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Encontro 01

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Plano Estoico
Boa noite. Boa noite, pessoal. Sejam bem-vindos aqui a mais um encontro do nosso clube de leitura. O primeiro encontro, a primeira aula do nosso livro de julho. Já estava com saudades de vocês porque na semana passada não tivemos aula, né, não tivemos encontro. Encerramos o livro de Sartre, que foi a nossa obra de junho. E aí eu deixei uma semaninha para que vocês pudessem colocar a leitura em dia desse novo livro de julho, que será Os sofrimentos do jovem Verder de Gut. Só já introduzindo aqui para vocês uma questão bem simples. Toda a minha pronúncia
vai ser obviamente mais aportuguesada, melhor dizendo, porque essa obra é cheia de nomes que muitas vezes não temos contato e que não é a nossa língua originária. Mas mesmo assim essa obra é grandiosíssima, é um marco para o romantismo alemão. Nós teremos a partir dali uma grande influência de Gut dentro da literatura, dentro da filosofia, dentro da poesia, dentro da arte, dentro da pintura, dentro de várias áreas que vão tratar sobre a emoção humana como sendo aquilo que eleva o ser humano para além da sua natureza, fazendo com que ele possa transcender. Essa é a
palavra que nós vamos dizer bastante nas nossas aulas por aqui. E hoje, pessoal, eu queria saber de vocês, já aproveitando aqui um teste rápido para verificarmos o microfone, o áudio, o vídeo, se vocês estão me vendo, estão me ouvindo. Gostaria que comentassem também se vocês conseguiram fazer a leitura ali do trecho proposto. Só recapitulando, eu tinha disponibilizado um PDF para vocês que era um PDF que estava com muitos erros, erros de de digitação, erros de português, erros ali diagramação. algumas cartas da obra estavam excluídas e eu atualizei hoje esse PDF, disponibilizei um novo porque os
alunos me avisaram que estava com esse erro, então eu deixei agora tudo atualizado para vocês e o ritmo de leitura segue o mesmo. Então em relação aos trechos abordados nada muda. Eu até coloquei aqui no nosso material de apoio, no título de hoje da nossa aula, quais seriam esses trechos ali da primeira carta, a carta de 4 de maio até a carta de 30 de julho. E assim nós vamos abordando. Basicamente hoje vamos fazer uma introdução, vamos pegar essas primeiras cartas, na semana que vem vamos fechar a primeira parte da obra. Na outra semana, a
terceira semana, terceira aula, melhor dizendo, vamos abordar toda a segunda parte e na última fechamos com aquele trecho que tem uma nota do editor para o leitor. Basicamente isso. Depois da aula envio esse resumo para vocês do ritmo de leitura para que vocês possam se situar. Basicamente isso, pessoal. Vi que boa parte de vocês conseguiu fazer a leitura do trecho de hoje, carta 4 de maio até a carta 30 de julho. É um livro muito gostoso de se ler. Vou fechar aqui o nosso chat de mensagens. Teremos a nossa parte teórica. No final eu reabro
para as nossas dinâmicas. Mas como eu estava dizendo, é um livro muito gostoso de se ler. É um livro que te coloca dentro da História, por ser esse formato de cartas. você sente como o próprio protagonista, no caso o Wedder. E aqui temos uma nova sensação dentro da literatura que era muito diferente das anteriores que tivemos até aqui dentro do nosso clube. Pelo menos neste ano nós lemos muitas obras que tratavam sobre o racionalismo, sobre o homem como sendo aquele ser que tem lógica, que tem raciocínio, que tem uma estrutura de vida bem estável a
partir das suas condições cognitivas. Mas essa obra desmonta tudo isso, a sensação, a emoção, o romance, todas essas coisas é que fazem a vida valer a pena, mesmo que termine com uma tragédia. E veremos isso com essa obra, os sofrimentos do jovem Verder. Vamos lá, pessoal. Gut, o Sturmandran e o Nascimento de Werder. Os trechos abordados, como eu disse, primeira carta de 4 de maio até a carta do dia 30 de julho. Introdução: Gut, o nascimento do romantismo alemão. Johan Gut é uma das figuras mais importantes da literatura ocidental, poeta, romancista, dramaturgo, cientista e pensador.
E sua obra atravessa diferentes momentos da cultura alemã, influenciando profundamente a literatura, a filosofia e as artes europeias. Gut é muito conhecido, principalmente por sua obra prima que é Fausto, uma obra grandiosíssima, mas ele tem vários outros tratados científicos, tratados de literatura, ensaios filosóficos, até mesmo dramaturgias. Então ele era um polímata da área humana. E e continuamos por aqui. Nascida em Frankfurt em 1749, Gant recebeu uma formação ampla em línguas, ciências naturais, filosofia e direito, mas foi na literatura que encontrou seu principal meio de expressão. Quando publicou os sofrimentos do jovem Verder em 1774, tinha
apenas 25 anos, uma idade muito aproximada ali com o nosso protagonista. E nós vemos isso com grande clareza em boa parte das obras da literatura. Quando o homem que escreve, eu digo homem no sentido humano, o homo sapiens, não o sexo masculino, quando aquele escritor ele encarna tudo aquilo que ele tá expressando, Niet chamaria isso de escrever com o sangue, você ser aquilo que você escreve, porque você escreve aquilo que você é. E é nesse ponto que começamos a traçar um papel de legitimidade dentro da obra de Gat, porque nós vemos que o romance foi
um escrito num período de efervescência cultural na Alemanha, ou seja, o contexto da época, tanto coletivo como o contexto individual de Gat proporcionaram tudo aquilo que nós vemos dentro da obra. A partir daqui, nós temos um movimento chamado Stmanran, que do alemão significa tempestade e ímpeto, que valorizava a emoção, a espontaneidade, a liberdade criadora e a subjetividade em oposição ao racionalismo humanista iluminista. O Iluminismo preservava até ali a ideia de que a razão iluminava absolutamente Tudo. O homem com a razão conseguiria estruturar a sociedade, estruturar a sua vida e, por conseguinte, encontrar um sentido para
a existência. E após essa onda do Iluminismo, nós temos uma contraresposta, que é, no caso, o romantismo. O romantismo vai dizer totalmente o oposto. Somente a razão humana não é necessária para que a vida vha a pena. O ser humano tem razões que são incompreensíveis, razões do coração e não da mente. Quando nós sentimos o amor, algo que é inexplicável, algo que não pode ser conceituado com uma palavra, com uma sentença, porque não é definido, mas é sentido. Quando sentimos a cólera, a ira, a inveja, todas as emoções que colocam o ser humano para além
de um ser que pensa, que raciocina, que termina em um, dois e dois são quatro. Então, era esse o contexto literário, o contexto ideológico que Gat vivia na sua Alemanha nessa época, uma contrarresposta ao Iluminismo que fez com que ele se voltasse para o romantismo. A palavra romantismo muitas vezes é associada ao amor, é associada apenas à questão de você estar apaixonado ou algo do gênero, mas nada disso. O romantismo significa que você torna a sua vida um romance através do que você sente, não através do que você entende. Ninguém entende, por exemplo, o por
se apaixonou por aquela pessoa que te prejudicou tanto, mas isso não tem explicação. Isso foi um sentimento. E o sentimento não é algo definido numa tabela, mas é definido através de uma abstração que você tem de si mesmo, que é um ser que possui hormônios, que Possui sensações, que possui liberdade e espontaneidade. E é exatamente o que esse movimento, movimento tempestade e ímpeto, valorizava. E é exatamente isso que vemos aqui na obra do Werder. Por isso que é importante entender o contexto da obra, entender o contexto do escritor. Eu falarei aqui daqui a pouco como
o Gut era ali, pelo menos na primeira parte do livro, um reflexo do Verder e vice-versa. Nós temos esse contexto influenciando o que vai acontecer dentro da obra. Nós temos esse ímpeto daquele jovem que se apaixonava pela vida, que tinha alegria em viver, que chegou naquela aldeia e já se sentiu mais feliz de todos, que quando encontra Charlotte já tem uma paixão resignada dentro dele, que não abandona mais. Tudo isso é importante porque a nossa obra vai falar bastante sobre o romance como sendo um sentido para a vida, mesmo que a vida termine uma tragédia.
