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TALK SHOW COM ESCRITORAS NEGRAS - EPISÓDIO 3 - MIRIAM ALVES

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as desigualdades de gênero e Raça atrasam desenvolvimento do Brasil e afetam a sociedade gerando exclusão pobreza injustiça e diferenças nas oportunidades criar caminhos para que as pessoas possam ocupar espaços em condição de Equidade promovendo a mobilidade social contribui para o mundo mais democrático ciente dessa problemática e da sua responsabilidade como agente de mudança o banco BV reconhece a necessidade de o seu dever ajudar a acelerar a inclusão social gerando oportunidade de desenvolvimento e protagonismo por isso em 2021 surgiu o edital Cultural do Banco BV um programa criado para ajudar a fomentar e incentivar a arte
e produções culturais produzidas por e para mulheres negras Porque como disse a geladeiras quando uma mulher negra se movimenta todo uma estrutura de sociedade se movimenta com ela agora você acompanha mais uma entrevista com uma escritora incrível no talk show mulheres negras que é parte do projeto cinema literatura Olá eu sou a Helen Honorato estamos aqui mais uma entrevista pela vida.com e vai ser incrível Gente eu estou aqui com a Miriam Alves e olha eu vou ler um pouquinho para vocês da mulher incrível que ela é olha só escrevo porque não dá para não escrever
essa foi a frase que a Miriam falou a Miriam ela tem bacharel em Serviço Social é escritora de literatura negra teve os primeiros poemas publicados em 1982 em Axé antologia contemporânea de poesia negra brasileira e no número 5 de cadernos negros poeta conquista ensaiarista e romancista 10 livros individuais publicados participação em várias antologias nacionais e internacionais Miriam seja muito bem-vinda aqui conosco é um prazer ter você aqui com a gente e já vamos começar Miriam Olha a primeira pergunta é a gente sabe que é muito difícil ser um artista negro no Brasil quando a gente
fala de autor nem sempre as pessoas sabem de quem estamos falando ou a etnia da pessoa onde está a principal dificuldade da mulher negra e autora Olha antes de responder sua pergunta eu quero agradecer o convite né para mim é muito importante estar aqui gravando esse vídeo fazendo essa entrevista porque eu acho importante difundir divulgar a literatura que a gente escreve a literatura negra brasileira em todos os espaços possíveis né bom a dificuldade da mulher negra e autora está na dificuldade de ser mulher negra no Brasil e autora negra no Brasil mas eu costumo dizer
que se nós que fizemos Estamos fazendo até hoje o movimento de literatura negra brasileira ficássemos assim parados frente a dificuldade vocês não saberiam de mim e eu não saberia de vocês então O importante não é nós constatarmos que a dificuldade existe porque ela existe ser negro no Brasil ser negro no mundo existe toda uma história anterior que faz com que ser negro no mundo é representante da tragédia que o branco fez com a gente né E quando eu digo branco eu falo da hegemonia branca da cultura e europeia e outros culturas europeias que fizeram toda
o que eu chamo de tragédia Mundial né que não é e até hoje essa cicatrizes existem não só no Brasil como no mundo inteiro mas se fossemos assim ficar gente a dificuldade e sem descobrir alternativas de saída seria muito complicado então você ficaria assim o tempo todo falando da dificuldade o que que nós fizemos publicar no Brasil é difícil para brancos e para negros publicar no Brasil livros é difícil mas é muito mais impeditivo para negros porque porque existe os paradigmas que vem da forma que essa nação foi construída que nego não escreve que nego
não lê e que nós somos visto através desse binóculo que é mentiroso né a mentira Nacional então quando nós começamos Quando eu digo nós eu faço parte Como disse de um movimento literatura negra lá em 1978 cadernos negros começou todo esse começou de aglutinar os Escritores brasileiros numa publicação né e e depois com o passar do tempo com evoluída a carruagem a gente começou a discutir o que era a literatura que a gente fazia e o que era a literatura brasileira que diziam ensinavam ensinam até hoje enquanto literatura Nacional mas é a literatura Nacional Porque
