Olá, estudante. Bem-vindo à nossa aula. Eu sou a professora Monique Oliveira, sou nutricionista, bióloga, pós-doutora em bioquímica e biologia molecular.
E hoje nós vamos discutir sobre avaliação nutricional e consumo alimentar. Paraa gente começar, nós temos então a nossa pergunta inicial para avaliar e discutirmos ao longo da nossa aula. Então, uma paciente chega ao consultório dizendo: "Tenho me sentido cansada, com queda de cabelo e minha pele tá diferente, mas meus exames estão normais.
Por onde começar para descobrir o que está acontecendo com essa paciente? Por que que a gente vai então avaliar esse estado nutricional? Qual que é a importância dessa avaliação?
Então, a avaliação nutricional é o ponto de partida para compreender o estado de saúde e planejar intervenções eficazes. Ou seja, sem uma boa avaliação nutricional, não existe uma conduta nutricional bem fundamentada. Além disso, o que que a gente tem que pensar?
Como podemos avaliar o estado nutricional de forma completa? Então, avaliar esse estado nutricional eh significa olhar o indivíduo de maneira integral, não apenas para um único dado isolado como o peso, o IMC. Então, uma avaliação adequada, ela vai combinar diferentes métodos e cada uma dessas informações vai contribuir com como se fosse um quebra-cabeça.
É uma análise então conjunta que nos permite chegar a um diagnóstico nutricional que seja mais preciso. Então, quais são as nossas metas de aprendizagem nessa aula? Compreender o que é e quais são os objetivos da avaliação nutricional.
identificar os principais métodos de avaliação, tanto os métodos diretos quanto os métodos eh indiretos e também entender o que são triagem e semiologia nutricional e como aplicá-las na prática. Começando então pra gente entender o que que é a avaliação nutricional. Então, ação nutricional, ela faz parte do processo de atendimento ou assistência nutricional a indivíduos, grupos ou populações.
Então, a gente não vai falar só, né, de um indivíduo, a gente também pode trabalhar com um conjunto desses indivíduos. Todo o processo de intervenção ou atenção nutricional inicia com a avaliação e é a partir dessa avaliação nutricional que a gente consegue ter todo o direcionamento posterior. Além disso, qual que é o objetivo então dessa avaliação nutricional?
é identificar os distúrbios nutricionais, possibilitando uma intervenção adequada de forma a auxiliar na recuperação e ou na manutenção do estado de saúde desse indivíduo. Então, quando falamos dessa avaliação nutricional, estamos falando do primeiro e do mais importante passo do cuidado nutricional, que porque é a partir disso que a gente vai conseguir então planejar essas intervenções que são mais adequadas, eh, individualizadas e que sejam realmente eficazes, seja na prevenção, seja no tratamento ou eh na promoção da saúde. E a gente vai então identificando esses distúrbios nutricionais, permitindo essa avaliação.
Para fazer essa avaliação nutricional, nós temos diferentes métodos e eles são classificados como diretos e como indiretos. Quais são as diferenças, né? Os métodos diretos são aqueles que identificam eh manifestações orgânicas dos problemas nutricionais ao nível do corpo.
Então, a gente vai ter tanto métodos que sejam diretos objetivos quanto métodos diretos subjetivos. Então, os métodos diretos eh objetivos, a gente vai ter ali uma abordagem que é quantitativa. Então, por exemplo, a antropometria, a composição corporal, os parâmetros bioquímicos e o consumo alimentar.
Já os métodos diretos que são subjetivos eh de abordagem, eles são de abordagem qualitativa. Então, a gente vai ter ali o exame físico ou então a avaliação, eh, subjetiva global. E além disso, a gente tem ainda os métodos que são indiretos.
Esses métodos que são indiretos, eles vão ser usados para identificar fatores que estão associados ao processo de determinação do estado nutricional. Então, a gente vai olhar, né, para esses métodos com mais detalhes aí durante essa nova aula. Então a gente pode ver aqui, né, no slide, exames antropométricos como peso, altura, dobra cutânea, exames laboratoriais, exame clínico eh nutricional, métodos mais sofisticados como a densometria, a bioimpedância, são métodos que são diretos e objetivos.
Já os subjetivos, a gente também vai olhar com mais detalhes mais para frente. A gente vai falar então da semiologia nutricional e outros tipos de eh avaliações mais específicas. Quando a gente tem então os métodos eh indiretos, a gente tem como exemplos eh análises que são, por exemplo, demográficas.
