Que alegria estar aqui na OAB. Eu venho de uma família de advogados. Meu pai, minha mãe, meu irmão, meu avô são advogados. Ontem semana passada eu estava na OAB Pará. Eu sou de Belém do Pará, uma cidade tão quente quanto Teresina. Vocês não ganham, não. Não pensem que são os melhores, talvez na simpatia, talvez no calor humano. E fico muito feliz da OAB ter aberto as portas para falarmos. de Cristo. Porque hoje em dia, embora eu fale de ética em geral para empresários, paraa família, paraa educação, pra escola, também vim aqui para falar no colégio
Sanchez, né? E ontem tivemos alguns de vocês desocupados que não tem muito o que fazer, vieram de novo me assistir. Tô reconhecendo. Mas o que quando me perguntam o tema, a boca fala do que superabunda o coração. O tema que está no meu coração é a questão filosófica de entender algo profundamente misterioso, que é o fato de Deus, cuja existência é indubitável e é filosoficamente demonstrável, Se fez esse efeito carne e habitado entre nós e ter deixado uma instituição que custodia a sua mensagem, que editou o seu livro oficial canônico, que é a Sagrada Escritura,
que é a palavra de Deus que se fez verbo num texto que eu estudo há alguns anos, há muitos anos, que é a Bíblia. entender o que ele disse, entender quem ele é, entender o que ele fez e sobretudo entender o que ele faz e o que esta sua palavra pode fazer na minha vida. Esta é a minha questão. Não é uma questão acadêmica. Isso não é teologia no sentido acadêmico, isso não é filosofia no sentido acadêmico, isso é fé, isso é religião, isso é espiritualidade. Mas como o próprio Deus me deu o talento de
compartilhar didaticamente com os meus leitores e com os meus alunos e o público em geral, essas minhas reflexões, eu procuro exteriorizá-las em forma de palestras, aulas, cursos, livros, onde quer que me convidem, porque no final dos tempos a verdade será trombeteada do alto dos telhados. E o final, o fim dos tempos começou com a ressurreição de Cristo. Nós vivemos o fim dos tempos. Não é que seja 2025 o filme tá se dando. Então a gente vai tratar inspirado num livro de um grande autor espiritual editado pela quadrante chamado Jaque Felipe da felicidade onde não se
espera. O Jaque Felipe escreveu um livro chamado Felicidade onde não se espera. E eu parafrasei, eu me inspirei neste título para falar das bem-aventuranças de Cristo. A questão mais importante da vida é a felicidade. É o que é a felicidade. Todos nós queremos ser felizes. O que quer que nós façamos, o que quer que nós pensemos, aonde quer que nós possamos ir, seja qual for a nossa profissão, a nossa religião, nós estamos buscando a felicidade, nós estamos buscando a plenitude, nós estamos buscando algo que satisfaça o nosso coração. Santo Agostinho, por exemplo, dizia famosamente no
começo das confissões: "Fizeste-me para ti, Senhor, inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti." E Cristo, portanto, a felicidade onde não se espera as bem-aventuranças de Cristo é o tema da nossa palestra. A palavra bem-aventurança vem, é um português arcaico, que vem da Palavra beatitudine em latim. Beatitude, a gente lembra a palavra beato. Beato, que no português coloquial tem um sentido pejorativo, muitas vezes de uma pessoa um pouco afetada pela religião, um rato de sacristia, uma pessoa um pouco metida religiosa. Você é um beato, né? Uma beato significa uma pessoa feliz. em latim,
beatitude é felicidade. E as traduções mais recentes da Bíblia, como a da CNBB, que é a nossa tradução litúrgica oficial, já traduz ou a da a Bíblia de Jerusalém, que é a Bíblia academicamente mais considerada e aceita no mundo acadêmico ao português e as línguas ocidentais, já usam a palavra literal felicidade. para o mais importante dos discursos de Cristo ao lado do discurso da cruz. Então, quando eu falar bem-aventuranças, escutem felicidades. O tema é a felicidade. Por isso que o subtítulo, a felicidade onde, quer dizer, o título, né, a felicidade onde não se espera. É
inesperado o que Cristo diz. Ninguém imaginaria que Deus diria isso. Nosso Senhor é a palavra de Deus, é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Deus tem duas ações, duas condições essenciais, que é o pensamento e o amor. Ele não tem como não amar. E ele não tem como não pensar. Nós amamos e pensamos acidentalmente. Tem gente que não pensa, coitado. Tem gente que não ama ou ama pouco. Deus ama por essência. E Deus pensa e fala por essência. Só que não é só um amor e um pensamento essencial. É um amor e uma essência substancial
a ponto de ser uma pessoa diferente do pai. Portanto, o amor do Pai pelo Filho é a pessoa do Espírito Santo. E o pensamento de Deus é a pessoa do filho. Por isso, quando a gente abre a Bíblia e e lê, no princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava vazia e informe. As trevas cobriam a face do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas. E Deus disse: "Faça-se a luz". A luz se fez. O espírito estava presente pairando sobre as águas. É o amor. E aqui a gente já
tem imagem do batismo. E depois ele ele cria a luz com a palavra. é Cristo. E essa no princípio, é não só no princípio cronológico do começo dos tempos, mas também em Cristo. E por isso o quarto evangelho de São João parafraseia esse começo bíblico, dizendo: "No princípio era o verbo ou a palavra e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus e o verbo se fez carne e habitou entre nós." Então, quando Deus pensa e fala, ele é Cristo, porque tudo foi criado. E para que nós fomos criados? É o amor e
o pensamento de Cristo que faz nós ser quem nós somos. A nossa vocação, a nossa criação se deu em Cristo e por Cristo e para Cristo. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim. Ele é o ponto de partida e o ponto de chegada. Está muito claro no último livro da Bíblia, que é o Apocalipse, que é o mais difícil de longe, Um livro que eu tô me, com o qual eu tô me debatendo há alguns anos. Então, se a gente não encontrar Cristo, a gente não sabe nem quem nós somos.
A gente nunca vai saber porque nós existimos e o que nós estamos fazendo aqui. Cristo, que é a palavra de Deus, falou e os que o circundavam escreveram o que ele falou. Ele escreveu, exceto na areia, quando quiseram apedrejar a adúltera. Na areia. E São João Crisóstono, foi o pai da igreja que me convenceu do que ele teria escrito. É isso é pura especulação. Teria escrito porque começaram a sair aquele que não, aquele que não pecou tira a primeira pedra e começaram a sair dos mais velhos aos mais novos. Ele teria escrito o nome da
pessoa e os principais pecados. E todo mundo com a consciência adormecida, com a consciência estéril, atrofiada, vai lembrando o quanto é pecador e vai se se envergonhando e vai saindo. Quem não atirou, quem não pecou, que atire a primeira pedra. Esse Cristo que é a palavra de Deus, Falou e agiu, falou, ensinou e amou. Falou amando, amou, falando, às vezes não falou nada. Com Herodes nada falou, diz o grande Futon Shin. É o silêncio mais eloquente da história. O rei, o suposto rei da Judeia, os rei dos judeus, queria que ele fizesse algum espetáculo. Era
um devácio, mas tinha interesse pelo Batista. Depois o decaptou a pedido de Herodíades. Ele falou, mas a sua presença diante de Herodes, como a sua presença diante de Pilatos, como a sua presença diante de Anás e Caifat e as suas poucas palavras, diz o Fulton Shimpel, o grande autor, ainda ressoam no cosmos, ainda vibra o cosmos. Mas mais importante do que vibrar o cosmos é vibrar o nosso coração, é ressoar o nosso coração, éar o nosso coração. E essas palavras, como ele mesmo usou numa das parábolas, são sementes. Se eu ponho uma semente em cima
desta mesa, pode ser a semente mais bela do mundo, da melhor árvore do mundo. Não vai acontecer nada. Mas se eu ponho nessa semente num solo fértil, rego, a chuva, a sol, a vento, e daqui a pouco a gente tem uma árvore frondosa, Na qual os árvores vêm alinhar os seus ovos, como a gente lê no evangelho, uma semente de mostarda. Cabe a nós fazer essas palavras fecundarem, cabe a nós fazer essas palavras germinarem. É isso que a igreja faz a 2000 anos, a liturgia da palavra. a liturgia da palavra que precede a liturgia eucarística,
que é comer, beber do corpo e sangue puríssimos de nosso Senhor. E os grandes padres da igreja, os grandes intelectuais da igreja reconhecem que há dois discursos centrais de Cristo, principais de Cristo. Há dois testamentos de Cristo. Há dois discursos que nós temos que inscrever no nosso coração, que nós temos que tatuar no nosso coração, que nós temos que saber de cor, não por para decorar, porque cai na prova de catequese da tia Mariazinha, né? Eu lembro que eu fiquei nervoso na minha primeira comunhão e esqueci a Ave Maria, não, a Salve Rainha, Ave Maria
seria demais, [risadas] seria reprovável. E eu lembro da minha catequista consolação, dessas mulheres que certamente são essas santas que a gente encontra. Ela olhou para mim e eu nervosíssimo, né? Né? Não Entendi, não, não, não lembrava salve rainha e falava salve rainha, depois começava de novo salve rainha. Não é isso. É colocar no coração e tentar fazer com que isso gere frutos de santidade, isso germ e que a gente possa, sem precisar consultar a escritura, recitar essas palavras. E esses dois discursos são o discurso principal na cruz. Foram sete palavras. Foi um discurso lacônico. Foi
um discurso de um homem asfixiado de dor, de um homem que tinha muita sede, de um homem que sentia secura na garganta, de um homem que estava morrendo, de um moribundo que estava no seu trono coroado, abraçando o mundo. Esse é o discurso famoso que nós ouvimos e meditamos na sexta-feira da paixão chamado o discurso das sete palavras. Pai, perdoa eles, eles não sabem o que fazem. Hoje estarás comigo no paraíso. Filhos aí a tua mãe, mães aí, mulheres aí o teu filho. Tenho sede. Senhor, Senhor, porque me abandonaste? Tudo está consumado, Pai. Em tuas
mãos entrego meu espírito. Essas sete palavras eu tive oportunidade de meditar recentemente na Igreja da Trindade em Belém do Pará. Está no meu canal do YouTube, se vocês quiserem assistir. O outro grande discurso que de algum modo explica a consumação da vida de nosso Senhor na cruz, que é o seu trono, é o chamado sermão da montanha. No primeiro evangelho canônico de Mateus, nós temos a genealogia, o anúncio a São José, o nascimento de nosso Senhor, o seu batismo, as tentações no deserto. E no capítulo 5, Jesus sobe a montanha, que na Bíblia significa o
lugar de encontro com Deus. Só que neste caso, não é para que ele seja o novo Moisés que recebe de Deus a tábua das leis. Ele é o próprio Deus proclamando a nova lei, que não veio revogar a antiga, mas lhe dar plena concepção. E ele vendo aquela multidão, e aqui a gente tem a imagem da luz que brota da sua pessoa. E por isso ele diz na segunda imediatamente depois da primeira parte, que são as bem-aventuranças, que nós vamos analisar agora, ele, vós sois a luz do mundo, vós sois o sal da terra. Ninguém
