Boa tarde a todas e todos aqui presentes e aos que nos acompanham no YouTube. É nosso desejo que o FIB 15 contribua com importantes diálogos multisetoriais e preparamos tudo para que também seja um momento inesquecível de confraternização de pessoas de todo o Brasil. Antes de passar a palavra para a moderação iniciar o workshop, lembramos que no momento certo será aberta participação com perguntas ou comentários dirigidos à Mesa. Quem está presencialmente aqui em Salvador, Bahia, pode se posicionar na fila em frente ao microfone de pedestal. Quem está remoto poderá enviar as suas intervenções pelo chat do
YouTube e cuidaremos de encaminhar a mesa deste painel. Acompanhe o evento nas redes sociais doun.br br e divulgue usando nossa #FIB15. Estamos no YouTube, Facebook, Instagram X, Antigo Twitter, LinkedIn e Telegram. Com nossas boas-vindas, Passamos a palavra à moderação do workshop. Alô? Oi, me ouvem? Sim. Boa tarde, pessoal. Eh, com muita alegria que a gente tá aqui hoje falando de um tema super interessante e que trouxe trouxe tanta atenção esse tema que temos várias mesas no nesse FIB tratando da questão eh de direitos da infância. Eh, essa mesa tem um recorte específico na questão da
primeira infância, então, estamos falando das crianças mais Novinhas, né? Eh, essa mesa é uma é é uma proposta do CETIC em conjunto com o Instituto Alana. Eh, então eu como eu vou ter um papel de moderador e apresentador e a Júlia é uma relatora também moderadora. Então, a gente vai dividir aqui a as tarefas na na tarde de hoje. Então, eh antes de eu de eu apresentar os os painelistas, eh, eu queria eh colocar a minha apresentação, por favor, eh, e comentar que a ideia desse painel surgiu, eh, no ano passado Numa reunião dos especialistas
da pesquisa Kids Online, se você puder avançar. Eh, eu sou Winston, eu sou eu trabalho no CETIC. O CETIC é dentro do Nickbr é o órgão responsável pela produção de estatística, né, pela produção de estudos eh sobre TIC eh em vários contextos no Brasil. E as pesquisas que estão mais relacionadas ao que a gente vai discutir aqui hoje são a TIC domicílios e a Kids online. Eh, e esse debate começou porque a TIC Domicílios já há há 20 anos ela monitora o acesso eh domiciliar à tecnologia e também o uso por pessoas de 10 anos
ou mais, né? Eh, eh, desde 2012 a gente também realiza a Kids Online, que é uma pesquisa que monitora a tecnologia por crianças de 9 a 17 anos. Então as pessoas sempre perguntaram: "Bom, mas o que acontece com as pessoas abaixo dos 9 anos, né? Elas começam a usar tecnologia com 9 anos?" Evidente que não. Se puder avançar, ah, eu tô com passador aqui. Pronto, ó. Maravilha. Para onde que eu aponto agora? Para onde que eu aponto? Ah, ótimo, ótimo. Eh, então, o que motiva esse essa discussão sobre primeira infância é a gente tem visto
na última década, esses são dados da Kids Online, um avanço eh no uso da tecnologia pelas crianças adolescentes. No lado esquerdo do gráfico, vocês vão ver eh que mesmo entre as classes D e E 2015, um pouco mais da metade das Crianças de classe DE, de 9 a 17 anos, usavam tecnologia, em 2024 já são 91%. Evidente que ainda temos uma proporção excluída, mas é innegável como os adolescentes estão cada vez mais tendo acesso à tecnologia. Do lado direito vocês veem a mesma análise, só que por faixas etárias. E aqui eu quero chamar a atenção
as faixas de 9 a 10 anos, que é a faixa verde, e 11 a 12, que é a faixa azul clarinha, que vem logo acima. Então, na última década houve um avanço Muito acelerado, muito forte eh no uso de tecnologia, independente da classe social e da faixa etária, de acordo com os dados da Kids Online. Uma outra coisa que também na Kids Online nos chamou atenção é o fato de que a televisão passou a ser um dispositivo muito relevante. Então, no passado, e em 2015, e vejam como a curva da televisão praticamente não aparecia, né?
tinha tanto acesso à internet pelo videogame quanto pela televisão. E vejam como a Curva azul cresce de forma bastante acentuada ao longo dessa última década. As pessoas estão, é mais uma oportunidade de de consumo de conteúdo eh online que tá presente nos domicílios eh eh brasileiros. Então isso chama bastante atenção que hoje tem mais eh adolescente usando a internet pela televisão do que por um computador. E a Kids Online também pergunta qual que foi a idade do primeiro acesso à internet. Aqui eu queria que vocês parassem. Fechasem os olhos, lembrassem. Quando foi a primeira vez
que você usou a internet, quantos anos você tinha? Você se lembra? Eu me lembro, eu tinha 11 anos e eu ganhei um computador e foi uma loucura. E aí eu ganhei um cdzinho que instalavam na buscador, lembra? Piccador. Pois é. Eh, e o que as crianças da Kids Online estão contando pra gente, em 2015 a gente tinha ali, eh, por volta de 1/4 das crianças dizendo que tinham usado, pela primeira Vez internet até 6, 7 ou 8 anos. Eh, e em 2024, portanto, 10 anos depois, essa proporção que usou até os 8 anos já é
mais do que 40%. Então, cada vez mais as crianças estão reportando um uso eh eh mais cedo pela primeira vez eh da tecnologia. E aqui eu convido realmente vocês a lembrarem quando foi a primeira vez que vocês utilizaram e tentarem se encaixar aí nesse nesse gráfico, tá? Eh, e isso tudo motivou a gente a eh investigar o que acontece antes da idade Da Kids Online, a faixa do zero a 8 anos. Aí você vai me falar, Winston, você entrevistou um bebê para para coletar esse dado de zer anos? Não. E aqui eu explico como é
que esse dado foi produzido, né? Quando o entrevistador da TIC domicílios vai eh bate na porta e tenta entender o que tá acontecendo lá, tanto a do TIC domicílios quanto a kids online são feitas pela mesma operação de campo. A gente também pergunta todos os moradores do domicílio e a gente lista a Idade deles e a gente também pergunta se a pessoa usou computador nos últimos 3 meses, se ela usou internet nos últimos três meses, se ela possui um telefone celular próprio. E esses são os dados de 0 a 8 anos que a gente foi
capaz de calcular devido a uma mudança na metodologia da pesquisa. Agora a gente tem os resultados de todos os moradores, de todos os domicílios visitados pelas pesquisas do CETIC. E é esse é o dado que eu vou mostrar para vocês. Eles Foram lançados eh com muito mais tempo do que eu vou ter aqui hoje para falar hoje no último dia da internet segura. E ao final eu vou disponibilizar uma apresentação onde vocês podem baixar esse estudo e esse esse relatório com os gráficos. vocês vão ter acesso a essa pesquisa, tá? Eh, mas aqui eu quero
só destacar eh esses três indicadores de forma muito rápida, porque meu tempo já tá no final. Primeiro, eh esse é o gráfico do uso da internet eh por Crianças de zero de 0 a 8 anos. Eh, o gráfico de a categoria que tá mais acima é a categoria de 6 a 8. Então, vejam que em 2015, 41% das crianças de 6 a 8 eram usuárias de internet. Em 2024 essa proporção dobrou 82. Então, em 10 anos, qual que é o resumo? Em 10 anos, a gente dobrou a proporção de crianças de 6 a 8 usando
a internet. Na faixa do zero a 2 anos, eram, foram a 44%. Vejam que tem uma interrupção ali na série que é a o ano da da o ano do COVID. A gente não Fez essa essa essa coleta, né? E existe essa essa relação de crescimento. O meu tempo já esgotou, então vou acelerar, mas eh esse crescimento ocorre em todas as as três faixas etáis analisadas, independente da classe social, menos na na faixa de zero a dois, a classe social não se manifesta de forma tão eh presente. Já o computador não acompanha o mesmo ritmo,
né? Então a gente vê que 10 anos atrás a gente pensou em medir uso de computador por todos os Moradores. Hoje talvez a gente nem fizesse essa pergunta porque a gente sabe que o uso do computador eh não apresenta a mesma evolução, né? Vejam como as crianças eh nessas faixas elas não eh não apresentam o mesmo crescimento da internet, mas o uso da de crianças de 0 a 8 anos eh de computador tá muito condicionado à existência de computador no domicílio, que é esse gráfico que tá do lado direito. Se tem computador no domicílio, as
crianças Utilizam muito mais. Se não tem, elas não têm, talvez não tenha oportunidade de ter um outro local para utilizar. E eu concluo trazendo o dado, foi um dado que a gente destacou bastante na comunicação paraa imprensa desse relatório, que é a questão da posse do telefone celular. Eh, em 2015 a gente tinha 18% das crianças 6 ou a 8. Em 2024 essa proporção dobrou. Então, temos mais de um pouco mais de 1/3 das crianças de 6 a 8 anos já possuem um telefone Celular próprio. Quem afirma isso são moradores do domicílio, não são as
