Em um bosque nos arredores de Brighton, na Inglaterra, uma equipe de busca vasculhava o mato com lanternas. Eles estavam procurando duas garotinhas que não tinham voltado para casa para o jantar. Foi aí que um morador da região, que estava ali passeando de boa com o cachorro, parou um dos policiais.
E ele veio com uma história de que o cachorro era treinado, quase um cão farejador, e ofereceu o bicho para ajudar nas buscas. A polícia recusou, mas tinha algo muito estranho, sombrio e cínico naquele homem. E o que os policiais não faziam a menor ideia é de que eles não estavam falando ali com um bom samaritano, eles estavam batendo um papo com o próprio monstro que estavam caçando.
Bom, eu sou Leonardo Braga, você está no canal Viróscopo e para entender essa história, a gente precisa voltar um pouco no tempo. Estamos nos anos 80. O mundo era muito mais analógico e, na cabeça da maioria das pessoas, bem mais seguro.
E Brighton sempre foi uma cidade litorânea conhecida por ser vibrante com uma comunidade super unida e acolhedora. A nossa história acontece mais especificamente no subúrbio de Muscon e ali é uma área um pouco mais afastada da praia, cheia de conjuntos habitacionais populares, onde moravam famílias de classe trabalhadora. A grana era curta e o dinheiro vivia contado no fim do mês, mas a vizinhança era como uma grande família.
Todo mundo ali se conhecia, então era normal deixar a porta de casa destrancada. E nos anos 80, os pais deixavam tranquilamente os filhos saírem para brincar na rua, nos parques e nos bosques sem nenhum adulto vigiando. As crianças andavam em bando e só voltavam para casa quando as luzes dos portes acendiam ou quando sentiam o cheiro do jantar.
E foi exatamente com essa liberdade toda que viveram as duas protagonistas dessa tragédia, Karen Hway e Nicola Fellows. As duas tinham só 9 anos de idade. A Karen era a filha do meio.
O pessoal dizia que ela era a mais sensata e sensível das duas, mas com um brilhinho de rebeldia no olhar. A Nícola já era o oposto. Ela era super extrovertida, falante e ligada no 220.
Elas eram vizinhas de porta e por causa da idade e de morarem tão perto, elas eram mais do que melhores amigas. Eram praticamente irmãs, onde uma estava, a outra ia atrás. Elas andavam de patins, subiam em árvores, exploravam o bairro todo e dividiam todos os segredos.
E como a situação financeira em Muscombi não era fácil, era bem comum as famílias alugarem os quartos que sobravam em casa para conseguir uma renda extra. A família de Nicola tinha alugado um quarto para um rapaz chamado Dog. Ele era um cara comum, trabalhador e não dava dor de cabeça.
O grande problema é que o dog tinha umas amizades ruins e que logo traria o puro mal para a porta da família Fellows. O dia que mudou a história do Reino Unido para sempre foi 9 de outubro de 1986, uma quinta-feira. Lá pelas 3:30 da tarde, a pequena Nícola tinha acabado de voltar da escola.
e estava em casa quando bateram na porta. Ela abriu e deu de cara com um casal jovem. Eles falaram que eram amigos do Dog e perguntaram se ele estava e a Nicolas já conhecia eles de vista ali do bairro.
Mas ela também sabia de outra coisa. Os conjuntos habitacionais eram uma verdadeira fábrica de fofoca e estava rolando um boato pela vizinhança sobre a garota daquele casal. A menina tinha só anos, mas o pessoal do bairro espalhava que ela ficava com todo mundo e que agora estava grávida.
E a Nícola, com 9 anos, não entendia o peso daquelas palavras. Ela só repetiu o que viu os adultos falando na rua. Ela olhou para adolescente na porta e a chamou de [ __ ] e em seguida, mandou o casal ir embora porque o dog não estava.
E esse comentário de criança pareceu só uma bobagem inofensiva, mas o homem que estava na porta levou aquilo como um ataque direto, uma humilhação imperdoável ao ego dele. O seu nome era Russell Bishop, um mecânico e telhador de 20 anos. E o Russell era bastante inseguro.
