Agora eu vou comentar um pouquinho ali de um ano e meio aos 24 meses, ou seja, aos 2 anos de idade, eh os comportamentos que começam a preocupar esses pais, né? Existe ali um desenvolvimento que se for neurotípico, essa criança ela tá saindo de 50 palavras e ela tá avançando as 200 palavras. Então, aos 2 anos de idade se espera que uma criança tenha um repertório de 200 palavras e que ela forme frases com pelo menos duas palavras.
Dá água, quero mais. Mamãe dá, não, papai. Então ela já começa a montar ali as suas frases com no mínimo duas palavras, é o que é esperado dela ali, e que o repertório dela de palavras se aproxime a 200 palavras.
Então, veja que nós saímos de 1 ano e meio para 50 palavras, agora nós estamos em no mínimo 200 palavras. Então, houve um um uma crescente evolução na quantidade de palavras que essa criança adquiriu nesse período de 6 meses. Para além disso, fica muito marcante na criança neurotípica o jogo simbólico, esse brincar simbólico, ela pegar o objeto e brincar simbólico com ele, usar o carrinho do jeitinho certo, brincando com o carrinho, fazendo barulhinho do carrinho.
crianças que a gente já vê imitando os sons dos animais agora com muito mais facilidade, né? Eu faço uma brincadeira com ela, uma música cabeça, ombro, joelho e pé, ela imita eu fazendo cabeça, ombro, joelho e pé, ela toca na parte do corpinho que representa aquilo que eu tô falando e que ela tá imitando. Então, veja quantas coisas nós temos no desenvolvimento de uma criança neurotípica.
Nós temos então contato visual, nós temos uma atenção compartilhada. Quando eu aponto, quando ela compartilha o interesse comigo e aponta tentando me mostrar algo. Eu tenho uma criança que já imagina uma brincadeira.
Eu tenho uma criança que constantemente tá aprendendo palavras novas. A gente inclusive se surpreende, né? Mas como que ela sabe falar isso?
Como que ele sabe falar aquilo? Se ninguém ensinou, ninguém falou. Então veja, numa criança neurotípica, eu não preciso ensinar para ela que eh garrafa d'água é garrafa d'água.
Ela me vê falando pro pai dela, eh, abre a garrafa, toma água e de tanto ela ver eu falando isso, chega num ponto que ela entende que o que tem aqui dentro é água e que isso é uma garrafa e que se eu fizer assim, eu abro. Então eu não precisei levantar isso na altura do olho, mostrar para ela na altura do meu olho. Eu não precisei mostrar para ela o líquido caindo para ensinar ela que água é água.
Eu não precisei mostrar muitas garrafas, garrafas diferentes, garrafa grande, garrafa pequena para mostrar para ela que era garrafa, para ela aprender que só era uma garrafa. De tanto ela ver o pai e a mãe falando garrafa, dizendo água e falando abre na frente dela. Chegou num dia, ela pediu pro pai e a mãe: "Me dá a garrafa".
Duas palavras, uma frase com duas palavras: "Papai, abre". Eu nunca fiquei na frente dela forçando a garrafa e dizendo que este movimento e tirar a tampa era abre, né? né?
Então ela aprende observando, ela aprende imitando ah aquilo que os adultos estão fazendo no ambiente. Isso tudo, veja que nós temos ali um desenvolvimento que tá avançando, um desenvolvimento que tá ali eh pleno. A gente espera que a criança desenvolva essas habilidades e se não houver nenhum transtorno, é isso que vai acontecer.
No autismo, nós temos uma variação disso que eu acabei de falar. Então, imagine que a agora nós não temos essa criança a partir de um ano e meio a dois ampliando o repertório de palavras. Eu tenho uma criança que adquiriu algumas palavras, talvez 5, 10, 20, mas que a partir de um ano e meio e às vezes até antes, ela começa a perder esse repertório de palavras, ela começa a não falar mais água.
a não falar b para representar bola. Ela parou de falar auau, ela parou de de falar aquelas poucas palavrinhas e ela não foi em direção daquelas 50 palavras de um ano e meio. Ela não foi paraas 200 palavras.
Eu tô agora com uma criança de 1 ano e 10, 1 ano e 11 que fala cinco palavras, que fala duas palavras ou que não fala nenhuma palavra. Então veja que ao invés dela ampliar o repertório de palavras, ela reduziu o repertório de palavras. E isso costuma chamar atenção.
Agora que o conhecimento sobre o autismo foi difundido, isso costuma chamar a atenção dos pais de maneira muito importante, porque eh eles começam a olhar para as crianças da mesma idade e a perceber uma diferença absurda no comportamento dos da sua criança e da criança do vizinho, da criança do amigo. Então veja, essa criança que deveria estar avançando no repertório de palavras agora também deveria estar brincando simbólica simbolicamente, né? Ela deveria estar fantasiando, ela deveria estar brincando com o carrinho com a rodinha para baixo e talvez ela esteja virando o carrinho ao contrário e brincando com a rodinha ou algumas deitam sobre a mesa e ficam olhando até tá na posição correta o carrinho, o carrinho, mas ela fica olhando aquele carrinho e vendo o movimento da rodinha indo pra frente, para trás, ela pega a garrafa que a criança neurotípica aprendeu a usar de tanto ver os pais usarem e ao invés dela utilizar a garrafa do jeito certo, ela joga a garrafa e rola a garrafa para ficar vendo o movimento da água e da garrafa rolarem.
