Olá, [música] pessoal. Sejam bem-vindos à unidade 5. Nessa unidade convidei a professora Lívia Carolina Vieira do campus Poços de Caldas para falar sobre inteligência artificial.
Tenho certeza de que vocês vão gostar muito da aula. Olá, pessoal. Eu sou a professora Lívia Carolina Vieira.
Eu sou professora aqui no campus Poços de Caldas. Eu tô muito feliz de estar com vocês aqui na unidade cinco, na disciplina de educação e ambientes digitais, a convite da professora Cristiane. Eu não quero me alongar muito me apresentando, mas eu tô aqui hoje para conversar um pouco com vocês sobre inteligência artificial na educação e as implicações tanto pro ensino e aprendizagem quanto paraa meditação pedagógica.
Porque após meus estudos no doutorado, meu doutorado na área da educação, eu fiz a Universidade Federal de São Carlos. Atualmente eu desenvolvo os estudos após o doutorado na Universidade de São Paulo, na USP, estudando justamente as ligações, né, as relações entre a inteligência artificial e a educação. Então, por isso que eu tô aqui pra gente discutir um pouco esse tema.
É um tema muito amplo, né? Então, é importante vocês compreenderem que essa nossa aula introdutória é para que vocês tenham uma noção, aprender a usar ferramentas, aplicativos, plataformas, dispositivos e recursos. Vocês vão ter uma gama de vídeos, de facilidades, de tutoriais para vocês poderem utilizar, mas e saber o que é inteligência artificial e saber qual usar e quando usar e por usar ou não usar.
Então é isso que a gente vai tentar pensar um pouco aqui hoje. Para começar, a gente tem que diferenciar inteligência artificial de inteligência artificial generativa. Essa diferenciação, ela faz toda a diferença quando a gente vai pensar nos processos de ensino e aprendizagem, quando a gente vai pensar na mediação pedagógica, no papel formativo que o professor tem nesse processo.
Então, a inteligência artificial, ela já vem sendo utilizada na educação há muito tempo, tá? Ela vem sendo utilizado não só na educação, como nos sistemas de recomendação do nosso dia a dia. Daqui a pouco a gente vai aprofundar um pouco mais.
Nos assistentes virtuais, muitos de vocês utilizam, né, Alexa, eh, nos diagnósticos médicos e na educação, até mesmo na educação à distância, no ensino de línguas, nas plataformas. Então, a gente tem uma série de recursos de inteligência artificial que já são bem antigos, né? na inteligência artificial.
Ela recebeu esse nome na década de 1950 e foi se popularizando em 1960. E esses recursos eles são utilizados também nos sistemas de gestão escolares, então eles já estão presentes há um bom tempo na educação. O que mudou?
O que mudou é que de 2000 de 2022 para cá, com a chegada do Chat GPT no Brasil, a gente teve uma popularização das inteligências artificiais generativas. O que que são as inteligências artificiais generativas? Aquelas que geram conteúdos.
Então, que geram textos, geram imagens, geram música, geram vídeos, códigos. Então elas não apenas processam os dados, organizam fazem a recomendação, elas acabam produzindo algo, entre aspas, novo a partir desses dados, porque elas usam esses modelos generativos, né, como os larg language models. E eles vão usar esses sistemas para fazer essa geração de conteúdo que vai ter implicação direta no cenário educacional, porque nós estamos discutindo aqui a utilização.
Então, a gente já tá vendo que não é mais só uma ferramenta, que não é apenas uma plataforma, um sistema, que essa inteligência artificial que agora está acoplada e de fácil acesso, ela vai ser capaz de responder perguntas, de responder avaliações, de desenvolver atividades. Então, a gente tem que pensar a partir daí na questão tanto da criatividade, da imaginação e do de tudo que implica um processo de ensino, aprendizagem, da questão afetiva. Então, são muitas implicações eh para além do que a gente já tinha com a inteligência artificial que nós vamos ter aprofundadas com a inteligência artificial generativa.