crianças, né? Aqui eu não tive tempo de falar um pouco do da metodologia, mas a gente sabe que quando a gente pergunta pro adulto, a tendência é ele subestimar um pouco essa estimativa, né? Então esse número pode ainda ser um pouco maior. Com isso, eu concluo. Eu convido vocês a conhecerem essa publicação eh Estatísticas Chique de Crianças 0 a8. Eh, e o meu papel como moder como Apresentador se conclui aqui e agora eu vou fazer o papel de um pouco de moderador, né? Eh, então esse é esse estudo vai ficar disponível, mas em virtude desse
estudo a gente queria trazer uma mesa bastante diversa para trazer múltiplas perspectivas para poder contextualizar um pouco mais esses dados, né? Diferente de outros indicadores que quando crescem a gente fala: "Nossa, que bom, né? A tecnologia tá avançando e tá chegando nas pessoas". Aqui a gente tá falando de uma população que a gente a gente tem que ter um pouco mais de de de cuidado, de contexto para falar sobre isso. Ao mesmo tempo, a gente também tá buscando uma abordagem que não é uma abordagem que vai eh proibir tentar proibir, mas também de conciliar as
oportunidades da tecnologia e tentar compreender que papel ela pode ter no desenvolvimento dessas crianças. Por isso, eu vou começar convidando a Andressa Reis. A Andressa Reis, mulher Preta, criadora de conteúdo, escritora, mãe do Pedro da Maria e do Caetano. É autora do livro infantil Da cor que eu sou, é embaixadora da loja, forte como uma mãe e trabalha com produção de conteúdo para pais e responsáveis na primeira infância. Andressa, eu o que eu queria te perguntar é é na sua perspectiva como mãe de crianças e produtor de conteúdo, quais são as principais inquietações e dúvidas
das famílias com relação às telas nessa Faixa etária? Você tem 6 minutos. Valendo. Boa tarde, gente. Eh, como mãe, eu tenho um filho de 5 anos, o Caetano, e a Maria de 7 anos. Mas o Pedro não se encontra mais conosco. Eh, e como criadora de conteúdo também, meu conteúdo é sobre maternidade, sobre criação de filhos, sobre família. Então, eu vivo esse universo das telas, né? E as inquietações que mais chegam para mim, acho que a principal delas, a pergunta, né, que mais paira é: qual é o Tempo eh eh seguro, qual o limite? E
segundo a OMS e a Sociedade Brasileira de Pediatria, né, para crianças de 10 de 0 a 10 anos, de zero a 2 anos é zero tempo de tela, de dois a 5 até 1 ano com até até 1 hora com supervisão e de 5 a 10 de 1 a 2 horas também com uma mediação ativa. E aí, sabendo disso, né, a gente cai numa outra inquietação. Como porque muitas mães, muitos pais, né, as mães principalmente vivem numa realidade em que não dá para Conciliar trabalho de casa, cuidado com os filhos, né, e e as telas
acabam sendo um facilitador, acabam sendo a rede de apoio que esses pais têm. Mas por outro lado, ele já entenderam, né, a maioria já entendeu os prejuízos que a tela pode trazer. E eu tô dizendo assim, existem mecanismos sim que pais podem adotar, né? Eu sempre digo que se vai oferecer a telona, é melhor do que a telinha, né? O, a televisão é melhor do que o celular, porque na televisão você Consegue tá olhando o que que a criança tá assistindo. Eh, junto é melhor do que sepor do que com fone, sabe? Tem tem essas
coisas que a gente consegue minimizar os impactos, mas infelizmente sozinhos os pais não conseguem dar conta dessa demanda, porque não é uma demanda pessoal, familiar, doméstica, é uma demanda coletiva, né? Porque as crianças saem das telas e elas vão ter o quê? Se não tiver políticas públicas, se não tiver espaços seguros para essas Crianças brincarem ao ar livre, fica complicado de fato, pra gente ter uma outra opção, as telas que são super sedutoras, né? Existe um mecanismo ali por trás da da da internet, da das telas que prende as crianças. Então, a alternativa que a
gente precisa ter tem que ser igualmente atraente. E a gente só consegue isso, não apenas com boa vontade, né, com força de vontade, precisa sim de apoio, né, das organizações, do governo, enfim, precisa De apoio e acolhimento para essas famílias, porque se não vira uma culpa e o problema não é resolvido nunca, né? Vira essa bola de neve que muitos pais estão imersos aí, infelizmente. Nossa, eu tenho, mas falei assim, ó. Você quer comentar um pouco mais da da como isso tem a gente como? Eu achei muito interessante você ter falado que isso não é
uma questão de Culpar individualmente as famílias e como isso é um problema que requer ações coletivas. Se você pudesse falar um pouco mais sobre isso, acho que uma é uma perspectiva muito interessante que eu vejo muitos pais se culpando, achando que é uma questão individual, né? Você pode falar um pouco mais disso? Olha, eu brinco que hoje eu moro numa pousada, né? E na minha pousada tem piscina, tem parque, né? Tem parquinho para as crianças, tem várias árvores frutíferas. Então, nas minhas redes sociais, quando alguém vem com uma solução milagrosa, né, para pra redução das
telas, perguntar: "E como é que você consegue?" Gente, é simples. Comprem uma pousada, tá? Grande com uma piscina semiolímpica e aí vai ser mais fácil. E e não é, sabe, não é sobre isso. De fato, a gente precisa de praças, de parques acessíveis em bom estado para que as crianças possam brincar ao ar livre, sair das telas de maneira segura. Então, não é, Né, reforçando, não é uma escolha apenas da família de de mediar. Eh, eh, precisa sim de políticas públicas, porque sozinho, nesse momento em que a gente tá tão imerso, né, nessa era, nesse
boom tecnológico, não ter esse recurso fica inviável, infelizmente. Muito, muito bacana te ouvir, Andress. E você vê que foi um desabafo, tão desabafo, que ela ocupou metade do tempo na forma, porque de fato tá é uma coisa muito latente, né? Eh, em seguida, eu Queria convidar o Denis. Eh, o Denis é formado pela em história pela USP, é especialista pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul e pelo Afroatican American Research Institute da Universidade de Harvard. é servidor federal da carreira de desenvolvimento de políticas sociais e atualmente é coordenador geral de proteção de
direitos na rede na Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidente da Presidência da República, famosa SECOM. Denis, eh, com base nisso que a que a Andressa trouxe pra gente, né, e tendo em vista essas preocupações das famílias, como é que o governo federal tem visto essa preocupação das famílias e quais são as ações concretas que vocês estão pensando para tratar essa questão de tecnologia da primeira infância? Você tem também 6 minutos. Olá. descobrir como liga. Boa tarde o gente. Eh, satisfação tá aqui com as senhoras e senhores. Eh, como isso estava
dizendo, tô lá na Secretaria de Políticas Digitais eh da presidência da República, uma das unidades voltadas pro universo digital criadas nesse governo, nesse mandato do presidente Lula. também tem uma Secretaria de Direitos Digitais dentro do Ministério da Justiça, tem uma de saúde digital dentro do Ministério da Saúde, outras unidades foram implementadas no governo. A gente tá ali Um pouco no olho do Furacão, eh, pensando, né, bastante nesse papel nosso de arregimentar esforços, de eh juntar ali a participação de áreas diversas, de setores diversos. E quando a questão eh das crianças e adolescentes no ambiente digital
eh chegou lá no governo ainda em 2023, já com umas estatísticas eh eh catastróficas, né? Eh apontando para para uma situação para para um gráfico Que mostrava que as coisas pior piorariam. Eh, eh, a gente não tinha vivido esse bundo ano passado de que todos, todas as semanas e praticamente todos os dias a gente tem notícias, a gente tem informação nas redes sociais sobre eh uma calamidade aí que tá em curso. A gente eh percebeu que uma das primeiras necessidades que estavam postas era esse alinhamento do governo em torno de de delinear o problema. E
colocar notes para que políticas públicas pudessem ser construídas. Esse esse documento é esse guia. Deixa eu mostrar aqui. Ah, essa aqui é uma rara versão em papel. Eh, depois deixar até aqui. Esse aqui, na verdade, é da Andressa. Eh, ele é principalmente uma versão eh eh web, uma versão digital e foi a junção de sete ministérios trabalhando Juntos, eh, sempre com as metodologias que um, um governo popular precisa usar para, para dar legitimidade às coisas que faz, né? Então, desde o final de 2023, foi lançada uma consulta pública usando a plataforma Mais Brasil, foi eh
instituído um grupo de trabalho eh com inclusive vou passar para ele direto. É, o importante dessa dessa tela que tá aí também é o processo de escuta de crianças adolescentes, que foi Patrocinada pela Embaixada do Reino Unido, conduzida pelo Alana, eh tornou essa publicação eh mais especial ainda. Mas esse grupo de trabalho, além de vários ministérios, contou com várias representações representações da sociedade civil e do sistema de justiça, além de de especialistas. Eh, uma das coisas que esse guia eh destaca, mesmo conversando com as famílias, né, como Andressa já tava adiantando, essa super culpabilização Das
