Tem uma coisa que ninguém conta pra gente quando fala sobre ser uma pessoa boa. Se você não tomar cuidado, sua bondade pode virar arma na mão dos outros. E não é exagero.
Você vai vivendo, ajudando todo mundo, sendo compreensivo, dizendo tudo bem, quando na verdade não tá tudo bem. E um dia acorda com aquela sensação estranha de que as pessoas simplesmente não te levam a sério. Você percebe que os outros cancelam compromisso com você como se não fosse nada, que pedem favores enormes em cima da hora e ainda ficam chateados se você hesita, que falam com você de qualquer jeito, levantam a voz, somem quando é sua vez de precisar de ajuda.
E aí vem a pergunta que machuca: "O que eu tô fazendo de errado? Eu só tô tentando ser uma pessoa boa. A verdade é dura, mas libertadora.
Ser bom não é o problema. O problema é quando a sua bondade vem sem limites, sem critério, sem um mínimo de amor próprio. Porque no fim das contas as pessoas não enxergam só o que você faz por elas, mas também o que você permite que façam com você.
E quando você sempre aceita tudo, sempre cede, sempre entende o lado do outro e nunca se posiciona, a mensagem que passa não é: "Sou uma pessoa incrível e sim pode passar por cima de mim que eu aguento". E muitas vezes isso não acontece porque você é bobo ou fraco. Na real, pode ser porque você tem medo de perder alguém, medo de decepcionar, medo de parecer grosso.
Você pensa: "É melhor eu engolir isso do que criar problema". Só que enquanto você se esforça para manter a paz, o respeito vai escorrendo pelos dedos. As pessoas começam a testar limites e como não encontram nenhum, vão indo cada vez mais longe.
Com o tempo, você vai sentindo o peso disso no corpo e na mente. Cansaço, irritação, vontade de sumir, aquela raiva silenciosa que você não mostra para ninguém. Sabe aquela sensação de estar presente na vida de todo mundo, menos na sua?
De estar sempre quebrando um galho, mas nunca sendo realmente prioridade? É aí que a ficha começa a cair e é nesse ponto que você precisa olhar com honestidade para o jeito como se relaciona. Não é sobre virar alguém frio, egoísta ou indiferente.
É sobre entender que bondade sem limite vira convite para desrespeito. E na prática isso começa em um hábito simples, mas destrutivo, que talvez você tenha sem nem perceber. Você diz sim para tudo e nunca impõe limites.
Você provavelmente nem percebe quando isso acontece. A pessoa te manda mensagem: "Você pode fazer isso para mim rapidinho? E mesmo cansado, sem tempo e cheio de coisa atrasada, a resposta sai quase automática.
Posso sim, relaxa. No fundo, você nem parou para pensar se realmente podia. Você só não queria parecer rude, não queria desapontar ninguém.
E assim vai dia após dia. Um favor aqui, outro ali. Um compromisso que você aceita, mesmo sabendo que não queria ir, uma tarefa no trabalho que não era sua, mas você assume só dessa vez.
Acontece que esse só dessa vez vira rotina e quando você menos espera, já tá carregando peso que não é seu, se atropelando todo para dar conta de tudo enquanto os outros continuam pedindo como se fosse obrigação sua a ajudar. O problema de dizer sim para tudo é que para caber todo mundo, você precisa dizer não para você mesmo. Você corta seu descanso, seu lazer, suas prioridades.
Deixa de fazer algo importante para resolver o problema de alguém que muitas vezes nem se daria esse trabalho por você. E o pior, a pessoa se acostuma. Na cabeça dela, você é o resolvedor de problemas, o bonzinho que topa tudo.
Com o tempo isso vira padrão. As pessoas já nem perguntam se tá pesado, se você pode mesmo, se tá tudo bem. Elas simplesmente esperam que você esteja disponível.
E quando um dia você cria coragem e diz: "Dessa vez não dá". Em vez de respeito, vem cara feia, silêncio frio. Ou aquele comentário manipulador: "Nossa, você mudou, hein?
" Só que a verdade é que quem mudou não foi você. Você só começou a enxergar que sempre dizer sim não é prova de bondade, é falta de limite. E limite não é ser grosso.
Limite é dizer: "Eu posso te ajudar, mas não agora. ou isso eu não consigo fazer, ou simplesmente hoje não. [música] Quando você nunca impõe limites, você ensina as pessoas que tudo bem te sobrecarregar e sem perceber, sua própria postura abre espaço para o desrespeito.
É nesse ponto que a sua bondade deixa de ser algo bonito e passa a ser usada contra você. E se isso já tá acontecendo, é bem provável que tenha outro comportamento andando junto com esse. Você evita conflitos a qualquer custo e engole tudo calado.
