Acho que nada na psiquiatria é tão representativo da loucura quanto delírio. Então, quando você conversa com a pessoa que ela fala que tá sendo perseguida por anjos ou então tá no meio de uma briga entre Deus e o diabo ou que ela mesma é Jesus Cristo ou que o PCC tá perseguindo ela, acho que isso sempre chama muito atenção, desperta muito interesse, às vezes até mesmo fascinho. Até hoje, quando eu entro em contato com O paciente que ele tem uma alteração delirante, eu sempre me pergunto assim, como que isso é possível? E como que isso
faz parte de um adoecimento e de uma possibilidade também do ser humano? Então, a aula de hoje muito esperada vai ser justamente sobre esse tema, sobre o delírio, que é uma das alterações do pensamento, como a gente já falou no aula anterior. Você ainda não viu, por favor, veja, porque essa é uma continuação da aula passada. E a gente Sempre vai seguir aqui aquela mesma forma, tendo um tipo de destaque que geralmente quando você encontra o delírio é uma alteração, digamos assim, às vezes fácil de você perceber, às vezes também não vai ser tão fácil
assim, mas na maioria das vezes é uma coisa meio óbvia por si mesmo e que a maioria das pessoas não têm um tanto de dificuldade. A dificuldade nasce em casos que o delírio ele choca muito ali com a verdade ou com A realidade. Então, a gente também vai te auxiliar nesses casos, como você pode notar, como que você pode trazer isso para sua prática e obviamente também como que você consegue fazer diagnósticos diferenciais a partir do delírio, porque como você sabe não é só a esquizofrenia que tem delírio. Ela pode parecer em quase ali todas
as patologias mentais, mas obviamente denota mais gravidade. Dito isso, a gente vai passar inicialmente por como Que se estrutura o delírio. Depois a gente vai passar pelas características deste e logo em seguida a gente vai passar pelas alterações primárias, secundárias e também as terciárias, bem entre aspas, tá certo? Vocês vão entender isso, sempre regados de muitos exemplos práticos. E por fim, a gente vai discutir os principais delírios, quais são, quais são os temas que eles assumem e também quais são as patologias que se relacionam com eles. Então, bora Lá, bora nessa. Vamos começar aqui e
a gente vai abrir essa aula falando justamente sobre a definição do IASPES, que ele fala que delírios são juízos patologicamente falsos. Essa definição, pessoal, ela é bem interessante. Por quê? Porque através dos juízos, a gente elabora a nossa realidade e a gente também navega nela. Ela é isso, o juiz é o que determina o que que é certo, o que que é errado, o que que é verdadeiro, o Que que é falso. Ou seja, se é um juízo patologicamente falso, a gente tá falando aqui de uma certa alteração da realidade. Então vai ser uma pessoa
ali que ela não tá de uma certa maneira, tá certo? Quando ela tá delirando, se ligada à realidade ou então pelo menos o que que é verdadeiro nela. E aí você pode até perguntar para mim, bom, mas isso é muito parecido com um erro. Por exemplo, a pessoa ela pode estar errada sobre alguma coisa na realidade. Imagina Que eu, por exemplo, não sei o que que é a fórmula de máscara e aí eu cito lá uma equação aleatória e eu erro a fórmula de báscara, né? Por que que isso não é um delírio? Porque justamente
o delírio ele sempre vai ser muito pautado de onde você tira a evidência dessa realidade, ou seja, de qual é o material dela, de que ela é constituída. Então, uma coisa é você errar porque você tem uma informação errada ou então você tá constituindo essa formação de um jeito Que não é tão legal. Outra coisa é você errar e emitir um juízo falso tirando de uma evidência completamente estranha. Por exemplo, imagina que eu vejo uma pessoa descascando um kiwi e naquele momento eu percebo que eu sou Deus. Então esse tipo de evidência, ele é estranha,
ele é falsa, então vai me dar um dado ali completamente i verídico da realidade. Mas veja onde é que eu tô tirando essa evidência ou então de onde é que eu tô constituindo ou construindo Essa realidade é de um local meio bizarro. Então é diferente do erro o delírio justamente por causa disso, porque eles não estão no mesmo plano. Isso é muito importante que você saiba. Quando o delírio pessoal, eles têm uma série de características e aqui a gente vai analisar principalmente quatro delas. Essas três primeiras, elas são características que você até pode confundir em
casos que são mais sutis de delírio, mas a última, talvez o coração De uma estrutura delirante, então de um paciente ali que tá delirando esteja nela. Então, quais são essas quatro características do delírio? Primeiro, é a convicção extrema. Quando você tá conversando com uma pessoa que ela tem um delírio, ela vai daquela forma ter certeza naquilo que ela tá lhe dizendo. Então imagina que um paciente ele tá sendo perseguido pelo PCC. Não é que ele chegou através disso até dessa perseguição por uma conclusão lógica, Então por um raciocínio que ele viu ali elementos que ele
tava sendo perseguido pelo P. Não, ele tem certeza disso. E isso é muito importante quando a gente tá conversando com a pessoa. Então, quando a gente tá expondo nossas ideias ou até expondo a realidade, geralmente a gente não tem muita certeza das coisas. A gente tá de uma certa forma aberto ou permeável para ter uma troca com o outro. Isso não acontece no delírio. O delirante é uma pessoa que ela está Hermeticamente fechada, ou seja, não é essa troca. Não tem como você convencer essa pessoa, tá certo? E isso é bem interessante às vezes de
você verificar na prática. Você pode sentar, você pode conversar, você pode passar anos às vezes conversando com uma pessoa, provavelmente essa crença ela não vai ser desfeita. Então o paciente com delírio ele tem certeza daquilo e isso é incorrigível. Ou seja, por mais que você argumente, por mais que você apresente Dados contrários aquilo ali, ele não vai se convencer do contrário, tá certo? Porque, pessoal, isso aqui é uma coisa muito importante. Delírio é diferente de acreditar. Não é que a pessoa ela acredita naquilo, ela não acredita que ela tá sendo perseguida pelo PCC. Ela sabe.
Presta bem atenção nessa palavra. Ela sabe, isso é sentido como se fosse literalmente uma certeza absoluta. Então, se eu virar para você aqui e eu Lhe perguntar, bom, você é um humano ou então você é um ser humano que tá assistindo essa minha aula? Você vai falar assim, você tem certeza disso, tá certo? Isso é uma coisa que não é questionada para você. Como que você sabe que você é um ser humano? Bom, você simplesmente sabe, tá? não é uma coisa que você acredita, você sabe desse tipo de informação. É como se essa informação ela
viesse de um plano que é muito anterior a inclusive a nossa própria Cognição. Então a gente não pensa muito nisso, tá certo? E isso é de onde vem o delírio. Não é uma crença, não é uma argumentação lógica, é uma certeza vinda de um saber. Então o pessoa que tá delirando, ela sabe daquele tipo de informação, ela sabe daquela realidade, assim como você sabe que é humano, para ela é uma coisa extremamente óbvia, ela não se questiona daquilo, tá certo? e você não vai convencer o contrário. É a mesma coisa de eu chegar aqui e
tentar Lhe convencer que você não é humano. Então, eh, esse paralelo, ele ajuda às vezes a gente entender qual o tipo de vivência que tá nesses pacientes. Existe inclusive um caso muito interessante que Pinel, isso no começo assim da psiquiatria, ele entrava em contato ali que tinha muitos pacientes que eram delirantes e aí tinha uns paciente, por exemplo, que ele acreditava que tinha cometido um crime muito bárbaro ou então um crime que era inofensável, Inaperdoável. E o que que eles faziam? Eles simulavam julgamentos e eles botavam os pacientes lá e aí ia tipo um juiz
de mentirinha, absolvia as pessoas e depois dizia: "Bom, você não tem nem crime nenhum, beleza? Aquilo ali poderia até dar um certo tipo de alívio nos primeiros minutos, mas logo em seguida, tá certo? O paciente voltava a delirar, então nem alterava nada. Então ele continuava acreditando que ele era culpado. E lembra, não é acreditar, é Saber. ele sabe que é culpado. E justamente essa troca ou esse grau que às vezes a gente consegue conversar com a pessoa e modificar o que que a gente pensa e modificar o que que a gente sabe e inclusive revisar
uma ideia ou então revisar uma realidade, isso é o que permite, por exemplo, que a gente mantenha um certo tipo de grau de desconhecimento para as pessoas ou então de mudança. Então, provavelmente você na hora que você, por mais que você Conviva com a pessoa, você nunca vai saber tudo ou inteiramente tudo sobre ela. Quando às vezes você tá conversando com o paciente que está delirante, essa ideia você sempre vai ter a impressão com ele que você já esgotou ela. Isso pode parecer abstrato, mas quando vocês estiverem diante de um paciente desses, tem tem pensar
dessa forma. você vai ter uma certa forma a impressão que aquilo ali não vai mudar nunca, tá? E esse não vai mudar nunca é justamente porque não Tá aberta a uma troca. E isso é uma característica fundamental ou central do delírio. Perfeito, pessoal? A gente viu que o delírio muitas vezes ele é uma uma convicção extrema, ou seja, o paciente ele tem certeza daquele sabe, é incorrigível. Ou seja, por mais que você argumente, mais que você apresente dados, mais que você mostre a realidade para ele que é compartilhada, ele não vai se convencer daquilo ali.