famílias é parte do discurso das plataformas, inclusive, né? Não que as famílias, óbvio, eh vão ser alijadas eh desse processo de eh entender quais são os riscos, entender quais são as chances que o universo digital traz para as crianças. Mas esse esse modelo de negócio muitas vezes não tá sendo traduzido e e analisados em muitas das cartilhas do tipo proteja seus filhos e filhas no ambiente Digital. E e como por exemplo Dr. Daniel Becker, né, que tava no grupo de trabalho, eh, fala a disputa entre famílias e os departamentos de de neuropsicologia, jurídicos e tudo
mais, das plataformas, é uma luta absolutamente injusta que as famílias jamais vão ganhar, né? Porque a lógica da publicidade é prender as pessoas, é fazer com que as pessoas estejam ali. As bigtechs, a gente eh já ouviu bastante Isso por aí, elas não são grandes empresas de tecnologia, elas são grandes empresas de publicidade, né? Desde que tinha o jornal impresso, a sessão de classificados, você precisava já que as pessoas comprassem o jornal e fossem pra sessão de classificados. eh as tecnologias se sofisticaram e eh os mecanismos de manter as pessoas presas aos seus celulares e
agora televisores, elas são sofisticadíssimas, né? uma criança vai ter lá 1000 Ferramentas para mantê-la eh colada eh numa telinha muitas vezes pessoal em que ela vai estar curvada em cima dela e se ela sair dessa telinha vão ter notificações, talvez centenas por dia para levá ela de volta. Eh, não vou me estender aqui nisso hoje. a gente tá fazendo uma coisa mais eh eh rápida, mas a gente se orgulha de ter garantido no Guin espaço eh especial para isso, para apontar que tem um Modelo empresarial garantindo que as crianças estejam a mercer desse excesso eh
de publicidade eh com mecanismos que também são deletérios para que isso aconteça. Eh, então o guia traz essa análise, tem muitas evidências científicas, né? É a garantia da gente não ser acusado só de comunista e que a gente queira manipular eh as pessoas para enfrentar as plataformas, porque a gente é anticapitalista, esse tipo de Coisa. Eh, que é um uma visão geral sobre os capítulos que estão no guia. Eh, apesar dele ter uma perspectiva bastante de conversar com vários atores sociais, né, com assistência social, com o sistema de saúde, com o sistema inclusive de justiça,
né, policiais e tal, eh a gente tentou transformar ele numa, eh, publicação que sim sirva para as famílias, que elas possam obter orientação ali e que ele tenha uma uma Seja uma experiência amigável essa leitura, né? Então, transformamos ele numa publicação colorida e e dinâmica. Eh, a Andressa trouxe, né, algumas dessas recomendações paraa primeira infância sobre zero telas e antes dos 2 anos e, né, uma recomendação da OMS, praticamente todos os os países tão trazendo. A gente, para que o guia não tivesse 2.500 páginas, a gente teve sempre que ser bastante breve em vários dos
temas. Eh, a primeira infância é um deles, né? Então, além de trazer essas recomendações, de trazer gráficos mostrando como os outros países, né, outros países estão recomendando eh usos eh de telas, não só quanto a tempo que você fica na tela, mas também quanto ao tipo de experiência que a criança tem na tela. a gente insiste ali paraa primeira infância naquela coisa, atenção à classificação indicativa, atenção a esses mecanismos Mais evidentes, como autoplay, né? Eh, vocês não sabem, mas tem uma telinha que fica tempo esgotado, tempo esgotado, entendeu? e tem o IS aqui do lado,
mas eu já tô terminando. Eh, e aí outras recomendações do guia que, né, é isso, não só a gente fala para muitas infâncias diferentes no Brasil, mas quando a gente fala de crianças e adolescentes, estamos falando desde esses de zer a do até uma figura que tem lá, né, 17 anos. Então, eh, são Pessoas em momentos muito diferentes do seu desenvolvimento, eh, biológico, psíquico, social. Então, eh também a gente eh lança uma coisa mais panorâmica. E sobre as políticas públicas setoriais, acho que a gente pode falar no, no segmento da conversa. Maravilha. Obrigado. Eu achei
muito bacana que você trouxe o aspecto de design manipulativo, que a gente citava agora a pouco na sessão Principal e você trouxe também uma questão da preocupação de de de como isso virou uma pauta de governo, né? Ontem na sessão das solenidades, isso foi abordado tanto pela pela conselheira do CGI Renato Mielli, quanto também pelo governador do estado da Bahia, que esteve presente. Ele também falou sobre essa questão da preocupação com eh eh com a infância, com ele falou sobre proibição do celular e citou a relevância desse tema, né? Eh, eu queria Agora convidar a
professora Jeana. A Jeana é psicóloga, especialista em terapia de casal e família pelo Instituto da Família de Porto Alegre. Ela é mestre e doutora e pós-doutora em psicologia pela Federal do Rio Grande do Sul. É professora no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e Personalidade e na pós-graduação em psicologia da Federal do Rio Grande do Sul. Ela é coordenadora do núcleo de pesquisa e intervenção em famílias com Bebês e crianças, o NU FAB e do Centro de Atendimento Pais Bebê. Jana, eh, com base em tudo isso que a gente já comentou, né, tanto da do depoimento
da Andressa e da experiência e e da cartilha do que o Denis comentou da Secom, eh, na sua experiência como psicóloga e pesquisadora, como é que você tem visto o uso de tela na faixa et da primeira infância e quais têm sido as principais recomendações eh que você tem discutido com os pais? Você também tem Muito obrigada, Winston. Então, queria primeiro agradecer o convite para estar aqui, né? Eu preparei uns slides para poder organizar melhor a minha fala, né? A gente vem pesquisando sobre uso de telas eh desde 2018, mais ou menos, eh, lá em
Porto Alegre. E acho que a primeira pergunta é: por essa ênfase tão grande em primeira infância, né, e primeiríssima infância especialmente, né? E aí a gente tem que lembrar que nos primeiros anos de vida é um período Bastante crucial do desenvolvimento, aonde a gente tem uma importante aquisição de hábitos e rotinas e elas estão sendo formadas muito em interação com os cuidadores. E são momentos onde, por exemplo, a capacidade de autorregulação, ou seja, né, a capacidade da criança controlar suas emoções, pensamentos e comportamentos, ela começa, né, eh, na primeira infância, ela vai se desenvolvendo, ela
começa a estabilizar perto dos 5 anos e Depois a gente, né, passa, tem gente que não regula nunca, mas enfim, né, em princípio, se não dá certo de zero a cinco, a gente tem um momento muito importante, né, eh, para essa capacidade da autorregulação. E para isso, né, pr as crianças se desenvolverem, as elas precisam de estímulos variados. A gente tem, por exemplo, o período sensório motor de 0 a 2 anos, aonde a criança aprende basicamente através dos vários Sentidos do seu corpo de como se relacionar, né? Então é importantíssimo que a gente desenvolva várias
possibilidades para que a criança se desenvolva física e emocionalmente, sua capacidade criativa através dessa manipulação física da criança com o ambiente, né? E isso tudo vai acontecer eh ao redor dos cuidadores dessa criança, né? E para que aconteça um desenvolvimento saudável. Esse desenvolvimento ele vai Acontecer através de várias trocas, né? Esse aqui é um gráfico da UMS, caiu fora ali no meu slide o a referência, né? Mas a gente vê que boa parte das dos momentos de interação que vão acontecer com esses cuidadores, eles são muito importantes que não sejam eh utilizados com as telas,
né? né? Então a gente até pode ter um brincar que envolve alguma coisa de tela, né? Mas outras atividades como rotina de sono, alimentação, troca de fralda, é importante que seja Realmente momentos de contato, né, da criança eh olho a olho, né, com seus cuidadores, para ela ir aprendendo como é que ela pode se sentindo, para ela ir aprendendo, né, qual é a reação esperada frente a um determinado estímulo. E isso ela vai aprender através das trocas com os humanos. das máquinas ainda não fazem esse papel, né? A literatura, a literatura hoje ela é muito
profíqua, né, em trazer riscos por desenvolvimento na primeira Infância. Eu nem cheguei a colocar referências aqui porque a gente vai achar milhares, né? E a gente tem um pouco de questionamento em relação a se a gente tá olhando pras telas e a infância no melhor modelo ao olhar principalmente pro risco, né? A gente sabe que o uso excessivo realmente vai trazer problemas de autorregulação, né? os primeiros estudos vieram muito na linha eh de tentar entender a questão do sedentarismo, né? Então, a questão da Obesidade, como é que isso impactava o desenvolvimento infantil, né? Tem toda
