Então você tá me falando que ninguém te contou que para realmente compreender o tarot você precisa estudar Cabala. Então hoje a gente vai começar nosso estudo de tarô cabalístico, a pedido do nosso amigo. Esse curso tá sendo feito com base no livro Tarô Cabalístico por Robert Wang.
Gostaria de deixar claro que eu obviamente não sou um rabino, eu sou apenas uma grande entusiasta do tarô. Então se você for mais experiente, sinta-se livre para acrescentar qualquer correção nos comentários. Então vamos lá.
O que é Cabala? Cabala é um sistema místico e filosófico que se originou no judaísmo. Esse sistema filosófico visa compreender a criação divina, tanto o seu caminho de subida até a fonte, quanto o caminho de descida e materialização da luz divina na matéria.
Então, se você curte o conceito de manifestação, lei da suposição, lei da atração, saiba que tanto o tarot quanto a Cabala tem tudo a ver com isso. Tanto que no livro Tarô Cabalístico, o Wong coloca lá uma passagem que contém as sete las herméticas. É importante que você tenha em mente que existem duas cabalas.
A cabala judaica, que se originou na antiguidade e se consolidou na idade média, e a cabala hermética, que já é consolidada na Idade Moderna, a partir do Renascimento. A cabala hermética é uma mistura entre os conhecimentos da cabala judaica com o hermetismo, astrologia e posteriormente o tarot. Então é pra cabala hermética que a gente vai estar olhando para fazer esse curso, tá bom?
Tem em mente que o tarot não foi criado em cima da Cabala. As primeiras cartas do tarot, elas foram criadas com propósito de jogos mesmo, de entretenimento. Isso tá sendo visto mais a fundo no nosso curso de interpretação de tarot, mas que o tarot ele foi adaptado conforme o passar do tempo, com o propósito esotérico para se encaixar no diagrama que é a árvore da vida.
E o que que é isso? Dentro da Cabala existe um conceito chamado árvore da vida, que é um diagrama feito para ilustrar um processo da criação da luz divina e sua manifestação. E aí você me pergunta: criação de quê?
Criação de tudo, desde o nosso mundo até um projeto de negócios, um trabalho de faculdade, a sua vida dos sonhos, até a chinela que você tá usando aí nesse teu pé. Então agora vamos se jogar de cara nessa árvore da vida para que a gente compreenda o tarot a partir dela. A árvore da vida é composta por quatro elementos principais.
Os pilares que inclusive vão aparecer na carta da sacerdotisa do mundos que posteriormente vão ser os naipes, as esferas e os caminhos. Tem em mente que a árvore da vida, ela foi mudando bastante conforme o tempo. A gente vai fazer o nosso estudo com base na mais moderna, tá bom?
Então, bora fazer aquilo que eu faço de melhor e desenhar isso para você entender. [música] Começamos montando a nossa árvore da vida estudando os três pilares. Eles vão dividir a nossa árvore verticalmente.
O pilar da direita é o pilar da misericórdia, é o pilar da expansão. Ele é chamado de jaquim e é por isso que tem a letra J. O pilar da esquerda é o pilar da severidade, é o pilar da restrição, da contração, é a coluna de Boaz e por isso tem a letrinha B.
Então, para você entender como esses dois funcionam numa interação um com outro, pensa no sistema reprodutor feminino e masculino. O pilar da expansão representa o caos criativo. Então, imagina que milhares de espermatozoides, que são milhares de ideias, são disparados e enviados pra potencialidade cósmica.
E o papel da coluna da severidade, da restrição, é filtrar esse caos criativo, é gerar uma ordem a partir dele. Então, dessas milhares de ideias, o útero da severidade escolhe apenas um para fecundar, para fazer descer e manifestar até a matéria. Entre esses dois pilares, nós temos o pilar do meio.
