Olá você, tudo bem? Você que tem nos acompanhado aí nessa jornada que recém começou de religiosidade de competência profissional. Há 15 dias atrás tivemos a abertura da matéria sobre espiritualidade e espiritualidade, de que maneira isso é importante pra vida da gente, pra vida da nossa carreira.
E hoje a gente está aqui mais uma vez com o professor Moisés Sanchez Júnior pra gente discutir um pouquinho e o tema de hoje é super super legal, né, professor? Como é que é? Emprego, trabalho, omissão.
Eh, eu vou abrir aqui pegando um um dos textos que você colocou disponível pro pessoal. Eh, um texto que está lá postado num site da internet, eh, de uma pesquisa de uma psicóloga que descobriu como é que as pessoas criam sentido para o seu trabalho, especialmente em contextos difíceis, ocupações estigmatizadas, trabalho virtual e etc. Ela diz na sua experiência que após vários anos e diversas entrevistas com trabalhadores de inúmeras profissões, ele identificou que as pessoas apresentam uma de três orientações ao trabalho, isto é, concepções mentais que cada indivíduo possui em relação à atividade profissional.
A primeira delas é as pessoas entendem que elas têm um emprego. É um emprego ou um empreendimento. O que que significa isso?
Então esse é esse é o velho drama de como você encara as coisas, né? Então, quando você olha uma situação de empregabilidade ou uma situação de emprego, significa duas coisas em primeiro lugar, que alguém te deu uma oportunidade de algo, por isso um emprego, e via de regra que esse algo tá atrelado a alguma coisa que você sabe fazer ou se dispõe a fazer, ou talvez até nem saiba, mas vai aprender. Vai aprender.
E nesse contexto você vai ter como troca dessa disposição de fazer ou aprender fazer é uma remuneração ou algo que te dão em troca disto. A noção de emprego, via de regra tá atrelada a ter essa ocupação com algum nível de retorno eh direto. A gente podia fazer uma busca assim social, né, na história do Brasil.
Eu me lembro que bem de antes, né, quando eu assinei a minha primeira carteira de trabalho, tinha assim eh um uns dizeres, né, na carteira de trabalho que dizia assim: "Através dessa carteira, o empregador descobrirá se a pessoa é uma pessoa calma, que fica durante longo tempo no emprego, ou se ela é uma pessoa inquieta, que cada ano tá num emprego diferente. Eh, os tempos mudaram, né? Hoje as pessoas, se você escrever isso na carteira hoje [limpando a garganta] vai preso.
Hoje é hoje as pessoas, hoje as pessoas elas mudam de emprego muito facilmente. É por que que você acha que as pessoas elas trocam de emprego facilmente ainda em função desse negócio, do que eu posso oferecer e do que eu recebo? Então, eh, a concepção de emprego, ela vai sofrendo modificações, eh, e vai se cindo da função trabalho.
E no momento em que o emprego passa a ser só o lugar onde você está desempenhando alguma coisa circunstancialmente, eh, esse lugar pode mudar quantas vezes for necessário para satisfazer aquilo que você busca no emprego. Ou seja, se eu tô atrelado ao emprego por duas questões, a satisfação pessoal pura e simplesmente de alguma coisa ou a remuneração que eu tenho para alguma coisa, trocar é natural. Ou seja, se eu tô levemente insatisfeito ou não estou recebendo adequadamente aquilo que eu gostaria, troco.
Totalmente descartável. Ou seja, não há vinculação entre o que eu faço, onde faço e com quem faço as coisas eh para a minha satisfação ou realização. É simplesmente aquilo que eu recebo em troca, ou seja, é um olhar de lá para cá e não daqui para lá.
A gente poderia dizer que o emprego ele fica bem estigmatizado naquele negócio do cartão ponto, cartão ponto todos os dias, todos os dias na mesma rotina, né? Eu tô aqui com a imagem do filme do Charp, que eu esqueci o nome, mas todos os dias apertando o mesmo parafuso, na mesma velocidade da esteira, com um índice de metas a cumprir. Mas eu não tô muito preocupado assim com isso, porque ao final do dia do meu período eu bato o cartão, volto para casa e tá tudo bem.
No final do mês, eu recebo o meu salário e não há vínculos. Eh, não tenho vínculo assim de paixão, né? Não, eu tô assim, não toma lá da cá.
Sim. Uma troca muito legal. Sabe o que é o pior, que eu tô dizendo muito legal, mas tem uma porção de gente que se contenta viver assim nessa eh nessa faixa, né?
Uhum. Eh, e é, talvez aqui comece uma primeira dica pros nossos alunos, né? Você prec você pode sonhar mais alto, né?
