[Música] Olá, meu nome é Juliana César, sou assessora de programas da Gestos, que é uma das organizações co-fundadoras e co-facilitadoras do GT Agenda 2030, que é o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para 2030 no Brasil. Eu vim conversar com vocês sobre os indicadores da Agenda 2030. Essa agenda, como vocês devem conhecer, ela consiste em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que são os ODS, cada um com suas metas específicas.
No total, são 169 metas, e elas abrangem uma ampla gama de temas, que vão desde a erradicação da pobreza, da questão da igualdade de gênero, das mudanças climáticas, paz, instituições sólidas, cidades sustentáveis, e até os meios de implementação, ou seja, como é que a gente consegue fazer com que esses desejos, essas metas, se tornem realidade. Essas metas foram estabelecidas pelas Nações Unidas, fruto de um consenso de todos os Estados-membros que a compõem, para promover, então, esse desenvolvimento sustentável no planeta, até o ano de 2030. As metas dos ODS têm um total de 232 indicadores.
Os indicadores são o que a gente usa, para medir e monitorar o progresso, em relação a cada meta específica. Eles nos dão os dados, que são tangíveis, que a gente consegue compreender, e mensuráveis, ou seja, que a gente também vai poder, além somente de comparar, para avaliar como está esse avanço em relação aos objetivos estabelecidos nas metas. A meta diz aonde a gente quer chegar, que patamar a gente quer chegar, e o indicador, ele diz como é que a gente vai medir pra saber se a gente tá chegando lá, e se o caminho tá sendo correto.
Esses indicadores, então, são muito mais importantes, são muito mais do que números ou do que esses dados frios. Eles vão permitir saber se a gente tá nesse caminho certo, e avaliar, não só o que foi feito até agora, mas o que é que a gente tem que intensificar, já que a gente pode também identificar lacunas no progresso, ou como as coisas estão sendo feitas. Eu posso conseguir o mesmo resultado, eu posso chegar na mesma meta, por diferentes caminhos, e aí a gente também pode ter indicadores de processo que vão dizer assim qual é o caminho mais eficaz, mais eficiente, mais adequado, menos danoso, ou mais proveitoso.
A gente pode chegar por diversos caminhos a uma cidade, mas, às vezes existe um caminho que é melhor do que outros, e os indicadores podem servir pra isso. Em relação à parte da sociedade civil, ela desempenha um papel muito importante nesse monitoramento dos indicadores, o Brasil é um bom exemplo disso. O Brasil se afastou da Agenda 2030 entre 2016 e 2022, mas a sociedade civil organizada - o que ficou afastado foi o governo brasileiro e os compromissos do Brasil foram deixados de lado em relação a Agenda 2030 - mas a sociedade civil organizada, ela manteve esse compromisso, manteve essa mobilização pela implementação da Agenda no país, e aí eu posso dar o exemplo do que o GT Agenda 2030 fazia, por que o GT produziu, anualmente, desde 2017, o Relatório Luz, que é o único documento no Brasil, hoje, que faz essa análise das 168 metas que se aplicam ao Brasil, por que uma delas não se aplica ao Brasil, e dá uma visão integral, sobre o estado geral da Agenda hoje.
Como a gente já tem, então, essas 7 edições, desde 2017, com uma oitava no caminho, a gente também pôde produzir uma série histórica que ela preserva, então, esse resultado, que foi originada através das escolhas políticas sociais, econômicas, ambientais, que foram feitas pelos governos nesse período até aqui. A gente tem o registro, então, do que aconteceu. A gente sabe que o Brasil está dissociado da Agenda 2030, resultado dessas escolhas, mas a gente pôde demonstrar, ano a ano, como cada escolha que foi feita, a partir da medição dos indicadores, mostrava um descolamento da Agenda em diversas das metas, diversos desses indicadores que eram estabelecidos.
Então, a análise dos indicadores, a coleta desses dados, e a análise deles, faz com que a gente possa explicar onde estamos, como é que chegamos aqui, e também pode apontar os caminhos para a gente realinhar o Brasil à Agenda do Desenvolvimento Sustentável, que a gente voltou a respeitá-la a partir de 2023, a partir do ano passado. Isso tudo é parte de um processo que é muito complexo. Eu já disse que são 232 indicadores, de 169 metas, de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, e para coletar isso, a gente precisa de uma dimensão de pessoas também quase da mesma estrutura.