Então, a gente vai olhar lá para sexo, eh idade, morbidade, mortalidade. A gente tem também as análises socioeconômicas. salário, ocupação, escolaridade.
Métodos também que avaliam as questões culturais, como, por exemplo, características locais específicas em relação à alimentação, estilo de vida e também o inquérito de consumo alimentar. Então, a gente pode trabalhar com um recordatório de 24 horas, um questionário de frequência alimentar. E esses dados, né, apesar do nome ser indireto, eles são essenciais nas avaliações, principalmente populacionais, e também em políticas públicas de saúde.
Paraa gente conseguir utilizar esses métodos de avaliação, é importante a gente entender na prática, né, que nem sempre a gente consegue ou que a gente precisa também aplicar todos esses métodos em todos os contextos. E aí em muitos serviços de saúde, por exemplo, lá na atenção básica, eh, em hospitais ou situações de grande demanda, a gente não vai fazer uma avaliação completa, mas sim uma triagem nutricional, primeiramente, para depois fazer o direcionamento para esses métodos. Então, o que que é a triagem nutricional?
Triagem nutricional é um processo que possibilita identificar pacientes que devem ser encaminhados paraa avaliação nutricional mais detalhada. Então este é um processo de identificação de características sabiamente associadas a problemas nutricionais. E para tornar esse processo possível, são utilizadas então diferentes ferramentas que são desenvolvidas para padronizar essa identificação do risco nutricional, eh reduzir as subjetividades das avaliações e também tornar eh a decisão clínica mais precisa.
Então, a gente trouxe eh a gente tem ali cada ferramenta de triagem eh com indicações específicas, público específico, eh contextos que precisam ser considerados propriamente. Então, o objetivo dessa triagem nutricional é conhecer o mais precocemente possível variáveis que possam ser alteradas no estabelecimento de uma estratégia de intervenção alimentar pelas vias oral, enteral ou parenteral, né? Então, a alimentação tradicional através da boca, a alimentação através da sonda interal que vai lá pro, né, entrada pelo eh intestino ou então parenteral quando tem uma injeção através do sistema circulatório, visando a reabilitação, além de possibilitar melhor perspectiva de ata hospitalar em virtude das ações que buscam prevenir complicações decorrentes de variáveis nutricionais.
Tá? Então aqui a gente vai ter eh fundamentalmente, né, esse entendimento para conhecer não apenas como aplicá-los, mas também quando e para quem cada uma dessas, né, ferramentas de triagem são mais adequadas. Então nós temos aqui algumas ferramentas de triagem para analisarmos juntos aí alguns detalhes sobre elas.
Então, a primeira delas é a NRS 2002, que é uma ferramenta que é amplamente utilizada no ambiente hospitalar, especialmente em pacientes adultos. e ela considera ali eh o IMC, a a porcentagem de de perda de peso, o efeito da doença, além da análise do grau de gravidade na doença. E ela vai identificar então adultos sob risco de malnutrição.
E ela é utilizada, né, principalmente com pacientes, como eu falei para vocês, em ambiente hospitalar. Então aqui ela mostra tanto o estado nutricional quanto a gravidade da doença e reconhece eh que o risco nutricional ele está diretamente relacionado ao impacto da condição clínica desse eh paciente. Vamos olhar aqui com detalhes aí para essa ferramenta.
Então, a gente tem a primeira etapa que é a triagem inicial, aonde a gente tem ali essas quatro perguntas para responder com sim ou não. Então, sobre o IMC desse paciente, se o paciente perdeu peso nos últimos 3 meses, se o paciente teve a ingestão dietética reduzida na última semana ou se o paciente e também, né, se o paciente é gravemente doente. Se a gente tiver alguma resposta, sim, pode ser uma só, a gente passa para a segunda etapa.
E a gente vai repetindo essa etapa aqui a cada 7 dias, caso a gente não tenha essa resposta positiva. Aí a gente vai olhar pra triagem final, que é a etapa dois. Então a gente vai ter ali como classificação ausente, leve, moderado e grave e a deterioração do estado nutricional para fazer a avaliação e a gravidade da doença, né?
o grau de estress naquele organismo. E aí depois de fazer então essa pontuação referente também a essa questão, né, dependendo do que foi respondido ali anteriormente, né, se sim ou não, a gente consegue então calcular a pontuação total. E aí, através dessa pontuação total, a gente consegue então entender se esse paciente está com um risco nutricional e a gente vai iniciar esse suporte nutricional para esse paciente.