Porque o ser que não sente, o ser humano que não possui uma vida romântica no sentido de sensação, no sentido de conseguir se expressar a partir das suas emoções, é um ser que não vive. é apenas um robô, é apenas uma máquina, é apenas um ser iluminista, ou seja, que acha que a razão explica tudo, mas na realidade não explica. Então nós temos aqui uma contrarresposta de movimentos literários. De um lado, o Iluminismo, que vai buscar a razão como aquilo que iluminava absolutamente tudo. E do outro lado nós temos o romantismo, que surge como essa
contrarresposta ao Iluminismo, dizendo que a razão não é o suficiente para explicar e para dar fundamento à Vida humana. E continuamos. Os jovens escritores desse movimento acreditavam que a razão, embora importante, era insuficiente para explicar a complexidade da experiência humana. O sentimento, a imaginação e a paixão deveriam ocupar um lugar central na arte e também na vida. Werder nasce justamente como expressão desse espírito, o que acabamos de dizer. O romance foi inspirado em parte em experiências pessoais gigante. Como eu disse, nós tínhamos ali o contexto coletivo, literário, cultural através do Iluminismo e agora através do
Sturmandran, esse movimento de ímpeto em tempestade. Mas também tínhamos um contexto privado, a própria vida do escritor. Durante sua juventude, o autor apaixonou-se por Charlotte Buff, uma jovem já comprometida com outro homem. Embora sua história não tenha terminado de forma trágica, ela serviu como ponto de partida para a criação de Charlotte, como é peridada na obra de forma carinhosa, Lot e do conflito amoroso vivido por Werder. Outro episódio que influenciou a obra foi o suicídio de um conhecido de Gat, o Jerusalém, que tirou a própria vida após sofrer uma decepção amorosa. Nós temos um paralelo
entre o primeiro livro, o primeira parte da obra, que é ali inspirada mais na vida de Gut, quando ele se aproximou dessa Charlotte Buff em sua vida privada, teve ali um certo romance com ela no sentido de ter afeto, de ter carinho, mas que se afastou. Nada foi concretizado e não foi terminado de maneira trágica, como acontece na nossa obra. E aqui o spoiler é bem óbvio, porque é uma obra de 1774. Então, me perdoem se ficou aqui algo meio esclarecido, mas obviamente isso iria acontecer. Já na segunda parte do livro, a inspiração vem através
de um colega, de um amigo de Gut, chamado Jerusalém, que havia se suicidado justamente por um conflito amoroso. Ele se apaixonou por uma moça, essa moça era comprometida e ele acabou retirando a própria vida. Então, nós temos aqui exatamente o que eu estava falando com vocês. A literatura, ela não vem somente a partir dos contextos externos, mas também dos conflitos internos que o ser humano tem dentro de si. Nós temos a grandiosíssima obra Cartas a um jovem poeta, em que Franz Capos, um jovem que queria se tornar um poeta, envia uma série de missivas para
Hilk, um poeta já grandioso do século passado. E ele pergunta sobre a vida, pergunta sobre a arte, sobre o amor. E Hilk diz algo bem simples para esse jovem poeta: "Não busque respostas prontas. Viva suas próprias perguntas". A vida ela só entrega verdades depois de experienciadas essas verdades. Então você precisa se abrir para aquilo que não tem concretude, para aquilo que não tem fundamento. A mesma coisa acontece na literatura. é o sofrimento, a angústia, é esse existencialismo que temos dentro do escritor que faz com que ele coloque para fora o que está vivendo e escreva
uma obra prima como essa. Então, vemos esse contexto da época através dos movimentos literários que eu citei, vemos esse contexto da vida do próprio Gut através desse romance breve que ele teve com Charlotte Buff. E vemos também a questão mais final da obra Através do amigo de Gut. E continuamos por aqui. Gut transformou essas experiências em literatura, criando uma narrativa que ultrapassa o plano autobiográfico para refletir sobre os limites da paixão humana. O sucesso da obra foi imediato. Werder tornou-se um fenômeno editorial em toda a Europa. Jovens identificavam identificavam-se profundamente com o protagonista, imitavam sua
forma de vestir e decoravam trechos de suas cartas. O romance ajudou a consolidar o romantismo como um dos principais movimentos culturais do século XIX, senão o principal. Nós tínhamos, por exemplo, lá por volta de 1849, o grande Dostoyevski, 1844 por ali, Dostoyevski, ele começou na literatura através do romantismo. E para quem já leu Noites Brancas de Dostoyevski, no nosso clube de leitura, fizemos a a leitura dessa obra no ano passado, vocês vão poder traçar vários paralelos entre o Sonhador de Noites Brancas e o Verder aqui através de Gut. Nós temos a mesma ideia que é
compartilhada por aqui. O romance ajudou a consolidar o romantismo no século XIX e inaugurou uma nova maneira de compreender a subjetividade, colocando as emoções no centro da experiência humana. Algo muito importante que nós podemos colocar através dessa obra é como a razão e a emoção não são coisas opostas, mas são complementares. O homem ele sente e ele sente através de algo que ele possui, que chamamos de consciência. Você sabe quando tem raiva, você sabe quando tem desejo, você sabe quando está sentindo o Amor em um dado momento da sua vida. E é essa metacognição, a
consciência dos pensamentos, a consciência dos desejos que faz com que você se torne uma pessoa que possa colocar o romantismo como centro da vida. Nós temos uma grande fala de Tstoy na sua obra Felicidade Conjugal, que ele diz assim: "Fazer da vida um romance é o que pode haver de bom. O homem que não tem amor pela própria jornada, e eu digo amor tanto por si mesmo, quanto pelos outros, quanto por aquilo que faz, é um ser que já não vive, apenas existe. Então aqui a experiência emotiva e sentimentalista é colocada como centro da experiência
humana como um ser vivente. E através disso identificamos agora quem foi o grandiosíssimo Gut, qual era o seu contexto literário e cultural, qual era o contexto de vida dele para escrever essa obra e quais foram as inspirações e até mesmo o que acabou se concatenando para que essa obra fosse tão influente e tão importante na Europa e é até os dias atuais. Agora vamos entrar de fato dentro da nossa obra e dentro do dentro dos pontos que vamos tratar por aqui hoje. O romance epistolar e a voz da subjetividade. A primeira característica que chama a
atenção é a forma da narrativa. Par a maior parte da obra é composta por cartas enviadas por Werder a seu amigo Wilhelm. Essa escolha aproxima o leitor da intimidade do protagonista. Não acompanhamos os acontecimentos por um narrador distante, mas pelos próprios sentimentos de Verder, narrados quase no momento em que acontecem. Essa estrutura torna a Leitura profundamente subjetiva. O leitor conhece o mundo através do olhar de W. Nós temos uma palavra alemã para isso que se chama Hooken Figure. O Hooken Figure, por exemplo, está presente nesse quadro que vocês estão vendo aqui atrás de mim. Esse
quadro é o viajante sobre o mar de Nevas do Caspar David Frederick, um grande pintor do romantismo alemão. O mesmo movimento, só que voltado ao mundo artístico. Nessa obra, nós temos um homem que está no topo da de uma colina vendo todo o mar de nevas e ele está de costas. Hooking figure do alemão significa figura de costas. E por que nós temos uma experiência tão abstrata e transcendente vendo uma obra de arte como essa? Porque é como se você enxergasse o mar de névas através desse homem, através dele que está de costas e você
sendo os olhos do mesmo. A mesma coisa acontece com Verder. Quando você lê aquelas cartas que são íntimas, que são privadas, enviadas ao seu amigo, é como se você estivesse passando pela vida de Wder e é como se você estivesse lendo cada carta e tendo as sensações que ele tinha naquele momento. Então aqui nós temos uma proximidade e uma subjetividade da emoção, onde você consegue se mesclar com o protagonista da obra, tornando-se assim um só, tornando-se o próprio vérdio. E continuamos. O leitor conhece o mundo através do seu olhar, as paisagens, as pessoas e os
acontecimentos aparecem sempre filtrados por sua sensibilidade através da narrativa dele. Essa é uma das grandes marcas do romantismo. A realidade deixa de ser apresentada como algo objetivo, como um dois e dois são quatro, e passa a refletir o estado interior do Indivíduo. Um estado que muitas vezes é contraditório, que é sensível, que é abstrato, mas que é legítimo. o sentimento de Verder, quando ele escreve as primeiras cartas dizendo que estava feliz, dizendo que amava aquela aldeia que ele havia acabado de chegar, dizendo que agora a vida dele estava valendo a pena. Todas essas coisas eram
verdadeiras. É impossível você ler o começo dessa obra e não pelo menos ter uma emoção mais demasiada em relação à alegria. Você se sente num paraíso junto com aquele jovem. Ele escreve descrevendo as fontes, as montanhas, as florestas, as árvores, todo esse conjunto da natureza que é uma sensibilidade subjetiva, mas verdadeira. Não é porque o ser humano sente uma emoção que muitas vezes pode prejudicá-lo como a ira, como uma paixão demasiada numa pessoa, como a vontade de mentir, que esse sentimento são coisas irreais, são reais, são legítimas, são coisas verdadeiras. Mas aqui nós temos esse
subjetivismo que é colocado no centro da experiência humana. Não é uma obra que vai dizer sobre o que é certo, sobre o que é errado, mas que vai dizer sobre os sentimentos. No final, eu tenho certeza que muitas pessoas vão chegar aqui no clube de leitura e vão falar assim: "Ah, esse moleque é um trouxa. Ele é um idiota. Ele fez isso por conta da menina. Ele não se tocou. Ele era um iludido. Não é esse o levantamento que eu quero por aqui, se ele estava certo ou não. Eu quero que você entenda os sentimentos
e o coração desse jovem. Porque quem nunca sentiu errado? Quem nunca teve uma emoção que muitas vezes prejudicou lá na frente? Mas é isso que nós estamos falando aqui, o subjetivismo Da vida humana. Uma vida que é uma vida sentimental, uma vida que sente as emoções de acordo com o que acontece. Então, através disso, através das cartas, através dessa escrita epistolar, nós podemos ter a sensação de mescla com o próprio protagonista, como se fôssemos ele. E aqui continuamos a chegada a Wen e o encanto pela natureza. Nas primeiras cartas, Werger chega a pequena vila de