não fala da Nação como um todo né a nação são todos os cidadãos que aqui moram ou seja índios negros migrantes Emigrantes só que a literatura ela reflete a literatura brasileira ela repete só uma visão e só uma visão hegemônica não é uma visão Nacional então quando nós começamos a discutir o que essa literatura representava o que nós representavamos enquanto escritores negros a gente dizia assim nós queremos ser sujeito da nossa literatura sujeito do nosso Imaginário e não objeto porque as literaturas eu simplifico né falar as literatura homogênica Branca a literatura do Branco brasileiro é
se você pegar os exemplos de Aluísio de Azevedo Monteiro Lobato ela são não só era como são uma literatura que tem uma visão sujeitada da população negra é uma personagem negro ela é rasa ela não tem complexidade né ela fica naquele plano de nós brincarmos na época que a gente discutia literatura em conjunto assim a gente fica restrito aquele que abre a porta e diz assim o jantar serviço fecha a porta sua vida É verdade Olha me faz pensar e agora isso daqui não tá nem no Script é o que eu tô muito curiosa como
que eram essas reuniões que vocês discutiam sobre a literatura negra Ah é não é é não divertidas intensas ao mesmo tempo porque nós íamos os Escritores negros os americanos e os brasileiros e os Escritores brancos a gente discutiu Monteiro Lobato nós discutimos Azevedo nós conversamos sobre o Machado de Assis sobre inclusi Souza sobre James Waldir então nós fazemos reunião de domingo assim sabe a gente ia fazer almoço e brincava e discutimos os nossos textos também e tocavamos também vai entrar [Música] aí o poema via vindo via vindo Vinha vindo ter um branco foi uma parou
nessa roda de poeira quero ver quem vai entrar então era uma responsabilidade era lúdico Era uma construção de uma literatura que hoje ela ela por exemplo hoje ela tem a capacidade de inverter uma flip né depois da daquele Manifesto de isso aqui é o Arraiá da bronquitude ficou sem saber o que tava fazendo agora edição desse ano é da visibilidade ao invisível né a revisível para quem que perguntou como você entende o fato de um negro americano ter se Unido e buscando a reparação civil e financeira enquanto o negro brasileiro parece que a cada um
por si há uma falta de união entre a comunidade negra no Brasil isso com certeza afeta o desenvolvimento da cultura negra na sua opinião o que poderíamos fazer para mudar essa realidade eu tava comentando Alves minha filha eu acho essa pergunta enviesada certo porque não é bem assim porque eu não vou estar comentando discutindo a cultura americana porque ela ela parte de um outro princípio a cultura brasileira que agregam os negros ou desagrega ela bate a parte do outro princípio quando eu digo que essa que essa pergunta enviesada porque ela não toma imposição em conta
as os movimentos de resistências negros que existe no Brasil e Como que essa cultura Negra ela continua existindo influenciando a cultura nacional só que quando ela começa a influenciar a cultura nacional ela deixa de ser negra né brasileira entendeu a o samba candomblé tá quase sendo brasileiro ele deixou o brasileiro né quando a cultura tirando o nervo mas assim como ela enviesada se nós pensarmos nas manifestações culturais ou como eu digo assim agremiações culturais a gente vai encontrar eu falo isso muito nesse meu livro aqui ó numa areia nesse romance as agneações culturais Vamos colocar
de matrizes de religião africana onde segurou-se línguas né culturas a forma de vida então nós temos uma resistência diferente da resistência do negro americano porque o negro americano ele foi excluído né não pode Nós também fomos mas aqui encontrou-se uma outra forma de alguma outra forma de se movimentar dentro disso os quilombos são uma coisa por isso que há essa pergunta enfezada não tá não parte do pressuposto que existe um quilombo em vários Quilombos né que era a forma de você fugir arregimentar e tal e esses Quilombos só foram alguns deles mapeados em 1988 alguns
que você tem sumidos lá no Maranhão entendeu e eu tive no Maranhão e [Música] eu participei de um fenômeno bastante interessante eu gosto de ficar andando assim tinha umas crianças negras assim e eu tava querendo saber o ele ontem eu encontrava ele aquele filme de rolo aí ele falou para mim a vem aqui que eu vou te mostrar pra senhora aonde compra na lojinha lá da Fulano aí apareceram outras crianças negras falando numa língua diferente é a língua de Quilombo e eles Aí o menino que tava comigo respondeu para eles e tal eu perguntei para
