Olá, eu sou o professor Marcelo Trésel, sou do programa de pós-graduação em comunicação aqui da UGRs e também dou aulas no curso de graduação em jornalismo. O nesse encontro eu vou abordar o texto jornalístico eh voltado paraa divulgação científica. Então, a ideia aqui dessa aula é explicar um pouquinho sobre a relação entre comunicação, divulgação científica e jornalismo científico, eh, e também dar algumas dicas e fazer uma introdução ao formato de texto notícia, que é o formato básico, né, do jornalismo, embora existam outros, como reportagem, nota, artigo, né, o nosso foco aqui vai ser a notícia, que é o que a gente imagina quando pensa num texto jornalístico.
Então, vou compartilhar agora a minha tela com vocês. Por que a divulgação científica, né? Porque todos nós como cidadãos somos especialistas em algum assunto, né?
Eu sou doutor em comunicação e fiz alguns semestres de farmácia no início da minha carreira acadêmica. Então, eu entendo um pouquinho de química, um pouquinho de bioquímica, consigo talvez pegar um artigo científico e entender alguma parte dele, mas eu nunca vou entender como uma pessoa que é formada, né, pesquisadora em bioquímica. Eh, assim como um doutor em física vai entender muito de matemática e talvez bastante de química também, mas eh talvez não entenda muito de sociologia e precise, né, de que aquela ciência seja traduzida para ele.
Então, eh, é, esse é o sentido da divulgação científica e o jornalismo, o texto jornalístico, é uma das formas de se fazer esse trabalho. Bom, a maioria das pessoas, né, especialmente quem não é pesquisador, eh, ainda tem o problema de não conhecer o método científico e precisar também de algum apoio para compreender isso. Eu trouxe aqui esse slide que é de uma brincadeira da BMJ, uma revista de medicina britânica, em que eles no Natal fazem uma edição especial, né, com algumas alguns artigos assim mais de, né, de meio de humor, meio de brincadeira.
Eh, eles pediram para 57 crianças de 9 anos criarem panfletos sobre prótese de quadril, né, o a cirurgia de de substituição da prótese de quadril. E a ideia era que as crianças, né, seriam mais capazes de ensinar aos pacientes o que que tava, como é que funcionava a cirurgia, quais eram os cuidados, quais eram as, né, eh, as consequências dela, eh, do que os panfletos criados pelos próprios hospitais, que normalmente usam um jargão muito técnico, né? Eh, se vocês forem na internet, tem alguns canais que tentam explicar eh a ciência para pessoas de 5 anos, como se a pessoa do público tivesse 5 anos de idade, né?
Então, eh, essa noção, né, de se colocar no lugar de uma criança, né, como se a gente tivesse explicando para um filho, né, ou para um sobrinho, eh, o alguma alguma pesquisa científica pode ser uma abordagem, né, ou uma ajudar na nossa imaginação. Eh, e realmente, né, maioria da população tem um nível de alfabetização que tá aí nas na casa dos 8 anos de idade. Então, realmente, quando a gente tá falando para um público mais amplo, eh, pode ser necessária essa, eh, essa simplificação.
O grande desafio, claro, é simplificar sem perverter, né, o a informação, sem perverter o conteúdo. Ã, bom, mas então, eh, o jornalismo científico, ele tá vinculado à divulgação científica, que não é a mesma coisa que a comunicação científica. a minha colega da ciência da informação, professora Sams, né?
Ela vai dizer que a comunicação científica são aquelas atividades que nós pesquisadores estamos acostumados, né? Eh, ler artigos científicos, eh produzir artigos científicos, tes relatórios para compartilhar com os nossos colegas, eh, eh, apresentando resultados das nossas pesquisas ou fazendo alguma discussão teórica. Então, gráfico que foi adaptado pela professora Samil, ele mostra a relação entre os diferentes aspectos da comunicação e da divulgação científica.
Então, a gente começa lá no primeiro cientistas falando com os próprios cientistas, né, difundindo o conhecimento eh na academia. Depois, cientistas que são professores vão compartilhar esse conhecimento com seus estudantes, né? Então, ensino da ciência vai eh vão fazer a formação dos cientistas, né?