Wen em busca de tranquilidade. Desde os primeiros dias, demonstra profundo encantamento pela natureza, descrevendo os rios, as árvores, as montanhas e jardins com entusiasmo quase contemplativo. Gut utiliza dessas inscrições para mostrar que a natureza não funciona apenas como um cenário, mas como o espelho da alma. Um bom escritor tem essa característica. Geralmente Dostoyevski, por exemplo, quando está ali escrevendo crime e castigo, o quarto de Rasconikov, o protagonista que está enclausurado tanto na vida quanto no espírito, nós temos a descrição daquele lugar como apertado, como sufocante, porque o externo reflete o interno. A mesma coisa está
acontecendo aqui. A natureza que é maravilhosa ao derredor de Wder vai espelhar a alma daquele jovem. Uma alma apaixonada, uma alma que está disposta a amar, que está disposta a viver. Quando Wedder encontra serenidade, a paisagem parece harmoniosa. Quando experimenta inquietação, a natureza também assume novos significados. E em uma de suas primeiras cartas, Werder escreve: "Como eu estou feliz por estar aqui". E e essa felicidade nasce da simplicidade da vida No campo e da sensação de liberdade proporcionada pelo contato com o mundo natural, com o mundo que é real. Exatamente o que falamos aqui não
é sobre o certo, nem sobre o errado, é sobre aquilo que é legítimo, aquilo que é verdadeiro. A natureza, por exemplo, com um tsunami, ela pode devastar toda uma cidade. Isso é imoral. Isso é uma coisa que é homicida. Nós podemos qualificar a natureza como sendo uma grande assassina, não é a verdade, a coisa tal como ela é. E o homem que encontra o romance na verdade, que encontra a beleza na realidade, é aquele que consegue encontrar sempre o amor dentro da sua vida, porque não vive de uma idealização, mas vive de uma realidade. Mas
isso vai ser tratado no decorrer da obra, principalmente quando o Wder encontrar a Charlotte. Ao contrário da cidade, marcada por convenções sociais e hierarquias, Wen representa um espaço de autenticidade. Werder sente-se mais próximo daquilo que considera verdadeiro e essencial a natureza nesse caso. E no final da aula aqui na minha parte teórica, eu falarei um pouco sobre isso através de Rousseau, que foi um grande pensador que trouxe também esse paralelismo entre o homem e a natureza. E agora chegamos no ápice da nossa aula de hoje, que é o momento em que tudo começa a se
tornar mais concreto e mais roteirizado dentro da obra, que é o primeiro encontro de Verder com Lot. Continuamos. O momento decisivo desta primeira parte da obra é o encontro entre Verder e Lot, chamada carinhosamente de Lot, a Charlotte no caso, né, perdão. Gut constrói essa cena Cuidadosamente. Antes mesmo de conhecê-la, Werder já ouve elogios sobre sua beleza, inteligência e bondade. Quando finalmente a encontra naquele baile que eles iriam naquela festa, vê uma jovem cercada pelos irmãos menores, distribuindo pão às crianças com naturalidade e afeto. A imagem produz enorme impacto sobre o o protagonista. E até
ali nós tínhamos um relato muito interessante de de que Werder ele era praticamente uma criança. E eu digo criança nesse sentido sentimental. Ele era um jovem extremamente puro e em todo momento quando ele estava com as crianças, nós temos um contato exatamente infantil e inocente, ingênuo. Tanto que quando ele vê Lote compartilhando ali o pão com os irmãos, ele tem essa sensação de compartilhar dela uma pureza, compartilhar com ela aquilo que já havia dentro dele. E a criança dentro da obra, ela é extremamente importante, porque a figura da criança é essa figura da inocência. E
uma inocência que muitas vezes pode prejudicar a inocência de não saber o que fazer, de não saber para onde ir, mas ter a inocência tão impregnada a ponto de sentir tudo de forma verdadeira. A criança, ela não sabe qual o caminho correto a a prosseguir, qual é a consciência que ela deve ter, mas ela simplesmente faz e ela faz com verdade. Então é essa pureza que ele tem no decorrer da obra que pode acabar também o prejudicando lá na frente. Mas como eu disse, a questão não é essa. A questão que devemos tratar por aqui
é este olhar romântico sobre a vida e entender como é importante sermos como crianças. Muitas Vezes a criança que tem a pureza, que tem o fato da vida ser como uma folha em branco, que pode reescrever a sua história cada dia, que pode entender que a vida ainda pode ser amada e que você ainda pode ser amado pela própria vida. E tudo isso através dessa figura que ele idealiza agora em Charlotte, quando ele a encontra, quando ela está cercada pelos irmãos. E agora isso vai tomar um rumo ainda mais importante na nossa obra. Verder não
se apaixona apenas pela beleza de Lot, mas pela impressão de harmonia que ela transmite. Ela reúne qualidades que para ele representam o ideal humano, a delicadeza, a simplicidade, a alegria, a dedicação aos outros. Durante o baile que se segue ao encontro, a aproximação entre ambos intensifica sua impressão. A famosa dança transforma-se em símbolo da comunhão entre duas sensibilidades que parecem compreender-se imediatamente. Verder escreve: "Nunca imaginei que pudesse existir tanta perfeição reunida numa só criatura." E olha a palavra que ele utiliza, perfeição. Essa palavra é importante porque perfeição nada mais é do que idealização. Não dá
para desconectar a perfectibilidade daquilo que você idealiza, porque a perfeição simplesmente não existe para a vida humana. Ah, é perfeito ganhar um salário de 20.000 por mês. Tem uma pessoa que ganha 30. Então, a idealização nada mais é do que você olhar para as nuvens e tentar alcançar sempre algo que há de mais alto, de mais elevado. E ele começa a se perder a partir daqui. E eu digo se perder não no sentido de prejuízo. Eu Digo se perder no sentido de se desconectar da realidade, de começar a projetar coisas em Charlotte que na realidade
ele não poderia naquele momento, porque ela já era comprometida, como sabemos desde o começo ali da obra. Então ele busca essa perfeição nessa mosca, nessa moça, ele enxerga a perfeição nela e a partir disso já começa a idealizá-la. E continuamos. Mais do que uma simples declaração amorosa, essa frase revela um dos traços centrais de sua personalidade: a tendência, à idealização. Desde o início, Wder não enxerga Lote apenas como uma mulher real, mas como a personificação de um ideal, a personificação daquilo que ele almejava, daquilo que ele esperava, assim como uma criança que deseja o doce,
assim como uma criança que deseja brincadeira, que deseja alegria. Isso tudo para ele representava a pureza no coração de um homem que estava disposto a amar, mas também representava a vontade de idealizar aquele que sonhava assim como o sonhador de noites brancas. Então nós temos esse relato muito aproximado lá na obra Noites Brancas de Dostoires, que por que temos esse nome? Há um fenômeno em São Petersburgo, que é onde a história acontece, em que a noite simplesmente não acontece. A noite é esclarecida pela posição ali da cidade no nosso globo terrestre. Então, o dia se
aparenta com a noite e a noite se aparenta com o dia. É uma mescla entre realidade e sonho. E o sonhador vive essa vida, uma vida sonhada, uma vida idealizada. A partir do momento que encontra Naschenka, por exemplo, a protagonista, que vai ali ser muito Importante na obra junto com ele, tudo ganha ainda mais potência. A mesma coisa acontece aqui com Werder, um menino que tinha uma paixão pela vida e agora ele canaliza essa paixão pela vida agora para Lote, para a mulher que ele encontrou e que ele acha tão perfeita, acha tão importante na
sua vida a partir de agora. a idealização como início do conflito. As páginas finais dessa primeira parte da aula de hoje já apresentam o elemento que conduzirá toda a narrativa. Verder descobre que Lot está prometida a Albert. A notícia não destrói imediatamente seu entusiasmo. Muito pelo contrário, ele procura permanecer próximo dela, convencendo-se de que sua amizade basta para satisfazê-lo. Entretanto, o leitor percebe que sua paixão nasce desde o princípio acompanhada por uma impossibilidade, a impossibilidade do desejo. O homem que deseja deseja aquilo que falta e sempre falta algo na sua vida. Como eu disse, você
pode ganhar o salário mais alto de todos. Alguém ainda vai ganhar mais do que você. Você pode ter a vida mais perfeita de todas. Alguém vai ter uma vida mais perfeita que você. Essa idealização é muito perigosa porque desconecta o homem da sua realidade. Então, Werder deixa de amar a vida que ele tinha através da natureza que vivia e começa a idealizar algo na moça que ele encontrou, que na verdade era uma impossibilidade. Entretanto, o leitor percebe que essa paixão começa a se transformar na impossibilidade. E esse aspecto é importante porque Gut não apresenta o
sofrimento apenas como consequência de um amor não correspondido. O sofrimento começa quando Werder deixa de Transformar um sentimento legítimo em um ideal absoluto, algo que ele sentia de verdade, que era a paixão pela realidade, e agora se torna um ideal absoluto, algo que ele quer alcançar, como Ícaro, quando olha para os céus e tenta voar como um pássaro, algo que é completamente impossível. E aqui continuamos. Lot deixa de ser apenas uma pessoa concreta e passa a representar tudo aquilo que Werder acredita faltar em sua própria existência. Faltar, essa palavra é importante, o ser humano deseja
aquilo que falta ou deseja aquilo que ele que ele pretende ampliar, pretende multiplicar. Então, nesse momento, o grande Vider começa a criar idealizações que estão para além da sua possibilidade de vida. E isso é muito importante, porque aquele olhar subjetivo sobre a realidade, aquele deixar de lado o dois e dois são quatro, agora começa a cobrar um preço. E é por isso que eu gosto tanto de mesclar obras do racionalismo com obras do romantismo, porque você percebe que a discussão não é quem favorece mais o qu, quem é melhor do que o quê, nada disso.
A discussão é como o ser humano é um ser tão elevado a ponto de ter objetivismos na vida, como também é um ser tão elevado a ponto de sentir a existência, como que o romantismo se alia ao objetivismo? Então aqui faltou um pouco a partir de agora em Verde, e não é criando aqui um julgamento moral em cima dele jamais, mas percebemos como que ele se deixa levar por aquela tempestade e aquele ímpeto, aquele sentimento grandioso, aquele momento que ele acha que a vida está valendo a pena. Mas aqui podemos nos lembrar novamente, como eu
citei Agora a pouco, a mitologia grega, o momento que Ícaro ganha asas. Ícaro, filho de Dédalo, estavam aprisionados na ilha de Creta. Dédalo, o grande arquiteto do mundo antigo, para fugir com seu filho da prisão, pega penas de vários pássaros, um pouco de cera e cria asas para que eles pudessem sair voando daquela ilha. Ao começar o voo, ele instrui o próprio filho. Ícaro, não chegue próximo muito do sol, porque a partir do momento que você se aproxima dele, a cera vai derreter, as penas vão soltar e você vai cair no mar, você vai morrer.