Uma terceira coisa é que o Delírio ele é impossível. E aí, pessoal, eu vou botar um grande asterisco nisso aqui, porque é o seguinte, muitos delírios, de fato, eles são impossíveis. Por exemplo, um paciente ele fala que é Deus, tá? Isso a gente sabe que é impossível, mas às vezes o delir ele pode também ser possível. Por isso que essa definição, que é uma definição mais clássica, ela não é tão legal assim, porque quando você tiver diante de um delírio que você saiba que ele não pode Acontecer na realidade, é fácil diagnosticar, qualquer um diagnostica.
Mas quando você tá diante de um paciente que ele te fala uma coisa e que você vê que aquilo ali é possível de acontecer, vai ser mais difícil de você detectar. Então, vamos supor aqui que um paciente ele mora num ali num ambiente ou então num bairro que a violência é muito grande e que tem facções. E aí ele é internado falando que ele tava sendo perseguido por alguns traficantes ali da Rua dele. Então, veja bem, isso é muito possível de acontecer e é muito provável que isso aconteça às vezes, tá certo? Mas lembrando, você
sempre vai tentar de duas coisas ou ver se aquilo ele tem, ele tira aquela realidade ou então aquilo que ele aquele aquela conclusão que ele chegou, né, de evidências que são diferentes. Por exemplo, ele tira disso da forma com que as pessoas olham para ele ou então como as pessoas falam para ele. Então isso aí já começa a ser Estranho. E a segunda coisa é a probabilidade de isso acontecer. Então, por exemplo, uma pessoa que ela tá sendo perseguida ali pelo tráfico, provavelmente ela vai falar: "Olha, me ameaçaram, então eu fiz uma coisa ali que
eu tô devendo para alguém ou então eu fiz alguma coisa que não deveria pelas leis lá daquela região". Enfim, isso aumenta uma probabilidade. Mas, por exemplo, você ser perseguido por alguma entidade ou então algum conglomerado ali De pessoas que querem fazer o seu mal, só que você tira a evidência disso a partir dos olhares ou então da forma com que eles falam com você. vê que isso é até possível, mas é pouco provável. Então, sempre que você tiver diante de um delírio que ele talvez possa acontecer, e isso a gente chama de delírios não bizarros,
ou seja, eles são plausíveis, são factíveis, você vai sempre se perguntar, um, de onde é que esse paciente ele tira a evidência, tá? É, é de alguma coisa assim realmente possível? Porque se for estranho demais, por exemplo, ele sabe que é perseguido porque alguém descascou uma fruta ali, ele soube disso. Isso aí tá fora de questionamento. Então, alguém desligou a TV e ele teve aquela impressão naquela hora que ele tava sendo perseguido. OK, isso é bizarro. Mas quando não for assim, você tira da probabilidade. E obviamente, tá, em alguns casos você vai ficar com dúvida.
Que que você faz Nesses casos? Chama a família, chama alguém que conhece o paciente, chama a comunidade, chama o líder religioso, tá certo? Então, conta com toda a ajuda necessária que você tem ali a seu dispor. Beleza? E pessoal, uma coisa que é muito importante, a gente viu que os delírios que eles são prováveis, a gente chama eles de não bizarros. E os delírios que são improváveis, a gente chama ou impossíveis, né? A gente chama ele de bizarros. Então aquele paciente Que ele vai te contar uma história que você sabe que não pode existir naquela
realidade. Esse aí é o tipo de paciente que você certamente não precisa ali é de um grande esforço psicopatológico para identificar. Ou seja, é fácil, tá certo? É o paciente que você vai conversar com ele e você vai virar e falar: "Bom, essa pessoa aqui ela tá realmente com algum problema e com alguma doença, porque ele tá falando uma coisa que é impossível, tá? Á, eu moro na lua". Bom, você sabe Que a pessoa não pode morar na lua, então isso é classificado como delírio bizarro. Beleza? Mas pessoal, veja que essas três coisas que a
gente botou aqui, convicção extrema, incorrigível, impossível, isso aqui, apesar de tá na definição de delírio, se a gente for assim ser muito minucioso e se a gente for conversar com bastante paciente, a gente vai ver que de uma certa forma isso aqui pode até passar batido. Ou seja, às vezes um paciente ele tem muita Certeza sobre um delírio, mas às vezes ele pode não ter tanta certeza assim e mesmo assim aquilo ainda constitui um delírio. Às vezes o conteúdo pode ser possível, pode ser muito provável e quando junta tudo isso, bom aí complicou, né? você
vai ter grande dificuldade de diagnóstica, mas tem um elemento que ele é fundamental, que é justamente a característica do delírio de ser idiossincrático ou individual. O que que eu quero dizer com isso? Talvez, Pessoal, isso aqui é justamente onde mora o coração da vivência delirante. Por que que eu lhe digo isso? Porque é o seguinte, a nossa realidade como um todo, ela é uma realidade que para ela ser constituída, ou seja, para ela ser construída, ela tem que ser compartilhada. Que que eu quero dizer com isso? Que a natureza humana ela não existe isolada ou
de uma maneira sozinha. Então, por exemplo, a gente sempre nasce de alguém, a gente sempre Tá em comunidade, a gente sempre tá com o outro. Tudo que você pega ou tudo que você faz, de uma certa forma existe uma referência ao outro, ou cultural, ou sociedade, ou no ideia, ou então na língua, ou na linguagem, ou se você pega um objeto que foi construído por uma outra pessoa e você sabe o que que faz. Ou seja, o contato com uma outra pessoa, ela de uma certa forma constitui a estabilidade da realidade. Só existe realidade se
tem outras pessoas, tá Certo? Isso é muito importante. Então, a grande palavra aqui é justamente compartilhamento. A realidade ela é compartilhada. Não existe a realidade de um homem só. Isso é muito importante, é fundamental para que você consiga entender o que de fato mora no coração do delírio, tá certo? Então, esse primeiro esquema que eu deixei aqui é como que a realidade é constituída. Você vai ter ali uma vivência. Aqui a vivência, vamos supor Que é essa bolinha pequena e você vai conseguir comunicar. Então, por exemplo, se você fala, sente alguma coisa e você sente
que tá com fome e você fala isso para uma pessoa, olha, eu tô com fome e a outra pessoa ela lhe entendeu, você teve uma vivência que é o estar com fome e você comunicou, ela comunicou bem, todo mundo entendeu o que que é tá com fome, tá certo? Isso é o que a gente chama de realidade compartilhada ou então o nos cosmos, tá certo? Esse aqui É um nome muito bonito dado por Beans Wanger, que a gente vai detalhar um pouco, mas significa justamente essa capacidade de estar numa praça ou então de ser comunitário,
de ser compartilhado. Quin nos cosmos é o cosmo da praça ou o cosmos da comunidade. Ou seja, ele quer dizer com isso aqui que as nossas vivências e as nossas realidades elas são para tá tudo funcionando direitinho, compartilhado. Anota isso que isso é muito importante. Beleza? E o que é que seria então o delírio? Ou então o que que seria justamente essa vivência que é individual ou é idiossincrática? seria justamente essa quebra do compartilhamento, ou seja, a quebra de justamente você conseguir pegar uma vivência sua e compartilhar essa vivência com outra pessoa. De uma certa
