E aí e fala silêncio a todos nessa nossa segunda conversa vamos basicamente colocar o tabuleiro para entender como funciona a política criminal de drogas uma das nossas formas de observar as transformações do sistema penal ao longo do tempo é situá-la a partir dos ciclos econômicos ao longo dos ciclos de desenvolvimento crescimento do capitalismo crise e reinvenção do capitalismo é necessário pensar que todas as instituições acessórias do capitalismo também são reinventados e basicamente a história da modernidade deve ser entendida como a gradativa passagem do Estado de uma posição de comando da economia para uma posição de
subserviência para uma posição de suporte então basicamente o nascimento do capitalismo é o desenvolvimento ao longo dos séculos essa gradativa passagem no estado para uma posição de suporte para uma posição de apoio ao desenvolvimento econômico ao longo do século 20 isso já tá numa condição razoavelmente madura e a cada ciclo de crise do capitalismo nós temos uma reinvenção também do Estado então é como se o estado serviço como uma espécie de suporte ou uma espécie de apoio para o desenvolvimento econômico e do mesmo modo que a economia ela vai se desenvolvendo de forma cíclica entre
ciclo de crescimento crise reinvenção e o capitalismo ele é razoavelmente bom e se Reinventar em conseguir pegar as os seus elementos reinventá-lo sem necessariamente tocar nas contradições fundamentais o estado tá ali no meio de tudo isso como um espelho dessas mesmas relações capitalistas tão estado acaba funcionando como um suporte para a economia e o centro do Estado nós temos várias ramificações de atuação de existem vários braços do estado que suportam esse funcionamento ao longo da saída da segunda guerra mundial uma das características das economias centrais foi Reinventar o estado com papel primordial e manter o
consumo dos trabalhadores é um dos principais problemas que desencadeiam a crise de 20 dentre outros é a crescente relevância para o consumo da classe trabalhadora Ou seja quando você vai acelerando numa escala cada vez maior a produção você precisa realizar esse valor precisa realizar aquilo que é produzido vendendo e o consumo do Trabalhador se torna cada vez mais relevante Nesse contexto não compensa de exploração praticamente sem limite do o talento das legislações trabalhistas você tem problema profundo porque você consegue produzir numa escala acelerada consegue produzir mercadorias em muito valor nesse contexto Mas você acaba não
conseguindo realizar e isso gera o ciclo de crise que só consegue ser estabilizado a partir de um modelo keynesiano de Economia ou seja o estado precisa intervir na economia como uma espécie de manutenção da capacidade de consumo do Trabalhador E aí que vem políticas econômicas como de Previdência de ensino público saúde pública que trabalhador doente não produz então é necessário externalizar também esses cursos e o estado assumindo essas políticas sociais as críticas positivas de prestação de serviço nada mais faz do que colaborar com o crescimento econômico ou seja dá uma mitigada como uma espécie de
válvula de escape que mantém a capacidade do um trabalhador ou seja trabalhador tava sendo explorado de forma tão profunda que precisa se aposentar por invalidez antes da hora ele pelo menos continua consumindo porque vai ter alguma forma de aposentadoria Precisou se afastar por doença algum tipo de licença-maternidade ou paternidade mesma lógica Precisou se aposentar depois de trabalhar outro 30 40 50 anos seguidos também vai ter a sua capacidade de consumo a partir do sistema de aposentadoria então entendam estas relações econômicas e políticas de estado de bem-estar social como uma política de suporte do desenvolvimento econômico
uma política que vai mitigar alguns conflitos que eram muito mais aprofundados antes da sua existência que inclusive estão por trás das crises experimentados no início do século 20 e que também estão relacionadas com duas guerras que acontecem na Europa e o deslocamento do centro econômico para os Estados Unidos é só que chega um determinado momento do século passado Mais especificamente ao longo dos anos 60 conforme se começa a exportar os espaços produtivos quando desenvolvimento tecnológico permite do ponto de vista Logístico tecnológico que se jogue os espaços produtivos para outros países onde a legislação trabalhista é
menos a menos dura como nos espaços de estado de bem-estar social onde se pode explorar sem grandes limites e esta mercadoria produzida lá pode ser exportada de volta para as economias centrais esse consumo do Trabalhador local se torna cada vez mais e relevante Ou seja você consegue jogar a produção para um espaço onde se explora muito e realizá-la em outro espaço do Globo jogar para outro país a realização e o consumo enquanto a produção é separada do o ou seja Nacional então não confundam a o estado-nação como se fosse uma unidade Econômica é isso que
