EntÃĢo grita, grita bem alto. Vamos ver quem eles preferem, a minha sopa ou as suas loucuras. >> Ui ui, que desespero.
Thago, tÃĄ querendo um abraço? Ã, cheguem mais, pessoal. A sopa mais deliciosa da regiÃĢo estÃĄ saindo quentinha.
Ei, sem empurrar. Façam uma fila ou ninguÃĐm come hoje. >> Nossa, Mariana, vocÊ colocou mÃĄgica nessa panela.
Isso tÃĄ bom demais. Olha sÃģ essas cores. Nunca vi uma sopa brilhar assim.
>> à o meu segredo especial, moço. Coma tudo para ficar forte. >> IncrÃvel.
Sinto que poderia comer isso para sempre. SÃģ mais uma gota. Eu preciso de sÃģ mais uma gota.
Isso ÃĐ viciante. Mariana, o que tem aqui dentro? >> Bom dia, Catarina.
Hoje estÃĄ pesado. Quer ajuda com essa panela, patroa? Obrigada, Catarina.
Quase lÃĄ. >> Sem problema, patroa. >> Que cheiro esquisito ÃĐ esse?
NÃĢo parece comida. >> Saia daqui. Eu jÃĄ disse que ninguÃĐm entra na minha cozinha.
>> Se vocÊ passar dessa porta de novo, Catarina estarÃĄ na rua. Fui clara? Pronto, agora ninguÃĐm mais entra para espiar.
>> Ei, Catarina, fala a verdade. O que a patroa esconde naquela cozinha trancada? Eu vou descobrir esse segredo de qualquer jeito, Mariana.
Pode apostar. >> Poxa vida, por que ela me trata assim? Eu sÃģ queria ajudar.
>> A espera acabou. Saiu o panelÃĢo novo com a receita da casa. Quem vai querer?
>> E aÃ, Mariana? O pessoal anda falando que sua receita ÃĐ mÃĄgica ou perigosa. O que tem nela?
Ela estÃĄ limpando muito rÃĄpido. Tem algo estranho ali. Eu sei.
>> Sai daqui, moço. Isso ÃĐ receita de famÃlia. NÃĢo vou contar nada.
>> NÃĢo consigo tirar isso da cabeça. Aquela reaçÃĢo dela, ela estÃĄ escondendo algo muito ruim. Ela estÃĄ me enganando.
Eu sei que tem algo ruim ali. Eu preciso saber. >> Certo, sem mais perguntas.
Hoje à noite eu vou ver com meus prÃģprios olhos. >> NÃĢo me engana mais. Eu vou descobrir o que vocÊ esconde nessa sopa, senhorita Mariana.
>> Vamos lÃĄ. Ã agora ou nunca. Preciso ser rÃĄpido e silencioso.
SilÊncio. Se alguÃĐm me vÊ aqui, eu tÃī frito. Tem alguÃĐm lÃĄ dentro.
Ã. Ela tÃĄ mexendo em alguma coisa pesada. O que ÃĐ isso?
Uma folha azul e tÃĄ brilhando na lama. Que esquisito. Ai, meu Deus.
Eu tÃī vendo, ela tÃĄ jogando aquilo na panela. NÃĢo pode ser. >> Quase lÃĄ o aroma tÃĄ ficando perfeito do jeitinho que eles gostam.
Agora ÃĐ hora do toque final que ninguÃĐm pode ver. >> Meu Deus, ela tÃĄ muito perto. Respira fundo, Thaago.
NÃĢo faz nenhum barulho ou ela vai te pegar. >> SÃģ algumas gotinhas e todos vÃĢo continuar voltando para mim para sempre. Brilhe, minha belezinha.
Brilhe e conquiste todos eles. >> Eu nÃĢo acredito. O segredo dela ÃĐ esse brilho azul.
O que ÃĐ isso? Quase lÃĄ, meus queridos fregueses, nÃĢo perdem por esperar o tempero especial de hoje. Olhem sÃģ, a verdadeira magia acontece onde ninguÃĐm estÃĄ vigiando.
Caiam, caiam todas. VocÊs sÃĢo o segredinho do meu sucesso. Derretam-se na sopa, façam com que todos fiquem viciados e implorem por mais.
>> Ah, esse perfume ÃĐ o cheiro da perfeiçÃĢo absoluta. NinguÃĐm vai desconfiar de nada. Agora vamos servir essa delÃcia para o povo.
