quando nos afeiçoamos as pessoas não Esperamos que elas Tragam sofrimento a nossas vidas posso dizer sem medo de errar que eu não tenho sorte com relacionamentos meu nome é Janete tenho hoje 55 anos e um filho de 30 fruto do meu primeiro casamento e a única coisa boa em meio aquele desastre Jackson meu ex-marido com a convivência se mostrou o homem mais repugnante que eu já vi na vida grosseiro arrogante mentiroso com menos de um ano de casados eu já tinha descoberto que me traía com uma moça da empresa em que trabalhava jovem como eu
era acabei perdoando mas ele só piorou além de começar também a minha agredir Gustavo nosso filho estava com 3 anos quando após uma discussão Jackson me deu uma bofetada que me fez cair sobre uma mesa de centro no meio da sala assustado com barulho Gustavo começou a chorar já que se então partiu para cima do menino mas nessa hora eu virei um bicho agarrei minha tesoura de costura e avancei no valentão por pouco não lhe furei o pescoço Quando Meu filho nasceu eu fiz um juramento as pessoas podem me bater me xingarem me ofender de
todas as formas mas sobre hipótese alguma pensem ameaçar o meu filho foi pensando nisso que eu arrumei as malas e saí de casa indo morar na casa de minha prima Suzana Ela vivia sozinha e aceitou me obrigar a saber da minha situação já estava morando com ela há quatro meses mais ou menos quando conheci um rapaz que se chamava Mauro ele era dono de uma mercearia ele da região era simpático e educado sempre me tratava muito bem nas vezes em que íamos até o seu comércio Gustavo adorou sempre ganhava doces e pirulitos foi assim que
nós nos aproximamos Mauro vivia sozinho ali num sobrado próximo todos o tinham como um homem bom e honesto sempre que saímos ele fazia questão que eu levasse meu filho que a cada vez mais se afeiçoava ele chamando até de tio quando completamos três meses de relacionamento Mauro decidiu que era hora de me apresentar a sua mãe num domingo seguinte ele passou em casa para nos buscar e fomos até um bairro próximo onde aquela senhora morava era uma casa confortável comprada por Mauro assim que saltei do carro ela abriu a janela e acenou parecendo muito feliz
era uma senhora de cabelos curtos e grisalhos rosto redondo e olhos castanhos mas quando mal abriu a porta de trás e ajudou gostava a descer ela mudou totalmente de expressão fechou a cara no mesmo instante Mauro nos conduziu até a porta onde ela nos aguardava Olá mamãe essa é Janete a moça que lhe falei Janete essa aqui é Dona Cida minha mãe Eu estendi a mão para ela sorrindo Mas ela fingiu não ver mãe esse é o Gustavo disse Mauro pegando meu filho no colo go Essa é a vó Cida ela arregalou os olhos ao
ouvir aquilo e Então disse que mal eu nunca vi esse menino não sou avó de ninguém Mauro ficou completamente envergonhado Eu vi sua expressão para Não deixá-lo pior Eu fingi não ter ouvido quando entramos o almoço já estava à mesa Mauro puxou a cadeira para que eu me sentasse encabulada eu tentei tava lá uma conversa então Dona Cida o que a senhora tem para me falar sobre Mauro ela largou o garfo com força no prato me encarou e respondeu o que eu tenho a dizer que ele é meu único filho e desde que fiquei viúva
somos só ele e eu para mim tá bom assim eu senti no mesmo instante a indireta para piorar nesse momento Gustavo entornou um copo de suco na mesa eu me apressei em tentar limpar mas Mauro falou Calma isso acontece não tem problema nenhum Mas a mãe dele interrompeu não tem problema Mauro não é você que lava essas toalhas não é mesmo ficou um silêncio estranho na mesa ficamos lá até as duas da tarde na sala aquela velha não abria a boca ficava só olhando para TV de cara amarrada por sorte Gustavo Pegou no sono quando
nos despedimos Eu disse para ela foi um prazer conhecer a senhora Deixa disso menina eu não caio nessa Mauro pediu desculpas o trajeto todo de volta estava realmente constrangido mas eu estava decidida Se dependesse de mim Mauro ficaria comigo até o fim independente do que a mãe pensava no fim daquele ano já estávamos morando juntos não sobrado dele ele era o pai que o meu filho merecia ter atencioso Gentil desde que Senta no sofá com a criança para assistir desenho animado sabe mas logo a minha paz acabaria comecei a sentir fortes dores de cabeça Perdi
o sono e quando dormi E tinha pesadelos que me fazia acordar assustado e Suada Mauricio para que fossemos ao médico mas eu achava que era só receio de me relacionar novamente [Música] numa noite após acordar de repente ao abrir os olhos vi um cachorro enorme na porta me encarando com olhos vermelhos completamente em Pânico eu gritei e Mauro acordou O que foi amor o que tá acontecendo Quando Ele olhou já não havia mais nada eu desconversei falei que era só um pesadelo conforme os dias foram passando eu comecei a me sentir estranha com relação a