forma é a quebra da realidade ou a quebra desse compartilhamento. Como assim? Vamos tentar detalhar bem essa ideia aqui, porque isso é a alma da aula. Beleza? Imagina que você tem dentro de você uma vivência ou então uma experiência e ela é somente sua. Que que eu quero dizer com isso? Somente você ali na Terra experimentou aquilo. Como que você vai descrever isso? E aqui a gente vai pedir ajuda do nosso amigo Perry, o ornitornico, tá? Imagina a primeira pessoa que vi um ornitor rinco, Tá bom? Essa criatura que é muito estranha, você não sabe
direito se ela é um pato, você não sabe direito se ela é um mamífero, então eh se é bom, é bota ovo, tá? É uma criatura assim de fato bastante estranha. Então, imagina a primeira pessoa que ela vi um ornitorrinco pela primeira vez. Imagina ela tentando comunicar o que que era o ornitorrinco para outra pessoa. Então ela vai dizer: "Bom, é um animal que ele tem ali um corpo de um castor, Ele tem um bico ali de um pato, ele tem também as pernas de um pato e ele bota ovo. Por mais que ele consiga
falar aproximadamente o que que é um ornito rinco, ele nunca vai passar o que de fato é um ornito rinco. Ele provavelmente vai ter que chamar uma outra pessoa, pegar ela pela mão, apontar e falar: "Ali tá o ornitor rinco". E a partir daquele momento, aquela vivência é compartilhada. Ou seja, imagina que você, não é que Você esteja vendo o ornitor rinco, mas você tá está experienciando uma coisa que ela não é compartilhada por ninguém, você vai ter muita dificuldade de se expressar e para isso você vai, de uma certa forma pescar elementos disso que
anteriormente era compartilhado, ou seja, como se você tivesse pegando emprestado ali o bico do pato, a perna do pato, o corpo do pato, mas em último grau, você nunca vai conseguir falar exatamente que tipo de vivência é a Vivência delirante. É justamente porque que a gente botou aqui. Então isso aqui é a vivência primária. O que que é isso aqui? Para ser bem sincero, não tem como saber, tá? Você só sabe que tipo é essa vivência aqui se você de fato delirar, tá certo? Então, ela é uma vivência que é individual, ela é idiossincrática, ela
não é compartilhada. Isso aqui você só sabe sentindo. É como literalmente você tivesse vivenciando ali um ornito rinco na sua consciência ou então você tivesse Enxergando nova cor, sentindo um novo cheiro ou então tendo algum tipo de experiência aí que de uma certa forma a dificuldade de pôr em palavras é justamente o quão complexo e quão complicada é esse tipo de vivência. E aí o que é que acontece? A pessoa, ela vai sentir isso dentro dela e ela vai tentar comunicar. Só que como é que você comunica uma coisa que você nunca tinha experienciado antes,
né? Como é que você vai comunicar Esse ornitorn com elementos que são próximos? Aí a pessoa vai falar que estou sendo perseguida. Não é que ela tá sendo perseguida, não é que o PCC tá atrás dela, é como se a vivência mais próxima, anteriormente compartilhada, era uma vivência de perseguição. Então, uma vivência estranha. Por isso que o delírio ele assume múltiplas facetas, múltiplos temas. Às vezes ele vai se organizar, às vezes ele não vai se organizar, tá Certo? Vai depender também da habilidade dessa pessoa te contar. ou ela vai sempre pegar elementos de uma realidade
que era previamente compartilhado. Só que a vivência delirante, a vivência delirante primária, ela é fora do compartilhamento, tá certo? O mais correto seria a gente dizer que não tem palavras para isso, a pessoa não consegue expressar, tá certo? Mas ela vai expressar, ela vai dar um jeito. Então, a vivência primária, ela é Incomunicável. O que que isso aqui é importante? Se você entender só isso aqui dessa aula, tá ótimo, já basta, tá? Por exemplo, entender isso aqui significa que você vai entender finalmente porque que você não deve interpretar um delírio, tá? Como é que você
vai interpretar um delírio se aquilo não é compartilhado com você? você pode interpretar ali resquícios daquelas palavras, então resquícios daquela vivência, mas a vivência Primária, a vivência original, você nunca vai ter acesso. Então, pessoal, o delírio é como se tivesse literalmente um buraco negro aqui, tá? Isso aqui fosse quase que o horizonte de eventos, tá certo? Você não consegue penetrar no que que é a vivência de fato do paciente, tá certo? Isso é muito importante. E é isso aqui que a gente chama de idios cosmos. Ídios significa individual ou eu. Então, é como se fosse
o universo ou o só de uma pessoa que só Ele tem acesso. Não é compartilhado, é pseudo compartilhado. Por que pseudo? Porque ele vai, no caso aqui, te falar só quais eram os elementos que parecem com aquela vivência que ele tá experienciando, mas não são de fato a vivência. para você experienciar é que nem fazer comitorino, teria que pegar ali o médico ou psiquiatra, entrar dentro da cabeça da pessoa e vivenciar aquilo que ela tava vivenciando, tá certo? Então isso é o que dá a Característica do delírio de ser uma vivência original, primária e tão,
tão dramática na consciência, tão drástica na consciência, tá certo? E pessoal, lembrando que uma pessoa que delía, tá, ela pode ter ação ou não naquilo. Que que eu quero dizer? Imagina que a pessoa, ela acredita que é Jesus Cristo. Ela pode sair pregando, pregando que nem Jesus Cristo, tentando fazer milagre. Isso a gente fala que ela está atuando no Delírio, tá certo? Ou não. Ela pode saber que é Jesus Cristo, mas aí você pergunta: "Bom, eh, faz um milagre." Então, qual o nome do seu pai, né? E aí ele assina o nome do pai biológico
e não o nome de Deus, tá certo? Então ele não tá atuando no delírio. Ou seja, delirar não significa necessariamente que a pessoa vai agir sobre aquilo, tá? Ela pode não agir assim como ela pode agir. Geralmente nas paranoias, que são delírios trat delirante persistente, Delírios de ciúme, delírios erotomoníacos, geralmente tem ação nesses delírios. Os delírios da esquizofrenia, geralmente os pacientes eles costumam não atuar muito, tá bom? Então isso é importante também para saber, para na hora de diferenciar na prática. Beleza, pessoal? Aprenderam aí duas palavras bacanas, duas palavras novas, Coinos Cmos e ídios Cmos.
Essas ideias aqui são de Binsvanger, tá certo? eh um estudioso assim da psicopatologia Mais fenomenológica, que é uma psicopatologia mais avançada, e uma psicopatologia também que se você quiser, você vai aprender mais no nosso curso. Então assim, essas aulas aqui a gente tá falando de psicopatologia descritiva e isso por si só já é uma ajuda muito grande, mas se você quiser entrar mais a fundo, melhorar, tá, se aprimorar, buscar mais maestria, entender mais o que que você faz com o paciente e obviamente ter o nosso Acompanhamento, ter o nosso compartilhamento, eu convido você a entrar
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delírio. Pessoal, a gente acabou de falar um pouco sobre o delírio que a gente fala que ele é primário. Então, o delírio primário é essa vivência que ela não é compartilhada, tá? A gente diz que é uma vivência autóctone, ou seja, ela surge Na mente da pessoa sem se ligar com nenhuma vivência prévia. Ela tem uma uma a gente tá aqui classificando pela origem, tá? De onde é que o delírio vem, mas o delírio primário ele não tem origem, ou seja, como se não tivesse explicação. É literalmente, tá? Literalmente como se fosse um tumor. Exato.
