pilares da saúde. Então, o que que é esse tema, né? Por que que a gente não escuta falar muito nisso?
Bom, eu trouxe aqui um documento que a gente tem um centro que estuda bastante o desenvolvimento infantil lá na Universidade de Harvard e eles publicam, né, vários estudos nesse sentido. E eu vou ler para vocês aqui uma frase bem impactante desse documento que a gente vai estudar aqui. A saúde nos primeiros anos, na verdade, começando com a saúde da futura mãe, antes que ela se torne grávida, estabelece as bases para uma vida inteira de bem-estar.
Bom, tem tudo a ver com esse curso, né? Então, a gente viu lá o preparo pra gestação, como ele é importante, como ele vai impactar no futuro daquela criança. E isso eventualmente tem um potencial de impactar na sociedade, né?
Porque se cada família fizesse esse preparo, pode ser que lá no futuro a gente tivesse menos pessoas doentes, né? menos pessoas com hábitos não saudáveis, com hábitos ruins de vida, que trazem mais doença. A gente sabe que experiências negativas que afetem a mãe durante o período de gestação ou que afetem a criança nos primeiros anos de vida, elas podem ter um impacto muito negativo lá no futuro.
Então, no momento que a criança tá se formando, tá fazendo as conexões neurais, tá fazendo a sua resposta imune, né, como a resposta imune, vamos dizer, o seu molde de resposta imune. Isso vai determinar lá na frente como ela vai reagir a alguns impactos na vida dela. Então, a gente tem maiores taxas de doenças em crianças que tiveram aí problemas ou durante o período gestacional ou nos primeiros anos de vida.
A princípio, a gente geraria indivíduos mais enfraquecidos. Então esse centro ele defende que as grandes medidas, inclusive as medidas como sociedade, elas deveriam ser estabelecida lá na mãe, né, na mulher que tá se preparando paraa gestação e na mãe de primeira viagem ali que tem o bebê nos primeiros anos de vida. E tem até um gráfico legal que a gente traz aqui, que a gente vê o custo, né, e o tanto de esforço que a gente precisa fazer quando a gente vai atuar já na doença estabelecida.
e como seria mais barato e mais fácil se a gente atuasse nesses primeiros anos. Então, vamos dizer que a gente, no momento, a gente não tem assim um comportamento muito inteligente como sociedade, né? Pensando em como que as medidas de saúde pública são organizadas.
Algumas pessoas inclusive vem comparando a saúde da criança com um foguete. Então, quando a gente vai, né, eh, lançar um foguete, pequenos ajustezinhos, né, que a princípio parecem pequenos, podem dar um desvio completo da trajetória desse foguete. Então assim, você vê como essa saúde nesses primeiros anos, ela tem a possibilidade, são coisas pequenas que a gente faz alguns ajustes, mas que lá na frente a a pessoa pode tomar um caminho totalmente diverso.
Então ter uma vida aí determinada por uma doença crônica, por exemplo, que talvez se tivesse ajustado lá no começo hábito de vida ou a mãe tivesse ajustado o seu peso antes de ficar grávida, talvez a gente não tivesse, por exemplo, um indivíduo obeso na vida adulta. Temos muitas pesquisas que vão estudar o que que causam algumas doenças. Então, tem algumas doenças que a gente sabe que elas começaram a se desenvolver décadas antes, às vezes até tem a ver com o período intrauterino.
Por exemplo, a gente tem que crianças que tiveram aí a dificuldade de se nutrir durante a gestação, então por algum motivo, a mãe teve uma placenta que foi insuficiente em passar os nutrientes para essa criança. essa criança então vai entender o corpinho dela lá no momento da gestação, que tudo que entrar para ela ela vai armazenar, porque ela tá vivendo numa situação de restrição de nutrientes e vai nascer um bebê pequeno, né, com baixo peso gestacional. Temos estudos que vem como que vai ser a vida desse indivíduo que nasceu com baixo peso gestacional e vê que muitos lá na frente desenvolvem obesidade.
Então, olha como um fator materno no momento da gestação tem a capacidade de impactar essa criança. Depois que ela nasceu, ela teve nutrição, ela teve amamentação, ela teve alimento. E daí que acontece?
O corpo dela provavelmente entende que tem que armazenar. E a gente tem uma taxa de gordura visceral, né, que é aquela gordura interna dentro do das víceras, né, eh, ao redor do fígado, por exemplo, que essa gordura ela fica aumentada nesses indivíduos que tiveram aí uma dificuldade de nutrição durante a gestação. Outra coisa que a gente tem bem comprovado são bebês que têm problemas respiratórios, doenças crônicas já no nascimento ou que foram expostos ao tabagismo passivo.
esses indivíduos lá no futuro tm um risco bem maior de doenças crônicas do pulmão. Então isso também já tá bem comprovado. Olha o efeito aí aparecendo depois de muitos e muitos anos.
Então, como que esses efeitos podem lá na frente gerar aí problemas de saúde? Bom, são duas principais formas. A primeira delas é a exposição ao estresse crônico.
O que que é o estresse crônico? a gente tem uma resposta normal, hormonal inclusive e fisiológica de resposta ao estress. Então, vamos se imaginar numa situação que a gente tá na nossa casa e a gente escuta um barulho.