Ele era baixo e tinha ido super mal na escola por causa de uma dislexia grave e tentava compensar isso sendo exageradamente extrovertido, forçando um charme que ele não tinha. Ele já tinha passagem na polícia por causa de roubo de carro, mas a ficha confidencial do passado dele escondia algo bem pior. Quando ele ainda era adolescente, já tinham feito denúncias graves de que ele assediava e agredia crianças mais novas.
Ele era um predador em formação e o fato de uma garotinha de 9 anos ter xingado a namorada dele bem na sua cara acendeu uma fúria psicopata na cabeça dele. Cerca de 1 hora meia depois daquele encontro, lá pelas 5 da tarde, o sol começou a baixar. A Nícola pegou os patins e correu para a rua.
A Karen botou o tênis rosa ainda de uniforme escolar e foi encontrar a amiga. Elas sabiam que tinham pouco tempo para brincar, porque as mães já estavam na cozinha preparando o jantar e a polícia conseguiu refazer direitinho os últimos passos das meninas. Elas saíram do condomínio e foram andando em direção ao Wild Park, uma reserva natural enorme, cheia de árvores, que ficava colada no bairro.
No caminho pararam para subir uma árvore. Um policial que estava fazendo a rona de rotina viu a cena, sorriu e gritou para elas tomarem cuidado para não caírem. E essa foi a última vez que alguém conseguiu proteger aquelas duas crianças.
Depois de descer da árvore, elas caminharam até uma loja de peixe com fritas. Lá esbarraram com uma adolescente de 16 anos que morava no mesmo condomínio que elas. E vendo que já eram quase 6 da tarde e a noite fria começava a cair rápido, essa adolescente assumiu a bronca.
Ela acompanhou as duas de volta para casa e deixou as meninas perto de casa, no lugar seguro. E é exatamente aí que a linha do tempo apaga. O que aconteceu depois, ninguém sabe.
A Nicola e Carry nunca entraram em casa para o jantar. E quando a noite caiu de vez, bateu o desespero nas mães. Elas saíram correndo de uma casa para outra.
A primeira esperança de qualquer pai é achar que as crianças só perderam a noção do tempo brincando na casa de vizinhos. Eles bateram em todas as portas, perguntaram para todas as crianças do bairro e nada. A comunidade inteira se mobilizou.
Pais, mães e vizinhos botaram casacos pesados, pegaram lanternas e foram para a rua no frio congelante. O bairro estava com dezenas de adultos gritando os nomes de Karen e da Nicola. às 8:30 da noite, com a temperatura caindo perto do zero e o risco das meninas morrerem de hipotermia se estiverem perdidas no mato, a polícia foi oficialmente chamada e a polícia não economizou esforços.
200 agentes de várias regiões vizinhas foram trazidos para Brighton. Eles montaram linhas de buscas perto do parque, bateram de porta em porta e chamaram helicópteros. A mãe da Nicola estava tão desesperada, tão doente de preocupação, que andou quilômetros da madrugada fria.
Ela desceu até a praia, abriu cabines e olhou dentro de barcos abandonados. E quando o sol nasceu, ela foi vista parada na areia, chorando e gritando o nome da filha. No dia seguinte, 10 de outubro, o desespero virou puro terror.
Já eram quase 4 da tarde e as buscas não paravam a 24 horas. Um policial chamado Paul Smith estava patrulhando à beira do Wild Park quando um rapaz com o cachorro chegou perto dele. O cara estava fumando cachimbo e parecia estranhamente tranquilo e perguntou o que estava rolando.
Era o Russell Bishop. Ele ofereceu o cachorro para a polícia dizendo que o bicho tinha um faro ótimo. E quando o policial dispensou a ajuda, o Russell comentou que estava cansado de procurar com os vizinhos e que ia desistir e ir para casa.
Então ele soltou uma frase bizarra. O Russell olhou para o policial e disse: "Mas se eu encontrar as meninas e elas estiverem mortas, eu vou acabar sendo preso? Não vou?
E por que é que um voluntário aleatório acharia que seria preso ao achar os corpos se ele fosse inocente? E o policial nem teve muito tempo para processar aquilo. E bem na hora, um grito cortou o silêncio do parque.