Você não precisa de ter uma coisa que você eh entregue e receba. Você pode você pode sonhar mais, né? Aí a gente vem para um segundo status aqui que a pesquisadora denomina de carreira.
Carreira, ela chama de pessoas com uma orientação de carreira, elas tendem mais a privilegiar aspectos como prestígio, estados e sucesso. No que então é já diferente o emprego da carreira? O emprego é um automatismo, literalmente o toma lá da cá.
Eh, quando você desenvolve uma carreira e enxerga o sentido do trabalho que permite essa carreira, eh, ela ultrapassa essa visão mais puramente superficial e pragmática do faço e recebo para uma situação de eu preciso eh trilhar um desenho, trilhar uma escada e essa escada tem degraus que eu preciso superar. Então, já a primeira coisa que modifica é essa postura de você estar desenvolvendo um processo de superação. A segunda coisa interessante num processo de carreira é que a carreira pressupõe algum tipo de estabilidade.
Uhum. Você não precisa a vida inteira ficar trabalhando na mesma coisa e nem no mesmo lugar. Mas se você desenvolve um processo de carreira, você mergulha eh pelo menos inicialmente naquilo em que você está e entrega eh de alguma forma naquele local ou naquela condição de serviço que você tem ou naquele trabalho que você tem, você entrega algo que constrói essa carreira.
E hoje nessa nessa aparente indefinição que as pessoas têm, nós já temos profissionais que lidam com isso, né? Os aqueles os coachings de carreira, né? Tipo, ah, você agora faz isso, agora faz aquilo, aquilo outro para que você construa uma carreira.
Isso pode ser por pelos meios acadêmicos, né, ou pelos meios de empresas que por onde eu trabalho e que vão me dar algum tipo de conhecimento para eu chegar num outro lugar. Então, eu estou construindo uma carreira. É uma pergunta que eu acho muito pertinente ao tema da aula.
Antes da gente tratar da terceira característica que ela descobriu, é possível desenvolver espiritualidade na minha vida profissional d tendo apenas um emprego ou tendo apenas uma carreira? [suspirando] É possível você ter alguns aspectos manifestos da espiritualidade, mas não desenvolvê-la. Ou seja, você pode entregar, mas dificilmente você vai desenvolver se o seu foco estiver só no emprego ou só na carreira.
Entendi. No caso do emprego, porque vai ser muito artificial e a essência da espiritualidade tá na no compartilhamento pleno. Uhum.
Se você vai pro desenho de carreira, ela pode acontecer num nível um pouco mais alto, porque as suas intenções ou aspirações de crescimento exigem de você certas competências emocionais e certas entregas de inteligência emocional que se aproximam da do conceito de espiritualidade. Mas corre-se o risco de que isso também seja artificial. Ou seja, baseado em interesse de um processo de crescimento, ou seja, vire um processo político e não espiritual, um político fake, né?
uma coisa assim onde eu posso onde eu posso metamorfosear, né, essa essa essa questão. Exatamente. Eh, portanto, você fica com uma lacuna eh não preenchida do conceito de espiritualidade ou do conceito de religiosidade.
Agora, eu acho que também seria legal nesse ponto fazer uma diferença entre ser espiritual Uhum. e manifestar espiritualidade. Acho que tem uma diferença nisso, né?
tem eh o ser, quando você coloca nessa dimensão ser espiritual, é um processo relacional seu, eh metafísico, eh vertical com aquilo que você tem como modelo de crença ou como referência de crença onde você deposita fé. E eu posso ter isso tendo um emprego. Posso ter isso tendo emprego.
Eu posso ter isso tendo a espiritualidade. Só que eu vou est tendo a a carreira, mas eu vou est desenvolvendo esse relacionamento espiritual quase como uma cisão. Ou seja, eu visto uma outra roupa e uma outra carcaça quando eu vou pro emprego.
Quando eu saio do emprego, eu vou viver a vida real ou aquela que eu acho que é real nesse desenvolvimento espiritual. Eh, eu diria que isso produz em algum momento da vida, em algum momento da existência, ou algum tipo de frustração ou algum tipo de, eh, literalmente cisão mesmo, ou seja, de dualidade comportamental, porque chega uma hora que é difícil vocêir com você mesmo. Então, vai ter um momento na vida em que isso vai aparecer, que existe essa cisão.
Mas é possível. Num primeiro momento, eu diria que é possível. Eu acho que seria legal fazer um outro aporte aqui antes da gente chegar no terceiro.
Você falou que você veste uma roupa pro emprego, uma roupa quando sai do emprego. E eu tava pensando que podia existir ainda uma terceira, que é quando eu me eu compareço diante da igreja, né? Uhum.