Um câncer. Então imagina que você tá aqui, aparece um câncer, tá bom? Mas o que que causou aquele câncer? Não se sabe, tá? Não tem como saber. O corpo Gerou aquilo ali. Então não é que aquilo ali se conectou com outras coisas. Então o delírio ele tem muita essa característica, o delírio que é primário, tá certo? A gente chama isso de incompreensível. E um grande asterisco aqui, compreensível ou incompreensível são termos iasperianos. Eles não significam o que o nosso português entende como uma coisa que é compreensível ou incompreensível. Toda vez que você vê Alguém falando
disso aqui dentro da psiquiatria, entenda da seguinte forma: incompreensível é quando você não consegue ligar os pontos. compreensiva é quando você consegue ligar os pontos. Eu vou dar bem aqui um exemplo, tá certo? Imagina que eu tô triste e essa tristeza é porque eu tava passando na minha casa e aí eu bati meu dedo na quina. Tá doendo e agora tô triste. Isso é uma coisa compreensível. Esse ligar os pontos entre eu bati meu Dedo e eu tô triste, é feito de uma forma muito natural, tá certo? Beleza? Uma outra coisa é eu virar para
você e falar assim: "Olha, eu tô triste por quê? Eu tô triste porque alguém tá colocando um chip na minha cabeça, tá certo? Esse colocar um chip na sua cabeça é uma vivência que ela de uma certa forma desconecta. Ela não é dois pontos ligados de uma forma óbvia, tá? Como assim? É a primeira pergunta que ele suja a cabeça. Então esse como assim É esse incompreensível? É como tivesse rompido esse grau, esse elo, que ele não é nem só dado pela lógica, ele é dado justamente por você ser capaz de experienciar aquilo. Não tem
como a gente experienciar uma pessoa que a vivência de ser colocado um chip na sua cabeça, tá certo? É completamente estranho, completamente esquisito. E esse tipo de delírio é o delírio que a gente chama bem, entre aspas, tá certo? Verdadeiro, tá? O que que é o bem entre Aspas o verdadeiro? É esse delírio daqui que a gente acabou de explicar da vivência primária, tá? Desse tipo de coisa que acontece sem explicação, sem origem, sem interpretação estranha, tá? Algo quase ali como literalmente um câncer na consciência. Então esse é o delírio primário e ele é o
delírio que a gente vê ali, principalmente nas esquizofrenias, tá? Ah, isso é restrito da esquizofrenia, não. Tá bom? Às vezes você vai ver um delírio primário num Quadro de maniaco. Às vezes você vai ver um delírio primário ali numa psicose orgânica, numa epilepsia, tá certo? Tem autores que falam que o delírio primário ele seria exclusivo da esquizofrenia, tá certo? Só que esses conceitos às vezes eles têm muito tipo de disputas. Alguns autores dizem uma coisa, outros autores dizem outras coisas, tá certo? E assim, os autores mais clássicos, eles guardam o delírio primário só paraa esquizofrenia.
Ou seja, achou um delírio Primário, quebrou o nexo, a compreensibilidade, você tá ali diante de uma esquizofrenia. E aí, pessoal, quais são as vivências que elas falam, ou seja, que elas apontam que a gente tá vivenciando, então tá com paciente que tá experienciando um delírio primário? São basicamente três. Se você souber isso aqui, tá ótimo, que é a percepção delirante, a representação delirante e a cognição delirante. Um psiquiatra muito famoso e um importante psicopatólogo que É chamado Kurt Schneider, ele organizou isso aqui e deu um certo tipo ali de sintomas de primeira ordem. Então, sintomas
de primeira ordem são sintomas que às vezes aparecem em quadros delirantes, psicóticos, e eles apontam muito para esquizofrenia. Vejam que eu não tô dizendo que são esquizofrenia, mas apontam muito nessa direção. Nada em psiquiatria é patognomônico. Botem isso na cabeça de vocês, tá certo? Tudo pode ser tudo exatamente, não tem nada Exclusivo. Mas esses três tipos de vivências, a percepção delirante, a representação delirante e a cognição delirante, seriam aquilo que a gente chama um pouco de delírio primário e apontam muito para essas vivências autóctones, sem origens, incompreensíveis. Vamos falar aqui da primeira delas, tá certo?
Primeira delas é a percepção. A percepção delirante, ela indica que na hora que o paciente vê ou percebe alguma Coisa, exatamente simultaneamente, guarda essa palavra simultaneamente, ela já tem aquela compreensão de um delírio. Por exemplo, imagina que o paciente ele liga a TV e por ter ligado a TV ele percebe que é o papa simultaneamente. Tá certo? Isso aqui, pessoal, não é tão frequente. Isso aqui é muito raro, inclusive aparecer na clínica, tá certo? Mas é uma vivência simultânea, tá? E isso vai borrar ou vai se confundir muito com a Interpretação delirante ou deliroide, que
seria o termo mais apropriado. Por que que é deliroide? Porque é o seguinte, não é um delírio propriamente primário, é um delírio secundário. E é como se nesse episódio que eu acabe acabei de falar, a pessoa ligou a TV, posteriormente ela vai interpretar aquela ligada de TV, o fato dela ter ligado a TV com ser o papa. Eu sei, isso aqui pode confundir, isso aqui é Confuso, isso aqui é misturado. Na prática, fazer essa separação é muito, muito, muito difícil. Por isso a gente tende a juntar a percepção e a interpretação delirante com a deliroide.
Ou seja, a prática a gente acha que tudo isso aqui é a mesma coisa, tá certo? Mas se você for bem minucioso, tem uma diferença. A percepção, ela seria um delírio primário. A interpretação seria um delírio mais secundário ou uma vivência deliroide. Deliroide é que não É delírio, mas é delírio like ou delírio parecido. E a diferença é justamente essa posterioridade da interpretação é um pouco posterior. Na percepção é primário, é sem origem, é autóctony, você não consegue estabelecer conexão, tá certo? É difícil separar, muito difícil, principalmente porque a maioria dos nossos pacientes eles não
vão se expressar assim tão bem, tá certo? Às vezes isso aqui é muito mais presenciado do que relatado pro paciente. Toda a Maioria das vezes o paciente ele consegue te relatar, geralmente você tá diante livro de interpretação, tá bom? Só que a representação ela é mais comum na nossa prática. A representação delirante é quando, por exemplo, um paciente ele se lembra de uma coisa, umas às vezes até uma vivência biográfica mesmo, e aí ele dá, ele atribui um significado delirante aquilo. E aqui a gente vai ver um exemplo de representação delirante, mas é como se
Imagina que você visse uma pessoa eh no seu passado e há sei lá, três anos atrás e você fala: "Ah, quando eu vi fulano de tal, eu vi ela porque aquilo ali já era expressão do meu poder." Então, fui eu que convoquei ela. Na verdade, ela se apresentou ao mim. Então você tá pegando uma memória, uma lembrança sua e atribuindo um dentro da lógica delirante. Isso é a representação delirante. Isso aqui é também, enfim, de uma certa forma, um sintoma de primeira Ordem e também um delírio primário, tá? Esse aqui a gente vê mais na
prática e a gente vai ver aqui um exemplos, tá certo? De tanto uma interpretação delirante, de quanto uma representação delirante. Vamos observar esse caso aqui. >> Então não parou de acontecer. Entendi. Além assim um pouco desses comentários, desses coxichos, você notou alguma coisa que eles tenham feito mais contra você? >> Eles também faziam uma coisa com a Caneca, que a gente tem umas canecas ali na empresa e eles ficavam mexendo na caneca para me prejudicar. >> Como assim, caneca? Explica aí. >> É que a gente tem umas canecas ali na agência, né? Cada um de
frente pro seu computador com o logo da empresa e e eu percebi que quando eu saí eu voltava, a caneca não tava no lugar, mudava de lugar. E eu fui percebendo isso, fui detectando, isso não parava de acontecer. >> Mas assim, Sandro, você acha que às vezes a caneca pode ter mexido, você que mexeu nela e você não percebeu? Não, teve uma um dia até que eu levei a caneca embora. Comecei a levar a caneca embora para perceber isso, mas não era isso. Quando eu chegava, colocava minha caneca, eu via que os dois colocavam a
caneca no mesmo lugar que tava minha, >> só para me prejudicar. Hum. >> Entendeu? Então era assim as pequenas coisas que que eu ia identificando isso, >> tá? Só para ver se entendi. Você acha que essa coisa da caneca ela pode não ter nenhum tipo de relação com você? >> Não, mas tem sim. E isso foi só o começo. A coisa foi só piorando. Porque esse meu chefe, por exemplo, que também tava do lado deles, quando eu comecei a trabalhar no setor de contratos, ele pediu para eu instalar o WhatsApp Business no celular. >> WhatsApp
Business. >> É, entendeu? Não muito >> para hackear, para hackear o celular. >> Você pode me explicar melhor isso? >> Queria hackear o sistema do meu celular para controlar as minhas ações, para controlar tudo que eu tava fazendo, >> tá? E como que eles fariam isso? Para exprorito. Algoritmo, >> faz isso com o algoritmo. O algoritmo tem essa capacidade de você ver no Instagram, a gente vai falando, vai aparecendo, né? Então, às vezes só de falar também que eu desliguei, ó, Desliguei aqui para entrar, porque às vezes isso pode, o celular conectado com o outro
quando tá próximo, isso pode acontecer, pode hackear, poderia hackear o seu, por exemplo. É isso que tem acontecido, >> tá? E esse, por exemplo, essa espécie de hacker, né, que você falou, isso faz alguma coisa com você?Um é, ele controla, controla o que eu tô fazendo, sabe onde eu tô, controla até pensamento às vezes, >> tipo um acesso dos seus pensamentos, das suas ideias. >> Sim, ele controla as ideias. A ideia deles era essa, de controlar tudo. >> E você já tentou, por exemplo, excluir o aplicativo do seu celular? >> Já, mas não adianta, porque
