“Óh Deus, conduza-me do irreal para o Real, das trevas para a Luz, da morte para a Imortalidade. ” Trataremos hoje sobre a jornada espiritual: o caminho de autotransformação, que conduz um ego a uma presença que é totalmente dedicada à Realidade Absoluta. Assim como você não vê o mundo dos sonhos ao acordar, você não verá mais este mundo ao acordar na Realidade Absoluta.
Não é que este mundo desapareça, mas ele entrará em sua fonte original. Sua fonte é Sat-Chit-Ananda: Existência, Consciência e Bem-aventurança, uma indivisibilidade que é o Ser de todos os seres. Diz-se que a realização de Sat-Chit-Ananda é o Objetivo desta vida, pois quando alcançamos esta Realidade, alcançamos tudo.
Quando a conhecemos, conhecemos tudo. E isso só é possível através de Deus. A vida é um processo de entrada em Deus, uma ascensão à uma consciência que vê Deus em todas as coisas, o que não é ver as particularidades, mas o Universal.
O método é esse: esvazie-se de si mesmo; e permaneça em Deus. Esse é nosso caminho espiritual. O indivíduo tem o hábito de se afirmar inconscientemente como o centro da experiência.
Essa arrogância é o seu egoísmo, e essa é a fonte da sua loucura. O “eu” é meramente uma impressão; ele não é algo verdadeiramente existente. O “eu” é uma noção de que existe algo como uma consciência dividida.
Ele é um intruso que surgiu injustificadamente da confusão de ideias entre o sujeito e o objeto. O egoísmo, portanto, é uma ilusão que não tem nenhum significado. Essa noção de si mesmo como sendo idêntico ao corpo é a causa do egoísmo.
Esse egoísmo é o Samsara, a ideia persistente de que todo o conhecimento se dá em termos de espaço, tempo e externalidade. Agora, essa consciência que está envolvida a este mundo físico deve recuperar-se de tal envolvimento, e deve ascender até que a pura universalidade se torne o mesmo que a sua experiência direta. O método é precisamente o simples processo da inversão da manifestação para a sua fonte, a recessão dos efeitos para as suas causas, passo-a-passo, voltando-se para dentro, voltando-se para o centro da experiência, que gradualmente será reconhecido como idêntico ao Ser Supremo.
O praticante deve retirar de sua mente toda noção de externalidade; todo tipo de projeção mental. E então, para se alcançar aquilo que está em toda parte, ele deve habitar e permanecer de alma e coração apenas no pensamento de Deus. Quando alguém imagina que alguma coisa é externa, sua consciência fica perturbada, agitada e infeliz.
A liberdade só será alcançada quando o indivíduo retirar os seus poderes sensoriais das formas objetivas e centrar toda a sua consciência na unidade de sua própria identidade com o Absoluto. Deus é o Governante Interno que reside nas câmaras do seu coração como sua própria identidade imortal. Portanto, conhecer-se profundamente é idêntico a conhecer Deus.
O aspirante deve mergulhar profundamente dentro de si mesmo. Ele deve entrar no nível metafísico, no ser ontológico, e deve realizar que ele mesmo é a consciência imortal e infinita, e não este corpo perecível. Deus não pode ser conhecido por nenhum meio externo de conhecimento; Ele só pode ser percebido como sendo o próprio conhecedor.
A mente e o intelecto devem brilhar, mas não sobre outras coisas externas, pois isso desviaria a luz de sua própria consciência radiante. Permaneça apenas na luz de sua própria consciência: esse é o caminho ao Deus interno. Deus está tão perto que vê-Lo não levaria a fração de um segundo, mas para vê-Lo é necessário abrir os olhos e não desviar o olhar.
O único dever que nos cabe é este: a habitação constante em Deus. Pela prática firme e incessante, não permitindo que a mente divague, na saturação do amor divino, a Pessoa Suprema é alcançada. Este é um método muito potente, ele é chamado de Brahma-Abhyasa, que é a afirmação contínua de Brahman na vida, em todos os momentos e situações.
Ele consiste de pensar constantemente em Brahman, falar sempre sobre Brahman, permanecer sempre desperto sobre a natureza de Brahman, e depender inteiramente apenas de Brahman para a sua própria existência. Brahman deve ser mantido como a única ocupação, propósito e dever do praticante. Esta é a essência da prática: “Permaneça na presença de Brahman e cumpra com o seu dever.
