Olá, [música] para você que acompanha a Jovem Pan, eu sou Denise Campos de Toledo e neste Economia em Foco, vamos discutir a atual conjuntura econômica do país, as perspectivas de curto médio prazo. Contamos hoje com a participação do Fernando Honorato, que é economista chefe do Bradesco, de Juan Jensen, economista e cofundador da Fore Intelligence e do Silvio Campos Neto, que é economista e sócio da tendências consultoria. Antes do nosso debate, vamos à vinheta. >> Economia em Foco. >> E antes de começar a nossa conversa, eu quero cumprimentar os nossos convidados. Fernando Honorato, obrigada pela presença.
Uma boa noite. >> Boa noite, Tenese. Obrigada pelo convite mais uma vez, >> Silvio, muito obrigada. >> Eu que agradeço. Um prazer falar com vocês sempre. >> E online nós temos o Juan Jensen. Juan, boa noite. >> Olá, Denis, boa noite. Muito obrigado pelo convite. >> Bom, já que você está conectado, Rui, eu começo conversando com você. Eu queria um balanço rápido, se é que é possível, da situação atual da economia brasileira. Nós temos tido várias interferências, inclusive externas, mas Um balanço de curto prazo, o que que a gente vê de mais relevante na economia?
>> Bom, vamos lá. É uma economia em pleno emprego, né? Taxa de desemprego super baixa, atividade econômica de certa forma pujante, né? com reflexos obviamente na inflação, taxa de juros elevada, o impacto da guerra, né, que setorialmente puxa alguns setores para cima, né, como o caso do do petróleo, mas particularmente a gente tem uma situação, um um equilíbrio muito ruim na Macroeconomia, né, que é um fiscal muito apertado por conta dessa conjuntura, um desculpa, um monetário muito apertado e um fiscal frouxo, né, até por conta da da das eleições, né, muitos pacotes ali de estímulo
até pro governo conseguir melhorar sua a sua popularidade e essa questão que vai continuar, né? Ou seja, um juro muito alto, um fiscal frouxo e é um equilíbrio ruim, né? Eh, até porque a gente tem essa certa tranquilidade eh refletida, por exemplo, na taxa de Câmbio, eh que dificilmente vai durar por muito tempo, né? Provavelmente a gente vai ver ali nos próximos meses um certo uma certa atenção, não só pela eleição, mas sobretudo pela questão fiscal que o país tem vivido, né? e a de a dificuldade eh do governo, do Congresso, né, dos políticos de
uma forma geral encontrarem uma resolução e um encaminhamento para esse problema. Bom, Fernando, a gente vê muito o governo agora empenhado em lançar Medidas que são populares, que podem ter uma adesão maior do eleitorado. Agora, a gente percebe também uma certa resistência e tem aí até uma conotação política que o Juan falava, por exemplo, de pleno emprego. Toda vez que falamos disso aqui nas redes sociais, as pessoas falam pleno emprego onde os números são mascarados. Então não se tem uma percepção assim da condição de vida pessoal que esteja melhor. Então a gente tem essa divergência,
né? economia pode Estar mostrando uma resiliência maior do que se esperava, mas tem alguns problemas, né, como o Juan falava do cenário. >> Acho que tem alguns componentes importantes, Denis. E primeiro é é curioso isso, né, porque não tem temos pleno emprego e os dados não são mascarados. Acho que é importante dizer isso. Nós temos não só plena confiança nas estatísticas, como tem vários indicadores para paralelos que mostram Isso, né? Mas tem algumas coisas curiosas que, como você disse, primeiro, o nível de preços desde a pandemia, né, subiu muito e as pessoas têm essa percepção,
horas, a inflação tá comportada, o emprego eh tá pleno, só que e as coisas continuam caras. Acho que esse é o primeiro componente. E o segundo componente que é super o tema eh recente é o tema do endividamento, né? Então, ainda que a renda primária, como eu costumo dizer, do emprego, esteja Crescendo perto de 4% acima da inflação, renda do trabalho, mais transferências do governo, INSS, depois que você desconta o pagamento de juros e principal das dívidas, essa renda primária, hoje o próprio Banco Central tem dito isso, ela tá ficando negativa. Então acho que a
a como é que a gente reconcilia, né, esse mundo do mercado de trabalho forte com o consumo inclusive do do final do ano passado em queda, a forma de reconciliar através da dívida Das das famílias, das empresas que t mapeado esse esse digamos eh mercado de trabalho sólido numa certa frustração da percepção de consumo. Então, preços elevados, estão nível de preços elevados e juros altos, né, que incidem sobre essa dívida faz com que, portanto, as famílias eh tenham essa percepção de uma certa desconexão entre o mercado de trabalho e a vida real, como você mencionou.
Exatamente. Agora, se você vê alguma possibilidade de mudança desse Cenário, porque nós tivemos a guerra no Oriente Médio agravando essa situação, por exemplo, de custo de vida, né, que que tem pesado tanto pras famílias, aí aumenta o preço de combustível, aí tem frete, alimentos em alta, então pode não ter uma uma um componente político efetivo nessa questão do curso de vida, mas as pessoas sentem isso, né, >> de fato. E o Fernando tocou em pontos importantes, né? No fundo, há, claro, dá uma sequência de dados, uma série de Dados que aparentemente apontam para um cenário
positivo, mas quando você observa alguns outros indicadores, fica claro do porqu. A realidade é, né, o poder de compra realmente está muito afetado e não só pela questão do do dos preços ainda em patamares altos, mas como foi muito bem lembrado, as famílias estão endividadas e nós inclusive na tendências fizemos um cálculo para avaliar essa essa renda disponível das pessoas depois de honrar Todos os compromissos financeiros, impostos e aquelas despesas que são mais obrigatórias. E esse indicador está no menor patamar em mais de 12, 13, no menor patamar em cerca de 12, 13 anos. Ou
seja, de fato, há uma razão eh da pelas para as pessoas estarem com essa percepção adversa. E quando olhamos, não é, à frente, é difícil vermos alguma reversão de quadro a curto prazo. Claro, podemos eventualmente ter algum alívio caso a guerra seja superada. Então, Tendência que o preço do petróleo nesse sentido volte, aliviam um pouco preços de combustíveis, mas nada que mude substancialmente esse quadro que tem outras origens aí mais importantes, né, que é de todo um período de estímulo ao consumo, as pessoas se endividaram e um cenário de juros muito altos e que vão
além simplesmente de um aperto monetário. A gente vê toda a estrutura a termo de juros muito pressionada, as taxas longas inclusive. E esse é um Sinal muito claro de que temos fundamentos fora do lugar e e é isso que precisamos atacar, só que não uma questão que será superada no curto prazo. >> Agora, Juan, eh como é que você vê a possibilidade de algum ajuste para se tentar superar essas dificuldades? Porque é uma situação que pode persistir. A gente vê as projeções do mercado financeiro, por exemplo, em relação à taxa Selicas Últimas semanas. O mercado
no começo do ano, chegou a contar com a possibilidade de aic cair até os 12%. Agora a projeção média já está em 13,25 e projeções de inflação em alta. Então como é que se reverte essa situação persistir no cenário de guerra? Porque tá esse sobe e desce também e as oscilações de expectativas dessa semana foi uma verdadeira gangorra, não é? Agora, como é que se lida com essa situação? >> É esse ponto da Selic e dos juros, né? Cair menos e é derivado da guerra, né? Ou seja, a guerra tem os seus impactos inflacionários, né?