Mauro ele nunca gritou foi grosseiro comigo mas quando eu ouvi a voz dele começava a me sentir irritada sabia que aquilo não era normal mas também não conseguia evitar Também vi o quanto aquilo entristecia enquanto ele estava fora eu sentia falta dele mas logo que eu ia chegar aquela irritação tomava conta de mim passamos a ter muitas discussões para evitar as ofensas ele saía e me deixava sozinha indo passar a noite lá na mercearia eu estava sem emprego naquela época e para ocupar o meu tempo decidi começar um jardim na frente da casa enquanto eu
limpava o gramado encontrei no canto do Muro embrulho de pano vermelho Eu nem imaginava o que fosse desfez os nós e o Abre ali dentro haviam duas pedras de Rio um punhado de terra preta e sementes estranhas tinha também um pedaço de papel com meu nome de Mauro divididos por uma linha vermelha eu que nunca entendi dessas coisas fiquei apavorada de modo que atravessei a rua e joguei tudo num bueiro preferi não contar nada para ele naquela mesma noite meu filho acordou no meio da madrugada chorando muito quando perguntamos o motivo Ele respondeu mãe tem
um cachorro grande aqui e ele disse que vai me matar tivemos que deixar ele dormir na nossa cama aquela noite uns dois dias depois mal me contou que iria viajar tinha um negócio para resolver numa outra cidade e que voltaria em 3 dias ele estava pensando em aumentar a mercearia e havia conseguido equipamento semi novos a um bom preço ele foi e Gustavo e eu ficamos sozinhos Ao me ver ali solitária comecei a chorar minha consciência pesava pelas agressões a Mauro as 11 da noite desliguei a TV e fui para cama acordei então com som
de passos no quintal que pareciam vir da lateral da casa me levantei bem devagar para não acordar o meu filho e sair pelo corredor os passos pareciam seguir os Fundos do terreno contornando toda a casa descia as escadas e parei junto à porta já com as mãos sobre o interruptor que acendia as luzes externas se fosse preciso eu chamaria polícia com telefone da cozinha respirei fundo Acende as luzes e escancarei a porta Foi então que me deparei com Dona Cida a mãe de Mauro a acocorada no meio do quintal ela trazia uma sacola e escavava
o chão ao me ver ficou apavorada O que que a senhora tá fazendo aqui a essas horas a mulher gaguejava ao responder eu vim falar com meu filho cadê o Mauro eu caminhei até ela e olhei para o chão onde ela mexeu ali dentro do buraco estavam dois bonecos de Barro Vermelho bem toscos um deles era pequeno e os dois estavam Enrolados em fios pretos reparei que ela segurava um papel sem lhe dizer nada eu arranquei aquilo das mãos dela era a mesma caligrafia corrida que eu havia encontrado no outro papel naquele embrulho mas dessa
vez estava ali o meu nome do meu filho eu não enxerguei mais nada quando dei por mim já tinha derrubado ela no chão e a sacudia pelos cabelos gritando sua bruxa maldita meu filho não com meu filho você não vai mexer os vizinhos Acordaram com o escândalo dois deles saltaram o muro e vieram apartar eu chorava e esperneada tomada de fúria Dona Cida descabelada e coberta de arranhões dizia com você meu filho não fica nem que eu tenha que te matar um dos vizinhos apontou o dedo na cara dela e falou a senhora invadiu o
quintal da moça no meio da noite para fazer isso e quer ter razão sugiro que se acalme minha senhora ou eu vou chamar a polícia e todo mundo aqui vai testemunhar já chega levaram aquela mulher para fora e depois eu não a vi mais naquela noite também decidi que minha vida com Mauro não daria certo por mais que ele fosse bom e que me tratasse bem fosse como um pai para Gustavo a sombra da mãe dele sempre estaria em nossas vidas esperei que ele voltasse de viagem e comuniquei minha decisão minha consciência pesa até hoje
eu me lembrar daquela expressão nos olhos dele mas como sempre ele disse que eu deveria fazer o que fosse melhor para mim contei a ele sobre sua mãe e mostrei as coisas que ela havia deixado para trás após eu ter surpreendido ele se limitou a ficar de cabeça baixa voltei para casa da minha prima mas logo comecei a trabalhar e aluguei uma kitnet passei a me dedicar única e exclusivamente desde então apenas a meu filho tanto que até hoje estou solteira Gustavo se formou em Recursos Humanos e trabalha numa empresa grande está noivo há um
ano soube que Mauro faleceu uns anos atrás de derrame assim como eu ele também vivia sozinho sua mãe havia morrido num asilo muitos anos antes para que ele esteja em paz afinal ele não tinha culpa alguma das maldades daquela mulher [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Música]