UM CAMINHO PARA O DESTINO – CAPÍTULO 24 🎯 — Agora eu quero que fique tranquila, que tenha confiança de que tudo vai ficar bem, tá? — E você conhece esse tal psiquiatra? — Não, eu não conheço, mas se o Marco recomendou, com certeza deve ser um bom médico.
— Nossa, Carlos, você viu a mesma coisa que eu, você viu a reação do meu pai. O meu pai está muito mal. Você realmente acha que ele pode se curar, que ele vai se curar rápido?
— Meu amor, eu adoraria te dizer que sim e que tudo vai passar rápido, mas eu não posso mentir. O quadro depressivo do seu pai é pior do que eu pensava. Até agressivo ele está ficando agora.
— Carlos, mas você não vai deixar que o meu pai fique louco, não é? — Eu prometo que não, que vou acompanhá-lo o tempo todo. Nem que ele tenha que ir para outro lugar, eu vou ficar com ele.
— Como assim para outro lugar? Para que lugar? — Também temos que ver outras possibilidades.
— Não, mas que possibilidades, Carlos? Fala a verdade. Por que vão querer transferi-lo para outro lugar?
Vocês não podem tratá-lo aqui? — Fernanda, me escuta. Eu acho que o seu pai tem que se tratar em outro lugar, numa clínica de saúde mental.
— Vou acabar com você, seu infeliz! — Não faz isso, Pedro. Por favor, Pedro, por favor!
— Finalmente consegui. Descarreguei nele anos de dor em que fiquei calado sabendo que o Luiz Monteiro era como um fetiche, um fantasma na minha família. Minha família.
. . minha família que se desfez.
Amélia, eu estou ficando louco. Amélia, cadê você? Não volte para mim se não me quiser.
Mas a Fernanda. . .
a Fernanda é sua filha. Ela precisa da mãe, ela precisa do pai. Ela não tem culpa dos seus erros, nem dos meus.
Cadê você, Amélia? Eu não sei, eu não sei se vou poder continuar vivendo sem você. — Mãe, eu trouxe a Camila para tomar café.
O que. . .
mãe? O que houve? — O que houve é que eu não quero visitas!
Vai embora, garota. Vai embora você também. Fora daqui as duas!
Vão embora! — O que ele disse não é o que importa, e sim a humilhação. Olha só.
. . — Me deixa em paz, Lucero Fernanda, por favor.
— Mãe, mas eu. . .
— Sai daqui! Não fica calada, caramba! Olha o problema dela!
— Espera aí. Parem com isso. Parem de brigar!
O que deu em vocês? Parecem inimigos que se odeiam. Ai, é sério.
Poxa, eu não aguento isso. A vida toda brigando. E aí?
É assim que se amam? Assim não dá. Isso não é amor.
É sério. — Você não vai ficar aqui. — Mas como?
Hoje é minha formatura! — Pois é, mas infelizmente eu não vou poder ir. — Mãe, mas é um dia muito importante.
É a minha formatura. Todas as minhas amigas vão estar com os pais. — Acabou, Pedro.
Acabou, filha. De que serve agora meu arrependimento se eu não tenho mais vocês? Não posso dizer como eu estava enganada e nem sequer me atrevo a pedir perdão a Deus, porque eu não mereço.
Eu não mereço esse perdão. — Não, não, não, Carlos, não! O meu pai não vai ser internado em nenhuma clínica, em lugar nenhum, até esse médico examiná-lo.
Você acabou de me dizer que primeiro vai ter que vê-lo e diagnosticá-lo. — Calma, Fernanda, calma. Procura ficar calma, tá?
— Não, mas é que o meu pai não está louco. O meu pai não é uma pessoa ruim, ele é bom! — Não, não está louco.
Eu não disse isso. Se acalma, Fernanda, você tem que ser forte pelo seu pai. — Eu vou ser forte.
E essa é a minha última palavra. Vocês não vão levar o meu pai para lugar nenhum enquanto esse médico não aparecer e disser o que ele tem. — Está bem, como quiser.
— Paizinho. Pai, você tem que melhorar para poder sair logo daqui. Pai, eu estou sentindo a sua falta.
Olha, como eu não tenho para quem cozinhar, a comida fica meio sem graça. E papai, eu tenho que te contar um montão de coisas sobre os estudos. A Irmã Sorriso me disse que a Carolina está pior que nunca, que está insuportável com aquele jeito dela.