a questão da da exposição conteúdos inadequados, mesmo por crianças muito pequenininhas, né? Tem efeitos negativos no sono, eh, dificuldades posteriores em manutenção da tensão, né? Depois de olhar tanto videozinho, videozinho curto, né? Então, sobre os riscos, eu acho que a gente tem isso bastante bem documentado, né? Hã, mas a gente ainda tem muita inconsistência sobre como que Ocorrem esses prejuízos. Então, a gente não tem dúvida que tem prejuízos, mas exatamente como que eles ocorrem, a partir de quanto tempo de interação, a partir de que momentos, né, que começa h a ser risco e não mais
apenas uma distração da criança, né? Então, a gente eh tem incentivado muito mais que uso restritivo, que a família use um modelo reflexivo de poder pensar sobre as condições eh do uso de tela na sua na sua família. E a gente tem uma Preocupação especialmente grande nessa primeira infância, porque esse uso excessivo é a formação dos hábitos. Tem estudos hoje mostrando que tem se formado lá aos 2 anos já, né? Porque é um incentivo grande daqui a pouco dos adultos, né? Em usar a internet ou de não ter uma regulação, cuidado com a criança por
vários motivos, né? e a os próprios adultos usam bastante. Isso acaba estimulando que as crianças também façam um uso bastante grande, né, da Internet de forma geral. A gente tem pouquíssimos estudos sobre benefícios, tá? E os estudos que indicam benefícios mostram que eles ocorrem quando o uso da internet ou de algum aplicativo é feito junto com um adulto. Eu até trouxe um estudo que saiu essa semana mostrando que por um períodinho curtinho lá 15 minutos e interação com o adulto. Depois isso se relaciona mais adiante com desenvolvimento socioemocional, mas é um Estudo muito recente. Acho
que a gente tem que olhar para ele com mais profundidade, mas eu quis trazer porque é importante a gente ver que sempre que há benefício a gente tem interação com um adulto. Então, a gente não sabe se é interação com o adulto ou se é essa tela que tá ali que acaba promovendo esse benefício, né? Isso não quer dizer que a gente não possa eventualmente usar eh a internet ou algum aplicativo para brincadeira conjunta com a criança e Para comunicação com familiares. E a gente também tem que ter muito cuidado com o que você vê
na internet, né? A gente vê muitas notícias alarmistas como essa, né? Que crianças no smartphone desenvolvem autismo, né? ou que aplicativos podem melhorar o desenvolvimento da linguagem. A gente não tem evidência que comprove isso, né? E então, em suma, a gente hoje, né, entende que tem um lugar das mídias e das telas na contemporaneidade, Né, mostrando, por exemplo, um grande número de horas em frente, né, as telas de forma geral pelas crianças. quando perguntadas, né, a gente tem vários estudos que perguntou isso no lá no grupo de pesquisa, se as famílias estavam satisfeitas com o
uso que faziam da internet, as famílias consensuam em dizer que tem um uso disruptivo, elas gostariam de diminuir esse uso, mas elas têm dificuldade em fazer isso, né? E a gente vê que esse uso na primeira Infância, ele tá muito em desencontro com essas orientações da literatura, né? Então a gente busca e acaba encontrando, né? Como o próprio Winston trouxe, um tempo de uso maior que o sugerido, né? qualquer uso, na verdade zero a do anos já seria de muito, né? Um uso sozinho da criança predominantemente e um uso em rotinas aonde a gente tem
consistência já para indicar que não se use, que é para acalmar a criança nos momentos de sono e de alimentação, né? Nessas Rotinas a gente vê que o tempo de uso aumenta a conformidade da criança e existe, parece que um cuidado maior nas famílias de nos bebês de 0 a 12 meses eh em relação a esse uso, mas que a partir de 13 meses esse uso começa a aumentar. A minha hipótese é que as crianças até 12 meses não conseguem manter a atenção, tá? Não há nem que não seja tão oferecido, né? E quando a
gente perguntou, por exemplo, pras mães quando que elas oferecem, né, a internet aqui Paraos as crianças de zero a 3 anos, elas disseram, a gente quase que teve zero de resposta. Aí nós mudamos a pergunta e perguntamos: "E quando que elas sentem a necessidade de oferecer essas telas?" E aí surgem essas questões, né, como a Andressa já falou, muito vinculadas esse papel da internet como babá, né? então na ausência, né, de outra forma de interter a criança usando as telas. E aí, tô terminando, a gente chega Dentro de um para num paradoxo que eu acho
que é difícil da gente desatar, né, onde a gente tem muito uso da criança sozinha, que não é recomendado, né, a gente tem consenso sobre isso. A gente tem famílias muito sobrecarregadas com uma rotina, eh, né, e usando as telas eh para entretter a criança. A gente encontra muita propaganda inadequada eh paraa idade da criança em aplicativos gratuitos que elas venham a usar. E os aplicativos e os programas, eles são Desenvolvidos pro uso sozinho da criança, porque vocês lembram que as famílias disseram que usam como babá. Então, se o aplicativo é usado, é feito para
usar junto, ele não vai atender essa demanda das famílias, né? Então a gente tem aí um grande nó, né, para poder conversar sobre. Muito obrigada. Obrigado, professora Eugenia. Eu gostei muito do que você trouxe a questão do papel do mediador, né, que é uma coisa que você discute muito nessa literatura Também. E eu achei interessante que você trouxe também que há estudos para tentar identificar aspectos positivos, né? A gente sempre tem tentado também abordar essas questões do ponto de vista de riscos e oportunidades, de pensar eh como de mitigar os riscos, mas aproveitar, explorar essas
oportunidades, né? Eh, e por fim, eh, eu queria, eh, eh, explicar para pro público que nós temos mais um painelista. Ele não pôde estar aqui Fisicamente, ele teve um problema com o voo dele, eh, mas a gente queria muito eh oferecer e um espaço para ouvir eh para ouvir a juventude, para ouvir um jovem, para ouvir um adolescente eh a respeito desse tema. Então, a gente convidou o João Víor, que eu espero que esteja me ouvindo aí pela internet. João Víor, você tá me ouvindo? Sim, senhor. Tô lhe ouvindo, sim. Boa. Então, a gente ainda
não viu seu rosto aqui na tela. Aê, o João Víor tá aí. O João Víor, ele é adventista do sétimo dia, recentemente eleito conselheiro jovem do UNICEF. Ele é membro do Comitê Popular de Mudanças Climáticas, coordena a Juventude das Ilhas pelo Fórum de Desenvolvimento Sustentável das Ilhas, atua como voluntário na cooperação da Juventude Amazônida para o desenvolvimento sustentável. Ô, João Víor, você ouviu a nossa conversa aqui e eu queria e acho que você tem a oportunidade de oferecer uma perspectiva Muito eh particular. Eh, se você puder contar pra gente as suas primeiras experiências com uso
de internet e como que isso contribuiu pro seu aprendizado e pra sua atuação como ativista climático na sua comunidade. Você tem aí 6 minutos, João. Manda ver. Tá bom. Só quero avisar, né, que como eu tô aqui no pátio de casa, às vezes pode passar um caminhão, uma moto aqui, interrompendo a fala, mas a gente vai seguindo, tá bom? Eh, primeiramente, boa tarde a todos, Né, vocês aqui. É uma grande honra tá aqui, né, no fórum, eh, da internet no Brasil, né, e nesse painel tão necessário que trata da primeira infância, né, da internet. eh
duas dimensões que parecem distantes, né, infância e internet, mas que a cada dia, né, na prática estão cada vez mais eh próximas, mais interligadas. Quando eu comecei com o meu meu ativismo, né, nas minhas agendas em 2023, eu nunca imaginei que isso ganharia tanta Repercussão, né, mas só não só no mundo digital, como no mundo real. Eh, e eu só queria lutar por aquilo, né, em que eu acredito, pelos direitos, por justiça e por um mundo mais acolhedor. Mas o que eu encontrei também foi um ambiente bem complexo, né? De um lado, muito apoio, né?
Muitos elogios, eh comentários que me incentivavam a continuar, né? Eh, mas do outro os tais chamados reites, né? As mensagens de ódio, os ataques, os xengamentos, né? E por mais que a gente Tente se blendar, né? Eh, essas palavras machucam, né? Eh, me afetaram e ainda me afetam, né? Psicologicamente, eh, a nossa mente, né? Hoje, a cada dia mais, os chamados influenciadores são crianças e adolescentes, né? Cada vez mais jovens estão se tornando os ativistas, se posicionando, criando conteúdo, viralizando. Então, resumindo, né? Eh, a cada dia mais crianças e adolescentes estão sendo expostas às mídias,
né? Eh, Mas qual o impacto disso, né? Qual o impacto disso na saúde mental desses jovens, dessas crianças que estão eh que estão em formação, como estão absorvendo esse esse discurso de ódio? Eu trago aqui hoje um alerta, né, e um convite que é precisamos pensar no cuidado com uma política digital, né? Cuidar de quem fala, cuidar de quem escuta, eh cuidar do ambiente onde e essas falas acontecem, eh porque no fim das contas não se trata apenas de redes, né? Se Tratam de vidas. Então, nesse momento agora é o que eu tenho para falar.