que começa no petróleo e se estende na economia. E vale dizer que no Brasil o combustíveis subiram muito pouco, né? Porque você teve um pequeno reajuste eh do diesel, não teve reajuste da gasolina e você tratou de operar ali com a questão dos dos subsídios, né? Então assim, se tiver que equacionar os preços, ainda tem um Efeito que vai vir, mas muito provavelmente só depois das eleições, né? Ninguém vai subir combustível com uma eleição aí eh eh na frente, tá? Mas voltando ao ao quadro econômico, o ajuste necessário ele é no fiscal, ou seja, o
o que que tá complicado na economia brasileira é a situação das contas públicas, né? É o o déficit primário que a gente tem, a quantidade de exceções que a gente tem na regra. E com isso a dívida pública tá subindo Quatro, cinco pontos do PIB ao ano. Então é uma situação insustentável. Que que a gente tem que ter? tem tem em 2027, independentemente de quem ganha as eleições, faça um freio de arrumação. Agora, durante as eleições, esse freio de arrumação não vai ser prometido. O que a gente muito provavelmente vai ter e são os candidatos
eh prometendo inclusive mais gasto, né? Um dos que muito provavelmente vai ser colocado em debate é a gratuidade do transporte Público. E isso custa muito dinheiro num quadro em que o fiscal já tá completamente apertado, né? Então assim, como é que você resolve isso? Não tem jeito, né? Você tem que cortar gasto, né? Tem que adotar. E as medidas são conhecidas, né? é desvincolar o salário mínimo dos do da aposentadoria, é colocar limite de gasto eh para para saúde e educação, eh eh tirar essa essa essa indexação que a gente tem do salário mínimo, né?
Então Assim, tem n coisas para fazer, tem n coisas mapeadas, mas você precisa ter vontade política para fazer aquilo que precisa ser feito. Se você não fizer, a gente vai ter uma crise eh eminente aí eh já em 2027. >> Posso fazer um ponto? Eu queria queria fazer um trazer uma perspectiva. Eu não discordo dessa visão de médio prazo das contas públicas. Aliás, eh eu não faço reparo algum ao que o Ran falou, mas eu tenho uma visão um pouco mais otimista No juro, que é justamente que você tava dizendo, né? De onde vem essa
visão um pouco mais otimista? Eh, até antes da guerra o IPCA ia bater perto de 3%, a maioria dos economistas previa isso, que a gente inclusive prevenda uma Selic de 11 ao final do ano, né? Bom, vem a guerra, vem o choque. Que que eu quero eh oferecer de perspectiva aqui? Eh, o câmbio brasileiro real tá muito bem comportado, né? E para mim, talvez diferentemente até do que o Ruan falou No início, isso é fruto apenas do que tá acontecendo com o dólar no mundo. Como eu não vejo o movimento do dólar no mundo se
revertendo, o dólar tá se enfraquecendo ou tá estável no mundo, eu acho que a gente tem uma chance grande do real ficar ao redor de cinco, como a gente tem, inclusive durante o processo eleitoral. Se isso acontecer e a guerra acabar, são duas condições super importantes, eu acho que o preço do petróleo caindo, nós podemos voltar um Quadro que o Banco Central tem espaço para cortar um pouco mais o juro. Para quanto? 12,5, 12,75, pouco mais do que tá eh na curva do Fox e certamente muito mais do que tá na curva de mercado, né?
E se isso acontecer, as condições iniciais para esse ajuste indispensável fiscal 2027 vão ser um pouquinho melhores, conecto com o que eu acabei de dizer. Ah, o grande problema das famílias e das empresas, a gente fala muito do endividamento das famílias, mas As empresas, uma estatística super rápida aqui, 40% apenas das empresas listadas na bolsa tem um retorno, uma rentabilidade que supera a Selic, ou seja, 60% delas seram melhores se elas se fechassem e aplicasse o dinheiro no CDB, tá certo? Então, eh, tem muito endividamento nas empresas também. Fecho meu parênteses. Então, se o juro
pode cair um pouco mais do que tá previsto no mercado, isso dá algum alívio paraas empresas, algum alívio para as famílias E a gente aterrizaç lá em 2027, né, para para esse ajuste indispensável que o Ran comentou, uma condição um pouquinho melhor. Vamos ver, precisa acabar a guerra e eu preciso estar certo nessa hipótese que o dólar no mundo não volta a se fortalecer. >> É, a gente torce inclusive para que em algum momento haja essa predisposição de fato dos Estados Unidos para o entendimento, porque eles também estão pagando a conta. Isso a gente tem
falado Aqui a cada economia em foco que é uma um fator inclusive de queda de popularidade do Trump. É um fator interno que pode pesar muito, né? >> Tem eleições daqui a pouco, né? Enfim, sem dúvida. Tem o o tal do driving season, né? A as férias de onde as pessoas dirigem e o combustível tá caríssimo lá. O Juan, o Juan foi muito preciso aqui. O Brasil até até porque como o país virou um grande exportador de petróleo, o governo arrecadou muito, Vai arrecadar muito, né? E ele tá compensando um pedaço da alta, eh, dando
subsídios e evitando que essa alta chegue nas famílias. Mas nos Estados Unidos isso não aconteceu, né? Aconteceu muito pouco. Então, no fim do dia é lá alta de combustíveis. No Chile, por exemplo, a gente falou de altas de combustíveis de 60 70% foram os países sofreram muito mais do que o Brasil nesse tempo. >> É, nós tivemos alguns momentos inclusive De recu da do dos preços aqui, porque eu acho que eles subiram muito no embalo inicial e depois recuaram um pouco. Silvio, com qual versão você fica? a gente continua com juros altos ou a gente
tem alguma chance de redução maior da SELIC? É, então aqui a questão a gente também sempre é importante separar um pouco a discussão, né, do que é o instrumento de política monetária que é do que realmente acontece em termos do custo do capital no país. Quer dizer, no Fundo, claro, até acredito que com considerando essas hipóteses que são plausíveis, né, de uma superação do conflito e e efetivamente um dólar bem comportado no mundo, que também nós acreditamos que siga dessa forma, o Banco Central tem aí margem para para alguma redução residual, mas também eh difícil
dizer até quanto. Hoje nós esperamos até 13% esse ano, mas ainda vejo um risco de o Banco Central efetivamente parar um pouco antes. Agora, para uma queda maior, e eu diria que para essa queda um pouco mais substancial acontecer no ano que vem, é, vou chendo uma olhada, muito difícil que isso aconteça sem medidas efetivas e concretas de de ajuste, porque o Banco Central tem muita dificuldade também de reduzir mais substancialmente os juros, com uma curva de juros muito pressionada, com expectativas de inflação desancoradas que também remetem a questão fiscal e com todo o risco
de Que uma redução mais tempestiva acabe se traduzindo numa piora desse ambiente, com mais desancoragem, com inclinação maior da curva e efetivamente aí sim você tendo um risco cambial maior. Quer dizer, então acho que as coisas estão muito interligadas. Então acho que eu iria além, né, desse desses dois pontos da guerra e do dólar, mas colocando também, juntamente com a visão do Juan, a necessidade, o que não vai acontecer nesse ano, naturalmente, mas no ano que Vem, de você ter um rearranjo dessas regras fiscais que efetivamente elas não se conversam. Hoje nós temos regras que
indexam a despesa que não são compatíveis com o arcabolso fiscal. Então, algum tipo de medida, né, ou algumas medidas terão que ser tomadas, algo que, infelizmente, nesse momento ninguém sabe. E o resultado é o que a gente tem, curva de juros muito pressionada e expectativas desancoradas. É, a gente teve inclusive o anúncio da Nova contenção de despesas do orçamento deste ano, 23,7 bilhões no total, mas é para não estourar o limite de gastos e tentar viabilizar a meta dentro da margem de tolerância. É aquela questão do retrato final que se pode ter das contas, não