A idealização, o fato de você transcender, de sonhar, voar como um pássaro, é algo que você tem que tomar cuidado. O ser humano foi feito para o sonho, mas ele vive em realidade. E ali Ícaro se deixa levar. Ele voa cada vez mais alto e mais alto e mais alto e mais alto e o pai começa a gritar para que ele reduza o voo, para que ele reduza a sua altitude. Ele não escuta. A cera se queima, ele cai. E aqui a pergunta é: Ícaro é burro? Ícaro é idiota porque ele fez isso? Não. A
pergunta é: a vida de Ícaro valeu a pena? Será que no momento que ele tem ali exatamente a sua queda, não seja também o momento que ele alcançou a sua a sua aspiração de voar como um pássaro? E aqui que percebemos a grande questão do romantismo. Não é uma imoralidade, é uma amoralidade. Não é dizer o que o homem deve fazer, mas dizer o que o homem deve sentir, sentir realidade em sua vida, sentir de forma legítima, mesmo que esse sentimento acabe degradando muitas vezes. Porque uma vida que não é sentida, é uma vida o
Quê? É uma vida que é assistida do lado de fora, uma vida robótica, uma vida automática. Então, nesse ponto, começamos a entender qual é a premissa da obra, como que a obra termina de forma trágica, mas ela é narrada de forma tão linda. Nós temos a visão de Verd sobre a vida no nessa primeira parte do livro de forma completamente estupenda. Você se apaixona por aquela aldeia, você se apaixona pela própria Charlotte através do olhar dele, você se apaixona pela vida, porque tudo que ele escreve transmite verdade, transmite o sentimento que estamos falando aqui. E
agora continuamos com alguns paralelos filosóficos, já partindo pro final da nossa aula de hoje, da nossa parte teórica, nós temos primeiro Rousseau, como eu disse que iríamos citá-lo por aqui, e o retorno à natureza. Assim como Rousseau, Gut apresenta a natureza como um espaço de autenticidade. Longe das convenções sociais, Werder acredita encontrar uma forma de vida mais verdadeira, no qual os sentimentos podem manifestar-se livremente. Ou seja, a natureza que é dotada de realidade, aquilo que é orgânico, aquilo que não é imitado, que não é encenado, que não é atuado, a natureza tem essa sensação e
essa representação da verdade na vida humana. E nós temos também Pascal e as razões do coração. A célebre afirmação de Pascal, em que ele diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece ajuda a compreender o Verder. Suas decisões são guiadas muito mais pela intensidade dos afetos do que pelo cálculo racional. E é justamente aqui que nós começamos a entender essa espontaneidade que leva muitas vezes à contraditoriedade, o fato do ser humano se tornar Contraditório, melhor dizendo. Quando o ser humano é livre para agir, ele também é livre para errar. Quando ele é
livre para escolher, ele é livre para se contradizer. E o fato que nós temos como a liberdade de sentir também pode levar um prejuízo muito grandioso. O ser humano, ele não é só razão, não é só cálculo, não é só uma tabela em que tudo se organiza, como havíamos lido lá no no Memórias do subsolo de Dossoyevski, que nós temos essa crítica ao racionalismo. Na realidade a vida ela é impronunciável. Nós não conseguimos explicar a sensação humana. Sabe aquilo que acontece com você, que você não entende, que você não explica, que você não consegue escrever,
por exemplo, de forma estruturada, como se fosse uma receita de bolo? Essa é a sensação mais verdadeira de todas, porque ela é espontânea, porque ela é legítima, porque ela é numológica, ou seja, ela não tem explicações, não tem definições. Uma grande fala que eu gosto de Cênica é quando ele diz que o amor não é indefinido, o amor é sentido. Nós temos aqui quase 400 alunos nessa aula. Se eu pego cada pessoa e peço uma definição de amor para cada uma delas, um vai dizer: "O amor é carinho". O outro vai dizer: "O amor é
cuidado. O amor é transcendência. O amor é o cuidado pelo outro. O amor é o sofrimento pelo outro". Cada um vai dar a sua definição. No final, todos podem estar certos, todos podem estar errados, mas nós teremos aqui uma definição que não será Totalmente absoluta, porque o amor é abstrato. É justamente aqui que nós entendemos qual é o lance do romantismo dentro da literatura e dentro da filosofia. Nós não conseguimos explicar toda a vida, mas conseguimos sentir de forma verdadeira, porque antes mesmo de entender a realidade, você já a sente. Você já tem o indício
da paixão, já tem a premissa do amor, já tem a cólera enraizada dentro do seu coração, porque você é um ser humano, um ser que tem as suas sensações e emoções. E agora, pessoal, eu passo para o final da nossa aula com algumas reflexões práticas. Aqui nós já temos algumas pessoas com a mãozinha levantada no aplicativo. Quem for falar, mantenha a mãozinha levantada. Quem não for, eu peço que abaixe pra gente não perder tempo aqui, porque senão eu chamo a pessoa, a pessoa não fala nada e aí acaba comendo o espaço de outro aluno que
gostaria de falar. E quem quiser falar já começa a levantar a mãozinha no aplicativo que daqui a pouco eu passo para a nossa parcela dinâmica da aula de hoje. Reflexões práticas. A sensibilidade pode ser uma grande virtude, mas também pode nos tornar mais vulneráveis quando confundimos realidade com idealização. A realidade ela trata sobre aquilo que já temos. Quando você vive através da realidade que você possui, você amplia sua realidade. Ah, professor, eu não devo sonhar, eu não devo desejar. Não é nada disso. É o meiotermo, mesótes, como chamaria Aristóteles. Esse meio termo significa que eu
trabalho com o que eu já tenho. Não significa que eu não desejo absolutamente nada, mas sim que eu amplo tudo que eu já tenho. Em realidade. Eu desejo com os pés no solo, Com a minha capacidade de alcançar, de desejar e de concretizar. A idealização é importante, mas quando colocado em demasia é como voo de Ícaro. Você quer ser um pássaro, mas você não é um pássaro. Neste momento você pode voar, mas não como uma ave. Então aqui nós começamos a entender como que esses dois extremos são perigosos, como aquele que é totalmente objetivo a
ponto de só olhar para o real e não fazer da sua vida um romance nesse sentido de sentimento, como também aquele que só vive nos sentimentos e não abraça a realidade da vida. Porque este acaba se frustrando, este acaba indo para além da medida, acaba se prejudicando porque não olha para onde está pisando. Então esse meio termo é importante. A sensibilidade é uma grande virtude, mas quando colocado em demasia pode confundir a realidade com a idealização. Muitas vezes não nos apaixonamos apenas pela pessoa, mas pela imagem que construímos dela. Uma coisa muito importante que eu
consigo enxergar em relacionamentos é quando você chega numa pessoa e fala assim: "Fulano, por que você ama tanto o belrano, a pessoa com quem você está?" E aí a pessoa vai lá e fala assim: "Olha, ele faz isso por mim. Ele me traz café na cama, a gente viaja, a gente faz isso, a gente faz aquilo, ele me dá isso, me dá aquilo, a pessoa faz 100 coisas por mim". E aí nós já temos um grande risco, porque significa que o amor dessa pessoa está associado ao que o outro produz e a idealização que essa
pessoa tem do que o outro irá produzir e não necessariamente aquilo que o outro é. Você pode perceber que na fala da pessoa, em nenhum momento, ela citou que Ama o outro porque ele é virtuoso, ama o outro porque ele é estudioso, porque é esforçado, não. Amo o outro porque ele faz isso e isso e isso aquilo por mim, para que eu tenha essa tal recompensa ou para que satisfaça as minhas idealizações. Então, a imagem que nós geramos da pessoa, a imagem que geramos da vida, a expectativa que temos para com a realidade, essas coisas
são perigosas. A consciência humana, ela muitas vezes é um tanto quanto canalha. A capacidade de esperar o melhor pode fazer com que você aja para alcançar o melhor, mas também pode fazer com que você se frustre, porque muitas vezes a vida não dá aquilo que você esperava. Então, nós temos, nós devemos ter essa prudência e essa capacidade de medir a régua para que a idealização não seja em demasia e para que a realidade também não seja dura, para que haja o romance e para que haja o sentimento. E aqui essa obra traz algo que pouquíssimas
pessoas observam, porque hoje vivemos em um mundo que é completamente racionalista. E eu digo racionalista num termo bem deturpado, porque as pessoas utilizam pouquíssimo da razão, mas eu digo que as pessoas querem estruturar absolutamente tudo. A rotina boa é aquela que você acorda 5 da manhã, corre 10 km, lê 200 páginas, ganha R 1 milhãoais no dia e vai dormir mais rico do que quando acordou. Tudo através de números, tudo através de uma tabela. Nós precisamos desse certo romantismo na vida atual, porque o sentimento está sendo roubado do ser humano. Nós não devemos temer o
fato da inteligência artificial se tornar humana e ganhar consciência. Nós devemos temer o fato de que o ser humano, que é orgânico, está se tornando cada vez mais artificial. Hoje em dia, ninguém sente empatia por ninguém. A Vida é completamente roteirizada. Cada pessoa vive a partir de um papel que foi dado e não através de uma vida que é experienciada. Então aqui essa obra tem essa tempestade, tem esse ímpeto, tem esse extremo do romantismo que é levantado por Werder. Sim, mas isso é importante. É importante para que lembremos que nós somos doados também de sensação.