Dois adolescentes que estavam ajudando nas buscas enfiados no meio do mato mais denso, começaram a berrar em choque, dizendo o que tinham achado. O policial saiu correndo, quebrando galhos para chegar lá. Bizarramente, o Russell Bishop correu atrás e chegou no limite do mato, até mais rápido que o policial.
E quando o oficial viu, o sangue dele gelou. Ele gritou imediatamente para todo mundo recuar, mandando ninguém tocar em nada, principalmente o Russell, para não estragar a cena do crime. As duas garotinhas estavam no chão.
Elas tinham sido colocadas numa espécie de abrigo improvisado, um buraco feito de galhos cruzados e folhas empilhadas. A posição dos corpos mostrava como a mente do assassino era doentia e sádica. Ele montou uma cena.
O assassino arrumou os corpos de forma que parecesse que elas apenas estavam descansando. A Nícola estava de barriga para cima com o joelho dobrado. A Karen estava de bruços com o braço jogado por cima da Nicola, como se estivessem dormindo abraçadas.
Mas elas não estavam dormindo. Seus corpos já estavam completamente gelados e sem vida. A mãe de uma das meninas estava dentro do parque bem na hora e ela contou depois que quando viu as fitas amarelas da polícia sendo esticada nas árvores, o corpo dela simplesmente desistiu e foi realmente um choque físico.
Ela desabou no chão do bosque chorando de dor. Horas depois, as famílias tiveram que enfrentar o pior pesadelo de qualquer ser humano, ir até o necrotério, reconhecer os corpos. E o pai da Nicola protagonizou uma cena que cortou o coração de todos os detetives e legistas que estavam lá.
Ele parou do lado da mesa de metal onde a filha estava, enfiou a mão no bolso, tirou uma moeda de 50 centavos e colocou com todo o cuidado do lado do corpo da criança. E com a voz um pouco triste, ele sussurrou: "Aqui está sua mesada, querida. " As autópsias revelaram uma brutalidade que a cidade de Brighton não estava preparada para ouvir.
A causa da morte das duas foi asfixia por estrangulamento. O assassino apertou o pescoço das meninas com as próprias mãos, usando uma força brutal. Mas o horror não parou por aí.
Os legistas confirmaram que as duas sofreram violência sexual extrema antes da morte. E até depois. O nível de sadismo era assustador, mostrando que o criminoso sentiu prazer naquela crueldade.
E a perícia apontou um detalhe que causava pesadelos na polícia. Como elas estavam juntas no mesmo lugar, isso para ele significava que uma delas foi obrigada a assistir ao estupro e o assassinato da melhor amiga, sabendo que seria a próxima a morrer em questão de minutos. E a pressão em cima da polícia explodiu.
A mídia nacional acampou em Brighton. O Reino Unido inteiro queria a cabeça do assassino e rapidamente o foco foi para cima de Russell Bishop. Não só por causa daquela frase suspeita de ser preso, mas por um conjunto de provas físicas impressionantes.
Ainda durante as buscas, antes de acharem as meninas, a polícia tinha encontrado uma blusa no mato, um moletom da marca Pinto, que aqui no Brasil é uma piada pronta. O moletom estava jogado no chão há uns 10 minutos de onde os copos seriam encontrados. No início parecia só lixo, mas quando processaram a cena no laboratório, os analistas acharam uma mancha grande de suor no peito e manchas vermelhas nas mangas e nos punhos.
Mas a prova mais letal era invisível a olho nu. O tecido estava coberto de esporos de era, uma planta trepadeira. E aqueles esporos eram um mete perfeito com a vegetação do ponto exato onde o assassino tinha arrastado os corpos.
Ou seja, o dono daquela blusa esteve no meio daquele mato. Os detetives foram bater direto na porta de Russell Bishop, segurando o moletom dentro de um saco plástico de evidências. O Russell não estava.
A namorada dele, Jennifer Johnson, atendeu a porta e vale lembrar que não era a mesma menina que estava com ele antes. Quando ela viu a roupa nas mãos dos policiais, ela soltou na maior naturalidade. Ah, vocês acharam o casaco do Russell.