acende uma lâmpada para colocá-la debaixo da mesa. E se um sal perde o sabor, ele é pisoteado. Nós somos a luz do mundo, porque nós somos cristãos que resplandecemos a luz de Cristo. Nós somos o sal da terra. Eu vou falar logo mais, mas adianto. Todos seremos salgados pelo fogo. Todos seremos salgados pelo fogo. Eu vou falar do fogo e da água, mas já antecipo, porque nós somos luz e a luz salga e o fogo salga. Eu vou explicar isso depois. E o que a gente vai ver é esse segundo sermão na ordem, digamos assim,
de importância, porque certamente este aqui é o local que dignifica o sermão, porque a cruz é uma montanha, o monte calvário, e a sua subida, nós contemplamos hoje, terça e sexta, nos mistérios dolorosos, a subida de Jesus ao Calvário, né? O sermão da montanha, ninguém espera. E e claro que o sermão da montanha explica o que é a felicidade. E quem é o homem mais feliz que já existiu? Se fosse um aristotélico, ele responderia: "É o homem mais virtuoso que já existiu". A resposta que não tá errada e Santo Tomás concordaria. Só que Alejandro só
não sabia quais eram as virtudes mais importantes. É Cristo o homem mais feliz que já existe, responde Santo Tomás. E Santo Tomás diz: "Qual é o local mais feliz que já se esteve?" E Santo Tomás diz: "A cruz." E essa é a coisa mais inacreditável, essa resposta mais inaludita que poderia haver. Este é um homem feliz, sedento de fome e sedento e faminto de justiça. Este é o homem misericordioso. Este é o homem manso. Este é o homem puro. Este é o homem pacífico. Este é o homem profundamente perseguido e incompreendido. Este é o homem
que promove a paz. E este é o homem que chora as oito bema-aventuranças. das quais nós vamos falar hoje. Ninguém esperaria, ninguém, talvez nem o profeta Isaías, que mais do que qualquer outra pessoa descreve essa cena do servo sofredor, imaginaria que fosse na cruz daquele jeito. Talvez nem Nossa Senhora tão intimamente ligada com uma espada traspassada na sua alma. Desde o começo da encarnação, Desde que Isabel e Zacarias, desde que noiva com São José começa a perceber todo tudo que tá acontecendo, esperaria que seria daquele jeito. A verdadeira bem-aventurança, portanto, é morrer com Cristo na
cruz e ressuscitar com ele. A essência do cristianismo é a paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor. Mas a morte não é só no momento em que nós inspiraremos e que nós entregaremos o nosso espírito no óbito. A morte pro cristão é todos os dias. A morte pro cristão é mortificação, que não tem nada de mórbido, não tem nada de niilista, de negativista, mas de afirmação gozosa de que a felicidade está no sacrifício corredentor. Quem quiser vir após mim, quem quiser, você é livre. Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Pegue a sua cruz
todos os dias e me siga. E as bem-aventuranças nos mostram oito cruzes, Nos mostram oito mortes, nos mostram oito sacrifícios, ou seja, ofícios sagrados que santificam a nós e aos outros e que permitem o amor de Deus reverberar e resplandecer em nós para os outros, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo por Deus, tornando Quando próximo a um irmão, filho do mesmo Deus, do mesmo pai, mesmo que ele não saiba, mesmo que ele não sinta, mesmo que ele não perceba e mesmo que ele não mereça, porque Cristo derramou
o seu sangue por todos. São Paulo diz: "Se morrermos com ele, também com ele viveremos". Mas o mesmo São Paulo que disse isto e que disse: "Para mim viver é Cristo e morrer é lucro". dizia exatamente que completa na sua carne o que falta os padecimentos de Cristo. Ele não falou só nas muitas vezes que quase ele morre. São Paulo quase morreu várias vezes e torcia para que fosse a morte mesmo. Pessoalmente ele queria. Para mim, repito, viver Cristo e morrer é lucro. A Laísa e minha esposa, nós pegamos uma estrada longa de Belém para
cá e eu muito atento na direção com as pessoas mais preciosas da minha vida e disse: "Pelo a gente não pode sofrer um acidente, é muito grave, não quero dirigir à noite." E a Laisa falou assim: "Bem, se a gente sofrer um acidente, todo mundo morrer, ótimo, porque a gente tá confessado como um gado, a gente tem muita fé em Cristo. Se todo mundo morrer, seria muito bom. A gente vai encontrar com a Bebel, com Santo Tomás, com São José Maria, com nosso Senhor, Nossa Senhora. Mas é melhor não arriscar. Por quê? Porque vai que
um sobrevive. Aí seria horrível. Mas era Paulo que deixou tudo, que não tinha ninguém, tava na luta. É hoje, cara. Que maravilha. É hoje não. Bom, tudo bem. e dizia: "Ó, eu tô aqui por vocês, por vir Cristo e morrer é lucro. Eu já queria que acabassem os meus dias, porque minha fé já não é mais uma ideia abstrata de domingo à tarde. A minha fé é viva, a minha fé é diária, a minha alma seia por Deus e Deus vivo. Quando poderei ver a face de Deus? É agora. Porque aqui a gente vê um
parte como num espelho embaçado e opaco, mas então veremos face a face e veremos como somos vistos. O santo de última morada, o santo bem-aventurado, ele já presente tanto isso, já tem tanta convicção. Hã, eu lembro quando Abebel foi pro céu e uma uma mulher muito santa, com um olhar beato, com olhar e com sorriso repleto de beatitude, olhou assim alegre. E ela sabia que podia fazer isso comigo. Ela sabia que eu entenderia. Feliz disse: "Abel chegou no céu e me abraçou como se fosse o aniversário dela. Não, não assim parabéns." Ela chegou e falou
assim: "Quase como se fosse o o nascimento de alguém. Parabéns, nasceu a Luía. E essa mulher beata, repito, no melhor sentido da palavra, diz: "A bebel chegou no céu." Não uma alegria boboca, não uma alegria balofa no sentido, não. Uma alegria profunda de uma fé, de uma alegria que São Paulo tinha, que Santo Tomás tinha, qualquer santo tinha. São José Maria Escrivá, que tanto me inspira, dizia: "Paradoxo, para viver é preciso morrer." Parece uma coisa boba. Parece um aforisma de Heráclito, de Éfeso. Parece um jogo dialético de paradoxos, mas é simplesmente o mistério pascal de
da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Todo mundo quer ressurreição, todo mundo quer a vida eterna e o diabo quer nos convencer que é possível alcançá-la sem a paixão e morte. O meu pai esteve na UTI recentemente em janeiro e sofreu. E a minha preocupação não era, digo, tá sendo gravado quando meu pai me ouvir chama o pai. Não era sinceramente com a sua sobrevida. Não era claro que por um lado era. Óbvio. Claro que eu venderia a minha alma. para pagar o melhor tratamento médico, me entendam bem, mas a minha preocupação era com a
capacidade que ele teria de valer-se do sofrimento para ter uma boa morte se fosse o momento em que Deus o chamasse. Se não, eu gosto, eu pedi que Deus não o chamasse. Eu pedi que não fosse o momento, mas poderia ter sido, concretamente poderia ter sido. havia uma probabilidade médica, matemática, de ele ter morrido. O médico chegou com a gente e falou assim: "Olha, vocês eh saibam que a gente vai tentar uma fisioterapia respiratória agora. Se não cons agora é esta aqui. Se não conseguir, ele será entado e é muito provável que ele não, o
pulmão dele não consiga recuperar. Ele vai ser eh perpetuado em vida por um aparelho, mas o pulmão dele não vai ter força para continuar respirando sozinho. E nesse momento a minha oração é: "Senhor, faça a sua vontade. Não seja feita a minha a minha vontade, mas a tua e que esse sofrimento seja fecundo para ele, pra boa morte dele, porque daqui a pouco a gente todos nós vamos morrer. Quem não pensa nisso não pense em nada. Quem não pensa na sua morte não vive a vida humana, vive a vida de um animal que nem sabe
que vai morrer, que não enterra os seus mortos, que não lembra dos seus mortos, que não tem consciência da finitude, da mortalidade, que, portanto, não tem religião, não tem direito, não tem filosofia, não tem cultura, não tem literatura. Já compraram meu livro? Então, a gente tem que pensar na morte, a gente tem que pensar no dia em que nós encontraremos nosso Senhor. A felicidade, portanto, depende de aprender a morrer. Isso os grandes filósofos clássicos sabiam. Se você abrir um um diálogo como Fedon de Platão, tem a famosa definição tão repetida depois com Paul Michel de
Monten que filosofar é aprender a morrer. E tá certo? Filosofar é aprender a morrer, porque filosofar é amar a sabedoria, é amar a verdade e é entender a verdade da finitude e reconhecer a imortalidade da alma. Então, a felicidade depende de uma purificação de desejos que por causa do pecado original estão desbragados, desordenados, estão avulsos, estão aleatórios, estão dispersos, estão exagerados ou enfraquecidos, fortes demais ou fracos demais. enviezados, parciais. Nós somos, e aqui eu vou usar um termo filosófico, todos doidos. Nós somos bêbados. Nós nos embriagamos de prazer, de poder, de inteligência, de honra, de
sabedoria. Nós nos levamos a sério. O que o Cheston diz é falta de humildade. Porque os anjos, por não se levarem tão a sério, diz o Chesserton, Gravitam pelo sério. Porque eles não se levam a sério, levam Deus a sério. E o humilde, ele só leva a sério Deus. O resto é um pouco jocoso. Essa que é a verdade. O resto é leve demais. E a gente valoriza por Deus e em Deus. O mundo é bom, é boníssimo, porque Deus o criou. E tudo que nós fazemos, a justiça, o direito, a cultura, a política, a
economia, a medicina, engenharia, arquitetura, agricultura, a pecuária, tudo isso é boníssimo quando ordenado a Deus. E isso é purificar o desejo. E isso é transformar o trabalho em sacrifício. Todo trabalho é sacrifício. Ou você é Caim, ou você é Abel. Ou Deus se agrada do seu trabalho sacrificial, sagrado, consagrado a Deus, entregue a Deus, devotado a Deus, dirigido a Deus. Vejam, eu não estou dando essa palestra para vocês em primeiro lugar. Eu estou dando essa palestra a vocês em segundo lugar ou vocês se sentem tão importantes a ponto de merecer o meu primeiro lugar? Nem
a minha esposa eu amo em primeiro lugar, nem os meus filhos eu amo em primeiro lugar. Eu amo minha esposa com todo o meu coração. Eu amo os meus filhos na terra e no céu com todo o meu coração. O que significa que eles vêm em segundo lugar, porque o meu coração é todo de Deus. Mas não tem competição entre Deus e a minha família. Não tem competição entre Deus e o meu trabalho, porque o próprio Deus me criou para minha família. O trabalho é uma vocação. A família é uma vocação, é um sacramento fundado
no matrimônio. Então, a concupscência é o desejo desordenado, é o desejo embriagado, que precisa ser purificado pelo fogo do sacrifício, pelo fogo da penitência, pelo fogo da mortificação, que nos faz depositar no mundo passageiro um amor infinito com desejo de eternidade. E nesse momento a gente converte o mundo em ídolo, em um pseudo Deus. E a gente atribui ao mundo valor que ele não tem. E a gente não consegue ler o livro do Eclesiastes que diz que tudo é vaidade, tudo é vazio. Vaidade tem dois sentidos, Um ontológico na ordem do ser e um moral.