>> Gente, eu nÃĢo tÃī acreditando nisso. Ã pele dela, aquela casca de pele branca. Que nojo, eu comi isso.
Ai, as minhas costas, tÃĄ tudo escuro. Que foi que eu vi a dona Mariana tapondo casca de pele dela na sopa? Eu eu vou passar mal, nÃĢo dÃĄ para segurar.
Que nojo. Eu vou vomitar. Tenho que fugir.
A correr. Ai, os baldes saiam da frente. Ela vai apanhar-me.
Ela vai apanhar-me. Socorro, ninguÃĐm vai acreditar em mim. Aquela luz vermelha na janela ÃĐ o olho do monstro.
Eu preciso correr mais rÃĄpido. Senhor, o que que eu faço? Aquela casca de maçÃĢ, ela estÃĄ dentro de mim.
Que noje da dona Mariana. Dois anos. Eu comi aquela sopa da dona Mariana por dois anos inteiros.
Eu nÃĢo sou mais o mesmo. Dona Mariana, como a senhora poÃīde mentir para mim? Todo mundo confiava na senhora.
Se eu falar, vou me chamar de doido. Mas se eu ficar quieto, o povo vai continuar comendo aquilo. >> Chega, eu nÃĢo vou ser um covarde.
Dona Mariana vai ter que me ouvir hoje. >> Nossa, que manhÃĢ linda na Vila frutÃfera. Olha o policial Beto ali jÃĄ trabalhando cedo com o carrinho dele.
>> Nossa, dona Catarina, a sopa da dona Mariana estÃĄ incrÃvel. Policial. Todo mundo diz que ÃĐ a melhor da regiÃĢo.
>> Ei, o que ÃĐ isso? Socia coma policial Berto. Larga isso agora.
>> VocÊ ficou maluco, Thago. Eu juro, eu vi a dona Mariana colocando coisas lentas na panela. >> Que coisas, Thiago?
VocÊ tÃĄ falando coisa com coisa. >> Fica no chÃĢo, senor Thiago. JÃĄ chega de confusÃĢo por hoje.
>> Mas eu estou falando a verdade. Por que ninguÃĐm me ouve? >> Coitado do Senr.
Thiago, ele sempre foi tÃĢo calmo. O que deu nele? >> Ele ficou maluco.
Que perto da vila. >> Chega. Eu nÃĢo vou ser um covarde.
Eles precisam saber o que estÃĢo engolindo. Dona Mariana, eu sei o seu segredo. Eu vi tudo ontem à noite.
Eu vi a senhora coçando aquela casca de pele branca dentro da sopa. à nojento. à um crime.
>> Limpar a bagunça ÃĐ a parte fÃĄcil. O difÃcil vai ser alguÃĐm acreditar em um pepino maluco como vocÊ, Thago. Minha sopa ÃĐ puro sucesso.
EntÃĢo grita, grita bem alto. Vamos ver quem eles preferem, a minha sopa ou as suas loucuras. >> Eu tenho que correr.
Tenho que avisar todo mundo. >> Senor Thaago, por que vocÊ tÃĄ correndo assim? >> Povo do Escutem agora, parem de comer essa sopa.
Gente, paraem tudo. Escutem-me agora. Ã pele, ÃĐ casca de pele branca da dona Mariana.
à isso que tem na sopa. Que nojo. >> Senor Thago, o que vocÊ disse?
Pele, isso ÃĐ verdade. >> Fale o que quiser. Quem vai acreditar em vocÊ, senor Thaago?
Minha sopa ÃĐ a melhor da vila. >> Escutem todos. Pessoal, prestem atençÃĢo.
Essa sopa que a senhora Maria ÃĐ uma mentira. Eu vi o segredo nojento dela. Mariana, deixa de ser falsa.
Mostra-te parte dessa manga agora. Ã apenas inveja do meu sexo e da minha beleza. >> Cala a boca, Thaago.
Sua lÃngua ÃĐ venenosa. A senora Mariana ÃĐ um anjo. VocÊ ÃĐ apenas um mentiroso invejoso.
Respeite ela. Escuta aqui, seu pepino ranhoso. Se vocÊ disser mais uma mentira sobre a patroa, eu mesma vou acabar com a sua festa.
Suma daqui. >> Saiam da frente, pessoal. Eu mesmo vou esfregar a verdade.
Me soltem. Mostra o braço. Dona Mariana.
Fala a verdade pra gente. Tu tÃĄ debaixo da sua manga. >> Ui ui, que desespero.