Uma outra ferramenta que a gente pode utilizar também é a mini avaliação nutricional. A minie avvaliação nutricional, ela é voltada principalmente paraa população idosa e ela vai permitir então identificar eh risco de desnutrição ou então uma desnutrição instalada, levando em conta os aspectos antropométricos, dietéticos e também funcionais que são particularmente relevantes na fase eh nessa fase da vida, né, na fase da vida do idoso. Olhando pra nossa ferramenta, o que que a gente vai ter aqui?
Então, a gente vai ter uma triagem inicial, aonde a gente também vai olhar, né, nos últimos 3s meses a questão da ingesta alimentar por conta de perda de apetite ou problemas digestivos, a questão da mastigação e deglutição. E aí tem aqui as notas de Z0 a do, perda de peso nos últimos 3 meses, mobilidade, que é bem importante quando a gente fala, né, dos idosos, além de estress psicológico ou doença nos últimos se meses, problemas neuropsicológicos e também a questão do índice de massa corporal para esse idoso. Aí a gente vai ter a pontuação da triagem.
Então vai v a gente vai somar esses pontos e aí a gente vai ver se ele tem uma questão nutricional normal, um risco de desnutrição ou se ele tem uma desnutrição instalada. E aí dependendo do que tiver de resultado aqui, a gente passa para outra parte da avaliação, que é a avaliação global. Aí aqui a gente vai ter questões sobre o doente, né, estando na sua própria casa, ele tá numa instituição, ou ele tá num hospital, se ele tem eh o uso de medicamentos diferentes durante o dia, né?
Então, se ele tem o uso de polifarmácia, lesões na pele, quantas refeições esse paciente faz por dia, além de todos esses dados aqui. Então, o que que ele consome, eh, se ele tem, né, quantas porções de frutas e, né, de verduras ele vai consumir ali durante o dia, como que ele se alimenta, se ele tem eh algum problema nutricional que ele acredita ter. Eh, a comparação também importante aqui, né, de desse paciente com pessoas com aquela mesma idade, né?
Então, como que está o estado de saúde desse paciente em comparação com alguém semelhante a ele, além do perímetro braquial e também do perímetro da perna? A partir disso, a gente faz as pontuações e faz então a avaliação final desse estado nutricional. E aí a gente consegue então fazer as intervenções adequadas para esse paciente.
Mais uma ferramenta que a gente pode avaliar, né, usar na avaliação aqui da triagem nutricional é a ASG, que significa ali, né, avaliação subjetiva global. ela eh se diferencia dessas outras eh ferramentas que a gente viu anteriormente, porque ela integra dados da história clínica desse paciente e também do exame físico. E isso vai valorizar a observação clínica e também a experiência do profissional que está aplicando.
Então, é bem importante quando a gente fala que da ASG ser um profissional que saiba utilizar essa ferramenta. No caso da ASG, ela é uma ferramenta também bem simples e de baixo custo. E a gente pode utilizar inclusive a beira do leito, quando a gente tem, né, o paciente internado no hospital, como que a gente vai ter essa ferramenta?
Então vejam aqui que a diferença, né, que a gente tem a história desse paciente. Então, alteração do peso aí aqui, ó, é pros últimos 6 meses, ao contrário das outras duas ferramentas, que era pros últimos 3s meses, né? Alteração da ingesta alimentar, sintomas gastrointestinais, capacidade funcional, eh doença e a relação com as necessidades, eh, nutricionais.
Aí a gente vai saber também, né, a questão aqui da demanda metabólica desse paciente. Depois a gente vai fazer o exame físico e para cada categoria vai especificar aqui com um valor. Então a gente tem lá perda de gordura subcutânea, edema no tornozelo, edema sacral, perda muscular, principalmente, né, no quadricepicino delóoide e também a presença de acite.
E aí, com base nessas características dessa história e desse exame físico, a gente vai conseguir identificar o estado de nutrição desse paciente, se ele tá bem nutrido, se tem suspeita ou, né, possibilidade dele estar desnutrido ou se tem a desnutrição instalada propriamente. Então, ao observar essas ferramentas de triagem, eh fica claro que muitas dessas informações elas são utilizadas, mas elas também não vêm apenas de números eh e de exames, né? Ela vem também da escuta qualificada, da observação, da interpretação dos sinais e sintomas que a gente faz aí desse paciente.