leituras como sistema mundo e outros é que vão trabalhar com essa dimensão decolonialidad que são da teoria da dependência eles vão dizer a olhar não é possível entender a economia limitada ao espaço Nacional ela transita entre fronteiras e ao longo do século 20 esse mecanismo esse funcionamento vai aprofundando então quando você chega na crise dos anos 70 você já tem um cenário basicamente instalado aí ou seja É um cenário em que este consumo do Trabalhador Está se tornando cada vez mais e relevante Então o que nós temos Nesse contexto de perda de relevância é basicamente
ao solo Essência das políticas de estado de bem-estar social você não precisa mais dessas políticas para o trabalhador local nessas economias centrais porque o Consul e já não precisa mais é cumprir toda essa relevância você consegue realizar em outros espaços sendo Traz essa produção feita no sudeste asiático nas montadoras latino-americanas ao longo de todos esses anos 40 50 60 ou seja conforme essas indústrias vão sendo suportadas para outros lugares para a questão da produção a realização vai também ser reinventada e a crise gerada nos anos 70 por causa desse fenômeno tem como resultado exatamente a
obsolecência das políticas de estado social ou seja você não precisa mais você consegue pegar as questões de saúde as questões de educação as questões previdenciárias E tantas outras importantes para a economia dos anos 40 50 e 60 na economia nas economias centrais e você consegue simplesmente desmantelar os e é esse o processo que começa ao longo dos anos se atente dos anos é mas lembrando o Estadual se Reinventar ele acaba também se reinventando do ponto de vista da segurança ou seja estas instituições acessórias As instituições de segurança de estado especialmente a política criminal ela vai
ser reinventada o que acontece é aquilo que se convencionou chamar em criminologia de uma passagem do estado social para um Estado penal nas economias centrais ou seja gradativamente essas políticas positivas de prestação vão sendo deixadas de lado mas no vaco No Vazio deixado por essas políticas é necessário controlar cada vez mais a criminalidade de rua gerada por este vazio social só que este estado penal ele também vai sendo reinventado como uma cor e como modelo econômico mas para entender a gente precisa saber o que que acontece em termos de política criminal de preciso saber o
que que tá acontecendo e o primeiro passo dessa política criminal é exatamente abandonar a prevenção especial positiva eu não sei se todos aqueles que participam do curso tem informação jurídica ou lembram dessas categorias de Direito Penal mas a prevenção especial positiva é um sinônimo fácil de explicar a partir dessas ideologias res quando você fala em função do cárcere ou seja Qual é o objetivo de prender uma determinada pessoa mantê-la presa durante o período de pena e assim por diante é fazer com que essa pessoa saia de lá "ressocializada Que ela possa voltar para a sociedade
todos esses Reis são aplicados aqui como prevenção especial positiva ou seja ressocialização reabilitação reims a reintegração e ela se chama de exatamente prevenção especial positiva porque especial ela é focada na pessoa que é punida e positiva no sentido de que não é mais necessário neutralizá-la não é mais necessário uma intervenção ativa sobre ela é como se você fizesse uma política educacional e a pessoa depois de disciplinada pudesse reproduzir os símbolos que aprendeu sem a necessidade de uma vigilância constante é como se ela fosse o seu próprio controle e a essa reinserção essa reabilitação ao longo
de toda a história da pena é basicamente sinônimo de conversão daquele pequeno criminoso de rua em trabalhador é para ele essa política Ou seja é para aquele que está excluído dos espaços produtivos portais ele deve ser colocado nele ele deve ser ensinado ele deve ser transformado em um trabalhador só que ao longo de muitos anos estas políticas de prevenção especial positiva são criticadas profundamente elas são ditas que não funcionam e tem uma novidade nesse momento histórico ao longo dos anos 70 as pessoas começam a entender isso inclusive as instituições oficiais de controle a novidade não
é que essas políticas de prevenção especial positiva sua reinserção e Reabilitação não funciona em a história da pena história da falha das suas funções declaradas e esta não é diferente a diferença que é que ao longo dos anos 70 para frente as próprias instituições oficiais fazem este abandono significa elas mesmas as próprias opções As instituições de estado param de falar que vão ressocializar significa dizer nós não Prometemos mais a ressocialização a gente sabe que não foi bom então a gente não vai nem se estressar em cumprir a sua função não serve mais a o comprimento