E continuamos. O contato com a natureza pode favorecer momentos de contemplação, de silêncio, de autoconhecimento, ajudando-nos a perceber com mais clareza nossos próprios estados interiores. A natureza, ela revela todo o desígnio da vida. Quando você olha para a natureza, você entende o porqu existe o inverno e o porqu existe o verão, o porqu existe a morte e o por existe a vida. Porque cada coisa tem o seu desígnio, tem o seu propósito. A mesma coisa acontece com a realidade humana. Quando aproximamos-nos na nossa natureza, também conseguimos nos aproximar daquilo que fomos feitos para fazer, feitos
para sentir e feitos para viver. A natureza nada mais é do que o propósito da vida, aquilo que realinha o ser humano com aquilo que ele foi projetado para ser. E quando eu digo projetado, não é no sentido de um propósito pronto e definido, mas no sentido de indícios, de pré-condicionamentos que você tem para uma vida que vai ser vivida de uma forma mais qualificada. Porque toda a explicação da natureza, segundo os antigos, reside em uma ordem que é muitas vezes para além do que entendemos. E no verde nós vemos exatamente isso, como que a
natureza externa fomenta a alegria interna Daquele jovem no começo da obra. Grandes sofrimentos frequentemente começam de maneira silenciosa, em pequenas expectativas, e idealizações que aos poucos passam a ocupar o centro da nossa vida. E é exatamente essa pequenez, o indício do sofrimento que vai surgindo aos poucos, que traz o perigo para aquele que negligencia, para aquele que não presta atenção na expectativa que está alimentando, nesse irrealismo que está fomentando na própria vida. Então aqui com o Verga, nessa primeira aula, nós já começamos a perceber todo o indício da nossa obra que vai tendo mais potência
no decorrer das nossas aulas. Uma das perguntas que Gut nos convida a fazer desde o início da obra é: estamos amando a pessoa real ou a ideia que criamos sobre ela? Você ama a vida que você tem ou você ama a vida que você idealiza a ter? Você ama aquela pessoa ou você ama a imagem que você criou dela na própria cabeça? Você ama a sua família ou ama a idealização que você tem da sua família? Isso é muito importante, porque nós não podemos mais uma vez desconectar completamente a razão da emoção e desconectar o
objetivismo do subjetivismo. Mesmo que eu viva uma vida na realidade, eu ainda tenho sentimentos. E é por isso que esse olhar deve ser ambivalente, deve ser um olhar de equilíbrio, um olhar que dá voz ao sentimento, porque o sentimento revela uma verdade. Desde a cólera de Aquires até a paixão de Verder, todas essas coisas que são levantadas na literatura só demonstram uma coisa importantíssima. Antes de você ser uma pessoa inteligentes, antes de você ser uma pessoa intelectual, antes de você ser um sábio, antes de você ser um calculista, antes de você ser uma pessoa prudente,
você é um ser humano que sente, que sente a ira, que sente a raiva, que sente o amor, que sente o desejo, que sente muitas vezes a inveja, a vaidade, a luxúa, o orgulho, várias outras coisas que fazem parte da nossa natureza. E a emoção não deve ser castrada, ela não deve ser jogada fora, ela deve ser governada na medida do possível. E você deve dar voz a cada emoção que você tem, porque elas transmitem aquilo que está no seu interior. E é por isso que o Werder traz esse romantismo tão exacerbado, tão grandioso, mas
a partir de agora com uma coisa importantíssima. O ser humano também foi feito para sentir. E o sentimento pode levar à tragédia, pode, assim como a razão também pode. Imagine viver uma vida inteira, porque racionalmente falando, você acreditava que o amor não valeria a pena. E muitas vezes você jogou o amor no lixo e aí você percebeu que você nunca sentiu aquele frio na barriga ao chegar próximo de uma pessoa, que você nunca sentiu aquele desejo por algo ou por alguém, que você nunca teve a forma inexplicável de narrar a própria existência, porque a sua
existência era demais para ser compreendida. Imagine chegar no final de uma vida racional, mas que na realidade só foi uma mera existência. Então isso é muito importante. Como que o romantismo com essa obra vai trazer essa conotação mais humana para a nossa natureza, para a nossa realidade e para tudo aquilo que nós estamos experienciando nesse século? Então pessoal, era basicamente isso que eu tinha guardado para a nossa parte teórica de hoje. Eu espero que vocês tenham gostado da minha fala por aqui. Esse é um livro que eu nunca lecionei sobre, que eu nunca falei sobre,
mas é uma obra que eu gosto bastante. Não é a corrente literária que eu mais tenho afinidade. O romantismo para mim é extremamente difícil. Ano passado, por exemplo, nas aulas de noites brancas que eu dei para os alunos, eles até ficaram surpreendidos porque eu dei todas as aulas e no final eu ali conversando com eles, falei: "Pessoal, olha, eu não gosto muito desse livro". E aí eles ficaram meio estupefatos porque é estranho o professor falar com entusiasmo sobre a obra, mas não gostar dela. Mas nós devemos dissociar essas questões. Opinião de fato. Essa obra é
importante, essa obra é grandiosa. E a partir de agora nós vamos levantar exatamente esse ponto, como que o ser humano é feito para o sentimento e como que o sentimento pode revelar a verdade da nossa existência. aquilo que traz uma amplitude para fazer da vida algo que vale a pena ser vivida. Mesmo que o final seja trágico, eu tenho certeza que Werder muitas vezes se sentiu realizado por ter tocado na mão de Charlotte, por ter sentido o cheiro dela, por ter escutado a sua voz. Coisas essas que são mínimas, mas que fazem uma vida ganhar
um teor inexplicável. Nós somos seres que sentimos antes de entender, antes de você explicar a realidade, a realidade já está apresentada a você. E é justamente isso que faz da arte, que faz do romance, que faz da literatura serem o que são. Coisas que não dão nada de fora para dentro, mas que explicam de dentro para fora, que despertam de dentro para fora. Eu deixo até aqui a Sugestão daquele famoso filme com o Rob Williams, A Sociedade dos Poetas Mortos, em que ele diz o seguinte: "Nós não escrevemos poesia porque é bonito, porque é legal,
porque está na moda. Nós escrevemos poesia porque ela está impregnada na raça humana. A arte existe porque nós existimos. A literatura existe porque nós existimos. O amor, o romance existem porque nós existimos. Então, é justamente isso que eu deixo aqui para vocês. E agora passo a palavra para os nossos alunos que levantaram a mãozinha no aplicativo. Quem quiser comentar sobre a aula, sobre os trechos que foram lidos, sobre as primeiras interpretações, sintam-se à vontade. O primeiro a falar aqui conosco será o Bruno. Deixa eu só liberar os microfones e eu peço para vocês, pessoal, sejam
objetivos, não encurtem a fala no sentido de empobrecê-la. Só quero que vocês sejam aqui pessoas que agregam ao nosso encontro e não que atrapalham, porque muitas vezes o aluno acaba falando sobre coisas que não t o teor da leitura e a gente acaba muitas vezes também estragando um pouco da nossa aula no sentido de desviar o foco. Nós temos aqui o foco no livro, então vamos aproveitar porque o encontro acontece apenas uma vez na semana e por um curto e e um curto período. Vamos lá. Passo a palavra para o Bruno. Bruno, sinta-se à vontade.
Boa noite, professor. Boa noite, pessoal. Eu queria falar um pouquinho das minhas impressões. Eu gostei bastante da obra. Eu ainda não conhecia. Foi a primeira obra do GOT que eu li. E assim, a o que mais me chamou atenção na Primeira parte, que eu gostei muito do personagem do Verter, ele ao mesmo tempo que ele é uma pessoa eh admirável, ele parece ser extremamente difícil de lidar. Então ele tem uma certa uma certa dualidade que chama bastante atenção. Eh, e eu notei que de certa forma ele é bem o oposto de um personagem, de um
livro clássico também, que é o Ivan Elite, né, que o Verter é extremamente autêntico, ele não liga muito paraas convenções sociais, ele simplesmente vive a vida dele da maneira que ele acredita que deva ser vivida, né? Eh, por exemplo, ele tem um carinho imenso pela natureza. Ele demonstra muito carinho pelas crianças. Ele respeita as pessoas de um status social mais abaixo dele. Ele é caridoso. Então ele tem várias coisas que são admiráveis, né? Ele rejeita a burocracia, a artificialidade da nobreza. Então tudo isso são atributos muito admiráveis que vão justamente ao encontro desse outro eh
ao oposto, né, desse outro grande personagem. Só que ao mesmo tempo que ele tem esses grandes eh essas grandes virtudes que estão relacionadas à sensibilidade dele, eh isso faz com que assim ele não se preocupa com o status, então ele também não tem ambições profissionais, eh ele não se preocupa em trabalhar, ele simplesmente deseja aproveitar a vida dele. Só que nessa ânsia de aproveitar a vida, ele acaba que ele não consegue, né? Ele justamente ele sente tanto que ele não consegue o que ele mais queria. ele queria aproveitar a vida, contemplar a Natureza, estar perto
das pessoas que ele ama. Só que ele justamente se prende a a esse ideal que ele criou da Lote e ele não consegue sair disso. Então, no final ele não conseguiu eh aproveitar a vida, né? ele ficou justamente preso, né, nessa questão da intensidade dele. Então, ele é uma pessoa de extremos, ao mesmo passo que ele consegue sentir um sentimento incrivelmente intenso ao ver algo simples, como uma árvore, uma fonte, o que parece ser ótimo, ao mesmo tempo ele se sente intensamente mal quando alguma coisa sai fora do que ele idealizou. Bem, era só isso
mesmo. Gostaria só de eh colocar essa posição. Obrigado pela pelo espaço, professor, e obrigado pela recomendação. Gostei bastante. Muito obrigado, Bruno, pela sua citação. Gostei bastante de você rememorar aqui Ivan Elite, porque realmente nós temos uma vida muito dicotômica. É como se a vida ela fosse um pico e os dois extremos são como declives. As pessoas ora estão do lado da do excesso, ora do lado da ausência, mas raramente nesse equilíbrio. E é justamente esse o ponto que eu gostaria de falar com vocês, porque o equilíbrio ele é quase que uma utopia. O equilíbrio é
dificílimo. Como que eu vivo uma vida equilibrada, sendo que o mundo é desequilibrado? Eu sou mais como um malabarista, alguém que está tentando aqui equilibrar várias bolas em cima de um prato do que uma pessoa que tem um caminho estável e que tudo acontece de maneira fundamentada. Então, tanto o lado do excesso quanto o lado da ausência, quando o Werner sente demais ou quando ele deixa de lado as Aspirações profissionais, uma vida que é mais estruturada, tudo isso traz um certo risco para a nossa jornada. E eu gosto bastante de algo que Aristóteles fala na