Porque às vezes as pessoas elas passam uma vida inteira e ninguém no emprego nunca soube da da sua da sua fé ou da sua confessionionalidade, né? Então, tipo, no emprego eu nunca vesti a esta camisa. essa camisa, né?
Existe isso, né? E isso seria quando a pessoa não transparece, seria uma falta, talvez uma ausência da espiritualidade. Eh, pode ser uma ausência da espiritualidade, pode ser um medo de manifestá-la por alguma questão que ainda não se desenvolveu plenamente na espiritualidade.
Ou seja, falta alguma coisa na minha espiritualidade e por isso esse medo surge ou talvez para lembrar de ética, né? talvez algum tipo de preconceito, algum tipo de preconceito religioso ou social no no trabalho. Isso pode ocorrer.
Eh, na carona disso, quando você falou da questão da igreja em si, pode acontecer o mesmo. Eu posso estar na igreja com uma casca de espiritualidade que não se reproduz dentro do sujeito que foi à igreja. Uhum.
ou pode acontecer o inverso de ele ter a espiritualidade pessoal nos no fenômeno particular, ou pelo menos está buscando desenvolvê-la, mas por algum motivo externo também no ambiente igreja, ele veste uma casca de eh não de aprisionamento da espiritualidade, mas uma casca que impede as pessoas de aproximarem-se do sujeito no sentido mais pleno, quase como se ele tivesse receio de que se a conversa aprofundar na igreja, alguns dos seus elementos pessoais apareçam ou ele simplesmente se veste naquilo que os outros esperam que seja demonstrado dentro da igreja e a igreja vira um ritual. Sim. As duas roupas podem existir nesse fenômeno do mesmo jeito que na no emprego podem existir as duas roupas.
Muito legal. Aí nós chegamos no terceiro item que a a nossa pesquisadora eh encontrou que as pessoas também trabalham por uma missão, né? Os indivíduos que se enquadram nessa classificação, diz ela, consideram o seu trabalho como algo integrado à sua própria identidade.
Eles vêm a sua carreira e o seu trabalho com uma maneira de satisfação pessoal e que explica parte do próprio sentido da sua vida. Tipo, então o trabalho não é apenas a maneira como eu recebo o meu salário, mas o trabalho é uma coisa na qual isso é a minha identidade, é aquilo que eu faço. Eh, nós poderíamos dizer que essa classificação está ascendente, assim, emprego é uma fase, carreira uma segunda fase, missão é o top level class, assim, é aquilo que se busca.
Missão é o que se dá sentido, é o que é o que te põe como propósito. Ou seja, eu sei por eu estou fazendo algo e eu sei a resultante disso. E percebe que isso não depende do trabalho, depende de como eu olho para ele, não depende do emprego, depende do que eu tô olhando como resultado disso.
Ou seja, e imagina uma pessoa, vamos imaginar onde a gente está aqui, para que esse estúdio tivesse do jeito que está, alguém trabalhou, o que implica que alguém pôs a sua capacidade, a sua competência para isso. Alguém eh está empregado para isso no sentido formal ou não formal, mas está empregado para isso. Agora, alguém varreu o estúdio.
Eu posso encarar que quem varreu o estúdio ou quem limpou o estúdio foi só um faxineiro, só um varredor. A pergunta é: como é que funcionaria o estúdio sem essa pessoa? Ou eu posso dizer que a pessoa que varreu o estúdio fez a aula, fez acontecer a classe, desde que o que ela enxergue na sua atividade funcional, no seu trabalho, tenha esse característico.
Eu sou parte de Eu gosto de parte do processo. Eu gosto de pensar em quebra-cabeças. Eu gosto de montar quebra-cabeças.
Eh, aqueles pequenininhos de 5000 peças são os meus prediletos. Eh, o que me encanta nos quebra-cabeças é o fato de que cada peça tem o seu lugar único. Elas podem separadas pare serem muito muito semelhantes umas às outras.
Às vezes nas cores daqueles quebra-cabeças que tem um céu enorme ou uma paisagem verde enorme, você leva um bom tempo para achar as peças. Eh, só que se faltar uma peça, qualquer um que olhar aquele quebra-cabeça não vai ver o quadro, vai ver o buraco. Exatamente.
Então, e enxergar a partir da missão é enxergar a tua pecinha. Não importa se ela é a peça do rosto de alguém ou se de só mais uma graminha no quebra-cabeça. Aquela peça faz o quadro porque a falta dela mostra um buraco que não ninguém consegue se livrar dele.
Então isso tem um sentido de legado, um sentido de entrega, um sentido de não, eu estou aqui por algo. Essa é a missão. Eh, na aula anterior você comentou isso citando uma historinha bastante conhecida, né, de um grupo de pedreiros, um dizendo que estava só colocando tijolos e o outro dizia: "Não, eu estou construindo uma catedral".
