Boa noite, muito boa noite. Sejam todos muito bem-vindos à nossa sétima edição da semana da PBS. simplesmente o maior evento online de PBE do Brasil, desde a sua concepção, lá em 2020 e já sete edições. Nossa, muita coisa, muita história e o meu único evento gratuito de PBE do ano. E se você é um dos mais de 350.000 1 estudantes e profissionais de psicologia que já participaram de algum outro evento online meu, seja muito bem-vindo novamente e se prepare para mais uma semana incrível. E essa semana da PBE vai ser diferente de todas as outras.
Agora, se você chegou por aqui nesta sétima semana, você está participando pela primeira vez de um evento gratuito meu, seja muito bem-vindo. E para você que está chegando agora, eu vou me apresentar brevemente. Eu sou Fernanda Landeiro, sou psicóloga, sou doutora pelo Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia. Tenho mestrado em cultura e sociedade. Sou especialista em psicopatologia e também especialista em transtornos alimentares e obesidade. Os dois pela USP. Tenho formação em terapia cognitiva pelo Beck Institute na Philadelphia, na Filadélphia e pela Oxford University no na Inglaterra, no Reino Unido. Durante mais
de 10 anos, eu fui professora de graduações e pós-graduações de psicologia por todo o Brasil, mas desde 2020 eu passei a focar nos meus cursos online de formação e de pós-graduação. E desde então eu faço anualmente os maiores eventos online e gratuitos de PBE do Brasil, o que é, evidentemente motivo de muito orgulho para mim. Mas não pense que a minha bagagem é apenas teórica, que toda vida eu fiquei dando aulas. Não, eu também fiquei dando aulas, mas não só. Além de eu ter investido muito os meus esforços para ter uma formação acadêmica muito sólida,
um dos meus maiores diferenciais como professora foi, sem dúvidas, os meus 20 anos de prática clínica como psicóloga. A clínica foi por muitos anos a atividade principal que eu exerci na minha vida profissional. Então, tudo que eu vou te entregar aqui nessa semana não é com base só num conhecimento teórico. É sim com base num conhecimento teórico, mas também num conhecimento prático que eu adquiri ao longo desses 20 anos como psicóloga clínica. E eu falei muito na divulgação desse evento que essa semana da BBE vai ser diferente de todas as outras. Então eu quero começar
essa aula reforçando esse ponto. Por quê? Por que que essa semana da PBE ela vai ser diferente das outras? Porque esse evento ele foi pensado para psicólogos que querem querem melhorar expressivamente os seus resultados na clínica. Psicólogos que estão cansados de se esforçar e não ter os resultados que merecem. E quando eu digo resultados, eu tô falando de melhorar os resultados dos seus próprios pacientes, tá? Também, né? Não, não só o seu resultado financeiro, mas principalmente o resultado que você entrega pros seus pacientes. Eh, e e isso tem como base a sua competência profissional, mas
também inclui estratégias adicionais que eu aprendi ao longo desses 20 anos de prática clínica e eu vou compartilhar aqui com vocês pela primeira vez em uma semana da PBE. Então, é um um conteúdo aqui que facilmente poderia ser vendido, que teria muita demanda, porque obviamente 20 anos, não são 20 dias, mas eu vou entregar aqui de graça para vocês, tá? E eu sempre digo que viver de clínica não é fácil. Eu enfrentei todas as dificuldades que você puder imaginar ao longo desses 20 anos, até porque quando eu comecei lá em 2006, não existia rede social.
E eu te digo que não é fácil, porque se fosse fácil, a gente não teria a maioria dos psicólogos ganhando menos do que R$ 5.000 por mês. Mas eu te digo, não é fácil, mas é possível. E eu vou te mostrar como durante esta semana aqui, tá? Então, na aula um, que é hoje, a gente vai falar eh de algo que eu tenho chamado, que eu apelidei aí como a nova era da PBE, tá? E dentro disso, três Grandes mudanças que vão impactar na prática clínica de todo psicólogo. Na aula dois de quarta-feira, a gente
vai falar das maiores demandas atuais em saúde mental, um conteúdo fundamental para você ter sucesso na clínica e que a maioria dos psicólogos simplesmente ignora. Então eu vou te mostrar aqui quais são as demandas que mais aparecem na clínica atualmente, que mudaram bastante aí nos últimos anos e como você pode tratar cada uma delas, quais são os desafios para tratar, ok? E na aula três eu vou te falar sobre o caminho mais assertivo para você ter sucesso na clínica. Um conteúdo que vai te dar direção, vai te poupar tempo, dinheiro, esforço em vão para você
não ficar nadando, nadando e morrendo na praia em meio a tanta informação que a gente tem disponível hoje, aula três na sexta-feira. [roncando] Eu sei que muita gente não valoriza o que é gratuito. As pessoas até se inscrevem, mas acabam não assistindo todas as aulas. Então eu quero reforçar com você, valorize este conteúdo, porque novamente este é um conteúdo que facilmente poderia ser vendido, teria muita demanda, mas que eu vou te entregar aqui nessas três aulas de hoje, segunda, de quarta e de sexta de graça. Então, se você quer melhorar os seus resultados na clínica,
você precisa estar aqui comigo durante toda essa semana e você vai tirar o máximo proveito dessa semana assistindo todo o conteúdo, tá? E aí quando tudo se encaixar depois da aula três, você vai entender, ok? Lembrando que esse é o meu Único evento gratuito de PBE do ano. Ano que vem, provavelmente a temática do evento vai ser outra. Então, pela última vez, se comprometa de estar aqui comigo durante toda essa semana. São três aulas só, porque esse conteúdo vai te ajudar demais. A minha parte, eu garanto, que é estar aqui hoje, quarta e sexta às
20 horas para entregar esse conteúdo para você, mas a sua parte você precisa fazer, que está aí do outro lado assistindo, OK? Introdução feita. Eu preciso dar três recados iniciais muito rápidos e aí eu vou começar o conteúdo da aula. Primeiro, se organize para assistir todas as aulas ao vivo. Por quê? Primeiro, quem assistir todas as aulas ao vivo, o que inclui o o encontro de encerramento no domingo, vai ganhar um ebook exclusivo, lindo deste verdadeiro curso gratuito que você vai ter aqui. Todo mundo vai ganhar, não é sorteio. Novamente, basta você assistir todo o
conteúdo ao vivo. Segundo, porque se você assistir ao vivo, todo mundo que assistir todas as aulas concorre a uma bolsa de estudos do meu curso de pós-graduação ou de formação e mais um ingresso pro meu evento presencial que vai ser em São Paulo. Como que vai funcionar? Durante cada aula, a qualquer momento da aula, eu vou liberar aqui um chequin aqui no chat do YouTube e vocês precisam preencher. Assim que eu liberar esse chequin, ele vai ficar disponível Por alguns poucos minutos. Então, só quem realmente estiver ao vivo é que vai conseguir preencher. Vocês precisam
preencher o chequin durante todas as aulas da semana, tá bom? Quem é que pode concorrer à bolsa de estudos, estudantes e profissionais de psicologia e medicina? O resultado dessa dessa ação da bolsa de estudos eu vou divulgar no encontro de encerramento no domingo, OK? Durante toda a semana a gente vai liberar no meu Instagram sempre no dia seguinte da aula. um mapa mental de cada aula. Então, para você ter acesso ao mapa mental da aula de hoje, basta você solicitar nos meus stories amanhã, OK? Adicionalmente também, no dia seguinte de cada aula, eu vou responder
as dúvidas de vocês sobre o conteúdo da aula anterior. Só que para você ter prioridade nas respostas, você precisa utilizar o código que a gente vai enviar todo dia de manhã, depois das aulas, na comunidade do WhatsApp, OK? A essa altura, eu sei que todo mundo que tá aqui já tá lá na comunidade, mas se por acaso você não estiver, o link do meu Insta e da comunidade tá aqui na descrição deste vídeo, tá bom? Ah, e um recado também muito importante, gente, que tá cada vez mais complicado. Fiquem atentos aos golpes no WhatsApp. Então,
tenham muita atenção nesse ponto que eu vou falar aqui para vocês. Domingo às 19 horas a gente vai ter um encontro de encerramento da nossa semana. Somente neste encontro de cerramento é que nós vamos abrir as inscrições para as novas Turmas do meu curso de formação e pós-graduação. Somente domingo ao vivo no nosso encontro de encerramento. Até lá a gente não vai vender nada, OK? Então qualquer qualquer compra, de qualquer desconto, oferta especial que você receba no WhatsApp é golpe. As inscrições só abrem no domingo à noite, tá? Então, se você receber qualquer link é
golpe, desconsidere, envie pra gente, né, e esse esse número para nos ajudar também a denunciar esses golpistas. A gente tá tentando fazer isso e a gente não vai enviar nenhum link direto de compra para vocês, OK? Nas nossas comunidades. Vocês não vão receber nenhum link para comprar. Quando vocês receberem as nossas mensagens de inscrições a partir de domingo à noite, o link que vocês vão receber será apenas do meu Instagram. Não vai ter Pix, não vai ter link direto no grupo, não vai ter nada, tá? Aí lá no meu Instagram vocês vão no link da
Bio e vocês fazem a inscrição caso vocês tenham interesse, ok? Então, as comunidades elas vão continuar existindo por conta da logística da comunicação que a gente tem com vocês ao longo do evento, mas nenhuma inscrição deve ser feita por link de compra direto na comunidade, entendido? Então, por favor, fiquem atentos a isso, a isso. Não caiam em golpes. Por último, se vocês precisarem de suporte para se inscreverem nas aberturas da das inscrições no domingo, vocês precisam falar com a minha equipe De vendas pelo WhatsApp. E aí nós temos apenas dois números de suporte do WhatsApp.
E aí sim, se você contactar esses números de WhatsApp, você chamar, aí sim eles podem te ajudar na compra, OK? Anotem aí. Vou pedir pra minha equipe colocar aqui no chat também. Os números são 51, né? O DDD 9 9956 9156, tá? E 51 DDD 9848 5384. OK? Então vou pedir pra equipe colocar aqui no chat esses dois números e aí vocês anotam, tiram print, tiram foto desses números e guardam aí para vocês, tudo bem? Durante a aula eu não leio o comentário de vocês aqui no chat. Quem me acompanha sabe, eu tenho TDAH, então
eu não consigo dar aula e ficar acompanhando chat, dúvidas, etc. Mas eu vou tirar as suas dúvidas amanhã no meu Instagram e seguirei tirando dúvidas durante toda a semana da PBE. Então a dica é: assista a aula com atenção, anote suas dúvidas, me envie lá no Instagram amanhã, na quarta, na quinta, todos os dias e a minha equipe vai estar acompanhando o chat da aula. Então, se tiver qualquer problema de transmissão, de áudio, de qualquer coisa, eles me avisam, tá bom? Esclarecimentos feitos, recados dados. Vamos ao conteúdo de hoje, a nossa aula um, que é
o que é essa nova era da PBE e como ela impacta nos seus resultados na clínica. Primeiro, eu quero deixar claro que a nova era da PBE é um nome que eu tenho dado para três grandes mudanças que têm acontecido no cenário da psicologia baseada em evidências. nos últimos, botar aí dois anos, tá? Mas principalmente no último ano, três grandes mudanças sobre as quais eu vou falar em detalhes aqui nesta aula pela primeira vez, tá? É um tema obrigatório para você que é estudante, para você que é profissional da psicologia estar atualizado e entender o
que está acontecendo no nosso campo. Então, fique aqui comigo até o final dessa aula. Não vai ter enrolação, vai valer a pena. Primeira grande mudança. Vamos lá. Que primeira mudança é essa? Uma ênfase nunca antes vista dentro da prática baseada em evidências em psicologia nos fatores comuns. Grandes nomes da PBE nunca falaram tanto sobre fatores comuns. Juditbeck, Cristine Padsk. A Juditbeck, ela nunca falou tanto de relação terapêutica na vida dela. Eu tenho certeza que a Judite não tinha uma aula pronta de relação terapêutica. E de um ano para cá, ela só dá aula disso. A
Padesc, ela dedicou uma palestra de uma hora na maior sala do maior congresso mundial de TCCs, o congresso mais importante da nossa área que aconteceu agora em São Francisco. Ela passou uma hora falando de relação terapêutica. Eu digo para vocês porque eu acompanho o nosso campo há muitos anos, né? me Formei em 2006, então tem 20 anos aí que eu acompanho, participo de congressos, eh participo de discussões internacionais. Há 5 anos atrás a gente não via isso. A gente não via essas figuras internacionais, eh, falando de relação terapêutica. Elas falavam de crenças nucleares, elas falavam
de RPD, elas falavam desse tipo de coisa, né, de técnicas, de coisas bem específicas. E por que isso agora, vamos lá. Primeiro ponto, não é que a prática baseada em evidências em psicologia tenha efetivamente mudado, OK? Vamos deixar isso aqui bem claro, porque eu sei que as pessoas vão pegar esses cortes aqui para distorcer o que eu estou falando. A PBE não mudou. Fatores comuns sempre foram importantes e fundamentais dentro de uma prática baseada em evidências em psicologia. A diferença do que eu tô chamando dessa nova era a ênfase que tem sido dada. E isso
não é à toa, OK? Nós estamos na era da inteligência artificial. Eu já vou falar sobre isso mais paraa frente nessa aula, OK? Segura aí. Então, recapitulando esse ponto importante, a PBE em si nunca deu menos importância aos fatores comuns. Eu quero que isso [limpando a garganta] fique muito claro aqui. A psicologia baseada em evidências nunca desconsiderou a importância dos fatores comuns. própria definição da Associação Americana de Psicologia, que definiu a prática baseada em evidências Em psicologia lá em 2006, já tinha um texto muito claro. A definição original exigia a integração da melhor pesquisa disponível
com a expertise clínica no contexto das características, culturas e preferências do paciente, tá? Então, a Associação eh psicológica americana colocou o paciente e a relação terapêutica sempre no centro dessa equação. Sempre foi assim, nunca foi diferente. A PBE não mudou o discurso, não houve, né, uma ah, agora estão falando disso, não. Sempre foi assim, OK? Mas algo aconteceu na prática clínica desde o surgimento da PBE. E a verdade é que no início, principalmente aqui no Brasil, quem falava sobre PBE em redes sociais, em grandes eventos como esse meu aqui, a gente tinha que se provar,