na ordem do agir, do ponto de vista moral, o vaidoso se vangloria, acha que merece mais do que é que aplausos. Vocês já mearam hoje e me marcaram? Já disseram que estão participando da melhor palestra dos últimos tempos? Vocês já pediram pros amigos de vocês me curtirem, me seguirem? Isso é vaidade, essa preocupação com que vão dizer, com que vão falar. E a vaidade, isso se baseia numa vaidade ontológica. É a vaidade de tudo que se putrefaz, tudo que apodrece, que o ladrão rouba e que a o pupim, como é que a traça roi, acho
que ficou assim em português, a traça roi. Isso não interessa. O que interessa é amealhar tesouros, que a traça não roi, que que o ladrão não rouba. são os bens espirituais [risadas] e é converter os bens materiais em espirituais. O que que é o sacramento do matrimônio? É converter o sexo num ato sagrado. O que é converter o trabalho cotidiano cansativo, rotineiro, aparentemente inútil, como de sífo num ato sagrado? É isso que Cristo ensinou. Então a gente ou está libertado do mundo passageiro ou a gente tá preso nele. Tem o nondato. Não tem a terceira
opção. Ou você é livre ou você está preso. Os símbolos bíblicos da água e do fogo são emblemáticos nesse sentido. O símbolo da água que lava, que purifica. E por isso a gente tem o rito do batismo que nos expurga os pecados, que nos limpa, que nos lava a alma, não o corpo. Por isso que os fariseus ficavam preocupados se Jesus lavava as mãos. Você sabe quando o médico lava a mão, sabe aquelas aquelas coisas de como lavar as mãos? Tem que lavar as mãos, tem que fazer um malabarismo, tem que lavar até aqui. Na
época do COVID, lave as mãos assim, né? Parece uma coisa de comédia lá, parece, sabe? Coisa que o Busunda faria assim, lava assim, aí volta, tem que dar uma. E os fariseus ficavam vendo se Cristo ia lavar os pratos de trás para frente, com de frente para trás e com esponja, com o lado amarelo da esponja e depois com o lado verde. Não, o que imposta é lavar a alma. E por isso no livro do Apocalipse a gente viu quando João pergunta ao anjo: "Quem são Esses?" São aqueles que lavaram as suas lavaram e alvejaram
as suas vestes no sangue do cordeiro. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do cordeiro. Se purificaram pela penitência, como Maria Madalena aos pés da cruz, penitente. A penitência é uma virtude, é uma bem-aventurança. É a terceira. É a bemaventurança do choro penitencial. Có redentor e o fogo. Mesma coisa. Quando perguntaram pro Batista, és tu Messa. Falou: "Não, vocês não entenderam nada. Aquele que vier após de mim é muito mais digno do que eu. Dele não sou digno nem de desamarrar as suas alparcas, as suas sandálias, as as correias das suas alparcas. Eu vos
batizo em água." Ele, porém, vos batizar no espírito e no fogo. No fogo. Porque o o Espírito Santo tem como imagem fundamental o fogo. Por isso que a taça ardente é o fogo que não consome, no caso de Moisés. E pense um pouco no fogo. Tem três elementos simbólicos básicos do fogo. Primeiro, o fogo esquenta. No lugar frio, o fogo é sinal de vida. Se você não tiver fogo, você morre de frio. Mas o fogo mata, ele é bravo, ele é expansivo, ele queima, ele incendeia. Por isso que nosso Senhor diz: "Eu vim tocar fogo
na terra e o que eu quero senão que ela arda. Eu quero tocar forro no coração de vocês. E o que eu quero senão que vocês sejam incendiados, totalmente acalentados, queimados. Um dos livros, não tem mais aí, um dos ensaios dos meus livros, que é um dos meus preferidos, que é sobre o o cântico dos cânticos, o livro de Jó e o Eclesiastes, com base num grande filósofo, Peter Crift, que é um grande modelo, chama Fui queimada pelo sol. entre aspas, que é um verso de um livro todo simbólico chamado Cântico dos Cânticos, que é
uma pois erótica do Antigo Testamento, que era a celebração do casamento. Beija-me com os beijos da tua boca, os teus lábios são mais doces do que o mel. Poesia de amor, né, e de celebração erótica do casamento, que na antiguidade judaica demorava 5 se dias. Tá vi esse essa música, esse refrão, né? E os místicos leram como as núpcias com o cordeiro e e falaram desse fogo que queima. Fui queimada pelo sol. Minha pele é lisa, suave. Fui queimada pelo sol. Isso aqui é é uma alusão erótica, mas que tem um significado simbólico, espiritual muito
Mais profundo, que é exatamente o de se deixar queimar pelo fogo de Cristo, de que são feitas línguas em Pentecostes com vento tempestuoso, que é outro sinal do espírito, de fogo, porque o fogo queima, o fogo ilumina, ele Ele queima, aquece, ilumina. Ele é intrinsecamente dinâmico. Ou ele tá apagado e não existe com uma vela que a gente sopra, ou ele tá em movimento, ou ele tá queimando, ou ele tá consumindo. A luz das luzes, do ponto de vista litúrgico, é o cílio pascal que nós acendemos no sábado. Aleluia! No trído pascal. E é tão
bonito o rito da igreja, que cada um vai lá, um pega e acende aquele fogo e passa para o pro terceiro, pro quarto, pro quinto. E a igreja que jazia em trevas, como o mundo jazia em trevas, antes da luz que resplandece nas trevas, que é Cristo, vai sendo iluminado. Então, para iluminar é preciso se consumir, é preciso se gastar para que a gente possa dizer: "No final da vida, tudo está consumado. Eu perfiz, lutei o bom combate, guardei a fé, estou pronto para ser entregue, Para ser derramado como oblação, como sacrifício agradável a Deus.
Porque a gente não sacrifica mais um cordeiro, a gente se sacrifica. A gente se une ao cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, sofrendo e morrendo para viver. Este é o paradoxo da fé. E aqui as bem-aventuranças devem ser vistas como uma forma superior de liberdade. É engraçado que a gente vive numa época liberal. Orácio e eu debatemos e debatíamos, debateremos tanto as formas de teorias políticas liberais, as justificações liberais do direito da sociedade com base em direitos humanos, liberdades civis, direito à liberdade de expressão, de de religião e assim por diante. Mas
dificilmente o pensamento liberal entender o que é de fato a liberdade, o que que é a libertação do que nos prende e o que nós podemos fazer e dignificar com a nossa liberdade. E é isso que as bem-aventuranças nos mostram como uma síntese perfeita do evangelho. E Jesus disse: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Eu fiquei muito lisongeado quando o orácio me apresentou falando meu amor pela verdade, porque Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por ele. A verdade é Cristo. Se a verdade for Cristo, todo
o nosso pensamento, Inclusive político, jurídico, precisa ser iluminado por essa irradiação de um sol. Não dá para dizer assim: "Não, o sol tá lá, mas não tem nada a ver com a lua, não tem nada a ver com as estrelas, não tem nada a ver com a Terra, não tem nada a ver com a agricultura". Meu filho, se é o sol, tudo tá rodando no retorno dele. O sol é o centro, é o calor do sol que ilumina, as estações, tudo é o sol. Não dá para fingir colocar que que as pessoas fazem, como a
gente diz, põe o sol de atrás da peneira e vive como se o sol não tivesse iluminando, aquecendo, estruturando toda a realidade cósmica, heliocêntrica, com o sol no centro, como ensinou desde Copérc, foi pra liberdade que Cristo nos libertou. São Paulo tá falando aqui nos Gálatas especificamente sobre a liberdade em relação à lei judaica, que são aquelas 613 transcrições que aprisionaram de modo muito escrupuloso o povo judeu. Mas aqui a gente pode falar dessa liberdade moral de seguir a verdade. Liberdade sem verdade é um meio sem fim. A liberdade não é um fim em si
mesmo. A questão é, a gente é livre de quê e livre para quê? E eu vou explicar para vocês as bem aventuranças com base nessa ideia de liberdade de e liberdade para. E eu vou chamar liberdade de de independência e liberdade para de autonomia. As bema-aventuranças nos ensinam a superar as principais tentações mundanas, conquistando a verdadeira liberdade que é espiritual. Então, vamos lembrar das bem-aventuranças, vamos recitá-las e depois vamos enquadrá-las num esquema inspirado em Santo Tomás Joquim, doutor comum da igreja. Eu vou usar o termo tradicional e clássico de bemaventuranças, tá? Porque ele tem um
sabor bíblico tradicional. Vocês podem escutar felizes, tá? Eu vou falar na ordem que aparece no Evangelho, depois a gente vai organizar. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino de Deus. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Bem-aventurados que têm fome e sede de justiça, porque encontrarão justiça. Bem-aventurados os misericordiosos, Porque terão misericórdia. Bem-aventurados puros, porque verão a Deus. Bem-aventurados que promovem a paz, porque serão chamados de filhos de Deus. Bem-aventurados perseguidos pela justiça, porque deles é o reino dos céus. E a oitava bem-aventurança tem uma
apóstrofe que diz: "Bem-aventurados sois vós quando vos perseguirem e mentindo disserem: "Todo mal contra vós: alegrai-vos e regozijai, porque grande será a vossa recompensa." A oitava é a única bem-aventurança que tem uma um direcionamento a quem os ouvia. Aqui só um parêntese rápido. São Lucas também reportou as bem-aventuranças, não na montanha, mas na planície, com quatro bem-aventuranças apenas e os quatro famosos ais. E ele usou sempre o vós. Bem-aventurados sois quando pobres, bem-aventurados sois quando chorais. E depois diz: "Ai dos ricos, ai dos que maltratam, ai dos que promovem a E São Lucas é uma
outra palestra, só me chamar que eu vem, é um pouco diferente da construção." Então, vejam o que que nós temos aqui. Nós temos oito virtudes. A virtude da pobreza em espírito, a virtude da mansidão, a virtude da afli. Vocês fazem bem tirar foto porque isso cai na prova. Vocês pensam que não teria isso. Eu lembro do do paraíso de Dante em que São Pedro, São Tiago e São João inquirem Dante, São Pedro na virtude da fé, São Tiago na virtude da esperança e São João na virtude do amor. E ele passa na prova. [risadas] É