Tipo, ele encontrava o objetivo maior, né, do que ele tava fazendo. A pesquisa da psicóloga aqui, ela ela tem uma coisa muito legal que eh corrobora o que você disse, né? Eh, ela pediu que os funcionários de limpeza de um hospital universitário escrevessem a sua descrição de cargos, né?
E ela disse que ela colocou isso em dois grupos. O um grupo comentou que estavam um grupo eh comentou que estavam ali para ajudar os pacientes a serem curados. Mas o outro grupo comentou coisas do tipo: "A minha função é assegurar a esterilização e limpeza do ambiente para ajudar na cura dos pacientes".
Aí ela diz: "Apesar de não serem médicos, as pessoas desse grupo se viam como agentes de mudança e influência. Eh, isso é uma coisa que ao ler me chamou atenção, porque o funcionário de limpeza do hospital, ele pode se sentir um zero à esquerda, [limpando a garganta] né? Uhum.
Porque ele, afinal de contas, no meio de tantos médicos, cirurgiões e enfermeiros, tal, cara, eu só sou o cara da limpeza, mas na verdade depende de como ele enxerga, né? Eh, e você tocou num ponto assim, se a gente for entrar na discussão hospitalar em si, eh, eu arrisco dizer, óbvio, não tô desmerecendo toda a especialidade médica e a capacidade cirúrgica, mas eu arrisco dizer que o sujeito da limpeza, o agente da limpeza, o agente da esterilização num hospital, eh, o principal agente hoje, consideradas as multibactérias resistentes que temos no na estrutura humana atual, eh, ele é o agente principal de é você não só produzir a cura no sentido direto, que foi a cirurgia ou a intervenção médica, mas a cura da sobrevida, que é o tempo da recuperação. Uhum.
Um erro aqui, e o médico pode ter feito a melhor cirurgia do mundo. Uhum. Um ferramental com um erro de esterilização mata o paciente.
Uma coisa que não foi bem limpa, um banheiro, como diz assim, brincadeiras à parte, um bichinho desse tamanho que nem se enxerga, obviamente, entre 500 aspas, a palavra eh, mata o paciente na mão do melhor cirurgião. Sim. Então, essa questão de entender, eu estou salvando vidas quando eu limpo bem o ambiente, esterilizo bem os instrumentos, eh, isso é vital.
Só que o que é que faz a diferença no fim das contas do funcionário comum que limpa, daquela pessoa que vem intediantemente assim, ai vou ter que trabalhar hoje de novo e ela vem se arrastando, bate o cartão, do que esse que chega e diz assim: "Eu vou para salvar vidas". O que é que faz, o que que faz essa postura ser diferente? Ah, há basicamente duas coisas principais.
A primeira é eu entender o que eu faço, vendo o todo, não a parte. Quando eu faço isso, eu enxerguei o cenário inteiro e agora eu enxerguei a minha peça no quebra-cabeça. A segunda é como eu me olho frente aos demais, ou seja, eu sei fazer isto e eu posso fazer bem.
E se eu fizer bem, todos saem bem. Essas duas coisas são vitais para essa transição que leva a uma terceira. E essa normalmente é onde o pessoal se esbarra, que é quem leva as glórias.
Sim. É nessa terceira quem vai levar o elogio. É nessa terceira que a gente esbarra.
Ou seja, eu faço porque tem uma questão vital e é correto fazer. Eu faço porque eu entendo o valor disso, independentemente se as pessoas vão enxergar ou não aquilo, ou eu faço porque eu quero a resposta para mim, o elogio para mim. Ou seja, eu faço por causa do outro.
E a gente sempre volta, percebe no mesmo tema de origem. Eu faço porque eu enxerguei o que o outro é e o que o outro precisa. Ou eu faço porque eu quero algo?
É o que te diferencia do emprego e da carreira. Não porque você não possa ter uma carreira e não porque você não possa ter sido contratado para um emprego, mas se em nenhum dos dois você encontrou propósito, a vida ela perde um pouco da graça, um pouco do brilho. Quando eu era professor no ensino médio, eu dizia pros meus alunos que existem muitas escolhas que a gente faz na vida, mas existem duas escolhas que elas são muito importantes.
E aí a gente tá aqui provavelmente com um grande número dos nossos alunos ainda solteiros, né? a essa altura, eu acho. Aí você tem a primeira grande escolha é com quem eu vou me casar, né?
E a segunda grande escolha é onde eu vou trabalhar e no que eu vou trabalhar. Porque eu dizia pros meus alunos assim: "Se você se casa muito bem, mas trabalha muito mal, você nunca vai querer sair de casa, né? Se você se casa mal e trabalha muito bem, você nunca vai querer voltar para casa.