Então, coletar os dados, primeiramente, é só o primeiro passo. A gente tem que garantir que esses dados sejam confiáveis, que eles sejam precisos, que eles sejam representativos, e também, de preferência, que eles sejam comparáveis. Na produção do Relatório Luz, a gente tenta utilizar dados oficiais, sempre que possível, ou então dados que são produzidos por pesquisas, ou outras fontes muito reputadas, e que os dados estão abertos, e podem ser conferidos por quem tem interesse; e a gente tenta fazer com que esses dados, usados para cada indicador, sejam os mesmos ao longo desse período, desde 2017, para que a gente possa ter a facilidade da comparação.
Então, eu posso traçar uma linha histórica a partir de 2017, até hoje, se eu tenho a mesma fonte de dados, coletados da mesma maneira, com a mesma metodologia. Fica fácil, então, fazer essa comparação, não tem que fazer adaptações nisso, apesar de o Relatório Luz sempre fazer essa referência. A gente conseguir acessar esses dados, nesses anos, foi um grande desafio, porque a gente teve um apagão de dados no Brasil.
Muitas vezes esses dados deixaram de ser, e alguns até nem sequer chegaram a ser produzidos como deveriam, e a gente também, a partir, depois de coletar esses dados, mesmo com esses desafios, a gente tem a questão de fazer a análise deles, e gerar as conclusões. Os indicadores servem para mostrar os caminhos, então, não basta ter o dado, a gente precisa compreender o dado, e o ver que ele transmite de informações para nós. A partir disso, então, a gente tem a análise das metas, e do estado delas.
Produzir isso exige muita expertise, exige muita capacitação técnica, exige muita cooperação também, entre as organizações envolvidas no processo. Em cada Relatório Luz a gente tem dezenas de organizações participantes, entre 40, 60, 70 organizações que participam, e a gente nunca teve menos, do que mais, de 100 especialistas envolvidos nesse processo de coleta e análise de dados. A gente, em breve, deve ter, inclusive, mais indicadores, porque o presidente Lula, na última sessão das Nações Unidas, em setembro de 2023, anunciou a intenção do Brasil do estabelecimento do décimo oitavo ODS, que seria voltado à igualdade racial, e nesse momento no Brasil, o Governo Federal, inclusive, em colaboração com a sociedade civil, dentro da Comissão Nacional dos ODS, está pensando, produzindo, quais seriam os indicadores, pra gente medir um avanço, em relação à questão da igualdade racial no país, e que a gente pretende, a partir do governo brasileiro, claro, que isso seja adotado pelas Nações Unidas, claro, que isso é uma proposta, então como que seriam os indicadores mundiais para isso.
Então aí, pela frente, deve ter mais caminho, deve ter mais trabalho. Apesar de todos os desafios, os indicadores da Agenda 2030 também servem como uma esperança, como uma inspiração, por que eles lembram que esses problemas, eles são complexos, eles exigem respostas que não são fáceis, mas também eles servem para mobilizar as pessoas, as organizações, as entidades, pra mobilização a partir deles, para que a gente alcance dessas metas. Eles mostram como a gente deve fazer, o que a gente deve buscar, quais são os caminhos a percorrer para alcançar essas metas que são muito importantes, por que elas são destinadas a criar um mundo que não deixe ninguém para trás, que esse é o lema da Agenda 2030.
Então, eles são essa maneira de medir esse progresso e são também o que a gente diz que é um chamado à ação, eles mostram o que precisa ser feito, e a sociedade civil brasileira, e agora, novamente o governo brasileiro, também entendem como a gente pode chegar nisso, as políticas públicas que são necessárias para serem implementadas, as ações que devem ser realizadas. Como a gente já tem uma boa ideia do quê, a gente já tem o conhecimento de muita coisa que funciona também. Então, a gente analisar, coletar esses dados, monitorar as metas e os indicadores para o alcance dos ODS, é algo fundamental.
A colaboração de cada pessoa que esteja mobilizando, disseminando a Agenda, estimulando o seu respeito, e aí pra isso a gente precisa desses dados, desses indicadores, para saber como a gente tá, para saber como a gente tá caminhando, é fundamental. Então, a gente conta com vocês também, que estão assistindo esse vídeo, essa mobilização pela Agenda 2030, e a gente vai tentar atingir o máximo possível da meta, a gente não pode deixar ninguém para trás nunca mais nesse país. Muito obrigada, e vamos seguir juntos pela Agenda 2030!