O pilar do meio é o pilar do equilíbrio. Então, as cartas do tarot que estiverem presentes no pilar do meio, pilar do equilíbrio, como seis de ouros, por exemplo, ou a temperança, que também tá nesse pilar, naturalmente vão falar pra gente de equilíbrio. O seis de ouros, por exemplo, que tá nesse pilar do meio, ele tem até uma balança desenhada na carta do Esses foram os pilares.
Agora vamos para os mundos. [música] Os pilares estão organizando a árvore pra gente em colunas verticais, enquanto os mundos dividem a árvore de modo horizontal. Então, aqui em cima a gente vai ter o primeiro mundo, que é o mundo da emanação.
É de onde a luz divina se emana. É o mundo do fogo. E o fogo é atribuído ao naipe de paus no tarot.
Não precisa se apegar tanto aos nomes, mas esse mundo da emanação é chamado de atilut. Logo em seguida, temos o mundo da criação. Ele é atribuído ao naipe de copas, o mundo dos sentidos e da inteligência emocional.
Inclusive, uma aluna do curso de interpretação de tarô já veio me perguntar: "Por que o Wang descreve esse mundo como do intelecto puro se esse não é o mundo da mente e sim dos sentimentos? " Tô falando isso para você não confundir intelecto puro com mente racional, que vai ser o nosso próximo mundo, o mundo de Yetszirá, que é representado pelo naipe de espadas, que é o naipe que representa o plano da mente, dos pensamentos e da comunicação. Então agora vamos entender a diferença entre esses três.
O primeiro mundo aqui é o mundo da emanação. Nape de paus, plano do fogo. É onde a luz divina se emana.
A segunda coisa que a gente tem é o mundo dos sentidos, dos sentimentos e do intelecto puro, para depois esse sentimento ser racionalizado na mente. Com isso, a gente pode concluir que primeiro a gente sente algo para depois conseguir formatar esse sentimento em pensamentos e então palavras. É por isso que o mundo dos sentidos, representado pelo naipe de copas, é chamado de intelecto puro.
É algo que vem antes de ser intelectualizado e racionalizado. O mundo das copas, então, é chamado de beriá ou sobriá, enquanto o mundo da formação é chamado de yetirá. Acho que agora você até já conseguiu entender a palavra formação, porque é onde os sentimentos são formatados no mundo astral.
E por fim, temos o naipe de ouros ou pentáculos no mundo da manifestação, que é chamado de açaia. E é dentro dos mundos que nós vamos ter localizadas as esferas. Alguns mundos vão ter três esferas, outros vão ter só uma.
[música] Relaxa que a gente não vai ver uma por uma agora. São 10 esferas no total. Eu vou fazer uma aula só para isso.
Agora a gente vai ver as duas esferas principais, entender o que elas significam pro tarô em si. O mundo de asaia, que é o mundo da manifestação, é o plano terreno. E nesse mundo todo, nós temos apenas uma esfera.
Essa esfera é a esfera do reino. O nome dela é Malcut, que significa justamente reino em hebraico. Para quem nunca saiu da esfera de Malcut, ela também pode ser chamada de Matrix.
é o mundo 3D dos cinco sentidos. Nela tem tudo aquilo que você pode cheirar, tocar, ouvir, sentir o gosto e olhar. Essa esfera geralmente aparece sendo dividida em quatro e tem quatro cores diferentes para representar os quatro elementos: água, fogo, terra e ar.
Já a esfera do topo, que fica no mundo da emanação, o nome dela é coroa, que é catter em hebraico. Então, perceba que a primeira esfera é a esfera do topo, é a esfera do mundo da emanação. Ela é a coroa e é de onde emana a luz divina, que vai se dissipar pelos caminhos e pelas esferas enquanto ela desce para chegar até o reino.
Ou seja, temos a coroa e temos o reino. E essa luz divina, ela pode passar por entre vários caminhos pra chegar até lá embaixo. E o que que isso tem a ver com o tarot?
Tem a ver que cada esfera tem um número. A coroa é a primeira esfera, é o número um, ela fica no pilar do meio. Depois ela passa pro pilar do expansão e já vai pra esfera número dois.