Confie em Brahman e faça o que é correto. ” Assim, devemos pensar em Deus a cada momento da vida; e todo pensamento deve ser uma afirmação sobre a consciência de nossa verdadeira natureza. Os sábios dizem que o último pensamento de uma pessoa antes da morte deve ser o pensamento de Deus, ao dizerem isso, somos implicitamente estimulados a lembrar-nos de Deus o tempo todo, pois não sabemos de fato quando será o último momento de nossas vidas.
Pode ser que consigamos nos lembrar de Deus enquanto estamos em uma vida confortável. Mas o teste para saber se Ele realmente entrou em nossos corações é se conseguimos nos lembrar Dele durante momentos de doença, no sofrimento, na oposição e nos momentos de tentação. Independentemente do que possa estar acontecendo em nossas vidas, lembre-se que Deus é a Realidade Suprema.
Deus é uma plenitude integral, uma totalidade fora da qual nada pode existir. Deus é o centro do universo que está em toda parte, e cuja circunferência não está em lugar nenhum. Ele é imanente e transcendente, dentro, fora e no meio.
Ele é o Um que permanece quando tudo o mais desaparece. Ele é o oceano universal que é consciente de si mesmo. Em resumo, em todos os lugares e em todos os momentos, devemos permanecer sempre com o pensamento em Deus.
A incapacidade de conter o pensamento em Deus é o único obstáculo. Durante todo o seu dia, permaneça na lembrança constante de Deus, e isto será a sua meditação. Meditar significa permanecer consciente sobre o que é a verdade.
A meditação não deve ser apenas uma atividade que você faz por alguns minutos durante o dia. Ela é o que você é, e não algo que você faz. A meditação é você.
Sua vida é a sua meditação. Suas obras devem ser a sua meditação. Viver, de fato, é viver uma vida em Deus.
Mesmo se você estiver ocupado trabalhando em um escritório, o que te impede de parar por um minuto? Apenas pare por um minuto e pense em Deus, e isso o inspirará. Então, pratique manter essa percepção sobre a presença divina, em tudo, em cada coisa, em cada canto e em cada fresta, em todos os lugares e em todos os momentos.
Permaneça em Deus e cumpra com o seu dever. Esta é a essência da prática. Deus primeiro; o mundo depois; você por último: siga esta sequência no desenvolvimento do processo de pensamento para que o Poder e a existência de Deus possam ser afirmados em todas as coisas.
Além disso, o mundo inteiro deve ser tratado como uma prática de sacrifício, de tal maneira que as nossas ações ajudem a enfraquecer pouco-a-pouco a nossa personalidade inferior, aproximando-nos gradualmente da existência divina. Cada ato, cada pensamento, cada sentimento deve ser como uma oferenda, uma adoração, um aceno de luz diante da glória do Todo-Poderoso. Essa disciplina exige tenacidade e a capacidade de amar e servir a todos com um sentimento de que existe uma presença comum por trás de todas as coisas.
Essa presença é Brahman, o Ser Universal, a Realidade Suprema que envolve todas as coisas. A prática de Brahma-Abhyasa (a permanência em Deus), consiste na afirmação constante da universalidade de Brahman em sua própria consciência. Quando você realmente conseguir enxergar a diversidade dos seres como enraizada em Brahman, e como tendo procedido de Brahman, você terá atingido a Perfeição.
Lembre-se que sua vida quotidiana é uma preparação, um campo de treinamento para que você se transfigure no puro Ser, a Realidade Absoluta. Portanto, tudo deve fazer parte de sua sadhana; seu caminhar, sentar, falar – qualquer coisa que seja necessária e inevitável – não pode estar fora desta prática espiritual. A vida de um indivíduo é como uma escola, repleta de estudos e aprendizados.
É essencial escrutinar e investigar cuidadosamente as causas de cada experiência pela qual passamos na vida. Cada detalhe no mundo, cada pequeno pensamento, sentimento, e ação, deve ser avaliado à luz da Lei Universal. Algumas vezes, quando a mente não aprende a lições através de uma razão iluminada, ela tem de aprendê-la através da dor.