Eh, os professores, museólogos, cientistas também vão entrar em contato com alunos, né, eh, do ensino fundamental nas escolas, nas universidades, nas feiras de ciência, nos museus, né, que são também veículos de divulgação científica. H, e vão ter contato no quarto quadrante com os jornalistas, né, que vão eh difundir paraa maior parte da sociedade, então, através da televisão, revistas e jornais, o, né, o o estado da arte, da ciência em um determinado assunto ou algum avanço importante, né, eh, algo desse gênero. A divulgação científica, ela começa h muito tempo, né?
Já ali no na época do Iluminismo, né? Os enciclopedistas propuseram então um compilado de todo o conhecimento científico e filosófico, né, disponível eh naquela época. Eh, a gente conhece ele como enciclopédia e até hoje, né, a gente ainda se vale desse instrumento para fazer a divulgação da ciência.
A Wikipédia hoje, né, substituiu aquelas enciclopédias em 30 volumes que às vezes a gente tinha na casa dos nossos avós. Eh, e ela também se tornou mais, né, participativa na medida em que qualquer pessoa pode contribuir com a Wikipédia. Eh, inclusive, né, vários especialistas costumam, né, e aprimorar os verbetes ou iniciar verbetes na Wikipédia.
Então, conheço muitos colegas cientistas que participam ativamente. Eu mesmo já participei muito da Wikipédia na minha área de conhecimento. Então, eh, é é uma tentativa, né?
À medida que o conhecimento foi se tornando, eh, volumoso demais para se colocar em um coleção de livros, a gente teve que apelar para essas outras ferramentas, né, mais escaláveis. Eh, aqui um exemplo de museu, né? Na verdade, esse é um gabinete de curiosidades, que era algo também muito popular ali na era na época do Iluminismo, na era moderna.
Então, eram pessoas que recolhiam eh de navegadores, né, ou faziam expedições elas mesmas e traziam então eh elementos de história natural e criavam uma sala na sua casa, por exemplo, onde elas faziam uma exposição disso, né? paraa população local. Eh, e também as palestras eram até ali o século XX ou até um pouco antes da do início da televisão e do rádio.
Uma outra maneira de divulgação científica muito comum, né, que a gente tem uma palestra do Nicola Tesla em eh nos Estados Unidos explicando suas descobertas científicas. Eh, então, eh, a divulgação e a comunicação científica, elas sempre foram um esforço, né? E agora, hoje em dia, a gente tem outros instrumentos, né, para fazer isso, eh, desde o início, então, da mídia de massa, né, no século XX.
Bom, eh, a comunicação científica, ela se diferencia da divulgação científica, né, no perfil do público alvo, no nível do discurso empregado e na natureza dos canais de veiculação, segundo o n eh a divulgação científica, ela vai ter por objetivo democratizar o conhecimento e contribuir paraa alfabetização científica, né? E o jornalismo científico, de novo, ele vai nascer, então, eh, tá, tá incluído nesse âmbito da divulgação, né? Algumas funções da divulgação científica são, eh, democratizar o conhecimento, então já foi falado ali, promover alfabetização científica, fomentar o espírito crítico na população, algo que eh se torna cada vez mais necessário aí nesse nessa segunda década do século XX.
vacinar o público contra boatos e notícias falsas. Então essa é uma outra função eh recente, talvez, da divulgação científica, não é? que é combater esse contexto em que a gente se encontra de desordem informacional e informar a sociedade a respeito de avanços da ciência que possam orientar as atividades cotidianas, que talvez seja o aspecto mais importante, né, dessa divulgação.
H, o jornalismo científico, então, ele vai seguir uma ordenação diferente do texto do texto acadêmico, né? eh, não vai ter objetivos, metodologia, conclusões, etc. Ele vai ter eh a presunção do interesse do leitor pelos resultados e aplicações das pesquisas mais do que pelo próprio saber científico que foi construído, né?