A polícia nem precisou pressionar. Ela mesma já deu um alibo para a sujeira da roupa. Falou que as manchas vermelhas não eram sangue, sim tinta de carro que o marido usava no trabalho como mecânico.
E essa confissão clara da própria esposa na porta de casa, junto com os esporos de planta na roupa dele e o comportamento bizarro dele no parque foram a base perfeita para a prisão. Na noite de Halloween, em 31 de outubro de 1986, a polícia invadiu a casa e prendeu Russell pelo duplo homicídio brutal das meninas. As famílias sentiram um misto de alívio e choque.
O assassino não era um forasteiro assustador, era um mecânico do bairro que tomava chá na rua e que já tinha ter jogado bola com o pai da Ncolado. A justiça parecia garantida, mas o sistema criminal britânico ia cometer um dos seus maiores e mais vergonhosos erros. E a culpa disso seria de uma mentira contada no tribunal.
O julgamento começou em dezembro de 1987, um pouco mais de um ano depois do crime. O Russell sentado no banco dos réusno e gravata, jurou que era inocente e a cartada principal do Ministério Público era o moletom azul e o que a Jennifer tinha falado na porta de casa. Tudo dependia de ela repetir a história para o juiz.
Mas quando a Jennifer Johnson sentou na cadeira de testemunha e colocou a mão sobre a Bíblia, jurando a verdade, ela fez o impensável. Ela olhou para o moletom azul e mentiu na cara dura. Ela disse alto e bom som que nunca tinha visto aquele casaco na vida e negou que a peça fosse de Russell.
E pior ainda, quando os promotores mostraram a declaração em papel que ela tinha assinado meses antes, a Jennifer acusou os policiais de terem falsificado a assinatura dela. Ela inventou uma teoria de que a polícia estava armando uma conspiração para incriminar o marido dela injustamente. A defesa do Russell usou isso a favor deles.
Argumentaram que a polícia tinha sido negligente e que guardou o casaco do Russell e as roupas das vítimas. muito perto no laboratório, o que invalidava qualquer prova de fibras e que policiais que falsificavam assinatura não mereciam a confiança do júri. E o júri acabou ficando na dúvida.
Depois de quatro semanas de julgamento, os jurados foram deliberar. O que deveria ser uma decisão de dias durou apenas 2 horas. No dia 10 de dezembro de 1987, o juiz bateu o martelo.
Russell Bishop foi inocentado da morte de Karen e Nicola e a sala do tribunal virou um caos. As famílias estavam destruídas, sentindo que o estardo tinha falhado com as filhas delas. E o que rolou depois gerou ainda mais indignação.
O Russell saiu do tribunal estufando o peito, parou na frente dos repórteres e fotógrafos, deu um sorriso, levantou os braços e gritou: "Iocente, rapazes". E naquela época, a lei britânica tinha uma regra inquebrável chamada o duplo risco. E essa regra dizia que se você fosse absolvido por um juurri, nunca mais poderia ser julgado pelo mesmo crime.
Mesmo se a polícia achasse um vídeo no dia seguinte, ou se ele confessasse num livro, o Russell estava blindado pela lei, oficialmente intocável. E sabendo que estava livre e imune, ele começou uma campanha de terror, manipulação e sadismo contra o bairro que o odiava. Sabendo que a polícia ainda precisava de um culpado no papel, o Russell começou a inventar acusações falsas para tirar o foco dele.
Ele foi nas autoridades e falou que existia um vídeo escondido onde o próprio pai da Nicola, o Barry Fellows, abusava da filha morta junto com o inquilino, o Dog. A polícia teve que investigar e logo viu que era uma mentira doentia criado pelo Russell. Mas o estrago tava feito.
A fofoca chegou na comunidade. Eles estavam tão traumatizados que precisava desesperadamente de um culpado real para tentar fazer sentido aquela tragédia. E a paranoia bateu forte.
E muitos vizinhos acreditaram na mentira, transformando o pai da Nicola no bode expiatório da cidade. E isso acabou saindo do controle. Pixaram a casa da família Fellows no meio da noite com ameaças.