é? >> É isso. O bloqueio, né, de hoje, eh, ele é o de o desse desses dias, né? Enfim, é um bloqueio que ele ele basicamente vem para aconteça, vem para como resposta essa enorme alta das despesas Obrigatórias. A gente imagina que esse bloqueio grande que foi anunciado com o aumento da despesa de previdência, basicamente foi o que aconteceu, BPC e Previdência, deve ter a ver com a, o que você tem falado muito em reduzir a fila do INSS. Então, acho que é isso que tá em curso até o final do ano que eles vão
eles vão colocar de pé e por isso o bloqueio foi necessário para manter a regra. E só concordando tanto com o Silvio quanto com Juan aqui, eh eh eu Dizia, né, eu tenho um ambiente mais favorável para ser ele aqui em 26, mas 27 vai depender muito dessa dessa agenda de ajustes. >> É, e gasto da previdência, agora eu volto com o Juan falando de contas públicas, os gastos com a previdência, eles vêm crescendo além do que era esperado já há algum tempo, né? Tanto que já se volta a falar da necessidade de uma nova
reforma a da previdência para tentar limitar essas despesas. teve Um fator ampliando essas os gastos que foi o reajuste real de salário mínimo. Isso bate muito nas contas, bate em benefícios também e pega despesas de de uma forma mais ampla. Mas a tem como conter quando se fala em ajuste fiscal no próximo ano, a as despesas da previdência, por exemplo, só aumentando o salário mínimo pela inflação, >> isso ajuda, ajuda bastante de saída, tá, Denise? Então assim, você parar de reajustar o salário mínimo aí dois Pontos acima da inflação, que é o que tem acontecido,
eh já ajuda bem a dinâmica da previdência, mas não resolve, né? Ou seja, a gente precisa eh ter um plano e que não tem hoje e precisa ter vontade política de eh aprovar esse plano, né? Porque não depende só do executivo, depende do Congresso, depende de da sociedade como um todo, né? vai ter grupos de pressão. É, e hoje o que a gente tem é uma situação de déficit contínuo na [limpando a garganta] na da déficit primário, tá, contínuo, e que com esse juro no patamar que tá, né, e e como o Fernando comentou, ele
é péssimo pr pra dinâmica de equilíbrio eh macroeconômico, porque cria um dinamismo muito ruim, tanto para as famílias, né, o endividamento, os números que o Silvio, que o Silvio colocou, eh, esse enorme contingente de empresas que têm pedido recuperação judicial judicial, é porque esse juro tão alto há tanto tempo Estrangula, né, no fundo essas empresas. E e como é que a gente resolve esse esse esse equilíbrio ou este desequilíbrio? É, fazendo o ajuste fiscal, mas não há, pelo menos neste governo, neste momento, nenhuma vontade, né? temos uma eleição eh que tá bastante competitiva eh e
que o governo tem tratado, né, o governo atual tem tratado de de gerar mais gasto e e puxar sua popularidade para cima justamente para vencer as eleições. Agora, passar das eleições é que tem que Se corrigir, né? E aí tem que se ver. A gente não trabalha com forte ajuste fiscal, até por isso o nosso juro para em 13,5, né? Ele vai reduzindo esse ano de pouquinho em pouquinho, mas para continuar a redução em 2027 é necessário um freio de arrumação. E eu acho pouco provável, né, se for a continuidade eh do atual governo, que
a gente tenha de fato um freio de arrumação no fiscal eh compatível com reduzir de fato essa dinâmica altista do endividamento Público que vai bater, né, ao longo dos anos, vai chegar aí tranquilamente a 100% do PIB. Eu queria colocar o Fernando, teve uma uma visão mais otimista da dessa situação. Eu queria só lembrar porque a gente trabalha muito com essa perspectiva. Olha, vai mudar o governo no ano que vem vai ser tudo tudo diferente. Seremos felizes a partir de 2027. Só que ninguém tem certeza de qual o programa que vai ser adotado e sendo
o atual governo ou havendo uma uma mudança De governo. Agora eu queria lembrar que teve momentos, não é, que até surpreendeu um posicionalmente diferente, por exemplo, do presidente Lula, mas no primeiro mandato ele aceitou um choque de juros muito pesado para botar a casa em ordem. Naquela época tínhamos palóse com uma certa foco em ajuste das contas, depois saiu, teve toda outra questão política, né, e de investigações, mas eu tô falando do ponto de vista de gestão da economia. E Dilma, que produziu a maior crise, talvez que a gente tenha visto aí dos últimos tempos,
ela tentou reverter, né, quando ela mudou o ministério e tentou, só que aí não tinha mais espaço político para isso. Quando a coisa complica mesmo, será que qualquer governo não tenta colocar a casa em ordem? Bom, você tirou as palavras da minha boca, Denise. No fundo eu eu tenho feito uma exceira reversa em dois caminhos, só pegando um gesto que o Juan falou também. Essas Recuperações judiciais são uma tragédia pro país. O que tá acontecendo. Você pega o investimento eh privado, né, total, investimento na economia, ele caiu 3,5% no final do ano passado. O que
é anualizado é quase 15%, Deniseio, tudo que o país não pode ou não precisa é ver empresas quebrando e tendo investimento caindo. Então, fecha experiência. O primeiro componente também gera é reversa. O segundo componente, prometo, não vou complicar aqui não, mas é o Seguinte, imagina que nenhum ajuste seja feito. Vamos extrapolar esse cenário, né? Se nenhum ajuste for feito e eu tiver errado na minha premissa do dólar fraco no mundo, o real vai desvalorizar em 2027. A gente vai ver a inflação crescer. Horas, quem ganhar a eleição vai ter uma aprovação, né, a gente tem
visto isso no mundo todo, provavelmente muito baixa. Que que vocês acham? Quer dizer aqui, né, pro para quem tá nos acompanhando, o que acontece com a Aprovação de um presidente, com a inflação subindo para 7, 8, 10%, né, o câmbio desvalorizando, a aprovação vai colapsar, então o espaço político vai ser muito pequeno, eh, é um custo político muito alto não fazer ajuste e aí vai ser muito difícil governar. Então você imagina passar 4 anos, né, com capital político reduzido, com a aprovação baixa, com inflação alta, muito, é um cenário muito negativo. Por isso, e aí
voltando ao ponto que você Provocou, eu acho que o ajuste vai ser feito sim. E eu eu sou até mais otimista também com a a viabilidade de alguns deles, né? Rua mencionava, por exemplo, o tema do salário mínimo. Eh, eh, o ajuste salário mínimo pode produzir 1.1 de primário ao longo do próximo mandato. Propósito é projeto de lei, não é nem PEC, não precisa nem de menda da Constituição. Saúde e educação tem PEC, é verdade. Apertar as regras de concessão do BPC, que tão, aliás, um Pedaço importante, né, do do eh do do anúncio de
hoje. >> E aí tem o primeiro, desculpa te interromper, mas da justiça justiça concedendo benefício. Falou, a gente falou do executivo, né? Mas o o poder judiciário, o poder legislativo também tem que dar sua parcela de ajuste no entendimento das regras, mas o governo tem que apertar essas regras. Enfim, então, resumindo a história, eu acho que com algumas medidas que são simples de Serem colocadas na na na mesa, você reverte as expectativas. O mercado sai daquele ponto que o Silvio falou do juro real de 7,5 das NTNBs, vem para mais perto de 5,5, 5, a