sua obra, Éticao, que é um grande tratado sobre ética. Ética do grego etos, que significa ação, costume. Então, a ética nada mais é do que a forma com você vive. E na sua obra, ele fala que o extremo não necessariamente significa algo ruim. O extremo muitas vezes significa o recordar da vida, significa o rememorar do equilíbrio. Imagine que você está no extremo do do gasto. Você gasta demais. Você gasta mais do que deveria. Você é uma pessoa extremamente pródiga. Tudo que você ganha você já perde. Esse extremo é perigoso. E o outro extremo também perigoso
da avareza. Você é uma pessoa ávara, uma pessoa que não gasta nada, muquinha, mão de vaca. Os dois extremos são igualmente arriscados. Mas quando você está em um extremo, você deve buscar o outro inevitavelmente. Se você é uma pessoa que nunca gasta nada e vê que o dinheiro está mais te aprisionando do que libertando, é hora de gastar. É hora de ser um pouco mais pródigo. Então, esse fomentar o extremo não necessariamente significa você ser vicioso, significa você buscar algo que está faltando na sua vida naquele momento, até que você possa reequilibrar os pratos. Então,
o romantismo nessa leitura que estamos fazendo vai ser exatamente isso. Nós estamos no nós estamos agora no extremo dessa decadência sentimental em que o ser humano vai esquecendo o fator orgânico da existência e começa a se tornar bem mais artificial. Agora, o extremo do romantismo, dessa tempestade ímpeto, que Vem através do movimento literário de Gut, ganha exatamente esse outro extremo que reequilibra o eixo, que traz o ser humano de volta a essa ideia de que nós devemos sentir, que devemos amar, que devemos fazer da vida um romance, porque sem romance a vida não vale a
pena. Esses pontos são importantes. Então, os extremos não servem como fatores a serem evitados, mas servem como balizas para você estacionar o seu carro, estacionar a sua jornada. Então aqui esse extremo vai ganhar exatamente essa conotação de relembrança ao sentimento humano. Agora passo a palavra para o João Víctor. João, sinta-se à vontade. Opa, primeiramente boa noite a todos e todas. Agradeço a oportunidade. A minha fala, eu creio que vai muito de encontro com o que o Brunas falou. Realmente essa obra para mim foi muito, muito importante. Eu fiquei surpreso porque eu não imaginei que existisse
um livro tão bom assim. E é engraçado como a gente se surpreende com a literatura, sempre tendo algo extraordinário e a conversar e agregar da vida de outras pessoas. Mas eu refleti muito na atitude e na vida do jovem, porque eu notei que, apesar dele ter um uma visão de mundo bem perspicaz, bem Profunda, eh em muitas vezes ele demonstrava um amor pelo caráter, pela virtude e uma nobreza inimaginável, mas ao mesmo tempo, ele parecia não notar que o forte desejo dele, o descontrole compulsível do amor fazia ele entrar em conflito sempre com essa nobreza
que ele vivia buscando ou acreditava ou vivia mesmo de si, tinha aprendido. Então é meio confuso para mim, porque tipo, ao mesmo tempo que ele ama o Alberto e tem uma amizade profunda com ele, ele não percebe que ele desrespeita o Alberto a na forma como ele trata a Carlota, que é tipo uma forma assim claramente romântica e apaixonada. Ah, e isso deixa um pouco em choque, mas me fez pensar muito na no livro que a gente leu recentemente de memória de subsolo, porque me fugiu a palavra agora, mas seria uma palavra que o senhor
falou muitas vezes durante as aulas sobre o tipo de pessoa que entra muito em contradição e aquilo fica as vezes, tipo, a gente ah tem pensa na racionalidade, pensa de uma forma específica e acredita naquilo, mas a nossa atitude às vezes tá contradizendo tudo que a gente acredita e pensa e a gente acaba não notando, percebendo. Então é isso. Eu usei mais para refletir nas minhas próprias atitudes mesmo e analisar, mas para mim mesmo assim não não deixou de ser um livro incrível e fantástico. Realmente agradeço pela oportunidade de ler. Muito obrigado, João, por compartilhar
a sua visão. E realmente é um livro muito lindo, é um livro que é muito bem escrito, nós temos o romantismo colocado ali de uma forma extremamente, digamos assim, próxima ao leitor. É o que eu disse com vocês, essa é a capacidade do romantismo, a capacidade de compartilhar aquilo que nós já temos na nossa própria natureza, que não é uma explicação que é dada de um que sabe para outro que é leigo, nada disso. É apenas o sentimento. que o sentimento não exige esse grau de compreensão para que o outro entenda. Todos nós temos uma
vaga ideia, por exemplo, do que seria o amor, desde a criança que ama a sua mãe até o homem mais velho, que já está num casamento há 50 anos. Então, temos esse sentimento que é compartilhado de forma universal entre nós da raça humana. E o romantismo através de Gut, através de grandes outros nomes da filosofia, literatura, da pintura, da dramaturgia, fomenta justamente essa ideia da sensação legítima. Agora eu passo a palavra para Rose. Rose, sinta-se à vontade. Professor, boa noite. Boa noite a todos. Eh, eu tô assim um pouquinho, tô gostando muito da leitura do
livro e Eu vou falar uma coisa aqui bem simples, só para eh contextualizar, né, que vivendo num época que nós estamos em plena tecnologia, no avanço, né, esse livro foi feito em formas de cartas, que era como antigamente a gente se comunicava com as pessoas distantes, né? Eu achei bem interessante, né, que o livro é feito de cartas. E aqui, logo no início do livro, eu percebi que o autor eh no prefácio, ele diz uma coisa interessante que ele diz assim: "Que este pequeno livro seja um amigo se a própria sorte ou a culpa não
permitem que você encontre outra companhia". Eu achei bem interessante esse fato, porque eh eu acho que para o próprio autor escrever um livro seria uma forma dele se abstrair de si mesmo, da solidão e de não ter eh uma companhia e ao mesmo tempo propor ao leitor que o livro sirva de uma companhia. E aí tem várias outras coisas que eu gostaria de falar, mas eh eu tenho dúvida que possa estar equivocada, então eu vou deixar para outra oportunidade. Era só isso mesmo que eu ia falar. Perfeito, Rose. Caso você queira enviar a dúvida aqui
no chat de mensagens do da reunião do encontro ou no grupo no WhatsApp depois amanhã ou no máximo sexta-feira eu já irei reabrir o grupo para vocês conversarem sobre o livro. Mais uma vez, pessoal, o grupo ele fica aberto boa parte do tempo e eu vejo vocês utilizando pouco do grupo quando nós temos ali a oportunidade de falar sobre o livro, sobre o que vocês estão entendendo, sobre o que vocês podem trocar. Então, utilizem dessa ferramenta. Eu vejo muitas vezes o pessoal conversando sobre coisas que não agregam muito. E aqui não é repreendendo porque longe
de mim, se vocês querem usar o grupo ou não, fica a merc de cada um. Mas é uma ferramenta que pode ser utilizada, porque se nós chegamos apenas na quarta-feira às 19 horas para conversar sobre o livro, querendo ou não, fica um tanto quanto apertado. Então a oportunidade está lá para vocês. E como a Rose disse, esse prefácio é lindíssimo. Quando o Gut diz que o livro pode se tornar o seu amigo, eu gosto muito de algo que ele diz assim: "Não se furtem a estimá-lo e admirá-lo por seu caráter e seu espírito, nem lhe
neguem as lágrimas em razão de seu destino". Ou seja, a vida de Ver tem duas frentes. A frente da admiração, da razão, daquilo que você tem ali como algo que pode ser ordenado e estabelecido através de fundamentos lógicos e objetivos. E também tem as lágrimas que representa essa sensação. Então, mesmo que você possa admirar Werder através da vida que ele viveu, que foi uma vida consideravelmente alegre e feliz até o momento da tragédia, nós também podemos ali derramar as lágrimas no momento necessário. O próprio Gut demonstra o Que o romantismo representa. Não é apenas você
sentir a ponto de morrer sentindo, mas é você sentir através da verdade, através da vida, através desse certo equilíbrio que nós temos aqui entre não furtar a admiração, mas também não negar as lágrimas que o nosso protagonista merece. Agora eu passo a palavra para Maria José. Maria José, sinta-se à vontade. Eu acredito que a Maria José esteja com algum problema no microfone. Eu vou passar a palavra para a próxima pessoa. Pode ser, Maria José. Aí depois a gente retorna com você. Perfeito. Ela conseguiu. Consegui, consegui. Perfeito. Consegui. Desligar. Ai. Boa noite, professor. Boa noite, colegas.
E eu sempre com meus resuminhos, né, professor? Bom, a principal mensagem aí do livro é a intensidade dos sentimentos. e os riscos, né, de viver dominado pelas emoções, sem conseguir equilibrá-las com a razão. Alguns dos temas centrais da obras eh da da obra são o amor idealizado por Vedder, que ama profundamente Charlotte, mas transforma esse amor numa obsessão incapaz de aceitar, de aceitar que ela está comprometida com outro homem, né? a falta realmente de aceitar isso, o Conflito entre a emoção e a razão, né? O romance mostra a sensibilidade extrema, eh, poder levar o sofrimento
quando não encontra limite ou forma saudável de lidar com a realidade, né? A solidão e a incompreensão de Veder. Ele sente que ninguém é capaz de compreender a profundidade dos seus sentimentos, o que aumenta o seu isolamento, busca de sentido, né? O protagonista questiona o papel do indivíduo na sociedade, a felicidade, o propósito da vida. Ele questiona isso o tempo todo. As consequências da idealização, né, aquilo que você disse, eh, se a gente tá vivendo a vida real ou a vida idealizada. Get mostra que idealizar pessoas, relacionamentos ou a própria vida pode gerar uma frustração
muito grande e a liberdade individual, mas também evidencia os perigos de uma vida guiada exclusivamente pela paixão. E uma frase que resume muito a mensagem da obra seria: "Quando a paixão se torna mais forte do que a capacidade de aceitar a realidade, o sofrimento pode consumir a pessoa, né?" E assim, o livro não é apenas uma história de amor trágico, ele é uma profunda reflexão sobre a natureza humana, os limites da emoção e a importância de encontrar o equilíbrio entre o sentimento e a razão. E chama muito atenção porque a gente vive hoje, né? um
mundo extremamente racionalista, um mundo em que as pessoas têm muita vergonha de falar sobre o sentimento e aí se tornam vampiros, né, dessa sociedade consumista e se entopem de bebida, de drogas e de remédio e de idas a psiquiatra a todo momento, onde aumenta-se a milimetr a milimigram de medicação para poder viver e enfrentar o mundo de hoje. Então, esse romance devia ser o livro de cabeceira de todo mundo pra gente retornar aí a vida eh mais de sentimento do que da razão. Muito obrigada, professor, e um beijo no coração de todo mundo aí. Muito
