopausa esses autores também eles eles colocam eles fazem uma observação bastante interessante que é a seguinte então a glicose ela aqui a gente tem uma representação esquemática então de uma
célula aqui da membrana da célula da membrana da mitocôndria e a glicose ela entra na célula entra na mitocôndria e ela é convertida a acetilcular essa acetilcoa ela vai entrar no ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico em seguida na cadeia respiratória para a formação de ATP os receptores de glicose localizados na membrana plasmática da célula então receptores glut do tipo 1 do tipo 3 o tipo 4 do tipo 10 que são os encontrados nas células nervosas ele se encontram em Associação com os receptor com receptores de estradiol então do tipo Alfa do tipo
Beta e um terceiro tipo de receptor de estradiol associado a membrana plasmática quando o a queda brusca e nos níveis de hormônios femininos durante a durante esse período da transição da menopausa a falta desse hormônio vai fazer com que esses receptores eles também diminuam em quantidade por falta mesmo de substrato então só que esses receptores eles estão Associados aos receptores de glicose Como por exemplo o glúte 4 predendo então prejudicar a entrada da glicose na célula eu não tô falando de cessar é prejudicar a entrada da glicose na célula mas aí esse é o único
Essa é a única fonte de energia utilizada pela célula pelas células do sistema nervoso não a gente tem também os corpos cetônicos e os e os ácidos graxos então ambos os corpos cetônicos quanto e também os ácidos graxos eles também vão ser convertidos a acetilco a entrar no ciclo de greves e na respiratória para a produção de ATP mas o que esse artigo né esses autores o que eles sugerem é a existência de uma diminuição do metabolismo da glicose geralmente é especialmente relacionada a falta desses hormônios desses receptores de estradiol Associados aos receptores de glicose
então resumindo a parte 2 da nossa aula nós temos que o encéfalo ele contém abundante quantidade de receptores sexuais ou seja receptores de estrógeno progesterona e testosterona os quais estão colocados com receptores de glicocorticoides mostrando a relação entre os eixos hipotálamo hipófise gonadal e hipotálamo hipófise adrenal nesse sentido a oscilação dos hormônios femininos que ocorrem durante o ciclo de vida das mulheres as torna mais vulneráveis aos distúrbios afetivos quando comparadas aos homens a partir da minha idade enquanto os homens apenas diminuem a produção dos hormônios masculinos as mulheres cessam a produção dos hormônios sexuais com
possíveis impactos negativos na saúde mental e na função cerebral feminina aqui estão as referências utilizadas na confecção dessa aula além dos artigos científicos e dos Sites colocados ao longo da aula e muito obrigada [Música]