Thiago tÃĄ querendo um abraço. Ã, >> eu vou desmascarar vocÊ, Maria. Dona Mariana, estamos apenas mantendo a ordem.
>> OlÃĄ, freguesia querida. Venham provar minha sopa. Ã a melhor da feira, eu garanto.
>> Ana, essa sopa dÃĄ ÃĄgua na boca. >> Olha sÃģ, Gil. A barraca dela tÃĄ bombando.
Eita, minha barriga tÃĄ atÃĐ aroncando. Ã ela, seu Beto. A sopa dela tem uma coisa muito errada.
>> VocÊ quer que eu mostre o meu segredo, Thaago? Eu nÃĢo tenho absolutamente nada a esconder. >> Estamos esperando, dona Mariana.
>> Aqui estÃĄ o grande segredo do meu sabor especial. Meu Deus do cÃĐu, que nojo absurdo. >> NÃĢo acredito.
E que coisa mais nojenta e horrorosa. >> à lÃĄ na colher, aquilo mesmo da pele dela. >> Vejam sÃģ, vocÊs amam a minha sopa.
>> Ai, socorro, nÃĢo me isso. >> Socorro. E eu comi a pele dela.
Eu comi tudo. AlguÃĐm me ajude. E a vou vomitar.
>> Senhor amado, a sopa. Eu eu limpei o prata. E >> seu Beto, segura a onda, seu Beto.
Senhor do cÃĐu, eu raspei o prato. Eu comi a sujeira da dona Mariana. Eca!
Que nojo, Gil. Ai, nÃĢo, >> dona Mariana, eu acreditei tanto na senhora. Como pode fazer uma coisa tÃĢo nojenta com a gente?
Que nojo. Eu sinto vontade de sumir. Calei a boa.
Bando de hipÃģcritas, ontem vocÊs enqumo gosto ainda ÃĐ o mÊs. Parem de frescar. Bando de falsos.
Ontem vocÊs raspavam prato e pediam mais. A minha sopa ÃĐ a melhor da feira. Podem chorar.
VocÊs nunca vÃĢo conseguir fazer um caldo tÃĢo perfeito e saboroso quanto o meu. Nunca. Vai ter coragem de me prender, seu Gil?
O senhor batia ponto aqui todo dia para tomar minha sopa. Que nojo! A senhora passou de todos os limites.
Dona Mariana, acabou a brincadeira, vocÊ estÃĄ presa. >> VocÊ vai responder por enganar todas as crianças e os moradores da nossa feira. >> Leva ela, seu Beto.
Nossa barriga tÃĄ doendo muito. Bando de ingratos chorÃĩes. >> Barraca fechada para sempre.
VocÊ salvou a nossa feira hoje, rapaz. Ainda bem, seu Beto. A verdade sempre tem que aparecer.
>> VocÊ venceu hoje, pepino intrometido. Mas anote o que eu digo. VocÊ nunca, nunca vai achar uma sopa tÃĢo gostosa quanto a minha.
>> Que desastre. A feira inteira sumiu. Mas aquele cheiro Ai, nÃĢo, Thago, vocÊ nÃĢo pode cair nessa.
Lembra do que a dona Mariana fez? Aquela sopa, o xerco ÃĐ tÃĢo NÃĢo, ela enganou todo mundo, mas o sabor. Ai, minha barriga tÃĄ roncando muito.
Eu preciso sair daqui. NÃĢo, eu nÃĢo quero. Eu nÃĢo posso.
O tempero dela ÃĐ uma mentira nojenta. Que cheiro doce. NÃĢo, Thiago, seja forte.
Eu tenho que fugir desse pesadelo. Eu vou embora, longe da dona Maria dessa sopa assustadora. Eu sou o Thiago Pepino Valente.
Eu vou achar minha prÃģpria comida saudÃĄvel. Sou livre. Livre.
>> Eu nÃĢo preciso de mais nada. Tenho lemon. VocÊs dois ficam tÃĢo bem juntos.
SÃĐrio, eu atÃĐ tenho um pouquinho de inveja. Eu te amo mais hoje do que no dia em que eu te pedi em casamento. >> Eu largaria tudo por Lemon.
Tudo. VocÊ sabe disso. >> Me promete para sempre.
Aconteça o que acontecer. >> VocÊ ÃĐ a melhor coisa que jÃĄ me aconteceu na vida. Lemon nÃĢo dormiu em casa ontem, trabalhando atÃĐ tarde de novo.