Acho que é um ladrão. Que que acontece no nosso corpo? Aumenta a frequência cardíaca, a gente fica mais alerta, a pupila dilata, então a gente fica pronto pr pra luta e fuga, né?
Libera o cortisol, então a gente fica alerta. Aí, vamos supor que a gente foi lá fora, viu, ah, não, era só um gato que pulou, não é um ladrão. Ah, nossa frequência cardíaca cai, a gente fica mais tranquilo.
Ah, isso é uma resposta normal ao estress, resposta fisiológica. As crianças apresentam também essa resposta quando elas estão expostas em situações adversas, que vai ser o normal da vida, então tomar uma queda, bater aí a cabeça, enfim, coisas, né, que acontecem, situações que não são agradáveis, mas que são dentro de um estress normal. E elas recebem o apoio, né, a o suporte de um adulto ali que tá emocionalmente disponível para consolá-las, elas conseguem se regular, então elas vão modulando esse stress.
Ah, isso, eu passei por essa situação adversa, mas eu tive acolhimento, então acaba que ela, né, consegue se autorregular. Tem alguns casos da, né, que a gente vê, principalmente em situações de de violência mesmo, crianças em negligência, que elas são expostas a essas situações de estress repetida. Então, crianças que sofrem maus tratos, crianças que têm dificuldade de alimento, crianças que se sentem inseguras, vivem em situações de instabilidade financeira.
Então, por que que eu trouxe o módulo de planejamento financeiro? justamente por causa disso, a segurança e a segurança financeira, ela tá muito relacionada com o desenvolvimento da criança. A gente sabe que o cérebro de crianças que vivem em situação de baixa renda, em bairros mais negligenciados, mais periféricos, em situação de violência, ele acaba desenvolvendo menos.
Então, a gente tem pesquisa já que comprova isso. Então, o planejamento financeiro também é muito importante para para dar saúde pra sua criança. Bom, mas voltando, crianças que estão nessa situação de vulnerabilidade, nesse estress constante e isso já na primeira infância e provavelmente já a mãe que sentia isso na barriga, elas vão ter uma resposta alterada.
Então, eh, o corpo delas possivelmente vai entender como se viver no estress fosse o jeito normal de viver. Então aquilo lá para ela não vai ser uma reação que ela vai ter no momento de estresse. Ela vai ser assim, ela vai ter o cortisol já mais alto, ela vai viver em estado de alerta e isso vai determinar o comportamento dela lá na frente.
Vamos supor que essa criança que vivia em situação de vulnerabilidade, depois de um certo tempo, ela cresce, sai desse, né, desse meio ruim e vai morar num lugar seguro, ela vai continuar tendo essa resposta ao estress, esse estress crônico. E esse estress crônico, ele lesa mesmo o nosso sistema imune, ele lesa o nosso cérebro. Então assim, essa agressão crônica, ela tá tá relacionada já com o desenvolvimento de diversas doenças, doenças neurológicas, doenças mentais, compulsão alimentar, doenças cardiovasculares, então AVC, infarto, pressão alta, diabetes, tudo isso tá mais presente em indivíduos que foram expostos a esse estress crônico.
é chamado de estressóxico, inclusive. Temos também o segundo mecanismo de ação, que é a lesão em momentos críticos. Então, a gente sabe que na infância a gente tem as janelas, né?
a gente vai falar um pouquinho sobre isso. Então, as janelas são períodos que a gente teria aí a possibilidade de intervir e que a gente tá mais propenso a desenvolver determinadas funções. Então, eh, tem um vídeo bem legal meu do YouTube que a gente fala sobre as janelas de desenvolvimento.
Que que são isso? As janelas de desenvolvimento são momentos em que o nosso cérebro como criança tá mais propenso a desenvolver algumas funções. Se naquele momento a gente faz o estímulo correto na frequência ideal, a gente consegue desenvolver essas funções.
Por isso que crianças que começam a ser expostas a diferentes línguas, né, logo lá na primeira infância, acabam desenvolvendo muito bem essa língua, sem sotaque, confluência. E a gente acredita que se nesses momentos de abertura de janela de desenvolvimento a gente é exposto a uma situação de estress, pode ser que aconteça aí um problema no desenvolvimento dessa função. Então esse é o segundo mecanismo pelo qual aí os problemas que acontecem na primeira infância vão impactar toda uma vida.
O exemplo da placenta é um desses. Então, no momento da gestação, o bebê não tá recebendo nutriente. Naquele momento, o corpo dele tinha um estímulo que precisava crescer, né?
Tem uma uma pré-programação genética nossa sobre isso. Então, o bebê não tá recebendo, ele entende a mensagem: "Tudo que eu receber, eu vou armazenar porque tá faltando para mim". Então, ele vai nascer com baixo peso e lá na frente ele vai desenvolver obesidade e aumento da gordura visceral.
Por quê? Porque nesse período da janela dele de crescimento, ele não teve o necessário. Então assim, apesar de depois que ele nascer você alimentar, fazer tudo certinho, provavelmente a chance dele lá na frente de obesidade e de gordura visceral aumentada é maior por conta desse problema nessa janela de desenvolvimento.
Então, são essas duas principais formas que a gente vai eh ter a possibilidade aí de ter um impacto negativo na criança em relação às doenças lá no futuro.