Eu, como pesquisador, muitas vezes vou ler um artigo mais para saber qual foi a metodologia, por exemplo, utilizada e às vezes menos pelos resultados que foram encontrados, né? Mas pro público em geral, o que importa são os resultados e o que que como esses resultados podem ser aplicados nas suas vidas. H, então ela aqui, Gril e Olímpio vão dizer, né, que o parágrafo ele se constitui na principal articulação composicional da reportagem, sendo que cada parágrafo pode sintetizar o que corresponderia a uma sessão inteira de um artigo científico.
Então, já estão aqui apontando, né, que o texto noticioso ele vai ser muito mais restrito, muito menor, limitado do que um artigo científico. Então, evidentemente, se a gente tem que reduzir um texto de, digamos, 30. 000 caracteres, 40.
000 caracteres para 2. 400, 3. 000 caracteres, que é o tamanho médio de uma notícia, eh, em um jornal impresso, eh já se vê que algum nível de simplificação vai ser exigido.
Então, alguns veículos que eu eh que talvez vocês conheçam, né, de jornalismo científico, talvez o melhor do Brasil seja a revista Pesquisa FAPESP, né, que é tão tão interessante para não só para cientistas, mas para eh fazer um trabalho tão bom assim de divulgação que inclusive muitas pessoas que não têm relação com a academia assinam essa essa revista. Eh, aqui na URGS a gente tem o nosso jornal da universidade, que também vem fazendo um ótimo trabalho de divulgação científica. H, inclusive, né, eh, aqui vocês, como pesquisadores, pesquisadoras da universidade, quando tiverem resultados a reportar, eu incentivo muito que entrem em contato com a Secretaria de Comunicação, né, porque eles estão sempre atentos aí ao que pode render alguma notícia, alguma reportagem pro jornal da universidade e também podem ajudar a disseminar para outros veículos de imprensa, né, no aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Então nós não necessariamente como eh pesquisadores aqui da UGRS precisamos nós mesmos sempre eh criar os nossos nossos textos, vídeos e áudios. A gente pode e deve, né, se valer também da Secretaria de Comunicação que, né, tem essa função no fim das contas. Livros, né, também são uma forma de divulgação científica já bastante antiga e bastante popular.
Então, trouxe aqui o Marcelo Giser e o Sidarta Ribeiro, que são dois autores brasileiros, né, de divulgem eh divulgação científica muito bem. H, quando eu era mais novo, a gente tinha super interessante a Galileu. Eu tenho a impressão, tem não não sei direito, acho que nenhuma das duas revistas existe no formato impresso, mas também é super interessante, sobretudo que eu já sou um pouco mais velho, né, então era a que tinha quando eu era bem bem novo.
me fascinava muito e, né, me despertou assim muito pr pra carreira acadêmica, pra carreira como cientista. H, na internet também, né? Hoje a gente tem veículos como a revista Piauí, que inclusive tem uma coluna da Meg Rodrigues, né, que é uma coluna voltada para jornalismo científico, mas vários outros jornais t editorias de ciência, né, ou às vezes mais de saúde, né, mas eh costuma ter alguma coisa de ciência ou educação.
E mais recentemente surgiu uma agência de uma agência de assessoria de imprensa focada em academia em universidade, que é a Bori. Ela teve patrocínio do Instituto Serra Pilheira. E eles, então, o que que eles trabalham com cientistas que estão, né, com alguma descoberta para ser publicada, com algum artigo para sair num periódico internacional, por exemplo, eh preparam todo o material de divulgação dessa pesquisa.
Então, eh, é um trabalho muito interessante e inclusive eu recomendo, né, que quando vocês terminarem de assistir essa aula e vão começar talvez a fazer, né, cumprir alguma tarefa de produzir um texto noticioso e deem uma olhada no que tem disponível de textos na agência Bori, deem uma lida, porque eles oferecem um ótimo modelo de notícia, né, e às vezes de reportagem também, mas principalmente de notícia baseada em estudos científicos. Eh, e temos também as redes sociais. Então, o canal Nunca viu um cientista, né, também bastante famoso, eh, e opera no YouTube trazendo vídeos, né, com explicações sobre variados, né, variados assuntos relacionados à ciência.