A tragédia de todas é você se casar mal e trabalhar mal, porque você não tem para onde ir, você não tem o que fazer. E o status legal seria eu ter me casado muito bem e trabalhar numa coisa muito boa, porque aí eu estou em casa e não vejo a hora de ir pro trabalho, estou no trabalho e não vejo a hora de vir para casa. Eh, isso é mais ou menos o que tá relacionado a esse projeto de eu trazer pro meu trabalho um significado maior, porque quando eu trago o significado maior, então eu eu acho que eu sou parte importante daquilo tudo.
E veja como isso é cíclico, né? Se eu encontro o propósito naquilo que eu faço e faço bem, mesmo que eu não quisesse, eu serei de alguma forma percebido porque faço bem, porque algo além do que eu faço extravaza. Ou seja, uma pessoa que varre o chão e é feliz, o entorno dela se torna feliz.
Uhum. Porque não tem como ela tá varrendo o chão e as pessoas que estão em volta não perceberem o sorriso, o cumprimento, a disposição de você gostaria que eu te ajudasse e limpasse o teu ambiente, você, ou seja, isso extravaza, esse extravazar muda a carreira, porque percebe, as coisas ofertam mudanças. E, portanto, essa possibilidade nova vai surgindo num desenho mais natural do que simplesmente a construção construção artificial ou politizada de uma carreira.
Eu não tô dizendo que é uma vida de poliana e de ingenuidade, não é disso que eu tô tratando. Mas se você conseguir colocar o coração no que faz, no sentido missional, o teu entorno vai sentir isso e vai crescer junto. É, eu tenho duas coisas para lhe perguntar pra gente assim, uma e na sequência a gente pode partir para partindo pra conclusão.
Eh, você falou que às vezes as pessoas [limpando a garganta] elas não conseguem enxergar a sua participação no todo, né? Essa classe de religiosidade, ela também vai tratar um pouquinho da minha habilidade de liderança, né? Porque a maneira como eu me coloco à frente dos meus liderados também significa bastante para o sucesso daquilo que eu estou fazendo.
Sim. Eh, não acontece de muitas vezes as pessoas não serem informadas, acontece da razão pela qual elas estão por ali. O, o que é uma ótima coisa pra gente pensar na competência profissional, na estrutura com a qual eu desenvolvo o desenho.
Ou seja, quem tá comigo tem que saber porquê. Primeiro, porque tá comigo. Segundo, como eu vejo aquilo que a gente tá fazendo no sentido geral.
E terceiro, como cada parte é importantíssima para aquilo ocorrer. E o que aconteceria se aquela parte não se desempenhasse da forma adequada? Isso precisa ser dialogado, precisa ser tratado, não no sentido de eh tirar ou perder poder, como às vezes as pessoas pensam num nivelamento básico do tratamento.
Não, não se trata disso. Se trata de todo mundo entender, olha, eh ninguém precisa olhar a minha parte sendo feita porque eu sei porque ela tá lá e eu sei o quanto ela é vital. Se você consegue desenvolver uma equipe de trabalho dessa forma, que tenha a missão naquilo que faz e além disso a capacitação técnica para que tá fazendo, eh percebe que o processo de chefia ou policiamento da chefia, ele vai se tornando cada vez menos necessário.
E acontecem duas coisas. Acontece primeiro a realização do sujeito que fez, porque todo mundo faz a festa junto, mas também acontece a realização da ética, que é uma outra disciplina correlata a religiosidade, que é todo mundo faz o que precisa ser feito quando ninguém tá vendo. Sim, porque isso porque todo mundo entende qual é o seu lugar para qual é o seu lugar pequenininho como a a peça do quebra-cabeça na formação, na formação do tohfica dica para quem vai ser líder ou chefe de departamento, sessão, gerência ou qualquer coisa.
Leve isso pra sua forma de lidar com basicamente no NASP todas as nossas classes formam em alguma habilidade de liderança, porque alguém vai tá faz, você vai estar liderando alguém. do seu lado ou que colabora contigo para examente para você poder mostrar exatamente aquilo que pode e deve ser feito. Eh, Moisés, eu lendo a Bíblia eu descubro assim que aquilo que eu produzo de mim mesmo é muito mais focado ou na ambição da carreira ou na no prejudicar as pessoas para eu me dar bem.
Porque eh Paulo dizia que essas são as obras da carne, né? Do tipo: "Eu, se eu dou vazão aos meus próprios instintos e a minha própria natureza, nós faríamos miséria. " Talvez nem estivéssemos conversando aqui sobre isso.
