nós mães que antes de sermos mães também somos filhas que antes de oferecer o colo também dele o precisamos que já olhamos para os nossos ventres vazios com o desejo por vê-lo ocupado que ao vê-lo ocupado já nos perguntamos se era a hora se era o momento se era o desejo se tinha condições se era medo ou realização nós mães que recebemos esse título com um exame de laboratório um teste de farmácia por uma ligação um encontro uma decisão nós mães que contamos o passar do tempo por ciclos semanas mêsversários e estações nós mães que
tivemos pouco tempo para nos sentirmos assim que despedimos precocemente de quem tanto amamos cujo coração oscila entre a sensação de injustiça a saudade e a esperança da Glória nós mães que nem sempre paramos lindamente pelo movimento natural do nossos corpos mas enfrentamos salas de cirurgia anestesia medo camadas cortadas frustrações e dor mães que deram à luz em Encontros com assistentes sociais em salas de Juízes em abrigos em cartórios até terem nos braços aquele par de olhos sedentos por esse vínculo tão desejado mulheres que matern ao se tornarem madrastas que desempenham todas as funções e lidam
com as inseguranças estereótipos e julgamentos nesse não lugar que é lugar nós Mães equilibradoras de pratos malabaristas de funções e Emoções articuladoras de agendas guardiãs de datas e receitas secretas de memórias construí nas noites e madrugadas solitárias que ninguém mais tem que nem sempre tem fotografias com os filhos ou de si só porque na maioria das vezes somos nós que estamos com as câmeras nas mãos atentas àquilo que é precioso demais para deixar a cargo apenas da memória guardar que queremos congelar o tempo para revisitar o que se viveu porque sabemos que o tempo corre
ligeiro quando queremos lento e se arrasta pela eternidade quando queremos vê-lo passar nós mães tão boas em nos julgar e tão ruins em nos absolver cansadas exaustas muitas vezes sobrecarregadas em dúvida em crise nem sempre plenas alimentadas pelos Sorrisos De quem amamos mas que também quer algum momento do dia para se fazer sorrir para se realizar sem pressa sem corre sem ter que se encolher ou para caber para ser só a mulher que um dia existiu sem ter outro alguém para cuidar sem se adiar sem se esquecer sem se apagar nós que somos casa colo
abrigo Socorro cuidado que também somos motorista Hospital restaurante escola igreja banco e tribunal quantas versões cabem em nós que nos vemos escorrer pela vida desde menina que transitamos em múltiplos papéis cheios de exigências que nos moldam e tanto nos exigem com a identidade vacilante quando o ciclo se encerram que enfrentamos a menarca o puerpério o climatério a menopausa nós mães especialistas em Orações que sempre pedimos a Deus que guarde que guie que proteja que acompanhe aqueles que independentemente da idade sempre serão nossos que diariamente nutrimos os Nossos amores com o nosso corpo com o nosso
ventre com o nosso olhar com o nosso sorriso com o nossas palavras e escolhas que ao maternar os nossos filhos e entregar a eles o que nem sempre tivemos quando nós aqui que precisávamos desse cuidado vemos emergir das lembranças apagadas as nossas faltas mas que ciente do que nunca tinha se permitido enxergar é capaz de soprar nos ouvidos das crianças que fomos ei vai ficar tudo bem nós mães que nem sempre nos sentimos aptas a atender a Esse chamado Desatadora de Nós mais difíceis de qualquer cadarço e fazedora de Laços de afeto de amor de
pertencimento indissolúveis e atemporais sopradora De Joelhos ralados zeladora de sonos agitados impulsionadora de sonhos de quem quer ter superpoderes ou cuidar de um castelo que ainda vão ter muitos dragões e leões para lutar e vencer mães que um dia serão sogras e verão os olhos de quem te olhou com devoção mudarem de atenção mães que um dia se tornarão a voz e ouvirão dos filhos e filhas agora eu te entendo que verão a vida pregar peças Afinal Como pode o rosto daquele bebê que um dia você amamentou reaparecer numa nova versão nós mães que vamos
errar ainda que tentando acertar que precisamos encarar aqueles por quem somos responsáveis e dizer me perdoe eu errei nós mães que fizemos o melhor que pudemos que demos conta com quem tínhamos nas mãos na nossa bagagem de vida na mente nas nossas histórias com as nossas próprias faltas e questões nós mães que precisamos nos absolver e conceder o perdão inclusive o próprio porque não Somos sagradas não somos eternas não somos onipresentes não somos feitas de Aço não somos guerreiras não podemos ensinar todos os passos não podemos sarar todas as feridas não podemos guardar debaixo das
nossas asas para sempre quem tanto amamos que precisamos nos tornar em algum momento dispensáveis trampolins para que eles possam partir e voar e confiávamos ao Pai Celestial que não dorme nós mães que podemos ser protagonistas da nossa maternidade mas que respiramos aliviadas quando outros braços são oferecidos para aliviar as cargas e os pesos que carregamos que tanto cuidamos e também merecemos cuidados para continuar a cuidar que queremos uma boa noite de sono comer comida quente escolher o nosso prato favorito descobrir um hobby ler um livro do início ao fim assistir a um filme A um
seriado ir ao cinema assistir a um culto viajar com o marido passear sozinha ter um tempo só com as amigas encontrar um tempo só para si nós mães que aqui nos vemos irmãs conectadas por um elo invisível de quem sabe que vai passar que os desafios da maternagem se tornarão mais complexos que o que hoje é Desafio amanhã será saudade e que Deus sempre está nós Não sós eternamente ligadas às crias a quem colocamos no mundo a quem demos o nome em um lar e aquele que nos deu a graça de gerar gestar parir adotar
ensinar ver crescer gente se tornar nós mães que somos seremos e jamais Deixaremos de ser mas que antes de tudo somos gente filhas daquele que nos gerou sonhou zelou e por nós se [Música] entregou Y