E uma família que já estava lidando com a dor de ter a filha estrangulada no meio do mato estava sendo expulsa da própria casa, julgada pelos próprios amigos e vizinhos. E o sadismo do Russell não tinha limite. Sentindo prazer em manipular o sistema, ele teve a coragem de mandar entregar um buquê de flores gigante direto ao túmulo das meninas.
E quando as famílias abriram o cartão, viram a assinatura do cara que todo mundo sabia que era o assassino. Além disso, o Russell ia nas passeatas organizadas pelas famílias contra a polícia. andava no meio da multidão segurando faixa e exigindo justiça.
Ele fez uma turnê na imprensa ganhando dinheiro de jornais sensacionalistas para dar entrevistas, posando o tempo todo de vítima do estado. O assassino estava solto, lucrando, adorando a fama e a polícia estava de mãos atadas pelas leis do próprio país. Mas a criminologia ensina uma regra assustadora.
Predadores sexuais letais nunca param por conta própria. E essa sensação de ter saído impune funcionava como gasolina para um psicopata. E menos de 3 anos depois de escapar rindo da cadeia, Russell Bishop ia caçar de novo.
No dia 4 de fevereiro de 1990, a pequena Rachel Ots, de 7 anos estava andando de patins perto de casa. O pai dela tinha dado uma moeda para era comprar doce na loja e como a família era nova no bairro, a criança se perdeu. E ao virar a esquina, ela viu um cara consertando o motor de um carro.
E como o pai da Rachel também era mecânico, ver aquele homem sujo de graxa, passou a ela uma falsa sensação de segurança. E o cara era o Russell Bishop. E antes mesmo da garotinha entender o perigo, a violência começou.
O Russell agarrou ela de forma brutal. jogou a menina no porta-malas do carro e bateu a tampa com força. E ele trancou a criança sem falar uma palavra.
E o que rolou dentro daquele porta-malas é um dos maiores relatos de sobrevivência. Qualquer adulto entraria em pânico. Mas a Rachel, com só 7 anos, começou a pensar rápido.
No escuro, sentindo o carro andar. Ela percebeu que não conseguiria correr de patins se tivesse a chance de fugir. E com calma ela tirou os patins dos pés.
Em seguida, começou a tatiar o fundo do porta-malas, procurando qualquer coisa para usar. Ela achou o cabo de um martelo. A Rachel pegou a ferramenta e começou a bater freneticamente na lataria do carro com toda a força que ela tinha.
O barulho foi tão alto que Russell freou com tudo, gritando lá de fora que ia matar ela se ela não parasse. Ele estacionou numa área deserta conhecida como Devils Dike. Quando ele abriu porta-malas, a Rachel tentou fugir, mas ele foi mais rápido, puxou ela de lá, jogou no banco de trás, rasgou as roupas dela, cometeu abusos brutais e depois apertou as mãos em volta do pescoço da menina.
A Rachel lutou para respirar, viu tudo escurecer e desmaiou. E achando que tinha matado mais uma vítima, Russell arrastou o corpo da menina e jogou num arbusto denso para era morrer no frio da floresta. Mas ele cometeu um erro gigante.
A Rachel sobreviveu e horas depois ela acordou. Ferida, sangrando e apavorada, ela rastejou nua até a beira da estrada. Um casal que estava de carro ali perto viu a cena e correu para ajudar.
O homem tentou cobrir ela com um casaco, mas a menina traumatizada recuou e perguntou com a voz trêmida: "Vocês vão me sequestrar também? " O casal garantiu que ia protegê-la e levou a menina para ligar para a polícia e para a ambulância no hospital. Mesmo depois de todo aquele terror, a mente daquela criança funcionou perfeitamente.
Ela descreveu o rosto do cara, a roupa e os detalhes do carro. A polícia foi na hora para a cena do crime e essa arrogância do Russell Bishop fez ele cometer erros bobos. Os patins que a Rachel tirou de forma tão inteligente ficaram abandonados lá no chão.
As marcas de pneu do carro ficaram na lama e com a descrição dela, os policiais foram direto para a casa do monstro. Quando chegaram lá, não acreditaram no que viram. O Russell estava limpando o interior do porta-malas do carro e as provas eram esmagadoras.