E aí a IA, então, relembrando, né, a gente já encontra em várias vários processos da nossa vida. Então, nas redes sociais que a gente utiliza, nas plataformas que a gente acessa, no nosso WhatsApp tem uma IA acoplada, né, o TikTok, as suas recomendações, até nas nossas atividades físicas, quem registra, quem usa os relógios que contabilizam as horas de sono. Então, a gente tem uma série de á, de recomendações, né, que trabalham com essas lógicas de algoritmos e que vão trazer pra gente cada vez mais tempo dentro dessas plataformas, visando maior consumo, um tempo maior dispendido para utilizar todas essas plataformas que utilizam o IA.
Então, nesses exemplos, eu acho que vocês hoje já devem ter uma ideia que a IA estava sendo utilizada, mas a IA ela também, como a gente começou agora a diferenciar, ela também está sendo utilizada na educação e não mais só a IA, mas também a IA generativa. Mas eu trouxe alguns aqui, porque a gente tá falando dessa utilização no sentido de pensar no design. Se a gente fala de plataformas de educação utilizando IA, a gente tá falando que os designs, o formato, como o conteúdo vai ser organizado, tudo isso vai ser determinado pelo modelo da plataforma escolhida.
A gente tá falando de recomendações de livro, então nós temos plataformas de leitura em que o aluno ele vai ler o livro e a algumas páginas depois da leitura aparece para ele num pop-up uma série de perguntas sobre aquela leitura. Caso ele erre, o aplicativo retorna algumas páginas para que ele leia de novo e responda novamente. Então nós temos o ritmo de leitura, a forma de leitura, as recomendações sendo determinadas ou pelo menos sendo interferidas, né, sendo influenciadas por recursos e plataformas de aos exercícios personalizados.
Uma característica que a IA possibilita é a personalização desses exercícios. Mas a gente vai tentar pensar um pouquinho no que que isso pode implicar na correção de textos, de redações, na melhoria de textos acadêmicos, de atividades, né? a gente já tem hoje, pensando na educação básica, a gente já tem aplicativos de correção de redação que corrigem e pontuam conforme uma determinada avaliação.
Então, pegando como base, por exemplo, o exame do ensino médio, o Enem, eles vão e vão fazer esse tipo de correção e dar devolutiva pro aluno, sem nenhuma a ação do professor. Também aprendizagem de idiomas é muito utilizado, né, seja para treinar a fala, então vão capturar a imagem, a pessoa vai aparecer, vai gravar a sua voz, vai falar no idioma, vão vão ser corrigidas as informações apresentadas e também na gestão escolar. Então, para tratar uma série de informações.
Então, eu posso tratar informações que vão me ajudar a identificar eh as dificuldades daquele aluno, mas que também podem me ajudar a identificar de qual região ele mora, se ele teria mais propensão a continuar no curso ou a sair, se eu tô falando de uma escola paga, como que seria a gestão acadêmica, mas também como seria a gestão financeira deste aluno e da sua família. Então, as IAS, elas estão em muitos lugares já presentes e já sendo utilizada e às vezes a gente não tem uma real noção do que que isso pode implicar. Então, a inteligência artificial junto da inteligência artificial generativa gera uma série de questões como não vou entrar a fundo pelo nosso tempo, mas no impacto social.
Então, a gente tem os cenários dos empregos, os cenários dos direitos autorais, a gente tem o cenário agora sendo colocado das questões ambientais, né? Porque tudo isso eh demanda recursos naturais, terra, terras raras, o consumo de água e tudo que isso implica para que nós tenhamos dados. A Iá trabalha com dados, os dados estão armazenados e eles não estão armazenados numa nuvem, né, inacessível e não visível.
Eles estão armazenados em data centers, que são locais físicos, que precisam de resfriamento, que ocupam um espaço físico e que para isso demandam recursos eh naturais, finitos que nós temos. E nos impactos educacionais e nos desafios que são apresentados paraas escolas, a gente vai ter um elemento chave quando a gente pensa na inteligência artificial generativa, porque ela coloca um ponto de interrogação sobre todo o currículo e toda a forma de ensinar que a gente vinha sendo que a gente vinha utilizando até agora. E aí pra gente pensar um pouquinho nisso, a gente ainda tem um cenário em que a inteligência artificial como um todo não está regulada no Brasil.