uma vez que tá aqui, ele já hackeou o sistema. Então é isso, começa a desligar onde eu não quero, >> tá? Não sei se assim também funciona, mas eu acredito que sim. >> E além disso, um pouco de acesso aos seus pensamentos, né? >> Você notou mais alguma coisa que esse algoritmo ele consegue fazer? Teve uma época que eu saquei que ele começou a controlar a minha digestão, controlava o alimento dentro do meu corpo. Então teve uma época que eu tinha que comer e evacuar imediatamente porque senão o algoritmo ele ia controlar o alimento dentro
de mim, entendeu? Então, comecei a fazer isso. >> Bom, observa aqui que esse paciente ele trouxe algumas vivências de interpretação e algumas vivências de representação dele diante. Primeira vivência de interpretação que ele traz é justamente quando ele aqui ele tá sendo, tá sendo vítima assim de algum esquema pelos amigos ou colegas de trabalho dele. Ele vai falar dessas canecas. Então, que as canecas se mexiam e por essas canecas se mexerem, ele atribuía que isso era os colegas de trabalho Fazendo alguma coisa para prejudicar ele, tá certo? Então eles atribuíam essa vivência de mexer as canecas
de alguém tava mexendo e se alguém era os colegas de trabalho. Ou seja, ele tinha a percepção das canecas se mexendo e depois dessa percepção ele interpretava com um certo tipo de significado delirante daqui. Então provavelmente uma interpretação delirante. E também ele fala da representação, ou seja, vê que ele tem a memória de ele ter instalado o WhatsApp Business no celular, vê que isso é uma espécie de recordação. E aí isso, essa recordação, essa memória é atrelada ao sistema delirante de o chefe dele pediu para ele instalar o WhatsApp Business porque tem um algoritmo que
vai controlar ele. Isso também é uma representação, tá? E tem depois uma outra interpretação delirante que é vê que o algoritmo ele controla os movimentos dele e os movimentos inclusive peristálticos. Ele depois ele Sente uma coisa, depois tende a quer evacuar. vê que ele tem essa percepção ou essa sensação de prestismo dentro dele e após isso ele interpreta um pouco, tá? Ah, pode ser interpretação, pode ser uma percepção, sim, pode ser às vezes também uma percepção, mas como ele tá às vezes te relatando e a gente não consegue de fato assim pontuar que foi simultaneamente,
tá bom? A gente tende a ir mais para interpretação delirante e representação, mas vê que tem junto Delírios primários com delírios secundários. vê que na prática vai se apresentar bem assim, tá bom? Então, esses conceitos às vezes eles não são tão exatos ou tão fixos, tá certo? Mas a gente sempre tem que fazer esse exercício de tentar separar e tentar organizar eles. Então, beleza? E por fim, pessoal, a gente tem a cognição delirante. A cognição delirante é uma convicção, ou seja, vai ser o delírio, só que sem percepção ou sem Representação. Por exemplo, a pessoa
falar que é Jesus Cristo, sabe que é Jesus Cristo e isso não resultar ou então não originar de nenhuma memória, ou então de nenhuma percepção, de nenhuma senso percepção, é só a cognição. É justamente em relação aos outros dois, é como não tivesse objeto, tá certo? Então, a pessoa só sabe e isso também aparece bastante às vezes na prática. Lembra que quando tiver isso aqui, a gente tá falando um pouco de Delírio primário. O delírio secundário, pessoal, é essa vivência de que é compreensível ou com origem, ou seja, você consegue remontar ela. E aqui eu
vou dar três exemplos bem simples que você vai justamente conseguir entender e entender de uma certa forma o que que é compreensível, lembra? conexão do que que é incompreensível sem conexão, tá certo? Imagina que a pessoa ela tá ali com o humor elado, então ela tá exaltada, tá achando que tá sempre muito Bem, tá falando mais rápido, tá mais super poderosa, tá certo? E aí ela começa a delirar que ela é um super um superherói, então um superheroín. Isso é um delírio de grandeza. Só que esse delírio de grandeza, a gente consegue remontar a origem.
A origem é o Mor. O Mor ele tá aumentado, o Mor ele tá elado, tá certo? Então é como se a vivência que ele tá tendo faz um certo sentido com um certo tipo de origem, tá? Você pode até discutir, ah, o que que Vem antes ou depois, mas em psicopatologia a gente tende a fazer isso. É o humor que tá gerando ali aquele tipo de ideia, concepção, então alteração do juízo de realidade. Pode também acontecer o contrário. Imagina uma pessoa que tá muito deprimida, ela tá com muito para baixo, sem conseguir fazer nada e
ela começa a falar: "Eu sou uma pessoa que é imprestável. Eu acho que eu fal a minha família. Eu acho que eu sou responsável por toda a desgraça Que tá acontecendo aqui comigo e toda a desgraça que tá acontecendo com a minha família. A gente tá aí perto de um delírio de culpa. Esse delírio é congruente com o humor. Então quando tiver esse tipo de origem for compreensível, a gente chama de deliroide, tá? E não precisa ser necessariamente comor, pode ser uma sensopercepção, que é o caso que a gente acabou de ver. a pessoa tem
um perist peristaltismo, você ele sente o Movimento ali do estômago e ele lança ali junto um delírio. Por isso que esse tipo de deliroide é o que apresente aparece aqui na interpretação deliroide. Então pode ser a origem do humor, pode ser da sensão ou às vezes pode ser da consciência. Imagina que uma pessoa, por exemplo, ela usou cocaína e aí quando ela usou cocaína, ela começa achar que tá sendo perseguida, tá certo? Tudo bem que esse perseguição é um delírio, tá? Mas esse Delírio ele é compreensível, ele tem uma origem, tá certo? Origem no caso
de uma alteração de consciência provocada ali por uma substância. Então você conecta os pontos muito rápido, tá certo? conectou os pontos muito rápido, é uma coisa deliroide, tá certo? E isso a gente botou aqui de amarelo porque, digamos, de uma certa forma é bem entre aspas, tá? Menos grave, é mais compreensível, tem um certo nexo, tá certo? Isso aqui significa um dano menor No psiquismo. Ah, é sempre assim? Não, não necessariamente, tá bom? Mas tem de ser assim. Ah, para ser primário sempre vai ser esquizofrenia. Não necessariamente. Às vezes você vai encontrar isso aqui numa
mania ou então às vezes assim numa epilepsia. Ah, deliroide sempre vai ser uma mania ou uma melancolia? Não. Às vezes também deliroide, como a gente acabou de mostrar aqui nesse caso, às vezes são em esquizofrenia, tá certo? Então toma Cuidado com isso. E por fim, a gente tem as ideias sobrevaloradas. E aqui foi a gente que botou terciário, tá certo? Não existe isso aqui no livro, mas é como se fosse ali um delírio quase terciário, tá bom? Ou ideias prevalentes. Por que que isso aqui é terciário? Por essa característica do delírio de ser fechado em
si, ou seja, ser incorsível, não ter troca, na ideia sobrevalorada ou prevalente tem. Você consegue sentir às vezes que a pessoa tá um pouco mais Aberta, ela pode se modificar, não tem aquele grau de fechamento que o delírio tem. E são justamente a definição, são ideias errôneas por superestimação afetiva. Ou seja, primeiro tem um afeto e a pessoa vai pensar um erro por causa daquele afeto. Imagina que a pessoa ela é muito fanática por política e aí ela por ser muito fanática por política, ela só vai falar de política. Tudo que você tentar ali conversar
com ela, ela não vai conseguir se dissuadir. Então, ela Sempre vai botar aquele na mesma partido. Você aponta várias vezes, ah, isso aqui não é certo, isso aqui não é tão legal, enfim, tipo, você dá assim evidências para ela e ela não se corrige. Isso é uma ideia catatímica, uma ideia sobrevalorada, uma ideia prevalente. E como eu disse aqui, pode acontecer num vivência normal, pessoas normais. Tem, por exemplo, psicopatologistas que consideram que o apaixonamento, então, gostar de uma Pessoa inicialmente é uma ideia sobrevalorada, porque você vai ter uma ideia super estimada, justamente oriunda de um
estado afetivo ou catatímico, tá certo? Isso pode ser influenciável. A pessoa, ela não rompeu com a realidade, isso é muito importante, tá? Só que também aparece em vivências anormais, como por exemplo, transtorno de esmorf corporal. a pessoa fala que o nariz dela tá torto e ela fala e diz que você mostra, mostra no espelho, enfim, mas Ela tem aquela vivência que o nariz tá torto. Isso pode às vezes beirar a fronteira de um delírio? Na minha opinião pode. Tá certo? Então assim, a ideia sobrevalorada é como se ela literalmente fosse um grande fator de risco,
tá certo? É como se ela fosse ali o prenúncio, o anúncio de que alguma coisa vai virar delirante. Então, detectou isso aqui, tem que ter cuidado. Por isso que muitos transtornos de móficos corporais às vezes eles evoluem Paraa esquizofrenia ou então eles beiram vivências delirantes, tá? Hipocondrias, pessoa achar que tá doente, ter certeza daquilo, tá? Enquanto ela não tem certeza, aquilo ali é uma ideia sobrevalorada. passou a ter 100% de certeza daquilo ali, aquilo ali pode virar um delírio que a gente vai ver, delírio somático. O toque, alguns pensamentos, algumas obsessões, elas são ideias sobrevaloradas.