dela para a ressocialização Então se a gente não promete mais a gente não pode ser mais acusado de que estamos falhando com a nossa promessa porque a gente não promete mais só que a formação do outro lado porque é saída disso do discurso vai deixar do outro lado dessa nova tecnologia que eles vão chamar uma entrada de algo que funciona eles vão dizer esta prevenção especial positiva pode não funcionar mas tem algo que funciona existe algo que o sistema penal consegue cumprir pelo menos por um período curto de tempo que é a prevenção especial negativa
prevenção especial negativa é aquela que o estado Kun e ao prender a pessoa e neutralizar incapacitar privada a pessoa da Liberdade E durante um determinado tempo ou seja para que o estado seja mais eficiente no cumprimento desta função ele precisa fazer com que a pessoa chegue da rua até o cárcere o mais rápido possível existem dois grandes núcleos de realização dessas medidas você tem por um lado a diminuição das instituições processuais ou seja as possibilidade de você chegar até o cárcere cumprir mínimo de processo possível lá nos Estados Unidos o Instituto do polybag Nem começa
a ser utilizado com grande leviandade a tal ponto que hoje mais de noventa porcento dos casos lá são resolvidos por meio desse Instituto que é Basicamente aquilo que vocês veem feriados estadunidenses que uma pessoa vai ser a cruzada criminalmente e sustenta a acusação Central real ali de joias Não aceite a culpa Aceite o acordo e aqui ao invés de você pegar 50 anos de pena 40 anos de pena você pega 6 anos de pena em três você tá de volta em casa com a sua família então aceite este acordo e aí a pessoa aceitar o
acordo basicamente pulou o processo e vai direto para a cadeia ou seja não tenha necessidade de processo aqui no Brasil a gente importa a algumas dessas influências ao longo dos últimos anos e isso já era perceptível nos anos 90 nos juizados especiais existir um instituto lá que a transação penal que no caso de infração Penal de menor potencial ofensivo competência lá do juizado especial é possível negociar a pena é exatamente o Playboy em um só que para infrações penais de menor potencial ofensivo como isso afeta na quantidade muito pequena de casos que chegam ao sistema
penal isso não não ganha a mesma proporção de resolver noventa porcento dos casos mas a culpa em porque as nossas por isso esse criminais continuam neste barco ao longo dos últimos dez anos a gente viu a popularização dos acordos de colaboração premiada nesses processos mediatizados o que acontece é Exatamente isto a possibilidade de você fazer um acordo permitirá a punição de mais gente para as pessoas que aceitam um acordo a desnecessidade de processo a pessoa vai direto para cumprir alguma forma de punição e o último Capítulo de isto agora em 2020 é o acordo de
não persecução Ou seja esta este acordo de não persecução é basicamente o que já existiam no Juizado Especial na forma de suspensão condicional do processo só que ampliado não mais para as infrações penais de menor potencial ofensivo mas para muitas outras infrações dentre elas os delitos patrimoniais sem violência que já correspondem a cerca de vinte por cento das suas posições agora e precisa de mais processo para isso pode fazer um acordo de não persecução Ou seja menos processo é uma das dimensões do que acontece o outro lado é nada mais eficiente em neutralizar em capacitar
impedir que essa pessoa fique cometendo pequena criminalidade de rua se a gente conseguir mantê-la o máximo de tempo possível seja em vez de no de perdemos tempo colocar uma pessoa de fora para dentro a gente pode criar mecanismos para mantê-la do lado de dentro máximo de tempo possível o que vai ser essa segunda dimensão de mais pena mais punição nos Estados Unidos ao longo dos anos 90 várias medidas são criadas para o aumento dessas punições como por exemplo é sentenças com mínimo obrigatório para o juiz ou seja o juiz não tem mais a capacidade de
modular a pena ele está obrigado em alguns casos aplicar uma punição mínima o Fado ou seja ele não pode por menos do que aquilo e no mesmo período formas e também a legislação dos três estais Ou seja a partir do terceiro tipo de infração Penal de competência da União deles ou seja basicamente aqueles frames federais que eles chamam e Óbvio está aí o tráfico de drogas como principal é cúmplice dessa realização a partir da 3ª infração igual você tem como obrigatoriedade pena Perpétua ou seja não precisa mais do processo para essa pessoa a partir de