E a gente tem um cenário de documentos, como por exemplo, a Base Nacional Comum Curricular, que é um elemento base e chave. A gente tem apenas um adendo, que é a Base Nacional Comum Curricular da Computação, que foi inserida na BNCC em 2022 e que deve ser implementada em 2026 nas escolas no Brasil. A gente tem as diretrizes curriculares nacionais da educação básica que não tratam de inteligência artificial em específico.
A Base Nacional Comum Curricular, apesar de trazer a o anexo de computação, não trata das especificidades que vieram com a IA generativa e com as implicações que isso tem no processo de ensino e aprendizagem. A nossa LDB também não atualizou esse tema ainda. O que a gente tem hoje são currículos de formação de professores, né, que tratam de tecnologias de uma forma genérica, que ainda t dificuldades de pensar criticamente a tecnologia e implementar isso nas escolas.
E nós temos os cursos, né, como aqui agora, uma iniciativa pioneira, nova e muito legal de trazer esse tema para dentro de uma disciplina, mas isso ainda é muito novo e a gente não tem um referencial ou uma diretriz das licenciaturas que direcionem a necessidade desse tipo de debate. A IA ela é diferente de todas as tecnologias até o momento. Com a IA generativa e as implicações disso não é apenas um sistema ou uma ferramenta, são recursos que impactam em toda a mediação pedagógica e na construção dessa mediação.
Então, né, o currículo e a formação de professores está passando por um processo em que nós temos que pensar nesse currículo em que vai ser construído nas escolas. O que nós temos no momento no Brasil é a iniciativa no Piauí, que foi desenvolvida pelo grupo de pesquisa liderado pela professora Rosa Vicari. E esse grupo de pesquisa pensou numa metodologia de formação para os professores, mas o que a gente tem hoje nesse currículo em Ainda é algo muito fragmentado, né?
Eu coloquei alguns elementos ali, eh, que não vai dar tempo da gente aprofundar, mas pra gente ter uma ideia, a gente vai ter que pensar a IA para além de aprender a usar uma plataforma, um recurso, para além de usar essa ferramenta, nós vamos ter que pensar nas implicações nessa formação para a escola, no processo de escola, enquanto formador, de uma construção de algo que não é neutro e que envolve questões políticas, porque nós vamos ver daqui a pouco essas plataformas a quem estão ligadas e que envolve questões de tecnologias que são necessárias ao aprendizado hoje no século XX, não só dos estudantes, mas também dos professores para que a gente possa promover a transformação no currículo len na educação básica no Brasil. E aí, para pensar nisso, a gente pode ter dados. E para analisar esses dados, a gente tem um dado de 2024, em que 54% dos docentes, né, na formação continuada, estão voltadas mais para tecnologias digitais como um todo, né?
A gente tem que entender que essa formação, ela vem acontecendo muitas vezes pelas próprias empresas que fornecem esses recursos, que vendem esses recursos pra escola. Então, como por exemplo, o Google for Education vai ser adotado por uma determinada Secretaria de Estado. Então, esse recurso, quem vai fazer a formação é a própria empresa do Google.
Então, a gente tem que entender que essa formação desta forma ela pode implicar uma série de problemas. Primeiro porque a visão da empresa não é a visão da educação, nem mesmo seu objetivo. Em segundo lugar, porque a IA ela não é neutra de forma nenhuma.
O que que eu quero dizer com isso? Nós temos muitas relações de poder. Nós temos poucas e grandes empresas que são chamadas de bigtechs, que são as grandes empresas de tecnologias que vão determinar todo o mercado.
Então, se elas determinam o mercado de recursos que vão ser utilizados pela educação, eu tô falando que elas vão eh elas vão demandar e vão delimitar qual será o design, como serão os usos, com quem ficarão os dados, onde esses dados serão armazenados. Então, essas relações políticas, elas elas estão diretamente ligadas a à escolha de se utilizar uma IA. A IA, ela também tem vieses.
Então, quando a gente produz determinada imagem, se eu peço para ele gerar uma imagem, essa imagem vem a partir de um conjunto de dados com o qual aquele modelo foi treinado. Esse conjunto de dados, falando de uma linguagem muito simples aqui agora, ele é restrito e ele reproduz as os preconceitos, né, e os problemas que a nossa sociedade tem. Então ele vai reproduzir um certo formato de família, um certo padrão de beleza.