Todas essas experiências não devem ser tomadas como fins em si mesmas, mas como processos de avanço, e de purificação do espírito interior, para o cumprimento de um propósito maior. Portanto, deve-se suportar todos os problemas da vida sem reclamar, pois suportar com reclamação não é uma verdadeira sadhana. Lembre-se que a verdadeira prática espiritual é a permanência em Deus.
Permanecer em Deus significa permanecer vigilante. Vigilância é vida, e a vida é Yoga. Na prática, é necessário ver o Divino imanente em todas as coisas, compreendendo que o mundo inteiro nada mais é do que uma aparência de Deus.
Realmente, todo o Universo é o corpo de Deus. O próprio Deus aparece-nos através dos nossos sentidos, de nossa mente e intelecto. Tudo neste mundo está conectado integralmente com todas as outras partes, formando um todo vivo.
Tudo já está aí, no aqui e no agora, em uma integralidade compacta. O conhecimento de Brahman ocorre aqui, neste eterno Agora, indivisível e instantâneo. Tudo o que você vê do lado de fora, é apenas Brahman.
Não apenas olhe para este mundo, mas veja através dele. E então, perceba que todo este mundo resplandece de uma Consciência eterna, e é inseparável dela. Se, desde já, você permanecer consciente de Brahman, em todos os momentos, com uma vontade retamente dirigida ao Bem supremo, então, seu sucesso no caminho espiritual não estará muito longe.
Esta prática deve ser uma questão perpétua em sua mente, sustentando uma atitude mental correta por trás de cada tipo de atividade, mesmo durante o menor dos atos. Isto também é conhecido como Karma-Yoga, a arte do agir correto. Ele baseia-se no entendimento de que o homem deve estar sempre em sintonia com Deus.
Quando cada ação é visualizada como um processo da atividade universal de Deus, a atividade individual e pessoal desaparece. Assim, tornamo-nos como um instrumento impessoal do Absoluto. “Dê o seu melhor e não se importe com os resultados”, este é o lema do Karma-Yoga.
Dar o seu melhor significa canalizar toda a sua capacidade para a execução de um ideal nobre; não se importar com os resultados significa entregar os frutos das ações a Deus. Temos o direito de cumprir o nosso dever, mas não de ansiar pelo seu fruto, pois os frutos não estão nas nossas mãos; eles são determinados pela lei última do universo, que não podemos entender na atual condição de nossas mentes. Lembre-se que todo o trabalho é de Deus, inclusive todas as práticas espirituais que fazemos.
Este é o espírito com que temos de viver neste mundo: o de sacrifício e entrega à Causa Suprema de todas as coisas. O amor a Deus e o serviço abnegado a Deus através de Sua manifestação como o universo é o caminho principal. Esta aceitação da presença cósmica de um Ser espiritual como o Senhor supremo do universo implica uma atitude de reverência e amor por parte do praticante; as emoções humanas não serão destruídas, mas voltadas para Deus e, assim, sublimadas.
Através deste caminho de devoção (Bhakti-yoga), Deus pode ser visto e experimentado. Através do amor e da devoção de alma inteira, podemos alcançar a Bem-aventurança suprema do Ser. Essa é a nossa compreensão absoluta.
Na verdade, a mais alta devoção é o mesmo que o mais alto Conhecimento; portanto Bhakti-yoga e Jnana-yoga são o mesmo. Jnana-yoga é o Caminho do Conhecimento. A sabedoria do Absoluto como a única Realidade é o meio direto pelo qual a alma alcança a sua salvação.
Este conhecimento é a convicção de que: “eu sou inseparável do Ser de Deus”; Este caminho é o método racional de investigação da experiência, onde o entendimento e a vontade tornam-se um. O conhecimento do Ser, consiste na consciência de que a essência do indivíduo é idêntica à Substância Universal. Quando o buscador retira seus poderes sensoriais das formas objetivadas, e centra sua consciência na unidade de sua identidade com o Absoluto, ele alcança sua liberdade Suprema.
Além disso, há também o caminho da disciplina e da integração mental, conhecido como Raja-Yoga. Aqui, somos solicitados a dominar nossas modificações mentais, pois só assim teremos uma percepção clara e verdadeira sobre a Realidade. A meditação é a arte pela qual nos ajustamos a toda a criação, unindo as várias fontes de pensamento e ação para formar um belo tecido, que está conectado ao esquema Universal da existência.