muito interessante. São Pedro do que é a fé? Fé conceitua. Depois São Tiago pergunta: "O que é a esperança?" Depois São João ele fala: "Nesse momento tive receio de errar, porque se errar isso aí reprovável. Você não souberam o que é amor? A sede, a fome de justiça, a misericórdia, a pureza de coração, a promoção da paz e a perseguição, a virtude de ser perseguido. Vamos entender isso? É possível separar as bem-aventuranças em dois grupos, segundo Santo Tomás aqui, um primeiro grupo, que é uma bemaventurança que a gente pode chamar de negativa, é uma privação,
é uma subtração, é uma perda, Tá? E essa perda é positiva porque é uma liberdade de alguma coisa que nos prende. Em primeiro lugar, a pobreza. Como a pobreza pode ser um bem? Como a pobreza pode ser uma felicidade? é uma pobreza muito específica e qualificada como espiritual, mas é uma pobreza que nos liberta de um demônio chamado mamão, que é o demônio contra o qual nosso Senhor nos exorta com predominância no sermão da montanha e disse famosamente: "É impossível servir a dois senhores." Porque ou odiará um e amará a outro, ou amará o outro
e odiará o primeiro. É impossível servir a Deus e ao dinheiro ou a mamão, que era o nome de um Deus. O dinheiro nos obseca, o dinheiro nos faz escravos, o dinheiro nos faz preocupados. Por isso que no sermão da diz: "Não vos preocupeis. com queis de comer e de vestir. Porque o vosso Pai que está nos céus, que conta os cabelos, não deixa um pardal cair, e que olhar os líderes dos campos, nem Salomão do alto da sua glória e majestade ousou se vestir como um deles. Eu lembro de São Francisco que encarna com
plenitude a bem-aventurança da pobreza. No começo, quando tinham três ou quatro frades que o acompanhavam, eles conseguiram mendigando um valor equivalente a cerca de R$ 100 de esmola. E um dos frades pensou assim: "Ai, graças a Deus, com R$ 100 a gente garante a semana". São Frances que falam: "Não, a gente vai gastar os R$ 3 que a gente precisa para comer um pãozinho e vai doar os 97. A gente tem que se preocupar só com o dia de hoje. Imagina um f desse homem é um louco. Guarda porque amanhã você vai ter fome de
novo. Fica com 97, aí fica com 94 aí fica com 91. Aí vai guardando. Se não pegar mais fazer uma caixinha. São que eu falou: "Não, o pão nosso de cada dia nos dai hoje, porque amanhã a gente vai suplicar de novo. Amanhã a Gente vai se abandonar de novo nas mãos do pai. Amanhã a gente vai sentir a fome de novo e a gente vai saber que o pai vai nos alimentar porque ele alimenta um pardal. Ele não vai nos alimentar que somos filhos. Então o dinheiro é mais fácil um camelo passar pelo buraco
de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. A riqueza é uma uma desgraça no evangelho, o que não quer dizer que o evangelho patrocine a miséria. Isso é uma ideologia chamado palperismo, que é gostar do pobre pelo pobre, que é admirar a pobreza material como se fosse uma coisa boa. É claro que a pobreza não é uma coisa boa, mas ela é uma libertação da fixação no dinheiro. Por isso, a virtude correspondente é a virtude do desapego. Essa é a melhor maneira de entender. E ao mesmo tempo da humildade. São Paulo
diz: "Para mim, tanto faz ter ou não ter, sem viver na abundância, sem viver na penúria. Eu posso ir banquetear com os ricos e refinados e eu posso estar com os pobres e miseráveis. Eu posso jejuar completamente e passar fome. Ou eu posso comer três, cinco, Seis refeições por dia. Tanto faz. Não é nisso que consiste a minha felicidade. Eu não dependo disso para ser feliz. Eu não dependo do vinho, eu não dependo do pão, eu não dependo do bem-estar. Eu dependo de Deus e só de Deus e de mais nada. Santa Teresa dizia: "Só
Deus basta. Nada te turbe, nada te falte. Quem a Deus qu nada lhe fal. Solo Deus basta. Só Deus basta. Isso é liberdade e humildade, porque a pobreza de espírito se volta contra a ganância e a soberba de achar que é dono da própria vida, achar que merece, achar que eu conquisto, eu sou bom. Diferente do publicano que diz: "Senhor, tende piedade de mim, que eu sou um pecador". O fariseu ostentava, o fariseu era vaidoso. Depois do rico, a segunda classe moral que nosso Senhor mais condena no Evangelho é o farisaísmo, vaidoso e hipócrita, de
quem usa a religião para se mostrar, para se envacer, para se pavonear, para se vangloriar. Nossa, como é inteligente. Nossa, como segue a liturgia. Nossa, como conhece os ritos. Nossa, como conhece a palavra de Deus. Esses já têm a sua recompensa. Por isso que ele diz, oração esmola e jejum em segredo. Esmola que a tua mão direita não sabe o que fez à esquerda. Jejum sem desfigurar a cara. Ao contrário, limpando bem o rosto para ninguém perceber que você tá abatido. E oração sem trombetear nas esquinas. Humildade. Em segundo lugar, o choro. Bem-aventurados os que
choram porque serão consolados. Bem-aventurados os aflitos é outra tradução, porque serão consolados. O que é isto? O que significa isso? É simples. Existe uma associação natural entre o prazer e a felicidade. De achar que eu sou feliz quando estou tendo prazer. Prazer térmico. Difícil, Teresina. Prazer na cadeira alcochoada. Ai meu Deus. Se não tiver lugar para sentar na mesa, eu não fico porque eu vou ficar em pé uma horinha. Fica em pé meu filho. Fica em pé. 3 horas. Ai não, essa cama é muito desconfortável. Tem que ser um hotel quatro estrelas com colchão e
um travesseiro de pena de ganso. Ai, esse carro é muito apertado. Ai, tá fedendo. E a gente fica sensitivo, fica sensível demais, fica dependendo do bem-estar. E a nossa sociedade do bem-estar, graças a Deus, nos viciou por todos os lados nisso. Se uma coisa não deu certo, ai meu Deus, e agora, né? Eu falei que eu vinha fazer essa viagem de carro do norte ao Nordeste, passando vários dias viajando, e um amigo meu falou assim: "Eu não faço essa viagem, vai que fura o pneu, eu tenho que trocar". [risadas] Falei: "Cara, eu não acredito nisso.
Sabe quanto tempo dura para trocar? 15 minutos. E o esforço não é teu, é do macaco, que é uma invenção física extraordinária que você levanta um carro rodando-se. O Inácio conseguiria. Não é pesado? Ah, não, eu vou suar. Vai que tá no sol escaldante. Ai meu Deus, eu vou ficar no ar condicionado esperando o reboque, esperando o seguro, viciado no prazer, quer ficar na televisão, quer ficar deitado no sofá com controle. O que é a epidemia de dopamina diagnosticada que nós vivemos hoje? Pessoas que não Conseguem ficar sem o celular, sem um prazer barato, sem
uma imagem, sem uma comidinha que o iFood entrega na sua casinha, porque o dinheiro paga isso. O dinheiro paga também o prazer sexual da pornografia soft ou da pornografia hardit de várias formas. Então, o prazer nos vicia. O que Cristo tá dizendo é o seguinte: "É possível ser feliz sem prazer. É possível ser feliz chorando. É possível ser feliz sofrendo quando a gente não deposita em alguma coisa que não é simplesmente Deus, a nossa felicidade". O sentido mais tradicional dessa bem-aventurança é o choro penitencial de arrependimento dos pecados e de reparação pelos pecados alheios, o
que não é obviamente uma alternativa excludente em relação à primeira opção também. Mas o choro aqui na segundo Santo Tomás exorciza o ídolo ou demônio do prazer e do bem-estar, o que hoje nós chamamos de qualidade de vida. Eu lembro muito bem do meu velho pai, exímio advogado, que olhou pro meu irmão, que falou assim: "Meu irmão é um homem Atlético muito bemado, com corpo escultural, um jogador de basquete e o irmão disse assim: "Pai, talvez eu não seja um grande advogado como o senhor, porque o senhor se dedicou exclusivamente à advocacia e eu vou
me dedicar também ao esporte e eu preciso da minha qualidade de vida. Então eu quero ir almoçar. Advogado não almoça. Acho que o horário almoça não. Meio-dia eu vou parar, vou almoçar, eu volto 3 horas. Não. Quantas mil vezes ele não precisou não almoçar e talvez jejuar e emendar para ser quem ele hoje é ou um acadêmico? E o pai falou assim: "Qualidade de vida, que frescura é essa?" Agora qualidade de vida. Ah, eu tô cansada. Vamos fazer um break. Ai, eu tô uma hora falando. E aí eu começo a ter penda de mim, autocomiseração,
autoindulgência. E o papai tem razão. Se você quer ser um grande advogado, meu irmão é um grande advogado. Inclusive o esporte dá fortaleza. É um grande treino. Treinar no calor, treinar no frio, treinar em jejum, superar as suas metas. É uma grande coisa do ponto de vista espiritual. Leiam lá no livro do Kevin Vost. Você é um templo, um guia católico para uma vida saudável e santa, em que ele fala de dieta, de atividade física numa perspectiva das virtudes. Kevin Vost, vocês encontram naquela livraria famosa, vorsales.com.br. [risadas] Então, o prazer nos dá uma série de
vícios com uma gula. Ah, esse café tá frio, por favor, traga um café quente. Ah, esse café tá doce. Ai, esse café tá amarro. Ai, não sei o que. Aí eu fico dependente. Ai, não. Tá, na verdade tá tá um pouquinho mais amarro do que eu gosto. Eu fico assim achando que o mundo tem que me servir. E eu fico dependente do prazer que me dáem, porque eu gosto muito, eu como muito. E o que eu não gosto, eu não como. Todos os dias com o inaco, eu digo, você vai comer salá. Eu não gosto.
Eu não perguntei se você gosta. Eu falei que você vai comer salada. Porque se come salada, se bebe água, se come carne, se come carboidrato, se come verdura, ah, mas eu não gosto. E dá aí Que eu acho que não gosta. Você come o que lhe dão com gratidão a Deus. Você ama e honra os seus pais por amor, por gratidão. Eu não gosto dele. Não perguntei se você gosta. Você ama e se dedica a sua esposa na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Ai, mas eu não gosto mais porque ela ficou
feia, porque ele ficou gordo, porque ela, o meu filho tá dando trabalho. Eu perguntei se era isso, se era prazer. Você casou por prazer, por bem-estar. Ah, mas ele ficou pobre. Ah, foi por dinheiro. Golpe do baú. Isso é a forma do fracasso. Isso é a forma da infelicidade. E digo se isso não explica tudo. Eu fico impressionado com o evangelho mesmo. Continuando estudando filosofia, que isso explica tudo. Chopenha não explica tudo. Platão não explica tudo. Niets não explica tudo. Kant não explica tudo. Explicam partes. E muitas vezes muito bem, obrigado. Mas isso explica tudo.