digamos assim, a gente teve que mostrar que os fatores específicos existiam e que eles importavam muito no desfecho terapêutico. Isso em um contexto de um discurso da época em que as pessoas acreditavam que todas as abordagens eram iguais, afinal todas tinham como base os mesmos fatores comuns. E se provar, gente, não é fácil. Principalmente porque falar da importância da PBE demandou combater uma série de mitos, inclusive sobre o próprio conceito de ciência dentro da psicologia. Então sim, não dá para negar que o movimento inicial da PBE na Prática, porque na teoria nunca deixou, né? Mas
na prática deu mais ênfase aos fatores específicos, não com o intuito de diminuir, né, ou de dizer que os fatores comuns não eram importantes, não. Mas é porque todo mundo já sabia da importância e já valorizava esses fatores comuns. Então, a a PBE chegou e como meio de se provar foi mostrando que apenas fatores comuns não bastavam. Quem me acompanha aqui há muitos anos sabe que eu sempre disse: fatores comuns são necessários, mas não são suficientes. Eu sempre falei isso, quem me acompanha há muito tempo sabe disso. E essa supervalorização dos fatores comuns era o
que a maioria dos psicólogos já acreditava naquela época. Mas eu vou além. Eu acredito que essa ênfase aconteceu também porque muitos acreditavam que os fatores comuns já eram algo de domínio amplo, porque isso era justamente a base do discurso de que todas as abordagens funcionavam. Eu vou dar o meu exemplo. Eu fiz a primeira semana da PBE em 2020, quando ninguém falava em psicologia baseada em evidências, em eventos de larga escala aqui na internet, ou ninguém com mais relevância no próprio Instagram falava sobre falava sobre isso. Uma realidade totalmente diferente, né, do que a gente
tem hoje. Muita gente fala sobre. Nessa época eu tinha que falar e explicar conceitos como ciência. Eu tinha que explicar porque a psicologia não era uma Ciência diferente das outras. Eh, eu tinha que falar sobre pirâmide de evidências, eu tinha que explicar tratamento padrão ouro, enfim, como era tudo muito novo, né, para quem tava tendo um contato inicial ali com a psicologia baseada em evidências, a ênfase foi naquilo que faltava, foi naquilo que as pessoas não sabiam, foi naquilo que a graduação não entregava. Só que algo aconteceu nos últimos anos. Depois de anos falando sobre
isso aqui, né, 7 anos, eu fui percebendo que a graduação não tinha falhado apenas nos fatores específicos, mas falhou também nos fatores comuns. E aí eu fui percebendo isso através de relatos diários no meu Instagram, em supervisões com os meus alunos, né, como professora mesmo no meus nos meus cursos. E por isso, nos últimos anos, eu inclusive passei a incluir fatores comuns como parte da semana da PBE. Eu fui trazendo esse movimento gradual ao longo dos últimos anos, mas como eu comentei aqui hoje, os maiores nomes internacionais da PBE estão dando uma ênfase nunca vista
nesse ponto, ok? E se você tá perdido aí, ah, eu não sei o que são fatores comuns, eu não sei o que são fatores específicos, fique tranquilo que eu já vou te explicar, tá? Então eu queria aproveitar esse momento e propor para você que é psicólogo, que trabalha com psicologia baseada em evidências, faça uma reflexão profunda da sua prática clínica. Para além das técnicas que você aplica, não é, RPD, eh pirâmide, eh como é que fala? a pizza, o gráfico, enfim, Qualquer técnica que você utilize contínuo, cognitivo, qualquer técnica que você utilize com o seu
paciente, que são os fatores específicos, né, que são sim muito importantes, que importância você tem dado paraa sua relação terapêutica com o seu paciente? Será que você tem subestimado esse tema? O quanto você domina os princípios de uma boa relação terapêutica? É sobre isso que a gente vai aprofundar agora e eu vou te explicar, tá? Mas vamos entender a importância desses fatores comuns. O que são fatores comuns e qual é a importância disso. a gente tem um estudo muito importante, na verdade, uma revisão monumental, né, de 2015, onde o autor principal dessa revisão chamado Vanold,
ele explicou, né, ou pelo menos tentou explicar nessa revisão o que é que funciona num processo terapêutico. Os números que ele apresenta nessa revisão são interessantes. Ele fala que a aliança terapêutica corresponde a cerca de 40 a 50% da variância nos resultados do tratamento. A empatia do terapeuta corresponde a 9%. O consenso sobre os objetivos da terapia responde por 7% e assim por diante. O fato é que quando a gente soma todos esses fatores, eles explicam uma parte significativa do sucesso terapêutico. E aí, óbvio, tem muita gente que critica Esse estudo do Vampold. Porque é
muito difícil medir essas coisas, né? Como é que ele chegou à conclusão que a empatia é 7%? Como é que ele chegou nesses percentuais e mais ainda, como que ele consegue separar empatia de aliança terapêutica se até na teoria esses conceitos eles são difíceis, né, de separar? Então assim, são muitas camadas, tem muita coisa para ser discutida sobre esse estudo. Não é o objetivo meu aqui ficar destrinchando o estudo do VPold, mas o que a literatura diz a respeito é técnicas são importantes, né, que são os fatores específicos. E a relação terapêutica é igualmente importante.
Não existe um sem o outro. Anotem isso. Não tem mais importante porque um é a base do outro. Você já deve ter ouvido falar do veredito do pássaro de dodô, essa ideia de que todas as abordagens em psicoterapia ganham e todas vão receber prêmio e todas são iguais. Essa ideia vem, né, do conto de Alice no País das Maravilhas, onde o pássaro de Dodô, ele faz uma corrida absolutamente confusa, que não tem largada, que não tem chegada, todo mundo sai correndo desesperado e no final ele declara que todos venceram. uma metáfora para ilustrar, né, que
diferentes abordagens terapêuticas alcançam resultados parecidos, independente do que elas façam em termos de técnicas ou métodos. Então, a premissa era que os fatores comuns, ou Seja, relação terapêutica, empatia, validação, etc., Esses fatores comuns superariam técnicas específicas de cada modelo, a associação livre da psicanálise, a as técnicas todas da TCC, né? Não importava o que você ia fazer, o que importava era você ter uma boa relação terapêutica com o seu paciente. E a psicologia comprou essa ideia com muita facilidade. Era confortável pra gente acreditar que qualquer caminho leva ao mesmo lugar. E gerações de psicólogos escolheram
suas abordagens a partir daquilo que lhe parece melhor. Visão de homem, visão de mundo, o que que combina mais com a forma como você pensa. Inclusive eu. Eu escolhi a minha abordagem a partir disso, né? A partir daquilo que casa com a minha visão de homem, com a minha visão de mundo. E essa conclusão, ela tomou conta da nossa área, né, de que a abordagem teórica não importa, todas são boas. O que importa é a relação que você constrói com o seu paciente, as características pessoais do terapeuta, a empatia, a validação, etc. Só que não
é bem assim. A gente precisa olhar para esses dados com muita cautela. A estatística, ela dilui o que acontece na prática clínica. Quando você pega milhares de pacientes com problemas diferentes e joga tudo no liquidificador, as médias se aproximam. O problema surge quando você desce pro nível do paciente específico com um transtorno específico. Essa equivalência, ela tem limites muito Claros. Nem toda a metanálise apoia essa ideia, né, do VPOD, que a relação terapêutica é mais importante do que tudo e que tudo funciona igual. A gente tem vários trabalhos mostrando exatamente isso. Em 2019, foi publicado
um trabalho onde os autores analisaram tratamentos paraa depressão e encontraram sim superioridade de algumas abordagens em contextos específicos. Eles demonstraram que essa equivalência de todas as abordagens cai por terra quando a gente analisa transtornos mais complexos ou crônicos. Então é aí que o pássaro de dodô começa a mancar, né? Quando essa gravidade aumenta, a gente não pode fechar os olhos para esses dados, porque a ciência avança quando a gente questiona esses consensos confortáveis. Vou repetir, a ciência avança quando a gente questiona consensos confortáveis. Então, a grande confusão na nossa área vem da falha em distinguir
desfecho global e alvo específico. Desfecho global é o paciente dizer que está se sentindo melhor, que a qualidade de vida melhorou, que ele está dormindo bem, que comparado com o início do tratamento ele tá melhor, ok? Fatores comuns são excelentes para produzir esses desfechos globais positivos. Aliança terapêutica, empatia, validação criam sim um ambiente de melhora geral. Agora, quando a gente olha para um alvo específico, aí é outra história. Se o seu paciente tem rituais obsessivos severos, ele lava a mão repetidas vezes a cada 10 minutos. A empatia sozinha não vai resolver esse comportamento do seu
paciente. Se o seu paciente tem ataques de pânico diários, a relação terapêutica é a base, mas você precisa de intervenções direcionadas para quebrar o ciclo do pânico. Então, a gente precisa de precisão na hora que a gente vai trabalhar com o nosso paciente. A expertise clínica significa ter a sensibilidade de ler o seu paciente, de perceber microexpressões, desconfortos, né? Quando você eh sugere um exercício para ele, quando você precisa ajustar o seu tom de voz, né? Quando você tem que validar a dor, né? antes de tentar ali modificar um pensamento, enfim, você precisa construir esse
terreno seguro para que você possa aplicar as técnicas, mas não dá para dizer que só esse terreno vai tratar muitos dos problemas dos seus pacientes, porque não vai, né? Um paciente com um toque, um paciente com ataques de pânico, um paciente com uma depressão grave, eh, com tag, enfim, muitos transtornos aí, quase todos você vai precisar de intervenções específicas, OK? que são os fatores específicos. Então você precisa das duas coisas, tanto de técnicas quanto da relação. O protocolo mais validado do mundo vai cair no vazio se a pessoa não Confia em você. Mas também não
adianta ela ter uma máxima confiança e você só ficar ali escutando e balançando a cabeça. Então eu já recebi na minha caixinha do Instagram muitas pessoas leigas, né, falando que foram em psicólogos da PBE, da TCC e não se sentiram confortáveis. Eu já escutei, ai, parecia um robô, só falou de evidências o tempo todo, né? Então assim, a gente precisa corrigir esse erro. Se você já aplica empiricamente validados no seu paciente, agora é a hora de olhar para esses fatores comuns com o mesmo rigor científico que você se dedicou a estudar protocolos e manuais. O
paciente, ele precisa sentir que existe um ser humano ali disposto a caminhar junto com ele na dor, disposto a aceitar qualquer intervenção técnica que seja proposta. OK? E quando a gente fala de fatores comuns na psicoterapia, a primeira coisa que você precisa entender é o peso dessa palavra. Vamos lá. Comum significa que esses elementos estão presentes em várias abordagens terapêuticas. Comum não quer dizer inespecífico, não quer dizer dispensável. a gente precisa definir operacionalmente, né, o que é cada coisa para que a gente consiga olhar [roncando] para esses fatores e parar de achar que empatia é
ser legal com o paciente, é ser gente boa, tá? Então, vamos começar aqui pela Aliança terapêutica. Edward Bordan, ele desenhou um conceito clássico de aliança terapêutica em 1979. Ele dividiu a aliança terapêutica em três partes interdependentes. Fica aqui comigo, por favor, que isso é muito importante. A primeira parte que ele chamou ali, né, de dessas três partes principais da aliança terapêutica, é o vínculo, OK? O vínculo é a qualidade afetiva da relação, é a confiança mútua construída ali com o seu paciente para você chegar no objetivo, tá? A segunda coisa que ele definiu foi o
acordo sobre objetivos. Você e o seu paciente precisam concordar sobre onde vocês querem chegar com o tratamento. E a terceira parte que ele definiu é o acordo sobre tarefas. Vocês precisam concordar sobre o que vão fazer na sessão para alcançar os os objetivos que vocês estabeleceram juntos, OK? Tem outros autores que vão ampliar esse conceito que o Bordan traz e vão incluir também na relação terapêutica empatia, validação. É o que eu falei no início dessa aula. São conceitos difíceis de separar na prática, porque nem a própria literatura adota as mesmas definições, tá? Ou seja, não
existe uma padronização. Mas enfim, vamos seguir. A empatia é a sua capacidade de compreender o mundo interno do seu paciente e comunicar essa Expressão de forma precisa, tá? exige a sua capacidade técnica de entrar no mundo daquela pessoa, compreender a dor daquela pessoa a partir do referencial dela e conseguir comunicar essa essa compreensão de volta pro seu paciente de modo que ele se sinta ouvido. Ok? Então, demonstrar além de ter empatia, você precisa saber comunicar essa empatia. Se você falha nisso, o protocolo mais perfeito do mundo vira pó, ok? A empatia, ela precisa ser comunicada
verbalmente e não verbalmente. E o paciente, ele precisa ter certeza de que você entende a dor, o sofrimento, o peso que ele carrega, tá? A validação é você conseguir comunicar que a experiência do paciente faz sentido dentro do contexto histórico e biológico dele. a Mar Linerham, que é autora de uma das teorias, né, dentro das TCCs, que é a e DBT, né, que é a a terapia comportamental dialética, ela estruturou níveis de validação que mostram como isso exige um refinamento técnico absurdo. A validação clínica, ela exige ler o comportamento não verbal do paciente e articular
o que o paciente não consegue dizer, indo além de balançar a cabeça e sorrir e dizer: "Sim, eu entendo". A expectativa do paciente sobre a melhora também é um processo fundamental. O paciente precisa acreditar que a terapia vai funcionar. Vanold, no estudo dele mostrou que a expectativa positiva altera o desfecho do tratamento de uma forma drástica, tá? E essa expectativa, ela é alimentada por uma explicação plausível que vai vir de você. Você precisa dar ao seu paciente um modelo claro de por ele sofre e como a terapia vai ajudar. O paciente ele chega confuso, assustado.