Algumas personalidades que a gente chama Personalidades sensoriais ou então personalidades epiléticas, elas têm uma ideia que é muito influenciada pelo tipo de afeto que elas sentem. Um grande exemplo disso aqui, Dostoyevski. Dostavsk escreve muito sobre religião, então ele tem uma ideia de exaltação, de júbilo, de coisas morais. Isso é muito influenciado pelo tipo de apresentação que a consciência dele gerava para ele. O afeto dele era muito marcado por crises de epilepsia. Então ele ficava Muito adesivo nas coisas. É como se esses temas que pra gente são OK, tá? ou então são importantes para uma pessoa
que tem esse tipo de acometimento fosse muito importante. Então ele tem um afeto de fanatismo muito grande de falar demais sobre aquilo, escrever páginas e páginas, tá certo? Então são ideias sobrevaloradas. Onde que isso aparece muito também? Anorexia, tá? A ideia que tem que ficar magra, que não ainda tá suficiente, que o corpo está gordo. Isso É uma ideia sobrevalorada, uma ideia prevalente. E você vai ver que às vezes alguns casos de eh anorexia estão muito mais próximo de psicose do que coisa do corpo em si e também, óbvio, transtorno de humor, tá certo? Então,
por exemplo, a gente vai ver aqui um exemplo de que um humor ele influencia em como a paciente pensa. E isso aqui é uma ideia sobrevalorado. Então, uma ideia que o paciente ele tem é falsa. As pessoas apresentam uma prova ali, uma Contraprova, mas mesmo assim ele acha que não, tá? e sendo influenciado, obviamente por esse característica de afeto ou catatino. Vamos ver esse exemplo aqui. Reunião com vários gerentes de outros tempos, mais ou menos. >> Eu era gerente nacional e agora tô num cargo que é gerente internacional. Eu então eu tenho reunião com vários
gerentes de outros países, então novas metas, novas responsabilidades E eu sei que eu tô sendo um fracasso nisso e logo mais se as coisas continuarem assim, vou ser demitido. Eu tenho percebido isso com as pessoas, as pessoas tão fechando na cara, sinto pelo tom das mensagens, então é assim que as coisas estão encaminhando. >> Beleza, Adriano, sua mulher também tá vendo isso. Ela acha essa mesma coisa que você tá sendo um fracasso no trabalho ou é algo mais Seu assim? >> Ela acha que eu tô enlouquecendo, né? Ela diz que eu sou um bom profissional.
Ela até ligou pro meu superior para saber o que que tava acontecendo. Ela disse que eu resmungo muito, mas na verdade ela não sabe que tá passando, nem eu sei que tá passando direito. >> E assim, Adriana, você podia me descrever melhor, comentar como é a sua relação com o trabalho? Eu sempre fui Muito comprometido com o trabalho de me preocupar com o prazo, né, com o tempo, com disciplina e e agora com esse novo cargo não tô conseguindo corresponder a isso. Tá sendo bem puxado para mim. Eu sinto que vou ser demitido logo mais
>> consciência assim do dever. >> Bom, vê aqui que essa ideia de fracasso que o paciente tem é uma ideia que é sobrevalorada. Ou então é uma ideia que a gente chama um pouco de ideia prevalente, porque ela é justamente Influenciada pelo estado de humor dele. Ele tá tendo ali um afeto que tá puxando ele para baixo. E ele pensa assim, ele pensa que ele é um fracasso. Vê até que o entrevistador pergunta: "Bom, mas sua mulher ela sabe, ela acredita nisso? Realmente você tá performando tão mal assim na empresa?" Ele fala: "Não, minha mulher
acho que eu tô louco". Tá? Então, provavelmente ali ele não tá conseguindo sair um pouco dessa ideia porque ele tá, ela tá sendo regida ou então ela tá Sendo ali galvanizada por um estado de humor. E beleza, isso aqui beira às vezes uma coisa deliroide. Sim, esse paciente ele tá evoluindo para isso. Então imagina essas esses espectros aqui como se fosse uma transição, tá certo? Você também pode pensar assim, isso aqui é menos grave, isso aqui mais grave, isso aqui muito grave, tá certo? E a ideia é que isso aqui às vezes não é tão
estático assim. Às vezes você vai pegar um paciente, no começo ele vai estar com Ideia mais sobrevalorada, daqui uns 2 tr anos se abre no delírio franco, tá certo? Então pode acontecer isso aqui é bem incomum prática. Beleza, pessoal? Eh, a gente viu aqui também, principalmente a classificação do delírio pela sua origem e também muito um termo que aparece muito assim no nossos exames psíquicos e vai aparecer aí também, enfim, na prática de vocês é se o delírio é sistematizado ou não é sistematizado. Um delírio sistematizado É a mesma coisa de um delírio organizado, tá?
Ele tem uma lógica dentro dele. Então, a gente acabou de ver aqui nesse caso, tá? Nesse caso aqui, o paciente tá sendo perseguido por os colegas dele, pelo chefe. E aí ele dá várias explicações, tem um algoritmo, tem eh ele consegue controlar esse algoritmo, controla, essas pessoas mexem na caneca dele, ou seja, tem um certo tipo de lógica. Claro que é dentro de Uma lógica estranha, mas tem explicações lá dentro, tá certo? Esse tipo de delírio aqui são delírios que às vezes eles são mais encapsulados ou então são delírios assim mais concatenados, tá? E esses
a gente vê mais nas paranoias e nos transtornos delirantes persistentes. Já os não sistematizados a gente vê mais na esquizofrenia. Qual seria a diferença? É um del que ele às vezes ele não tem muita lógica. É tipo o paciente virar para você e falar assim: "Bom, Estão me perseguindo". Ah, mas quem que tá lhe perseguindo? Ele fala: "Tão me perseguindo". Ele só tem essa certeza. Às vezes ele não aponta quem é, às vezes você vai ter a impressão que muda um pouco, ou seja, fica uma coisa mais esfumaçada, desarticulada, mais anônima, tá? Nesse que a
gente apontou, o perseguidor, ele tem nome, ele tem rosto e ele tem cara praticamente, tá certo? Ele sabe quem são, são os dois colegas lá de trabalho dele. Nos não Sistematizados é mais anônimo, tá certo? Então, às vezes isso aqui vai para grupos, ah, é o PCC, é a máfia, ah, são os traficantes, ou então às vezes quando é pior ainda, tá? Ah, o paciente às vezes nem sabe quem tá perseguindo ele, tá? Então assim, essa característica, essa perda assim é geralmente nos não sistematizados. Isso que vai mais pra esquizofrenia. Ah, é patogneumônico, não tá?