Então a luxúria, mas também a ganância. A preguiça. A gente vive numa sociedade profundamente preguiçosa, cansada, desmotivada, deprimida, aborrecida, desiludida, Porque põe o coração no lugar errado, porque se deixa seduzir pelo canto das sereias. Por que Judas traiu nosso Senhor por 30 moedas de prata? Aqui a virtude é a temperança. Que bonita essa palavra. É o tempero. O que importa não é não beber café, é quanto beber. É a medida. É comer na medida. Tudo tem medida, menos o amor, cuja medida é amar sem medida. Como diz Santa Agostino, a medida do amor é amar
sem medida. Se você ama o amor com medida, você é desmesurado. Você não entendeu a medida dele. O que não quer dizer que ele seja um louca, o que não quer dizer que ele seja doido. Existe uma ordem no amor que começa com Deus e vai para o próximo. Não adianta você amar os africanos sedentos se você não ama a sua esposa. Não adianta amar os paroquianos do seu grupo, da sua comunidade, se você não ama o seu marido. Quem ser vale dos deveres domésticos para servir na igreja está profundamente equivocado. Quem ser vale dos
seus deveres familiares de pai, mãe, marido, esposa, filho, irmão, para servir as pessoas, está profundamente equivocado, porque sua vocação primariamente é a é a matrimonial. É verdade que alguns deixam tudo, pai, mãe, filhos, filhas, esposos, maridos para servir a Cristo. Isso é verdade. E os deixam para para o reino. Isso é verdade. Inclusive, há os eunucos desde o reino, desde da mente de Deus para o reino. Bem, a terceira bem-aventurança negativa é a mansidão, que renuncia ao poder, que renuncia à grosseria, à gritaria, à virulência, à afirmação, ao desejo de poder, a quem se testa
com os outros, a quem se compete, a quem se a quem se compara com os outros. Eu sou melhor do que ele. Eu sou melhor que aquele, aquele ali, mas aquele ali não tem isso. E começa a fofocar para jogar um veneno, para se auto afirmar, preocupado com a autoafirmação, com a própria imagem. A a única vez que nosso Senhor usou o verbo aprender foi quando ele disse: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Tão importante é a virtude da mansidão e a da humildade, que a gente já viu aqui a humildade
como pobreza de espírito. Porque senão o poder nos torna iraíveis. O que é uma pessoa iraível? é uma pessoa agressiva, violenta. Quando a gente lê em São Paulo os frutos do da carne, a gente vê a gritaria, a richa, a briga, não só a gula, a luxúria, mas a iracibilidade que quebra, que grita, que bate, se tiver uma arma que mata. Mas pode ser uma ira fria também, pode ser uma pessoa vingativa, uma pessoa que quer comer pelas bordas. A vingança não é um prato que se come frio, maquiavélica. Ah, ele me paga. A política
é um lugar de ira, de vingança, de traição, de perfídia. Não lugar de paz, de comunhão, de integração, de comunicação, de direito, que deveria ser tudo isso, justiça, mas é um lugar de poder, de poder. E a virtude da mansidão é a fortaleza. E aqui vem uma coisa importante que não é renunciar ao poder. Um cão manso não é um cão incapaz de atacar, é um cão que sabe quem atacar. Um cão manso é aquele que não morde o dono e a sua família, mas que morde o ladrão quando ele ataca o terreno, né? Uma
vez eu vi uma placa assim: "Cuidado, cão bravo, risco de morte, pô! Esse terreno eu não pulo. É porque se for um dobmã, um pitbull treinado, ele pula na jugulará, né? Ele pula na jugular e te mata. Foi treinado. Já vi aqueles cães de de guarda e te mata. Mas ele não vai matar. Eu não deixaria minha filha perto desse cão, né? O manso é o treinado, é o domado, é aquele que sabe do seu poder. E o grande exemplo disso, é claro, é o que ficou conhecido na tradição como a santa ira de nosso
Senhor diante dos vendilhões do templo. E achar para entender a ira santa de nosso Senhor, que não deixou de ser manso, mas foi profundamente justo, porque foi proporcional ao agravo, foi que ele costurou o chicote com o qual ele os expulsou do tempo. E ao costurar o chicote, que isso significa? Ele não perdeu a sua fortaleza, ele percebeu que ele não teria nenhuma eficácia em pedir gentilmente e cordialmente que os vendilhões se retirassem do templo, que o estavam profanando, Porque aquilo ali era uma grande blasfêmia. Não façais da minha casa, como diz o grande profeta
Jeremias, uma casa de um covil de ladrões. Eles estavam fazendo isso. E ele os expulsou, derrubou as mesas e com chicote os expulsou. Perdeu a cabeça. Não. Ah, é bem cabeça quente esse aí, né, Jesus de Nazaré? Não, não é cabeça quente também. Não é cabeça fria, morna, não é? Lembram? Hã? Eh, ao discurso do anjo, a igreja de la Odisseia. Antes fosses quente ou frio, mas como mornos, vou vomitar-vos da vossa minha boca. Os mornos serão vomitados. Você tem que tomar partido, tem que tomar decisão. Às vezes tem que ser quente, às vezes tem
que ser frio. Pode falar, eu não vou dizer nada. Isso numa vida matrimonial é muito importante. Eu reservo meu direito ao silêncio. Eu não posso ser condenado por por nada que eu que eu que eu não disser. Eu não posso contandar pelo versículo. Diga, diga não. Nesse momento você tem que permanecer como Cristo diante de Heródios, calado, tanto o homem em relação à mulher quanto a mulher em relação ao homem. E quando a gente tá irritário, você não vai dizer nada. E qualquer coisa que a gente diga será usado contra nós, né? Então a gente
é calado com uma pedra de gelo. E no outro dia você diz: "Bom dia, [risadas] dormiu bem, meu amor. Preparei um café aqui para você, pra gente conversar. Não, [risadas] pra gente namorar, pra gente falar de poesia, pra gente ler o cântico dos cânticos e lembrar da nossa lua de mel. Isso é mansidão. Isso é mansidão. A mansidão é dominar. Mas o pai não é manso quando deixa o filho dominá-lo, domá-lo, xingá-lo, levantar a mão contra ele. Ao contrário, se um filho levanta a mão contra o pai, o pai tem o dever de segurar forte.
Hoje mesmo eu arrastei o Vivi de 3 anos porque o carro tava uma A gente vai fazer uma outra viagem amanhã. Eu falei assim: "Olha, o seguinte, a gente vai limpar o carro. Peguei um saco de lixo e cada um vai catar. Polenguinho, é farelo, é todinho, É todas essas porcarias que que vão comendo no carro e e papel e não sei que f que negócio é esse? Jogar tudo no chão do carro. que estão longe. E o Vi falou assim: "Não, não vou." Falei: "Vai, não vou". Eu peguei o Vivi, ele fica assim com
uma forcinha de um de três anos. [risadas] Aí você vai resistir? É como querer resistir a Deus. [risadas] Aí eu falei: "Você sabe para que serve a orelha que ela vou fazer comigo? A orelha serve para isso. Ele começou a chorar e fez assim. Eu peguei o braço dele e tava no gramado e ele fui arrastando assim, ele foi arrastado. Eu não posso deixar o menino de 3 anos decidir se ele vai ou não limpar o carro. Não cabe a ele essa decisão. Ele não é livre para isso. Ele é livre para obedecer de livre
espontânea vontade com consciência do dever que o santifica. né? E a primeira coisa que a Maria falou quando chegou no carro, nosso carro tá limpo. Isso é mansidão, é usar o poder. Vejam, não é não ter dinheiro, não é não ter prazer, não é não ter poder, não é não ter honra, é colocá-los no seu devido lugar. A virtude é a fortaleza. O pecado é a ira, muito ligado à vingança. A vingança é uma forma de subverter a justiça e querer devolver de forma agravada, de forma superior o mal causado. Você me xingou, pois eu
vou lhe matar. Você me xingou, pois eu vou lhe difamar sistematicamente até você ter se arrepender de ter nascido. Para você ver quem é, quem sou eu, qual é o meu poder. Eu vou falar com as pessoas que eu conheço, eu vou falar com os meus contados e eu vou instaurar uma guerra entre nós. Esse é o espírito de belicoso, o espírito que São Paulo chama de carnal. Em quarto lugar, a coroa. Quando você for santo, você começa a ser perseguido, porque o santo é insuportável para o mundo. O santo é incômodo para o mundo.
O santo resplandece tanto a luz de Cristo que ela ofusca os outros. E o que a gente faz com uma luz muito grande? A gente fecha a cortina, a gente deixa de seguir, a gente bloqueia, a gente hostiliza. E o santo incomoda tanto porque ele instaura um modelo de superior, superior de excelência, que o promisco, que o carreirista, que o dinheirista, que o poderosão quer apagar o seu horizonte, porque ele mostra outro tipo de poder, Ele mostra outro tipo de dinheiro, ele mostra outro tipo de prazer, ele mostra outro tipo de honra. E aqueles que
vivem do poder, vivem do prazer, vivem da honra e vivem do dinheiro, se sentem ameaçados por ele e por isso o perseguem e por isso o matam e por isso tentam apagá-lo do horizonte. Eu acho engraçado que uma das coisas mais importantes que eu já fiz na minha vida e vou continuar fazendo até morrer, é estudar a história da igreja. Porque a gente vê que o nosso tempo não é diferente, não é novo o nosso tempo. Ah, estão perseguindo os cristãos. Quando não os perseguiram? Me diga quando não os perseguiram. Ah, tão falam muito mal
da gente, né? Sim. E daí? Qual é a novidade disso? Você tá você tá impressionada com isso? Ol, eu tô passando por uma perseguição, por uma incompreensão. Veja, deixa eu lhe dizer uma coisa. Se você é compreendido por todos, eu tenho uma certeza só. você não é santo. Só isso que eu tenho certeza absoluta. Ao contrário, se você for compreendido, aplaudido e valorizado por todo mundo, é porque você se vendeu ao mundo. Você se vendeu a o que tá na boca e na expectativa do povo. Povo São Paulo diz: "Não aceiteis a mentalidade do mundo,
Antes vos convertei e mudai o mundo." Isto é apostolado, conversão e apostolado. E a perseguição expulga por completo o nosso desejo de vaidade, o nosso desejo de ser invejado. E a vaidade é uma amiga íntima da inveja. E por isso a gente precisa aprender a sofrer com paciência e não ceder a perseguição e não ceder ao que estão dizendo. Ah, estão falando mal de mim. Ah, então eu vou parar de fazer o que eu tô fazendo para ver se param de falar mal de mim. Você é fraco se fizer isso. Você vai ser vomitado se
fizer isso. Vomitado por Deus. E você vai ceder ao poder de difamação da sua honra. Ao ser deshonrado, você vai dizer: "Não, prefiro ser honrado pelos maus". Você quer ser honrado por Anás, Caifás, Pilatos, Herodes? É por essa corja que você quer ser honrado? Ou você quer morrer com dignidade diante dos malos? Você será flagelado. Uma boa maneira de meditar os mistérios dolorosos que nós meditamos hoje, as terças e as sextas. é se colocar no lugar de Cristo, é estar sofrendo com ele no Getseman, está sofrendo com ele as flagelações, sendo coroado de espinhos com
ele, colocando a cruz costas e subindo no monte de Cavalo e caindo as estações da Via Sacra, depois sendo crucificado com ele, ultrajado. Então, para concluir, Santo Tomás daquino diz, com base em Aristóteles, que os quatro motores fundamentais a que normalmente as pessoas associam a felicidade são o dinheiro, o prazer, o poder e a honra. O, vou repetir, o dinheiro, o prazer, o poder e a honra. Pense numa pessoa que tenha dinheiro. Pense numa pessoa que tenha, até mesmo por causa do dinheiro, prazer à vontade. se deita e se refestela nas camas dos palácios com