E aí você vai precisar de uma narrativa estruturada que faça sentido para esse paciente, que explique o sofrimento dele. Isso reduz a ansiedade, engaja a pessoa no processo terapêutico. É fundamental, tá? Então, ou seja, o seu paciente, ele precisa sim acreditar na terapia. E aí eu vou confessar para vocês, eu mesma já errei muito nisso. Há anos atrás eu dizia pro meu paciente: "Eu não preciso da sua crença, da sua fé. Quem precisa disso é o padre ou o pastor da sua igreja. Eu preciso que você faça o que eu pedi para você fazer aqui
na terapia." Hoje eu vejo essa minha fala como um erro imenso. O paciente, ele precisa sim acreditar na terapia porque isso faz muita diferença no resultado final. E hoje a gente tem estudos que inclusive comprovam isso. Se o paciente acredita no processo terapêutico, ele se engaja mais, ele responde melhor, ele se abre mais, ele está mais disposto a realizar os planos de ação, né, as tarefas de casa que você pedir, o tratamento todo funciona melhor. Então, todos esses fatores Comuns, né, empatia, validação, é direcionamento de metas, objetivos terapeuticos, a relação terapêutica como um todo que
engloba tudo isso, né, tudo isso junto, né, o tempo todo, esses fatores operam [roncando] e eles são a base de qualquer intervenção clínica que você for aplicar no seu paciente. Se você ignorar esses elementos, se você ignorar a relação terapêutica, etc., e focar apenas em aplicar protocolos, técnicas, né, que são os fatores específicos, você vai perder o seu paciente. A ciência mostra pra gente que a técnica ela precisa dessa cama, desse lastro, desse relacionamento para ter efeito. Você precisa dominar esses fatores comuns com a mesma precisão que você domina as técnicas específicas. E você precisa
olhar pros dados como quem tem a responsabilidade pela vida de outra pessoa que está sofrendo nas suas mãos, ok? Então você precisa monitorar a aliança terapêutica, sessão a sessão. Aliança terapêutica, gente, não é uma coisa solta assim, uma coisa que paira no ar, não. Ela pode ser avaliada e pode ser monitorada. Eu já vou explicar isso para você, como que você vai fazer isso, OK? ainda nessa aula de hoje. Então, fique aqui comigo. Então, as técnicas, os fatores, os fatores específicos, eles funcionam quando o terreno está preparado pelos fatores comuns. O paciente precisa confiar em
você antes de aceitar qualquer intervenção Desconfortável, senão ele nem faz. A pesquisa do Vampold mostra que a adesão a manuais, né, a adesão estrita ali a um protocolo específico, pode até piorar o problema do seu paciente se a aliança terapêutica for negligenciada. Isso é muito importante. Anote isso. Sem aliança terapêutica, não adianta você aplicar o melhor protocolo do mundo. Não vai funcionar e pode até piorar. OK? Vamos pensar na nossa prática clínica diária. Imagine um paciente com toque, com transtorno obsessivo compulsivo. A diretriz padrão ouro para toque é a exposição, a prevenção de respostas, o
EPR. OK? Você sabe disso. Muitos de vocês que estão aqui sabem. Você tenta aplicar essa técnica na segunda ou terceira sessão com o seu paciente e o paciente foge. Ele falta na semana seguinte não aparece mais. Por que que isso acontece? Porque você não construiu uma base, não tem empatia, não tem relação terapêutica, não tem um acordo claro sobre os objetivos, ele não tem confiança em você para entender, né, que essa exposição que você vai ter que fazer com ele é o que vai resolver o problema dele, né? Então a exposição fica parecendo tortura, a
técnica falha sem essa base. Aí o paciente ele precisa sentir que está no controle da situação e que o ambiente é seguro para que ele possa se entregar no processo. E mais Uma vez eu vou confessar aqui para vocês, eu também já cometi esse erro. Eu lembro de um paciente que eu tive que tinha uma fobia específica e na primeira sessão que ele chegou, eu era bem nova assim, recém formada. Na primeira sessão que ele chegou, eu expliquei para ele todo o processo da exposição, todo. Tipo assim, você vai chegar, você vai entrar no elevador,
aí você vai apertar o botão, aí expliquei tudo para ele, o passo a passo da exposição. O paciente nunca mais voltou. Tô rindo de nervoso, né? Mas assim, aprendi a lição, tá? Vamos imaginar um outro exemplo, um quadro de luto prolongado. O paciente, ele evita qualquer lembrança da pessoa que morreu, não vai aos lugares que a pessoa frequentava, não olha fotos, não fala nem o nome do falecido. Aí você vai dizer para essa pessoa que você vai usar uma técnica de exposição narrativa, onde ele vai contar a história da perda em detalhes. O paciente, ele
vai chorar, ele vai se desorganizar, ele vai ficar muito mexido e possivelmente ele vai abandonar a terapia. O que que deu errado? Faltou colaboração, faltou aliança terapêutica, né? faltou empatia de você entender o sofrimento da pessoa, você não calibrou esse ritmo com o paciente. Então, a técnica, em todos esses casos, exemplos que eu citei aqui, a técnica tá correta, mas foi o momento errado de aplicar, porque não tinha esse suporte relacional necessário. Então, tudo que você fizer precisa acontecer dentro dessa relação. O vínculo precisa vir antes, tá? para que você consiga fazer com que o
paciente enfrente a dor. Vamos para um Terceiro cenário. Um paciente com dor crônica, com muito medo de se movimentar. A sinesiofobia, né, que é esse medo excessivo, irracional, limitante de realizar movimentos, atividades físicas, por medo de sentir dor ou de ter uma lesão ou de piorar da dor que ele já sente. Isso paralisa a vida do paciente. Ok? Você fala para esse paciente que o que ele precisa fazer é exercício físico e você pede para ele fazer uma ativação comportamental e exercícios graduais. Ele sai da sessão concordando com você, ele vai para casa e não
faz nada. Aí ele volta dizendo que tentou fazer alguma coisa, mas que a dor piorou. E só de pensar em se mover agora, ele já tá sentindo dor. Você errou na técnica? Não, um paciente com dor crônica, ele precisa se movimentar, ele precisa fazer atividade física, ele não pode ficar parado, ficar deitado na cama, piora a dor. A técnica de ativação é excelente, mas você falhou porque você não trabalhou as expectativas do paciente, você não tinha vínculo com esse paciente, você não construiu a crença de que o tratamento pode funcionar, né? Você não desenvolveu ali
o fator comum da esperança no tratamento que esse paciente não tinha. Então o paciente ele precisa acreditar no processo, ele precisa confiar em você para tolerar o desconforto da mudança, ok? Então a técnica ela organiza a experiência, dá o contorno, o passo a passo, a direção. Os fatores comuns dão A base, a sustentação. Eles garantem que o paciente fique na cadeira, olhe nos seus olhos, aceite o risco de mudar. Quando você integra essas duas coisas, você faz clínica de verdade. Você se torna um psicólogo, um terapeuta verdadeiramente eficaz. E a sua eficácia depende da integração
desses dois fatores. Você precisa dominar as técnicas, que são os fatores específicos, e você precisa dominar a relação terapêutica e tudo que tá dentro dela, que são os fatores comuns, ok? Então, a adaptação da relação às características do paciente melhora esses resultados. Você ajusta o seu estilo, você ajusta o seu nível de diretividade, a sua postura, né, para se encaixar naquilo que o seu paciente precisa. Isso é integrar fatores comuns e fatores específicos. Vou te dar também mais uma vez um exemplo meu sobre essa questão de ajustar o estilo e a postura para cada paciente.
Eu sou mais direta, mais objetiva. Eu sei que tem muitos alunos meus aqui que estão assistindo essa aula. É meu jeito, é a minha personalidade, eu sou assim na minha vida pessoal, né? Então eu sou bem direta, eu sou bem objetiva, eu não sou de ficar enrolando muito, fazendo muita firula, né? Eh, no início da minha prática clínica, eu agia assim com todos os meus pacientes, porque eu pensava: "É meu jeito, é meu jeito." Eu perdi vários pacientes, vários, muitos. Com o tempo, eu fui entendendo que, ok, é o meu Jeito, mas para alguns pacientes,
esse meu jeito direto, objetivo, racional não vai funcionar e eu preciso ajustar. É claro que eu não vou mudar 100%, né? Claro que eu não vou ser nunca aquela psicóloga que fala baixinho, que fala bem devagar. Eu nunca vou ser essa pessoa, nunca vou ser. Mas às vezes um pequeno ajuste ali para se adequar melhor ao que aquele paciente precisa já funciona. Outro ponto importante é você precisa treinar a avaliação da aliança terapêutica de forma deliberada. Aliança, ela exige um monitoramento constante, como a variável técnica também exige de você. Passa longe de ser uma coisa
vaga, pairando no ar, ok? Você precisa monitorar essa relação terapêutica com seu paciente. Mas Fernanda, como que eu faço isso? Como que você monitora uma relação? Tem um jeito de fazer? Tem sim. Existem métricas que você pode utilizar e que são excelentes indicativos de como está a sua relação terapêutica com o seu paciente. Anote aí, anote, por favor. Primeiro ponto, monitorar a relação terapêutica começa por observar comportamentos concretos do seu paciente, sessão a sessão. Esses comportamentos funcionam como sinais clínicos, né, que mostram para você ali se a aliança tá sendo construída, tá Sendo mantida, foi
quebrada. tá fragilizada. Então, eu vou descrever aqui para você esses indicadores que a gente pode registrar de maneira sistemática, como você vai observar cada um deles e o que esse padrão sugere para você em termos de relação terapêutica, ok? Primeira coisa, frequência nas sessões. Você vai observar quantas sessões o seu paciente comparece, se ele é pontual, se ele adere bem aos planos de ação, né? Se ele é engajado ali verbalmente durante a sessão, se ele fala adequadamente, se ele compartilha questões íntimas. OK? Agora, se o seu paciente falta repetidamente, sem uma comunicação prévia, adia frequentemente
as sessões, atrasa, remarca, isso pode sugerir problemas na relação terapêutica. Então, é útil que você calcule a taxa de presença por período, por mês, por exemplo, e você compare com fases anteriores do tratamento para ver se o paciente tá faltando mais, tá faltando menos ou manteve igual. OK? Outra coisa que você precisa monitorar é o feedback do seu paciente, que também reduz muito taxas de abandono e melhora os resultados clínicos de forma muito significativa. Você precisa perguntar pro seu paciente ativamente como foi a sessão, se funcionou para ele, o que que mais ajudou, você precisa
pedir feedback de forma estruturada e direta. Então Você pergunta para ele: "Teve alguma coisa que você sentiu falta na sessão de hoje? Teve algo que te incomodou? que que precisa mudar no nosso próximo encontro, na sua opinião. Então, você coloca a responsabilidade da melhora nessa relação entre vocês dois. E quando você pede feedback, você abre espaço para identificar rupturas na aliança terapêutica. As rupturas, gente, elas acontecem o tempo todo, em qualquer relação. E aí aqui eu abro um parênteses para te dizer uma coisa muito importante. Relação terapêutica é uma relação como qualquer outra, só que
limitada ali ao campo, né, do ambiente, de um tratamento psicológico, mas é uma relação. Então você precisa olhar para essa relação e cuidar dessa relação do mesmo jeito que você cuida de outros relacionamentos no se na sua vida, tá? No seu trabalho, na sua casa, na sua família, com o seu marido, com a sua esposa, com o seu namorado, com a sua namorada, ok? Então, essas rupturas ali que acontecem nas nossas relações o tempo todo, muitas vezes ela acontece de formas silenciosas. O paciente ele se afasta, né? Ele chega um pouco para trás, ele fica
em silêncio, ele concorda rápido demais, ele ataca você. O seu trabalho é pescar esses sinais. E aí você precisa conversar com o paciente, entender o que que tá acontecendo, validar o desconforto dele sem reforçar essa esquiva. Você adapta a sua comunicação, né, pro mundo daquela Pessoa que está ali na sua frente. Então vamos pegar aqui como exemplo um paciente com muita vergonha, né? Um paciente muito tímido. E aí você chega para esse paciente e você propõe uma exposição e ele rapidamente diz: "Sim, sim, vou fazer". Ele concorda muito rápido por submissão. Ele quer te agradar.