H, a Melanie Dutra também, né? Eh, e uma prata da casa e também vem fazendo no Twitter, em outras redes aí o trabalho de divulgação em bi na área de biomedicina, neurociência. Eh, e temos no Instagram aqui um outro exemplo, Igor Eckert, né, que passa principalmente divulgação eh de estatística, né, ele discute muito a validade estatística, né, a força das descobertas de um determinado artigo, eh, e explica muito bem como a gente, que conclusões a gente pode tirar de dependendo, né, do da metodologia de cada artigo.
Então, para quem quer eh ver como explicar a metodologia de uma maneira compreensível pro público em geral, esse aqui é um é um canal bem interessante também. Hã, então, no nosso caso, o foco é no texto jornalístico, né? Ou seja, o texto que a gente vai ver na zero hora, no na Folha de São Paulo, no Estadão, eh, ou na revista FAPESP.
no jornal da UGRS, eh, o texto jornalístico básico é a notícia, né? Então, eh, ela é primariamente o quê? o relato, né, de forma expositiva e com linguagem referencial e impessoal, de um fato de uma série de fatos, começando sempre pelo mais importante e indo pro menos importante, com o objetivo de informar sobre as transformações, os movimentos, né, as enunciações observáveis no mundo.
Então, eh, o objetivo é informar a sociedade sobre os acontecimentos. Que que é um acontecimento? são isso é algo difícil de definir, né?
Até mesmo no na comunicação a gente discute bastante, né? O que é um acontecimento, assim, do ponto de vista teórico. Eh, mas o acontecimento é aquilo que sai do comum.
O, a metáfora mais famosa eh, que se um cachorro morde uma pessoa, isso não é a notícia. Agora, se uma pessoa morde um cachorro, aí aí a gente tem uma notícia porque é algo que, né, sai do normal. Então, eh, notícia, notícia, um acontecimento jornalístico, normalmente ele vai precisar sair ser algo que, né, sai da rotina ou também, né, acontecimentos jornalísticos vão ser eh as atividades das autoridades, do presidente da República, do governador do estado, né, eh das celebridades, eh a programação cultural é de interesse jornalístico.
Então daí a gente tem essa área mais de serviços, né, em que que a gente que vai se fazer notícias sobre um filme que tá estreando essa semana, né, sobre um show que vai acontecer na cidade, ã, ou também podem ser eventos, eh, um congresso, né, Copa do Mundo, a morte do Papa, né, que aconteceu pouco antes de eu gravar esse vídeo aqui. Então, eh, o acontecimento jornalístico, ele vai ser o material, né, que a gente vai usar para produzir notícias, né, e com uma série de notícias produzir uma edição diária de um jornal ou de um telejornal ou de um rádiojornal, né? Hã, embora se apresente como objetiva e baseada na adequação aos fatos, a notícia é um relato de aparências, né?
E ela é influenciada por critérios ideológicos e contextuais, né? E é orientada pelo que a gente chama de valores notícia. Então, valores notícia podem ser a novidade, né?
Então, algo que aconteceu recentemente, podem ser a autoridade ou ou n o fato de ter pessoas com autoridade envolvidas no caso a proximidade, ou seja, um acontecimento em Porto Alegre vai ser mais importante do que um acontecimento, né, em Dacar, no Senegal, para nós aqui que moramos em Porto Alegre, né, e por aí vai. H, eu não vou entrar aqui nessa parte mais teórica, né, de discutir o quanto a notícia é verdadeira, não é verdadeira, o quanto ela reflete a realidade, não reflete, né? Eh, eh, que eu posso dizer é que objetividade, quando a gente fala em objetividade no jornalismo, a gente não tá se referindo a ser totalmente neutro ou imparcial, que isso é muito difícil.