E aí, por conta disso, a gente vai ter o que a gente chama de semiologia nutricional. É aqui que entra esse ponto, né, da semiologia nutricional. Que que é a semiologia nutricional?
Ela é um dos componentes da avaliação nutricional para o processo de cuidado nutricional. E é justamente com os outros parâmetros, né, juntamente com os outros parâmetros coletados que a gente vai utilizar para fazer um um diagnóstico mais preciso ou mais de um diagnóstico caso a gente precise aí para esse eh paciente. Quando a gente fala da semiologia, a gente vai ter um dos pontos, né, dessa semiologia, que é a anamnese nutricional.
Além da anamnese, a gente tem ainda o exame físico. Então, o que que é a anamnese? Anamnese é aquele momento de conhecer a história do indivíduo e também de compreender os fatores que influenciam o seu estado nutricional.
Então, a gente vai olhar ali pra história de saúde desse paciente, a gente vai olhar pros fatores que influenciam o estado nutricional. Então, se ele teve variação de peso, se ele teve sintomas gastrointestinais, se ele usa medicamentos, quais são esses medicamentos, como que ele faz o uso desses medicamentos, se tem doenças pré-existentes, se tem doenças eh relacionadas à família, os hábitos de vida, fatores psicológicos e também a história eh alimentar desse eh paciente. Então aqui é o momento da escuta do paciente.
Além da anamnese, a gente vai ter também o exame físico, fazendo parte, então, eh, dessa nossa eh avaliação aí da da semiologia nutricional. No caso, né, do da da anamnese, a gente vai se basear no relato do indivíduo. Já aqui no exame físico, a gente vai confirmar as as informações que foram dadas por esse paciente através da observação direta.
Então, a gente vai observar ali principalmente o tecido eh adiposo e o tecido muscular, então o tecido de gordura e os músculos, além da questão da hidratação, então da condição hídrica desse paciente. A gente também vai olhar, né, vai olhar isso, na verdade, porque pode indicar questões de desnutrição, de perda de massa muscular, de excesso, né, de gordura. E eh a gente vai fazer essas observações para que a gente possa eh reforçar e tornar mais preciso o diagnóstico nutricional.
Quando a gente fala eh desse exame físico, a gente tem uma sequência lógica para fazer essa avaliação que a gente fala que é da cabeça aos pés para garantir então uma avaliação nutricional que seja completa, uma avaliação, né, nesse exame físico que seja completo. Eu trouxe aqui para você, para você avaliar junto comigo algumas alterações que podem ser observadas quando a gente faz esse exame físico, tá? Então, eh, aqui a gente vai conseguir reconhecer alguns comprometimentos desse estado nutricional ao fazer essas observações.
Então, a gente vai começar da cabeça até os pés. Então, nesse primeiro exemplo, a gente tem a perda de gordura subcutânea. E a perda de gordura subcutânea pode ser indicativo de desnutrição.
Então, ao redor dos olhos tem uma gordura que preenche essa região, que a gente chama de região orbital. E quando a perda de gordura nessa região, nós conseguimos eh observar, como vocês conseguem observar aqui na figura, né, nessa imagem dessa criança, essa depressão no local, né, nessa região orbital, círculos escurecidos, a pele, a pele fica flácida, fica solta, então a pessoa fica com essa aparência, né, desnutrida, esse aspecto aparentemente desnutrid, além dessa alteração aí eh ao redor dos olhos, A gente também tem a região torácica, sendo uma região de de gordura que também é indicativa de desnutrição. Então, nesse caso aqui, o paciente vai apresentar, como a gente consegue ver nessa imagem, eh um abdômen que a gente fala que é escavado, as costelas ficam bem evidentes e também a cristelíaca, né, nessa região aqui do quadril, bem proeminente.
Então são sinais de eh diminuição de gordura subcutânea. Além, né, de perda de gordura subcutânea, a gente também pode ter perda muscular. E aí a gente tem alguns locais que essa, né, essa perda muscular fica mais evidente.
Então quando a perda muscular a gente também tem indicativo de desnutrição. E quando o indivíduo eh está bem nutrido, a gente consegue observar essa presença desses músculos com mais evidência, né? Então, se vocês observarem aqui, ó, a gente tem essa região, né, nessa primeira imagem, região temporal e mandibular para ser para serem observadas.