dinâmica da dívida melhor, o resultado primário melhor e a gente entra numa trajetória um pouco mais positiva. Agora o Juan eh usou a expressão qu precisa querer fazer. Eu só acho que por essa engenheira reversa que você colocou, quantos filmes nós vivemos, né, Denisa, todos nós aqui Nessa história em que não fazer o ajuste é politicamente muito caro. Tá chegando essa hora em que pode custar muito caro não fazer ajuste. >> É porque custa pro governo também ele não ter margem de manobra e chega uma hora que ele não vai ter de dinheiro para despesas
não obrigatórias, mas essa aí para funcionar a máquina pública vai pagar que a polícia rodoviária, el vai ter não vai ter conta de luz. É isso. Os Estados Unidos voltam e meia entram Nessa situação porque o orçamento tem que ser indo, vai sendo aprovado pelo pelo Congresso. O Congresso não libera, tem estrangulamento, a gente tem problemas inclusive na aviação, não é? Então é isso, é querer ou ter de fazer obrigatoriamente, não é? >> É exatamente essa é a nossa visão também, Denise. Isso a gente já viu também vários exemplos no passado, né? onde chegamos num
ponto limite onde o governo da vez teve que tomar algumas Medidas amargas e a gente está de novo diante desse cenário. Claro, não vai ser agora, mas na na virada pós eleições, essas medidas terão que ser tomadas, seja por qual for o o vencedor. Claro, não sabemos a a ambição desse ajuste, mas o fato é o custo de não fazer vai ser muito alto, né? E como o próprio Fernando colocou, tem um risco também que você lembrou muito bem, que é a possibilidade de você ter um cenário, não vou dizer de tipo shutdown lá Estados
Unidos, mas e sim de ter um estrangulamento do orçamento, porque hoje, como sabemos, cerca de 95% do orçamento já está comprometido com despesas obrigatórias e as regras hoje elas continuam alimentando o crescimento do gasto obrigatório e onde se dá o ajuste nas discricionárias, no custeio e vai faltar dinheiro em algum momento. Quer dizer, então o fato é o ajuste, por bem ou por mal, ele tem que vir. Agora, só uma um um complicador dessa história, Depende muito, claro, de quem vencer e qual foi o discurso usado durante a campanha. Onde eu quero chegar? Se o
governo, vamos pensar num cenário de reeleição e o governo se compromete com a manutenção de todas essas políticas, por exemplo, da valorização do mínimo, como que um mês, dois meses depois ele muda isso? Então também tem um um risco por esse canal que é mais ou menos o que nós vimos lá de 2014 para 2015, onde a Dilma se se reelegeu com todo um cenário De de promessa de que tudo continuaria igual e no day after mudou toda a equipe, colocou o Levi para fazer o ajuste e aí a coisa degringolou porque politicamente a a
situação e esfarelou. É, inclusive naquela época se foram criadas algumas situações artificiais como contenção de tarifa de energia que depois veio pesada. Então aí a população foi sentindo o ajuste que tava acontecendo, né? Então você também não pode criar uma situação ilusória na Campanha. Claro que não dá para você falar: "Olha, eu vou cortar tudo, >> sangue, suora e lágrimas". Exatamente. Mas, né? o custo também de certas promessas, ele acaba aparecendo. >> É porque por mais que a população, aí eu volto com com o Juan, por mais que a população concorde e que há necessidade
de um ajuste, em tese, pelo mesma parte da população, depois acaba cobrando quando há um ajuste mais sério. Eu lembro a situação, por exemplo, da Argentina, não é? que Milei foi escolhido porque eles estavam numa situação limite que exigia um ajuste mais pesado, mas agora ele tá enfrentando problema sérios de manifestações pelas áreas que ele vai cortando os recursos do funcionalismo, das universidades, a popularidade dele caiu, então a coisa não tá assim maravilhosa, mesmo com o ajuste sendo executado. É isso mesmo, se a gente voltar para Para pro período, né, do governo Dilma 1, né,
todas essas esses desequilíbrios foram sendo plantados, né? Então a inflação subia em vez de subjuros, você fazia controle de preço, controle de preço de combustível, que tá sendo feito exatamente agora, tá? Eh, controle de preço de energia. Eh, e depois quando ela ganha, né, mantendo o discurso, como o Silvio colocou, ela falou: "Não, vou fazer o freio de arrumação, vou fazer o ajuste". Colocou o Joaquim Levi, né? Para fazer o ajuste e perdeu toda a sustentação política e acabou ocasionando, né, e acabou no no impeachment. Esse ajuste ele continua, né, ao longo do governo Temer.
Eh, depois vem o governo Bolsonaro, alguma coisa continuou, outras coisas foram sendo flexibilizadas, principalmente o teto de gasto, né, que é o grande problema eh do Brasil hoje, como eu comentei, a a dinâmica fiscal. E se a gente olhar pro Brasil de hoje, alguns Desses desequilíbrios estão aparecendo, né? Então, de novo, a questão dos combustíveis, claro, assim, tem mais receita dentro de Petrobras que vai pro governo, tem ainda não é um, não se tornou um grande problema eh fiscal a questão dos combustíveis, mas é um preço que tá fora do lugar, é um preço que
vai ser eh reequilibrado pós eleições. É, e quando a gente olha toda essa dinâmica de gasto público, é, se não tiver crise, né, como o Fernando colocou, ah, o Câmbio deve ficar aí andando em cinco, assim, se o se o câmbio ficar em cinco, o desemprego em seis, a inflação rodando ali 4 e5, eu não vejo ajuste, né? Ou seja, tem que ter uma crise e aí vem a crise, vem aquele sentido de urgência, aí o governo, opa, agora eu preciso, eu preciso agir. Então, por isso que essa pressão, né, de mercado, dos desequilíbrios, dos
preços, eh, é importante, eh, pro governo sentir que, Opa, ó, a água esquentou aqui, eu vou ter que me mexer, eh, para arrumar. Agora, se não tiver isso, né, e a gente tem um mercado hoje que tá super calmo, né, claro que muito dessa calmaria, né, vem das características do nosso lanche de pagamento, de toda essa produção e exportação de petróleo, né? Mas de novo, quando a eleição entrar mais forte no debate, quando essas promessas de que olha, vai continuar assim, eh, vou ainda dar gratuidade no transporte público, Vou prometer isso, aquilo, aquilo outro, você
vai fazer a conta e não fecha. Então assim, eh, e aí se tiver que fazer o ajuste, perde sustentação política, não que vai ter um impeachment, né, dentro do do próximo presidente, mas torna a coisa mais ingessada e mais difícil de de executar. Ru, a gente tava falando agora de não haver manipulação de dados, mas uma coisa que me chama atenção, por exemplo, você falou da gratuidade de transporte, quando a gente Pega o IPCA, então a gente tem até uma menor pressão de ônibus urbano, mas as tarifas subiram, só que os estados estão aplicando a
gratuidade em feriados e nos domingos. E aí na média a variação é menor. Só que quem trabalha, usa esse a condução durante a semana para trabalhar, para estudar, para se locomover, paga mais caro. Então só quem quer passear no final de semana de graça é que vai vai sentir essa diferença no bolso. Então se a gratuidade for entrar, Aí a gente precisa ver qual vai ser a composição disso, né? Qual que vai ser para valer, né? >> Eu quero fazer um breve complemento também que o R falou. Eu espero que essa crise que ele falou
que force o ajuste não precise acontecer. Eu não consigo garantir que ela não vá acontecer, mas eu espero que ela não precisa acontecer. E para isso, Denis, eu acho que a medida mais importante, por incrível que pareça, do próximo presidente, uma vez Que a eleição se encerrar, é a equipe econômica. Então assim, eles vão ter que colocar nomes na equipe econômica que tem uma credibilidade bastante elevada e que o mercado, a sociedade enxergue que o ajuste vai ser feito. Isso foi, por exemplo, o caso, R mencionou muito bem, do ajuste Temer em 2016. Se você