Eh, a objetividade ela tem a ver mais com o que a gente poderia chamar de honestidade, né, no tratamento de um acontecimento. Então, eu, como jornalista, eu posso ser torcedor do Grêmio, mas se eu for fazer a cobertura de um jogo do Inter, eu vou procurar ser, né, honesto com os fatos e relatar os fatos eh como eles se apresentaram para mim. Hã, e muitas vezes, inclusive, um jornalista que torce pro Grêmio vai ser até melhor repórter de acontecimentos do Inter, porque a pessoa vai se policiar para não ser eh tendenciosa e, né, esse autopoliciamento vai acabar rendendo uma notícia até mais bem produzida.
Então, eh, assim, a gente sabe que existem muitos, muitas questões, né, eh, ideológicas ligadas com o jornalismo, mas, eh, né, esse não é aqui o o nosso nosso ponto aqui da de aula, né? Quem quiser se aprofundar nesse nessa teoria, né, e também nos aspectos de texto, eu recomendo muito a leitura do trabalho do professor Nilson L, que era da UFSK, e os livros dele estão disponíveis no site eh pessoal dele. Depois eu posso, né, colocar o link eh na descrição do YouTube, eh, para vocês verem, mas também vocês podem procurar Nilson Lage no Google e tem lá, então, alguns livros que para quem quiser se aprofundar eh na teoria e na técnica da notícia.
Hã, então L vai dizer, né, que desde tempos antigos a notícia tem sido o modo corrente de transmissão da experiência, né? A articulação simbólica, que usa a linguagem, né, que transporta a consciência de um fato a quem não o presenciou. Então, a notícia eh é um formato de transporte de informação, basicamente.
Eh, é o texto básico do jornalismo e vai expor um fato novo ou desconhecido e seus aspectos mais importantes, né? Eh, não é um texto argumentativo, né? Eh, salvo quando a gente tá reproduzindo cita em eh no na forma de citação argumentos, né, das nossas fontes e ela vai afirmar, não vai questionar.
Então, a notícia ela não vai ser reflexiva, ela vai afirmar aconteceu X no dia Y, eh, no lugar Z, né? Eh, a notícia ela não investiga as causas e consequências de um acontecimento ou de um fato social, né? Ela não é um texto, um texto acadêmico, que é o que costuma fazer isso, né?
Ou um artigo de opinião, talvez, né? Eh, embora ela possa resultar de uma investigação. Então, eu, como repórter posso realizar uma apuração, fazer jornalismo investigativo e atrás de documentos, de depoimentos para eh noticiar um caso de corrupção, né?
Mas eh não necessariamente, né? Inclusive vai, eu vou, isso vai transparecer no texto, né? O texto noticioso canônico, ele não quer convencer, né?
Ele pretende mostrar o que aconteceu, né? Então, eh esse é o ponto mais importante. A notícia ela é muito objetiva, né?
Então, a gente procura se despedir toda a subjetividade durante a redação e mostrar como se a gente estivesse eh narrando, né? A notícia, inclusive, ela vem da, né, dos relatos orais, né? Então, ela vai mostrar eh tentar mostrar narrativamente para quem tá lendo o que aconteceu em um determinado lugar distante ou num eh tempo, né, distante, algo que a pessoa não testemunhou.
E para isso a gente vai falar com testemunhas. Se nós mesmos como repórteres não não testemunhamos, né, o os fatos, nós vamos falar com pessoas que testemunharam e tentar criar, né, eh, o quadro mais completo possível eh para passar paraos nossos leitores, eh, o texto em si, né, eh, a gente vai sempre ter um título que é um título eh não tão assim eh poético ou vago quando um quanto um título. de artigo de opinião, né?
Então, artigo de opinião pode ter um título: "Ah, a corrupção prejudica o Brasil, né? " Num eh título de notícia, nós vamos ter que ter eh algo mais, né? Em geral, ele vai ter um verbo, então alguém ou algo aconteceu ou alguém está fazendo alguma coisa, né?