Eh, por outro lado, a Bíblia diz também que o bem que eu tenho, ele é produto do Espírito Santo na minha vida. Então, é o Espírito Santo que vai transformando a minha vida e produzindo dentro de mim os dons do Espírito. Glatas pontua como fruto fruto do espírito.
A minha pergunta agora é a seguinte: é possível, é bem capciosa, é possível uma pessoa sem Deus ter um projeto de missão? [suspirando] É possível. É possível uma pessoa sem Deus buscar um propósito e aplicar nisso a sua ação de vida.
É possível ela levar isso por um bom tempo na sua vida e se alimentar desse retorno? E eu diria, é possível por uma questão, a essência do ser humano na sua criação. Ou seja, mesmo que a pessoa não soubesse e nunca admitisse que ela foi criada por alguém, na essência do que ela é, isso está.
E, portanto, se ela encontrar esse sentido, esse nexo no agir em prol do outro, ela pode receber parte disso, que é a sua essência, no sentido de se alimentar deste retorno, que é o retorno do dar, o retorno do fazer. Porém, há um momento na vida, eh, em função exatamente da essência do que é o espírito e da essência do que é a criação de Deus, há um momento na vida em que essa pessoa vai se deparar com uma pergunta última. Nenhuma missão, nenhuma atividade que eu faça em prol do outro supera uma questão na vida, que é o que acontece no último dia, no dia antes de apagar as luzes.
Quando você se depara com esse dia de transição, ou seja, do estado de vivo para não vivo, uma pergunta surge e depois? Nenhuma missão feita antes supera essa pergunta do e depois. E, portanto, a paz que excede o entendimento, a paz que não tem lógica na vida humana, ou seja, não atende as condições puramente lógicas da vida humana, aquela paz que excede todo o entendimento, ela vem quando eu consigo responder essa última pergunta, que é o que vem depois.
Essa pergunta só se responde naquilo que tá antes de tudo. Então, a missão sem Deus, ela sim pode suprir de maneira bastante enfática, eu diria, porque eu tenho amigos que viveram assim ou vivem assim. Mas há uma pergunta crucial que vai.
Mas será, mas será que mesmo que eles vivam assim, não é um pouquinho de Deus operando neles mesmo que eles não acreditem? Sim. Por isso que eu falei, você tem na sua essência de criação isto, o ato de buscar.
Alguns não percebem isso e ficam buscando em outras coisas e vivem uma vida infeliz explicações, outras explicações, né? Sim. O problema é que você vai encontrar pessoas que são, entre aspas, o que eu vou dizer agora, que são ateias ou até agnósticas e felizes, mas porque elas encontraram sentido e propósito no que estão fazendo.
Mas via de regra, eh, tem um momento crucial, que é o momento que você se depara com essa pergunta e depois essa pergunta não respondida, ela gera um vazio que não tem preenchimento em nenhum dos aspectos missionais. Ela só tem preenchimento numa pessoa. E, portanto, por mais que eu fiz ficasse eh rodeando eh Jericó, como diríamos numa num cacoete bem bíblico, eh eu não encontro resposta na missão para essa pergunta.
Uhum. Ou seja, Deus não morreu para que eu morresse. Deus morreu para que eu vivesse.
A missão só responde o agora, mas não responde o depois. Agora isso me leva também nesse [limpando a garganta] finalzinho, parece que chegará o tempo em que nós não teremos mais emprego, né? Tinha um outro texto lá que falava sobre isso.
Provoca isso. O dia que o emprego acabar. Quer dizer, o mundo caminha para isso, né?
Eh, alguns robôs vão substituindo pessoas. Daqui a pouco aquilo que você achou que você era muito bom, você não é mais. É quando tudo acabar, o que sobra.
Então, quando tudo antes dessa pergunta, quando tudo acabar, na verdade tudo acabar é só uma retórica, né? vai acabar o emprego que conhecemos hoje. Eh, na realidade, aquilo que tá se exigindo das pessoas é uma competência cada vez mais ampliada, ou seja, você não ser dominador de uma única técnica robótica, uma única técnica alaxap de virar o parafuso pra direita ou pra esquerda.
Eh, esse tipo de emprego está fadado ao fracasso, já vários deles acabaram e outros tantos vão acabar nos próximos anos. Portanto, o que vai ser exigido às pessoas é uma estrutura de competências. eh, que seja quase fluida em termos de eu poder aprender coisas novas, o que para mim eh me chama a atenção como algo essencialmente humano.
Ou seja, o ser humano não foi criado, não foi feito para virar parafuso pra direita ou pra esquerda, ele foi feito para ampliar sua capacidade de aprendizagem e competência. Então, o que vai acontecer quando empregar acabar? Ou a gente sai da zona de conforto ou acaba com o emprego aquilo que eu achava que recebia dele.