Ah, o sistemato satisfato, gnomante De paranoia, transtorno delirante antipistente, não, mas aparência mais, é mais frequente, é mais comum, tá bom? E pessoal, por fim, a gente vai falar aqui do tema do delírio ou conteúdo, conteúdo do delírio. Quando a gente fala de delírio, a gente sempre bota lá no exame psíquico, por exemplo, delírio de perseguição, tá? Ou delírio de grandeza. Quando a gente refere a isso, a gente tá falando do tema. E uma coisa que é muito importante e geralmente vai evitar Confusões, quais são os temas do delírio? O conteúdo, o que que preenche
ele? Basicamente tudo. A pessoa pode delirar com tudo, tá? Os delírios são infinitos. Então, os delírios eles fazem parte ali do contexto sociocultural da pessoa e também um pouco da alteração. E o tema do delírio, ele não é que é específico de uma coisa, mas às vezes ele aponta pra gente numa direção. Por exemplo, o tema do delírio é um tema ali muito triste ou então um tema ali muito Para baixo. Ah, pode ser que seja uma depressão, então uma depressão fazendo um quadro de depressão psicótica. Pode ser esquizofrenia, pode, tá bom? Mas toma só
cuidado com isso. Não existe nada patognomônico, nada aí específico. O tema do delírio também às vezes eles podem se misturar, então não fica tentando ter esse rigor demais na classificação. Por exemplo, ah, esse paciente que fala que é Deus, isso é um delírio de grandeza ou isso é um delírio Místico de religioso? Porque, de certa forma, encaixa nos dois. Sim, encaixa nos dois. Tá certo? Pela psicopatologia descritiva, você pode botar as duas coisas: místico religioso de grandeza, tá? Na psicopatologia mais estrutural, aí a gente vai descer uma etapa abaixo e aí a gente consegue separar.
Então esse é o poder de estudar psicopatologia. Mas como aqui a gente tá falando de descritiva, você vai se limitar a dar mais de uma classificação. Então às Vezes eles vão se misturar, tá certo? E todo delírio de alguma forma ele tem algum grau de autorreferência, tá certo? Os pacientes que eles estão delirando, às vezes eles vão falar que aquilo se refere para eles. Então assim, algum grauzinho tem, é raro você achar que não tem. Então assim, a maioria vai ser delírio de perseguição, com um pouco de autorreferência. Então você pode classificar desse jeito que
a pessoa vai entender. E eu sugiro também quando você Tiver descrevendo ou fazendo seu exame psíquico, botar ali, entre aspas porque que você classificou o delírio daquela forma. Então, por exemplo, derir místico, aí você bota entre aspas, tá certo? O paciente fala que é Deus. Então isso aí ajuda também quem tá lendo a entender. E porque você viu, né, um pode ser relativo a essa classificação. Beleza? Mas quais são geralmente os temas do delírio? São praticamente esses aqui. E eu fiz até uma separação Didática. Lembra que isso aqui que a gente vai falar não é
exclusivo, não é patognomônico, mas eles aparecem mais nesses tipos aqui de transtorno. Então vamos lá. Primeiro delírio, que é o tema do delírio, que é o mais prevalente assim, ou seja, o mais que aparece o delírio de perseguição, tá? Então, a perseguição é o paciente, ele se sente perseguido, ele se sente que tem alguém atrás dele, alguém querendo fazer mal para ele. Esse Aqui é o número um, assim, é o que mais lidera. E ele aparece muito nessas paranóias e aparece muito também em esquizofrenia, mas pode aparecer em mania, em quadros orgânicos. Quanto às vezes
mais sistematizado for, quanto mais estruturado for, geralmente a gente tá falando mais de paranoia, quando não tem principalmente nenhum alteração da sensão, quando aparece mais depois, quando o paciente fica íntegro, a gente tá falando aqui principalmente de uma Paranoia, mas aparece muito, tá certo? Esse aqui é o principal. Tem também o delírio de prejuízo. Aquele paciente, por exemplo, que ele fala que as outras pessoas estão tentando prejudicar ele ou então zombam dele, tá? Eh, tinha um paciente, por exemplo, que ele falava que as pessoas na rua xingavam ele da preferência sexual dele. Então, eh, ele
falava que as pessoas na rua tava passando, eles xingavam, faziam um xingamento assim. Isso é um delírio de Prejuízo, tá? É como se fosse um de perseguição, só que um pouco mais leve. Tem o delírio também querelante, que é o delírio de reivindicação. É o paciente, por exemplo, que ele vai se questionar demais ou então ele vai atrás demais de alguma coisa para tentar resolver uma injustiça que foi cometida contra ele. Então esse aqui são os pacientes que isso aqui geralmente chega em histórias meio estranhas. Por exemplo, chega a história de que a uma Paciente,
ela tava ligando para um a para um escritório de advocacia. Ela ligava demais para escritório de advocacia porque ela acha que um vizinho fez uma injustiça e ela quer reaver isso, tá certo? Isso aqui é muito característica também das paranois. Isso aqui é geralmente são você vai vão chegar esses pacientes, pessoas que tiveram problemas com as justiças ou então casos estranhos de pessoas que ligam 1 milhão de vezes para algum tipo De departamento ou então tem alguma queixa. Então esses são os delírios querelantes. E isso aqui aparece bastante, tá? Em um tipo descrito por Crétman
que é chamado sensitivo de referência. Aparece muito esse tipo de delírio aqui e é dentro do grupo das paranoias. Tem também o delírio que a gente chama de ciúmes, que é o delírio celotípico. Ele é um delírio que aparece bastante em homens de meiaade, principalmente relacionado ao uso de Substâncias álcool, tá? É o delírio que ele acha que tá sendo traído pela mulher. E aí ele vai tirar, falar de várias formas que a pessoa pode estar sendo traída e aí ela pode estar sendo traída, pode, tá? Nem por isso deixa de ser delírio. Mas como
que a gente sabe? Às vezes pelo grau de evidência. Então, por exemplo, ele sabe que tá sendo traído porque um dia ele dormiu mais cedo e ele acha que a mulher dele dopou ele para dormir mais cedo. Bom, começa a Ser pouco provável, começa a ser pouco estranho. Ah, como que você sabe que tá sendo traído? Ah, eu desci e aí os porteiros olhavam para mim, ele levantava a sobrancelha. As pessoas levantam as sobrancelhas quando elas sabem de alguma coisa sobre a outra que não quer dizer. Bom, evidência meio estranha, tá certo? provavelmente um delírio
de ciúme e convence mesmo, tá certo? Eh, se você não conversassem direito, então às vezes se al a muitas Vezes as pessoas vão chegar acompanhado de alguém falar: "Poxa, tá ciendo demais, não faz sentido". Então, já chega, já tem essa dica, tá? Eh, mas é também muito comum das paranois. E a versão, bem entre aspas, tá? feminina desse delírio aqui é o delírio erotomaníaco, que recebia, foi descrito por Clarenbo e tem até assim uma descrição que é parecida com o delírio das mulheres solteiras, enfim, mas é Acreditar que você tá sendo que alguma pessoa, geralmente
essa pessoa tem um um status social mais alto, é apaixonada por você. Então isso aqui aparece, por exemplo, em, é comum você ver essas histórias quando algum famoso conta que tinha um stalker perseguindo, perseguindo ela, tá certo? Ou então perseguindo ele, uma pessoa famosa. Então, por exemplo, uma paciente fala que é o Roberto Carlos é apaixonado por ela, tá certo? Então, às vezes isso Acontece. E esse grupo aqui de paranoia são geralmente os delírios que os pacientes mais põem em ação, então geralmente atuam, tá? Eh, a gente vê às vezes crimes que são cometidos eh