obrigado, querida. Seu resumo foi perfeito. Os resumos são muito importantes, pessoal, tanto da Maria José como de qualquer outra pessoa que possa fazê-los, porque é uma forma que você tem de sintetizar o que você, por exemplo, aprendeu. Uma das coisas que eu digo para vocês é como que a árvore não dá o fruto que ela não tem. Uma das melhores formas de você aprender algo é ensinar algo. Você não ensina aquilo que você não sabe. Então, é necessário ter essa síntese para que você tenha essa apreensão do conhecimento de certa forma. Eu gostei muito do
que a Maria José disse, que é quando a paixão se torna muito maior do que o aceitar da realidade. E nós temos um traço muito importante que define a pessoa que vai ser romântica no sentido verdadeiro e aquela que vai ser romântica no sentido Idealizado. Idealizar, amar, ter uma vida de sentimentos. Esse não é o problema. O problema está entre a palavra aumentar e a palavra inventar. Aquele que sente verdadeiramente amplia, aumenta a própria realidade, ou seja, pega o que já tem e expande. Agora, aquele que sente de forma doentia, a ponto de idealizar e
a ponto também de se frustrar, esse está inventando uma realidade, está indo para além do que a vida dá como matériapra para ele. Então, sentir não há problema algum, desde que o seu sentimento seja fundamentado na realidade e tenha esse aumento do que nós vivemos, ampliação de tudo aquilo que você tem ao seu derredor. Agora, do outro lado, quando você inventa algo que não existe, é como nós falamos, Ícaro que inventou ser um pássaro. Ícaro já estava aumentando a própria vida, que era o fato de voar. Mas quando ele se elevou a ponto de chegar
próximo do sol, ali, ele já estava inventando algo que ele não poderia ser. E a queda obviamente é certa. E nós temos essa tragédia de Verder como a representação disso. Então, a distinção entre a palavra aumentar e a palavra inventar é muito importante aqui dentro do nosso entendimento do romantismo como sendo algo usado, mas que merece cuidado ao ser utilizado. Agora eu passo a palavra para a Bárbara. Bárbara, sinta-se à vontade. Professor, eu queria falar exatamente sobre a parte da idealização. Eu li Noites Brancas, assim como em Noites Brancas, eh, ele idealiza para amar ou
ele ama e idealiza esse amor? Porque nas duas obras, o personagem principal, ele ama uma coisa que ele não vai poder ter. Eu até vou me arriscar a levar um pouquinho para Romeu e Julieta, por exemplo. Até onde ali em Romeu e Julieta não foi uma idealização antes realmente de um amor. Perfeito, Bárbara. Eu gostei bastante dessa pergunta que você fez porque nós temos aí uma ambivalência que é quase que retroativa, as coisas se alimentam. Eu acredito que no caso do sonhador, nós temos aí uma coisa a ser levada em consideração. Ele já era um
sonhador. Ele já era uma pessoa que tinha essas idealizações até mesmo sobre os prédios de São Petersburgo. Então quando ele encontra na Xenka, ele tem algo dentro dele que fica dentro dele, pelo menos por enquanto. Ele vai fomentando aquele amor, mas ele não expressa. somente lá na quarta noite que nós temos todo aquele stopinho que naca daquela forma que muitas pessoas odeiam, faz ali uma certa ardilosidade com o sonhador, dá margem para que ele sonhe e tenha chão para pisar e no final acontece aquilo. Já com Werder, nós vemos que a idealização acontece de uma
forma ainda mais, digamos assim, demasiada, porque ele não teve essa pré-condição que o sonhador teve. O sonhador desde o começo ele teve ali, olha, a Anaxenka disse: "Não me faça corte". Então todo o Sentimento que eu tenho sobre ela eu guardo. Tanto que o sonhador ajuda ela a tentar encontrar o vizinho que iria voltar. Ele estava tentando ali manter aquele romantismo e aquela ideia de Nashenka ainda resguardada. Já a Werder desde o começo sabia que Charlotte era comprometida e ainda assim insiste. Ele ainda assim se convence. Porque aquele que idealiza, aquele que sonha, ele não
só ignora a realidade, mas como ele distorce a realidade. Ele finge que aquilo que acontece com ele acontece de outras formas. Então ele tenta se convencer, por exemplo, que a simples amizade basta, mas o sentimento dele não é de amizade. E assim nós vemos exatamente o que você disse com Romeu e Julieta. Nós temos lá os Monteéquios e os Capuletos, o romance que envolve duas famílias rivais, um de cada família, que não podem se unir. A possibilidade existia, mas a probabilidade não. A probabilidade daquilo dar errado era gigantesca. Então, a idealização nesse contexto seria um
desejo que ampliaria a realidade, mesmo que fosse contra a lógica, mas ainda tinha uma pequena chance. Já com Werder, nada demonstrava que ele tinha chance e ainda sim ele alimenta isso que nós estamos vendo aqui na obra. Então eu acredito que aquele que idealiza, ele pega a realidade, a distorce e cria a própria realidade. Então são coisas que se retroalimentam. Ele ama porque idealiza idealiza porque ama. Então, essas coisas são praticamente um único objeto que eu chamaria de desejo. O desejo acaba sendo Isso. Você deseja aquilo que você idealiza, você deseja aquilo que você quer,
aquilo que você almeja, mas o grande ponto não é qual é o seu desejo, mas da onde está saindo o seu desejo. É um desejo conectado à realidade? É um desejo que tem chance de ser concretizado? É um desejo legítimo? É um desejo que você está inventando e não ampliando como falamos? Então esse exemplo foi maravilhoso. Nós tivemos aqui o maior caso do romance da literatura, que é Romeu e Julieta. Então foi muito bom. Bárbara, muito obrigado pelo seu comentário e uma dúvida extremamente válida. Agora eu passo a palavra para a Kelly. Kelly, sinta-se à
vontade. Boa noite, professor Brian. Eh, eu queria falar sobre essa parte aqui nas reflexões práticas. Eh, a sensibilidade pode ser uma grande virtude, mas também pode nos tornar mais vulneráveis quando confundimos realidade, idealização. Muitas vezes não nos apaixonamos apenas pela pessoa, mas pela imagem que construímos dela. Então, eh, eu vivi isso e ainda tô vivendo e eu sou uma pessoa muito idealista, sabe? Então, assim, só que através de tudo aquilo que a gente tá estudando, inclusive desse livro que eu iniciei, não li, eh, né, todo, mas assim, é interessante saber, é gostoso a gente amar,
a gente sentir eh Eh aquela idealização pela pessoa, mas quando isso se torna, quando a gente começa a ficar eh é é vulnerável demais, isso começa a prejudicar, sabe? E isso começou a me prejudicar. Só que aí eu fui trabalhando isso dentro de mim, estou trabalhando ainda, mas eu vi o quanto é bom a gente amar. Mesmo quando você sabe que talvez aquela pessoa não é para você, mesmo que você sabe que talvez aquilo ali não vai dar em nada, mas o fato de você acordar todo dia, de você eh idealizar aquela pessoa sem deixar
que isso eh eh transforme sua vida no inferno. E assim, eu gosto dessa idealização, mas eu aprendi a colocar os meus pés no chão e não deixar que essa idealização eh me torne uma pessoa uma pessoa fraca, entendeu? Então assim, mas é gostoso amar, é gostoso, entendeu? Porque a vida sem amor ela fica muito sem graça, entendeu? a gente se torna uma pessoa eh eh sem brilho, a vida fica sem brilho, entendeu? Mas a pergunta que eu quero eh falar realmente, será que a gente sabe o que é o amor? Será que na verdade a
Gente sabe o que que esse sentimento significa? Entendeu? Porque para mim o amor ele vai ele vai muito além das nossas expectativas. Eh, eh, o amor para mim ele não é físico, porque o físico ele ele ele chega ao fim, entendeu? Agora, o sentimento, aquilo que você tem pela pessoa, pelo que a pessoa é, sem você ficar com exigências, entendeu? Sem você ficar sempre querendo que a pessoa vai te dar alguma coisa, vai doar alguma coisa, mas pelo fato de você se doar e não deixar que isso doa em você. Entendeu? Mas o amor verdadeiro,
eh, eh, professor, ele é muito maravilhoso, porque tá além do além da realidade, dessa realidade que a gente vê, entendeu? Então, assim, será que a gente sabe o que que é isso? É, é essa pergunta que eu deixo aí. Muito obrigado pelo seu comentário, Kelly. Eu até peguei aqui a carta do dia 18 de julho, que o Werner já abre a carta dizendo o seguinte: "O que seria do mundo para o nosso coração se não houvesse o amor, se não existisse essa questão de amar?" E eu gosto muito de uma frase de Platão que está
no banquete que ele diz assim: "O amor naquele que o amor toca já não anda mais em Escuridão". A pessoa que sente o toque do amor, ela sabe que a vida não é apenas uma coisa passada, mas é uma coisa que fica, que marca, que deixa ali algo que muitas vezes é inexplicável. E assim é o amor. O amor nada mais é do que uma aproximação que nós temos, uma abstração que podemos nos cercar ali no decorrer de uma jornada. Mas uma definição concreta, como dois e dois são quatro, é muito difícil. Geralmente nós só
percebemos o amor quando o amor já passou. Só percebemos o amor na ausência. Só percebemos o amor no meio daquela tempestade de sentimentos que são inexplicáveis. Mas o amor ele tem uma característica muito interessante que eu costumo catalogar como a imortalidade de espírito. Será que você viveria isso que você está vivendo por tantos em tantos e tantos anos? Se fosse necessário você ficar, por exemplo, fazendo o que você ama por toda a eternidade, você faria? Se a resposta é não, então talvez esse não seja algo que você ama, não seja uma coisa que você tenha
ali um sentimento tão verdadeiro quanto pensa. Talvez seja uma paixão, seja um afeto, seja um carinho grandioso, uma coisa que se aproxima ao amor, mas que não seja de fato o amor, porque o amor tem essa capacidade aumática, essa capacidade espiritual de fomentar o seu espírito. E às vezes o amor pode levar ao prejuízo, como por exemplo, eu gosto de colocar aqui a filosofia. Eu amo dar aula de filosofia. Eu amo estudar sobre os grandes pensadores. Isso é algo que remunera muito bem. Essa é uma posição que a sociedade privilegia. Isso é algo que as
Pessoas, por exemplo, vão fazer fila para aprender? Obviamente não. E é algo que pode me trazer um prejuízo um dia. Não sei qual vai ser o rumo do meu negócio, da minha empresa, das minhas aulas, mas pelo menos eu estou fazendo o que eu amo. Então eu não penso na recompensa, eu penso no que faço. E se fosse para dar aulas de filosofia até meus 90, 100, 120 anos, eu daria. E se fosse para dar aulas por toda eternidade, eu daria também. Então eu consigo ter essa aproximação do amor através da verdade e da sinceridade
de sentimento que eu tenho dentro do meu espírito. Então há essa necessidade de entender que o amor dificilmente vai ser conceituado, mas ele evidentemente será sentido desde que você tenha olhos para o amor. Boa parte das pessoas só aprenderá o que é o amor quando ele já não estiver mais presente, quando aquela falta se tornar uma lacuna existencial dentro de você e você pensar quantas e quantas vezes você já não quis ter aquilo de volta, mas agora não retorna mais. Então é necessário que nós tenhamos esse olhar que o Verder tem sobre a vida, um