Então, as coisas aqui começam a ser utilizadas fora da sua função. Essa criança não usa a garrafa d'água para abrir e tomar água. Algumas, como a minha criança, o o meu primeiro filho, ele apertava a garrafa para ver a água saltar, para ver o movimento da água.
Então, perceba que a os sintomas, os sinais e sintomas de autismo, por volta do do ano e 10, 1 ano e 11, 2 anos de idade, eles vão ficando muito gritantes, vão ficando muito visíveis, porque as outras crianças estão falando, estão brincando de maneira funcional com os objetos e aquela criança autista não, né? Para além disso, você observa que a criança até brinca, mas ela brinca de um jeito atípico com o brinquedo. Ela brinca diferente ou ela gira o objeto em torno dele mesmo.
Ela tu joga a bola para ela, ela pega a bola, mas ela joga pra parede, ela chuta para outro canto, ela não chuta em direção ao adulto que chutou para ela. Então, há pouco interesse em estar numa interação com o adulto, exceto é óbvio, se o adulto tiver eh portando naquele momento um objeto que é de muito interesse da criança, talvez ela até vai em direção ao adulto pelo objeto, mas não pelo adulto, não pela interação social em si. Então, eh, todos esses comportamentos vão ficando muito visíveis, né?
E por volta de 2 anos de idade, quase que ah os pais têm comumente a mãe tem muita certeza de que tem algo ali acontecendo, de que essa criança tá diferente. Eu elenquei aqui bem rapidinho alguns tópicos, só pra gente ter uma noção de comportamentos repetitivos e de sinais de alerta para essa fase que eu acabei de comentar. Então, perda de palavras que já falava e agora não fala mais.
Brincar repetitivo com os objetos, desde ficar ali, como eu expliquei antes, em relação ao carrinho, girando as rodinhas, alinhando os carrinhos, correndo em linha, correndo como se tivesse uma linha no chão, indo e voltando, abrindo e fechando portas, andando na ponta dos pés, ah, movimentando as mãos, um movimento de contar dinheiro ou em flapping, ficar na ponta dos pés. Às vezes a criança não anda na ponta dos pés, mas ela fica na ponta dos pés. Ah, também coloquei aqui fixação em algumas partes de um objeto.
É como se a criança não enxergasse o objeto como um todo, mas ela enxerga aquela pequena parte do objeto e fixa nele, sem entender ele como um todo. E o principal, que é o baixo interesse por trocas com outras crianças da mesma idade. Isso é importante porque às vezes os pais dizem assim, mas ele brinca porque o primo dele de 6 anos vem aqui e ele brinca pra caramba.
Não, mas ele ele ama a criança porque vem o bebê aqui da minha prima e ele ama ficar perto. Então veja que tanto o bebê recém-nascido quanto a criança de 6 anos não são da mesma idade, né? Ele tem cerca de 2 anos, essa criança que a gente tá comentando aqui.
E ela gosta de interagir ou a com pessoas mais velhas ou b. Então, a falha comumente está na interação com os pares, com a mesma idade. Então, não significa que ela não vai interagir com ninguém.
significa que na maioria das vezes a falha está na mesma idade, na interação com a mesma idade. E às vezes isso é generalizado, não interage com faixa etária nenhuma. E para finalizar, eu coloco então que ah, também movimentos de balançar o próprio corpo, né?
Algumas crianças ficam pra frente e para trás. Algumas ficam batendo a nuca na parede ou no sofá, sentindo aquele impacto na sua cabecinha. Também coloquei aqui movimentos com os olhos, um movimento lateralizado de ficar olhando com o canto do olho, tentando enxergar a coisa de maneira lateralizada e também a alteração com a relação com a comida, né?
Quando você vê a criança eh selecionando por cor, por forma ou por textura. Também gosto de falar disso porque às vezes os pais não associam que aquela seletividade que tá se manifestando ali tem a ver sim com uma apresentação de um sinal de autismo ali, de um sintoma de autismo. Por exemplo, eh tem uma cena que me marcou muito quando meu filho tava manifestando sintomas de autismo.
Eu tenho duas crianças com autismo, mas o mais velho nós fomos apresentar para ele batata frita, que era uma coisa que ele amava. E eu já tinha estudado sobre cor, forma ou textura. Eu pensei, fui por eliminação, né?
Eu vi que a cor era que ele sempre comia, eu vi que a textura era a mesma. Eu falei: "Só sobra então a forma". E eu observei que quando ele olhou pro prato e ele gritou, ele rejeitou logo a comida.
E eu pensei, bom, se não é cor, se não é textura e sobra forma, então deve ser pelo tamanho das batatas. E era um pacote de batatas que vinha uma batata grande, uma batata pequena, uma mais ou menos. E eu percebi que as batatas não tinham o mesmo tamanho.
Então o que eu fiz foi, fui até a cozinha e cortei as batatas todas do mesmo formato e alinhei as batatas uma ao lado da outra e entreguei elas todas enfileradas do mesmo tamanho e ele comeu, né? Naquele momento, sem saber o que eu estava fazendo, resolvi o problema comer. Ele comeu tudo.
Mas percebam que eu reforcei um comportamento inadequado, porque ele gritou, eu fui, eu cortei as batatas do mesmo tamanho e eu trouxe as batatas depois dele ter gritado. Então, o adequado aqui seria cortar do tamanho que ele comeria, mas pedir que ele falasse batata primeiro para que daí eu entregasse a batata como uma consequência reforçadora pro ato dele de pedir aquela batata. Então agora nós acabamos de encerrar essa aula em que nós falamos desse desenvolvimento até os 2 anos de idade.
M.