parar para pensar o teto de gasto 2016, ele foi uma promessa de um ajuste de 10 anos. mas assentada numa equipe absolutamente crível e reformas que Viriam na sequência TLP, reforma, por exemplo, da previdência que veio depois, reforma trabalhista. Então eu acho que tem uma vacina, eu digamos assim, para essa crise potencial que o Juan colocou que é eh ter uma equipe muito sólida. Eu espero que o próximo presidente e economista eh ministro tá fazendo, não ganha eleição em lugar nem do mundo, né? Então não vai ser tema de campanha, mas no dia seguinte da
eleição eu esperaria genuinamente que houvesse o anúncio de Uma equipe bastante sólida quem ganha eleição, porque acho que isso minimiza o risco dessa crise que o Ran falou. Sem essa vacina talvez fique mais difícil mesmo. >> Mas uma equipe econômica que tem a condição política de implementar as coisas, não só no Congresso, mas internamente, porque a gente sabe que a a o próprio partido muitas vezes é contra. Então você tem sempre nos governos uma ala política e uma ala mais Técnica. E essa disputa já começa problemas internos e depois tem um congresso que nem sempre
adere, né? A negociação é muito complicada. >> É, exatamente. É sempre muito difícil viabilizar politicamente certas medidas. Claro que nesse sentido a gente vê muitas críticas com razão, né, o comportamento do Congresso às vezes, mas também é importante lembrar que esse mesmo Congresso, não exatamente, mas a característica do Congresso, foi o mesmo Que aprovou a reforma da previdência, o próprio teto de gastos e outras tantas medidas importantes ao longo dos últimos 10 anos. Ou seja, quando há, e eu sempre costumo dizer, quando há uma uma vontade política vinda do governo, eh, que realmente conduza com
liderança esse processo, com uma equipe econômica qualificada e que transmita essa, essa imagem e positiva, técnica pra população, é mais fácil convencer o o Congresso. Então, acho que parte sempre Das visões econômicas do executivo de acreditar ou não naquilo que ele está propondo. Então, se o governo realmente acredita que o caminho é o do ajuste e que medidas amargas terão que ser tomadas e vai expor isso paraa população de uma forma direta e transparente, é mais fácil, entre aspas, ou menos difícil, vai colocando assim, viabilizar isso no Congresso. Agora, se é um ajuste muito pontual,
meio envergonhado e tentando se distanciar do problema, aí Obviamente vai ficar muito mais difícil. É, não dá para ficar só no discurso. Isso desde a campanha você não pode vender aquela ideia de que vai promover todo um ajuste se você não tiver propostas concretas e e e tecnicamente definidas, né? Não dá para você deixar paraa última hora, olhaou, depois eu vejo o que eu vou fazer, né? >> É, o lado bom, entre aspas, né? Que nós sabemos, até o próprio Fernando deu uma lista do que de potenciais medidas que Não fogem disso, que são importantíssimos
para transmitir essa mensagem de que a situação fiscal é sustentável. Hoje não é hoje o conjunto de regras que temos eh mostra claramente que nós não temos uma dinâmica fiscal sustentável e nós sabemos as medidas que tem que ser tomadas. Esse é o lado bom. O lado ruim é que são medidas difíceis. >> É. E Juan, nós tivemos, por exemplo, na atual equipe econômica ressaltando esse risco exatamente de faltar recursos para Despesas ah não obrigatórias e isso acabou levando a um escalonamento do pagamento de precatórios, não é? que você tinha essa preocupação, o que vai
acontecer em 2027, não é? E os precatórios continuam sendo problema. Eu lembro que teve a PEC dos precatórios com Paulo Guedes. Hoje os precatórios são excluídos do cálculo da das contas também para se chegar ao saldo final que vai confirmar ou não o cumprimento da meta. Então a gente tem esse esse Problema também, não é >> isso? Tem esse problema e o o Silvio levantou bem, né? Eh, você vai comprimindo justamente as despesas discricionárias, né? porque as regras nas despesas obrigatórias eh são muito benevolentes, elas têm crescido muito, né, e comprimindo justamente eh o o
orçamento. Eh, e uma das discricionárias que mais me preocupa a redução é o investimento público, né, que tá no menor patamar aí de 20, 30 anos, né? Eh, E aí quando você olha assim, eu vou voltar a questão do ajuste, né, assim, e e da campanha, me preocupa muito porque não teremos uma campanha honesta com a população, não vai falar da necessidade do que tem que se fazer, né? Vai ser um jogo ali de quem promete mais. Isso aconteceu inclusive na última eleição, né? Um prometia desoneração até 3.000, outro até 5.000, outro até 5 salários
me e aí ia, né? Então assim, foi muita promessa, mantém-se isso, mantém-se Aquilo e depois tem que se executar aquilo que se prometeu. E nesta eleição não será diferente, né? Vamos ter o a gente não vai ter um debate transparente com a população dos reais problemas e das necessidades e das medidas duras que tem que ser que ser tomadas. Como foi, né? Você citou, Denise? O Milei, o Milei foi super transparente pra população e depois fez um ajuste super duro. O Brasil não precisa fazer um ajuste tão duro como fez a Argentina. É um ajuste
Muito mais gradual e muito menor em termos de magnitude, mas tem que ser transparente. Agora, quanto mais transparente for o candidato, a gente sabe que menos voto ele vai ter, né? Ninguém vai falar: "Ó, vote em mim porque eu não vou reajustar o salário mínimo. Vote em mim porque eu vou reduzir o gasto em saúde e educação". candidato que fala isso não vai ter voto. No Brasil, pelo menos não vai ter voto. Então [limpando a garganta] assim, Eh, tem um problema aqui de discurso ao longo da campanha e depois do que vai ser feito. Então,
assim, tem um paralelo, talvez uma intensidade diferente do que foi Dilma 1 para Dilma 2. Então, assim, teremos problemas ali em 27 para executar o ajuste. >> É, a agenda já tá acertada para essa necessidade de o ajuste. Agora eu volto com Fernando Honorato. Como é que fica o ajuste? paralelamente a necessidade de um Crescimento econômico. Dá para viabilizar as duas coisas. >> Perfeito, Denis. E acho que o Ron foi muito feliz na fala anterior dele, porque de fato o país não precisa de um ajuste a lá leia lá argentina. Acho que isso é muito
importante destacar porque boa parte das medidas de ajuste estão sendo discutidas. Então, a gente falou medidas associadas ao salário mínimo, ao BPC, as regras de indexação de saúde e educação, eh, reforma administrativa e Os gastos, os coros tais dos gastos tributários, que são subsídios, elas não são reformas que tiram muito consumo se elas forem feitas, né? É claro, você pode moderar um pouco a expansão, por exemplo, dos benefícios previdenciários, você pode moderar um pouco a expansão da concessão de novos benefícios, mas elas não elas não elas não fazem com que a economia tem uma reção
associada ao ajuste. Algum impulso sempre a economia perde com menos gasto. Aliás, eu Adicionaria uma uma última que é eh a gente tá vendo uma ampliação do crédito direcionado que precisa ser ajustado também. Então você tira algum impulso. Mas o que eu esperaria, Deniseo, como produto dessas reformas, que a curva de juros pudesse ceder, né? O Silvio também falou muito disso no início. A gente se foca muito na Selic, né? Mas o governo brasileiro tá se financiando a 7,5% real para 35 anos, para 25 anos, que é uma NTNB 2050, 2060 >> e prefixada. >>