Muito obrigada, João, por tudo que você trouxe aqui. Obrigada também por ter aceito participar aqui do painel. É muito bom poder te ouvir aqui hoje. Que pena que não é presencial, mas teremos outras oportunidades, sem dúvidas. Agradeço demais. E com isso, gente, vamos para passar pra segunda fase aqui da nossa discussão. Antes de tudo, muito prazer, eu sou Júlia Mendonça, sou de Salvador, graças a Deus. Então é bom tá aqui no FIB, na minha terrinha. E além disso, eu também sou advogada no Instituto Alana, né? O Instituto Alana foi mencionado aqui algumas vezes no painel
e só para quem não conhece, a gente é uma organização da sociedade civil que visa promover a proteção integral da criança. Nossa missão é honrar a criança. E quem quiser saber mais informações também sobre nossos projetos, a minha colega Manu e o meu Colega João também distribuíram aqui algum algum relatório nosso que ten informações sobre o Alana e outras informações também. Então já fica aí o aviso desde já. Eh, mas voltando pro nosso tema do painel, que é a primeira infância, né? Por que a gente tá aqui discutindo sobre isso e porque o que é
que a gente quer trazer aqui enquanto instituto também é que, como o Winston falou, eh, a gente tem se muito se fala sobre crianças e internet, crianças e Telas, mas, eh, as, existem muitas lacunas ainda com relação às crianças abaixo de 8 anos, né? E como Inston colocou aqui a provocação, será que é porque elas não usam a internet? Será que é porque elas não têm contato com as telas? Eh, muito provavelmente a gente sabe que na prática não é bem assim. E aí com isso, a gente também veio aqui apresentar também um o início
de você me d o passador, por favor. Obrigada. o início de e alguns highlights assim de Uma das pesquisas do Alana, que visa justamente eh a partir dessa lacuna ouvir e escutar crianças abaixo de 8 anos, né? Eh, esse esse projeto de escuta e aqui desde já passando enquanto mensageira, né? Só foi possível também por conta da parceria realizada entre o Instituto Alana e o laboratório de pesquisa da relação da infância, juventude e mídia, eh, junto com as consultoras Inês Vitorino e Tinânia Máximo. Então, aqui já fica o Agradecimento para elas que podem estar nos
ouvindo aí online, mas eh vamos entender um pouco mais eh sobre o que que qual foi o objetivo da escuta, o que que a gente se propôs nisso. E basicamente, eh, foi mais numa linha da gente tentar compreender o acesso, os riscos, as oportunidades e as percepções do impacto, eh, da na na saúde, em outros aspectos da vida da criança e do adolescente, né, especialmente os mais novos aqui na primeira infância, eh no Seu desenvolvimento integral. Então assim, mais do que basicamente a gente lá los pesquisadores que estudam sobre isso, né? A gente tá lá
pesquisando de forma autônoma, basicamente ouvir, reconhecer as vozes dessas crianças também. Eh, e dentro dessa dessa escuta, a gente é importante dizer que a gente teve eh 97 crianças escutadas, né? Então, foi um projeto muito denso, que deu bastante trabalho pras consultoras e pro time do Alana. E, eh, foi no ocorreu No segundo semestre de 2024, gente, e foram crianças de todas as regiões do país, tá? as cinco regiões, inclusive aqui Nordeste, onde a gente tá hoje. E além disso, um grupo de crianças indígenas do povo chamante. Então, assim, foi eh a gente tentou abranger
o máximo de pessoas possíveis, os máximos de pessoas em desenvolvimento possíveis, incluindo todos esses recortes aqui que a gente tá vendo no slide de região, escolaridade, Gênero, raça, inclusive eh crianças neurodivergentes e PCDs. Então assim, para tentar incluir e reconhecer a as vozes do máximo de crianças possíveis. E bom, eh o essa pesquisa que a gente vai fazer só um panorama geral, tá gente? Vamos dar um gostinho da pesquisa, depois a gente vai publicar. Eh, acompanha as redes do Alana que já a gente vai fazer essa publicação também. Mas eh nesse dentro desse escopo a
gente estudou um pouco sobre dinâmicas de Acesso e uso, oportunidades, riscos, eh privacidade, segurança digital. E aqui hoje eh o Winston trouxe o gráfico, trouxe alguma algumas coisas aqui pra gente pensar e a nossa proposta agora é trazer também a fala dessas crianças, né? Eh, os highlights que a gente encontrou nessa pesquisa. Então, principalmente sobre as dinâmicas de acesso, né? A gente vive um Brasil gigante, com várias realidades diferentes. E dentro dessa perspectiva, A gente entende, entendeu o acesso como muito atravessado pela vulnerabilidade e pela exclusão social. E vamos ouvir isso pela vozes das crianças.
Por exemplo, Mirela, ela disse: "Então, eu tenho a TV, eh, eu tenho o celular, só que ele tá quebrado e minha mãe tem o celular e o computador, mas que tá quebrado também." A gente tem uma outra criança também que diz: "Tem alguma coisa que você quer para que a internet funcione melhor?" E a resposta bem marcante, a Energia, né? A gente tá falando de estrutura, a gente tá falando de infraestrutura também. Então, eh, são as camadas que a gente tem que enfrentar com, principalmente no governo e todos os setores, para lidar com a primeira
infância e o ambiente digital. E além disso, outros outros pontos também sobre essa questão do acesso. Eh, o João Miguel fala: "Eu não tenho celular, eu assisto no celular do meu pai". Além disso, eh, esse é um ponto importante Também. A gente tá sempre falando de redes sociais, a gente tá falando do perigo das redes sociais e tudo mais, mas o Joaquim ele fala que a principal eh coisa que ele acessa na internet é o Roblox, um jogo, né? E isso se reflete aqui também na nos apps mencionados, né? A gente percebe que o aplicativo
mais mencionado nessa escuta da primeira infância foi o Roblox. Então, eh, além de ter sido mencionado também o YouTube, o WhatsApp, Instagram, salta os olhos, Né, ter sido esse jogo mencionado, mais mencionado pelas pelas crianças ouvidas. E além disso, a gente também eh vai dar aqui uma passada super breve por conta do tempo que já tá acabando, eh, sobre as oportunidades e riscos das crianças. E lembrando aqui a faixa etária que a gente resolveu focar nos highlights aqui da apresentação hoje foi de 4 a 6 anos, justamente para focar na primeira primeirísima, primeiríssima infância. Eh,
e aqui, eh, Brevemente a gente pergunta, eh, quem é aqui? Opa, aqui. Perfeito, obrigada. Eh, como é que eh tu pesquisa no seu feed, né, que o feed dentro de uma plataforma de rede social. E o Eric responde aqui, gente, só lembrando, né, os nomes estão anonimizados, assim, não é necessariamente o nome real da criança, mas só para ilustrar, tá? Eu falo assim, eh, cameraman episódios e aparece um monte de episódios do cameraman, ou seja, já associado à noção de um feed Personalizado, um conteúdo que acaba seguindo aparecendo para aquela criança. Eh, e outra coisa
que também que se conecta não só com oportunidades, mas também com acesso, que o Eric fala: "E se meu celular descarregar, eu pego o da minha mãe. Se o da minha mãe descarregar, eu pego o do meu pai. Se o celular do meu pai descarregar, eu pego o tablet. E, enfim, continuo acessando as telas. Então, assim, camadas e e dimensões que a gente precisa analisar Aqui, inclusive desse uso compartilhado, mais uma vez falando do atravessamento de vulnerabilidades e como o Brasil tem diferentes realidades. E aqui, gente, só para fechar, tá? Eh, super rápido. Caminhos para
enfrentar esse desafio, que é um ponto aqui que todo mundo falou. A gente fala muito de problema, a gente gosta muito de falar de problema, de risco, eh, e é importante falar sobre isso, mas também a gente trazer caminhos concretos, enfim, o que é que a gente Faz então dentro desse cenário, né? E aí a gente tem alguns pontos no Alana que a gente desenvolve. Eh, e gostaria de focar aqui principalmente, né, dentro desses quatro pontos, estrutura global de governança ativa, regulação das redes sociais, fiscalização e colocar a criança adolescente no centro, que é o
nosso compromisso também, né? Ouvi o João aqui foi importantíssimo nesse sentido também. Eh, é citar o PL 2628, gente, eh no no material que vocês têm Aí que foi distribuído. Depois, se não tiver, procura a gente que vocês vão ter, tá? fala também sobre esse PL. Vamos conhecer um pouco mais que trata justamente sobre lidar com a infância no ambiente digital, como é que a gente pode proteger as crianças, né, dentro desse ambiente. Então esse é o PL e o o Instituto Alana também tá trabalhando nesse sentido. Perfeito. E aqui, gente, ó, todo mundo que
tá no WhatsApp, tá no Instagram, para aqui. 5 minutos, dois Minutinhos só. Aqui é nosso Padlet, tá? é o QR Code e é basicamente a nossa biblioteca de recursos. Então tudo que a gente mencionou aqui hoje, os slides, o guia de telas que a gente viu aqui físico, tem a versão digital também nesse padlet. Então todo mundo que quiser saber mais, ter acesso a mais eh documentos e coisas que a gente tá falando aqui, só acessar aqui no QR Code, beleza? Então, já falei demais, falei bastante, mas agora a gente vai Voltar pros nossos painelistas,
