As casas subterrâneas simbolizam memórias ancestrais dos povos indígenas gemeridionais, como Caingang e Choclanhó. A identidade ela é fortalecida através desses símbolos, como esses espaços subterrâneos, alguns saberes tradicionais que estão ali representados nesses nessas áreas de sítios arqueológicos que são diagnósticos de populações G. Conhecer a história mais profunda de qualquer região e tá está diretamente relacionada à execução de pesquisas arqueológicas.
É, são através dela de caminhamentos, conversa com a comunidade local que se identificam áreas onde se encontram vestígios que passaram e que moraram antigos povos. Então, aqui em Campina Grande do Sul houve a localização de estruturas semisuberrâneas ou as famosas casas subterrâneas, áreas onde esses povos acabavam construindo para se proteger do frio e habitavam e também serviam como áreas sagradas para sepultar os mortos em diferentes momentos ou para fazer a estocagem de alimentos. Campinas surgiu em 1666.
Foram os primeiros dados da existência da então vila, né, de São João Batista. nem era vila, era freguesia, né? E pertencente também a Arrael Queimado, que era Bocaiuva, né?
e como uma um ponto de pouso dos tropeiros, né, que vinham do litoral pro Planalto. E em 1884, daí que houve a primeira eleição, né, para escolher o primeiro prefeito escolhido pelo povo, porque até então quem administrava o município era indicado, né, indicado pelo poder, pelos governantes, né, saber que essas casas subterrâneas estão sendo documentadas com apoio do município de Campina Grande do Sul. é muito, eu me sinto muito feliz como uma cientista que tem trabalhado ao longo de anos, né, com a arqueologia do Paraná e sabendo dessa a desse distanciamento que a grande população tem em relação ao patrimônio histórico e arqueológico.
E a arquitetura é um símbolo da própria inteligência humana, né? Imagine os frio aqui no sul, você cavar um buraco, desenvolver uma estrutura em termos dessa estrutura toda uma relação familiar, uma relação não só apenas de sobrevivência, mas de organização daquela sociedade, de espiritualidade, né, marcando os territórios. São diretamente relacionadas a populações gemeridionais.
Esses povos têm a a sua cosmovisão e mitos de origem relacionadas a áreas subterrâneas ou no topo de morros. as casas subterrâneas que eram antigamente chamados buracos de bugre, porque se sabia que estavam relacionados a a antigas populações indígenas, porque havia ah pontas de flecha, fragmentos de vasilha cerâmicos que eram encontrados, machadinhas de pedra. Então, a antiga população achava que era um local onde podiam existir espíritos indígenas ali habitando que protegiam aquele lugar.
É uma história que tem aqui do índio também, que aparece não só a noiva, né, que aparece aqui dessa lenda há muitos anos atrás, que isso tinha uns 500 anos atrás essa lenda tem que tem um amigo meu que disse que ele tava vindo da igreja também. de madrugada, já era umas meia-noite, meia-noite e pouquinho assim, ele viu um índio sentado no barranco fumando um cigarrão. Disse que ele se assustou muito dali.
Daí ele me contou que passaram o maior medo ele com a esposa dele e as crianças. Eh, tem as ocas do índio linda, que na época ali, há 400, 500 anos atrás, que nem eu falei, que tem essas três locas dos índio ali, bem na encruzilhada ali, aonde que aparece esse esse índio ali sentado no barranco ali ao lado. Essa é uma história verídica mesmo, não é lenda.
Uhum. É de uma tia minha que quando casou construíram ali. Meu bisavô deu um terreno ali, construíram ali, mas não puderam morar ali.
Fizeram a casa naquela época, uma casa de madeira bem feita. Uma senhora casa, né? Mas olha, rapaz, não tinha gente dormir à noite.
De noite viravam, mexia no fogão, viravam, abria a porta, batia, os tiveram que desmanchar a casa e sair dali, porque não podiam morar ali. E a gente pensava na cabeça assim que era por causa da ocaça, 500 anos, sei lá, da oca. Daí é da oca, olha, não dá uns 50 m assim.