Para você concluir, vou levantar uma bola, como a gente dizia no vôlei, né? Eh, o psicólogo Víctor Frankel, né, no seu livro Em Busca do sentido, ele faz um quadro dizendo assim que a razão final do sentido da vida é o serviço, né? E o serviço ele fica relacionado com a missão.
Seria essa a religiosidade que a gente traz para essa aula de hoje, essa expectativa do serviço? Eh, eu acho que você tocou na essência e de religiosidade, na essência do amor, na essência da fé, na essência de tudo aquilo que o cristianismo significa. Então, assim, pegando a bola que você levantou, eu devolvo para você que tá em casa, para você que tá aí escutando a gente conversar um pouquinho sobre isso, interagindo com a gente no chat, qual é o sentido do que você faz?
O primeiro sentido tem que tá no para quem você faz. Todos os tipos de emprego, todos os tipos de trabalho, todos os tipos de atuação profissional tem do outro lado alguém, mesmo serviços mais áridos, tem alguém no fim da linha. Portanto, a primeira coisa é eu consigo enxergar esse alguém.
A segunda questão que vem na carona dessa eu estou disposto com aquilo que eu faço a servir alguém. e servir não no sentido burocrático, não no sentido automático e nem no sentido artificial de querer algo em troca, mas servir de fato, como eu também gostaria de em algum momento ser servido, não porque eu sou melhor, não porque eu sou maior, não porque alguém me serve, mas ser servido porque ser servido é bom, porque ser servido é humano. Servir e ser servido é parte da troca humana, desde que isso não seja feito como obrigação.
Então, pensa na sua carreira, pensa no seu trabalho, pensa naquilo que você tá estudando e tente encontrar de que forma isso que você adquiriu como competência pode ajudar alguém, pode servir alguém e aí o seu trabalho vai ser mais feliz. Mas eu diria mais, além do seu trabalho, quando a porta do trabalho fechar, de que outras formas você vai servir? Sua família, seus amigos, as pessoas que você encontra pela rua?
Se você encontrar uma motivação paraa sua existência no sentido mais amplo, você terá encontrado aquilo que permeia a sua vida como um todo. Mas nada disso fará sentido sem a última pergunta. Portanto, minha proposta para você é: aproveita o tempo que você ainda tá conosco, os momentos que você ainda convive com a gente aqui na nossa escola para encontrar essa pessoa que é a essência de tudo.
Bem, dando sequência agora com o segundo tema, religiosidade, competência profissional, eh, eu eu considero que uma pessoa que é religiosa tem uma responsabilidade maior em ser profissionalmente competente, não é? Eh, senão, de certa maneira depois uma pessoa completamente competente e muito religiosa depois contra, né, a religião que ele professa, né? Então, acho que é um e é um incentivo a mais.
Claro, pessoas sem religião deve ter também motivações de ser competente na menor dúvida. Mas eu diria que quem é explicitamente religioso, enfim, quer, né, eh, visivelmente uma pessoa religiosa, confessadamente religiosa, né, vamos dizer assim, tenho uma responsabilidade maior de ser competente na profissão que exerce na no meu caso em particular, eh, tem alguns umas alguns aspectos interessantes, porque normalmente eu trabalho num ambiente que é ou hostil, uma religião, um ambiente universitário, em parte, né, em parte, né, enfim, ou indiferente ou algo, existe assim uma na narrativa predominante, na ideologia predominante, nos meios universitários, uma religião sendo algo eh [limpando a garganta] algo a uma barreira ao desenvolvimento humano de certa maneira e etc. Então, há uma crítica, como vocês sabem, bastante forte à religião nos meios acadêmicos, né?
Então isso aumenta de certa maneira a responsabilidade de quem é tem uma religião de ser profissionalmente mais ser competente pelo menos, né? Então e eu acho que tem esse ângulo, né? E também eh é através da do trabalho e da vida profissional que eh se espera de uma pessoa religiosa eh eh dar testemunho, tá certo?
é um testemunho. Portanto, a atividade profissional religião, ela tem essa ligação. Ela a atividade profissional deve ser um testemunho eh em atos em em na própria atividade, é a pregação pelo trabalho, de certa maneira, o comportamento, etc.
E eu finalizaria dizendo que no meu caso em especial existe um uma um campo fértil para exercer essa competência justamente na apresentação de visões de política, econômica, social, né, que são de estão de acordo com ah os fundamentos da religião que que eu professo. por exemplo. Então, eu acho que é uma oportunidade também que nós temos, né?
Mas deixando isso, não se trata de uma pregação, mas simplesmente eh reflete-se isso, se reflete muito na maneira como nós ah entendemos as coisas que devem ser feitas em termos de política econômica, em políticas sociais, etc. Uma história incrível dentro e fora da Bíblia. Ela é incrível porque é incrível.