Então, eh, um exemplo de notícia para ficar no tema corrupção seria, eh, por exemplo, Secretaria de Educação da Prefeitura de Porto Alegre, eh, comprou milhões em livros que nunca foram usados, né? Isso é um título noticioso, né? Eh, então esse título ele também tem que chamar a atenção do leitor quando for possível.
Nem sempre é por quê? que às vezes para chamar atenção seria preciso distorcer os fatos, né? E a gente procura evitar isso no jornalismo.
Então, eh, a notícia, ela vai ter um primeiro parágrafo chamado lead, vai responder a perguntas básicas como que, quem, quando, onde, se possível, né, vai oferecer um gancho. Gancho no jornalismo é o algum evento, alguma coisa que eh algum assunto corrente na sociedade com que a gente possa fazer uma conexão para valorizar aquela notícia. Então, se a gente vai a um evento sobre mudanças climáticas, nós podemos oferecer como gancho, por exemplo, o aniversário de um ano das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Então esse seria o gancho, né, de um de uma palestra sobre clima eh agora em abril de 2024, que é quando eu tô gravando esse vídeo. Eh, os parágrafos subsequentes da notí notícia vão explicar como e por, né, aquele acontecimento se deu usando entrevistas, dados, referências, descrições e outras informações de apoio. A narrativa vai ser escrita em discurso indireto, né?
Então não na primeira pessoa, por exemplo, eu fui ao estádio do Grêmio, não vai ser no discurso indireto. A neste domingo o Grêmio e Inter disputaram a partida pelo Brasileirão, né? Então sempre possível nesse sentido.
Eh, e a gente vai usar aspas, né? Que que são aspas? Aspas são citações, né?
Então, a gente vai entrevistar pessoas, entrevistar um jogador do Grêmio, entrevistar o técnico do Inter, vamos separar frases dessas pessoas, né, que representem eh da melhor maneira possível, né, o sentido da entrevista que essas pessoas nos deram, porque às vezes nós vamos falar 10 minutos, meia hora com a pessoa e vamos conseguir usar só uma ou duas frases, né? Então, tem que ser frases muito bem escolhidas e que possam realmente ser o cerne, né, eh, da opinião delas, né, ou dos argumentos delas. H, e essas aspas, n, essas citações, elas vão servir como evidências dos fatos.
Então vão tá na notícia para como prova de que aquele acontecimento realmente se deu, né, ou como prova de que, eh, né, um determinado grupo tem uma opinião X a respeito daquele acontecimento, enquanto o outro grupo tem a opinião Y, né? Os verbos vão estar sempre no tempo presente em uma notícia, nunca no tempo pretérito, né? Só em raras exceções, a gente vai usar o tempo pretérito, mas como regra geral, colocem todos os verbos sempre no presente e as frases também sempre, de maneira geral, na ordem mais direta possível.
Então a gente procura sempre num texto noticioso evitar o beletrismo. O objetivo da notícia é informar, né? e informar com o menor atrito possível pro leitor.
Então, nós temos sempre que nos preocupar em usar a linguagem mais simples, né? O que não quer dizer eh uma linguagem simplória necessariamente, mas sempre procurar os termos e as construções de frases o mais eh simples possíveis que a gente puder usar, né? E se a gente tiver fazendo eh uma notícia paraa internet, né?
É sempre bom a gente incluir a a URL do artigo científico ou da tese ou da gravação de um evento eh que a gente sobre o qual a gente estiver falando eh para que as pessoas possam se aprofundar caso elas desejem, né? Então, em textos paraa internet, a gente pode ainda lançar mão desse material de apoio, né, através dos links. Bom, esse é um modelo que a gente usa bastante na faculdade de jornalismo, né, que é a pirâmide invertida, eh, que é o modelo clássico de notícia.
Então a gente vai ter na no topo, né, o que ali tem a maior área, o lead, que é o primeiro parágrafo. E esse é o mais importante, né, esse parágrafo. Porque que eh ele vai sintetizar a notícia, né?
Eh, todos os aspectos relevantes do acontecimento precisam estar no lead e, em geral, esses aspectos vão ser quem, o que, quando, onde, como, por às vezes, né? porque normalmente acaba ficando até pro segundo parágrafo. Eh, então um lead vai ser às vezes muito simples, né?