Olha, chegou a sua comida. — Obrigada. — De nada.
Olha que comida deliciosa. Você tem que comer, paizinho, para você ficar mais forte e poder sair daqui. Olha só que delícia esse caldinho que trouxeram para você.
— Não quero. — Paizinho, você precisa comer. E você adora isso aqui.
Tem abobrinha e tem cenoura. Olha, o que é que você quer? Quer começar pelo suco, então?
Olha, paizinho. Toma aqui. — Não quero nada.
Não quero. — Ai, a gelatina. Por que não começa pela gelatina e depois você come o resto?
Paizinho, você tem que comer. Você quer? Toma.
— Só um pouquinho, seu Pedro. — Eu já disse que não quero e pronto! — Papai, assim não é possível.
Você tem que colaborar, tem que fazer a sua parte. Assim eu também não aguento. Pai, olha só, nós temos que conversar.
O que é que houve? O que é que aconteceu com você e esse tal de Luiz Monteiro? Por que você o odeia tanto?
Por que odeia tanto esse homem? Por que odeia o marido da dona Marisa? Pai.
. . — Xavier, como foi de viagem?
— Bem, Marco, obrigado. — Eu preciso que você venha ao hospital agora mesmo. Eu tenho um caso que eu quero que atenda.
Eu estou pedindo como um favor especial. — Eu não odeio ninguém, papai. — Como não?
Você disse que o odiava. — Foi simplesmente força de expressão. — Mas o seu olhar não diz exatamente isso.
Desculpa, mas não parece que foi só força de expressão. — Mas não tem nenhum motivo especial para odiar o Luiz Monteiro. Simplesmente odeio, filha.
— Seu Pedro, todo ódio sempre tem um motivo. — Mas eu já disse que o meu não! — Tá legal.
Tá tudo bem. Nós não vamos te incomodar com isso. Mas tem que comer um pouco, papai.
Por favor, você também não comeu nada. — Eu sei, papai, mas eu não vou deixar você sozinho. Tem que comer um pouco.
E aí, depois que você comer, eu vou e como um pouco também, eu te prometo. Mas agora come você, pai. — Me deixe sozinho.
Eu quero ficar sozinho. — Mas como eu vou te deixar sozinho assim? — Aqui eu me sinto sufocado, vigiado.
Não se preocupe, eu não vou cometer nenhuma loucura. — Meu Deus, pai. Fernanda, vem, vem.
— Não, não, não, seu juiz. As coisas não são tão simples assim. Eu sou um advogado de renome.
Não é possível que o criminoso que me mandou direto para o hospital possa ficar livre. E esse crime sem castigo? Na verdade, eu esperava muito mais da justiça.
— O Dr Carlos está vindo. — É, eu vou perguntar o que aconteceu com o tal psiquiatra que não chega nunca. — Oi.
Você está feliz em me ver? Ai, segura bem essa escada, não vai me deixar cair. — Ai, como assim?
Anda, desce daí logo. Com cuidado. Cuidado agora.
Tudo certo. Escuta aqui, mas quem é a senhora? Quem lhe deu permissão de entrar nesta casa?
— Ai, seu Fernando, não, não me diga que já se esqueceu de novo. O senhor não se lembra da Carmela? — De que Carmela eu tenho que me lembrar?
Olha, pelo menos quando contratar alguém para vir trabalhar dentro desta casa, tenha a delicadeza de me dizer quem é. — Ela mostrou os documentos, seu Fernando. — Que documentos a Branca poderia pedir para mim?
Sou a Carmela, a cozinheira. O senhor já esqueceu da minha cara? — Deixa de inventar história, que eu não conheço nenhuma Carmela!
— Olha, seu Fernando, venha para cá. Fique tranquilinho para ver se passa o esquecimento. Senta aí.
Senta aí. E você, vai para a cozinha. Senta aí.
Essa é a Carmela. É a cozinheira de sempre. — Ah, Mariana.
— Diga. — Você comprou o remédio do seu pai? Agora mesmo ele acabou de esquecer quem é a Carmela.
— Eu já disse que não conheço essa mulher! Mas que insistência sua, Branca! — Claro que eu comprei o remédio, está aqui.
Aliás, eu já ia dar para ele. Toma, pode dar depois do café, tá? — Muito obrigado por ter vindo quando eu te liguei, Xavier.