Ele quer fugir do constrangimento de dizer não, porque ele é tímido, para ele é difícil. Então, se você não tem um treinamento deliberado, você anota que ele aceitou. A tarefa que você passou segue sua vida. O psicólogo treinado, ele vai perceber a rigidez no corpo do paciente, o olhar que desvia, que olha para baixo, né? A rapidez com que ele aceitou a a tarefa, né? a concordância rápida demais. E na mesma hora o psicólogo experiente vai dizer, né, e vai perguntar se ele sentiu eh se sentiu pressionado para concordar. Vai abrir espaço para o paciente
dizer que ele tá assustado, que ele tá com medo de fazer a tarefa e você valida o medo, você ajusta o passo, você diz que entende e propõe um degrau menor. Você mostra pro paciente que a terapia é um lugar seguro e que ele pode discordar. Agora imagine um paciente com raiva de fazer a tarefa que você pediu. Você pede para ele anotar os pensamentos da semana no registro de pensamentos disfuncionais, no RPD. Ele cruza os braços, revira os olhos e pensa, né? Isso é uma perda de tempo. O psicólogo que não é bem treinado,
ele vai ficar na defensiva, ele vai tentar convencer o paciente ali com argumentos lógicos, vai dizer: "Olha, veja bem, Isso é muito importante para o seu tratamento". O psicólogo clínico experiente, ele vai recuar um passo, ele vai dizer: "Eu entendo sua frustração, né? Entendo que isso parece inútil, que essa tarefa talvez não faça sentido para você". Aí você vai investigar as metas que vocês traçaram juntos, se aquilo ainda faz sentido pro paciente. Pode rever isso, pode renegociar ali mesmo, né? Sem brigar com o paciente, sem tomar aquilo para si como algo pessoal. você vai dizer
que a tarefa só faz, só tem e só serve, só tem utilidade se fizer sentido pro paciente. E aí você pergunta para ele como que a gente pode medir o progresso de um jeito que funcione e você transforma essa raiva do paciente num material para você trabalhar, ok? A gente tem também um paciente com baixa escolaridade e você entrega para ele um registro lá todo complexo, uma planilha cheia de colunas, coisas abstratas, ele olha e fica calado, não diz nada. Ele olha para aquilo, ele se sente burro. O psicólogo destreinado explica de novo, com outras
palavras. O psicólogo clínico atento, ele percebe esse silêncio, pega o papel de volta e diz: "Olha, esse formato tá confuso até para mim, sabia? Eu vou pegar uma folha em branco aqui e vou desenhar para você aqui. E desenha de uma maneira bem simples, ok? E aí você pergunta para ele, você prefere usar cores, números?" E aí você adapta a ferramenta pra realidade do paciente na mesma hora. Você garante que ele saia da sessão sentindo que ele conseguiu fazer o exercício. Você estimula a alta eficácia do paciente. Então você precisa testar essa relação terapêutica, precisa
pedir feedback real pro seu paciente, consertar as rupturas ali nessa relação na hora que ela acontece. Isso é fazer clínica de verdade. Você constrói a relação sessão por sessão com técnica e de maneira precisa. A psicologia baseada em evidências, gente, nasceu com uma proposta muito clara. O tripé original lá da força tarefa da APA, que foi publicado em 2006, sempre incluiu a melhor pesquisa disponível, a expertise clínica e as características, questões culturais e preferências do paciente. A relação terapêutica e o contexto cultural sempre estiveram dentro da definição de psicologia baseada em evidências desde o primeiro
dia. O modelo original sempre foi completo. A psicologia baseada em evidência sempre exigiu que você olhasse pra pessoa antes de olhar pra demanda. A definição de expertise clínica do próprio relatório da APA exigia a capacidade de formar uma aliança terapêutica sólida, reconhecer nuances emocionais, adaptar o tratamento ao contexto cultural do paciente. A técnica é importante, sempre foi importante, mas a técnica pela técnica é vazia. A eficácia de qualquer técnica, de Qualquer intervenção, depende da relação terapêutica. E a nova era da PBE veio para resgatar isso e fazer a gente refletir profundamente sobre esse ponto importantíssimo
da nossa prática clínica, felizmente. OK? Agora vamos pra segunda grande mudança que está acontecendo no nosso campo. E aí agora vem a polêmica, né, amores? Agora vamos lá que eu já vou começar a semana da PBE, já vou começar com polêmica essa segunda grande mudança que está acontecendo é que tem sido dada uma ênfase atualmente aqui no Brasil muito grande em modelos mais complexos que de fato trazem um discurso muito bonito e muito atraente. E esses modelos mais complexos teoricamente substituiriam modelos mais simples, mas que inclusive são mais validados cientificamente. Então eu vou falar agora
para vocês sobre esse boom que tem acontecido aqui no Brasil da terapia baseada em processos que muita gente tá achando que é a salvação da nossa prática clínica. Eu vou falar dos pontos positivos, OK? Da terapia baseada em processos. Vou falar das críticas, né, da literatura e por parte de quem vive de fato a clínica e também vou trazer o nível de evidências que a gente tem atualmente da terapia baseada em processos, OK? Então vamos olhar para o que a terapia baseada em processos propõe com a lupa da ciência e da clínica real de quem
atende pacientes. Muito bem. Stephen Hoffman e Steven Heyes, eles começaram a desenhar esse modelo da terapia baseada em processos em 2019. Eles publicaram textos densos e muito confusos nessa época, propondo uma mudança de paradigma. Em 2020, Reis e Hoffman aprofundaram a base teórica e filosófica da terapia baseada em processos. E agora em 2024, né, mais recentemente, Hoffman e Reyes continuam aí refinando esse modelo com novas publicações. Eles definem a terapia baseada em processos com um foco muito claro na pessoa em contexto. Não é uma abordagem nova, OK? Não é como a DBT, a ACT, não
é um modelo de intervenção específico, é muito mais uma alternativa e um enquadre de compreensão transdiagnóstica se opondo ao modelo psicopatológico vigente ali no DSM de diagnósticos separados, tá? A ideia central da terapia baseada em processos é olhar para os processos de mudança que ocorrem e que operam na vida daquele paciente específico. A gente sai dessa visão de protocolos, né, cada protocolo ali para um transtorno e a gente passa a usar métodos ideiográficos. Que que isso significa? Significa olhar para uma rede dinâmica que cada paciente tem ali de forma singular. E isso significa um modelo
muito mais complexo, OK? Mas eu vou chegar lá, segura aí. Então, de Acordo com a terapia baseada em processos, cada pessoa funciona de um jeito único e os sintomas não são isolados em caixinhas no DSM. Eles se conectam numa rede complexa e retroalimentada. Então, um pensamento catastrófico puxa uma emoção de medo que puxa um comportamento de esquiva. E a terapia baseada em processo vai tentar mapear toda essa rede dinâmica para organizar a complexidade toda. E para isso eles criaram o metaodelo evolucionário estendido ou eM. é um nome complexo para uma tentativa ambiciosa deles de unificar
a psicologia e as abordagens da forma como a gente conhece hoje. Então, esse metamodelo divide a experiência humana em dimensões: cognição, afeto, atenção, self, motivação e comportamento. Tudo isso atravessado por níveis biológicos, fisiológicos, socioculturais. A proposta teórica é linda. Você avalia o seu paciente em todas essas dimensões. Você identifica os processos centrais que mantém o sofrimento. Você aplica intervenções direcionadas especificamente para esses processos. OK? Os próprios autores deixaram algo muito claro desde o início. A terapia baseada em processos se apresenta como um modelo de modelos. Eles descrevem a terapia baseada em processos como um arcabolso,
né, um grande guarda-chuva para abrigar Intervenções baseadas em evidências de diferentes tradições. Então, ninguém tá propondo aqui uma terapia nova, OK? Você vai usar técnicas da TCC clássica, da terapia de aceitação e compromisso, da DBT, tudo dentro desse arcabolso da terapia baseada em processos. A promessa é entregar uma intervenção sob medida paraa complexidade de cada paciente. A gente abandona o diagnóstico tradicional e foca no que mantém o problema ali no momento presente naquele paciente que está na sua frente. A teoria evolutiva entra forte aí nessa base, né, da terapia baseada em processos, eh, para explicar
como esses processos se adaptam ou falham. Então, variação, seleção, retenção de comportamentos no contexto do paciente. Você vai precisar entender tudo isso, né? e como o seu paciente varia as respostas ali diante de determinadas situações e como o ambiente seleciona essas respostas para que elas continuem sendo reforçadas e como o paciente retém parece funcionar no curto prazo. Então esse metamodelo, ele serve como um mapa e você olha pra rede ali do paciente e decide onde a intervenção eh que você vai aplicar [limpando a garganta] vai ter o maior impacto. Se o problema central está na
dimensão da atenção, você vai treinar o foco no momento presente. Se o problema tá na cognição, Você trabalha a desfusão cognitiva ou a reestruturação. Tudo isso muito bonito, muito sofisticado, muito científico, né? A literatura de 2019 a 2024 tá cheia desses diagramas de rede, bolinhas conectadas, setas, milhares de setas para todos os lados, mostrando a dinâmica ali dos sintomas do seu paciente. A terapia baseada em processos, ela exige que você colete dados do seu paciente o tempo todo. Hoje existe um movimento, né, existe uma forma de você coletar dados, que é o que a gente
chama de avaliações ecológicas. momentâneas que são muito utilizadas, né? Então, o paciente ele vai responder questionário no celular, eh, você pega esses dados, você monta a rede geográfica dele, você vê exatamente como a ansiedade dele interage com o sono, com a evitação social ao longo da semana. É uma quantidade imensa de dados, né, pro psicólogo olhar e processar e interligar as coisas. A proposta teórica do Reis e do Hoffman tenta dar conta da complexidade humana. Eles querem superar ali as limitações dos modelos de terapias tradicionais. Eles querem uma psicologia clínica, né, mais integrada, baseada em
processos de mudança cientificamente validados, testados e com abordagens integradas. Então, a gente não vai ter TCC, DBT, ACT, a gente vai ter tudo integrado, tá? Mas, né, a gente, claro, eu estou falando aqui todos os pontos positivos, porque a gente precisa olhar pra terapia baseada em processos e reconhecer o que ela traz de bom. Evidentemente que essa proposta tem méritos innegáveis. A personalização do tratamento é uma delas. A análise funcional que ganha muita ênfase, o foco transdiagnóstico que muda a forma como a gente enxerga o sofrimento, a integração das abordagens, o monitoramento dos resultados, né,
que aproxima ali a teoria da prática, eh a tentativa de integrar mecanismos de mudança, tudo isso são iniciativas muito louváveis, são pontos muito positivos. a a pra gente, né, ter atenção ali. E claro, né, tem uma, apesar de todos esses pontos aí, nenhum deles, né, é uma grande novidade na literatura. Outros autores já trouxeram tudo isso anteriormente, só que dito de uma outra forma, mas eu nem vou entrar aqui no mérito da originalidade da terapia baseada em processos, porque não [limpando a garganta] é o ponto que eu quero discutir aqui, OK? Vamos seguir. Muito bem,
até aqui eu trouxe os pontos positivos. Na teoria, tudo é lindo, ótimo, parece maravilhoso. Mas agora vamos aos pontos problemáticos, na minha opinião, mas não só na minha opinião, também as críticas que a terapia baseada em processos recebe de outros pesquisadores, tá bom? Terapia baseada em processos, ela só é espetacular, mas a realidade do consultório de um psicólogo comum é absolutamente diferente. Você atende 8, 10 pacientes Por dia. Você mal tem tempo de beber água ou de responder mensagem urgente ali entre as sessões. Como é que você vai analisar planilhas de avaliação ecológica momentânea de
30 pacientes toda semana? Como que você vai atualizar um mapa de rede complexo com 40 nós, dezenas de arestas e setas a cada nova sessão de 50 minutos? Vamos comparar essa exigência irreal da terapia baseada em processos com a conceitualização cognitiva tradicional. A Judit Beck, desde a publicação lá do seu livro clássico, né, terapia cognitivo comportamental, em 1995, ela ensina um modelo inxuto e altamente funcional. Você avalia a situação que tá acontecendo com o seu paciente, os pensamentos automáticos, as emoções, as respostas fisiológicas e o comportamento dele. Você identifica crenças nucleares, crenças intermediárias, estratégias compensatórias.
Você consegue desenhar isso numa folha de papel A4 em 10 minutos. Se você for um psicólogo treinado, utilizando esse modelo há 20 anos, como eu em cinco, você consegue atualizar esse diagrama mentalmente enquanto o paciente tá ali chorando na sua frente. O custo cognitivo do diagrama, né, do do diagrama de conceitualização pro terapeuta, ele é perfeitamente gerenciável e a utilidade clínica dele é innegável. tem centenas de milhares de estudos mostrando o quanto este diagrama de conceitualização é útil e você sabe Exatamente qual técnica aplicar e onde intervir para quebrar o ciclo de manutenção do sofrimento.
O modelo de rede da terapia baseada em processos exige um esforço cognitivo absurdo. Você precisa olhar para um emaranhado de setas bidirecionais, apontando para todos os lados, calcular o peso de cada conexão. Aí a gente ainda precisa questionar a utilidade prática de toda essa complexidade matemática, tá? Porque o que esse mapa de rede super detalhado adiciona de resultado real pra melhora do meu paciente em comparação com uma conceitualização inxuta bem feita. O que que adiciona na prática? Até agora não sabemos porque não existem estudos que mostrem que é melhor ou pior usar esse modelo. Os
dados empíricos sobre a superioridade clínica desses mapas de rede geográficos ainda são extremamente escassos, para não dizer inexistentes, tá? Para as pessoas não me atacarem muito. Gente, nós psicólogos adoramos coisas complexas. Basta a gente olhar pra popularidade da teoria lacaniana, especialmente aqui no Brasil. Freud escreveu de um jeito lindo, simples, maravilhoso. Lacan foi lá e complicou tudo. Meteu até fórmula matemática no meio da teoria freudiana, que ele chamou isso de matemas. Eu estudei psicanálise, tá? Eu fiz formação em psicanálise lacaniana. Então eu posso falar bem tranquilamente. Lacan, ele complicou de uma maneira assim surreal a
teoria freidiana que era linda, simples, maravilhosa. Steven Reyes, que é um dos autores que propõe aqui a a terapia baseada em processos, ele faz mais ou menos a mesma coisa com a TCC. Por isso que eu brinco, né? Eu digo que o Steven Reis, ele é o lacan da PBE, porque ele pegou um negócio simples e ele complicou ao extremo. OK? Os estudos, amores, sobre tomada de decisão clínica mostram que o excesso de variáveis paralisa o raciocínio do terapeuta. Quando a gente tem um monte de coisa na nossa frente, a gente fica confuso com esse
excesso de ruído e aí a nossa intervenção, ela perde precisão. A gente vê pesquisadores com papers, né, com artigos belíssimos sobre redes psicopatológicas desde 2017. Isso não é novidade. Eles têm equipe de estatístico, verbas de pesquisas milionárias, softwares avançados de modelagem. E nós temos o quê, amores? Nós temos um caderninho, o bloco de notas do nosso celular e um notebook lenovo e 50 minutos de sessão para dar conta de tudo. Só isso que a gente tem. E uma esperança, né? um sonho. A gente tem um notebook lenovo e um sonho apenas. Então assim, a distância
entre a torre de marfim das pesquisas, da academia e o que a gente Faz na nossa prática clínica no dia a dia é um abismo, amores. OK? Muito bem. Vamos agora para o ponto mais problemático de todos. Eu falei dos pontos positivos, eu falei dos pontos negativos ou das críticas, né, por parte de pesquisadores e por parte de quem vive a clínica real. E agora vamos para o terceiro e último ponto sobre a terapia baseada em processos, que é o mais complicado de todos, que é o nível nível de evidências da terapia baseada em processos.