Eh, nesta quinta-feira, dia 24 de abril de 2025, dois automóveis colidiram na esquina das avenidas Ipiranga e Ramiro Barcelos, causando a morte dos dois motoristas. É, isso aqui é um lead que eu inventei agora, né, só para dar um exemplo para vocês. Então, a gente tem aí várias respostas, né, para essas perguntas nessa frase que eu falei.
O Hélio Gaspar, né, um jornalista e colunista da eh bastante famoso, ele diz que se tem pauta, né, tem notícia, se tem notícia tem lead. E se tem lead, tem título. Então o que que ele quer dizer com isso?
Que se a gente tem um bom assunto, né, a gente consegue fazer uma notícia, redigir uma notícia se a gente redige bem a notícia, ou seja, nesse formato de pirâmide invertida, né? Se a gente tem noção do que que são os aspectos mais importantes do acontecimento, a gente não vai ter dificuldade de fazer o lead e se a gente conseguir fazer um bom lead, a gente vai conseguir fazer um título naturalmente paraa notícia. Os meus alunos na faculdade de jornalismo, eles eh têm alguma dificuldade sempre de produzir o lead e produzir o título.
Por quê? Porque realmente não é um tipo de texto assim tão simples quanto pode parecer. A gente acha que porque a gente lê notícias, né, às vezes diariamente, ã, nos parece algo muito simples e que, né, é muito fácil de fazer, talvez até.
Eh, mas quando a gente precisa transformar de fato um acontecimento, né, conseguir identificar nele eh os principais aspectos, né, eh, para redigir uma notícia e para fazer o lead, a gente começa a perceber que o difícil mesmo é identificar quais são as características de um acontecimento que são as mais importantes pro público, né, ou pro interesse público, principalmente. Então é algo bastante especializado, né? E mesmo quando a gente sai da faculdade, vai para uma redação de jornal, a gente ainda tem frequentemente muita dificuldade de fazer um bom lead, um bom título.
Eh, mas é algo, né, que a gente pega com experiência. Então, eh, ler notícias e analisar assim do ponto de vista da estrutura também é, eh, bastante útil para para pegar um pouco o jeito de fazer isso. Eh, e outra coisa importante, né, eh o texto jornalístico, ele até é bastante é simples de fazer, né?
Tanto que foi um dos primeiros textos eh produzidos convincentemente por inteligências artificiais, porque ele segue sempre a mesma estrutura. Então, se eu der para eh o chat GPT, por exemplo, os as informações básicas de um acontecimento, ele vai ser mais do que capaz de criar um texto noticioso em cima deles, dessas informações. Eh, mas o problema é justamente eu saber quais informações dá para uma IA generativa produzir o texto noticioso, por exemplo, né?
Eh, eh, como eu disse antes, essa é a dificuldade, né? é uma dificuldade eh de cognição, de percepção, né, e não uma dificuldade de redação. H, então depois do lead, a gente vai ter informações que complementam o lead, que eu, como eu disse antes, normalmente vai ser o porquê da do acontecimento.
E a seguir vai ter detalhes de importância mediana e depois os detalhes secundários. E por que que esse formato de texto foi criado, né? Ele foi criado para que na época do jornal impresso ou da ou mesmo até hoje em dia na TV, se fosse necessário cortar ah um texto de digamos 4.
000 para 2000 caracteres, porque entrou um uma notícia mais importante ou entrou um anúncio naquela página, eh o editor não precisaria falar com as fontes de novo, redigir todo o texto novamente do zero, né? Eh, bastava cortar ali os parágrafos necessários e o texto ia continuar fazendo sentido mesmo se fosse cortado ao meio, né? Então, é uma questão realmente de processo industrial, né, que levou à criação do texto notícia.