É muito caro, é muito dinheiro. Então o que a gente espera é que uma vez que essas reformas elas comecem a aparecer e é muito rápido o processo. Aconteceu no Temer, né? Juan também falava, a curva de juros ela cai, aí o empresário começa a respirar, os investimentos voltam a fluir. Então o setor privado entra, aquilo que os economistas chamam do tal do crowding in, né? Ou seja, é como a como se você trouxesse setor privado Para dentro do jogo. E isso compensa um pedaço de ajuste fiscal. No fim do dia, acho que 2027 é
um ano de crescimento baixo, ano de crescimento de 1,5 2%, não dá para esperar muita coisa com os ajustes, mas se eles forem feitos a perspectiva de 2, 3, 4 anos à frente, é muito positivo. E depois até se der tempo, eu complemento completo com alguns dados históricos aí de crescimento. >> Pode falar. >> E acho que o ponto então que ótimo. Acho que assim, no fundo, nos últimos 45 anos, Denise, o Brasil cresceu 2,2% ao ano, enquanto o mundo cresceu 3.3. A gente ficou para trás 1.2 ao ano, tá certo? em 45 anos dá
70%, o PI brasileiro seria 70% maior se a gente tivesse crescido apenas igual mundo. Para concluir, tem uma diferença gritante dessa performance em anos de crises brasileiras e anos em que o Brasil evita crises. Quando a gente Evita crises, o país cresce exatamente igual a média do mundo. Em outras palavras, se nós tirarmos da frente o ajuste fiscal, né, o problema fiscal fazendo um ajuste, a chance do Brasil crescer igual ao mundo por 4, 5, talvez 10 anos é enorme. Isso com juro real de cinco, um pouco abaixo disso, é transformador. Vai destravar valor da
bolsa, vai destravar valor das companhias, vai resolver a vida das famílias, vai reduzir desigualdade, vai Melhorar a pobreza. Então é um ajuste que tem um poder muito grande de transformar o médio prazo. Eu espero que ele seja feito. >> É exatamente é a questão de você tirar fatores de incerteza em relação ao cenário doméstico e deixar que o setor privado tem espaço para trabalhar melhor, né? >> É exatamente, Denise. Claro que são muitos hoje os fatores de incerteza, né? e principalmente esses que pegam no Custo do capital. Então, por isso que a gente insiste, né,
que é importantíssimo que você encaminhe essa questão para que se tenha um destravamento nesse sentido, reduzindo percepção de risco, reduzindo juros de mercado. Eh, para 2027 em particular, claro que a gente tem uma preocupação grande em relação a esse ambiente de dívidas privadas. E aqui cabe destacar que nós passamos aí vários anos, né, sempre focando na preocupação com o endividamento público, mas nesse Momento temos também uma preocupação grande com a situação das famílias e das empresas. E isso com a situação atual, olhando até o final do ano, sem a perspectiva de ajuste, a tendência é
que efetivamente não melhore ainda neste ano. Então entraremos em 2027 com uma necessidade de um ajuste importante de balanço também de famílias e claro, não de forma geral empresas, mas algumas delas em particular. E isso também corrobora um cenário de um crescimento No ano que vem que tende a ser modesto. Agora, se fizermos efetivamente, né, uma agenda eh eh coerente, correta do ponto de vista do ajuste, aí, como foi muito bem colocado pelo Fernando, essa a tendência que isso reduza essa percepção de risco, reduza juros de mercado, reduza expectativas de inflação e não só a
CELIC, mas toda essa estrutura termo caindo também já traz um cenário mais promissor, vamos dizer assim, a partir de 2028. Até aproveitando essa questão Do endividamento que você colocou, eu volto pro Fernando por causa que porque o Fernando representa o a área bancária. Você vê possibilidade desse pacote que o governo tá tentando formatar para reduzir a dívida de quem tá pagando em dia, porque tem o desenrola para quem está inadimplente. Você acha que o sistema financeiro tem como ajeitar isso? Daí >> é complicado, né, Denis? Porque se ele tá adimplente, digamos, se ele tá Pagando
em dia, né, sinal que ele não tá com uma restrição financeira. Então, digamos, as condições que ele concordou, que ele que ele acordou para aquele empréstimo, tão tão permitindo que ele consiga manter os pagamentos em dia, né? Então, eh, seria meio inédito você fazer um, né, uma uma renegociação para quem tá para quem tá em dia. Eu eu acho que eles vão acabar ficando mais no desenrolo, né, na na no desendo, para quem tem e tem problemas. E agora tem Discussão do rural também, que o minist ministro Daril tá falando bastante. Eu acho que esses
devem ser os dois focos. Então eu não vejo assim uma perspectiva de um grande avanço nessa agenda para quem tá de implante, porque é algo seria inédito, seria bastante, >> é porque na verdade os próprios bancos eles eh renegociam dívidas quando a pessoa fica devendo muito tempo atrasado e também com descontos substanciais do governo agora ele criou um pacotão, né, E está funcionando nessa tentativa de renegociação, mas os bancos têm essa iniciativa, né, >> tem uma atitude ativa, nós temos áreas dedicadas o que a gente chama de recuperação de crédito, que é de fato ligar
para quem tá na implant ou para quem tá ali começando a ter dificuldades e tentar e trocar uma dívida mais cara por uma dívida mais barata. Isso é parte do papel dos bancos. Eu costumo dizer, né? A gente a gente fala muito isso. Juro baixo mais ajuda do que atrapalha bancos, porque o crédito cresce mais rápido e na implência não é tão grande. Então para nós também é interessante que não só o juro possa cair, como as pessoas possam ter a dívida certa pro momento de vida dela com a taxa de juro adequada. a gente
falava de investimento e tem um problema hoje dessa seletividade do crédito, porque o mercado fica com receio, então a empresa que quer investir também além do custo Elevado, né, tem esse problema da restrição do sistema, o temor do que vem pela frente, então acaba diminuindo o potencial de investimentos da economia no geral, né? E aí o governo tenta ocupar um pouco mais de espaço, que pior o fiscal. >> É, de fato, Denis, a incerteza ela reduz o investimento, né? Mas eu queria voltar ao ponto justamente do ajuste e do crescimento, né? A gente também tem
uma perspectiva eh de menor crescimento no Ano que vem, né? 1.6 ano que vem contra algo mais perto de 2% esse ano, até por conta dos dos estímulos. Mas um ponto importante que o que o Honorato levantou, né? Ou seja, o ajuste fiscal, apesar de ser um ajuste em que o governo vai gastar menos, tributar mais ou fazer um misto dos dois para algumas contas públicas, ele não traz o crescimento para baixo. Por quê? Porque o efeito colateral que você tem das medidas, por exemplo, sobre o o a descompressão da Política monetária, né? Porque isso
permite com que a taxa de juros caia, né? A curva de juros caia, como o Silvio tem colocado, e isso faz com que o setor privado geremocimento com efeitos eh de mais investimento, de mais produtividade, que por si só vai trazer o o crescimento econômico, né? Então assim, a primeira vista pode parecer que não vou fazer um ajuste e a economia vai crescer menos. Não, se o Brasil fizer o ajuste, a verdade é que a Economia vai crescer mais e não crescer menos, né? O risco que a gente tem é não fazer os ajustes e
entrar exatamente numa crise de confiança e que aí sim a economia cresce menos, os os preços ficam eh completamente em desequilíbrio, o câmbio dispara, esse juro longo que já tá alto sobe ainda mais, né? E todos o o os problemas. E na questão do do crédito, né, eh, a gente tá num num num momento super complexo, né, eh, na questão do desenrola, que você comentou, O desenrola um, a gente já teve desenrola um neste governo que teve um efeito apenas temporário sobre a dinâmica eh do endividamento das famílias. E a a minha visão, nossa visão
