Professor Cobor, meu nome é Amanda e falo de Cascavel, Paraná. Admiro muito o seu trabalho, sempre trazendo discussões disruptivas e construtivas. A minha pergunta é, considerando o debate sobre o declínio da hegemonia do dólar, o avanço econômico da China e o fortalecimento dos bricks, porque o dólar ainda se valoriza frente ao real brasileiro?
Se esses fatores realmente indicam uma mudança no sistema financeiro global, não seria esperado que o real ganhasse força ou pelo menos se estabilizasse em relação ao dólar? Quais mecanismos econômicos explicam essa aparente contradição? Bem, Amanda de Cascavel, vamos lá, como eu já falei bastante, né, sobre a parte geopolítica, que eu vou responder essa aqui bem pontualmente, né, sobre aqui por que o real se valoriza ou se desvaloriza e se tá mudando o sistema financeiro global.
Inclusive, eu dei uma palestra, né, na em Salvador agora sobre exatamente isso, sistema financeiro global e a política monetária nos Estados Unidos, política de juros e do Banco Central, né? Mas vamos focar aqui, como eu já falei bastante, né, da da parte estratégica ou política, tentar falar dessa parte do do sistema financeiro global mesmo. Primeiro, esses movimentos que estão tendo agora, a gente não pode olhar só a taxa de campo brasileira, que é um movimento na economia global, né?
como você falou, sistema financeiro global, o fenômeno do real frente ao dólar se desvalorizar ou não, isso tá no curto prazo muito de movimentos, fluxo de capital especulativo, até porque diante da imprevisibilidade, da instabilidade, ninguém consegue mensurar o risco. Se você não consegue mensurar o risco, você não consegue se planejar, você não consegue saber o que vai acontecer e precificar aquele risco que colocar e nas suas contas. Não tem como fazer isso.
Então, esses movimentos que tem é movimento especulativo. O cara acha que pode piorar, então antes de piorar eu vendo meus meus reais aqui, compro o dólar e vou embora. Ou o inverso, né?
Ah, deu uma acalmada, então eu venho aqui, vendo meus dólares, compro em reais e invisto no Brasil de novo. Então, por isso que a taxa de câmbio fica volátil. Então, num curto prazo, não tem como você saber se o dólar vai se valorizar ou desvalorizar o que vai acontecer, até porque ninguém sabe o que vai acontecer.
Então não tem como você precificar isso. Mas no sistema financeiro global, que a gente precisa ficar de olho, não é no dólar, é num índice que chama dxy dxy, tá? DXY.
Que que é o índice de XY? É que demonstra o que seria o valor do dólar frente a uma cesta de moedas, né? Uma cesta ponderada de moedas.
E essa cesta ponderada de moedas, ela é composta por seis moedas. Isso aí todo operador de mercado financeiro conhece esse índice, né? Chama DXY.
Eh, e esse índice ele é de uma cesta ponderada de moedas do yene japonês, do euro, do dólar canandense, da libre esterlina, da coroa sueca e do franco suíço. Então essa cesta de seis moedas é que formam o índice chamado de DXY, que é nada mais nada menos que mostrar a força do dólar frente a essa cesta ponderada de moedas, né? Então, se o índice de XY está mais forte, é porque o dólar está mais forte.
Se o índice de XY estiver mais fraco, é porque o dólar está mais fraco. Mais forte ou mais fraco em relação ao quê? A essa cesta de moedas.
Então é uma forma de ser comparar o dólar com a economia mundial, né? Quando ele faz essas seis de moeda, o dólar está mais fraco ou mais forte no mundo, no sistema financeiro global. Então qual a sinalização que a gente pode dar?
Que eu sempre falo assim, para quem não entende muito do sistema financeiro global, eh ele pode olhar uma coisa e achar que é outra. E na realidade é mesmo, tá? Às vezes pode indicar uma coisa, às vezes pode indicar outra, mas você tem que olhar mais uma série de movimentos que acontecem no sistema financeiro global.
Mas a princípio, quando um índice de XY está fraco, que o dólar está se enfraquecendo na economia mundial, você pode falar assim: "Ah, igual acho que o Trump falou ontem, né? Isso é bom porque aí o pros pro Estados Unidos exportar é melhor". É, realmente é melhor, mas o dólar fraco, o índice de XY se enfraquecendo, é um sinal que a economia mundial está se redolarizando, ou seja, está utilizando dólares porque tem um excesso de dólares no mercado.
Com o excesso de dólares no mercado, a tendência é que o índice de XY comece a cair. O inverso é verdadeiro. Quando o índice de XY começa a subir, ou seja, o dólar começa a se valorizar frente a essa cesta de seis moedas, quer dizer que tem menos dólares no mercado.