Tô dando um exemplo muito simples aqui pra gente entender. E os professores são aqueles que devem estar no centro do processo de construção da própria formação, entendendo essa questão de onde vem a tecnologia, quem desenvolve essa tecnologia e quais são as implicações, porque os professores vão mediar os saberes, os estudantes, a tecnologia e a sociedade do tempo presente. E aí quando a gente pensa na inserção da IA nas diretrizes curriculares e nos currículos, a gente ainda tá muito distante de fazer algo que seja de fato significativo, que não seja uma formação para usar um determinado, uma determinada ferramenta, uma determinada plataforma, mas que de fato conecte a IA, que tem uma série de potencialidades, né, que tem uma série de benefícios que pode trazer de avanços pros estudantes.
antes ir paraas escolas, mas que conecte a SA com os saberes locais, com as culturas locais, com a própria linguagem local. E aí quando a gente pensa nessa questão, a gente vai ter então uma série de desafios para que a gente possa utilizar bem a IA. Eu deixei para vocês um trecho pra gente ler essa semana desse livro que tá disponível aqui no Qcode, mas também eu vou deixar o link para vocês na nossa semana em que o grupo de pesquisadores que a gente desenvolveu estudos voltados para inteligência artificial e educação no Brasil pensou quais seriam esses desafios que é importante a gente compreender antes de utilizar qualquer plataforma no processo de ensino e aprendizagem.
Então, só pra gente resumir, né, eu não vou entrar em todos, mas eu vou falar de alguns algumas implicações. A gente tem, por exemplo, o uso da IA podendo acirrar as exclusões. A gente sabe que escolas hoje ainda não têm boa conectividade, nem bons laboratórios.
E aí, como que fica a questão do uso da IA? Onde nós temos possibilidades de usar, onde nós temos a formação desses professores, onde os recursos são bons e limitados? o avanço pode ser muito maior.
Então, a gente pode acabar com a inserção e a adoção de plataformas intensificando a exclusão. Então, um primeiro passo a se pensar é não fazer uma IA que não tenha acesso à internet, né? uma IA desconectada, como alguns usam uma IA no papel, um pensamento lógico computacional é uma coisa e ele pode ser desenvolvido assim, mas a IA a gente parte do pressuposto que nós temos que garantir um bom acesso a essas tecnologias.
Um segundo desafio é a própria limitação das habilidades das competências, né, pelas tecnologias eh digitais. Então, se eu uso muito a IA, se o meu aluno ele usa IA num processo de criação, num processo inicial de um texto, uma primeira elaboração, se ele usa esse recurso, como é que ele vai aprender a desenvolver um texto? Como é que ele vai pensar num processo criativo de uma imagem?
se num primeiro momento ele já é, já utiliza Iá, então a gente já tem um movimento em alguns países, né, como por exemplo, vou dar exemplo a Dinamarca, que é um país pequeno e que faz muitas pesquisas e estudos que podem ser referências pra gente pensar não no contexto do Brasil, mas pra gente pensar no uso dessas tecnologias e então olhar para o Brasil, que é uma realidade completamente diferente, em que alguns recursos no ensino de matemática foram deixados ser usados em algumas eh algumas etapas desse ensino em que o ensino voltou a ter a escrita à mão pelo desenvolvimento que isso causa no cérebro. Então, a gente tem que saber quais são as as limitações, o que que implica o uso da IA, pra gente saber, inclusive falar esta tecnologia nós não vamos utilizar na escola. Essa tecnologia não é boa para agregar agregar no nosso material.
Então, para saber disso, a gente tem que conhecer e tem que estudar mais a fundo. No desafio três, eu considero um desafio muito grande e que tem sido utilizado de uma forma muito incipiente e de uma forma muito perigosa, que é o uso da inteligência artificial para desenvolver leituras de laudos e para desenvolver estratégias de aprendizagem. Muito cuidado com isso.
Quem trabalha, né, na educação especial sabe que quando a gente fala de uma necessidade educacional específica, ela é específica. Cada indivíduo tem uma história, tem uma trajetória, está numa determinada etapa e conta com recursos completamente diferentes. Então, o mesmo diagnóstico não vai, neste caso, gerar as mesmas estratégias e muito menos as mesmas atividades.