os aparelhos de ar condicionado, com os quetutes, com os vinhos, com com as comidas, com os iPhones e com todos os prazeres e viaja para aquelas praias paradisíacas como Luiz Correia. Ele mora lá, ele tem até uma casa lá e fica apstando porque ele quer honra. Nossa! E tem um carro e tem poder porque tem dinheiro, porque tem honra, porque tem influência, porque tem cargo, porque tem mandato, porque tem contato. Essa pessoa é feliz? A resposta é: não necessariamente. Por quê? Porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração. Exemplo típico da história
da igreja, rei São Luís de França, santo extraordinário. Tinha tudo isso. Exemplo extraordinário pelo qual eu tenho muita devoção. Santa Isabel de Portugal tinha tudo isso, tá? Que que ela fazia com o seu dinheiro escondida do marido? doava aos pobres. Que que ela fazia com o marido profundamente traíra, profundamente infiel, mantinha-se plenamente pura? Que que ela fazia com todo o seu poder de rainha que tinha? Promovia a paz. Que que ela fazia com toda a honra que ela tinha? Leia a biografia Santa Sabel de Portugal. a justiça. E por isso Santo Tomás diz: "Um vez
que você se libertou dos grilhões do Dinheiro, do prazer, do poder e da honra, você não é usado por eles. Você os usa. Você tem poder? Ótimo. Use o seu poder. Abuse do seu poder. Tem dinheiro? Ótimo. Construir uma capela. Para isso o dinheiro serve. Você tem honra [risadas] excelente. Use toda a sua honra, todo o seu prestígio para Cristo. Você tem poder, ótimo, excelente. Você tem prazer, bem-estar. Muito bem. Use. Ótimo. Que você tem conforto, muito bom. Use o conforto, não seja usado por. E se não tiver, tanto faz. Porque você é desapegado, totalmente
desapegado. Onde está o teu tesouro está o teu coração. E Santo Tomás diz: "Uma vez que você está independente desses quatro ídolos ou demônios, você pode agir positivamente na edificação do reino de Deus". Como? E aí vem as quatro bem-aventuranças positivas. Você não pode ter as bem-aventuranças negativas, positivas, sem antes ter se desagrilho das negativas. Você não pode ser misericordioso se você não for pobre. Você não pode ser puro se você não tiver purificado. A pureza é um processo de queima das escórias. Como é que a gente purifica o ouro se não na forja? do
fogo que queima o ouro. Uma coisa eh de quilate, de qualidade, como cordões, alianças, foram queimadas. São José Maria Escivar tem um livro de ponto chamado Forja, que fala da mística do sacrifício e do sofrimento. Você não vai nunca promover a paz se você for irracível, se você fori irritadiço. Você precisa da mansidão para promover a paz e a justiça. Você só conseguirá permanecer focado nela se você não tiver preocupado com o juízo do mundo, com a justiça do mundo, com os aplausos do mundo. Pelo contrário, a perseguição e a incompreensão purifica a sua intenção,
retifica a sua intenção, torna reta a sua intenção. Então, nesse momento, a verdade nos libertou e nós somos santos. Isso aqui é santidade. Isto é santidade. Por quê? Porque você pode positivamente agir para a edificação do reino de Deus, porque você consegue ser livre para a misericórdia, Para a pureza, para a paz, para a justiça. Essas quatro bem-aventuranças já são um estágio superior de santidade. Eu estou à disposição para as perguntas, não estou com pressa. Ganhei um Vale Night em plena férias com a família e perguntem o que quiserem. E também caso queiram aprofundar esses
temas com vários cursos que eu disponibilizo no meu portal dialético, vocês podem aproveitar a Black November e usar o amor ao dinheiro de modo inteligente. Obrigado. [aplausos] [aplausos] O grande Éic vai levar o microfone para quem quiser perguntar. A melhor pergunta vai ganhar o meu livro A crise da cultura e a ordem do Portanto, caprichem. Ramon. Oi, Víor. Sou Ramon. Eh, também sou professor e nós sabemos que como professor nós somos tentados de diversas formas, pela honra, querer agradar os alunos, querer agradar a diversão, enfim, eh diversas de diversas formas que muitas vezes, como professores,
nós acabamos entregando um pouco daquilo que é o nosso tesouro, né? Eh, como lidar, por exemplo, com dificuldades na profissão como professor, eu sei que você também é. Eh, em relação aos alunos, por exemplo, como se desapegar disso tudo em relação aos alunos e sala de aula. Excelente pergunta, Ramon. E a resposta foi dada na palestra quando eu disse que o nosso trabalho é sacrifício. O nosso trabalho é para Deus, é consagrado a Deus, em primeiro lugar a Deus. E como é que a gente presta um bom sacrifício a Deus? Quando a nossa consciência está
limpa, quando a gente faz tudo o que deveria fazer, tudo. O professor tem como primeira missão estudar. O professor é quem ama estudar. Eu lembro quando eu descobri minha vocação docente e eu tive certeza eu queria ser professor. Eu tinha 17 anos, tava no curso de direito e aquele livro afirmação histórica dos direitos humanos do Fábio Coner comparar tem uma introdução na história dos direitos humanos. E eu gostei porque falava do cristianismo, falava do estoicismo, falava das trajas regias gregas e culminava na declaração universal dos direitos humanos de 48. Eu gostei de pensar nisso, encante,
a modernidade, se era religioso ou não. E eu gostei e eu falei pra turma: "Pessoal, vai ter prova e tal, se vocês quiserem eu dou Aula para vocês." A turma lotou, todo mundo queria. E eu olhei para aquela pela primeira vez assim para os meus amigos de de classe, para aquelas pessoas, eles querem aprender o que eu já aprendi e eu fiquei feliz. Não era vaidade, não era honra. Eu falei: "Caramba, se eles tiverem o gosto por aprender o que eu aprendi, como vai ser bom? Como vai ser melhor?" Por exemplo, eu tô aprendendo tudo
isso que eu tô ensinando e como é bom poder compartilhar. O professor quer compartilhar a beleza da verdade contemplada. Por isso que São Tomás diz que a caridade é compartilhar as verdades contempladas. Se eu contemplei a verdade, eu quero que vocês também a contemplem. E Santa José Maria Escrivá, que era um exímio professor e escritor, dizia: "O professor tá em suco isso, o professor dois pontos, que os teus alunos entendam com facilidade o que a ti te custou muito a entender. O professor é um didata, é um facilitador e gera no coração do aluno gratidão
porque ele é generoso. Então o professor tem um compromisso com a matéria, com a disciplina, com o conteúdo. Belém tá passando pela COP 30, foi feriado, decretado feriado na cidade. E eu disse: "Puxa, que pena, porque vai, eu vou precisar de mais tempo para concluir o conteúdo". E o aluno falou assim: "Não precisa repor". Eu falei: "Eu preciso [risadas] concluir o conteúdo". Eu: "Não, não, não, não precisa repor, não precisa d entendeu, meu filho. Não é por você. Eu tenho um compromisso com a ementa. Isso não é uma coisa obsessiva e não é uma coisa
com a direção, com a coordenação, com os alunos, com Não, é uma coisa assim, eu eu tenho que ministrar essa disciplina. Ela não pode ser lacunosa, ela não pode ser incompleta. Se não aceitar na reposição, tudo bem, eu vou condensar para dar tudo. Então, esse é o primeiro ponto. Se nenhum aluno gostar de mim, se nem se a direção não gostar de mim, se a coordenação não gostar de mim, eu sinto muito. É, eu não tô dizendo para você ignorá-los e desprezá-los, porque eles são, na verdade, o fim penúltimo da sua ação. E a coordenação
e a direção são um meio para realizar esse fim. penúltimo, porque o fim último é Deus. Então, com o olhar focado em Deus, que resplandece e que reverbera no conteúdo da disciplina que você ministra, seja ela qual for, aqui tem uma amiga da biologia, né? Seja ela qual for, você tô Diante de uma parcela da verdade. A verdade é Deus. Tudo que é verdadeiro participa do ser de Deus, do uno, do belo, da verdade de Deus, que é bom, belo e verdadeiro. E aí você tem compromisso com esse elemento e você que é claro, cumprir
as regras, cumprir as datas. É claro que eu não vou ser um anárco, dizer: "Não, eu vou dar aula no sábado de manhã para cuidar cumprir a matéria. Eu vou dar aula no dia da COP. Não, nunca. Vou para Teresina durante a Copa, mas eu vou procurar dentro dos meios sempre limitados, escorchantes e asfixiantes de uma sociedade em crise, de uma pedagogia em crise, de uma instituição em crise como é a escola e a universidade, fazer tudo que eu puder e dizer: "Senhor, é o que eu posso, porque o meio é completamente limitado". E porque
eu sou completamente limitado. E do meu nada tu podes fazer tudo. Do meu nada tu podes fazer tudo. Faz segundo a tua palavra, segundo a tua vontade e me dá perspicácia e inteligência para usar e mobilizar os meus talentos pro teu reino, pra tua edificação, pra tua glória. E ele vai fazer e você vai confiar pacientemente sem comprar briga. Porque a gente é manso e pacífico e sem ser bobocar, porque a gente tem que ser esperto como as serpentes e inocente como as pombas, porque a gente está como ovelhas entre lobos. E a gente não
vai ser boboca. A gente vai fazer o que dá para fazer, vai entender o que tá acontecendo e vai se situar e vai se portar e vai confiar. A chave para tudo eu descobri e procuro ensinar isso nos meus livros de virtudes. É o exame de consciência. É dizer: "Senhor, fala, me mostra". Como o catecismo da Igreja Católica diz, a consciência é o sacrário do Espírito Santo. Deus habita na nossa alma em graça. Ele fala conosco pela nossa consciência. Consciência não é pensamento, consciência não é imaginação. Consciência não é raciocínio, consciência não ler um livro.
Consciência é aquilo que tá lá dentro do nosso coração e que fala quando a gente cala. E a gente tem uma convicção íntima de que não é só uma ideia minha, é que está em mim, vendo mais íntimo de mim. E para isso eu preciso de silêncio, porque Deus sempre fala, mas normalmente fala baixinho e a gente não ouve porque a gente tá diante de um mundo ruidoso e porque a gente não cala a boca. Por isso que a igreja sempre promoveu retiro de silêncio. Eu faço retiro de silêncio há mais de 10 anos. Uma
vez no Instagram me perguntaram, eu falei lá, fico três dias calado. Você fica três dias calado. E aí você faz o quê? [risadas] Eu falo, eu ouço mais que todo mundo calado. [risadas] Então vamos fazer o retinho. Eu quero ir com você. Tô ótimo. Vamos. A gente não vai se falar. Vai ficar três dias olhando pro outro sem se falar, porque a gente quer ouvir a Deus. A gente vai ouvir o evangelho. A gente vai ouvir o padre. Mas não é o padre Benedito falando sobre a copa ou a cop. é falando de Cristo, é
ouvindo a Cristo. E com isso a nossa consciência vai se depurando e a gente ouve a nossa consciência. Então a gente traz esse aspecto, digamos assim, abstrato paraa concretude da nossa vida. Quem faz esse trânsito é a consciência, é o evangelho aplicado prudencialmente no contexto da nossa existência. Estudar, rezar, fazer o seu trabalho de forma abnegada. Aula é para Deus, para o anjo, pros santos. Quando eu começo a minha aula, Eu penso em Santo Tomás, penso Santo Agostinho, penso em Santo Zé Maria, penso em Santos, penso em Deus. Olha, Tomás, eu tô para ir. A
igreja triunfante. Aqui é a igreja militante. A igreja militante colhe as suas forças da igreja triunfante. A igreja tá em três lugares: na terra, no purgatório e no céu. A igreja militante que luta, a igreja padecente que sofre e a igreja triunfante no céu. Olá, professor. El nome Simone e a minha pergunta é: Como vivenciar um calvário unido a Cristo sem padecer e neste Calvário encontrar a felicidade unido a Cristo sem padecer e neste calvário encontrar a felicidade. O Eu só não entendi esta essa expressão sem padecer, porque o Calvário é padecimento. Calvário é sofrimento.