por isso aqui, por ciúmes ou então ciúmes patológicos e não só patológicos, ciúmes delirantes, tá? Ou então erotomanias delirantes. Procure aí na internet que você vai achar isso aqui, tá certo? Beleza? Eh, outro que é muito importante é o delírio de influência. E o deliro de Influência a gente acabou de ver. Então o caso desse paciente aqui que a gente mostrou, tá? É um delírio de influência. Então ele fala que ele tá sendo controlado por um algoritmo que controla os pensamentos dele ou então controla às vezes até o peristaltismo dele. Muitas vezes isso aqui vai
aparecer como: "Ah, estão fazendo magia para me controlar ou então eu sou um boneco de voodu." Tá certo? Isso aqui são delírios de influência e aparece bastante aqui em Quadros de esquizofrenia. Um outro tipo de delírio é o delírio de grandeza, é o paciente acreditar que tem um superpoder ou então que é invencível, imbatível, às vezes que é Deus, tá certo? Aparece bastante em quadro de mania, tá? E junto disso tem também o derivre, que é o paciente achar que coisas aleatórias se referem a ele. Então, por exemplo, ele tá andando, vê duas pessoas conversando
e acha que essas pessoas estão conversando sobre Ele. Ou então que passou um carro, aí esse passou, esse carro, passou esse carro vermelho e esse carro vermelho passou porque ele não gosta de vermelho, tá? Então vê que a direção da realidade está centrípeta, tá apontando pro paciente, é como se tudo se referisse a ele. E as coisas que acontecem geralmente por acaso, não acontece por acaso, acontecem referente ao paciente. Então esse é o delírio de autorreferência. Ah, em algum grau todos São, sim, todos são em algum grau. Tá bom? Um outro tipo de delírio muito
comum é o delírio místico, que é quando o paciente ele vai para temas que são de uma certa forma mais abstratos, às vezes religiosos. Por exemplo, o paciente fala que tá no meio de uma briga entre anjos e demônios, ou então o paciente fala que ele é o próximo salvador, ou então ele é um júbilo. Ah, confunde um pouco com grandeza, às vezes confunde, mas às vezes o delírio mítico também ele vai Para temas muito filosóficos, muito científicos, tá certo? Isso acontece às vezes, então fica de olho aqui nesses pacientes. E tem também os delírios
fantásticos, que são delírios assim que tem uma característica muito extraordinária. O fantástico é como se fosse um de grandeza elevado. Tinha um paciente, por exemplo, que ele falava que ele era pai de 1 milhão de filhos, tá? Isso aqui é uma característica meio fantástica assim. Ou então é um paciente Que falava que ele nasceu da colisão entre o Sol e a Lua. uma coisa meio grandiosa demais, fantástica demais. Então é um de grandeza exagerado, tá certo? O de grandeza a gente geralmente fala para coisas que são mais possíveis assim. E o fantástico ele é muito
característico de quadros que estão mais comprometidos, quadros demenciais, às vezes parafrenias, tá certo? Quadros às vezes mais em idosos. Então, eh, fica de olho. Mas lembrando aqui, ó, a gente Botou esse grande grupo, geralmente se aparece em esquizofrenia, mania em quadros orgânicos. Ah, pode aparecer na melancolia, pode, tá? Mas é mais um pouco mais provável que apareça nesse tipo de de transtorno. Lembrando que a gente acabou de falar de melancolia, a gente vai falar do grande grupo de delírio de ruína. Então, o delírio de ruína é como se ele subdividissem três, que é o somático,
de culpo e o nilista, tá? O delírio de Ruína, ele geralmente vai acompanhar esse tom meio pesaroso e um pouco de humor deprimido. Ele aparece bastante em depressões psicóticas, em quadros que a gente chama de melancolia, tá? Então vamos lá. O primeiro deles é o delírio somático. É o paciente que ele vai falar: "Bom, eu tenho uma doença mortal". Ou então às vezes ele vai falar: "Meus órgãos não funcionam", tá certo? Eu não consigo às vezes eh engolir. E aí você faz 1 milhão de Investigações orgânicas no orgânicas no paciente. Aquilo ali é fruto de
uma vivência delirante, não dá nada. Tá bom? Então pode acontecer isso aqui. E tem um tipo específico de delírio somático que é o delírio de infestação. É o paciente que fala assim: "Bom, tem pequenos insetos dentro do meu corpo." Isso é uma vivência delirante, tá certo? E recebe um epônimo que a gente chama de ebum, tá? É o delírio que acredita que tem pequenos insetos ou então coisas que Estão ali rastejando embaixo da pele, aparece em quadro de melancolia, tá bom? Um outro delírio é o delírio de culpa, que resulta justamente do paciente achar que
cometeu alguma coisa muito grave, que um acontecimento que ali foi muito grande eh por culpa dele, tá? Ou então que ele é um fracassado. Às vezes a culpa atinge muito uma coisa moral. Aquele paciente que a gente mostrou desse caso aqui, tá certo? E ele tá evoluindo para um delírio de culpa. Então, às vezes vai aparecer que, bom, eh, eu não tenho mais dinheiro e a gente vai ficar miserável, tá certo? Então, começa a entrar numa coisa meio nilista, mas a culpa é justamente a responsabilidade do eu. E tem uma coisa muito interessante, tá certo?
E assim um um, entre aspas aqui um asterisco. Tem uma alteração que é chamada de oxímoro, tá? que era justamente o paradoxo, é uma culpa de uma coisa muito grande. Por exemplo, paciente falar assim: "Ah, eu Sou responsável por eh o fato de eu não ter o fato de eu não ter eh me atentado na compra de uma passagem, eu fui eu fui responsável pelo 11 de setembro. Então é uma coisa que ao mesmo tempo que é negativa, ela é muito grande. Ou seja, o paciente ele tem uma culpa de uma coisa que ele fez.
é um um tema para baixo, só que ao mesmo tempo é resulta de uma coisa muito grandiosa. Algumas pessoas falam que isso aqui é muito sugestivo de Transtorno bipolar, tá certo? Mas lembra que na psiquiatria não existe nada patognomônico. Importante isso. E a gente também tem o delírio niilista, que são os delírios de negação total. É esses delírios assim de ruínas acho que mais graves, tá? O paciente às vezes ele pode falar que é nada. Então, tinha um paciente, por exemplo, que ele falava que o sangue dele já não percorria mais os órgãos dele. E
quando isso aqui vai para uma coisa muito grave, às vezes o Paciente ele acredita, digita que ele já é um cadáver, que os órgãos dele não funcionam, que o sangue dele virou areia. Isso a gente chama de delírio de cotar. É muito sugestivo de quadros melancólicos graves, tá bom? E por fim, a gente tem o delírio de identificação. É quando a pessoa, de uma certa forma confunde as outras, tá? E a gente tem dois apônibus aqui que são bem conhecidos. O primeiro é o de capers, é quando a pessoa vê alguém que é Familiar, tá?
Imagina, ela vê um um o pai dela e ela fala: "Bom, não é meu pai". Isso. Alguém substituiu meu pai por uma pessoa que é muito parecida com o meu pai, mas não é meu pai. Aí como que substituiu? Não tem uma máquina lá na Sibéria que substitui as pessoas. Esse é um delírio de capigras, tá certo? O de fregoli é a mesma coisa, só que ao cont ao contrário, é você ver uma pessoa que é desconhecida e atribuir que ela é familiar. Então imagina que você Encontra um desconhecido e fala: "Essa pessoa aí é
meu pai, você nunca viu ela". E ele diz: "Bom, mas é que não é exatamente o meu pai, mas eu sei que é meu pai. Ele tá a essência dele é o meu pai". Então esse é o delírio de fregoli. Isso aqui indica às vezes um pouco quadros orgânicos, tá certo? Então assim, investig organicidade que é interessante. Pessoal, chegamos aqui, enfim, no fim dessa aula. Espero que se você tenha gostado. É um tema muito Interessante. E assim, novamente fala se você tava gostando. Se você tá aqui no YouTube, curta, compartilhe, comente, tá certo? a gente
goste de ver isso. E até a próxima, até a nossa continuação.