Então, isso tem que ser usado. E aí a gente discute nesse desafio algumas dessas implicações e alguns dos riscos que a gente tem a usar sem pensar sobre isso antes, só ir usando esses essas e as generativas para essa finalidade. A gente tem essa lacuna da formação que a gente já conversou.
A gente tem também um de subestimar. Então, por eu ter medo, por eu não conhecer, por eu não saber nada do assunto, não vou usar IA para nada. Vai ficar para trás, né?
tanto o professor quanto o estudante. É importante entender que não falar do tema não resolve o problema. Então, como é que isso vai ser utilizado, né?
Nós estamos falando da educação infantil, então nós estamos falando que esses alunos vão ter o mínimo possível de recursos tecnológicos em sala de aula. Quem vai ter acesso mais a esse recurso são os professores e esses professores vão ter que entender bem quais são os potenciais que ele pode tirar disso para poder usar isso no seu trabalho pedagógico. Também usar indiscriminadamente o uso da IAC tá relacionado a as competências, a desenvolvimento das competências.
pensar na privacidade, na segurança de dados, já vou mostrar para vocês aqui na vigilância e na plataformização de toda a educação que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos e também no quanto essa IA pode aprofundar a desinformação, sendo a partir de imagens, né, em que você coloca a voz da pessoa, mas não é a pessoa, nas imagens mesmo que você coloca o que a pessoa tá falando e ela não disse, nas deep fakes, né, né, que são as imagens que são geradas a partir de recursos de ar. Então, a ética ela não está aparecendo como um desafio, porque a ética ela é um desafio que perpassa todos e não só ela perpassa os desafios de usar e na inteligência artificial, na educação, né? É, a ética, ela é um desafio que perpassa todas as disciplinas, todos os conteúdos que a gente vai trabalhar, em todos os temas que a gente traz paraa sala de aula.
E aí eu peguei alguns aqui para vocês entenderem o contexto. E um deles que eu escolhi foi a questão da vigilância e da plataformização da educação nesse contexto da IA como um todo no Brasil. Então vocês já viram que a IA ela trabalha com dados, né?
Então a gente fornece uma série de informações o tempo em todo da nossa vida, informações pessoais, os nossos o nosso CPF, os nossos dados, a nossa imagem, né? o reconhecimento biométrico, seja do nosso dedo, seja reconhecimento facial, às vezes você vai entrar em um prédio para fazer uma consulta uma única vez e vai coletar a sua face, vai ficar com aquilo arquivado. Então a gente fornece uma série de informações no geral.
Na educação também para todos os sistemas, para tudo que a gente tem que entrar, a gente fornece uma série de informações, mas não são só essas informações que são coletadas pela IA e não são só esses dados que ela vai, só com esses dados que a gente fornece que ela vai trabalhar. A gente tem dados, gente, que são muito preciosos quando a gente pensa numa determinada região. Então, olha só, se o estado de Minas inteiro, de Minas Gerais inteiro, utiliza o Google for Education, eu consigo saber quantos alunos estão acessando, eu consigo saber quantas atividades eles entregaram, eu consigo entender a partir do clique o que que é mais clicado, né?
o que que é mais curtido, o que é mais acessado, o que não é acessado, quanto tempo a eles passam nessa plataforma, em qual horário do dia. Na gestão escolar a gente tem uma infinidade de dados que são coletados e que dizem muito, inclusive de valor de mercado sobre uma determinada região. Então, o tempo inteiro esses dados estão sendo coletados.
E tem pesquisadores que vão mostrar pra gente que esses dados eles são como novo petróleo. Então os dados eles têm valor, eles são monetizado, eles monetizam todas essas informações e isso vai gerar uma série de lucro. Eu vou explicar um pouquinho para vocês um exemplo aqui.