Não existe calvário sem sofrimento. E a gente encontra Cristo exatamente no sofrimento. Como diz o Cas Luiz, Cristo sussurra na alegria e grita no sofrimento. O sofrimento tem um poder transformador. O sofrimento pode nos desesperar e nos rebelar Como quem se contorce e se retorce querendo tirar alguma coisa. Se você me põe uma camisa de força, eu vou tentar. Se você me põe uma mordaça, eu vou tentar com todas as minhas energias, você me algema, me põe uma camisa de força e me prende nos pés e me mordaça a boca. Eu fico tentando com todas
as minhas poucas forças me tirar e você não consegue. É inútil tentar tirar uma algema. Nem Sansão conseguiria, nem o Hulk conseguiria, porque é ferro, uma camisa de força psiquiátrica não adianta, a pessoa pode ser fortíssima, põe duas, tem três pessoas te segurando, você não vai conseguir, né? Então, quando você supera a revolta contra o sofrimento e você o acolhe como uma mensagem, como um remédio transformador, confiando que ele tem alguma coisa a lhe dizer, confiando que ele opera em você com uma cirurgia, né? Pense na medicina que abre a barriga, que abre a cabeça,
Que abre o que que só imagina antes da anestesia. O quantos pacientes não sofriam para serem curados. Vou repetir. Sofrer para ser curado. Esse é o mistério do sofrimento. O sofrimento é terapêutico. O sofrimento é sacrifício. Ele é corredentor. E aí você encontra Cristo sofredor. E você não o encontra sozinho. Você o encontra com a sua mãe que é a consoladora. Nossa Senhora das Dores era, é a consolação junto com Maria Madalena, com Maria de Cléufas, com as outras mulheres e com São João, com São João evangelista que ele amava na cruz. Você encontra a
igreja padecente, você encontra os sofredores, você encontra força na compaixão sua e dos outros. Vou dar o exemplo de um velório, né? Quando você tá sofrendo num velório, cada pessoa que entra e lhe olha e lhe abraça, lhe toca, lhe dá uma força profunda, um consolo profundo, que ela nem tem ideia. E por isso quando você vai ao velório consolar alguém, você faz o caminho oposto. Cristo se faz presente nesse ato. O consolo é só uma companhia com o só, com o solitário, né? Às vezes eu falo com mãe: "Mãe, eu tô triste." Muitos dias
eu tenho tristezas e inconsoláveis. Que que a mãe faz? Tem até vontade de chorar. A chega e fica do meu lado. Aa vai passando assim 4 horas depois eu tô menos triste. Parece, parece. Eu falo pra minha esposa, amor, eu tô muito triste. Tô do meu lado, fazendo carinho, conversando. Cântico dos cânticos. Já entenderam? E aí o amor constrói, o amor edifica. Isso é o sofrimento compartilhado. Cristo misticamente sofreu todas as dores do mundo de todos os tempos, inclusive a sua. Você não é uma abstração, você não é um número do IBGE, você não é
um número numa certidão jurídica. Você não é um CPF para Cristo. Você é uma filha única. Todo pai com mais de um filho percebe isso. Cada filho é único. Cada filho é incomparável. Cada filho é tudo pro pai. A Maria é o meu tudo. A Isabel é meu tudo. O Inácio é meu tudo. O Vicente é o meu tudo. O o Tomás é o meu tudo. Os quatro que eu não conheci são o meu tudo. José Vicente, José Inácio, Santiago e Inês estão no céu. Nunca os vi, nunca os toquei, mas são meus filhos. Então,
o sofrimento nos torna sensíveis à realidade mais profunda da humanidade, que é a realidade da imortalidade. A gente presente no fundo do sofrimento que ele não tem a última palavra. O nome disso é esperança. É a virtude da esperança, que não é só a esperança de que isso vai acabar com uma noite fria e escura. Aliás, Santa Teresa de Jesus dizia: "Esta vida é uma noite mal dormida num albergue de estrada". Agora imaginem como era um albergue de estrada na Castilha do século X. Não era esses postos que nós temos com redário. Não era um
lugarzinho gostoso, não. Era um lugar muito frio, horrível, uma pequena morte. Só que ela dizia, era tão mística que ela percebia [risadas] que toda a vida era só uma noite mal dormida. Você quer uma noite mal dormida na sua vida. O santo pode viver 80 anos, 100 anos, pode sofrer 100 anos e 80 anos. Ele sabe que isso aqui é só uma gota. E o sofrimento esvazia tanto a nossa vida e ao mesmo tempo, ao esvaziá-la, a redimensiona numa perspectiva propriamente espiritual, mesmo que o sofrimento seja espiritual, que há um consolo muito profundo que é
Cristo na cruz. Como você mesma perguntou, a gente encontra Cristo na cruz e encontra Nossa Senhora. A resposta é: Nossa Senhora, sofredora, padecente, que encarnava perfeitamente todas as bem-aventuranças, que era humilde, que era mansa, que tinha fome sede de justiça, que era misericordiosa, que promoveu a paz, rainha da paz pura. perseguida, incompreendida como São José, seu fartíssimo esposo. Víor, eh, primeiramente parabéns pela explanação de um assunto Intenso e, ao mesmo tempo trazer luz para um caminho de santidade, né? obrigado por trazer esta perspectiva pra gente aqui nessa noite e te agradecer por isso e ver
como você traz de uma forma bíblica, catequética e prática um assunto que pode dizer no caminho de santidade, né? E viver isso no esses caminhos parece ser muito difícil, mas viver um pouco a cada dia e vai se quando você divide vai se tornando um pouco mais fácil a caminhada, né? Mas ao mesmo tempo a gente que tenta seguir esse caminho, parece que a gente tá numa numa fora da curva, né? Eu posso dizer, a gente é mal visto por querer viver um caminho de santidade. você falou da da palestra, você fez muito bem isso,
mas só para reforçar eh como a gente pode seguir cada vez mais forte esse caminho, eh, tendo luz como nosso guia, mas também a gente ter força para ser testemunha fiel dele e como a Gente também transmitir paraas próximas gerações o que a gente recebeu. Muito boa pergunta. O mundo é diverso. As pessoas discordam entre si. A pergunta é: ser mal visto por quem? Por Deus, pelos filhos da luz ou pelo diabo e pelos filhos das trevas e deste mundo. Não é possível agradar os dois. Ou ou você agrada um e desagrada outro. ou agrada
o outro e desagrada o primeiro. Não tem como ficar no meio termo entre Deus e o diabo. É isso que o nosso Senhor diz. Ninguém pode servir a dois senhores porque eles querem poder absoluto. E aí você pode pensar assim: "Olha, a mamãe não me entende, papai não me entende, o titio não me entende, o meu vizinho não me entende, o meu sócio não me entende, o meu pároco não me entende." Bem, Deus te entende? a sua consciência tá limpa. E aqui vem um dos elementos que eu acho que não foi suficientemente ressaltado no começo
da Palestra e eu aproveito a sua bela pergunta para fazê-lo, que é o seguinte: a igreja é o critério de Cristo. Quando eu falo que a nossa consciência é o sacrário do Espírito Santo, é o Espírito Santo vivo na Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Por quê? Porque senão eu crio o meu cristianismo, eu crio a minha fé, eu crio a minha versão, a minha interpretação. Quando eu digo que eu falo com Santo Agostinho, com Santo Tomás, que são os dois pilares da doutrina católica, é porque eu não quero que seja a versão do Vítor, eu
não quero que seja a minha versão. E eu faço toda a questão do mundo de deixar expresso nos meus livros que eu sou apenas um intelectual católico. Eu sou apenas um carteiro católico. E foi assim inclusive que o Horácio me apresentou muito honrosamente. Sim, eu sou católico. Isto quer dizer que eu devo fidelidade, obediência à santa mãe igreja. Ou seja, o Espírito Santo anima a igreja que é mãe e mestra. E com isso eu quero ser bem visto por ela, mas não pelo bispo, pelo padre que que a encarnam e que a representam e que
a e que se revestem da sua autoridade na terra e que são a face visível. Devo toda obediência ao pároco, ao bispo, ao Santo Padre, o Papa. Mas sobretudo a igreja de Cristo, que é a comunhão dos santos, daqueles que levaram isso a sério. Vocês perceberam que eu sempre dei exemplo de santos, que eu falei de São Francisco, que eu falei de São José Maria, que eu falei de Santa Teresa, que eu poderia ter falar de São Vicente de Paula, que eu falei de Santa Maria, de Santa Maria Madalena, de São João, de São Tomás,
Santo Agostinho, que eles aparecem sempre na minha boca porque esses homens levaram a sério e eles são canonizados pela igreja não por outro motivo que não pelo fato deles serem modelos exemplares da vida e de santidade. E Jesus falou: "Eu não vim esse príncipe da paz que entrou montado num burrinho no domingo que nós chamamos de ramos em Jerusalém, disse: "Eu não vim trazer a paz." Como se os promotores da paz serão chamados filhos de Deus, a paz é a sétima bemaventurança. A gente acabou de ver isso. Eu não vim trazer a paz, eu vim
trazer a espada. Eu vim separar pai de mãe, nora de genro, filho de irmão de irmã, tio de sobrinho, tá lá. Por quê? Quer dizer que a gente vai brigar com a nora, com a sogra, com com o vizinho? Não. É que eles não vão nos acolher. Se a minha sogra não acolher, lamento muito. Se meu irmão não me acolher, lamento muito. E aí vem, leam lá o livro, as as como é que tá em português? As palavras Duras de Cristo. Cristo tem palavras muito duras. É do que é do Cardel Miller. Tem palavras muito
duras. Sabe o que a gente faz? A gente é da paz. A gente traz a paz. Não é da paz. A gente bate a areia do pé. Eu não quero nem a poeira da da tua casa. Isso é duro. Quer outra palavra dura? Não jogar pérolas aos porcos. Ai que que intolerância. Zofobia. [risadas] Isso é contra os porcos. Jesus Cristo disse isso. Ora, eu sinto muito, não é que você seja um porco, é porque o porco, se eu jogo essa aliança pro porco, ele vai pisar, ele vai defecar, ele vai engolir, ele vai não vai
saber que é uma aliança. Se eu jogo um um um celular com o porco, ele vai quebrar o celular. Um objeto caro, um objeto maravilhoso, cheio de recursos. Ele não entende o que é o ouro. As pérolas. A pérola não é o precioso, não é o macho precioso. E aí você não vai guardar a pérola como se só você também você não é o único. Você vai procurar terrenos fecundos porque existem terrenos pedregosos, Terrenos espinhosos, existe a beira da estrada cheia de abutre e existe terreno fecundo. A nossa profissão docente, Adonias, meu amigo e outro
professor, meu colega Horácio, é é uma semeadura tanto do conteúdo que a gente tá ensinando, que nem todo mundo vai entender, que nem todo mundo vai querer saber, quanto da doutrina moral que a gente traz no nosso coração com naturalidade, com simplicidade. Então, a bemaventurança da perseguição é não ligar. Tem um provérbio que descreve muito bem isso. Os cães ladram e a carruagem passa. Você tá com o carro, um cachorro não vai latir em cima de um carro. Você tá com uma bicicleta, vai lá. E tem um cachorro latindo. Que que você faz? Você continua.