— É o mínimo que posso fazer por um grande amigo. — Oi, doutor. — Como você está?
— Fernando, eu estava procurando o senhor. Eu estou muito nervosa. Mas como eu não ia ficar nervosa com o estado do meu pai?
Acontece que o Carlos me disse que hoje ia mandar um psiquiatra para examinar o meu pai, e o Carlos se ocupou com outras coisas que são mais importantes para ele. Mas acontece que o bendito psiquiatra ainda não chegou! — Se acalme, que o bendito psiquiatra já está aqui.
Deixa eu apresentar: Dr Xavier. — Olá. — Ai, meu Deus.
Nossa, que vergonha. Me desculpa, doutor, é que eu estou meio atrapalhada e muito nervosa. Os meus nervos estão me deixando louca.
— Bom, então, nesse caso, não é o seu pai que eu tenho que atender, e sim você. Ou não, Marco? — Professor.
. . — Luciana, ontem fiquei te esperando a tarde toda, mas você não apareceu.
— A reunião com os donos do colégio e a reunião de pais terminou muito tarde. — E o que eles disseram? Eles vão permitir que você fique no colégio?
Você vai continuar dando aulas ou não? — Não, mas olha só, não ri não, doutor. Isso é sério.
Eu acho que do jeito que eu estou estressada, o senhor vai ter que me atender também. — Bom, então, já que vão ser dois pacientes, acho que eu poderia fazer um desconto. Mas antes, deixa eu me apresentar formalmente: sou Xavier Farias.
— Muito prazer, Luisa Fernanda Peres. — Carlos, eu sei que você é um homem muito ocupado, mas não posso acreditar que não tenha nenhum tempinho para falar comigo. — Isabela, não quero ser grosseiro.
Tenho muitas coisas para fazer, por favor. — Está bem. É que a sua mãe me contou que o pai da Fernanda agrediu o Luiz e ele está muito mal.
Isso é horrível, né? Esse homem tem que ir para a cadeia. — Não, Isabela.
E eu pessoalmente vou me encarregar para que o pai da Fernanda não vá para a cadeia, ainda mais por ter batido no inútil do Luiz. — Não posso acreditar! Como se atreve a defender esse criminoso?
Ah, já sei. Se reconciliou com a Fernanda, não é isso? — Foi o que veio investigar?
— Não, na verdade vim ver o Luiz. — O Luiz não está aqui, então já pode ir. — Mas eu sei onde ele está.
— Ah, é bem perto daqui. Vá vê-lo. — Por isso passei por aqui para falar com você, porque considero que, apesar de tudo o que aconteceu, acho que continuamos amigos.
— Isabela, não perca o seu tempo. Vai logo ver o Luiz e fique bastante tempo com ele. Com licença.
— É um prazer. Como vai, Mar? — Eu sou a irmã do Pedro, doutor.
Muito prazer. — Madre, é um prazer. O Dr Marco me contou sobre o caso do seu pai.
Será que eu posso te chamar de você? — Sim, sim, claro que sim. — Perfeito.
Eu li um relatório assinado por um médico. . .
— Sim, claro. Carlos. Carlos Gomes.
— Não é que eu duvide da capacidade desse médico, mas estou sabendo que ele não é um psiquiatra. Por isso, eu quero examinar o seu pai e depois dar um diagnóstico. Tudo bem?
— É, tudo bem, claro. Mas então vamos logo. Vamos indo para o quarto do meu pai.
Pode examiná-lo agora? — É claro, para isso estou aqui. Vamos, por favor.
— Bom, eu vou para o meu consultório, Xavier. Muito obrigado. — De nada.
Com licença. — Obrigado. — Então, doutor, será que podemos ir logo?
Por favor. — E fazer repouso. — Tá bom.
Tá bom. — Eu não posso deixar você ir, professor. — Não, não.
Ninguém está pedindo que faça isso. — Claro que sim. Essa foi a decisão do conselho.
Eles só disseram que me deixariam voltar se não voltássemos a nos falar. — É claro. Estão pedindo para sacrificarmos nosso amor.
Não, não, não. Isso é impossível. Nosso amor é muito forte.
Vamos continuar sentindo mesmo que não possamos expressar. — Eu não vou conseguir passar por você sem poder falar. — É importante para os donos do colégio para evitar o escândalo.
A única coisa que eu quero é gritar para todo mundo que eu te amo demais. — Então guarde esse amor aqui, aqui no seu coração, sem acabar com ele. — Como eu faço isso?