eles você tá falando numa língua uma língua de quilômetros de assunto entendeu existe mas é ninguém fala porque fala pesquisar não sei faz tantos anos isso eu acho que não é jovem [Música] algumas duas décadas então assim existe toda uma cultura uma forma de de existência negra que não é aquela situação assim do negro americano entendeu de pegar arma e lá então são outras conversas e cerveja bem a questão da cota ela foi discutida em 1978 a primeira a manifestação do movimento negro Unificado contra a discriminação racial que foi todo umaglutinação lá em frente do
Teatro Municipal e papapai tem uma carta tem um livro Agora não vou lembrar o sentido tem um livro que conta isso eu eu na verdade no meio eu me lembro né então aí assim tem um livro que conta isso e traz as reivindicações entre as reivindicações daquela época tinha conta de ensinar a história de África nas escolas você vê quanto tempo se Demorou batendo nisso para agora tá fazendo 10 anos que ela coloca foram implementadas o resultado que elas tiver entendeu dentro desse resultado Que Elas tiveram eu tenho várias graduandas que eu encontrei graduandas então
assim várias ganhadoras que eu encontrei minas na Bahia então que agora são doutoras e assim elas [Música] conseguiram se ver dentro do Imaginário literário brasileiro na literatura ali tem uma história que eu gosto de contar que é a da Fran Silva e que assim ela tinha 12 anos ela encontrou não sei como chegou a dela porque eu digo assim o livro escolhe a gente ela encontrou o livro da genigma Arantes chamado a cor da ternura e ela nesse livro ela na personagem Negra conta toda a situação ali e a personagem Negra diz que vai ser
professora e separar a língua a personagem foi professor de parabéns a menina a France quando leu eu falei assim eu você professor e para ninfa ela foi professora paraniffer e hoje ela dá aula Ela é Doutora e da aula na universidade e ela leva esses livros nossos e faz discussões com os alunos dela a maioria dos brancos e se vem nessa literatura porque essa literatura traz o retrato da Nação Mas sabe mais próximo da gente mesmo mais próximo da gente mesmo então eu tenho um prazer muito grande às vezes de encontrar leitores e leitores minhas
brancas e negras que diz assim ah eu me vi na personagem x quando é uma Brahma que se vê na personagem Negra eu pergunto se ela se viria na bertoleza não nem eu o Brasil foi o último país das Américas abolir a escravatura e não existiu uma reparação Civil para o negro e o papel do negro na construção desse país foi e é muito importante igual nós estamos conversando e nós vemos que a cultura Negra está enraizada em tudo que o brasileiro faz como samba capoeira feijoada isso Resumindo bastante né A questão das cotas Você
acredita que pode funcionar como um meio de reparação e uma pequena provocação pois muitas pessoas falam que o negro pode vencer pelos próprios méritos e realmente pode porém como lutar com isso sem ter o recurso e a oportunidade bom todo mundo pode vencer pelos próprios méritos não só o negro como branco e quem quer que seja agora você você vamos o seguinte você põe assim um carro que dá 150 km por hora e me bota numa bicicleta e diz Claro Vocês dois têm oportunidades iguais Quem chegar primeiro leva assim que é então eu por meio
dos próprios numa bicicleta pode ser que eu chegue Pode ser que nunca chega e outro vai chegar primeiro né então naquela brincadeira de desde a minha primeira leva tudo depois então Quem chegar primeiro leva tudo então eu acho as cotas importante as rosas as cotas não é assim tem gente ah eu não preciso de cota Eu Venci pelos meus próprios médiuns todo mundo vence pelos próprios médicos até aquele que recebe conta porque você não sabe ninguém sabe o que é só passando o que é ser negro dentro de uma universidade Então aquela história que eu
contei de francês e tal eu eu fui convidada pelos meados da vida aí para poder estar falando isso no sentido de que a pressão sobre o aluno negro é igual a pressão sobre o cidadão nele sabe então eu trabalhei no hospital e tinha um médico dizia assim a pressão a pressão alta e atacadiu é próprio do negro eu falei Vem passar um dia igual o meu precisa descer entendeu porque é próprio o que que é próprio você tem que fazer aquela três vezes a mesma coisa para ter metade da coisa né então é isso agora