Então porque ela vai cumprir para sempre uma pena ela vai ficar encarcerada para sempre a partir da terceira inflação existem estabelecimentos penais lá inteiros só para cumprimento de pena de pessoas que estão punidas com pena Perpétua A partir dessa legislação dos três strikes e só para vocês perceberem que isso se trata de uma política muito maior do que os níveis conservadores como Ronald Reagan essas políticas de três strikes mínimo é obrigatório veio exatamente no governo Bill Clinton ou seja isso é uma tendência maior do que um outro partido lá entre eles aqui entre nós não
é diferente aqui entre nós nós tivemos um determinado período de proibição de progressão de regime Ou seja que a pessoa precisava cumprir para caso de crimes hediondos a pena em regime integralmente fechado e de tempos em tempos esta discussão sobre manter a pessoa sem direito a Progressão de regime Ou pelo menos ampliar o tempo que a pessoa cumprir a pena em regime fechado volta aparecer aqui neste último pacote anti-crime aprovado este ano acontece Exatamente isto ou seja mas ampliamos muitas das proporções para a Progressão de regime a pessoa passa muito mais tempo hoje em um
determinado regime do que antes a programação era muito mais rápida assim como ao longo dos últimos 40 anos se vocês pegarem todas as mudanças de pena no nosso ordenamento ou seja em todas as mudanças que pega uma determinada punição no código penal e transforma essa punição é uma transformação sempre para mais sempre se aumenta a quantidade de penas nunca se diminui a quantidade de pena e Muitas delas são convertidas em algumas modalidades delitivas que também geram alguns malefícios adicionais como por exemplo conversão cada vez mais de condutas em crimes hediondos que mantém a pessoa por
mais tempo dentro de um determinado regime ou seja aqui no Brasil também nós fazemos ele processo de ampliação da quantidade de pena então diminuição do processo e ampliação da pena é a palavra de ordem porque o objetivo aqui é manter a pessoa encarcerada pelo máximo de tempo possível e fazer com que ela chegue no cárcere o mais rápido possível é só que quando você Abandona a prevenção especial positiva você não tem mais o objetivo de que a pessoa saia e não entre mais você forma um sistema que só tem entrada e não tem saída ou
seja basicamente você está colocando sempre mais gente para dentro e aquelas que estão dentro tendem a permanecer ainda mais tempo dentro o que significa que você tem uma demanda sempre crescente você tem um aumento sempre é em escala ampliada desta população carcerária Ou seja você está sempre prendendo mais em escala cada vez mais acelerada - processo e manutenção de pessoas pela pena por mais tempo é claro que sistema de incapacitação seletiva tem como sempre os mesmos destinatarios ou seja esta aplicação eficiente por recente entre aspas por favor essa aplicação eficiente dos recursos públicos para o
sistema penal os mesmos destinatarios de sempre os grupos perigosos não ser sempre os mesmos destinatarios que sempre nos Estados Unidos vão ser as comunidades negras as comunidades latinas comunidades periféricas entre eles e aqui entre nós são as nossas comunidades periféricas afinal de contas ou o modelo de UPP no Rio de Janeiro é exatamente um dos Capítulos disso acontecendo ou seja destinarem capacitação destinada ao controle de forma cirúrgica de forma mais ampliada para aqueles espaços sociais que são etiquetados como os mais perigosos Então você vai direcionar para a favela e não para a zona sul do
Rio de Janeiro para as cracolândias e não para as zonas nobres das cidades e no meio de todo esse furacão a política criminal de drogas então este sistema que vai simplesmente crescer simplesmente vai acumular presos vai significar uma indústria muito florescente há sempre uma necessidade maior de investimentos nessa área e Obviamente as indústrias que trabalham com o ramo da segurança produzindo as viaturas policiais produzido Carter produziu Nacional de Vigilância produzindo as armas produzimos coletes balísticos produzindo o sistema de vigilância produzindo os aparelhos para processo e assim por diante seja tudo isso vai precisar sempre de
investimento crescente então Aqueles mecanismos de acumulação que nós irmos na conversa anterior vão ser aprofundados para indústria segurança a indústria de segurança se torna na galinha dos ovos de ouro dois anos 70 e vamos ver as características que elas é geram aqui nesta demanda sempre crescente é esta indústria vai incorporar uma um Arsenal uma uma prato de capital produtivo que estava indo em determinado momento histórico lembrem-se que exatamente aquela virada dos anos 60 para os anos 70 nos Estados Unidos coincide com dois fenômenos sociais lá entre eles com esse dia em primeiro lugar com a