É que eu trouxe uma frase do Zinser, que tem um ótimo livro a respeito de eh redação, né? redação para de todos os tipos, mas que se aplica à jornalística, né, que é quem é o leitor, né, essa criatura tão esquiva. Leitor é uma pessoa que dispõe de cerca de 30 segundos de atenção, uma pessoa assediada por inúmeras forças que competem entre si por atenção.
Então, o importante quando a gente tá redigindo um texto noticioso, é não necessariamente ser sensacionalista para chamar a atenção desse leitor que tem pouco tempo, mas não desperdiçar o tempo desse leitor. Então, não começar o texto com lá uma divagação qualquer a respeito meio poética, né? eh, que tem alguma ligação vaga com acontecimentos, não.
A gente entra direto no que aconteceu, direto no lead, né, de maneira bastante objetiva, porque o que a pessoa que tá lendo uma notícia quer é se informar. Ela não quer, né, necessariamente ler um uma redação, um estilo de português maravilhoso, né? É, e se puder ter as duas coisas, melhor.
Mas e tem jornalistas excelentes que conseguem fazer textos que são ao mesmo tempo super objetivos, mas também eh assim quase alta literatura, né? Eh, mas a gente sempre sacrifica a beleza, né? né?
Sacrificar a arte em prol da informação no contexto jornalístico. Então essa é uma preocupação também que vocês precisam ter quando estiverem redigindo um texto noticioso. H algumas dicas de redação, então eh são inclui frases que traduzam os fatos científicos de forma clara para leigos.
Então aqui dicas de redação pensando assim em jornalismo científico, né? contextualizar a pesquisa eh em relação ao estado da arte em poucas palavras, né? Eh, quando for o caso indicar como o leitor final poderia aplicar o conhecimento no seu cotidiano, usar metáforas para facilitar a compreensão.
Então, hã, metáforas são frequentemente usadas por quem dá aula, né, em escolas sobre de ciência, de física, de química, eh, ou de história, mas, eh, em artigos científicos a gente não costuma usar tanto assim, mas para jornalismo científico é perfeitamente aceitável e algo que, né, pode facilitar bastante pro leitor. A gente só tem que tomar muito cuidado com as metáforas para que elas não ã também deem alguma eh noção errada a respeito de uma de algum fato científico, né? Hã, e caso a gente vá fazer uma cobertura de uma pesquisa e a gente tem a chance de ir até o laboratório, por exemplo, eh é sempre interessante fazer fotografias dos equipamentos, né, do ambiente onde o material foi coletado.
ou às vezes os pesquisadores mesmos vão poder nos fornecer esse tipo de imagem, né, que vão materializar a pesquisa e além de além disso vão atrair a atenção, né, e transmitir credibilidade. Gráficos, né, também cumprem bastante bem esse papel no jornalismo científico de ã materializar números, né, e transmitir credibilidade. Então, eh, essas são algumas dicas aí que ao longo da vida eu fui eh, separando assim para quando vou trabalhar com notícias sobre ciência.
Eh, e era isso, pessoal. Eh, eu agradeço pela atenção. Aqui tem algumas referências, mas eu não vou, né, ã, ficar aqui me prendendo muito nelas.
Depois eu posso colocar isso na descrição do vídeo no YouTube e em outros locais. Eh, eu agradeço a atenção de todas e de todos. Espero que eh essa aula ajude vocês a produzir um texto noticioso, né, ou pelo menos apontar os lugares, bibliografias, onde vocês podem se informar um pouco melhor e se aprofundar um pouco no assunto.
E lembrando que, né, a notícia ela, né, é um texto difícil, então difícil, não, não esperem na primeira vez que vocês vão redigir, eh, conseguir eh sintetizar um acontecimento, né, ou um artigo científico da melhor maneira possível. é algo que a gente pode fazer a vida inteira e a vida inteira tá aprendendo e se aprimorando. Eh, mas com um pouquinho de treino a gente já consegue se virar bastante bem, né?
e, né, especialmente se a gente consome jornalismo, né, eh, facilita bastante pra gente conseguir produzir texto noticioso. Então, de novo, meu obrigado [Música] e uma boa, bons esforços de divulgação científica para todo mundo. Так.