[música] Quem sou eu? De onde eu venho e o que faço aqui? Olá, eu sou o Jackson.
Tudo começou alguns anos atrás em um distrito afastado de Moçambique, [música] distrito de Ille, província da Zambésia, um lugar onde falta quase tudo. Nasci numa família muito humilde. Muitas vezes faltava o que comer, faltava o que vestir.
Quem me viu antes [música] e quem me vê hoje pode até não acreditar. Um dia vi um vlog de um youtuber [música] moçambicano muito reconhecido na altura, o Conheça Moçambique, Juma, Ibrahimo. Depois comecei a assistir outros criadores e pensei comigo: "Eu também posso fazer, mas um pouco diferente".
Com um celular muito simples, mas com vontade de gravar, comecei a desvendar mistérios e revelar alguns tabus [música] africanos. Oh, tô numa das grutas, a gruta mais escura, mais profunda e sinceramente é proibido entrar nessa gruta aí. >> E foi assim que nasceu o África sem tabus do Jackson.
>> Como estava a dizer, esta roupa que está aqui é a roupa mais reservada. E você vira aqui encontra é é gabido isso, né? Ali aí vocês chamam guarda-fatos.
O quê? guarda-roupa. A gente aqui simplesmente tem isso para poder guardar [música] as nossas roupas.
A nossa cama é essa. Eh, não tem cama, simplesmente é colchão, né? Não tem cama, é colchão.
E tem aí duas cabeceiras, um lençol. É, é, é só isso aí. E depois tem rede.
Então, esta [música] é a cama. Todos nós usamos é essa casa de banho. Vamos lá entrar.
para você. Então, então, [música] então aqui é na casa de banho, onde a gente toma banho, a gente senta aqui para aqui, né? E esse é o balde onde a gente põe água, né?
Tá aí o copo que a gente pega e começa a a se pôr no corpo. >> Para falar a verdade, minha esposa não acreditava que isso pudesse dar certo. Meus amigos diziam que eu estava me expondo demais.
[música] >> Pessoal, tá a ver esse indivíduo? Tá a ir meu tripé? Tá a ver meu tripé?
[risadas] Ele ele tá em meu tripé. >> Ele diz que meu tripé é muito feio. Como você está a ver.
É esse que estar o meu tripé. E o meu tripé é esse, pessoal. >> Tchau.
[risadas] >> É esse meu tripé, pessoal. Este é o meu tripé. Eh, eu fiz um tripé básico simplesmente para poder eh aguentar o o meu celular, né?
Mas eu não parei. Até que surge um bom samaritano, o Samuel, do canal Sam Texas Made em Brasil. Através de um comentário no canal dele, entrou em contacto comigo e viramos amigos.
[música] Conversamos a qualquer momento. Quando soube das minhas dificuldades até mesmo para ter internet, ele decidiu apostar em mim. passou a me ajudar com o equivalente a um salário mínimo de Moçambique a cada 15 dias.
Foi aí que o canal começou a crescer. Chegamos a 1500 inscritos. Depois fiz um vídeo de comparações onde dizia que o meu sonho era conhecer o Brasil.
Meu nome é Jackson e falo diretamente da África, concretamente Moçambique. Hoje a coisa vai pegar fogo. >> Pegaram o link do vídeo e levaram para o grupo Bond do Neto no Facebook.
O canal [música] saiu de 2000 para 33. 000 inscritos em menos de um dia. Isso é em menos de 24 horas.
E ali eu percebi isso já não era mais sobre mim. Como entrei no mundo das ajudas? Eu tenho uma machamba, o que no Brasil chamam de roça.
Ela ficava distante de casa. Depois de cultivar, eu precisava me lavar antes de percorrer o longo caminho de volta. Foi num [música] desses dias que encontrei uma criança muito pequena, sem roupas.
Chorava, mas as lágrimas não [música] saíam. Era fome. Ele perdeu a mãe quando tinha apenas uma semana de vida.
O pai abandonou cinco crianças. A avó alimentava os netos com folhas [música] de mandioca e folhas de batata doce porque não tinham condições. E essa era a história do pequeno Gildo.
Voltei para casa, a minha filha já com um mês de vida, peguei as roupas que já não serviam e fui doar ao pequeno Gildo. Partilhei a história aqui no canal para canalizar ajudas. [música] Gildo começou a receber leite, papinhas, roupas e comida mensalmente.
Oi. >> Diz oi. Pequeno Gilda.
Olha aí. >> Hã? Ouviu?
Quando ficou doente, eu estava lá para doar sangue. Eu o tratava como meu segundo filho. Depois veio a história da dona Rosalina Santos, que tropeçou, caiu e quebrou a bacia.