na for é que esse desenrola do ele tem um objetivo aqui também eleitoral, né, no sentido de melhorar aqui um pouco a condição das famílias até a eleição, passada a eleição de novo. Vamos ver como é que vai ser o ajuste, se é que a gente vai ter eh um ajuste mais Estrutural nas contas públicas, >> né, Silvio? Chegou num ponto preocupante mesmo, né? mesmo que o governo tenha esse interesse em garantir um alívio com finalidade eleitoral, chegou num ponto preocupante. De fato, >> chegou chegou num ponto preocupante. É claro que os números eh oficiais
eles estão um pouco poluídos por uma mudança regulatória que houve no início do ano passado, então teve um aumento por conta disso também, mas o fato é mesmo sem Esse essa mudança, os níveis de imprensa estariam mais altos do que o padrão dos últimos anos. Isso tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas. A gente vê que tem uma certa disseminação também entre níveis de renda. Claro que classes mais baixas sofrendo mais. Do ponto de vista empresarial tem uma preocupação particular com crédito rural, como já foi colocado. Mas de maneira geral, acho que o ponto
é esse, né? As pessoas foram levadas, entre Aspas, a um maior consumo, ao aumento de endividamento. Em paralelo a isso, o governo ampliou gastos, flexibilizou regras, os juros subirem, você tem uma tempestade perfeita aí com famílias, empresas mais endividadas e com dívidas mais altas e mais caras. Quer dizer, então por isso que realmente sem equacionar essa questão e esse vai ser um problema ainda pros próximos meses, aí realmente o o risco de um cenário de crise é muito maior. É por isso que até Lembrando que já foi já foi colocado, nenhum governo quer iniciar um
mandato sob crise. Quer dizer, então esse também é um estímulo importante para que se faça algo, se tome medidas que não são fáceis politicamente como sabemos, mas realmente na nessa questão do crédito barra inadimplência temos um um problema aí a ser resolvido. Agora, Fernando Nato, você vê alguma condição de melhoria do cenário daqui para o final do ano, considerando todas essas medidas Que a gente tem visto, eh, considerando talvez até a possibilidade da guerra se arrastar por mais tempo, porque a gente não pode ter certeza que que essa instabilidade externa pare, né? De repente pode
até parar, mas não considerando isso, tem como a economia passar pra população a percepção de alguma melhora. >> A tem algumas coisas acontecendo, né? Assim, primeiro, esse mercado de trabalho eu não vejo muito porque ele Piorar até o final do ano, né? Aliás, uma das razões pelas quais nós temos um desemprego tão baixo, o pleno emprego são transformações tecnológicas que hoje em dia permitem que uma pessoa, por exemplo, quando perde emprego, vá lá, alugue uma moto para entregar seu sanduíche ou compra, alugue um carro para fazer Uber. Então, tem mecanismos, né, digamos, tecnológicos hoje em
dia das plataformas que permitem uma certa acomodação. Então, não vejo o desemprego Piorar. Acho que isso é um ponto importante. O segundo, eu insisto, eu acho que o Banco Central vai continuar cortando um pouco o juro, né? É que você tocou numa hipótese que eu já falo se a guerra não acabar, mas se a guerra acabar, eu acho que vai ter algum alívio. Então eu não tô vendo, eu tenho chamado isso, não, não tô vendo a aeronave aterriçar muito torta, não. Acho que a gente consegue aterriçar ali no final do ano, eh, com um emprego
mais Ou menos comportado, com se o juro cair, esses essas RJs e eh recuperações judiciais e mesmo agro não ficam tão ruim assim. O benefício até este momento do petróleo é positivo pra economia. Eu acho que a gente vai crescer lá 1 e meio, dois, que é que é que é que é subótimo, né? É pior do que o Brasil poderia crescer, mas a gente entrega. Agora, se a guerra não terminar, Denis, acho que a discussão muda bastante, né? Porque no fim do dia eu tô ancorando Muito o meu cenário nessa premissa de um petróleo
que cede e permite o Banco Central continuar cortando o juro. Se o Banco Central precisa parar de cortar o juro em 14,5, 14,25, uma coisa do tipo, né, que é mais um corte só de 25, eu acho que aí a a o humor pode piorar mais rápido, porque mesmo as empresas que estão endividadas hoje tem essa expectativa de que eles possam tinha que é o Banco Central Cortar o juro, eles possam ter um serviço da dívida, um Pagamento menor lá na frente, senão isso pode se complicar. Não sei se foi o Silvio falou o Juan
até fazer uma ponderação. Eh, não tem nada crítico, né, na na no mundo empresarial, quando a gente olha os nomes são mais ou menos conhecidos, mas no universo das pequenas e médias empresas, a gente fala pouco disso, né, a gente foca muito nos grandes nomes, no universo das pequenas e médias empresas, a situação é difícil, os juros são elevados, então eles Precisam dessa perspectiva. Insisto, cara trabalha mais ou menos bem, guerra acabou, a coisa segue. Se a guerra não termina, é bom preparar o cinto para para um ajustezinho aí da >> É, tem o recorde
de nadimplea também das empresas, >> né? E aí pega muitas pequenas e tem os processos aí de recuperação judicial que já é é o limite de quem não tá sustentando. >> Eu acho o quadro até um pouco pior do Que das famílias, porque as famílias quando desenrola, enfim, o emprego sustentado, uma coisa não tá fora do controle. o seu mencionou mudança de regulação, enfim, não v ao caso, mas nas empresas a gente fala pô que na camada das pequenas e médias empresas quer o que sustenta a boa parte do PIB brasileiro, a vida não tá
fácil. >> E segura o emprego também, não é? Tem tem esse componente de de sustentar a atividade. Você falava da do fato de o Governo tá segurando os preços dos combustíveis aqui no Brasil. No caso de a guerra acabar, seria um ajuste temporário nesse sentido, né? que até outros países também estão adotando esse mecanismo e a gente percebe, por exemplo, que subvenção, corte de tributos, eles estão trabalhando com prazo relativamente curto. Então, vai até maio, se não era até o final de maio, se não der, prorroga um pouquinho, contando com essa possibilidade de uma Virada
no cenário externo, né? >> É, essa essa prorrogação, essas medidas temporárias, eh, tão no contexto de que todos aqui esperam, eu também espero que a guerra mais dia, menos dia, de fato, termine, né? Mas tem um detalhe importante, Denise. Petróleo antes da guerra tava oscilando ali na casa dos 65. E se a guerra acabar, ele não vai voltar. Eh, vai ficar alguns meses ou alguns longos trimestres acima dos 65, Né? A gente trabalha ali com recu para casa de 80. E quando você olha 65 para 80, vai ter que ajustar precio combustível, né? É, principalmente
na na gasolina, né? que essa não sofreu nenhuma nenhuma majoração, né? Não diz você tá trabalhando ali com subsídio, então você tá você tá resolvendo na gasolina a conta tá indo toda paraa Petrobras. Eh, então assim, mesmo a guerra resolvida, temos uma defasagem de preço que vai ter Que ser corrigida. Quando que ela vai ser corrigida? Muito provavelmente só depois que a eleição passar. Se o se se este governo ganhar eh e tiver uma continuidade este ano, né? Porque aí não afeta o índice de 2027. Se a gente ver a alternância de governo, deixa o
problema pro próximo resolver. >> É, inclusive o governo tem essa proposta no Congresso para usar o excedente de receita proveniente do petróleo, exatamente para dar a subvenção. E a Própria presidente da Petrobras já falou que aí permitiria um aumento no atacado do preço da gasolina, né? >> É, vamos lá, né? dando benefício da dúvida, até pode podemos dizer que faz algum sentido numa situação de choque, eventualmente temporário, que você está se beneficiando do lado das receitas, usar parte disso para atenuar, amenizar o impacto pro consumidor final. Eh, claro que tem também um outro lado no