Ele tá só ladrando. Os cães ladram e você continua. Tá falando mal de mim. Táí daí. Olha o que falaram mal de São José Maria. Não tá no Jubi. O que falaram de Santo Tomás? O que falaram de São Francisco, de São Domingos, de São Vicente, de São Felipe Neri? Vocês que falam bem deles, de Santa Teresa? Não, todos esses eram difamados. São José Maria Esquival foi difamado sistematicamente ao longo da vida. Por onde ele passava, sabe o que ele fez? Ele escreveu um ponto que tá em caminho, que diz assim: "Senhor, se tu não
queres a minha honra, Eu por que a quereria? Não quer minha honra?" Tá bom. Foi um homem deshonrado. Ele disse: "Olha, Senhor, se tu queres que eu seja honrado, ótimo. Se tu não queres também bom fazer o quê? Tá me pedindo para fazer isso, tô fazendo. Ninguém tá entendendo. Mas quem tá pedindo é Deus." E aí começou, um entendeu, outro entendeu, outro entendeu. Aí o apos surgiu, cresceu, está em todos os continentes para os que o entendem e continua sendo sistematicamente perseguido. E daí, qual é a novidade na história do apos a perseguição e a
incompreensão? Nenhuma. E qual é a novidade na história da igreja? A perseguição e a incompreensão. Nenhuma. Então a gente acolhe como bem-aventurança. Isso tem a ver com a pergunta anterior. Isso é felicidade. Sofrer é felicidade. Ser perseguido é felicidade espiritual que o mundo não entende e que o santo entende. E por isso você falou muito bem. Santificação. A perseguição santifica a dor, santifica a pobreza espiritual, santifica a fome, sede de justiça. Quando você não encontra justiça, santifica a misericórdia, santifica a si e aos outros. Outra coisa que você falou, a luz ilumina. Se eu chego
com um candelabro, se eu chego com uma com uma tocha, eu tô aquecendo e tô iluminando. Mesmo que você não quisesse. A presença do santo é incômoda. E muitos olham pro santo e percebem a luz. Caramba, tem uma luz aqui. Tem uma luz reluzindo, resplandecendo. Existe uma vibração, uma voltagem espiritual no santo, né? São Francisco. Eu gosto muito da biografia de São Francisco. Leiam, leia do Chesserton, que é brilhante. Ele um dia chamou um par de frades, f vamos pra cidade evangelizar. E aí os pres, assim, olhando para São Francisco, que era uma figura mística
em vida, todo mundo entrava assim, as pessoas como que ficavam impressionadas, que era uma figura de profunda santidade e passaram o dia inteiro assim passeando os assim sem entender. E aí ficou na praça um tempo, voltou na cidade e voltou e perguntando, mas pera aí, a gente não ia evangelizar? Nós evangelizamos. No outro dia tinham três pessoas lá procurando a presença, a presença de São Francisco arrastava, atraía. São Bernardo de Claraval é outro. Quando São Bernardo de Claraval não sabe que ia pra cidade, as mães trancavam os filhos em casa para não o conhecerem, porque
os filhos se entregavam para pro Loni, pro pro claustro, só de conhecer São Bernardo. Era fatal estar com São Bernardo. Como é que eu faço para ser assim, para ter essa felicidade, para ter essa serenidade? É um monge, basta monstro, basta largar tudo. E os os meninos largavam e as mães tinham medo e os trancavam em casa. Você não vai conhece o abad de Bernardo, ele é perigoso. Se que aconteceu com ele foi difamado, foi perseguido, foi proibido, foi preso. Claro, óbvio, o demônio odeia. Há uma luta espiritual. A nossa luta não é contra os
poderes deste mundo. Mais alguma pergunta? Você Horácio e Eric controlem o tempo. Eu tô à disposição. Até perguntei se tinha limite de tempo para mim de de meia-noite. Tá bom. [risadas] Oi, professor. Tudo bem? Então, o senor tava falando aqui sobre a vida dos santos, né? como eles resistiram a tantas perseguições, a situações difíceis, se manteram fiéis, né, à santidade. Mas a minha pergunta é em relação às pessoas atuando mais, por exemplo, em profissões que a gente vê que pode ser bem difícil de Servir sem servir a dois senhores. por exemplo, algumas áreas da advocacia,
comércio, até mesmo os professores, eh, a política. Na visão do senhor, o que o senhor acha, mesmo praticando todas essas virtudes, buscando a modificação, a oração, o sacrifício, o bem, né, a verdade? como não se deixar contaminar ou como não se deixar excluir nesses ambientes onde a gente tem que ser sal e luz, porque é muito difícil de repente se manter em lugares assim, servir em lugares assim quando você defende a verdade, mas o mundo não quer que aquilo se mantenha. Então, que qual a visão do senhor sobre isso? Você acha que é possível? Não
servia dois senhores assim nessas circunstâncias. Muito boa pergunta. Todo trabalho é digno. Todo trabalho é digno. E todo trabalho vivido com retidão de intenção edifica e constrói o reino. O que não for trabalho, o que for serviço ao demônio, o que for intrinsecamente pecado, não deve ser sob nenhuma hipótese compactuada. Por exemplo, o narcotráfigo, tráfico, perdão, não é um trabalho. A corrupção não é um trabalho. O roubo não é um trabalho. A prostituição, o adultério, o prostíbulo não é um trabalho. Você não pode jamais compactuar com o pecado. o o tráfico, o os ladrões de
colarinho branco, as maracaias jurídicas, isso não deve ser feito sobre nenhuma hipótese. Que teu sim seja sim, que o teu não seja não, o resto procede do demônio. Eu acabei de postar no meu canal do YouTube a explicação do oitavo mandamento, cuja fórmula catequética não levantarás falso testemunho, que é o valor da verdade. Todas as instituições que você disse são desafiadoras, algumas muito mais do que as outras. Você não é obrigado a se contaminar num meio corrupto. Nem todo mundo da universidade é ideólogo, militante. Nem todo mundo no mundo jurídico é corrupto. Nem todo Mundo
no mundo médico é abortista. e assim por diante. O que nós temos que ser é incólumes e impermeáveis à corrupção do mundo, como pela vida espiritual robusta, sendo influenciador, para usar uma palavrinha da moda, e não influenciável, sendo líder e não liderado. Agora, se você for a minoria radical, você acha que a SIS era uma cidade santa na época de São Francisco? Não. Uma cidade corrupta, uma cidade dinheirista, uma cidade carreirista, uma cidade politizada, enginada, uma cidade de de tráfego, de influência, de tráfico, perdão, né? tráfego de influência de poder. E lá surgiu São Francisco,
que é o santo mais popular da igreja. Alguns acham que o segundo mais popular da igreja que é Santo Antônio, que era um franciscano, né? Então não dá para esperar. Isso eu digo no começo do meu livro, a Crise da Cultura do Amor. Não há tempos maus em que nele não pode haver homens bons. Ser sal e ser luz é estar presente nos ambientes sem se deixar contaminar pelo pecado deles. Agora, nenhum ambiente, Exceto como eu disse, o PCC, exceto algo assim completamente, aí você cai fora. Aí você aí não dá. Com Herodes você nem
fala. Porque Cristo, que era inteligência divina encarnada, sabia que não havia nada que ele pudesse fazer por Herodes falando. E aí o seu silêncio, eu falei que esse que é o silêncio, o Futon chega e diz: "Esse é o maior silêncio da humanidade. Esse é o silêncio retumbante, esse silêncio vibra. O que que esse silêncio não disse a Herodes? Será que a gente se converteu? A gente vai ter muitas surpresas no céu. No céu a gente vai encontrar muitos adúlteros e assassinos e prostitutas arrependidos e perdoados e muitas pessoas limpinhas que não perdoaram o inferno.
O marido adúltero que traiu a mulher se arrependeu e pediu perdão, será salvo. E a mulher traída que não o perdoou não será salvo. perdoar as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Então, a gente tem que ser firme com que for dogmático, com o que for verdadeiro. Ah, todo mundo vai est aí a esposa nessa viagem. Eu não vou. Vamos para bem longe. Eu não trago. Ah, você é um Carola, você é um boboca, você é um você não sei quê. Vão se fumar. Eu não trago minha esposa. Ah, pegou
mal pro grupo. Quase eu falo um palavrão. Eles apostolado os palavrões que é a força. Isso é mansidão, hein? Eu tô sendo manso porque eu tô reivindicando um direito legítimo do ponto de vista moral, que é a fidelidade. Então, é claro que esse meio talvez não seja um bom meio para eu estar, mas digamos, seja uma viagem profissional, eu não vou exercer minha profissão só porque depois tem um after promisco. Não, eu não vou para essa palhaçada e se for possível ainda vou tentar alertar, mas talvez não caiba uma fala conjunta. Talvez fale para um
acha certo isso? Pelo menos eu vou ser incômodo nesse momento e eu vou est lutando. Porque sabe, eu não consigo sem um discurso moralizante, sem um discurso moral, eu consigo falar para um você acha isso certo? E isso deixa uma dúvida nele, uma gota de dúvida nele. Pronto, é apostolado. Então, muitas vezes a gente será resistência. De onde vem a força moral para resistir? De Deus. É um fruto. Lembrem-se, os dons do Espírito Santo, um deles é a fortaleza. São sete dons do Espírito Santo. O temor, a sabedoria, a ciência, o entendimento, o conselho, a
piedade e a fortaleza. A fortaleza. É uma força sobreumana. Que São Francisco teve, Santo Tomás teve. E aí você vai ter essa força e a prudência de dizer: "Olha, aqui é só a minha presença, aqui é só o meu silêncio, mas eu não arreto daqui, mas eu não me evado daqui, porque se não for eu calada, Cristo não estará presente aqui, porque ninguém tá ligando para Cristo e ninguém pode obrigar a pecar. tem inclusive o direito de objeção de consciência diante de uma imposição. Não, eu não vou fazer isso. Sei lá, o médico não pode
praticar o aborto so nenhuma hipótese, jamais. O aborto deliberado, o desejo de tirar a vida de um inocente, isso é pecado mortal. Ele pode ser demitido, mas não vai fazer um porque aí que que adianta o homem ganhar o mundo e perder a alma. Aí ele ganha a profissão, ele ganha a carreira, ganha dinheiro e perde a alma. Aí é nécio vê as oportunidades, que que dá para fazer. E se não der para fazer, você bate a poeira do pé e vai para outro lugar. Aí não é derrota, é porque, e é isso que o
Horácio disse, É nisso que ele me ajuda. Ora, se eu posso dar essa palestra aqui e ser ouvido por vocês, por que eu vou tentar dar essa palestra na universidade e que ninguém quer me ouvir? Para quê? Porque eu sou burro, porque eu sou besta. Põe esse cartaz na universidade. Ninguém vai, ainda vão rasgar o cartaz, ainda vão me chamar de fascista. Vamos. Então eu não posso, que eu não sou bobo, eu quero falar das braventurantas, querem ouvir? Tá aqui, aqui. Então quando a gente adapta o nosso trabalho, mas veja, eu tenho que levar o
pão para casa, eu tenho que trabalhar. Eu comecei dizendo, todo o trabalho é digno, meu trabalho lá é digno. Tanto que eu não abandonei. Então é entender o que dá para fazer. Por quê? Porque nós temos talentos a serem rendidos, a serem investidos. Nós não podemos enterrá-los. Certas profissões enterram os nossos talentos, isso é horrível, e castam os nossos talentos e a gente sofre porque a gente não consegue fazer o que a gente queria. E é horrível isto. Muitas vezes é o nosso caminho de santificação, porque a nossa profissão é como se fosse uma algema,
uma amarra e a gente fica querendo, querendo, querendo, querendo. Por exemplo, Deus não tá para escrever livros. Sabe o que eu falei para Deus? Falei assim: "É o seguinte, eu vou escrever, nem que seja só para ti, só para tu leres, Porque talvez eu não tenha leitores, tá bom? Tá mandando escrever, vou escrever. O que tá acontecendo, graças a Deus, aqui estão sendo publicados, estão sendo unidos e esses vão ser vendidos. Por vocês vão comprar esses livros [risadas] porque eu não tenho nem espaço na mala do carro para colocá-los. Faltam só cinco crises da cultura
e seis virtudes de desvocação da mulher. Então é isso. Mais alguma ou já encerramos? Eu sou muito agradecido com a sua presença. Reativo presença. Eh, enquanto advogada, ainda bem que ela fez essa pergunta que eu tava com isso na cabeça. Rapaz, é possível ser advogado e santo, né? Porque toda vez citam um santuino. Mas santuí, poxa, mor3, não apareceu mais nenhum. [risadas] Mas brincadeiras à parte agora com Ei, pera aí. E Santo Afonso Maria de Nigor daqui a pouco, mas assim, mas tá tempo. [risadas] Gente, primeiro agradecer o professor Vittor, agradecer a presença de todos
e todas. Espero que brevemente tenhamos mais uma oportunidade aqui. Se o Víor tiver uma agenda e vocês tiverem à disposição. É isso. Boa noite a todos. Muito obrigado. Vai vender aqui aos [aplausos]