Então, quando a gente tem um indivíduo eh bem nutrido, é possível observar e também até sentir esse músculo na região temporal, que é esse músculo aqui, né, ao redor, né, próximo aqui da da do nosso da da nossa orelha e da nossa festa. E com a desnutrição, a gente vai ter a formação de depressões e nessa região e a exposição desse arco que a gente chama de arco zigomático, que é essa região aqui, logo abaixo dessa região temporal. Então, a gente fica com esse arco zigomático bem eh expresso ali, né, bem aparente.
E abaixo do arco zigomático, a gente também pode ter uma outra depressão, só que aqui não tá relacionado com eh a perda muscular. Aqui é perda de gordura. Aqui a gente tem uma bola gordurosa que chama eh bola de bichá, que daí até quando as pessoas fazem aquela cirurgia de bichectomia, é justamente retirando essa bola de gordura.
E quando a gente tem um paciente desnutrido, ele tem, né, a perda dessa bola de gordura e acaba também ficando evidente aí esse aspecto de desnutrição, esse conjunto dessas duas alterações. Então, a perda dessa bola de gordura e a perda muscular aqui da região temporal a gente denomina como sinal da asa quebrada, porque o nosso arco zigomático fica extremamente aparente, tá? Nesse nessa primeira figura aqui desse slide, a gente consegue ver tanto essas alterações, né, dessa desse sinal da asa quebrada, mas a gente também consegue ver a questão da mandíbula.
Então, a gente tem aqui uma atrofia da musculatura mandibular. E isso daqui vai ser bem importante, no caso do paciente desnutrido, porque ela vai dificultar a movimentação. Então isso também é bem relevante aqui quando a gente pensa no estado de desnutrição.
Outro ponto que a gente pode observar de perda muscular é a região da clavícula, que é onde fica, né, esse osso proeminente ali quando a gente tem um estado de desnutrição. Então, principalmente, a gente vai ter perda aqui dos músculos peitoral maior, eh, além do delide e do trapézio. Então, a gente vai ter essa região clavicular aqui mais evidente também.
Uma outra coisa que a gente pode observar no paciente desnutrido é a presença de edema. O edema acontece porque a gente tem o catabolismo de proteínas, então isso faz com que a gente tenha diminuição das proteínas e uma delas, dessas proteínas é a albumina. E a albumina é que faz com que ocorra o extravazamento de líquidos, principalmente pra região dos membros inferiores.
Então, a gente vai ter esse inchaço dessa região. Geralmente quando a gente tem edema por desnutrição, essa esse essa esse inchaço ele é bilateral. Então a gente vai encontrar nas duas pernas, né, nas duas, nos dois lados aí desse corpo.
Aparentemente ele vai acontecer principalmente na região do tornozelo e também na região sacral. Muitas vezes o o edema ele é evidente no exame físico, então a pessoa chega, a gente já consegue visualizar esse edema. Em outras vezes, é necessário a gente pressionar a região, como mostra aqui na nas imagens.
E aí a gente verifica esse a presença de um sinal que a gente chama de sinal de cacifo. Que que é esse sinal de cacifo? É fazer essa depressão na pele que demora para retornar depois que ela é então pressionada, tá?
Então a gente consegue observar isso na presença aí desse desse extravazamento. Além disso, a gente tem as carências nutricionais que podem ser observadas nesse exame físico. Então a gente consegue observar na pele ou também, né, nas unhas, no cabelo, na boca, na língua.
Então, olhando pra pele, quando a gente pensa em achados normais, a pele tem que ter uma cor saudável, uma aparência suave, eh, aparentemente hidratada, túida, mas a gente pode ter o, né, por carência nutricional, má cicatrização, que pode ser sinal deficiência de proteína ou então de vitamina C ou de zinco. A pele também pode se apresentar seca, que pode ser deficiência de gordura essencial ou também de vitamina A. outros aspectos que a gente pode ter, então, carências que a gente pode observar nas unhas e no cabelo.
Então, a gente pode observar ali textura, cor, eh brilho, né, desses desses anexos da pele. E alterações aqui podem indicar deficiência de proteína também, ou de biotina ou de selênio, eh, de vitamina B12, é muito comum. A gente tem também carências nutricionais sendo indicadas através da observação aí dos olhos.