que são as estrelas aqui de hoje, que a gente precisa ouvir. E já aproveitando eh essa perspectiva da gente ter um painel diverso, um painel de multissetorial, um painel que uma mãe trouxe um relato da vivência dela, um adolescente que trouxe um relato da vivência dela enquanto adolescente. É, agora a gente vai perfeito, 2 minutos. Agora a gente vai fazer uma pergunta única para todos Os painelistas, tá? Justamente tentando construir caminhos do que que a gente faz, quem que é que a gente quer chamar para conversa com essas atores que a gente quer dizer assim:
"Ei, olha um pouco mais para isso. Vamos conversar. Qual é que a gente pode seguir? Quais são as minhas inquietações?" A gente quer uma pergunta aqui formalzinha só para estruturar que diante desse painel eh múltiplo que a gente tem hoje, eh quais eh demandas Vocês colocariam pros atores interessados, pros a gente chama, né, de stakeholders, mas é só uma palavra em inglês, para pessoas interessadas no tema, tomadores de decisão. Eh, o que é que vocês, enquanto painelistas gostariam de propor como caminhos a serem adotados e possibilidades? E aí, com isso, mais uma vez eu gostaria
de passar a palavra agora para o João, que tá nos ouvindo aqui online mais uma vez. Oi, João. Olá, galera de novo. Eh, então vamos lá, né? Na na minha percepção assim que eu acho que o mais grave é que as plataformas eh digitais continuam falhando. Elas não estão preparadas para proteger, né, esses corpos jovens, né, eh da primeiríssima infância. Eh, falta moderação adequada, né? Eh, falta transparência nos algoritmos, falta uma escuta ativa dessas juventudes. E eu acho que a gente Precisa urgentemente de uma demanda eh na educação digital, nas escolas mais cedo, né? Acolhimento
psicológico para esses jovens criadores, influências, né, que que desde cedo já são expostos às mídias sociais, políticas públicas que tratem o digital como parte da infância. e da adolescência, né, e principalmente a responsabilização dessas plataformas. Essa é é minha proposta e a minha ideia plataformas para essa responsabilização, como foi colocado Aqui no no primeira rodada de de da nossa discussão, que não é só culpabilizar os pais, nem culpabilizar os jovens, né? a gente tá em uma dinâmica muito mais profunda e complicada que a gente tá tentando enfrentar aqui. Inclusive o painel anterior foi justamente sobre
regulação de plataformas. Então é nessa coisa da gente pensar em como trazer eh em como cobrar de que essas empresas privadas também cuidem das nossas crianças, né? E Aí com isso, eh, eu passo a palavra pra Giana também na nossa mesma pergunta de caminhos concretos. Nessa linha tem um slidezinho também. Slidezinho. Eu vou precisar do passador. Então gente, com esse momento é o o momento do carisma. Enquanto tem problema técnico, já já a gente vai ter o slide aqui paraa Diana poder continuar falando nessa nossa segunda parte da discussão. Perfeito. Quase lá. Quase lá. Quase
lá. Agora, bom, então tá. Continuando, então, eh, então como é que a gente pode pensar, eh, em fazer um bom uso, né, resumidamente, então, evitar o uso sozinho da criança, pelo menos até os 5 anos, eh evitar o uso nas rotinas, especialmente a hora de de comer e dormir, evitar uso ou acalmar a criança. E eu sempre gosto de pensar o seguinte, se vocês estão chateados com alguma coisa, estão chorando, já pensou que agressivo que é tu colocar um celular na Tua cara e dizer: "Te acalma aí, ó, te acalma, Denis, ó". Tá aqui, Olha
para cá. É isso que a gente tá fazendo com os bebês, entende? Com as crianças pequenininhas quando elas estão chorando e a gente quer controlar uma birra mostrando um videozinho. Então, acho que é importante a gente se colocar no lugar dessa criança, né? Eh, para poder entender que necessidades ela tem de estar ali desorganizada, chorando, o que que ela precisa, né? Não é de um celular No rosto, né? E então cuidar muito isso que a gente chama, existe um conceito chamado tecnointerferência, né? Então, eh, o quanto a tecnologia interfere na rotina da criança, interfere, né,
na atenção que os pais estão dando, né, e os demais cuidadores para essa criança, né, crianças tá ali pedindo atenção, o pai tá absorto ou a mãe tá absor, né, o cuidador tá ali muito ligado na tecnologia, então cuidar para que a tecnologia não faça essa interrupção no Cuidado olho ao olho, especialmente. Ã, a Andressa falou do tempo, né? Eu acho que o maior sonho da vida das pessoas é que a gente pudesse chegar aqui e dizer, gente, ó, x tempo, a gente nunca vai ter essa resposta. Eu sinto muito, né? Por quê? Porque tempo
é uma medida imprecisa, né? As famílias tendem a subestimar o tempo que usam, o tempo que permitem que as crianças usam. Então, a gente trabalha muito nesse conceito da ecologia da mídia familiar, Onde a gente busca entender muito mais o contexto e o conteúdo do que é acessado. Ã, e especialmente se vocês pensarem, às vezes tu chega em casa, liga a TV, tá com o celular ligado, a gente tem multitelas ao mesmo tempo, é impossível medir qual é o tempo conectado, né? Mas eu disse, é o tempo da TV que tá ligada ou é o
tempo do teu celular que tá ali junto, né? Então a gente não tem uma medida precisa. Então é óbvio que tem questões de bom senso, né? A gente tem Dados, por exemplo, que adolescente usam 7 horas por dia, mas pensem 7 horas por dia grudado numa tela, o que que se perdeu, né, de tudo que poderia ser feito, né? Então, claro, quando é um uso muito excessivo, é meio óbvio para todo mundo, mas o tempo ideal acho que talvez a gente nunca chegue nele, porque ele vai ter que ser um equilíbrio com as outras atividades
da vida dessa criança e dessa família, né? E claro, a na medida do possível, né, Eh, usar o brincar sem tela, né, a proibição do celular nas escolas, eu não gosto de proibições, mas essa eu acho que foi super importante, né, porque a gente não tem nenhum benefício de alguém, de uma criança levar, né, um smartphone para usar em sala de aula, porque não era com filos pedagógicos que ele tá sendo usado. E acho que faz parte da educação digital saber como usar as telas dentro da escola, mas com o fin pedagógico, né, da forma
correta. Eh, queria deixar vocês aqui com essa imagem, né? Se vocês não permitem que o filho de vocês esteja sozinho nesse lugar, ele também não pode estar sozinho na internet, né? Então, eh, a gente precisa muito da mediação familiar, precisa educação digital para as famílias poderem usar, né, da melhor forma com seus filhos, porque a gente vê que as famílias também não sabem que riscos essas crianças estão expostas, né? Eh, a gente fez um material, a gente Acredita muito na importância da da educação digital, além da questão da regulamentação de plataformas, eh como material de
divulgação da ciência, tá ali o QR Code para acessar essa cartilha de segurança digital que a gente publicou recentemente. E a gente tem vários outros materiais, tem cursos gratuitos, vão sair agora em junho um curso, a gente faz cartilhas, tem vídeoséries, né, para que as famílias realmente possam Ter conteúdos, né, para refletir, para pensar. e a gente faz algumas coisas também presenciais lá em Porto Alegre, na UGRs, enfim, né? Mas a gente tem esse material para ser amplamente divulgado. E acho que era isso. Muito obrigada. Muito obrigada, Giana. É muito bom. A gente teve mais
um QR code aqui também com material excelente, mas lembrando que também está no nosso Padlet, na nossa biblioteca de recursos. Então Depois se vocês quiserem acessar já vai tá lá, não precisa ter pressa para ler o QR code, tá? E com isso agradeço demais, Diana, pela sua fala e passo a palavra para o Denis. Eh, passos necessários, né? O que que mobilização a gente precisa? Eh, no universo aí do ativismo pela infância, o pessoal cita muito a Constituição Federal, né, que trata eh as crianças como prioridade absoluta. Não tem nenhum outro tema na Constituição, nenhum
outro tema na legislação brasileira que merece essa essa etiqueta, né, de prioridade absoluta. e agora e de alguma forma o universo digital merece um destaque grande dentro desse universo de prioridade absoluta. Essa publicação do Guia, a gente até distribui um panfleto eh sobre o o guia de telas. Eh, na última página dele tem listadas eh quantas recomendações são feitas para cada Segmento. Eh, o maior número de recomendações que são feitas são paraas empresas, não é um acaso. Eh, mas tem recomendações ali, inclusive para crianças e adolescentes feitas pelas próprias crianças e adolescentes. Por favor, leiam.