Muito bem. Primeiramente, a gente precisa separar muito bem duas coisas aqui quando a gente fala de terapia baseada em processos. Uma coisa é as evidências das técnicas isoladas. Outra coisa é a evidência do sistema integrado que eles estão chamando de terapia baseada em processos, tá? A gente sabe que a exposição ela funciona para transtornos de ansiedade com tamanho de efeito altíssimo. A gente sabe que a ativação comportamental funciona pra depressão e muitas vezes supera a medicação psiquiátrica. O treinamento em resolução de problemas tem base empírica sólida e aplicabilidade clínica direta. e absoluta. Essas intervenções, amores,
acumulam décadas de ensaios clínicos randomizados, metanálises rigorosas. Ninguém duvida que essas intervenções funcionam. Elas são intervenções testadas, validadas exaustivamente em Diferentes populações, em diferentes contextos, em diferentes estudos. O problema começa quando a gente olha pro pacote completo da terapia baseada em processos e pra forma como esse pacote é vendido pros psicólogos. Quando você vai buscar a evidência do sistema integrado da terapia baseada em processos na literatura, a gente tem um cenário bem complicado. A gente vê muita teoria complexa, muito diagrama de rede cheio de setinha e pouca validação clínica deste modelo. Vamos olhar pros dados
reais e pras publicações que sustentam o modelo da terapia baseada em processos. Hoje, Reis e Hoffman publicaram um artigo em 2022 que é frequentemente citado pelos profissionais, pelos psicólogos que defendem a terapia baseada em processos. E esse artigo é um estudo de caso, um estudo de caso que serve para mostrar como o modelo pode ser aplicado na prática clínica diária com um paciente específico. Um estudo de caso não prova eficácia de coisa alguma porque tá na base da pirâmide de evidências. é o nível mais baixo de evidências que a gente tem e não substitui nunca
um ensaio clínico randomizado, bem desenhado. E só para deixar claro aqui, eu não defendo nada, tá amores? Eu defendo a minha filha e a minha família. É a única coisa que eu defendo nessa vida, OK? Eu não criei a TCC, eu não criei nenhuma abordagem da psicologia, eu não criei a terapia baseada em processos. Então eu não defendo coisa nenhuma. Eu estou aqui para mostrar os pontos positivos, os pontos negativos e o que a gente tem de evidências científicas até hoje, tá? Só para deixar claro, porque eu já falei brevemente sobre isso na internet, as
pessoas falam: "Ah, porque ela defende a TCC, eu não sou filha do Aron Beck, gostaria de ser, gostaria de ser, mas não sou, não tenho nenhum parentesco com ele, então eu não defendo nada". Então, mais uma vez, para deixar claro aqui, eu defendo a minha filha e a minha família. De resto, show me the the data, OK? Me mostre os dados. É isso que eu quero ver, tá bom? É sobre isso. Muito bem. Se a gente procurar ensaios clínicos da terapia baseada em processos registrados em plataformas oficiais, a situação fica ainda mais clara e fica
preocupante para quem tá adotando esse modelo. Aí na prática clínica. Existe um registro oficial no clinicaltrials.gov, tá? Que é um site ali que registra, né, eh, ensaios clínicos, OK? Esse estudo ele foi desenhado especificamente para testar a viabilidade da terapia baseada em processos. O planejamento original dos pesquisadores era recrutar seis pacientes. Já seria um estudo fraco, né, com seis pacientes. Só que o estudo foi encerrado prematuramente com dois pacientes. Ou seja, não existe nenhum resultado publicado desse ensaio em nenhuma revista científica. Dois pacientes, não dá para fazer ensaio clínico randomizado, não formam uma base de
evidências para um sistema terapêutico que promete mudar todo o paradigma da psicologia clínica. OK? Aí, Tá bom? Tem isso aí. A gente tem o ensaio clínico randomizado de 2024. Eles publicaram o protocolo do primeiro ensaio clínico randomizado da terapia baseada em processos aplicado em um serviço de saúde mental. Todo mundo na época ficou muito animado. Eu inclusive publiquei, né, no meu Instagram, dei um print desse desse eh eh protocolo, né, desse primeiro ensaio clínico randomizado. Postei no meu Instagram, falei: "Olha, vou acompanhar isso daqui e tal". Desde então eu venho acompanhando o desenho desse estudo.
Ele prevê o recrutamento de 80 pacientes para testar a viabilidade e a eficácia do modelo da terapia baseada em processos comparado ao tratamento usual que a gente já tem aí na TCC. OK? Esse é um passo muito necessário paraa pesquisa em psicoterapia e mostra por parte dos autores, né, do Steven Reyes, do Stepan Hoffman, eh, esse esforço para validar esse modelo. Muito bom, louvável. Só que a gente tá em 2026, dois anos se passaram e até agora a gente não tem nenhum resultado publicado desse estudo. Nenhum. zero zero. O protocolo de pesquisa existe, mas os
dados não existem. OK? E aí os defensores da terapia baseada em processos aqui no Brasil dizem: "Mas não precisa de ensaios clínicos, a gente tá falando de individualização, estudos de caso bastam. Primeiro, primeiro, essas, eu fico nervosa, essas são as mesmas pessoas que criticavam a Psicanálise em 2020, dizendo que a psicanálise não tinha uma evidência. E olha que a psicanálise tem até ensaio clínico randomizado, viu, amores? Eu eu fico só observando. Segundo, se ensaios clínicos randomizados não fossem importantes para a terapia baseada em processos, por os próprios autores estariam desenvolvendo um ensaio clínico randomizado desde
2024, entendeu? Então, na prática, quem utiliza o modelo da terapia baseada em processos tá explorando essa aplicação. Vou ser mais clara. Quem está usando hoje o modelo da terapia baseada em processos está testando com os pacientes e vendo se vai funcionar e se não vai funcionar. Esse é o melhor jeito de você tratar o seu paciente dentro de uma prática baseada em evidências, testando, vendo se vai dar certo, por tentativa e erro. Eu me pergunto, por que fazer isso se você tem um modelo bem mais simples e já validado? Ah, Fernanda, porque eu gosto desse
modelo de rede todo complexo, cheio de setinhas. Eu acho lindo. Eu me identifico com isso. OK. Mas saiba que você está tendo muito mais trabalho do que seria necessário e você nem sabe se realmente isso vai ajudar o seu paciente. Se você quer ir, amor, por um caminho mais complicado, vá com Deus. Eu prefiro o caminho mais simples, mais seguro, mas você tem o direito de escolher dar voltas e ficar lá fazendo 1000 setas para chegar no mesmo lugar. Então a gente precisa ter muita precisão técnica e honestidade intelectual pra gente falar da terapia baseada
em processos. As técnicas específicas que fazem parte ali desse pacote da terapia baseada em processos, elas são amplamente validadas porque não são da terapia baseada em processos, são da TCC, são da ACT, são da DBT, são do que já existe, OK? O que a terapia baseada em processos propõe é um sistema integrado de rede para explicar tudo isso. Isso não tem validação de eficácia até o exato momento, 2026. Não existem resultados de ensaios clínicos randomizados que validem o sistema integrado da terapia baseada em processos. Só que aí aqui no Brasil a gente vê um monte
de livro, um monte de curso de formação até pós-graduação sendo vendida em terapia baseada em processos. A gente vê muito curso caro sendo oferecido com promessas grandiosas. A gente vê uma promessa gigantesca de mudança de paradigma na nossa área. Só que a ciência, amores, exige dados Empíricos de eficácia e replicação independente por grupos de pesquisas diferentes. Não basta só esse ensaio clínico de 2024 que não saiu até hoje, que é do próprio grupo do Reis, precisa ter outros. Então assim, esses dados pro pacote completo da terapia baseada em processos ainda não foram publicados em nenhuma
revista científica. Você, enquanto psicólogo clínico precisa saber exatamente o que tem evidência robusta e o que é uma proposta teórica talvez promissora. Repito, talvez. A terapia baseada em processos como um sistema integrado é uma proposta de um metamodelo aguardando validação empírica. E digo mais, digo mais, não disse tudo ainda. Esse hype todo é nosso, é brasileiro, meu amor. Sim, eu estive no maior congresso mundial de TCCs, o maior congresso mundial da nossa área que aconteceu agora em junho em São Francisco, na Califórnia. A única pessoa que fala de terapia baseada em processos é o próprio
Steven Reis. E mesmo assim sem muita plateia, tá bom? Tipo assim, ninguém dá, ó, meu Deus, vai falar de processos agora. Bem tranquilo. Esse hype ganhou uma força enorme, especificamente aqui no Brasil. Eu percebo que isso é um fenômeno muito particular do nosso mercado, mas quando Você olha pro cenário internacional com uma lente mais ampla e científica, esse hype ele simplesmente não existe. Quando a gente vai ler os artigos publicados nos grandes jornais, revistas de psicologia, de psiquiatria, lá fora, o vocabulário é muito mais vasto do que terapia baseada em processos. A literatura internacional hoje
da nossa área discute exaustivamente termos como tratamento transdiagnóstico, abordagens modulares, tratamento personalizado, formulação de caso, mecanismos de mudança. Esses campos de pesquisa são gigantescos. Eles englobam aí décadas de estudos rigorosos, ensaios clínicos randomizados que vão muito além desse pacote da terapia baseada em processos e e são inclusive muito anteriores a ela, diga-se de passagem, tá? Para pegar um exemplo aqui, eu vou pegar o trabalho do David Barlow. O Barlow, ele publicou o protocolo unificado unificado para tratamento transdiagnóstico dos transtornos emocionais em 2004. 4 2004. E ele continuou estudando esse modelo, foi produzindo estudos, ensaios clínicos,
outros grupos foram produzindo. Esse modelo se consolidou em 2011. O Barl desde então, desde 2004, ele já tava mapeando como intervir em processos centrais. Oh, é, amores, processos centrais são estudados. não é uma coisa que é Específica da terapia baseada em processos, entendeu? Isso já é estudado desde 2004, até anterior a 2004, muito antes da terapia baseada em processos existir. E aí quando você olha para outras iniciativas, né, o RDOC, por exemplo, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, começou ali em 2010, eh o RDOC ele mudou o foco dos diagnósticos categóricos do
DSM para dimensões observáveis do comportamento. Eles estão buscando mecanismos de mudança em níveis genéticos. fisiológicos, comportamentais, ainda sem evidências robustas também. E eles mesmos indicam que você não use nada. Eles estão pesquisando, estão tentando encontrar. Então assim, a ciência no mundo todo tá focada em entender o que funciona, para quem aquilo funciona e em quais circunstâncias funciona. Esses processos de mudança são estudados há muito tempo. Agora, essa marca, né, da terapia baseada em processos que é proposta pelo Hoffman e pelo Steven Reyes lá em 2018, é uma formulação, uma formulação, uma pequena bolinha dentro desse
oceano de pesquisas de formulação transdiagnóstica e de processos de mudança. O problema é quando a gente perde a proporção das coisas. O movimento transdiagnóstico e a busca de mecanismos de mudança, de processos de Mudança, formam a base da ciência clínica contemporânea. A terapia baseada em processos é uma pequena voz dentro desse couro, nem é a mais importante no cenário internacional, ok? nem é a que tem validação científica, nem é nada, é uma pequena, é uma conchinha no oceano. Então, quando você estuda apenas a terapia baseada em processos e você ignora a literatura sobre tratamentos modulares
personalizados, né, a modificação dos processos desadaptativos, você fica com a visão limitada da psicologia baseada em evidências. E você precisa entender a ciência de base. Você precisa ler estudos sobre flexibilidade cognitiva, regulação emocional, como esses mecanismos de mudança operam em diferentes transtornos. Isso não é exclusividade da terapia baseada em processos nem de longe. Não começou com a terapia baseada em processos nem de longe. E aí o que eu vejo e que me deixa muito estressada, como vocês perceberam aqui nesta aula, o que eu vejo são muitos terapeutas se perdendo em diagramas complexos de rede, sem
entender a função real daquilo, sabe? Muitos psicólogos perdidos diante disso e fala: "Meu Deus, isso é tão difícil, eu não consigo". Mas o pior, são profissionais que nem sabem fazer um [limpando a garganta] diagrama de conceitualização básico, aquele diagramazinho da Judit, não sabe fazer aquilo direito. Mas aí vai para uma coisa muito mais complicada. Qual que é a alternativa a essa complicação teórica infinita e para mim desnecessária da terapia baseada em processos? O caminho clínico simples e validado. Enquanto esse discurso todo lindo, cheio de setinhas, não tem a menor aplicabilidade clínica e nível de evidências
pra gente sair por aí aplicando. A gente precisa, amores, voltar para o básico, bem feito, back to basic, sabe? básico, básico, bem básico, que a gente não faz bem, muita gente não faz bem. Uma avaliação rigorosa, uma conceitualização de caso bem feito, uma hipótese testável, eh a a seleção de uma técnica para aquele problema específico que tenha suporte empírico, monitoramento contínuo do progresso do seu paciente, revisão constante da relação terapêutica e das metas. A complexidade ela só deve entrar quando ela melhora a sua decisão clínica, a sua predição ou resultado do seu paciente. E principalmente,
anote isso, por favor. A complexidade ela pode entrar, se você disser para mim: "Olha, eu quero, eu gosto, eu acho que isso me ajuda a entender melhor, OK? Mas ela só pode entrar quando você já domina absurdamente bem o básico. Se você não domina absurdamente bem o básico, você não vai colocar um modelo Mais complexo que supostamente não vai mudar nada no seu tratamento. Pense, por exemplo, em um paciente adulto com TDH que chega com uma queixa de procrastinação severa. O mapeamento de rede complexa de processos ideiográficos dinâmicos consome tempo à toa. Uma análise funcional
básica desse paciente resolve o seu problema. Exemplo, o paciente, ele tem um déficit na função executiva. Ele se depara com uma tarefa longa, aversiva, chata. A evitação alivia o desconforto imediato que aquele paciente tem. O reforço negativo mantém o ciclo. Eu tiro a tarefa chata, eu me sinto melhor. A intervenção validada é o quê? Treinamento de habilidades de organização, exposição gradual à tarefa, dividir essa tarefa em pequenas etapas. a gente tem estudos, né, que mostram ali que eh a gente tem estudos 2005, ah, depois teve um outro estudo em 2010, né, ali do do Safren,
que revisitou isso, né, e replicou esse estudo, mostrando que a TCC estruturada para TDAH adulto tem um tamanho de efeito enorme na redução de sintomas. Você testa a hipótese, você ensina o paciente a quebrar a tarefa em passos menores, você monitora a execução, você e eh eh revisa, né, se a evitação desse paciente diminuiu, pronto, a simplicidade que funciona perfeitamente bem. Agora vamos Imaginar um paciente com compulsão alimentar depois de um período de restrição calórica rígida. A literatura científica, né, do Finborn, por exemplo, desde 1993, talvez alguns de vocês não eram inascidos ainda, eh, com
a TCC, né, aprimorada para transtornos alimentares que eu trouxe pro Brasil, eu habilidei aqui no Brasil de protocolo de Oxford, mostra um caminho muito claro. Restrição calórica severa vai levar esse paciente a uma privação fisiológica e psicológica. Então, a a quebra dessa regra alimentar gera um pensamento dicotômico de tudo ou nada. Se eu comi um pedaço de chocolate, eu estraguei tudo, agora eu vou comer três pizzas grandes. A compulsão acontece, a culpa vem logo depois e aí o paciente reinicia esse processo de restrição calórica. A hipótese é que se eu conseguir flexibilizar a dieta e
a reestruturação cognitiva desse paciente sobre peso, eh, sobre comida, sobre o próprio corpo, isso vai reduzir os episódios de compulsão. E aí para isso, você vai aplicar automonitoramento, né, com diária alimentar. Eh, você vai introduzir refeições regulares, né? Vai regularizar a limitação desse paciente, você vai avaliar a frequência dos episódios de compulção e pronto. A complexidade da rede de processos, da terapia baseada em processos, não adiciona 1 g de eficácia. Aqui a intervenção direta no mecanismo de manutenção do problema deste paciente é que traz o resultado esperado. O mesmo princípio se aplica a uma recaída
Depressiva associada, por exemplo, a isolamento social. O paciente, ele parou de ver os amigos, o nível de reforçamento positivo do ambiente despencou, o humor deprimido se instalou nesse paciente, a inatividade desse paciente aumentou, ele só fica deitado na cama de olhos fechados, com tudo escuro. A ativação comportamental é a resposta, é o tratamento para esse paciente. Então você avalia a rotina, conceitua a falta de reforçadores, levanta hipóteses, né, de que agendar atividades prazerosas pode melhorar o humor desse paciente, seleciona a técnica de agendamento de atividades e a partir daí você vai monitorando o nível de
energia e o humor do paciente ao longo das semanas e depois você vai revisando esses dados e vai ajustando. Hoje a gente sabe que a ativação comportamental é tão eficaz quanto a medicação antidepressiva, né, para quadros de depressão. E aí eu te pergunto, a terapia baseada em processos ajuda em que aqui? Acrescenta o que aqui? Nada, só aumenta a complexidade do seu trabalho. A gente da psicologia, a gente precisa urgentemente parar de romantizar a complexidade. A psicologia adora isso, né? O boom das neurociências aí é outro exemplo disso. Não que a neurociência não ajude em
nada, mas assim, na prática clínica, de fato, a neurociência ela serve para você fazer psicoeducação com alguns pacientes, nem com todos, porque tem uns que nem vão entender. Mas psicólogo acha bonito falar difícil, né? Acha bonito trazer um monte de termo que quase ninguém sabe o que é. E a mesma coisa tá acontecendo agora com a terapia baseada em processos, né? Com esse mesmo boom que teve lá atrás em 2020, 2021, das neurociências, parecia que só tinha psicólogo falando de neurociência na rede social. Hoje só tem psicólogo, parece falando de terapia baseada em processo na
rede social. A gente tem uma ideia, a gente, seres humanos, né, e psicólogos, talvez um pouco mais, a gente tem a ideia de que se é complexo é melhor, é mais eficiente. Amores, apenas parem, amores, apenas parem. Na prática, sabe o que eu percebo? Os psicólogos eles já têm dificuldade de fazer o básico bem feito. Aí se for escolher o caminho mais difícil ainda, mais complicado, qual é a chance deles conseguirem executar bem? A gente já sabe que a avaliação rigorosa identifica o problema, a conceitualização explica o mecanismo e a hipótese testável guia a ação.
