Olá como vai Quero iniciar esta aula lendo junto com você os dois primeiros parágrafos da crônica unidunit do escritor Gaúcho Rubens P nunca me dei bem com números primeiro apanhei nas aulas de matemática durante toda a vida escolar agora sofro para decorar telefones senhas datas e principalmente apartamentos batata chego diante de um prédio sei que é ali o endereço em que devo ir mas não decoro o bendito número do apartamento quando há porteiros o problema pode ser sanado com uma pequena dose de constrangimento Digo o nome do morador confesso que esqueci o apartamento dele recebo
um pouco de boa vontade e consigo ser anunciado pior é quando fico diante daquele painel de botões todos com os mesmos números 101 102 103 etc na base da sorte lembro andar também parto para deduções É nos fundos e por são os primeiros números contemplam os apartamentos de frente logo é 505 506 507 ou 508 unidunit pelo jeitão do texto Você já percebeu que se trata de uma crônica não é olha só tem todos os elementos da crônica trata de um tema contemporâneo característico da vida social Lemos só os dois primeiros parágrafos mas posso garantir
a você o texto inteiro é composto por seis parágrafos então é um texto breve simples de interlocução Direta com o leitor é um texto escrito que traz marcas bem típicas da oralidade Olha só nunca me dei bem apanhei nas aulas de matemática batata não decoro o bendito número e isso só no primeiro parágrafo hein Outro fator que confirma que estamos diante de uma crônica é que a narrativa não apresenta uma Trama assim muito bem definida não existe um grande conflito fora o fato de o narrador não se dar bem com números e não se lembrar
dos números dos apartamentos não sabemos mais nada sobre ele temos só esse recorte de sua personalidade a crônica é um gênero literário que trata dos assuntos cotidianos simples assim aqueles assuntos que normalmente não chamam a atenção são acontecimentos insignificantes cenas corriqueiras um fato banal ora o narrador da crônica unid unit tem dificuldade com números ok isso não dá manchete de jornal Isso não é notícia mas como ele muitos têm dificuldades com números a crônica trata dos temas que estão ligados à pessoas as as suas angústias as suas alegrias se eu também tenho problemas com números
entendo os perrengues porque o narrador de unidunit passa se não tenho problemas com números entendo do mesmo jeito porque tenho problemas com nomes ou com fisionomias ou Porque eu conheço alguém que t também tem problema com números Fernando Sabino foi um grande escritor e cronista brasileiro ele costumava dizer que a crônica busca o pitoresco ou o irrisório no cotidiano de cada um essa proximidade do cotidiano do corriqueiro do banal faz com que a crônica seja considerada por alguns críticos um gênero menor de literatura mesmo assim nomes como Clarice Lispector Nelson Rodrigues Cecília Meirelles Ruben Braga
ou o próprio Machado de Assis escreveram crônicas gênero menor nesse caso parece não combinar muito bem mas vamos voltar ao nosso tema o exemplo que Lemos juntos é o de uma crônica jornalística Por que jornalística porque relata um fato o narrador Tem dificuldades de se lembrar de números e quando não tem um porteiro para ajudar na tarefa se vale Da Lógica para tentar descobrir que apartamento precisa visitar há uma sucessão temporal de informações que vão elucidando O Mistério da narrativa na mente do leitor de modo a promover uma reflexão só que a crônica até pelo
seu caráter discursivo livre sem grandes regras cujo principal objetivo é se aproximar do dia a dia do leitor pode assumir outros formatos vale nesse caso a criatividade quando a crônica ultrapassa a narrativa dos fatos para se usar sobre o sentimento as emoções as questões fundamentais da existência humana ela assume uma outra forma de expressão continua sendo crônica mas agora com uma linguagem poética metafórica ainda tem uma característica de oralidade presente ainda é breve e simples ainda conversa diretamente com o leitor mas de um jeito diferente veja este trecho da crônica o amor acaba de outro
