A eleição do prefeito de Nova York surpreendeu muita gente. O nome dele é Mandani e quase ninguém apostava nele lá no começo. Mas eu não tô aqui para falar do resultado.
Eu tô aqui para te mostrar uma outra coisa, que o que ele usou dá para replicar aqui no Brasil. Pois é, até numa eleição para deputado, desde que você copie a parte certa e não a fantasia sobre aquela campanha. Primeiro, o que funcionou de verdade?
O Mandane achou uma dor que atravessa todo mundo. Custo de vida. Não importa se você é de direita ou de esquerda, ninguém aguenta mais o aluguel.
Ele pegou essa dor e repetiu sem parar. Quando atacavam ele em outro assunto, ele voltava para aluguel. Isso se chama disciplina de mensagem.
E sim, isso serve para qualquer campanha no Brasil. Tira três coisas dele pro seu candidato. A primeira, escolhe uma dor real e repete até cansar.
Porque o eleitor só lembra de quem insiste num ponto. A segunda, quando te atacam, não corra atrás do assunto do adversário. Volte pro seu.
A terceira é uma coisa que quase ninguém notou. Ele bateu em 3 milhões de portas. Claro, não foi ele sozinho, teve todo um trabalho de voluntariado, mas foram 3 milhões de porta a porta.
Os virais que ele produziu foram vitrine, mas a venda mesmo, a venda da campanha não foi no digital, foi no corpo a corpo. Então, preste atenção nesse ponto, porque é o ponto que mais engano você. O Mandani não ganhou no celular, ele ganhou na rua e usou o celular para mostrar a rua.
Digital sem porta a porta é fogo de palha. Aqui no Brasil tem candidato gastando tudo em vídeo e esquecendo em que o voto se conquista. Aqui, ó, olho no olho.
O viral abre portas, é claro, mas quem fecha o negócio mesmo é a presença. A coisa que você não deve copiar porque senão você vai quebrar a cara. A biografia, o Mandane é imigrante, multilíngue, um ex-pper, ou seja, ele tem uma história que é só dele, entendeu?
Então não adianta você tentar trazer algo disso para você se você não tiver essas características, porque um candidato que finge se é aquilo que ele não é, ele transmite pro eleitor isso de alguma forma. Então não dá para você copiar o humor simplesmente achando que é só fazer graça. O humor dele funciona porque tem algumas propostas atrás, entendeu?
Piada sem conteúdo é palhaçada. É isso, você precisa entender. Não tô falando para fazer uma campanha chata, mas eu acho que você tem que moderar um pouco aí nas gracinhas.
E eu vejo esse erro em toda a eleição. De vez em quando aparece um vídeo que é um viral lá de fora ou uma trend. Aí o candidato para tudo e manda a equipe fazer igual.
Dança, brinque, imita, mas ele não entende que por trás daquilo tinha uma dor escolhida, uma mensagem repetida e 3 milhões de portas batidas. Então ele copia a casca. Não adianta você copiar uma parte, mas não ter o recheio, porque aí não vai funcionar.
E a culpa, é claro, é sempre da comunicação. O que o Mandane ensina de verdade não é a dancinha, é o método. Você acha uma dor que atravessa a maior parte das pessoas, traduz ela em palavra simples, não em discurso técnico, ancora na sua história verdadeira e sustenta com gente na rua, não só com tela.
Isso é transferível para qualquer cidade, qualquer campanha brasileira. O resto é firula. Imitar o que aparece na superfície é o caminho mais curto pro fracasso.
Quem entende o que tá embaixo ganha. O resto só faz cosplay de campanha. Yeah.