Então, a gente vai sempre procurar por uma conjuntiva que esteja rosada, uma esclera, que é a parte branca, né, do nosso olho, sem manchas, uma pele sem lesões. Então, se a gente tiver uma conjuntiva pálida, manchas, eh, cheirose ocular, que é o ressecamento dos olhos, isso pode ser indicativo de eh deficiência de vitamina A. Quando a gente fala dos óleos, a gente tem principalmente a vitamina A, sendo um fator aqui eh importante, mas também pode ser ferro, ácido fólico, vitamina B12.
Aqui na imagem a gente consegue observar essa mancha esbranquiçada, esponjosa aqui, que a gente chama de mancha de bitô, que é bem característico aqui, da falta de vitamina A, por exemplo. Outro local que a gente consegue observar também eh é a região eh bucal. Então, a gente tem ali carências nutricionais sendo indicadas por alterações na língua e também eh na gengiva.
Então, quando a gente vai observar, a gente encontrar, né, uma coloração rosada, um aspecto úmido, eh simetria. A língua ela tem o aspecto normal dela, é um aspecto áspero. A gengiva é sem eh esponjosidade.
E aí, se a gente tem uma inflamação na língua, como a gente consegue observar aqui nessa figura, isso pode ser indicativo de deficiência de vitaminas, principalmente do complexo B. Eh, ou a gente pode ter hipertrofia da gengiva, sangramento, que podem ser indicativos de deficiência de vitamina C. E aí, pra gente finalizar a nossa aula, a gente vai olhar também para a avaliação do consumo alimentar.
Então, depois de compreender esses sinais clínicos, né, observados nesse exame físico, a gente também tem que olhar pro pro consumo alimentar para entender como a alimentação contribui pro estado nutricional identificado. Então, como que a gente vai fazer essa avaliação do estado, né, nutricional? É a avaliação do consumo alimentar, ela utiliza o que a gente chama de inquéritos alimentares para compreender o que a pessoa come, quanto, qual que é a frequência também daquele alimento e também bebida que essa pessoa come informações vão ser essenciais pro diagnóstico do estado nutricional e pro planejamento das intervenções nesse padrão alimentar.
Quando a gente fala desses inquéritos alimentares, eles podem ser tanto quantitativos quanto qualitativos e também semiquantitativos, dependendo das informações que são eh coletadas. Então, a gente vai ter ali eh em relação à quantidade desses alimentos ou a qualidade da alimentação desse paciente. E eles também podem ser retrospectivos ou então prospectivos.
Então, retrospectivos são aqueles inquéritos que investigam o consumo passado, né? Vai fazer uma retrospectiva do consumo. Quando são prospectivas, eles acompanham o consumo no momento em que está acontecendo.
Então, a pessoa vai anotar enquanto ela está fazendo o consumo, né, no momento. Quais são os objetivos dessa avaliação? Obter consumo atual ou habitual de alimentos e bebidas para avaliar a qualidade da dieta.
monitorar o padrão de consumo, né, do indivíduo ou do coletivo, identificar a relação entre a dieta e as doenças crônicas não transmissíveis, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, por exemplo, e fornecer elementos pro planejamento e a avaliação também de políticas públicas. A gente vai dar uma olhadinha aqui, ó, em quatro métodos de avaliação nutricional. recordatório de 24 horas, o diário alimentar, o questionário de frequência alimentar e também o histórico alimentar.
Vamos olhar então, começando ali pelo nosso recordatório de 24 horas. Que que a gente tem aqui? O recordatório, ele é uma entrevista padronizada e a gente fala que ele é retrospectivo e quantitativo.
Então ele vai avaliar o consumo que já aconteceu e quantitativo, então a quantidade que foi consumido. A pessoa vai registrar o consumo de alimentos nas últimas 24 horas ou então no dia anterior, né, a o consumo do dia anterior. E aí a gente faz a quantificação da energia consumida.
Então, olhando aqui para esse exemplo, você consegue observar, né? A pessoa vai anotar o horário dessa refeição, o local, que também é importante, qual o alimento que ela ingeriu, qual é a característica desse alimento, por exemplo, se é leite integral, se é desnatado e a quantidade que foi inida. Pode ser em gramas, se ela conseguir fazer essa estimativa, ou pode ser a medida caseira.
E aí, a partir disso, a gente vai conseguir então fazer a quantificação da energia consumida e da qualidade dessa alimentação. A nossa outra ferramenta, né, é o registro alimentar ou diário alimentar. Aqui o indivíduo vai reportar os alimentos e as bebidas consumidas durante o dia.