Luta pelos direitos civis dos negros e em segundo lugar com a o declínio das políticas bélicas dos Estados Unidos do lado de fora do país deles por exemplo crítica Guerra do Vietnã E aí como forma de combater os movimentos contraculturais os movimentos artísticos movimentos relacionados ao uso de drogas como forma de protesto de resistência ao estados Hips as comunidades alternativas etc de um lado do outro lado as comunidades negras tradicionalmente associadas ao tráfico de cocaína e a forma de Kate você já cocaína como craque a nessas mesmas comunidades você consegue fazer o controle dos dois
ou seja os controles os o sujeito dos negros e os movimentos contraculturais você consegue fazer uma associação deles com a droga e ao fazer a associação deles com a droga você traz a guerra para dentro ou seja primeiro anunciado pelo Nixon e depois aprofundado pelo rhaylan você tem a incorporação do cenário de controle da segurança da pequena criminalidade de rua como um Arsenal bélico o que acontece com a polícia no meio do caminho é cada vez mais ser a incorporar um Arsenal bélico ela vai ter uma estética de guerra Vai ser o caveirão vão ser
os aparelhos da sua vão ser aqueles mecanismos que parecem tanques mas para conter agora cidadão seja aquela lógica do amigo inimigo que normalmente ela destinado para a guerra externa no caso da política criminal agora ela vai ter uma aparência cá E aí bélica mas para dentro então esta lógica da guerra é uma lógica sempre crescente um consumo você nunca para o inimigo só pode ser neutralizado e com essa neutralização do inimigo sempre um Arsenal crescente de consumo porque isso é muito caro e aquela indústria da Guerra externa que tava começando a ter problema nos Estados
Unidos foi incorporada lá entre eles mas a gente vai ver na nossa próxima conversa que isso é inclusive em suficiente continuando nós temos a necessidade de investir sempre cada vez mais nesse aparato do Estado sempre neste aparato da segurança a política pública vira a política por Excelência de estado se aquelas políticas sociais vão sendo gradativamente abandonadas o que nós temos aqui agora é como a grande política social destinada aos pobres é o cárcere é Essa é a punição e isso sempre em escala crescente Porque como a gente viu a gente abandonou de forma declarada também
a prevenção especial positiva então agora a gente tá sempre tendo uma população carcerária crescente Porque está sendo sempre encerado em escala acelerada e como tal demanda sempre mais investimentos só para vocês terem uma ideia ao longo dos governos FHC dois Lula dois e de um só para vocês verem que isto é algo que transcende partido você tem um aumento por ano de dez bilhões em todos os estados somados no investimento de segurança pública e pensa em que a política de segurança é no caso do Brasil basicamente estadual e ao longo de todos estes 16 anos
aí nós tivemos um é uma rotação Entre todos os estados de vários partidos essa tendência maior do que um outro partido e a cada ano todos os estados somados tem o seu orçamento crescendo em dez bilhões de reais então se no ano de 98 você tinha 10 milhões investidos em todos os estados para segurança pública no ano de 99 São 20 bilhões em 2030 bilhões ou seja nós temos uma escala crescente nós temos um gráfico sempre crescente de investimento na segurança pública porque isso é um mercado que não para de engolir com este modelo que
simplesmente em cas eram mais rápido possível por mais tempo e sem objetivo inclusive e declarado de fazer qualquer tipo de política para evitar as ciclo de encarceramento você tem sempre a demanda crescente por consumo de arsenal de segurança E as polícias militar e civil como na durante o processo o Ministério Público as organizações coletivas entre polícia e Ministério Público a militarização das guardas municipais e cada vez mais começam a ingressar no controle das drogas e vão cada vez mais abandonando aquela função tradicional de polícia administrativa para ser cada vez mais uma polícia de segurança Então
você tem um Arsenal sempre crescente para poder aparelhar essas instituições de estado mas mesmo assim isso não é o suficiente porque o crescimento do capitalismo depende que esta acumulação seja sempre crescente em cada ciclo é necessário sobrar um valor extra e ser acumulado E aí não sei que o seguinte mais e no ciclo seguinte mais chega uma hora que o orçamento público não dá conta ainda que a gente esteja nesta curva crescente de investir e na segurança pública Argentina não parou de aumentar isso mas isso ainda é insuficiente para consumir essa indústria da segurança e
aí ao transformar o mercado da segurança em mercadoria seja segurança se tornam na mercadoria é necessário sempre uma vontade crescente de insegurança ou seja junto com esse Arsenal para poder justificar este crescimento é necessário que haja sempre em paralelo uma sensação de insegurança é necessário que as pessoas estejam sempre esse sentido mais inseguras e quem alimenta isso é o mercado da informação Ou seja você tem uma explosão ao longo das últimas décadas do jornalismo policial e as informações não verificadas e as informações produzidas em escala industrial ou seja cada dia você tem uma compilação de
