Alô, alô Brasil. Rique Ricardo aqui direto do Domingueira do Bocão e eu tô na comunidade do Barrinho Beje conversar um pouco com os moradores locais e eu tô aqui com ele. Qual seu nome?
É Ivan. Ivan. Grande Ivan.
Divan Nilson. Ivan Cleisson. Não, só Ivan mesmo, moço.
Ah, Van. Ivan. Olha, não parece.
E o Ivan? O Ivan ele tenta sobreviver da própria arte, que é muito difícil, não é isso? Não, eu quero trabalhar no hospital.
E o Doutores da Alegria faz um lindo serviço levando sorriso pro rosto de cada criança desse Brasil. E esse é teu sonho, Ivan? Não, eu quero anestesiar as pessoas.
Que lindo isso. Que bonito. Olha que metáfora linda do Ivan.
Você é um poeta, hein? Ele quer anestesiar a dor no coração de cada pai e de cada mãe que perde o seu filho pro tráfico. E o Ivan através da arte de rua, do grafite.
Não é isso, Ivan? Não, não. Quero anestesiar as pessoas.
Quero ser anestesista. É trabalhar no hospital para todo mundo me chamar de médico, entender como é que é isso. Mas não tá ótimo.
Não tá assim não. Você não tá sonhando bem. Você não tá sonhando certoado.
Mas eu tô estudando muito. É, mas t à toa porque não adianta nem estudar, não tem como. Obrigado.
Tá certo. Vamos chamar outra pessoa que isso aqui não vai render, não tem condição. Gente, tem o Thiago.
Thiago, ele quer ser o quê? O Thigo quer ser engenheiro. Ô caceta.
Mas se eu quisesse entrevistar engenheiro, eu tinha entrevistado o Uber que me trouxe aqui. [ __ ] deixa eu te falar, Ivão. Eu tô com uma van ali da Compact Print com uma máquina de salgado que eu preciso dar para você, para qualquer pessoa aqui da comunidade.
Porque o Cidade Alerta vai começar agora. Eles estão com dois cadáveres lá para estão na rua, andar tudo [ __ ] que isso é que a chama. Mas o que que eu faço com a máquina de salgado?
Você muda a tua vida, você vende salica, aquela máquina, ela faz uns cento cada meia hora de salgado. E você muda a vida do teu pai, da tua mãe, da tua família miserável. Entendeu?
Minha minha família não é miserável. Meu pai é bancário e minha mãe trabalha no cartório. Eles nem sabem cozinhar.
[ __ ] gente. Mas cadê o storytelling dessa merda? Vocês pobre tão diferente.
Vocês pobres não tem maçon de pobre. O que que é isso? Não tem um pobre querendo ser o Neymar.
Mas nem bola eles jogam direito. Tudo horrível. Nunca vi pobre jogar futebol mal.
Cadê o pobre querendo ganhar um soletrando, mandando carta para Luciano? Cadê o pobre fazendo arte? Você não faz uma arte?
Eu eu faço rap. Faz rap é bom. Rap é de pobre.
É isso aí que a gente vai. Vamos me ajeitar aqui e rap. Aí você vai cara de mal e você canta o teu rap, tá bom?
A gente vai cantar agora o rap com Ivan que vai falar das chagas abertas de todo o abandono social que ele viveu. Vamos embora, Ivan. Solta o beatbox.
E i marreta é ele, hein. O teatro operatório é uma parada perigosa. Você precisa sangue frio para aplicar a endovenosa.
Se não checa o paciente para toda a complicação, pode ter um branco espasmema agudo no pulmão. Que que é isso aqui? É, deixa eu só cantar o refrão.
Proprofal v f v f ventanil apaga todo o Brasil. Proprofal fentanil apagar. Isso não tem interesse.
Que que merda é essa? Que que é isso? É, é pr para mim decorar.
Decorar a prova de anestesista. Mas nem decora eu jogo no rap. Ah, mas é a prova é semana que vem.
Não, não. Ô meu Deus do céu. Você tá usando teu dom de pobre pr as coisas erradas.
Nunca vi isso. Puxa vida. Vamos falar, vamos falar do teu pai.
Vamos falar do pai do Ivan. Alcólatra bate na mãe e abandonou Ivan ainda cedo quando criança não tem nem registro identidade. Não abandonou não.
Ele tá ali, ó. Ó lá. Aquele é homem de terno.
Teu pai dando tchau. Ele nem bebe também. Ele não bebe porque ele é da igreja.
Vamos nisso que é record. É bom. A igreja evangélica não é isso?
A gente é budista. Ah, vai se [ __ ] Olha só, vamos dar essa máquina de compacto tap aí de um mendigo desse e vamos entrevistar Deb Lagreno por onde anda, que ela é da turma do Didi, isso vai dar audiência. Oi, Brasil.
Oi, Bocão. Hoje eu tô recebendo ela, Debagranha, que tá aqui e vai falar um pouquinho sobre depressão. Sair dos holofotes, sair da TV, foi uma coisa que pegou fundo nela.
Foi muito difícil, foi duro sair? Não, não, tá tudo bem. Foi uma escolha.
É, foi uma escolha, na verdade é uma escolha única que a vida não deixou ela tomar e ela foi obrigada a cair nocismo. Não foi isso? Não, eu escolhi, eu escolhi ser veterinária.
Eu sou veterinária, sou mãe, tenho uma família linda. Eu tô superada. Isso é complicado pr caramba, sabia?
Porque vocês não me deixam deprimir o Brasil de nenhuma forma. [ __ ] você não. Gente, chama a mulher do estênil pra gente tentar dar uma uma mexida aí.
você topa uma fazenda de repente.