Então ele vai anotando de acordo com a o consumo. Por isso que ele é prospectivo. Ele não vai lembrar o que ele comeu.
Ele vai anotar na hora que ele for comer e ingerir. E ele é quantitativo porque a gente vai ter quantidades ali sendo registradas. Então é o consumo atual ou usual sendo registrado e geralmente a gente faz uma avaliação em dias alternados.
Então vamos colocar ali três dias para esse paciente fazer essa avaliação, sendo que um desses dias é o final de semana, porque geralmente no final de semana tem uma alteração ali do consumo alimentar. A vantagem desse diário alimentar é que ele não depende da memória do entrevistado, então ele vai registrar ali no momento da alimentação, mas ao mesmo tempo a pessoa pode subestimar o consumo, porque geralmente eu como duas colheres de amor, ah, mas como eu estou fazendo o registro aqui, eu achei que duas era demais, eu vou comer só uma. Então, a pessoa não tá registrando o que ela consome habitualmente, né?
ela pode acabar subestimando esses valores. O registro acaba sendo semelhante, né, ao que a gente viu no recordatório de 24 horas, mas aí aqui sem precisar fazer essa recordação. Eh, nós temos também o questionário de frequência alimentar.
Então, a gente vai ter já uma lista de alimentos ou de preparações que são pré-estabelecidos e a pessoa vai indicar frequência de consumo, né, daquele preparo em um determinado período de tempo. Então aqui vocês você pode ver aqui, ó, arroz, feijão, macarrão, farinha, daí quantas vezes consome, se é por dia, por semana, por mês, por ano e quantas vezes tu comes essa essa refeição, né? Então, eh, se é uma colher, né, não só a, eh, quantas vezes tu comes por vez, né?
Então, uma colher de sopa por vez, uma concha por vez. Esse aqui é um método retrospectivo, mas ele pode ser tanto quantitativo, eh, quanto qualitativo ou semi-qualitativo. Então, se ele for qualitativo, a gente não vai medir quantidades, a gente vai só ver ali como que é, é, se ele consome ou não aquele alimento.
Se é semantitativo, vai ter o número de porções. E se for quantitativo, aí a gente vai quantificar propriamente a porção consumid. E por último, nós temos o histórico alimentar.
Aí aqui a gente vai fazer uma análise do comportamento alimentar desse indivíduo. É um método retrospectivo, então vai ser, né, o que já aconteceu e ele é qualitativo. Aqui a gente vai eh estimar esse consumo habitual desse paciente por longos períodos de tempo, por exemplo, por meses, por anos.
Então, qual que é o hábito mesmo desse histórico de alimentação? Quantas refeições por dia? Como que é o apetite?
as preferências, as restrições ali na alimentação, se ele sentinas e vômitos com algum alimento, suplementos alimentares se são inseridos nessa alimentação, outros hábitos que influenciam, né, na questão de fome, de saciedade, como sono, descanso, trabalho, se faz atividade física, se tem o uso, por exemplo, né, de tabaco, de álcool. Então aqui a gente faz uma análise, né, mais eh do do de como é a história de vida nutricional aí desse paciente. Bom, ao longo dessa aula, a gente conseguiu, então, eh, resolver aquela questão inicial, né?
Lembra da nossa paciente que se sentia cansada, que tinha eh queda de cabelo, alteração na pele, mas os exames dela estavam normais. Então aqui a gente começar a a descobrir o que que está acontecendo com ela, né? Como avaliar o estado nutricional de uma paciente de forma completa.
E aí então a partir, né, disso, a gente consegue então entender quais são as aplicações desse conteúdo dessa nossa aula. Onde que a gente pode aplicar ele? no consultório e nas clínicas para fazer diagnóstico e acompanhamento individual em hospitais, em escolas também, em unidades básicas de saúde para fazer uma avaliação populacional em empresas e programas de saúde, né, promoção de saúde e prevenção eh de doenças.
Então, avaliar esse estado nutricional, né, de um paciente ou de um grupo de pacientes de uma forma adequada, é essencial para intervenções que sejam mais eficazes, seguras e também alinhadas à realidade de cada contexto. Então, com isso, nós encerramos o conteúdo dessa aula. Recomendo para vocês a consulta do material de apoio e, em caso de dúvidas o contato com os tutores para aprofundamento e até lá.