A partir disso, a técnica empírica altera o comportamento e a gente vai monitorar os resultados do paciente para garantir que a gente tá na direção certa. Se você precisar, você revisa tudo isso, você corrige a rota e você só vai adicionar uma variável nova na sua conceitualização se ela for mudar a sua intervenção. Se não for mudar a minha intervenção, se não vai mudar as técnicas que eu utilizo com o meu paciente, eu vou ter um modelo todo complicado. Para quê? Porque eu acho bonito, porque eu gosto do complicado. Bem, se você quer ir por
esse caminho, boa sorte. A gente sabe que existem limitações significativas nos modelos atuais, né? Mas a gente tem que saber separar aquilo que continua sendo o melhor tratamento disponível de discursos sedutores, bonitos, né, complexos, que t o intuito de superar as limitações atuais, mas ainda não tem evidência ou aplicabilidade prática. A complexidade pela complexidade é uma vaidade intelectual. Eu acho bonito falar difícil. Então eu trago [limpando a garganta] aqui um modelo de rede muito complicado para vocês pensarem que eu sou mais inteligente do que eu sou. Ou eu fico aqui usando conceitos da neurociência para
mostrar que eu sou mais inteligente do que eu sou. Só que isso custa tempo e custa dinheiro seu e do seu paciente, né? É provável que você nem consiga aplicar. Custa o seu tempo também, os seus neurônios, o seu dinheiro com com cursos que você vai ter que fazer para aprender toda essa complexidade. Então, a literatura mostra pra gente que a complexidade excessiva na formulação de caso pode paralisar o terapeuta. A gente fica tão meu Deus, o que é isso aqui agora, o que que eu faço? Não sei. E você não faz nada. Tem um
estudo de 2021 do Journal of Consulting and Clinical Psychology, que apontou que terapeutas sobrecarregados com modelos teóricos muito densos apresentam uma queda na eficácia das intervenções. A carga cognitiva do terapeuta, se fica ali tão estressado, tentando entender tudo aquilo, explicar pro seu paciente, Essa carga ela fica tão alta que você perde o timing da intervenção e você não consegue atuar corretamente no problema do seu paciente. Então você se senta na frente do seu paciente, o paciente abre a câmera e você precisa tomar decisões rápidas. A clínica cotidiana exige isso de você, exige ferramentas manejáveis, aplicáveis
no mundo real. O paciente, ele vai chegar com uma crise de pânico severa, com agorafobia, com a ideiação suicida e você não tem tempo, infelizmente, para desenhar uma rede complexa de processos ideográficos no quadro ou aqui no seu computador. Você precisa de intervenções diretas e empiricamente sustentadas que facilitem sua vida. E o que nós temos por enquanto já é muito bem validado empiricamente. O básico bem feito, eu vou voltar nisso, o básico bem feito resolve a maior parte dos casos que batem na sua porta. Uma exposição gradual bem conduzida, uma reestruturação cognitiva focada, uma ativação
comportamental estruturada. Tudo isso tem tamanho de efeito robusto, né, pros pros problemas que a gente conhece hoje, que são comuns nas na clínica, né, paraas maiores demandas que eu vou falar amanhã. E a gente tem muitos trabalhos, ensaios clínicos, metanálises, revisões sistemáticas mostrando isso. A gente não pode perder isso de vista, gente. A sofisticação teórica da terapia baseada em processos Tem o seu lugar em grupos de pesquisa, em discussões acadêmicas avançadas, OK? Isso é muito válido e a gente precisa discutir agora na trincheira do seu consultório, com seu paciente do outro lado sofrendo clareza. simplicidade,
objetividade na intervenção salvam vidas. OK? Muito bem. Essa é a segunda grande mudança que estamos vendo na nova era da PBE. E agora, para fechar, vamos paraa terceira e última grande mudança, o uso de inteligências artificiais. OK? No ano passado eu fiz o maior evento de psicoterapia na era da IA no Brasil. Eu fui a primeira psicóloga aqui no Brasil a trazer esse tema de maneira aberta na internet numa semana gratuita. E hoje eu decidi trazer esse tema aqui no final dessa aula novamente, porque o uso da IA na psicoterapia se mostrou muito mais do
que uma moda passageira. tem sido uma realidade cada vez mais frequente. Adicionalmente a isso, eu estive em junho no Congresso Mundial de Terapias Cognitivo Comportamentais, né, no congresso, maior congresso mundial do da área. E esse foi um tema muito debatido. Então, um ano depois eu trago atualizações para vocês, atualizações que vão impactar no nosso trabalho clínico, OK? Mas pra gente eh eh tornar esse esse tema aqui algo claro, a gente precisa aprender a separar duas coisas bem claramente. Primeiro, uma coisa é o uso de IAS abertas, como chat, GPT, cloud, etc. OK? Outra coisa diferente
é o uso de IAS terapêuticas, porque isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Então eu vou separar esses dois pontos aqui, tá? Para começar, eu vou falar sobre o uso de IAS abertas, chat GPT, cloud, Gemini, eh, que é mais de psique, enfim. Eh, o uso dessas IA abertas está cada vez maior para questões de saúde mental. E aí, o primeiro ponto é por as pessoas têm recorrido a essas soluções? Primeiro, porque a inteligência artificial ela oferece uma disponibilidade permanente. O paciente, ele sabe que a máquina vai responder às 3 da manhã de
um domingo. Ele sabe que a IA não vai julgar, não vai bocejar, não vai olhar pro relógio para ver que horas são, se já vai acabar a sessão. Eh, a ausência, né, de vergonha também muda bastante quando a gente tá conversando com o ser humano ou com a máquina. o paciente ele digita coisas ali para Iá que ele teria muita dificuldade de falar olhando nos olhos de um psicólogo ou de uma outra pessoa. A vergonha a gente sabe que é um inibidor do relato clínico, a gente já sabe disso. Então, por isso a gente investe
tanto na nossa relação Terapêutica, como eu falei aqui no início dessa aula, porque quanto melhor for a sua relação terapêutica, mais o paciente vai se sentir aberto para falar com você. Aí quando você tira esse olhar humano da equação, a pessoa se sente livre para expor partes mais feias, mais confusas, que ela tem vergonha, né, da da própria mente dela. Junto com essa disponibilidade 100% do tempo, não tem nenhuma hora que você pergunte uma coisa para Iá e ela diga: "Infelizmente não estou disponível", né? É só se você tiver sem internet, mas se a internet
tiver funcionando, ela vai te responder. Então, tem a questão da disponibilidade, tem a questão da ausência da vergonha, existe a questão também da fluência verbal das IAs. Os modelos de linguagem atuais, eles são extremamente articulados, eles desenvolvem textos organizados, eles sempre concordam com o usuário. Então, o paciente ele vai ler aquela resposta estruturada, né, naqueles parágrafos ali que são muito óbvios, né, de inteligência artificial. Não é isso, é aquilo, né? Então ele vai organizar ali o caos interno da pessoa nesses parágrafos lógicos. E isso gera um alívio imediato. Quando você lê ali, você fala: "Ah,
ufa, entendi". Então, o cérebro humano, ele foi programado evolutivamente para associar linguagem articulada com consciência e empatia. Quando o paciente ele recebe uma resposta perfeitamente calibrada pro sofrimento dele, o cérebro reage como se ele estivesse diante de uma resposta de um ser humano empático. E o paciente ele sente alívio e ele se sente validado. Então, por todos esses motivos, as pessoas têm recorrido cada vez mais a IAS para desabafar e para trazer questões de saúde mental. E o uso de IAS para questões para questões de saúde mental e conselhos de maneira geral já supera todos
os outros usos de IAS. Acreditem nisso. Bom, quais são os riscos dessas soluções? Existe sim um perigo real da gente colocar a saúde mental nas mãos de ferramentas abertas como chat GPT, como cloud, que não foram criados para fazer terapia. Eles foram criados para agradar o usuário e isso gera um fenômeno que a gente chama de concordância excessiva. A inteligência artificial aberta, ela tende a validar tudo que o usuário traz. Imagine um paciente em fase de mania descrevendo um plano grandioso para vender a casa e investir tudo em uma criptomoeda desconhecida. O chat, ele vai
dizer que a ideia parece excelente, que vai até ajudar a criar um plano de negócios. A Iá não tem a capacidade de reconhecer que aquele paciente está em mania, que a aceleração do pensamento, a fala prolixa, a grandiosidade, tudo isso é patológico, não entende. OK? A gente ainda tem o problema da alucinação das IA. Os modelos eles inventam dados com uma confiança assustadora. Então, a pessoa pergunta sobre os efeitos colaterais de um antidepressivo e o chat sugere que ela altere a dose da medicação por conta própria com base numa diretriz médica que simplesmente não existe.
Isso gera um risco de vida, porque a máquina não tem compromisso ético, nem tem conselho de classe para responder por infração ética. OK? Então, esses sistemas eles sofrem de uma falta de contexto, de uma incapacidade de observar sinais não verbais. OK? E a clínica, ela acontece no corpo, na respiração, no desvio de olhar, numa lágrima que cai, na tensão muscular do seu paciente. A máquina não lê nada disso. Ela só lê o que o paciente digita. ela não vê angústia silenciosa. Se a gente pensar em muitos dos casos que inclusive aconteceram, né, de adolescentes com
histórico de autolesão que [limpando a garganta] manda uma mensagem para o chat dizendo que não aguenta mais. Teve um caso inclusive que o chat ajudou esse adolescente a fazer uma carta de despedida pros pais e sugeriu modos de como esse paciente poderia se matar. Então assim, é muito grave e a gente ainda tem a questão da privacidade. Tudo que você digita numa IA aberta alimenta o banco de dados da empresa de tecnologia. Então, os seus Segredos mais íntimos, os seus traumas, as suas fantasias, tudo isso vira dado de treinamento das IA abertas. OK? Muito bem.