A dona Rosalina vivia apenas com sua neta de 10 anos de idade, a pequena belita, depois de ter sido praticamente abandonada. Enquanto eu partilhava essas histórias e buscava ajuda para o pequeno Gil dos seus irmãos e para a dona Rosalina e sua neta, eu fui admitido na universidade em uma outra província muito distante da minha cidade. Eu acreditava que nas férias visitaria essas famílias e que as ajudas continuariam mensalmente.
Mas [música] semanas depois de eu ter viajado, recebo a triste notícia. O pequeno Gildo havia perdido a vida. >> Eu trago uma notícia triste [música] acerca do pequeno Gildo.
Eu estou numa outra cidade e fui ligado com a minha esposa [música] a dizerem que o pequeno Gildo perdou a vida e fiquei muito triste. Estou [música] muito triste até agora. Ele perdeu a vida no dia 6 e a família chegou em casa lá na minha casa, que é na outra cidade.
A irmã contou a minha esposa a dizerem que o pequeno Gildo já havia perdido a vida e foi um [música] choque muito grande. Ele me pegou de surpresa também. Não sei o que aconteceu.
Foi um jogo que eu era uma criança que eu já havia me apegado muito. Mas mesmo assim, eu quero agradecer a todos aqueles que sempre apoiaram essa [música] causa aqui. No momento foi uma facada no coração.
Chorei, fiquei sem chão. Quando tentava me levantar, recebo outra notícia. [música] A dona Rosalina Santos morreu de fome na sua cabana, porque as ajudas que eu estava procurando ainda não tinham chegado.
Ali eu decidi: "Não ajudaria mais ninguém, não publicaria mais nada disso. Eu só cuidaria da minha vida e da [música] minha família e assim em diante. >> Os estudos já iniciaram.
Ei, já começaram sim, pessoal, para eu não filmar e os estudos à a universidade, o local onde eu estudo antes, aqui é moçambi que todas as instituições do governo são extremamente proibidas serem filmadas, mas parecia que o destino me preparava algo maior. Eu me sentia como Jonas da Bíblia, tentando fugir daquilo que era meu chamado. Foi quando Flávia Cantelmo junto do pastor Joel Abrinhossa me deram a missão de [música] construir poços na minha comunidade onde falta a água.
A água é vida. Coloquei tudo em prática e no percurso da colheita de areia apareceu o [música] nozio. Um menino deficiente abandonado pelo pai após a descoberta da sua deficiência, maltratado pelo padrasto, dormia do lado de fora, caçava gatos vadios quando a fome apertava.
Eu tinha prometido não me envolver mais, mas eu [música] me despi daquela promessa e dei a mão ao nosso hoje conhecido [música] MC Núzio. Hoje eu não sou salvador, sou humano, tenho erros, tenho limitações. Peço que me perdoem pelas minhas falhas ao longo do caminho, mas hoje somos mais de 200.
000 pessoas, 200. 000 almas vivas. me acompanhando, pessoas que nunca apertaram minha mão, algumas que já apertaram, algumas que talvez nunca vão apertar, mas que através da tela do celular ou da TV me reconhecem, me abraçam, oram para mim e para minha família.
Eu sou brasileiro, moro aqui. >> Alguns criticam, outros apoiam [música] e todos fazem parte dessa caminhada. Quero agradecer pelas partilhas, pelas doações, pelas vidas que juntos mudamos e pelas que ainda vamos mudar.
Agradecer a Deus em primeiro lugar e agradecer a cada um de vocês. E agora eu te pergunto, você quer continuar ou vai ficar? Vamos embarcar rumo aos 300.
000? Apertem os cintos, porque isso aqui é África sem tapus e está só começando. Meu nome é Jackson, eu falo diretamente do Brasil, [música] concretamente em Marindá.
Olá amigos, eu sou o Acácio [música] Magalhães e sou um subscrito do canal África sem tabus, um canal que me vem mostrando como é a realidade daquele país [música] tão longinho com o daqui, mas que é tão próximo por causa do calor humano que emana do lá. Ora, eu peço a vocês que [música] se ainda não são inscritos para subscreverem, clicarem no sininho de notificações e aproveitem para partilhar nas redes sociais, porque após que [música] se nós partilharmos, nós vamos dar muito mais a conhecer este canal que está a crescer com o esforço [música] do Jackson e com todo o nosso apoio. Eu agradeço a todos, [música] a todos que apoiem o canal África sem tabus e vamos tornar deste canal [música] uma comunidade de fraternidade e de irmendade para possamos todos unirmos e ser irmãos.
[música] África sem tabus, eu recomendo >> África sem tabus. Inscrevam-se no canal.