Então, olha só, a gente consegue montar, como por exemplo no estado do Paraná, que a gente já tem bons estudos sobre as plataformas utilizadas lá, a gente consegue formar um perfil de uso, um comportamento das pessoas, né, seja dos sujeitos escolar, estudantes, da comunidade escolar que acessa as plataformas, dos professores. a gente consegue prever comportamentos de consumo, a gente consegue ter todos esses rastros, saber a hora que a pessoa tá online ou não para mandar uma propaganda para ela. Então, os sujeitos eles estão sendo a todo tempo se eles estão se tornando a todo tempo mercadoria a partir dessas informações que eles fornecem.
Então, no Paraná ali a primeira foto, eh, uma professora tá tirando uma imagem, uma foto do seu celular, dos alunos. Isso é colocado num sistema para monitorar o engajamento a partir das emoções ao longo da aula. Então, a gente já tem acontecendo em escolas públicas que utilizam câmeras para filmar as aulas e para poder monitorar emoções de alunos.
A gente já tem predição de comportamento no Paraná, a utilização das plataformas, a gente foi estudar os contratos e tem a Carolina Israel, que fez um estudo mais aprofundado sobre o Paraná, mostrou que no acordo e nos contratos há cláusulas que são que é permitido saber que tipo de, né, que tipo de consumo aqueles estudantes teriam. Então, a partir daquilo, eles conseguem predizer o tênis que ele vai usar, mas também se tem possibilidade de engravidar ou não. E tudo isso direcionar eh vender isso como recurso para que as empresas possam direcionar algum tipo de propaganda.
a gente já tem o reconhecimento facial em que a face dos estudantes são coletados a todo tempo, lembrando que o reconhecimento facial são muitos pontos da nossa face e ele ainda é utilizado como uma das melhores formas de acesso a sistemas, mais seguras a sistemas, mas a gente já tem uma banalização da utilização do reconhecimento facial no Brasil. E vocês imaginam agora quantas escolas utilizando reconhecimento facial e coletando dados de crianças, de adolescentes? E como é que esses dados sensíveis estão sendo armazenados?
Como que isso tem sido cuidado? A partir do momento que a em que a educação utiliza a inteligência artificial? Tudo isso deve ser considerado porque não basta a Lei Geral de Proteção de Dados que nós temos, que é muito boa.
Mesmo assim a gente tem inúmeros incidentes e muitas coisas que acontecem que vão expor todas essas questões que são sensíveis paraos sujeitos. Então ali tem um caso que vocês vão lembrar do ano passado em que nós tivemos um vazamento de mais de 16 bilhões de senhas. Então a LGPD já não dá conta mais desse cenário.
Olha quão complexo é a educação adotar recursos de inteligência artificial. É preciso compreender todos esses processos. Então, já caminhando para as nossas reflexões finais desse primeiro debate, a IA ela é muito boa, né?
Então, ela pode sim ter muito potencial para poder ajudar estudantes no aprendizado de línguas, no aprendizado, né, de matemática, de cálculos, na própria escrita e nesse processo de apoio. Mas é importante que o professor saiba quando ele vai usar um recurso, o que que ele vai coletar para que ele pense de fato o professor, a escola e a comunidade. Quando a gente fala que algo é gratuito, será que é de fato gratuito?
Cuidado, não tá coletando imagens dos alunos, não tá coletando informações a esses alunos, não tá colocando dados desses alunos para garantir essa gratuidade. Outro ponto, a gente teve muitos recursos que eram gratuitos na pandemia, fez com que as pessoas criassem uma dependência tecnológica. Eles são gratuitos e são até quando?
Hoje a gente já sabe que grandes empresas de tecnologia lucram mais com dados do que com os próprios serviços que são vendidos. E o que que acontece quando acaba o contrato? Onde estão esses dados, essas informações, essas imagens dos estudantes, os professores que precisaram tirar fotos do seu celular e postar numa plataforma Google?
Quem se responsabiliza por isso? Quais dados que a instituição educacional vai fornecer? Onde esses dados vão ser armazenados?
Como eles vão estar protegidos? Eh, vai fazer sentido, essa é uma pergunta chave paraa nossa aula. vai fazer sentido para a minha proposta pedagógica.
Então, primeiramente, primeiro passo é saber dessas implicações, saber que essas IA são produzidas. E um segundo passo é: "Eu não vou pegar uma IA, eu não vou utilizar uma IA e vou colocar na minha aula porque a IA é muito boa e eu vou trazer pra minha aula". Não, eu vou pensar na minha aula, no meu planejamento, na minha proposta pedagógica, no meu objetivo com os alunos.