Dito tudo isso, o que que você, psicólogo, pode fazer no seu consultório diante desse uso do chat GPT e das IAS abertas para questões de saúde mental? Você deve simplesmente ignorar que isso existe, fingir que não tá acontecendo. Não. Você precisa investigar e orientar o uso. O paciente, ele não vai falar que ele usa, OK? Você vai precisar perguntar e investigar. Você precisa saber exatamente como investigar o uso de inteligência artificial logo na primeira sessão. A avaliação inicial ela mudou. de forma drástica nos últimos anos. Se você não perguntar, o paciente não vai te contar
e você precisa questionar sobre o uso de IA. Existe muita vergonha envolvida, né, no uso de Ias para suporte emocional. O paciente, ele teme ser julgado, ele acha que você vai rir, que você vai diminuir a dor dele. Muitas vezes ele já tem uma resistência em procurar o psicólogo, por isso ele já utilizou inteligências artificiais para isso. Então, a sua postura clínica, ela precisa ser de curiosidade genuína e empatia. Comece com perguntas abertas e naturalize o comportamento. Você costuma usar aplicativos, inteligências artificiais como chat GPT, Cloud, Gemini, eh, depsic ou qualquer outra IA para conversar
sobre o que você sente? Se a resposta for sim, aí você investiga mais para qual finalidade, o que que ele busca nessas interações, o que que e e como é que ele pergunta, ele quer só desabafar, ele coloca os pensamentos dele ali para ir a organizar, ele quer encontrar respostas para decisões difíceis. Pergunte qual tipo de conteúdo ele compartilha com essa máquina, tá? Fala sobre idea deção suicida, sobre as brigas conjugais, medos profundos. Então você precisa saber o nível de intimidade, vamos dizer assim, que o seu paciente tem com a IA. OK? Investigue se esse
paciente já tomou decisões a partir dessas conversas com IA. Você já tomou alguma atitude impulsiva ou você mudou, né, o que você iria fazer numa situação importante baseado no que a inteligência artificial te respondeu? Avalie também a piora clínica desse paciente. Pergunte se ele já se sentiu mais ansioso, mais triste, mais confuso depois de interagir com inteligência artificial. Muitos pacientes depois que eles conversam ali com a IA, eles entram em ciclos de ruminação porque a máquina valida distorões cognitivas. Então você precisa conversar sobre tudo isso Com o seu paciente. A questão do sigilo é outro
ponto de atenção. Pergunte se ele esconde esse uso da família, dos amigos. O isolamento social piora quando a pessoa substitui relações reais com interações por IA. principalmente em adolescentes. Então, explore a percepção que esse paciente tem sobre sigilo e privacidade na IA. Pergunte se ele entende que os dados dele estão sendo armazenados e processados pelas empresas de tecnologia. Então, a resposta desse paciente diante de tudo isso, vai definir o futuro do seu tratamento com esse paciente. Você vai acolher a dor que levou esse paciente a buscar a máquina, tá? Você não vai julgar, você vai
dizer que você entende a necessidade, né, de ter alguém ali, alguém, né, de ter ali e eh uma forma, né, de você poder desabafar durante a madrugada. Você valida o sofrimento, você evita dizer que ele tá falando com um robô, sem sentimentos, porque ele já sabe disso. Ele buscou a IA justamente porque a Ia não julga. Se você julgar, você perde o paciente, OK? Depois que você avaliar e que você entender como esse paciente usa a IA, você vai precisar estabelecer com esse paciente um contrato de uso. Claro. O paciente, ele precisa entender o papel
da terapia e o papel da tecnologia. Então você vai definir limites, você vai combinar que decisões de vida não serão tomadas com base em respostas de IAS, sem que antes essas decisões sejam discutidas na sessão. Estabeleça critérios de urgência. Se o paciente tiver ideação suicida, risco de autolesão, ele precisa ligar para você. Ou se for de madrugada, se for num horário que você não consiga atender, ele precisa ligar para um serviço de emergência. E aí vai ficar acordado entre vocês o que ele pode recorrer e o que ele não pode recorrer às inteligências artificiais. Novamente,
tudo isso aqui que eu falei até agora, eu estou falando de IAS abertas como chat GPT, cloud, Gemini, eh, de psique, etc. Mas outra coisa diferente são as IAS terapêuticas. E aí eu vou falar sobre isso na sequência, tá? Mas antes tem uma pergunta importante que a gente precisa se fazer. As e as abertas são um risco pro psicólogo clínico? Eu vou te responder de forma muito direta aqui, tá? O psicólogo competente que sabe o que ele entrega, ele sabe que o que ele faz na terapia é muito diferente do que o IA aberta entrega.
Então, nesse sentido, o medo de ser substituído por essa ferramenta não faz sentido nenhum para quem entende o próprio trabalho. O psicólogo, ele sabe que psicoterapia envolve relação, Avaliação clínica, formulação do caso, manejo de risco, eh leitura de contexto, escolha de intervenções, observação da resposta do paciente, revisão contínua, monitoramento [roncando] do progresso, responsabilidade ética. Eu não acredito que nenhum psicólogo realmente acredite que fazer perguntas aleatórias no chat GPT é a mesma coisa de fazer terapia, correto? Acho que estamos todos de acordo aqui. Agora as pessoas leigas sabem disso. A pessoa que tá sofrendo, que nunca
estudou psicologia, que nunca fez psicoterapia, ela pode olhar para essas conversas com o chat GPT aleatórias e achar que aquilo é parecido com terapia. Então aparece agora uma nova responsabilidade para nós. O psicólogo, ele vai precisar psicoeducar a população sobre o que é um trabalho psicológico, o que é psicoterapia. Por que que uma conversa com uma IA não substitui psicoterapia? Quais são as diferenças? Quais são os riscos quando você entrega o seu sofrimento para uma ferramenta que não foi criada pro cuidado clínico. Isso precisa, gente, começar a fazer parte do nosso trabalho sistematicamente. Não adianta
ficar irritado porque o paciente perguntou pro chat GPT. Essa é a realidade atual. As pessoas elas nunca tiveram tanto acesso à informação e elas também nunca sofreram tanto, né? a gente tá passando por um momento de muito sofrimento. Os Modelos de linguagem, as e as elas permitem, né, uma comunicação muito fluida. Você pode conversar ali. Então isso torna o conhecimento mais acessível. Boa parte dos pacientes hoje já vai chegar no seu consultório com mais informações, com mais vocabulário psicológico, com hipóteses sobre diagnósticos, com ideias sobre trauma, apego, TDAH, ansiedade, depressão, transtorno bipolar, narcisismo. Eles podem
confrontar inclusive os conceitos que você traz. Eles podem perguntar por você tá usando uma intervenção X e não outra. Eles podem dizer que a inteligência artificial falou que o padrão ouro para tratar aquele problema é uma técnica X específica. Então isso aumenta muito a nossa exigência de capacitação, o quanto nós psicólogos temos que estar capacitados atualmente. Hoje tá bem complicado para quem não tem um trabalho baseado em evidências. Tá complicado mesmo, porque o paciente informado, ele percebe que aquela intervenção que tá sendo feita ali é vaga. Ele percebe quando a explicação é improvisada, quando o
profissional usa um jargão para esconder a falta de domínio. Quando você lê uma resposta que a I te dá, por exemplo, de como tratar ansiedade, a primeira reação que você tem é perceber que aquilo não é uma bobagem completa na maioria dos casos. Muitas respostas de modelos abertos mesmo, chatt reproduzem Recomendações plausíveis frequentemente alinhadas a orientações baseadas em evidências. fala de psicoeducação, fala de exposição, de regulação fisiológica, de reestruturação cognitiva, hábitos de vida e manda você buscar atendimento. E esses modelos vão melhorar, então vai ficar cada vez mais difícil pro psicólogo que não trabalha com
uma prática baseada em evidências, porque a própria IA já traz sugestões de protocolos também e o paciente ele vai te questionar, ok? Agora vamos para o segundo tópico. E as IAS terapêuticas, elas funcionam mesmo? Elas são melhores? Vamos lá. Hoje a gente não tem evidência suficiente para afirmar que uma IA terapêutica de maneira autônoma substitui uma psicoterapia conduzida por por psicólogo, tá? Os estudos mais promissores que envolvem aí essas ferramentas específicas de a seleção de participantes, protocolos de segurança, né? Todos eles têm algum grau de suporte humano. Quando a gente vai para quadros mais complexos,
com comorbidades, risco de suicídio, violência, psicose, toda essa instabilidade do paciente, exige uma estrutura de cuidado que não cabe nas respostas automáticas das IAs. No ano passado, como eu já falei aqui, eu fiz um grande evento sobre a na psicologia aqui na internet nesse mesmo período do Não minto, foi em outubro, outubro do ano passado, de 2025 para cá, né? Algum tempo depois, aí não chega nem a um ano, muita coisa Já mudou, a literatura cresceu, o debate ficou mais sofisticado, a pergunta deixou de ser apenas se a IA vai substituir a psicologia. A discussão
agora caminha para um cuidado combinado, para uma integração, onde o psicólogo atua como um maestro no sentido clínico da palavra, de orquestrar tudo. Ele decide a indicação da IA, qual IA o paciente vai usar, define os objetivos, escolhe ferramentas, treina o paciente, supervisiona o uso da SA, revisa os dados, monitora sintomas, maneja risco, toma decisões. A tecnologia, ela entra como uma extensão do plano terapêutico para te ajudar a fazer com que o paciente continue fazendo aquele que aquilo que ele precisa fazer fora da terapia. A Iá não é uma autoridade autônoma sobre o caso. OK?
Neste congresso que eu fui agora em junho, eh muitos dados sobre as terapêuticas foram mostrados, né? O David Clark, que é um nome de bastante expressão na nossa área, ele apresentou o NHS Talking Therapies. NHS Talking Therapies, eh, que é um uma IA, né, baseada ali em medidas, em formação de terapeutas, em inovação digital, enfim. Esse NHS Talking Therapies, ele tem uma estrutura enorme, né? Vários cursos de treinamento, coletas sistemáticas, desfechos, eh, e os dados que ele trouxe é que sete em cada 10 pacientes tem uma Melhora significativa usando esse NHS, tá? O que aparece
aqui, né, nesse estudo que o David Clark trouxe é um serviço estruturado, tá? eh, uma inovação digital inserida em uma rede responsável, onde o psicólogo vai supervisionar isso no processo de terapia. Um outro estudo que foi apresentado foi um estudo eh do Japão, né, um pesquisador chamado Toshi Furukawa. Ele apresentou um IA chamada Resilient. Resiliente, né? é um aplicativo estruturado com ativação comportamental, reestruturação cognitiva, resolução de problemas, treino de assertividade, técnicas para insônia. SA, ela foi testada em 4.000 adultos no Japão com depressão eh subclínica e esses pacientes foram acompanhados por 6 meses. Os resultados
desse estudo apontam a redução de sintomas de depressão, ansiedade, redução da insônia, sem eventos adversos graves relatados no estudo. Isso é muito interessante. A gente tá falando de um aplicativo estruturado de treino de habilidades para uma população específica em um país específico, com um desenho de pesquisa específico. Não é um chat GPT aberto assumindo o papel de terapeuta e todo este uso foi mediado por psicólogos. [roncando] Outro dado que entrou em debate neste congresso também foi o Terabot. Um ensaio Randomizado com 210 adultos comparou o acesso a ensaibote com lista de espera. Foram incluídos nesse
estudo pessoas com sintomas clinicamente significativos de depressão, de ansiedade generalizada, risco de transtornos alimentares. Em oito semanas, o grupo que usou o Terabote teve reduções maiores de sintomas. Esse estudo ele tem limitações, né? Porque a gente sabe que a comparação com lista de espera é uma comparação ruim. O segmento foi curto, oito semanas só. O sistema foi ajustado por especialistas o tempo todo e operou com procedimentos de segurança, ou seja, tinha travas ali, certas coisas que o paciente falava, o chat trava, não respondia. Então, é uma pesquisa que precisa ainda de replicação, tá? E esse
resultado dessa pesquisa não se aplica automaticamente a modelos abertos, né, chat EPT. Mas a literatura, né, sobre terapia cognitivo comportamental mediada pela internet já acontece muito antes desses modelos generativos que a gente vê hoje de A. Tem um estudo de 2021 com quase 10.000 pacientes que ficou claro que tanto a TCC guiada por profissionais como a TCC autoguiada por ferramentas digitais que não eram exatamente IAS na época, né? eh foram associadas à melhora de sintomas depressivos, tanto a terapia quanto essas ferramentas autoguiadas. Então, a modalidade guiada por profissionais teve vantagem, especialmente em pessoas com sintomas
mais graves, mais intensos. A lição que fica é que o apoio humano ele pode sim, claro, aumentar o resultado de determinados casos, de determinadas populações, em determinados momentos do tratamento, especialmente quando o paciente tem quadros mais graves, sintomas mais intensos. Mas intervenções autoguiadas, elas já são estudadas na TCC há muitos anos e a gente sabe que muitas pessoas podem se beneficiar, especialmente em casos mais leves, tá? Outras pessoas elas precisam de mais contato, mais estrutura, mais avaliação, mais manejo de risco. Tem pacientes que não se dão bem com essa coisa de tipo eu mesma vou
lá, eu mesma faço, né? Precisa de uma estrutura mais organizada. Que é que isso tudo mostra? Existe um movimento real na direção do cuidado combinado, o psicólogo e a inteligência artificial treinada, com resultados promissores, principalmente quando a gente tem um conteúdo estruturado, a revisão humana, a mediação, né, de desfechos ali do que a IA fala e do que o paciente vai fazer e vai trazer paraa terapia. O psicólogo, ele não é um espectador, ele é um responsável por essa integração. Então, a gente precisa escolher as ferramentas a partir da evidência, a indicação clínica que o
paciente tem e a segurança desse processo. A gente precisa explicar Pro paciente para que essa ferramenta vai ser usada, quais são os dados que vão ser coletados, quem tem acesso, quais são os limites, o que fazer num caso de piora. Então, o consentimento ele precisa ser claro, tá? A questão da proteção de dados também é muito importante. Então, a gente vai fazer isso junto com um paciente, OK? Na prática, como é que isso se aplica? Vou te dar um exemplo. Se você está trabalhando com ativação comportamental paraa depressão, uma plataforma de IA desenvolvida especificamente para
isso vai ajudar com lembretes pro seu paciente, registro de atividades, monitoramento da energia, do prazer, do senso de domínio. Então o paciente ele vai registrar ali na IA que ele ficou na cama até meio-dia, que ele saiu para caminhar 10 minutos, que ele ligou para uma amiga, que ele não tomou banho porque ele não tava se sentindo bem e ele faltou ao trabalho. Você abre esses dados no início da sessão, discute os padrões, em que horário a letargia piora, quais são as atividades pequenas que geraram algum alívio, onde apareceu a esquiva. A ferramenta de IA