sim eu acho as cotas importantíssimas elas realmente abriram alguns caminhos eu disse das doutoras das professoras elas também fizeram algumas coisas ruins no sentido não as cotas por si mas o ambiente Universitário o ambiente brasileiro que tem discriminação e tal é cruel e eu vi várias eu chamo de crianças mas não são crianças são jovens negros que assim tiveram que ter muito apoio e o importante é que assim eles o pessoal do meados dos meados que eu passei ele se reuniam para dar apoio para aquele sabe não deixar ele se perder elas às vezes não
deu muito certo mas assim Não deixasse de perder não deixar embora quer uma cobrança bem maior né Entra E aí veja bem eu nesse lugar Eu gosto de dizer uma coisa do dessa nação chamado Brasil daí hipocrisia que é isso Então veja bem nós nós em termos de nação fomos criadas em cima de uma mentira de uma hipocrisia nós atualmente na situação atual Nós estamos vendo o que que é mentira mas assim nós estamos de cara com a mentira esse copo não tá aí não mas esse aí não mas por que que você acha de
do copo que tá aí mas que corpo entendeu então essa nação foi criada assim nós somos cordiais aí você mostra a a gravura do deprê rugenda daqueles castigos físicos em relação ao negro então aí você diz assim só os brancos malzinhos castigavam os negros é um sistema que tinha toda uma uma Regência legal de lei que podia dar não sei quantas chicotada não sei quantas batatas e tal então assim você conta uma mentira e mostra a foto diz assim nós somos cordiais aí você vê quando eu vi aquilo quando era criança machuca a gente Mas
nós vamos codiais aqui é só nego mauzinho e Nego bonzinho como é branco mauzinho e Nego mauzinho que estão fazendo uma historinha do lado mas é assim que nós somos criados assim então quando chega o que nós estamos vivendo agora essa cara só fala mentira a gente só fala mentira essa nação foi criada e falando mentiras hipócritas aqui é uma democracia racial e na época que eu era jovem isso era uma verdade tão grande de ser a democracia racial quando a gente dizia enquanto o movimento negro que existe preconceito existe discriminação nós éramos o subversivos
como vocês querem se divertir a democracia racial dos países agora a outra mentira assim nós temos uma democracia nós não temos uma democracia a partir do momento que a gente não tem uma democracia racial você percebe a gente não tem uma nação aquele cidadão não é cidadão você teve duas antologias publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra respectivamente e uma pergunta curiosa e eu justifico porque é de como foram recebidas essas antologias lá fora pois temos muitos artistas que ficaram famosos primeiro no exterior para só então ficarem conhecidos no Brasil como que é para você
gente isso é muito interessante porque vou começar a sua pergunta pelo fim há uns dois três anos atrás principalmente depois daquela O Arraiá da plenitude ali aí todo mundo saiu procurando só que assim eu já tinha 37 anos de literatura negra e eu tinha eu já saí até hoje Hoje eu saí em 30 antologias e eu não trouxe Eu tenho quatro esse ano uma saiu na África do Sul o outro saiu na Argentina outra tá saindo em Moçambique entendeu E a mas essas duas que você falou foi eu acho que eu organizei com organizei agora
tem um eu tenho uma prateleira só de antologias minhas porque eu saí lá dentro entendeu fora dos negros só de cabelo negro são 25 Você conhece tudo lá fora foi também um trabalho nosso a nós fazíamos caderno negro mas mandar uma universidades americanos para escolas de samba bom acontece o seguinte quando você manda para universidades americana eles guardam o nome da biblioteca deles pela pesquisa aí bate lá eles vão procurar a gente aqui agora toda a gente manda para biblioteca aqui não tem um livro na Biblioteca Nacional aqui na Biblioteca Nacional e na biblioteca de
São Paulo na margem de entrada não acredito eu tenho eu tenho eu tenho vou escrever um conto sobre isso mas eu tenho minha suspeita e o meu conto sua meu conto pode não ser verdade porque é um conto que assim existe uma coisa que nós negros quando a gente se vê no livro A gente pega por nós e a e leva para casa já sabe já vi isso eu já fiz isso ai é assim então você mandava os livros para biblioteca quem trabalha na biblioteca somos nós nos vemos que tá na mesa lá em cima
aí a gente não se viu hoje leva para casa você viu ó quando eu achei Aquela Mina Maria de Jesus não sei agora quem tá você entendeu como é que funciona então não é que eu acredito que esse livro achou alguém eu sempre acho que esse livro achou alguém sabe aliás eu acho que os livros acham alguém agora voltando a sua pergunta no reconhecimento dos conhecimentos então a gente era conhecido lá fora tem uma coisa muito engraçada tanto que os pesquisadores de lá vinham procurar aqui e eles achavam que nós estávamos nas livrarias brasileiras e