A história de Jonas num livro que tem seu nome. Ela serve para crianças porque tem elementos fantásticos, extraordinários, que encantam qualquer criança. Elas encantam adultos, elas encantam jovens, ela encanta qualquer pessoa que gosta de literatura.
O livro de Jonas é uma saga que fala sobre a vontade e a utilidade e o propósito, as os dramas humanos num relacionamento com as vontades de Deus, seu propósito, sua santidade e seu desejo de salvar. Ali nas linhas desse livro, você tem um homem cheio de sentimentos, dominados por esses sentimentos e o passado é enorme na cabeça dele. Mas também tem um Deus que conhece, que ama, que tem propósitos para além daquilo que nós estamos vendo.
Nesse momento, Jonas é uma pessoa especial, importante. E veio a palavra do Senhor a Jonas. Começa o texto, filho de Amitai dizendo: "Dispõe-te, Jonas, e vai a Nínive e clama contra ela".
Não, Deus não manda clamar, avisar quem ele quer matar. O aviso é para salvar. Mas agora o propósito que Jonas dá para si mesmo, o pensamento dele e a ideia de mundo dele vão entrar em conflito com o amor de Deus.
Jonas vai para Nínibe. Jonas responde: "Vou não. " Jonas vai sim.
E nesse conflito de vontades, a vontade de Deus prevalece, porque ele fala: "Vai, Jonas. " Agora, Jonas fala: "Eu não vou, eu prefiro morrer". E Deus fala: "Não vai morrer não.
O meu propósito a você é maior do que a sua vontade de morrer agora. E eu não quero salvar apenas os ninivitas, eu quero salvar você também, fundamentalmente você". No livro A trajetória de Jonas é uma trajetória de salvação, por onde ele passa a pessoa se salvando.
Ele entra no barco e os barqueiros ali que tm sua viagem comercial programada conhecem o Deus de Israel e terminam com votos, sacrifícios e jejuns. Ele vai para Nínive. Quando ele chega em Nínive, todo mundo se salva.
A trajetória de Jonas é uma trajetória que onde ele passa, ele vai causando obediências. O mar obedece, o vento obedece, o peixe obedece, os barqueiros obedecem, os nenivitas obedecem. Jonas tem problemas com isso.
No final, numa história parecida com um antigo você decide quando é o leitor que escolhe o final, Jonas se depara com três grandes questões que eu compartilho com você. Jonas, você é meu profeta. Eu escolhi você.
Você não se voluntariou para ser profeta como nenhum outro. Ele, portanto, é uma pessoa diferente de todos que tinham. Ele é especial.
Você já deve ter ouvido isso muitas vezes na sua vida, se não ouço agora. Você de fato é uma pessoa importante, especial e única. A pergunta que Jonas tinha que responder e eu também para assimilarmos o conteúdo e o sentido maior das coisas é você é importante.
Assim, você é especial, é para você e não outro. Mas lembre-se quando você pensar que é você e não outro, que é você por causa do outro. Portanto, todos os talentos e dons e habilidades e coisas que você faz melhor do que alguém é para alguém.
O que faz você peculiar é para que as peculiaridades de todas as pessoas sejam ressaltadas. Pessoas de fato importantes e especiais são aquelas que despertaram importâncias e características especiais nos outros. Porque em essência essa é a vida.
Para que serve? Mas também tem uma coisa, o propósito de Deus para a vida de Jonas é tão sólido, tão bonito, tão divino, que a reconstrução do plano ou o plano B que é construído no decorrer da história, é tão perfeito quanto A. O que você e eu temos que entender com isso?
Deus não produz destinos, embora ele chega para Jonas e fala assim: "Do conflito entre vontades, a sua e a minha". É a minha que prevalece. Deus faz propósitos, planos.
As nossas escolhas estão dentro dos propósitos e dos planos, mas o propósito de Deus é tão grande e tão cheio de salvação, de amor e graça, que no final das contas não se sabe ao certo claramente se Deus manda Jonas para salvar Nínive ou se ele usa Nínive para salvar Jonas. E o plano B é tão perfeito quanto o plano A. Mas tem mais uma coisa que você e eu temos que saber e pensar.
Quando nós olhamos para essa história de Jonas, que é importante por causa do outro, que é especial para que os outros sejam especiais. E relembrando também que nessa história de Jonas, o plano B é tão incrível quanto A, ao cuidado de Deus para com todas as pessoas ao nos dar importância. Então, entenda e pense nisso.
Você tem uma história a ser desenvolvida e construída, mas ela não é contada somente com você ou por você, mas nas pessoas cheias de você, pelas cores e texturas que você conseguiu produzir na vida delas.