O que eu posso esperar? — Nada. Não pense em mais nada.
Os outros já decidiram por nós dois. — Isso é uma despedida? — Não, não, não, não.
De maneira nenhuma. Isso é só um até logo. Agora eu preciso de tempo para pensar, mas nunca esqueça da nossa promessa de amor.
Jamais vamos deixar de nos amar. — Então o senhor é o médico? Me parece muito jovem para ser psiquiatra.
— Mesmo que não acredite, eu sou. E, a partir de hoje, vou tratá-lo. Vai ver que, em pouquíssimo tempo, vai se sentir melhor.
— Eu não preciso de médico de maluco! Fernanda, filha, devia ter me consultado antes de trazer esse rapaz aqui. Por favor, peço que saia, porque eu não tenho nada para falar com o senhor.
— Pedro, por favor… Vai ser grosseiro outra vez? — Paizinho, para. Nós não trouxemos um psiquiatra porque achamos que você está louco.
O problema é que estamos preocupados com você… com o seu quadro de depressão. 😔 — Ah, que mania de se preocupar sem necessidade. Ninguém pode me obrigar a fazer um tratamento que eu não quero.
— Madre, Fernanda… Posso falar a sós com ele? — É claro. — Tá.
Cuida bem dele, doutor. — Claro. — Papai, se comporta direito.
— Seu Pedro… 😶 Não perca seu tempo, doutor, porque eu não tenho nada para falar com o senhor. — Eu estou aqui pelo senhor e vou ajudá-lo. Não sabe como estou esperando o momento de você trazer a sua filha, Amélia putinha.
Eu quero tanto conhecer a minha neta. Ah… — Ai, seu Fernando, que susto enorme o senhor deu na Carmela com essa história de não a reconhecer. — Ah, falando nisso, me dá aqui o bendito remédio que o doutor mandou eu tomar.
— Com todo o prazer. Desculpe. — Já perdi a conta de quantos comprimidos e remédios tomei por causa dessa doença miserável.
— Não se queixe tanto, papai. Tudo isso é para o seu bem. 💊😮💨 (Quero que morra desgraçado) — Enfim, como um bom menino desobediente, o seu Fernando já tomou o veneno dele… Bom, eu vou para o cabaré.
🍷😏 Ah, já ia me esquecendo de dizer que vamos comemorar o aniversário da empresa. — Hum… Vou trazer a programação para o senhor revisar. — Hum… Está bem, Hernane.
Talvez até isso sirva como distração para mim. — Sim. — Bom dia.
— Uhum. 🙂 Hum, eu vou para o meu escritório. Me acompanhe, Amélia.
Quero começar a colocar você a par de tudo o que se refere à fazenda, para que possa se encarregar da administração o quanto antes. — Tá, papai. — Não é que eu seja pessimista, Mariana, mas estou achando seu pai bastante debilitado… fragilizado com essa doença.
— E ele tem razão quando diz que já tomou muitos comprimidos. Tomara que esses novos que receitaram sirvam para melhorar a condição mental dele. — Algum efeito devem fazer, porque a venda é restrita e tivemos que mandar buscar em um laboratório especializado.
— Pera aí, deixa eu ver. — Não. Eu vou guardar.
Vou controlar conforme eu for tomando. — Mariana, lembra que eu te pedi para descobrir onde fica o túmulo do Pedro e da filha da merda… 😶 — Abaixe a voz. Não quero que o papai escute.
É que hoje mesmo eu vou lá falar com o padre para ele rezar uma missa. — Ai, seu pai está cada vez pior, Fernanda. Espero que esse psiquiatra consiga estabilizá-lo para que ele volte à vida normal.
E você também, porque estou muito preocupada por estar faltando aula outra vez, filha. — Ah, eu vou ter muito tempo para isso, madrinha. Agora, o mais importante é o meu pai.
— Ah, oi, madre. 🙂 Oi, Fernanda. Já viu seu pai?
— Sim, ele já está com o psiquiatra. — Ah, ele já chegou? — É.
Meu pai ficou lá, resmungando e reclamando. — E como você está? Não me parece nada bem.
Está muito pálida e com muitas olheiras. — E como poderia não estar, se a coitada praticamente se mudou para cá? — Vou te receitar algumas vitaminas.
Você vai se sentir melhor. — Carlos, a gente vê isso depois.