diziam na Paulista procurava real me escute não tem e além de não ter isso não existe aqui não nossos negros não fazem outro universo e assim e eles voltavam com a sensação de sabe eu voltava com essa sensação E aí [Música] nós passamos a ser convidados para falar lá fora eu dei aula na universidade americana tem palestra até na Colômbia Colômbia e no mesmo lugar que eu dei uma palestra um ano o outro ano foi um professor dado não sei qual eu não sei qual é que ele não quer dizer quem foi mesmo sabe não
sei qual aí você bota não sei qual é a memória sei lá da Universidade lá do Rio de Janeiro eu não sei qual delas também ela é uma delas aí ele foi para os Estados Unidos e foi da palestra no mesmo lugar que eu já tinha ido aí ele tava falando de literatura que não sei o quê aí o professor que tinha me levar a outra vez perguntou para ele sobre a literatura negra ele disse aí vê a história que eu gosto de contar os negros brasileiros não fazem isso não aí eu tinha uma dessas
antologias que tá que é o Finalmente nós que que eu fiz a condição a com organização da profissão americana do Texas aí esse meu amigo tinha um livro então eles levanta o livro fala assim e ele tem um sotaque O que que você faz dizer você é melhor então não é porque você não me conhece que eu não existo para eu estar aqui vocês não me conheciam Mas aí você tinha um cartaz ali na biblioteca pum achou e realmente é assim que acontece deveria ser assim não se você não sai na Globo antes de não
falasse com o Jô você não existiria enquanto intelectual por exemplo só que agora existem outras formas nós nós nós os Escritores negros nós inventamos Nossa forma antes da internet nós pegamos os livros e Íamos nos bares e os na na nas escolas de samba nos vale a gente falava assim eu botava banquinha e tal né então você mora Nós moramos num lugar que não tem uma biblioteca pública e que não tem uma livraria mas tinha boca de jornal de repente tinha Nós também lá com os nossos livros entendeu isso foi importante porque nós fizemos público
e fizemos também escritores não que nós fizemos escritores a pessoa fica lá falando Nossa tem um monte de preto aqui eu também escrevo eu posso tirar meu negócio ali sabe da gaveta Aqui nós temos alguns livros que você trouxe deixa eu mostrar que ai gente tô apaixonada né não vocês não sabem mas eu sou apaixonada por Livros aí olha só essas capas maravilhosas poemas reunidos esse aqui é a Mareia aí eu perguntei se você fosse escolher uma de suas obras para que você entregasse para alguém ler essa obra qual seria e por Qual razão você
entregaria Justamente esse livro é a mesma coisa de dizer assim qual dos seus filhos você gosta mais né Eu gosto de todos todos agora seguindo a sua pergunta eu indicaria poemas reunidos porque porque o poemas reunidos é uma edição comemorando meus 40 anos de literatura né então são o que eu comecei como você leu na minha biografia e no começo eu comecei a publicar em 1982 nós estamos em 2022 então São 40 anos então eu tô fazendo esse ano 40 anos de publicações literárias 70 anos de vida Querida olha só aí assim não parece mas
eu gosto que bom né porque você não pode condição então eu indicaria esse livro Uma por ele ter essa essa história e dentro dele tem várias histórias de vários livros meus que eu não trouxe eu tinha 10 aqui eu trouxe isso daqui para não ficar carregando peso mas aí tem desde o meu primeiro livro solo todos os poemas que eu publiquei cadernos negros até até hoje os poemas esparsos que são muitos são 317 poemas aí menina nunca pensei que eu fosse tão dispersa assim né e fecundando e assim e a editora fósforo que me propôs
fazer esse trabalho quando ela chegou dizendo para mim que queria fazer isso eu disse vamos conversar não sei o que você falou Não amiga porque que você falou isso né porque assim como eu disse para você nós fizemos esse Nós abrimos esse mercado esse mercado quer dizer esse desejo de consumir de ler essa literatura já existia e nós então fomos de encontro a isso levando fazendo então você acaba construindo [Música] uma possibilidade de leitura que era negada pela hegemonia dizendo que a gente não escreve a gente não lê e quando a gente tentava publicar pelas