>> Eu tava sÃģ reuniÃĢo com o cliente. VocÊ nÃĢo entende do meu trabalho. >> Quem tÃĄ ligando para ler sem parar?
Mesmo nÚmero todo dia. >> Quem era? Ah, ninguÃĐm importante.
Coisa do trabalho. VocÊ tÃĄ paranÃģica. VocÊ ÃĐ a Única para mim.
Sempre >> chegou um envelope sem remetente. Lemon pegou antes de eu perguntar. Lemon me fez duvidar da minha prÃģpria cabeça por trÊs anos.
Agora eu enxergo tudo. 5 anos. 5 anos da minha vida para isso.
>> Me desculpa. Me desculpa muito. Eu juro que eu vou mudar.
SÃģ me dÃĄ uma chance. >> Lemon faz ideia do tanto que eu abri mÃĢo, de quantas portas eu fechei? >> VocÊ tem que entender.
Eu tava sob uma pressÃĢo absurda. Eu nÃĢo era eu. >> O pior nÃĢo ÃĐ o que Lemon fez, ÃĐ que eu nunca vi.
Interessante. Aquela ligaçÃĢo da meia-noite. Eu gravei cada palavra, cada mentira.
>> Eu ia te contar. Ia hoje à noite. Eu tinha tudo planejado.
>> Eu devia ter visto chegando. Meu Deus, que mancada. Que mancada.
>> VocÊ nÃĢo tÃĄ entendendo a histÃģria toda. Se vocÊ soubesse a verdade, vocÊ >> O que eu fiz para merecer isso? Eu dei tudo.
Tudo. >> Eu queria te contar. Eu sÃģ nÃĢo sabia como.
Eu nÃĢo sabia como dizer. >> Espera, as datas nÃĢo batem. Isso aqui nÃĢo faz sentido.
A foto na tela de bloqueio do seu celular. Aquela nÃĢo sou eu, nÃĐ? Por que eu?
Por que agora? Porque assim eu construà minha vida inteira em volta de Lemon e ÃĐ isso que eu ganho. Eu teria morrido por Lemon.
E Lemon nÃĢo conseguiu nem me contar a verdade. HÃĄ quanto tempo Lemon tÃĄ mentindo para mim? Meses, anos?
>> Coconut, eu nÃĢo vim aqui para te consolar, eu vim para te contar a verdade. Aquela morte nÃĢo foi acidente, foi Lemon. Eu construà uma vida em cima de areia e marÃĐ acabou de subir.
Eu dei pedaços de mim para ser amada e nenhum deles vai voltar. EntÃĢo, cada palavra que Lemon me disse era sÃģ texto decorado, sÃģ fala de novela. Cada sorriso, cada risada, foi alguma coisa real ou foi tudo teatro?
Como Lemon pode fazer isso comigo depois de tudo? >> NÃĢo chora, mÃĢe. Eu tÃī aqui.
Eu nÃĢo vou a lugar nenhum. >> VocÊ sujou meu nome. Eu vou fazer essa cidade inteira saber quem vocÊ ÃĐ de verdade.
O contrato que vocÊ assinou, lÊ de novo em voz alta. Achou que ganhou? VocÊ acabou de perder tudo, sÃģ ainda nÃĢo sabe o apartamento que vocÊ alugou com nome falso.
O dono ÃĐ meu primo. Ele me ligou. Eu nÃĢo tenho mais nada para falar com Lemon, nem uma palavra.
As fotos no seu celular descartÃĄvel? Eu tenho cÃģpia. Sua mÃĢe tambÃĐm tem.
Agora eu nÃĢo perdoo. Eu sigo em frente. Ã diferente.
Seu contrato prÃĐupsial tem. VocÊ assinou ele mesmo. Sugiro reler.
Hoje eu escolho a mim. NÃĢo lemam a mim. A conta para onde vocÊ o dinheiro, o cÃģdigo bancÃĄrio me levou direto para vocÊ.
Eu sou mais forte do que vocÊ imagina e vocÊ tÃĄ prestando. >> Isso nÃĢo ÃĐ vingança, Coconut, isso ÃĐ inventÃĄrio. Eu nÃĢo tenho mais nada, nenhuma pessoa, nada.
>> Quando eu crescer, eu vou te proteger, eu prometo. MÃĢe, >> eu te dei exatamente o que vocÊ merecia, nem mais, nem menos. Eu vivi no escuro tempo demais.
Agora eu ando paraa luz.