Eu vou identificar uma etapa e nessa etapa eu vou identificar se seria possível introduzir uma tecnologia, qual tecnologia, por eu vou introduzir essa tecnologia e quais benefícios essa tecnologia vai trazer pro processo de ensino e aprendizagem. A gente ainda tem poucas pesquisas que analisam de fato o impacto no ensino e aprendizagem. a gente ainda precisa desenvolver muitos estudos nessa área.
A gente tem que pensar ainda, né, no contexto brasileiro, qual que é o impacto que isso traz pro trabalho docente, aonde fica a autonomia do docente nesse processo, mas também aonde fica a responsabilização que o docente tem quando ele cria um conteúdo ou ele faz um determinado conteúdo em que a IA fez tudo. Se a IA fez o meu plano de aula, se a IA montou a minha atividade, qual o sentido do meu trabalho docente? Veja, eu quero falar para vocês que cada utilização de inteligência artificial é um processo de utilização.
Cada utilização, desculpa, gente, veja, eu quero falar para vocês que a cada momento que a gente utiliza e há é uma oportunidade da gente fazer uma formação com os nossos estudantes e com a nossa comunidade escolar. Então, para pensar essa relevância pedagógica da IA, nós vamos ter que pensar e buscar saídas brasileiras, né? Então, a gente tem a Maritacá, a gente tem já plataformas generativas estão sendo desenvolvidas a partir da nossa língua, da nossa cultura.
A gente tem algumas experiências que foram feitas a partir de de comunidades quilombolas, a partir de de realidades indígenas. Então, a gente tá construindo, temos que pensar em saídas brasileiras, saídas nossas, temos que pensar na nossa soberania digital. Então, esses data center ou esses data centers hoje não estão no Brasil, eles estão em sua maioria nos Estados Unidos.
E aí, como é que fica a nossa soberania? Quem cuida dos dados da educação brasileira? Como nós vamos ter acesso a isso?
Como nós vamos poder ter autonomia nos nossos processos pedagógicos, no nosso currículo nacional, se nós não construirmos esse caminho? A formação de professores é elemento chave. Ela está no plano brasileiro de inteligência artificial, que vai ser desenvolvida até 2028, mas ela é um elemento central desse processo.
Nós estamos falando de professores que não foram formados e que não tiveram oportunidades de reflexão como as que vocês estão tendo aqui hoje. Então nós vamos ter que pensar num processo não só para quem está se formando, como para quem já se formou. garantir infraestrutura para as escolas, pros estudantes, pros professores e as dificuldades que isso representa no Brasil.
Claro, não ficar estagnado, pensar, então não vamos fazer nada enquanto a gente não garantir a infraestrutura. Não é esse o caminho, porque o Brasil é muito diverso, mas é pensar assim que nós vamos ter que ter que ter que ter estratégias diferentes paraas regiões diferentes e que isso implica em não se adotar modelos de bigtechs, modelos fechados de plataformas educacionais que vão trazer uma realidade que não é a do Brasil e que não pode ser replicada na maioria do nosso país. Então, essas possibilidades de escolha que a gente tem que criar, que a gente tá criando algumas experiências, mas que precisamos demais, é justamente para trazer essa menor dependências dessas empresas que nós temos.
Então eu espero que vocês tenham tido uma primeira ideia do quanto que a IA é mais complexa do que sentar e aprender a fazer uns slides com um recurso de inteligência artificial. É fácil, vocês acreditem, acredit em mim. A IA, ela traz muita intuição para quem vai usar.
as suas seus recursos. Então, é muito fácil você aprender a fazer slides com IA e isso pode ficar alguns materiais extras para vocês, mas é muito complexo a gente trazer essa formação de tudo que está por trás desse cenário. Se eu compreendo, eu uso criticamente, eu uso consciente, eu escolho os recursos, as plataformas e como utilizar aquilo que também vem pronto, porque as coisas também vem pronto e a gente não sabe nem muito argumentar.
Para isso, a gente tem que conhecer todas essas implicações da IA. Um abraço e bons estudos.