editoras dizia que não tinha demanda então a gente prova que tem demanda né a gente prova que notamos que nós existimos aí e não precisam provar nada que estamos existindo então São 40 o caderno negro vai fazer 45 anos que nós estamos aí então depois que aconteceu que eu eu sempre acho que foi um Marco isso o fenômeno da Flip a O Arraiá da plenitude e o outro fenômeno também que aí que as editoras hegemônicas brancas e as livrarias começaram a fechar Aí você olha assim você sai da sai da sua bolha e olha para
o outro lado do Rio você vê dois mil negros lendo Islã né caderno negro voltou dado Municipal esse ano que foi saiu agora ficou quase dois anos né Por causa da convite ninguém fazer não numerações então assim ai que que tem você tem medo E aí o que acontece igual o samba brasileira aí assim então mas quando a editora vem para mim eu eu conversei e falei isso para eles desta forma e mas não foram eles outras mas você não quer entrar no mercado ele fala Entrar no mercado eu quero agora a minha ascendência tem
um trauma quando Nós entramos no mercado de vocês nós somos mercadoria aí eu falei assim entrar no mercado eu quero sim só quem que quem é a mercadoria aqui a mercadoria meu livro já tô é um produto a ser negociado o meu discurso jamais Entendeu essa forma suave que eu falo nessa forma contundente eu não vou deixar menos ou mais tanto que na hora desse livro eu isto que eu falei que eu falei em público eu falei para eles tá não a gente quer o seu trabalho e essa Editora fez um ano agora não então
e realmente Elas têm uma penetração no nicho eu tenho uma penetração turística na verdade é uma troca aí você entendeu assim quando viesse Nossa eu quero Por que que você não entra no mercado meu querido foi difícil deixar de ser mercadoria agora vamos ter que pensar esse assunto direito né porque já me propuseram uma vez alguns anos atrás publicar uma tiragem imensa 25 mil livros para distribuir nas escolas e não sei o quê Só que eu mandei o trabalho que ela tirou tudo que que eu achava que era eu então assim eu cheguei para ele
se você quer uma cara preta e que seja Feminina Meu bem se fantasia faz um Breakfast porque eu tô fora tá tô fora bonitinho porque eu mas você não quer querer eu quero quem não quer ser publicado agora assim eu quero ser obrigado eu agora se você quiser ser publicado a partir de mim tô fora tem umas piadas braba assim quer dizer não tô não tô aí para tirar sua frustração você não sei escutou nada mas também para finalizar nós sabemos do valor histórico da escrita de uma autora Negra Você tem alguma referência de autora
brasileira estrangeira a estrangeira eu tenho Tony Morrison e brasileira na verdade eu tenho minhas referências são mais escritores negros brasileiros que é Machado que é Cruz entendeu que é Lima são os clássicos da literatura e aonde a gente acaba conhecendo negro escritor só que sempre tem por ele ok o cruzar era o Cisne Negro o grande negro quer dizer uma exceção Machado branquearam ele até que não puderam mais né o Lima Barreto um louco isso ele era escrito mas e nós dessa época agora nessa geração a gente fez algo revolucionário que a gente sabe que
fez que é o seguinte nós discutimos isso na coletividade entendeu não é um ponto eu tenho eu tenho um seminário que eu dei na quarta Bienal de literatura Internacional de Brasília como veio o vídeo Faz uns três anos atrás ah nessa agora eu tô sendo homenagear que legal então assim aí era um ponto negro no mapa Branco aí nós começamos a discutir ninguém perde a sua individualidade enquanto escritor mas assim discutiu que isso representa então isso realmente revolucionar Isso realmente é fazer um movimento de literatura nele eh do Tombo Olha o povo e entro nessa
roda incomoda o senhor ê olha eu topo Olha o povo pera Negra vem cá Amém muito muito obrigada amiga Olha sua presença aqui foi essencial sensacional e eu amei de verdade muito muito obrigada pela sua presença pela sua disponibilidade de estar aqui pelo seu conhecimento que você passou aqui para mim para todos nós e que muitas pessoas vão assistir vão ter acesso [Música] tá eu sei que as minhas palavras eu tenho vou terminar com poemas que é o seguinte a minha fala é um falo que atravessa a certezas culturais Obrigada Eu que agradeço obrigado e
essa foi mais uma entrevista aqui da vida.com nos vemos na próxima
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