grande cronista brasileiro Paulo Mendes Campos o amor acaba numa esquina por exemplo num domingo de Lua Nova depois de teatro e silêncio acabem cafés engordurados diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar de repente ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto polvilhando de cinzas o Escarlate das Unhas na acidez da Aurora Tropical Depois de uma noite votada a alegria póstuma que não veio e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema como tentáculos saciados e elas se movimentam no escuro como dois
polvos de solidão como se as mãos soubessem Antes Que o Amor tinha acabado na insônia dos braços Luminosos do relógio e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg entre frisos de alumínio e espelhos monótonos e no olhar do Cavaleiro Errante que passou pela pensão às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus filho crucificado de todas as mulheres mecanicamente no elevador como se lhe faltasse energia no andar diferente da irmã dentro de casa o Amor Pode Acabar na epifania da pretensão ridícula dos bigodes nas ligas nas cintas nos brincos e nas silabadas
femininas quando a alma se habitua à províncias empoeiradas da Ásia Onde o Amor Pode ser outra coisa o Amor Pode Acabar e a crônica segue enumerando outras situações em que O Desamor toma conta da relação e as pessoas deixam de se importar é um tema banal muitas pessoas deixam de se amar é um tema duído porque deixar de amar ou deixar de ser amado não é uma sensação muito agradável e é um tema contemporâneo mais que contemporâneo é eterno amor faz parte de nossas vidas e muitos de nós já amaram já desamar já foram amados
já foram desam ados também dá para notar a diferença dos textos não dá Ambos são crônicas Mas a forma de cada um é única Pois agora eu quero apresentar a você uma imagem veja só Regina parra é uma artista plástica Paulistana cujo trabalho ilustra as relações entre opressão e insubordinação em 2018 ela instalou esse luminoso no Largo da Batata uma grande praça onde acontecem importantes eventos cívicos na cidade de São Paulo veja só são quatro frases que mostram persistência luta desejo de de vencer é preciso continuar não posso continuar é preciso continuar vou continuar agora
imagine o Largo da Batata ocupado por um evento como a parada gay percebe a força de significados do trabalho da artista ela emoldura uma situação cotidiana a luta de todos nós todos os dias por um futuro melhor e moldurada por um movimento que busca a igualdade e o respeito nos leva a refletir sobre a importância de persistir eu vou continuar Pode parecer estranho mas essa obra é também uma crônica é uma crônica visual visual porque tem essa característica de contemporaneidade simplicidade fácil interlocução oralidade é breve e funciona como uma testemunha no caso uma testemunha gráfica
dos comportamentos costumes e hábitos de nossa sociedade Deu para entender a crônica é um gênero literário que trata dos assuntos do dia a dia de forma breve com uma linguagem simples muito próxima da fala a crônica jornalística tem como característica principal a narração de um fato apresenta um ponto de vista por meio de argumentos narrativos a crônica lírica discute os sentimentos as emoções usa os fatos para valorizar o pensamento os valores éticos e Morais as Sensações humanas a crônica visual por sua vez se Vale da adequação de uma imagem ao contexto social para levar o
espectador é uma reflexão crítica sobre o comportamento os hábitos e os costumes da sociedade a crônica é um gênero que permite muitas formas de expressão você viu ela não está restrita às páginas de um jornal pode ir para a praça pública como no trabalho da artista Regina parra pode fazer parte de blogs pode ilustrar a sua página na rede social escrever crônicas é um exercício de criatividade não existem regras o importante é transmitir a mensagem criar um vínculo com o leitor despertar nele uma alegria por exemplo fazê-lo pensar em alguma coisa de modo mais sério
emocioná-lo chamar a sua atenção Experimente escreva crônicas fale sobre o que vê o que sente o que aconteceu ontem à tarde faça isso de uma forma livre sem compromisso e leia muitas crônicas desfrute a leitura apenas pelo prazer de ler e a gente se vê por aí até mais