mesmo se você não for uma criança ou adolescente, porque eh são recomendações muito legais e é um jeito e eh não não existe outro jeito de fazer política pública eh para crianças e adolescentes que não seja eh Escutando-as. E inclusive tem um rol de recomendações das crianças para os adultos, eh, que aí sim, esse é obrigatório, tem que ler de qualquer jeito. E tem lá pro pros sistemas pros sistemas de ensino, pro sistema de justiça, pro sistema de saúde. é no governo. É para, né, aqui é rápido que a gente tá tá conversando, mas presidenta
Dilma e tinha tratado especialmente a primeira infância como uma grande Prioridade, né, com investimentos altíssimos, com transformações no Bolsa Família. E essa mobilização toda no governo federal, já agora de há há 15 anos atrás, eh desembocou no marco da primeira infância, né, uma legislação de 2016. Eh, em junho do ano passado, um decreto do presidente Lula lançou eh as bases paraa construção da política nacional integrada da primeira infância. Então, e Aí, eh, tem o esse decreto de junho do ano passado, criou grupos de trabalho, envolveu 15 ministérios nesse esforço, tanto o nível estratégico, né, do
o alto nível político dos ministérios, quanto os níveis técnicos. Essa construção eh que durou esse quase um ano, ela se concluiu e tá lá na mesa do presidente Lula para ser assinado um novo decreto que cria o comitê estratégico, cria o comitê operativo, eh a política nacional eh integrada paraa Primeira infância. Eh, então é uma coisa da gente se orgulhar como Brasil eh eh dessa construção para concluir. Eh, e só eh aliás, não sei porque eu eu olhei para você, lembrei, eh, de como a a primeira dama, a Janja Janja Lula da Silva, teve muito
envolvida. Eu participei do gabinete de transição entre os governos no final do governo Bolsonaro e e ela, claro, não tava lá, mantinha uma distância, mas ela apareceu Lá, eu tava na área de direitos humanos dentro do gabinete de transição, ela apareceu lá para falar sobre a primeira infância, eh, nos momentos que ela tá sendo, eh, vítima desses ataques misógenos aí, covardes, sistemáticos. Eh, acho legal lembrar dessa dessa militância dela em cima desse tema também. Perfeito, Denis. Muito obrigada pela sua fala, inclusive reforçando, gente, especialmente as diretrizes que ele Trouxe aí das crianças para nós adultos,
né, pra gente sair dessa discussão adultocêntrica de achar que a gente sabe tudo, a gente sabe para onde é que vai, a gente sabe qual é o melhor caminho, né? Vamos ouvir o que é que as crianças têm a dizer pra gente, que provavelmente a gente vai aprender demais também. reforçando o guia de telas tá aqui na nossa biblioteca de recursos e com destaque aqui para essa parte principalmente. E para fechar aqui nosso Painel, gente, e partir para as perguntas do público, vou abrir a palavra paraa Andressa também para poder fazer essas considerações de caminhos
concretos e possibilidades pra gente pensar junto aqui. É, eu sempre vou puxar sardinha pro lado das mães, né, que é onde eu tô, é o lugar onde eu tô. Eh, como eu já disse, eu tenho dois filhos, o Caetano de C e a Maria Antônia de 7 anos. E eles não têm, hoje, atualmente, eles não têm acesso às Telas. Nós temos dois dias na semana em que a gente faz a sessão do cinema e faz a pipoca, senta todo mundo e escolhe um filme e todos nós assistimos. E a grande questão é que eu não
quero que nós sejamos os alecrins dourados, né, que nascemos no campo, fomos semeados, só a gente ali isolado e todo o resto vivendo como se a internet fosse o maior aliado e deveria, né? Mas, infelizmente a gente tá vivendo o oposto. Então eu gostaria mais uma vez de reforçar que sim, a Gente precisa de políticas públicas para que as crianças saiam das telas e que as mães, os as mães, principalmente, porque são as que estão de frente ali com os cuidados, tenham a possibilidade de ofertar aos seus filhos alternativas para além das telas. Porque mais
uma vez, gente, se a gente não tem um ambiente sedutor, um espaço acolhedor para que as crianças saiam de frente das telas, elas não vão sair, porque existe um mecanismo ali muito forte que prende A atenção delas e é difícil lutar contra isso. E tem uma coisa que eu gosto de dizer também para quem, né, paraas mães que estão conseguindo aí fazer essa transição, limitar esse uso das telas, esse uso, né, esse tempo não precisa ser preenchido. A criança pode não fazer nada, o tédio é importante também, então não precisa, ah, e agora meu filho
não tem mais acesso às telas ou tem pouco acesso, vai fazer o qu o resto do tempo? Qual o problema de não fazer nada? É no Nada que ele vai criar, né, histórias, oportunidades, vai ver o mundo por um outro prisma. E é isso, não tenham medo. Se existe a possibilidade, se joguem, porque é um caminho sem volta. E eu digo isso com propriedade, porque é o momento que a gente tá vivendo e é de fato maravilhoso. Nossa, Andressa, muito obrigada de novo, não só pela sua presença, mas pela sua fala. foi muito importante poder
te ouvir de verdade e eh trazer um pouco Dessa reflexão também sobre o não fazer nada, sobre o oportun, enfim, se permitir estar entediado, fazer um convite aqui pra gente também, tá? enquanto adulto, porque eh a gente às vezes quer cobrar muito dos das crianças, dos adolescentes, que eles não não saiam das telas, mas grande parte aqui da audiência, todo mundo dá uma conferida no telefone, né? Faz parte. Então um convite aqui também a gente se Oportunizar, estar entediado em alguns momentos, não ficar o tempo todo viciado em estímulos, né? Então, agradeço demais, Andressa, pela
sua fala. E, gente, a gente vai agora abrir para duas perguntinhas, tá? Assim, em 30 segundos a pergunta, por favor, eh, para poder a gente fazer a nossa rodada e depois fechar aqui nosso painel. E só reforçar, gente, esse é um dos primeiros painéis na história de todo o FIB que tá falando sobre primeira Infância. Então, muito bom tá aqui com vocês hoje. Muito obrigada, pessoal. Muito obrigada. Olá, tudo bem? Eu sou a Laura de Belém do Pará. Eu vim com a delegação do programa IUF do CGI. E eu gostei muito, eu quero dar os
parabéns pelo trabalho sensacional e especialmente eu gostaria de falar da parte em que vocês fizeram a comparação de ser a nova babá e trouxeram eh aquelas respostas ao questionário. E eu tive contato com Algumas pesquisas que demonstravam que, especificamente, mães de baixa renda e mães de crianças com alguns tipos específicos de neurodivergências utilizavam mais ainda as telas como forma de eh não é se livrar do do cargo, mas de conseguir eh tomar um banho, fazer alguma coisa. E eu gostaria de saber o posicionamento de vocês, principalmente como uma banca multisetorial, se há essa preocupação e
como lidar com essa vulnerabilidade Agravada desse setor dentro desse contexto. Eh, agradeço pelas falas todas pertinentes. Estou de acordo com cada uma delas. Eh, mas queria perguntar para vocês como a gente enfrenta um desafio que a gente vê hoje, que é essa proposta posta aqui, né, de que as crianças tenham esse uso eh mediado e controlado na primeira infância, mas quando a gente olha pra segunda infância, paraas recentes, eh Que hoje eh passa, plataformização do ensino Paraná, eh, em São Paulo, em outros os estados, eh, e que é um ensino que permeia todas as matérias
e com uso excessivo de telas num modelo gamificado. Então, a minha questão é, não há um descompasso entre o que tá sendo proposto, inclusive pelo governo federal e aquilo que a gente vê enquanto política estadual, eh, eh, eh, da inserção de um ensino nesse estilo gamificado, né? eh, e que inclusive Trabalha e opera com coleta de dados, porque as plataformas, as editec coletam dados para monetização e propaganda direcionada. Então, como que a gente faz esse enfrentamento de políticas eh contraditórias e divergentes? Obrigada, pessoal. Que audiência qualificadíssima, né? duas perguntas excelentes. E aí eu já vou
passar a oportunar a todos os panelistas eh já aproveitarem para responder e fazer suas considerações finais, tá? Em 2 3 minutinhos no máximo. Depois eu passo pro Winston para poder fechar. Então um minutinho, 1 minuto e 30, tá? Para cada panelista responder essas duas perguntas super fáceis e fazer suas considerações finais. Acho que a gente pode começar pela Diana. Eh, muito obrigada pelas perguntas, né? Sobre a questão da babá, isso assim na literatura tá super bem marcado, né? Como as famílias usam isso para distrair as crianças. E a gente sempre questiona Um, o Inic é
um grande pesquisador, né? Foi um grande h eh psicanalista infantil e ele sempre dizia que a base da criatividade tá na nossa capacidade de estar só, né? Então a gente precisa desse tempo, desse óssio, para poder criar alguma coisa, né? E aí as famílias às vezes têm dificuldade, né, nesse momento de deixar a criança ali sozinha, né, e a gente acha às vezes que a criança perdeu essa capacidade de brincar, de criar, né? Então eu acho que Isso é uma questão que a gente precisa devolver muito pras famílias, né? Ela não precisa ter uma babá