vai ajudar a manter o tratamento vivo entre as sessões. Vai dando feedback ali pro paciente que foi treinado pelo psicólogo esse feedback e a decisão clínica continua sendo sua. Se o caso, por exemplo, é de insônia, um recurso digital, ele pode funcionar como um diário do sono. O paciente, ele vai registrar o horário de deitar, o tempo para dormir, os despertares, o horário de levantar, os cochilos. Ou ele pode usar um anel, ó, como esse daqui, tá? Esse anel aqui já registra todos esses dados para mim. Eu não preciso anotar, eu simplesmente abro, abro o
aplicativo do anel e já tá tudo lá registrado, tá? Esse anel ele se chama Ora Ring. Ele não vende no Brasil ainda, mas ele anota tudo para você. Ele traz para você todos esses dados sobre sono, sobre atividade física, batimentos cardíacos, nível de estresse, tudo. O paciente ele também pode anotar na IA o consumo de cafeína, de álcool, uso de telas. E aí o sistema ele vai calcular, né, a eficácia do sono, ele vai integrar isso com o uso de cafeína, vai organizar gráficos para sessão. Então isso já é uma realidade. Em outros países existem
vários dispositivos como esse aqui, né? vários dispositivos eh que são chamados de wearles, né, ou dispositivos vestíveis, né, que você vai usar, que ajudam muito nisso. Então, tem esse anel que é o orar ring, né, que eu já falei, mas tem também relógios, tem pulseiras sem telas, né, que também ajudam. Então assim, são dispositivos ainda caros, mas a tendência é baratear e popularizar esses dispositivos e que mais pessoas cada vez mais usem esse tipo eh de ferramenta, né, para se automonitorar. O dispositivo ele vai calcular, ele vai te ajudar, ele vai te dar gráficos, mas
é o psicólogo que vai interpretar isso, ok? Aí se você pega, por exemplo, ansiedade social, se tem uma ferramenta de A desenvolvida para isso, essa ferramenta ela vai oferecer simulações para o paciente, né? Simulações ali graduadas, scripts, eh treino de resposta, variação de situações sociais, preparação para uma exposição ao vivo. Então o paciente ele pode praticar, iniciar uma conversa, ele pode pedir uma informação, ele pode discordar ali da IA com respeito, ele pode responder uma crítica, tá? E aí a gente vai auxiliando o paciente a ir treinando isso junto com a IA. A exposição real,
ela continua dependendo da conceitualização de caso, da hierarquia de sintomas, da prevenção de comportamentos de segurança, da revisão do aprendizado. A Iá vai apenas te ajudar ao longo desse processo, OK? Te dar outro exemplo. Se a gente fala em prevenção de recaídas no uso de álcool, uma plataforma pode monitorar fissura, humor, contexto, horário, companhia que o paciente estava, gatilhos, sono, conflito, acesso que o paciente tem à substância, pode enviar lembretes de estratégias já treinadas, né? Então, sei lá, o anel ele percebe um aumento do estresse, então é possível que esse paciente ele esteja entrando num
processo de fissura. Então, o aplicativo vai lá e manda um lembrete, né? Olha, eh, ligue para alguém, para tomar um banho, adie essa decisão por 20 minutos, ligue pro seu psicólogo, revise os motivos paraa abstinência, enfim, tá? Então, a IA, né, treinada para isso, eh, vai auxiliar o seu paciente, principalmente ali nos intervalos das sessões. Muito bem, Fernanda. E na vida real, o que que tá disponível para nós aqui no Brasil? A gente sabe que existem resultados promissores, né, serviços estruturados fora do Brasil, mas essas treinadas que eu citei aqui, o Resilient, o Terabot, né,
elas não estão disponíveis hoje, não são opções clínicas acessíveis ao psicólogo brasileiro. Antes da gente usar qualquer coisa, a gente precisa verificar idioma, acesso regional, validação cultural, é indicação, política de dados, se tem um suporte humano, o manejo de risco, a possibilidade de supervisão, a compatibilidade, né, com a sua prática profissional. Então, hoje a gente ainda tem que esperar. O caminho viável no Brasil é acompanhar a literatura, né, científica sobre esse uso combinado de as treinadas dentro da terapia e esperar que alguns recursos, né, sejam validados aqui no Brasil. OK? Agora o tópico três, como
que o psicólogo ele pode usar a IA a seu favor, além desse uso combinado que ainda é muito restrito aqui no Brasil, OK? Mas antes de eu falar desse tema, eu vou pedir pra minha equipe liberar aqui o chequin para vocês preencherem aqui no chat. Lembrando que vocês precisam preencher esse chequin ao vivo em todas as aulas, inclusive no encontro de encerramento para garantir o acesso ao e-book exclusivo E a concorrer para bolsas de estudos no meu curso de pós-graduação ou de formação e é um ingresso pro meu evento, pro meu evento presencial que vai
ser em São Paulo, tá bom? Então, o QR code tá na tela e vocês têm agora alguns minutinhos. para fazer esse chequin. OK? Mas agora para fechar, como o psicólogo ele pode usar a IA a seu favor para além dessas plataformas de cuidado combinado que são restritas aqui no Brasil. E aí aqui eu tô falando obviamente de as específicas para essa finalidade. E as treinadas, né, com baixo compartilhamento de dados, com revisão humana, com finalidade delimitada, ou seja, não são as genéricas, tá? Não é o chat GPT. Deixa eu pegar uma pastilha aqui que minha
voz tá indo embora. Muito obrigado. Não são as genéricas, OK? São IAS desenvolvidas especificamente para o uso terapêutico. Então o que que você pode fazer com essas IAS? Você pode rascunhar hierarquias de medo, você pode organizar passos de solução de problemas, criar materiais de psicoeducação, gerar variações de exercícios ali para você passar pro seu paciente, eh produzir perguntas de revisão, adaptar uma linguagem pra idade específica do paciente ou pra escolaridade dele, eh transformar um conceito técnico numa Explicação mais acessível. Então, a IA ela pode sim ampliar o seu repertório, ela não assume a sua decisão
clínica. Faça um modelo de tratamento completo. Qual intervenção eu devo aplicar nesse paciente? Não. OK. Então, um exemplo concreto, você tá atendendo um paciente com ansiedade social, com medo de parecer incompetente em reuniões de trabalho e tendência a evitar falar quando tem pessoas mais experientes na sala. Você não joga o caso todo lá real com detalhes do seu paciente identificáveis. Você cria um caso fictício ou descaracterizado e você pede para uma IA criar um hierarquia de exposição para uma pessoa adulta com medo de falar em reuniões de trabalho, começando por situações mais leves e avançando
para situações mais difíceis, incluindo a estimativa de ansiedade de zero a 100, possíveis comportamentos de segurança, perguntas de revisão de aprendizado depois de cada exposição. A resposta da IA pode vir com itens como gravar a própria voz, fazer uma pergunta simples numa reunião pequena com poucas pessoas, discordar de uma ideia, apresentar um trabalho por 5 minutos, pedir um feedback pro chefe. Você vai ler aquelas opções, você vai remover os itens que não se aplicam pro caso do seu paciente, que são inadequados. Você ajusta a ordem, você inclui ali o que faz sentido dentro da formulação
de caso. Você tira qualquer exposição que seja arriscada, eh, que esteja desalinhada com o contexto do paciente, depois você transforma isso num material seu e aí sim você vai validar essa hierarquia com o seu paciente. Então, você precisa olhar criticamente. A Ia, ela pode te ajudar. Quem é meu aluno sabe, eu sempre digo, exposição exige muita criatividade do psicólogo. Ah, eu tenho um paciente que tem eh fobia específica de vômito. Como eu vou fazer todos os passos de uma exposição com esse paciente? Tem que ter criatividade e é uma criatividade que nem sempre a gente
tem, OK? Então, a gente pode pedir ali passos de uma exposição, por exemplo, para um IA, mas a gente tem que olhar criticamente. Paraa psicoeducação, a mesma coisa. Você pode pedir que a IA explique ansiedade como um sistema de alarme numa linguagem simples para um paciente de 16 anos, incluindo a diferença entre sensação física e ameaça real aplicado ao contexto daquele paciente. Aí depois você revisa, tem coisas que não vão fazer sentido, que estão ruins, né? A ferramenta vai inventar referências. você não usa, OK? Você formula a tarefa, você checa os fatos, você remove aquilo
que é inadequado, você assume a autoria Clínica daquele processo, OK? E você também ainda pode ensinar o seu paciente a usar de forma mediada. Isso precisa ter objetivo, tarefa delimitada, um prompt que vocês vão criar juntos, regras de privacidade, né? eh, precisa revisar aquilo que a IA trouxe na sessão. Então, vou te dar um exemplo. Um paciente que tem dificuldade de nomear emoções, você pode usar um prompt combinado com esse paciente. Exemplo, o prompt seria o seguinte: Estou tentando organizar uma situação para levar paraa minha terapia. Faça perguntas para me ajudar a separar fatos, pensamentos,
emoções e ações possíveis. Não me diga o que decidi, não me dê diagnóstico, não me peça dados pessoais. Esse é o tipo de uso que pode ajudar a preparar o paciente para sessão. Mesmo assim, você vai combinar com o paciente que ele não vai usar na crise, em ideação suicida, em autolesão, em questões de violência, para saber diagnóstico, medicação, decisões da vida real. Nada disso vai ser perguntado pra IA. OK? Você também pode construir prômites protetivos com o seu paciente. Um exemplo de um prompt. Me ajude a transformar esta preocupação em perguntas para discutir com
a minha psicóloga, sem interpretar intenções de outras pessoas como um fato e sem sugerir decisões impulsivas. Outro exemplo, gerepeitosas de eu pedir uma pausa numa conversa Difícil, sem acusar a outra pessoa e sem decidir por mim se eu devo terminar a relação. Isso é muito diferente do que o seu paciente faz hoje. Colocar 50 mensagens do parceiro na IA e perguntar: "Ele é narcisista? Ele tá me traindo? Eu devo terminar esse relacionamento hoje?" O uso mediado da IA ensina limites pro seu paciente. Aí aqui no Brasil a gente ainda tem a questão da Lei Geral
de Proteção de Dados, né, LGPD, a questão do sigilo profissional e outros pontos que você precisa ter atenção na questão da IA. O princípio prático que você precisa usar é o seguinte: compartilhe com a IA o mínimo possível. Em modelos abertos, tipo chat, GPT, cloud, Gemini, você precisa usar casos fictícios com informações irreversivelmente descaracterizadas. Para você anonimizar um caso, você precisa fazer mais do que trocar o nome. Você precisa trocar idade, profissão, cidade, composição familiar, algum evento raro que tem acontecido na vida daquele paciente, a sequência clínica dos fatos que o paciente te trouxe, detalhes
da história que possam identificar a pessoa. OK? Outro ponto que você precisa ter muita atenção e que eu vejo muito psicólogo aqui no Brasil falhando com isso. Transcrição da sessão. Se qualquer ferramenta de IA que você utiliza transcreve e resume a sessão para você, esta ferramenta está gravando a sessão. Entenda isso. Não tem como transcrever sem gravar, OK? Isso é impossível. Fisicamente isso é impossível. Para ir a transcrever, ela grava a sessão. Pelo nosso código de ética, o paciente, ele precisa ser informado e ele precisa autorizar a gravação. Preferencialmente, essa autorização, ela deve ser feita
por escrito, onde você vai explicar a finalidade, o armazenamento, o acesso, o prazo, a exclusão desse material e os riscos. A gente não pode tratar transcrição automática de IA da sessão como se fosse um detalhe administrativo da plataforma que você usa, não é? A sessão contém dados sensíveis e se você é transparente com o seu paciente, você protege ele e você se protege inclusive de processos, OK? Então, use a IA para ampliar opções, para revisar linguagem, para adaptar o discurso a uma questão específica daquele paciente, para preparar material, para organizar tarefas, cheque tudo, não acredite
que a Iá trouxe tudo certo, assuma a decisão clínica, seja transparente com o seu paciente quando o uso afetar o cuidado, domine as Evidências, proteja os dados do seu paciente. Mantenha sempre a revisão humana. e ensine o seu paciente a usar a tecnologia com limites, sem entregar a a saúde mental a cabeça dele completamente para uma resposta bonita, rápida e sem responsabilidade clínica da IA, tá? Nós estamos, amores, diante de uma mudança estrutural na forma como a psicoterapia é entregue e consumida. Os modelos de linguagem de grande escala vão ficar mais sofisticados, as interfaces de
voz vão ficar mais naturais. A capacidade de análise de padrões comportamentais pode superar a nossa capacidade de observação. Você precisa dominar essas ferramentas para não ser engolidos por elas. Você precisa se posicionar como o especialista que orquestra o cuidado e a tecnologia vai servir para expandir esse cuidado e a sua precisão clínica, mas o seu raciocínio clínico continua sendo o motor do seu tratamento. Meus amores, a nova era da PBE já chegou, o futuro já começou. Muito bem, amores, essa foi a nossa aula de hoje. A gente entendeu em detalhes essas três grandes mudanças que
estão acontecendo no cenário da psicologia atualmente. Eu vou deixar aqui um resumo, né, para você que se perdeu aí Nessas 2 horas quase de aula. É o seguinte, primeiro você precisa refletir sobre a importância que você tem dado a relação terapêutica no seu consultório, porque a relação terapêutica é a base de qualquer intervenção. Segundo, tem senso crítico diante de discursos sedutores e complexos que propõem superar as limitações dos modelos atuais, que são amplamente validados, mas que carecem de viabilidade prática e com um nível de evidências que ainda não é robusto, como é o caso da
terapia baseada em processos. E por último, entenda que o uso da IA em saúde mental vai ser uma realidade cada vez mais presente. E você não pode fechar os olhos para isso, seja para conquistar novos pacientes ou para manter os pacientes que você tem em tratamento, ok? Muito bem. Os próximos passos. Dúvidas sobre a aula de hoje me envie amanhã nas caixinhas do Instagram, OK? Utilize o código, o emoji, que vai ser passado na comunidade do WhatsApp amanhã de manhã cedo para vocês terem prioridade nas respostas. O link da comunidade tá aqui na descrição deste
vídeo para você entrar. Lembre também que amanhã cedinho você pode pegar o mapa mental da aula de hoje nos stories do meu Instagram. Um material lindo, produzido com muito carinho para vocês. E quarta-feira, às 20 horas, eu espero você paraa nossa Segunda aula. Uma aula que eu preciso dizer, será ainda melhor, porque a nossa segunda aula de quarta-feira eu vou falar sobre um ponto crítico pro sucesso profissional de vocês na clínica, OK? Amanhã não tem aula, então você pode reassistir a aula de hoje, anotar os pontos que você perdeu e revisar tudo, tá bom? Amanhã
a gente se vê lá no Instagram para eu responder sua pergunta. Beijo, boa noite. Obrigada. Ciao