casos grotescos narrados só que esses casos grotescos um simples mesmo os casos análise as estéticas desse mercado da da informação do jantar os policiais vocês vão ver que as histórias são sempre as mesmas são histórias simples são pessoas une facetados ou seja as pessoas que cometem crimes e que aparecem como criminosos nesses espaços são sempre a representação do Mal elas nunca tem família elas nunca tem alguma coisa boa para representar você da representação do mal a vítima por outro lado é sempre a representação do bem não existe vítima que tenha algum tipo de conflito não
existe vítima que tem a colado em Provas nas faculdades não existe vítima que tenha problemas familiares não existe vítima que faça mensagem de ódio nas redes sociais a vítima é sempre a representação do bem e aí com essa narrativa de bem versus mal aparece o grande mocinho para poder salvar as pessoas quando da da da violência do criminoso que a representação do mal e aí você tem e sempre terminando com final feliz um final triste o final feliz é quando o bandido é capturado e ele não é colocado em liberdade Ou seja é a polícia
apreendeu e o judiciário não soltou no caso do da Notícia com final triste é a pessoa foi presa e foi colocado em liberdade ou a pessoa ainda está foragida por que não importa não precisa investigação não precisa de um processo é fácil a solução com essa pessoa que é unilateralmente une facetada o mal ela simplesmente é polida e todos os dias você tem uma história nova com esta mesma narrativa então no final das contas abrir o jornalismo policial é sempre ver a mesma história só que com caras diferentes e você tem um mercado para consumir
isso você tem um mercado para consumo dessas notícias eu resultado o incremento da sensação de insegurança o que tem do outro lado dessa sensação de insegurança o crescimento o curso público penal sobre a segurança ou seja todo político que tivesse eleger precisa se eleger aumentando a o discurso positivo porque senão ele não é eleito não forma a maioria para eleição o discurso populista acaba virando uma necessidade para se lidar com esse espaço político e do outro lado você tem o crescimento do mercado da segurança privada ou seja nas cidades especialmente as grandes capitais se você
transitar pelas vagas ruas de bairro você de várias placas de empresas de segurança privada contratadas para fiscalização do lugar ou seja faz-se uma espécie de pacote para toda a comunidade para a Rua etc Ou o vigilante passa com a moto fazendo uma pititinha para mostrar que ele está passando e fiscalizando tem ali uma câmera ou algum tipo de coisa que você pode acionar é altamente uma alarme e essas empresas de segurança privada vão até o local fazer algum tipo de intervenção Especialmente quando os proprietários estão viajando estando fora estão deslocadas e o que acontece ao
longo deste tempo é que este mercado da segurança privada cresce mais do que a segurança pública ali em torno de 2008/2009 nós temos a passagem de números de vigilantes privados sobre as polícias militares ou seja nós temos desde então você já mais de dez anos e essa escala não para de crescer o número de vigilantes privados maior do que a quantidade de pessoas envolvidas com aparato de segurança pública ostensiva ou seja estão mercado também de demanda crescente Por que associado a esse sistema com ímpios Saint Auto Posto Você tem sempre uma Deus e por criminalização
a visibilidade por meio deste mercado de informação também faz com que as Pessoas sintam a necessidade disso E aí junto a segurança privada cresce então Este mercado da segurança é um grande espaço de prosperar ele prospera muito nesta reinvenção pós anos 70 tanto lá fora nos Estados Unidos como aqui entre nós e tantos outros países também a que adotam este mesmo modelo de mesmos discursos esta mesma sequência Só que tem uma peça nesse tabuleiro que tá faltando a qual a gente ainda não falou e que nós vamos precisar falar nas nossas próximas conversas que é
exatamente a política criminal de drogas não é possível entender todo este fenômeno não é possível entender como funciona a toda essa mudança sem colocar no centro do furacão a polícia criminal de drogas a polícia criminal de drogas é essencial para essa passagem pressa mercantilização do sistema penal numa escala cada vez maior porque de um lado nós temos o controle formal do sistema penal e do outro lado nós temos uma indústria capitalista da droga que cresce muito mais do que a capacidade do Estado de reprimir isso e nós vamos ver como isso funciona ao longo dos
nossos próximas duas conversas