Você já percebeu como muitas vezes o problema nem o que a pessoa faz, mas o que você deixa passar. Alguém fala com você de um jeito atravessado, faz uma piada te desrespeitando, fura um combinado e você sente na hora aquele incômodo no peito. Dá vontade de responder, de se impor, de dizer: "Ei, isso não foi legal.
" Mas o que você faz? Respira fundo, força um sorrisinho e diz: "Ah, deixa para lá. Não vou arrumar confusão por causa disso".
A verdade é que você não gosta de confronto. Só de imaginar alguém bravo com você já bate uma ansiedade. Então você escolhe o caminho mais fácil, engole em seco, vai acumulando um comentário aqui, uma falta de consideração ali, uma grosseria disfarçada de brincadeira e por fora você segue agindo como se estivesse tudo bem.
O problema é que por dentro não tá. Você vai guardando mágoa em camadas, começa a se sentir injustiçado, usado, pequeno. E o pior, os outros nem fazem ideia do que está acontecendo com você.
Por quê? Porque você não fala, não mostra que aquilo te atinge, não coloca limite, não diz: "Comigo não é assim". E quando você não se posiciona, a mensagem que passa é simples.
Eu aceito isso. A pessoa repete. Repete de novo.
E quando você vê, virou padrão. A forma desrespeitosa como te tratam vira o normal da relação. Quem te trata mal não enxerga problema.
Quem sente o peso é você. [música] Evitar conflitos não te protege. Só faz com que os conflitos aconteçam dentro de você silenciosamente.
E enquanto você protege a paz externa, a sua paz interna vai sendo destruída. A grande virada começa quando você entende que se impor não é ser ruim, é se respeitar. E se você não se respeita, adivinha?
As pessoas também não vão respeitar. Tem um ponto que machuca muito, mas que precisa ser dito com todas as letras, quando você se coloca sempre em último lugar e desvaloriza suas próprias necessidades. E isso é a terceira razão pela qual as pessoas não te respeitam.
Pensa um pouco. Quando alguém te chama para ajudar em algo importante para ela, você dá um jeito, muda sua agenda, perde sono, se for preciso. Mas quando é algo importante para você, um curso, um descanso, um sonho, um compromisso consigo mesmo, basta aparecer qualquer pedido de outra pessoa e você já deixa o que era seu para depois.
Sempre depois, sempre quando der. No começo parece normal. Você pensa: "Ah, eu só estou sendo legal, não custa nada, depois eu faço o meu".
Só que esse depois quase nunca chega. O tempo que você investe nos outros vai ocupando todos os espaços. E quando você percebe, a sua vida virou isso, estar disponível pros outros, para tudo, para todos, menos para você.
E o pior, as pessoas percebem isso. Percebem que você sempre cede, que nunca reclama, que está sempre disposto a abrir mão do que é seu. Elas podem até achar bonito no começo, mas com o tempo isso vira algo esperado, como se fosse obrigação sua se adaptar, se virar, se encaixar.
Suas vontades vão sendo empurradas pro canto como se elas fossem menos importantes do que a de todo mundo. Só que tem um detalhe. Se nem você leva a sério suas próprias necessidades, quem é que vai levar?
[música] Se você trata seus planos como descartáveis, suas pausas como luxo e seu bem-estar como frescura, os outros vão seguir a mesma lógica. Não é maldade sempre. Às vezes é só aprendizado.
Elas aprendem a te priorizar na mesma medida em que você se prioriza, ou seja, quase nada. Talvez esteja na hora de inverter esse jogo, de começar a dizer: "Agora é minha vez. Isso aqui é importante para mim.
Nesse horário eu não posso. É o meu tempo. Não é egoísmo, é sobrevivência emocional.
Agora eu quero saber de você. Tá se identificando com isso até aqui? Já passou por situações assim?
Me conta nos comentários o que mais pegou para você até agora. E aproveita e me diz também de que cidade você tá acompanhando esse vídeo. Quero muito saber de onde você tá me assistindo.
Quarta razão pelas quais as pessoas não te respeitam. Você tenta agradar todo mundo para ser aceito e acaba parecendo carente. Isso dói de ler, mas é real.
Quando você vive preocupado em o que os outros vão pensar, cada atitude sua deixa de ser espontânea e começa a ser calculada. Se eu falar isso, será que vão gostar de mim? [música] Se eu disser não, será que vão achar que sou uma pessoa ruim?
Se eu não ajudar, será que vão se afastar? Sem perceber, você começa a moldar sua personalidade para caber na expectativa dos outros. Ri do que não acha graça, aceita convite que não tem vontade.