olhar mais romântico, um olhar mais apaixonado, como nós falamos, não em excesso, mas numa medida adequada para que você desfrute, para que você tenha uma vida marcante. E agora eu passo a palavra para a Winnie. Wi, sinta-se à vontade, por gentileza. OK. Boa noite, professor. Na verdade são primeiras impressões que eu registrei sobre romance, sem maiores reflexões por Enquanto, né? Que eu comecei a ler o livro anteontem. Então, as reflexões eu vou deixar para as próximas os próximos encontros. Então, sobre a escrita, eu registrei o seguinte: GET usa a técnica literária de contar histórias por
meio das cartas, o que permite uma leitura imediata dos pensamentos mais íntimos de Verder e o que gera uma grande empatia entre leitor e personagem. Essa técnica também permite ao personagem, né? Isso é outra. Por outro lado, essa técnica permite também ao personagem te conter informações ou distorcer realidades, pois ele só vai escrever o que ele realmente quer contar ao amigo naquele momento. Isso gera, na verdade, um grande interesse e curiosidade pela leitura e pelo que vai acontecer e pelo que ele não disse. E sobre que eu já consegui entender sobre os personagens, eu registrei
o seguinte: "Éc sente-se feliz em um lugar que ele escreve como paradisíaco. Ele é um artista, é pintor e poeta, é bem erudito, ele conhece o grego, ele leu Homero. Vemos um jovem sensível, apaixonado pela natureza, amante das artes, ama crianças e é crítico das convenções sociais, mas que, segundo uma das suas cartas, ele guarda, abro aspas, um mundo de aspirações adormecidas no íntimo do ser. Resto aspas e a gente nem sabe quais são essas aspirações ainda, né? Vemos o seu enorme encantamento por uma jovem, Charlotte, desde que a conheceu e idealizou quase de imediato,
mesmo Sabendo que era comprometida. E vemos a chegada do noivo dela, que é a última carta que a gente lê, porque o deixou muito perturbado. Então, a gente percebe que o sofrimento já começa a se desenhar, principalmente pela intensidade da paixão dele por uma moça comprometida. Foi isso que eu registrei, professor. Muito obrigado, Wi, pelo seu comentário de coração. E algo que a Winnie lembrou aqui pra gente é que o Verder era um artista, né? Eu até não comentei por aqui com vocês, mas na obra fala sobre as suas pinturas, a sua capacidade de desenho
e tudo mais. Então já fica bem claro que ele tinha esse coração voltado ao espírito humano, um espírito genuíno que pratica a arte, como falamos, de forma bem verdadeira. Agora passo a palavra para a Tânia. E pessoal, vou só deixar falar aqui as últimas três pessoas. Quaisquer pessoas que levantem a mãozinha posteriormente vai ficar para a próxima reunião porque já estamos aqui no limite do nosso horário. Tânia, sinta-se à vontade. Boa noite, professor. Boa noite a todos ainda, os 192 que estão presentes. Eh, minha fala é é rápida. Eh, é tão bacana a gente ver
um livro e ver as características de uma nova escola surgindo, né? Esse livro é o início do o fim do arcadismo, que era o da razão, e entra o romantismo, principalmente com a parte forte, né, da Mulher, era vista, sendo vista através dessa idealização. E o que é bacana é a gente ver todas as características da escola na fala dele durante as cartas, a idealização, a inocência, a pureza, a fragilidade, o anjo. E aí, eh, me vem assim a outra característica que o havia o amor platônico, né, na na escola, nesse período romântico, né, da
escola literária e a libertação para que a amada, que a mulher amada, que o a pessoa amada fosse feliz, ele não prendia. é o amor verdadeiro que quer que o outro seja feliz. Só quer isso, quer que o outro seja feliz. E a gente contrasta com o tempo de hoje, onde o índice de feminicídio é imenso, porque o homem não permite que a mulher fique com outro, não é? Olha a diferença dos valores, do sentimento de visão, de ação, não é, que o homem tem em relação à mulher. O homem hoje quer culto, quer estudo,
que é civilizado, não permite o não. Aí mata, bate, estraga o rosto para que não seja aproveitado para para ninguém. Se não é minha, não é de ninguém. Enfim. Aí eu vejo e essas características tão claras, tão claras, as características romântica nesse livro, não é à toa que ele foi o divisor de águas, né? Como suspiros poéticos e saudáveis, aproveito e já convido também os outros a fazerem a leitura do livro de Gonçalves Dias Suspiros Poéticos e Saudade, que é um livro de poesia que abre a literatura romântica no Brasil. Não é esse no plano
mundial e Suspiro Poético e Saudade é a obra introdutória do suspiro do romantismo aqui no Brasil. Então é é só isso daí mesmo. Eh esse confronto aí dessa mulher idealizada, dessa mulher perfeita, de vê-la feliz, que o amor é isso, deixar a libertar, deixar o outro ser feliz. Ele era feliz só em vê-la feliz. Tanto é que o o namorado não era, ele não retratava ele como uma pessoa ruim, mas sim como uma pessoa boa, não é? Que ele admirava. Enfim, muito obrigada aí. Tô adorando o curso. Eu sou de Manaus. Queria muito saber se
tem alguém de Manaus. Inclusive tô divulgando o curso do senhor para que outras pessoas possam participar. Um abraço a todos. Boa noite, professor. Desculpe se eu me alonguei. Muito obrigado, Tânia, pelo seu comentário. Foi muito contundente, agregou bastante aqui ao nosso encontro de hoje. E realmente a emoção ela pode ser distorcida em vários graus, né? E hoje em dia a pessoa até pode sentir alguma coisa, mas acaba sentindo de forma doentia, como você citou os índices de feminicídio, né, no nosso país, que são altíssimos. E a pessoa acaba tendo essa deturpação objetiva da realidade e
acha que só porque ama deve ter aquele amor apenas para si e que a outra pessoa é escrava do que ela sente, sendo que todas essas coisas são arriscadas, tanto o sentimento em demasia, que pode se tornar obsessão, como também o sentimento em ausência, que pode se tornar frieza e apatia. Então, essas coisas são importantes. E agora eu passo a palavra para a Ana, que vai ser a última pessoa a falar aqui com a gente. Ana, sinta-se à vontade. Olá, boa noite. Derradeira, hein? Fechando a noite. Eh, primeiro queria dizer que é uma honra participar.
Eu te admiro demais, ainda mais porque você é muito jovem e quando eu vejo uma pessoa muito jovem no nível que você tá, eu fico muito feliz. Eh, eu entrei no clube o ano passado e coincidentemente eu a única obra que eu pude ler foi Noites Brancas e quando Tava lendo esse, eu me remeti o tempo todo para essa essa outra obra, porque eu visualizava também muito os momentos. Eh, mas uma coisa que me chamou e e eu tô tendo o cuidado de ler seguindo eh esse cronograma que o senhor fez eh e não passei
da da das páginas, mas me chamou muito atenção essa relação que ele tem com a natureza, né? a forma como ele olha a natureza, a forma como ele descreve a natureza, a arte e e também me chamou muita atenção o tratamento que ele dá às pessoas mais simples. Tem uma passagem no texto eh que ele chama atenção que uma outra pessoa distrata, né? E e ele sempre tem um olhar eh para o outro enquanto ser humano, não uma questão de de valores eh eh financeiros. Eh, e eu, isso foi uma coisa que me chamou muita
atenção. Eh, essa parte ainda do amor, e eu eu pego o gancho de Kelly. Eu acho muito legal essa coisa do amor idealizado, dessa, desse amor. Eu acho que quando eu li, eu é como se eu tivesse voltado à juventude, porque eu acho que a gente só tem esses arroubos de paixão quando tá jovem, né, essa coisa assim muito profunda. Mas eu queria lhe agradecer e só fazer esse comentário e dizer que eu tô gostando demais dessa aula. Muito obrigado, Ana. Fico feliz em saber que você estava conosco já desde do ano passado. Nós tivemos
muitos novos alunos Por aqui. É legal perceber que os alunos chegam e ficam também conosco, porque esse é o propósito do clube. Não é à toa que fazemos aí 11 leituras no decorrer de um ano e olha como essas obras se encaixam, né? como que os movimentos são reconhecidos como através da pintura. Como que você reconhece uma obra do academicismo, uma obra do neoclassicismo na pintura pelo traço, pela rigidez técnica, pela corba, pela representação de momentos clássicos. A mesma coisa acontece na literatura. Nós temos essa narrativa da idealização, do amor, que é colocado como centro
de tudo, como a busca, a aspiração humana. E o mais legal que a própria Ana citou é como o Verdata as outras pessoas. Ele olha cada pessoa através desse viés de sentimento e não de posse, não de não de bens, não de posição hierárquica da sociedade. E isso é importante porque vemos isso bem poucamente na nossa realidade. Hoje em dia, as pessoas são qualificadas pelo quanto que ganham, por quantos seguidores possuem, pelas casas que compram, mas na realidade a vida pertence a fatores que não são numerológicos, a fatores que não são contáveis, como lucro e
prejuízo. vida nada mais é do que esse fator impronunciável, como diria a grande Clarice Lpector. Então, pessoal, agradeço muito a presença de vocês para a próxima aula. Semana que vem, o trecho já está aqui, terminem toda a primeira parte do livro, apenas isso ali da carta 30 de julho, que foi a que paramos hoje até o começo da segunda parte. Chegou na segunda parte vocês podem parar e aí nós continuaremos na outra semana a segunda Parte. Mas finalizem essa primeira porque falaremos sobre mais alguns pontos que podem ser abordados através desse viés do romantismo. E
eu gostei muito de um comentário que o Gabriel fez por aqui em como essa obra ela pode fazer uma distinção grande no nosso grupo. Algumas pessoas vão amar, outras pessoas vão odiar. E é natural porque esse romantismo acaba trazendo algo que nós não temos o costume. Eu, por exemplo, não tenho. Eu venho da área de exatas. Eu estou acostumado a com fazer a conta de um balanço estrutural de um prédio. Quando eu era lá técnico, edificações, eu estou acostumado a pegar a tangente da X, Yculo. Então, tudo prosseguia uma ordem e quando eu chego no
romantismo não tem essa ordem. Eu começo lendo Um Dostoyevesk em Noites Brancas. A primeira vez que eu li, eu falava assim: "Que rapaz idiota esse, hein? Como que o cara, ele com quro dias que conhece a moça já fala que ama? Isso não tem lógica. Mas só depois que eu abri o coração, eu entendi que boa parte das respostas da vida só aparecem quando você tem abertura para senti-las e não respostas prontas que devem ser dadas a você como uma equação que é estruturada. Então isso é importante. Tenham abertura para esse livro, tenham verdade com
essa obra, porque nós temos exatamente esse sentimento dentro de nós inevitavelmente que é mais levantado aqui através do romance. Fazer da vida um romance é o que pode haver de bom, como diria Toy. Muito obrigado, pessoal. Até semana que vem. Espero que tenham gostado e mais uma vez terminem a primeira parte. Até a próxima semana e assim continuamos no Nosso ritmo de leitura. Muito obrigado a todos.
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