eletrônica, embora a gente saiba que quanto menos apoio a família tem, né? E a gente tem viva cultura muito individualista também, né? a necessidade de um, as famílias têm muita dificuldade de ter uma rede de apoio. E em relação às plataformas de ensino, eu vou dizer que eu em casa fui vencida também. Acaba, a minha filha tem celular para ter WhatsApp para poder fazer os trabalhos com as colegas online, né? Eh, e não é o que eu gostaria, mas enfim, né? eu precisava ter o meu celular para trabalhar. Então, eu acho que às vezes a
gente subestima, a gente não tem ainda eh estudos que nos mostrem o quanto a gente pode usar de internet dessas plataformas e o quanto isso é pedagógico e benéfico eh pra gente formar cidadãos com boa autonomia digital hoje na educação, né? Então eu acho que isso é Uma área que merece mais investimento assim, né? Tem muita plataforma, tem muita, muita coisa nas escolas que é feita online, que não sei se precisaria e acho que é estimulado que se pesquise, mas eu acho que ela não tá acompanhada da educação digital. Lá em casa toda hora a
pergunta é: "Mãe, esse site é seguro? Mãe, eu posso procurar aqui?" E eu vejo que as escolas estão falhando muito em fazer essa parte da educação também, né? né? Então é, tem que Procurar na internet o conteúdo, mas não ensina exatamente como. Então a gente também tem que investir nessa área mais ainda. Eh, bom, nem pensar e responder essas perguntas nesse tempo, mas eh sobre as famílias mais pobres, elas são uma prioridade do nosso ponto de vista da SECOM, quanto a comunicar sobre o que tá acontecendo para que a gente reflita junto, né? Estamos trabalhando
junto com o Ministério do Desenvolvimento Social, Que cuida do Bolsa Família e do Cadastro Único do para Programas sociais, né, do governo. 90 milhões de pessoas estão dentro desse cadastro. Então, a gente tá trabalhando preferencial, prioritariamente com a com as equipes do MDS para conversar com essa turma mais pobre, pensando que as classes mais abastadas, mais ricas, estão mais municiadas para se proteger. É, quanto ao universo da educação, bom, estamos trabalhando com o MEC, com a Secretaria de Educação Básica, inclusive num formato caravana, eh fazendo nas capitais do Brasil relançamentos desse guia junto com as
diretrizes do Conselho Nacional de Educação eh para Educação Digital e Mediática. Eh, os sistemas de ensino no Brasil são muitos, né? O governo federal tem apenas um papel entre esses vários eh atores. As diretrizes do CNE que vieram em função da restrição do uso de celulares nas escolas. Não é um texto Longo, não é um texto complicado. Sugiro paraas pessoas interessadas que abram esse texto e vejam, porque ele tá muito legal, né? Inclusive a secretária nacional da criança do Adolescente, a senhora Pilar Lacerda. Inclusive tava a Júlia Bad aqui, que era da Secretaria Nacional da
Criança do Adolescente, acho que agora ela saiu. Eh, ela tava no CNE, nem sei se ela tá ainda, como uma das responsáveis por esse texto eh que foi emitido, que ele fala inclusive do papel Das escolas no diálogo com as famílias eh para para enfrentar essa questão da proteção das crianças no ambiente digital. Eh, então, por favor, atenção nos seus respectivos estados que a gente passar por lá. Estamos começando semana que vem no Rio de Janeiro essa caravana e depois já tá marcado Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte. Eh, e por fim, a gente junto
com, a Júlia voltou aí o assunto ela ali, ó, Eh, da Secretaria Nacional da CR Adolescente, junto com o pessoal do Ministério dos Direitos Humanos e com o Ministério da Justiça, a gente deve lançar eh agora no comecinho de junho o comitê eh intersetorial da Política Nacional de Proteção às Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital. Então, eh, a gente tá construindo agora de forma conjunta essas soluções. Eh, para me despedir, só queria dizer que é um grande privilégio do Brasil também ter o CETIC, né, ter o Instituto Alana. Eh, a gente faz o diálogo internacional,
a galera vem e fala assim: "Caramba, que que é esse Instituto Alana que vocês t aqui? Que que é isso? Você ti que n Sonia ali estou eh eh participa, né? Tem um as construções. A gente tem muita a gente sofre, né? Com a nossa civilizaçãozinha aqui, mas algumas das nossas construções são geniais. Então muito legal essa mesa. Não é por acaso que a primeira Mesa da primeira infância, é porque os senhores as senhoras estão envolvidos nisso. Parabéns, Andressa, por favor. Vou falar mais uma vez, óbvio, do ponto de vista de uma mãe que acolhe
outras mães. O ideal não vai deixar de ser ideal porque a gente não consegue alcançar. E entre o ideal e o real tem, né, e o possível tem uma lacuna. Eh, respondendo a primeira pergunta, a gente vai trabalhar com as ferramentas que tem. É isso. Sobre a Segunda pergunta, eu vou esperar meus filhos chegarem nessa fase para pensar sobre, porque por enquanto eu tô sofrendo pelos problemas atuais e ainda não consegui parar para pensar nisso que tá por vir. Então vou me ater a a esse momento. Com certeza, Andressa. Acho que foi sábia agora na
sua colocação, porque enfim são muitos desafios, como a gente colocou aqui, e a gente vai por partes, vai pouquinho a pouquinho, mas Aproveitar o gancho só sobre a pergunta de Editex, eh, só para vocês acompanharem, acompanharem o trabalho do Instituto Alan, que a gente também tá desenvolvendo algumas discussões sobrec, como lidar com isso, né? A própria Autoridade de Proteção de Dados também tá investigando algumas EDTECs. Então assim, é algo que tá no nosso radar e é algo que eh muito obrigada pela pergunta, porque a gente precisa falar cada vez mais disso, inclusive sobre Essa coleta
de dados e uso para fins comerciais, né, que uma das coisas que o aluna defende demais é a vedação, exploração comercial. Então, muito obrigada pela pergunta de novo. Passo para Winston para poder fazer os comentários finais. Gente, eu eu adorei ouvir todos e todas aqui e queria mandar um abraço lá pro João. Foi uma pena que a gente não poôde se encontrar presencialmente, mas espero que a gente tenha novas oportunidades no futuro. Eh, Eu queria reforçar então eh o que o esse painel ele buscou deixar uma contribuição concreta pra audiência, então a gente deixou naquele
link do QRcode que já esteve aí. Eh, se vocês acessarem, vocês vão ver a tanto o material da SECOM, as cartilhas que a professora Jeana trouxe, eh também a publicação do CETIC de estatística de 0 a 8 anos, eh também o estudo do Alana. Então, todos os materiais que foram citados aqui estão disponíveis ah no Link e a gente espera que esse tenha sido um painel que comece a discussão. A gente nem de longe pretendia esgotar um tema como esse, né? Eu acho que o a nossa intenção aqui foi abrir essa conversa, abrir esse debate.
Diga que perfeito. E só paraa gente fazer o nosso fechamento completo, só eh o ventários finais do João aqui para poder eh a gente ter a perspectiva dele enquanto adolescente para poder fazer o nosso fechamento. Acho que nada melhor do que A gente eh finalizar o nosso painel ouvindo ele e deixando aqui o que ele falar, refletindo um pouco na nossa mente, reverberando um pouco. Então, João, é com você. Bom, eu não tenho muitas palavras técnicas, né, ou muitos estudos, como nossos painelistas que estão aqui, né, mas eu preparei um pequeno destino que eu vim
escrevendo durante o dia, né, e pensando no que eu poderia concluir, né, com esse tema tão importante, né, mas o Que o que a gente quer, né, se queremos uma rede realmente segura para crianças e adolescentes, eu acho que a gente precisa entender que o cuidado também é uma tecnologia, né, e que ouvir e proteger e apoiar a juventude infâncias eh é uma urgência não só para o futuro, mas para o agora. Muito obrigado. [Aplausos] Eh, e eu não queria ter que falar depois do João, mas eu não podia deixar de Reagir uma coisa que
o Denis falou. Obrigado, João. Eh, eu, mas eu não podia deixar de falar o seguinte. Eh, eu a gente tá num evento que comemora 30 anos do CGI. Há 15 dias atrás o CTIC comemorou seus 20 anos. Eh, e aqui foram levantados muitas coisas, muitos temas que vão vão exigir novas mensurações, novas demandas de dados, né? E eu queria assim enfatizar e ressaltar e como disse o Denis, o privilégio que é poder o Brasil contar com um trabalho como esse, Que é um compromisso do CGI e que, na minha visão aqui eu falo como pessoa
física, eu acho, eh, isso é fruto de um modelo de governança que e o trabalho do CETIC, as estatísticas produzidas pelo NIC por meio do CETIC são um atestado muito grande da do do sucesso que é o nosso modelo de governança multisetorial, eh, que permite ampla participação da sociedade. Eh, e esse é tem sido um compromisso do CGI muito forte com a produção de dados desde da Criação do CET, 20 anos atrás. Então, eu não podia deixar de destacar isso, né, nesse momento. E com isso e eu queria agradecer Andressa, João, Denis, Jana, Júlia, eh,
e a gente espero encontrá-los e encontrá-las aí nos próximos dias do evento para continuar a conversa. [Aplausos] Valeu, muito obrigada, gente. Obrigada. Fotinha. Vamos.