Concorda com opiniões que não refletem o que você realmente pensa. Tudo para não desagradar, tudo para ser visto como legal, companheiro, gente boa. Só que tem um efeito colateral nisso.
Quando alguém sente que você faz de tudo para ser aceito, essa pessoa percebe que tem poder sobre você e aí o jogo muda. Em vez de ser visto como alguém seguro, você passa a ser visto como alguém que tem medo de perder qualquer migalha de atenção. Isso transmite carência, fragilidade, falta de posição.
E, infelizmente tem gente que se aproveita exatamente disso. Quem tenta agradar todo mundo acaba não sendo respeitado por ninguém, porque no fundo as pessoas respeitam quem tem opinião, quem sabe dizer sim e não, quem tem postura, quem não tem medo de desagradar quando é preciso ser verdadeiro. Quando você aceita tudo com medo de ser rejeitado, você mostra que está disposto a se trair para não perder o outro.
E aí vem a pergunta sincera. Vale a pena ser amado por um personagem que você criou enquanto o você de verdade fica escondido? Porque no fim das contas respeito começa quando você escolhe ser verdadeiro, mesmo correndo o risco de não agradar.
Quem for real fica. Quem não for só estava ali pelo tanto que você se dobrava. Quinta e última razão.
Você perdoa excessos e faltas de respeito repetidas vezes sem consequências. Talvez esse seja o ponto mais silencioso de todos, porque por fora parece muito bonito. Ah, eu sou uma pessoa que perdoa, não guardo mágoa de ninguém.
Todo mundo erra. E é verdade, todo mundo erra mesmo. O problema não é perdoar.
O problema é perdoar sem mudança nenhuma, como se nada tivesse acontecido. [música] A pessoa levanta a voz com você, fala de um jeito que te humilha, some quando você mais precisa, quebra promessas, você fica mal, chora, desabafa, sofre. Aí ela vem com uma desculpa qualquer.
Eu tava de cabeça quente. Você sabe como eu sou. Não fiz por mal.
Você engole o choro, balança a cabeça e diz: "Tudo bem, eu entendo". Só que não tá tudo bem. E no fundo você não entende.
Você só tem medo de que se bater de frente a pessoa vai embora. Então você aceita o pedido de desculpas vazio, sem conversa séria, sem mudança de comportamento, sem consequência real. E é aí que o desrespeito cria raiz.
Quando alguém sabe que pode passar do limite, pedir desculpa e tá tudo certo, essa pessoa aprende que você é um lugar sem fronteira e com o tempo ela nem precisa mais pedir desculpa. A coisa acontece, você engole, o assunto morre e a vida segue. Até a próxima falta de respeito.
E a próxima? E a próxima. Perdoar não significa fingir que nada aconteceu.
Perdoar não é se abandonar. Perdoar também pode incluir se afastar, colocar limites claros, mudar a forma de se relacionar ou, em alguns casos, encerrar a relação. Isso também é amor próprio.
No fim, as pessoas aprendem como podem te tratar observando o que você tolera. Enquanto você continuar aceitando tudo e perdoando sem nenhum tipo de consequência ou mudança, o ciclo de desrespeito vai continuar se repetindo e a única pessoa que pode quebrar esse ciclo é você. Agora quero finalizar essa nossa conversa refletindo sobre esse tema.
Ser uma pessoa boa não é e nunca será o problema. O ponto é que sem limites, sua bondade vira um convite aberto para que alguns ultrapassem o sinal vermelho com você. Dizer sim para tudo, engolir desrespeito, se colocar sempre em último lugar, tentar agradar todo mundo e perdoar sem consequência.
Tudo isso vai construindo aos poucos uma vida em que você está presente para todo mundo, menos para você mesmo. Respeito não se pede implorando, não se compra agradando, não se mantém aceitando qualquer coisa. Respeito se constrói primeiro dentro de você.
A partir do momento em que você começa a se ouvir, a se priorizar, a colocar limites claros e a assumir que também tem necessidades, você muda o jeito como o mundo te enxerga. Talvez doua reconhecer alguns padrões em você, mas é justamente daí que nasce a mudança. Você não precisa deixar de ser bondoso, empático ou generoso.
Você só precisa aprender a incluir seu próprio nome na lista de pessoas que merecem cuidado. Agora me conta aqui nos comentários qual dessas razões mais mexeu com você. Se esse conteúdo fez sentido, curta o vídeo, compartilhe com alguém que precisa ouvir isso e se inscreva no canal Terapia em Palavras para continuar caminhando comigo nessa jornada de autoconhecimento.
Obrigada por assistir e nos vemos na próxima.