Então, com menos dólares no mercado, o índice de XY começa a subir. Com menos dólares no mercado, quer dizer que a economia mundial está se desdolarizando. Então, assim, existem sinais que a gente tem que, isso é assim de forma macro, né?
E você tem que olhar outros sinais, outras variáveis. é para confirmar isso, esse, né, essa tendência eh de dolarização ou desdolarização, tá? Então, assim, o sistema financeiro global é um pouco mais complexo de de se utilizar, né, de se olhar.
Então, quando você olha isso, pode ser também eh porque as operações com dívida americana elas também mexem com a liquidez ou não de dólar na economia mundial, né? Então isso aí você também tem que ver o movimento que os os maiores detentores da dívida pública americana, que são os outros bancos centrais do mundo, né? A maior é o Banco Central do Japão, depois é o Banco Central da China, depois se me engano está lá na Inglaterra, né?
Então, eh, esse movimento de compra e venda de títulos do tesouro americano também você tem que casar com o índice de XY para fazer uma análise um pouco mais completa. Aí você faz uma análise um pouco mais completa, não tá tão completa que eu falei lá no início, na primeira movimento do Trump que eu dei uma olhada no mercado, eu falei: "Ó, isso na realidade o que tá acontecendo é isso. " Por quê?
Porque essa esse movimento de venda, compra e venda de estrito americano também não é só na economia real. Não quer dizer que as pessoas estão comprando título americano para pôr na sua reserva ou estão se livrando dos título americano para, né, diminuir os ativos denominado dos dólares da sua reserva. Às vezes é porque títulos americanos são utilizados também como colateral de outras operações, como eu já expliquei aqui, do carry trade, né, do basis trade, eh, que você toma um empréstimo, digamos, na mais comum, você faz um carry trade no Japão.
Quando você pega dinheiro emprestado no Japão, ele te empresta, mas ele pega um colateral. e o colateral que ele exige é títulos do tesouro americano, né? Por isso que o Banco Central Japonês é o maior detentor de títulos do tesouro americano, justamente pelas operações de carry trade.
Então, eh, ele tá colocando lá como colateral e aí quando ele coloca como colateral, deu aquela confusão no mercado financeiro mundial, eh, o Banco Central Japonês começou a vender tiro de tesouro americano. Aí as pessoas falaram: "Ah, o Japão está se livrando de tiros do tesouro americano". Não, aquilo era um colateral de uma operação que deu errado, que era um basis trades que tava sendo feito eh no sistema financeiro global, que aí aquela oscilação da taxa de juros de longo prazo dos dos tibondes de 10 anos começou a ficar muito instável.
Então várias operações eh que são operações de arbitragem, né, de comprar, vender, compra vista e vende a futuro, vende a futuro, compra vista, compra futuro, vende a vista. São várias operações de arbitragem feitas para tentar equilibrar o preço do título. Pela instabilidade da taxa de juros, começou a dar errado.
E aí começou a dar errado, começou a dar prejuízo em algumas operações. Começa a dar prejuízo em algumas operações. Eh, esses fundos, grandes fundos de Red são chamados na margem, né?
São chamados na margem. Que que é? Você tem que redepositar margem para tentar manter as operações, é, que você tá e não ser retirado do mercado, né?
não ser, como eles dizem, stopado ou zerado a sua posição, você não oferecer risco no mercado. E aí quando ele é chamado à margem, para chamar na margem, o Banco Central Japonês vai lá e liquida os títulos dele para fazer frente a essa liquidez que ele precisou. Então assim, é um sistema muito intrincado e complexo.
Você tem que analisar vários fatores para saber o que realmente está acontecendo, né? Então, quando você olha todos os fatores, tem as suas explicações, aí você fala assim: "Realmente essa queda no índice de XY está mostrando uma redolarização da economia americana ou eh o índice de XY está se valorizando, está mostrando uma desdolarização da economia mundial. Então é muito mais complexo que isso, tá?
Mas Amanda, esses movimentos de curto prazo, eh, na nossa taxa de câmbio aqui, dólar frente a real, não quer dizer muita coisa, né? Até porque não existe ainda um equilíbrio, né? Depois que o Donald Trump e iniciou essa guerra tarifária, na verdade, o mundo ainda tá numa esp esp espécie de estratégia do caos do Donald Trump.
Então, ele está jogando com essa imprevisibilidade e na imprevisibilidade ninguém consegue precificar nada. Então, esses movimentos não tem como você ler ele de uma forma, ó, existe uma tendência de de desvalorização do real ou existe uma tendência de valorização do real. Aí não tem como se fazer uma análise muito concreta, né?
Todos esses movimentos de curto prazo são especulativos. OK? Espero ter te ajudado.