Então nós pensava na época assim, os mais velhos, né, que era tinha a ver com a oca ali que tinha alguma coisa ali, né, algum sei lá se tinha enterraram algum índio, algum bugre ali, né, na época, né, um ficou alguma coisa ali daquela hora quando eu era criança, que aquilo ali dava 6 7 m de fundura aquilo ali. E daí aquilo é tipo modo um peão, só pr vocês entenderem. Ele dava 10 m aquele aquela oca ali assim redonda, vamos dizer, só que ele voltava, era um peão, chegava lá embaixo zerinho assim, sabe?
A arqueologia busca a compreensão das ocupações da história de longa duração humana. através das materialidades e da disposição de estruturas, encontrar os vestígios e conseguir fazer essa relação com povos indígenas que vivem até a atualidade. é muito importante para mostrar como aconteceu a dispersão desses povos, como essa região é integrada a essas memórias e saberes ancestrais.
É, acharam que nós mesmos achava ali. Nós via pedaço por cima assim daquelas louça que fala, não é louça, de barro, aquelas moringa, aquelas coisas ali tinha ali, mas foi muitos, faz 60 e poucos anos, né, que a gente embaixo do poranto jogava as coisas ali, né, às vezes lata velha, alguma coisa e existia uma pedra mais ou menos assim com a ponta assim redonda, ela era quebrada com a ponta redonda assim. E o meu pai dizia que era machadinha de índio.
Toma ia atrás de muito ouro, né? Procurar ouro aí, né? Não achava, levava um susto.
Achava um susto, né? Eu sou um deuses, né? Preservar asindicueras ou casas subterrâneas significa conseguir manter laços do presente com o passado.
é comunicar através dessas pontes de memória, esses vestígios de outros e antigos povos aqui nessa região com a população, as comunidades que aqui ainda vivem. eh é tentar ter essa possibilidade de visitar, se transportar ao passado em áreas que são protegidas até a atualidade. O o buraco do índio é isso.
Existia existiam dois por sinal ali para cima da Igreja Católica, que era tudo campo, né, como eu até falei. E a gente ia inclusive buscar o gado, né? A gente tinha cavalo, ia no campo buscar o cavalo pr ilhar para ir buscar o gado, para que daí a gente ia cavalo buscar o gado, né?
A maneira de andar cavalo também. E mas é que o gado não ficava num lugar só, né? E o cavalo ficava assim mais ali para trás da igreja, era mais fácil de pegar.
E aí a gente gostava de de entrar naquele buraco e e se esconder e brincar, né? E o que a gente sempre ouviu falar é que era buraco do bugre. Era o buraco, o buraco do bugre, não era do, né?
Diziam que era um bugre que morava ali, diziam que era a armadilha para pegar a caça que os índios faziam, que os bugre faziam. E então existia esse buraco ali que a gente tinha medo de entrar nele por causa de cobra, né? e tinha umas árvores.
E daí um dia a gente fez esse esse passeio, né, essa entre década de 80 acho que foi, a gente fez uma semana recreativa, né, na biblioteca. era até então biblioteca, na mesma casa de cultura que era que agora, né? Foi a biblioteca ali.
E aí a gente fez jogos, brincadeiras e fez um passeio. E como a atração turística em Campinas não existiam muitas, né? A gente foi pro buraco do bugre, que é este, e o morro do bicho, né?
Oro do bicho é esse outro aqui. Vamos virar assim para animar a criançada, fazer um tipo de um piquenique, né? E aí a gente foi conhecer esse buraco do bug.
Inclusive teve crianças que entraram, né? É aquela aquela preocupação mesmo com cobra, com aranha, essas coisas assim, né? Não tinha outra preocupação.
E dali a gente foi pro morro do bicho e depois fomos fazer um lanche na no terreno da casa da minha irmã, da Eloína, onde também tinha mais dois buracos do bugre lá no terreno dela, dos quais um deles eh mais tarde veio a afundar de vez, né? Formou um buraco, tipo uma mina, né? A gente supunha assim que fosse uma mina d'água que tivesse ali e que corroeiu o terreno por dentro, né?
E hoje, até então, depois que a minha irmã morreu, não fui mais lá, mas até então que ela era viva, eles cercaram aquele buraco, deixaram o mato crescer, né, para evitar um acidente dentro daquele buraco. o apoio dos gestores, dos educadores, dos governantes, a preservação e a divulgação dessa memória coletiva, que são os vestígios arqueológicos, é muito importante, pois uma população só consegue planejar um futuro quando ela conhece o presente e respeita e admira o seu passado. Вот.