sentido de que o o preço para cima ele é Um sinalizador também pro consumidor de que olha, seja mais parcimonioso no consumo. Então é importante também deixar que o preço reflita um pouco mais as condições de mercado, mas algum tipo de de amortecedor acho que tá dentro do contexto. A questão é que, claro, a gente sabe que tem um um casuísmo nessa história pelo ano que estamos. E isso não pode ir muito longe, até porque, como o Juan lembrou, a Petrobras tá pagando essa essa conta, uma empresa, Enfim, né, aberta e que também deve explicações
pro pro pros mercados, pros investidores. Então, acho que é uma situação que pontualmente eh pode até ser justificável, mas que não dá para você sustentar isso por muito tempo. >> Estamos chegando ao final, uma rodada bem rápida, assim, um minuto para cada um, minuto e meio. Qual o recado que você dá para quem está nos acompanhando em relação à economia? O que que se pode Esperar? >> Bom, primeiro, acho que assim, do ponto de vista das empresas, das famílias, é bom ter cuidado com as dívidas, de fato, né? Porque não deixar isso virar uma bola
de neve, não deixar esse quadro piorar, porque os juros talvez possam ficar eh altos por mais tempo. Acho que esse é o primeiro ponto. Então, é um é um cuidado de fato, é um zelo com as finanças, né, da das empresas, das famílias. Do lado da economia até o Final do ano. Se a guerra terminar, eu acho que a gente, né, como eu falei, aterrista num quadro melhor e eu queria terminar num tomo mais positivo, sabe, Denis? Eu acho que tem alguns temas no Brasil que quando o momento chega a gente não escapa. Foi um
pouco o que você disse, né, na nossa na nossa conversa aqui hoje. E eu acho que o tema do ajuste fiscal vai chegar, pode até não ser, acho que não será tratado na eleição, como o Raben colocou, mas eu Tenho impressão que a gente vai ser forçado esse ajuste e eu espero pelo caminho do bem com uma boa equipe econômica e aí a perspectiva de médio prazo do Brasil, ela é positiva. Tá o alcance das mãos para esse ajuste. Cabe o próximo presidente entregar e eu acho que os incentivos estão lá para ele entregar. Prefeito
Luan, >> olha, eu tô um pouco menos gostaria que o cenário do que o Fernando, enfim, desenhou de fato, se verificasse, né, Como brasileiro, enfim, a gente torce para que as coisas se encaminhem e deem certo. Mas eu não vou dizer que eu não tô tão otimista assim, não, né? Eu acho que a eleição de fato não é um não é um momento para se discutir abertamente os problemas do país e passada a eleição, eh, vamos ter um um choque de realidade, né? De novo, não é o não é o movimento que a gente teve
de governo Dilma 1 para Dilma 2, tá? Eh, mas é algo minimamente eh parecido, né? Claro que numa numa Dosagem é muito menor, né? Precisamos fazer um ajuste e esse ajuste não vai ser eh colocado eh na na no debate eleitoral e e quando ele for feito é o choque de realidade, né, de novo. E se for feito, né, ele tem que ser feito. Eu gostaria muito que ele fosse feito, que a gente, né, e e tem um ponto que o que o que o Naruto colocou que é muito importante. Se você anuncia uma equipe
econômica que já vem com credibilidade, eh, o ajuste ele é muito mais fácil de Ser implementado, tá? Então esse é um ponto importante, né? Escolher as pessoas certas eh para dirigir principalmente a economia eh no próximo governo. >> É, e a gente espera também, né, Co, que até por considerar a possibilidade de reeleição, que o governo não queira deixar a situação ficar mais grave, porque senão ele mesmo herda uma situação pior que acabou construindo. >> É, é o que nós imaginamos, não é? Claro Que sabemos que nessa batalha eleitoral muitas vezes se deixa realmente o
problema para resolver depois. questão é que o depois chega e muitas vezes chega com um cenário bastante difícil, como já vimos eh eh em outras vezes no passado. Mas o o fato é exatamente esse, né? Mais uma vez estamos nos aproximando de um momento onde algumas decisões que a gente costuma evitar terão que ser tomadas. Claro que também não podemos e eh esquecer de pontos positivos da Economia brasileira. Brasil tem conseguido ser um destaque importante. Alguns setores onde nós temos as nossas vantagens comparativas no agronegócio, na mineração, petróleo. >> São só o ano passado 350
bilhões de exportações, sendo quase 80% desses segmentos que eu mencionei. Então, o mundo quando olha pro Brasil vê nossos problemas, obviamente, mas também vê muitas virtudes, né, e que dão uma base importante pros próximos anos. Agora, Nada disso vai acabar se traduzindo num grande benefício pra gente se não fizermos efetivamente essa lição de casa. E a a situação está aí, não é? Nós temos que ter um plano, um conjunto de regras e de medidas que eh quando não só os investidores, mas de forma geral analistas, eh, economistas consigam enxergar um cenário sustentável do ponto de
vista de contas públicas, que hoje, por enquanto, infelizmente, ainda não temos. É, muita gente reclama que o Mercado financeiro influencia as decisões e mas que o mercado lida com a realidade, né, Fernanda? É isso. Faz as a prospecção de cenário, as projeções, tentando influenciar alguma coisa, não é? tá o tempo todo eh tomando a decisão de alocação que a gente fala, né, da poupança das famílias, quem confia seus depósitos para que os bancos cuidem, para que asets, né, para que os fundos de investimento cuidem e eles querem os melhores resultados para isso. Isso Precisa de
um país equilibrado, de uma macroeconomia equilibrada para ter essa melhor alocação. Isso no lado financeiro. E tem o lado pessoal, o lado o lado da das famílias, de um país que possa prosperar, que possa ter menos igualdade e das empresas que possam ser bem-sucedidas. Ex. Eu costumo dizer só para os mercados não têm preferências, eles precificam ativos, eles tomam um cenário como dado, uma perspectiva à luz do que está sendo sinalizado e colocam Isso no preço dos ativos. Basicamente isso são pragmáticos, né? >> É, é exatamente. Muita gente acha que o mercado gosta de juros
altos porque tá ganhando com isso. >> Certamente não >> pode acreditar em mim. Não gosta. >> Exatamente. Cria desafios combinad cria desafios menos investimentos. Não é o lado produtivo, >> é um país pior. É um país pior, >> é, é o país é mais difícil de ser Administrado, inclusive, né? Nós vamos fechando por aqui o economia em Foco de hoje. Antes eu quero agradecer muito a participação aqui dos nossos convidados. Fernando Honorato, que é economista chefe do Bradesco, Juan Angênia, que é economista e cofundador da Fore Intelligence e o Silvio Campos Neto, que é economista
e sócio da tendências consultoria. Eu agradeço também muito a sua audiência. Ah, e se você não conseguiu acompanhar o nosso programa Desde o início, você pode acessar pelo YouTube da Jovem Pan News, que você vai conferir na íntegra tudo que foi discutido aqui. Nós falamos todos os desafios da economia brasileira no curto prazo, desafios impostos inclusive pelo cenário internacional, as perspectivas aqui para 2027, levando em conta inclusive que estamos no ano eleitoral que pode trazer mudanças também na área política. Então é isso, agradeço muito a sua audiência, uma ótima semana a todos. E até o
próximo domingo com mais um Economia em Foco. Até lá. >> Economia em foco. [música] A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a [música] opinião do grupo Jovem Pan de Comunicação. Realização Jovem Pan.