As marcas de martelada por dentro do porta-malas batiam perfeitamente com a história da menina. Fibras da roupa dela foram aspiradas do banco e a tinta dos patins batia com a tinta do carro dele. E para completar, a própria Rachel reconheceu ele na delegacia e em 1990 não adiantou culpar a polícia.
O júri não teve dúvidas e condenou o Russell Bishop por sequestro e tentativa de homicídio. Ele pegou 14 anos de prisão, a pena máxima para isso na época. A Rachel e a família até puderam respirar aliviados, mas e a Karen e a Nicolas?
O peso de tanta injustiça acabou gerando uma mudança histórica no país. Em 2005, depois de muita pressão, o Reino Unido aboliu a regra do duplo risco para crimes graves. Agora, se a polícia achasse provas novas e convincentes, um novo julgamento poderia acontecer.
A polícia queria pegar o Russell Bishop de novo, mas precisavam de um milagre científico para conseguir provas novas de um crime de 1986. E esse milagre aconteceu em 2016. Com a evolução absurda do DNA, a equipe rezaminou cada milímetro das provas daquela época.
Em 1986, eles não tinham como extrair DNA. Para tentar pegar algum fiapo de roupa do assassino. Os investigadores colaram fitas adesivas transparentes direto na pele nua das meninas.
Puxaram e guardaram essas fitas num plástico. E essas fitas ficaram 30 anos guardadas. Quando os peritos de 2016 olharam aquilo no microscópio moderno, viram que a cola puxou células mortas da pele do assassino na hora que ele apertou o pescoço delas.
E com a nova tecnologia, eles tiraram um DNA super completo e cruzaram com o sangue de Russell Bishop, que estava no sistema do governo. E foi 100%. E essa mentira de que ele nunca tinha encostado nas meninas acabou.
Em maio de 2016, enquanto ele ainda cumpria a pena, foi notificado que seria julgado de novo pelas mortes de Carry e da Nicola. O segundo julgamento começou em outubro de 2018. tinham passado exatamente 32 anos.
O Russell Bishop, agora com 52 anos, grisalho e envelhecido, sentou no banco dos réus e com a mesma cara de pau disse que era inocente. Mas agora ele não estava lidando com advogados espertos, ele estava enfrentando a ciência exata. A acusação mostrou as provas de DNA, as fibras da blusa nas roupas das meninas, a mentira de 1986 e o fato dele conhecer a floresta.
No dia 10 de dezembro de 2018, exatos 31 anos e um dia depois daquela primeira absolvição, o Juriri precisou de menos de 2 horas para dar o veredito final. Ele era culpado. Russell Bishop pegou duas prisões perpétuas, ou seja, ele ia morrer respirando o ar de Marcela.
No entanto, a justiça ainda tinha contas a acertar. A Jennifer Johnson, que tinha ferrado o primeiro julgamento mentindo sobre o moletom, foi processada em 2021. Ela confessou que mentiu e tentou usar o argumento de que apanhava dele e que foi ameaçado de morte.
Mas o tribunal não perdoou o fato de que ela conscientemente ajudou a soltar um pedófilo que matou as vizinhas e quase matou a Rachel. Depois, a mãe da Karen falou no tribunal que as mentiras da Jennifer obrigaram a família a viver no abismo por 30 anos. E a Jennifer finalmente pegou 6 anos de prisão.
E quanto ao Russell Bishop, a vida cobrou o preço. Em janeiro de 2022, aos 55 anos, ele morreu no hospital prisional, destruído de dentro para fora por um câncer. E ninguém estava lá para chorar a morte dele.
Mas esse caso ainda exigia mais reparação. Durante anos, a fofoca de que o pai da Nicola estaria envolvido na morte da filha pairou sobre a cabeça dele. E foi preciso esperar até abril de 2024 para a chefe da polícia fazer um pedidos de desculpa.
E ela cravou. O Barry nunca deveria ter sido investigado. Ele foi usado como um bod expiatório público por um assassino manipulador.
O nome dele está limpo e a dignidade da família foi finalmente devolvida. Esse foi mais um caso aqui no canal Viróscopo. Se você gostou, não esquece de dar o seu like, se inscrever e ativar as notificações para você receber meus próximos vídeos.
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Bom, eu vou ficando por aqui e até a próxima.