Depois essa luz divina, essa ideia vai pro número três, que já fica no pilar da severidade. Desce pro quatro, vai pro 5, 6, 7, 8, até chegar no 10. E no tarô a gente também vai ter quatro naipes para representar os quatro mundos, paus, copas, espadas e ouros.
E de cada um desses naipes, a gente vai ter 10 arcanos menores, ou seja, do um até o 10 para cada naipe. As de paus, que é o número um, dois de paus, três de paus, quatro de paus, cinco de paus, seis de paus, sete de paus, oito de paus, nove de paus, até o 10 de paus. Mesma coisa.
Copas. As de copas, dois de copas. Três de copas, até o 10 de copas.
As de espadas, dois de espadas, três de espadas, até o 10 de espadas. E para finalizar, ouros. As de ouros, que é o número um, dois de ouros, três de ouros, quatro de ouros, até o 10 de ouros.
Então, todos os as tarot que representam o número um, eles vão estar representando a primeira esfera, que é a esfera de Kter, a coroa. Assim como todos os 10 no tarô de todos os naipes vão estar representando a última esfera que é a do reino Malcut. Os oitos do tarô de todos os naipes vão estar representando a oitava esfera que se chama Rod.
Então agora a gente conclui que enquanto os mundos da árvore da vida representam os naipes, as esferas da árvore da vida representam os arcanos menores, que vão do as até o 10 de cada naipe. E os arcanos maiores, onde é que eles ficam? [música] A interação entre uma esfera e outra cria o que a gente chama de caminhos.
Tira da sua cabeça que se tratam de caminhos físicos, que para você chegar na esfera de número quatro, você tem que ter passado pelo caminho da três. Não é assim que funciona. É por isso que a tiragem do tarô, ela não é linear para todo mundo e é para isso que a gente precisa da aleatoriedade das cartas.
Na árvore da vida mais moderna, o caminho do louco se encontra na interação entre a esfera um, que é a kétera a coroa, com a esfera dois, hockma. Enquanto o mago, o primeiro arcano maior, se localiza na interação da esfera um com a esfera três, biná. Então, para chegar no mago, você não tem que ter passado pelo caminho do louco.
Assim como a sacerdotia é resultado da interação da esfera um com a esfera seis, Tiffere, que fica bem aqui embaixo. Interessantíssimo dos arcanos maiores do tarot é que cada um desses caminhos da árvore da vida também corresponde a uma letra do alfabeto hebraico, que também são 22 letras no total são 22 arcanos maiores, 22 letras do alfabeto hebraico. Então, perceba como tudo tá interligado.
Para concluir a nossa primeira aula, Árvore da vida é um diagrama que mostra o caminho da emanação, criação, formação e manifestação da luz divina. O seu interesse com ela pode ser tanto subir, que na alquimia é o processo de sublimação, quanto descer, que é o processo de materialização. A gente pega essa luz divina e condensa ela pra matéria.
Então agora a gente entende que os arcanos do tarot eles são, na verdade chaves que te mostram como uma lupa mesmo em que caminho, em que esfera você se encontra no momento. Como eu disse, o interesse do seu consulente pode ser tanto subir nessa árvore, que é se desprender da matéria e evoluir a própria consciência, que no tarô é a abordagem do tarô terapêutico, ou o consulente pode estar se consultando para saber como tá no processo de descida, que a gente chama de tarô divinatório. Espero que isso tenha ajudado a expandir seu conhecimento com o tarot, porque eu acho que acabei de te mostrar que esse universo é muito mais amplo do que você imaginava.
Nas próximas aulas, a gente vai estudar essas esferas uma por uma e os caminhos um por um também, junto com as letras hebraicas. Então, no final desse curso, você vai até saber um pouquinho mais de hebraico. Quem sabe você não tem interesse de inserir um pouco nas suas práticas mágicas.
Eu sei que eu tô fazendo isso, pelo menos. Então, já me segue aqui, ativa o sininho para não perder, deixa um comentário que me ajuda bastante também e até a próxima. Namastê.
Ah.