Através da prática, ocorre em nós uma retirada gradual da consciência do contato externo, e uma ascensão simultânea a dimensões cada vez mais amplas de si mesmo. Quando o intelecto, os sentidos e a mente permanecem unidos como um jato focado de fogo, este estado é o Yoga, aquilo que eleva a alma ao Ser Absoluto que habita em todas as coisas. A prática contínua, o estabelecimento perpétuo na consciência de Deus, de sintonização de si mesmo com Deus, garante uma vida de divindade na Terra.
O caminho para essa salvação é proclamado como um esforço através destes quatro Yogas, isto é: trabalho (Karma-yoga), devoção (Bhakti-yoga), conhecimento (Jnana-yoga), e concentração (Raja-yoga) – ou seja, nossa salvação surge do caminho que se abre conforme desenvolvemos uma dessas quatro preponderâncias da natureza humana: vontade, emoção, razão ou cognição. Isso deve ser seguido conforme seu próprio temperamento e inclinação predominante. Através da vontade, podemos nos desenvolver fazendo ações altruístas no serviço aos outros.
Através da emoção, desenvolvemos devoção a Deus como o Criador do Universo. Através da razão, desenvolvemos a sabedoria que reconhece o Absoluto como a única Realidade. E através da cognição, desenvolvemos o autodomínio mental.
Nos seres humanos comuns, sempre existe uma preponderância em algum desses pontos: vontade, emoção, razão ou cognição. Portanto, em primeiro lugar, você deve conhecer seu próprio temperamento, e deve decidir qual método deve ser o mais apropriado para o seu caso, pois cada mente tem a sua própria constituição; tendências e idiossincrasias. Para fins de conveniência e clareza de compreensão, geralmente falamos de diferentes métodos de Yoga, porém, o objetivo final é basicamente o mesmo: a purificação interior e a eliminação progressiva do ego que obscurece a Verdade.
Através da meditação, do conhecimento, da devoção, e de ações corretas – passo-a-passo, degrau por degrau – é possível atingir a Meta suprema. A realização do Eu espiritual é o cumprimento deste propósito universal. E só podemos alcançar este Ser imortal se nos transformarmos em um Ser universal.
Portanto, não podemos buscar este objetivo com intenções de ganhos pessoais ou por fins egoístas. Na verdade, o ego não pode subsistir diante de Deus; ele é como uma bola de gelo diante da luz do sol: ele não pode permanecer ali e viver. Pedir por Deus é o desejo de derreter o ego.
Na Realização de Deus, a individualidade não será mantida; trata-se da fusão da individualidade no Todo Universal. Quando este “eu” se vai, aquele “Ser” toma posse de todos esses “eus”. O estabelecimento de si mesmo neste estado de consciência que é uma Identidade Pura e Universal é a cura definitiva para a tristeza da existência mortal.
A esperança da humanidade não está na continuidade do seu estado atual, mas em uma profunda reorientação de seus valores, de modo que este realinhamento seja capaz de elevar a alma a uma perspectiva correta. Você pode se perguntar: “Então, quando eu serei livre? ” Quando você deixar de ser este “eu”.
Quanto menor for o teu ego, maior será a entrada da universalidade em você. O ego não é uma virtude, ele é um obstáculo. “Esvazia-te e Eu te encherei” é a grande proclamação divina.
Se você quer encher uma cesta com a fragrância das flores, primeiro você deve tirar o lixo e a sujeira que está lá dentro. Neste momento, a mente está cheia de pensamentos que não são os de Deus, e esse “algo mais” é a obstrução. Desejos ligados a este corpo, à sociedade, propriedade, dinheiro, relações e impulsos biológicos, todos impedem a abertura do coração.
Para o propósito de esvaziar-se, o melhor remédio é sentar-se quieto. Retire a consciência de sua difusão em direção às coisas externas, e fixe-a na Universalidade do Ser, que é o Pensamento em Deus. A existência individual cessa apenas enquanto você permanecer totalmente consciente da Existência Universal.
Essa meditação, a fixação na consciência Absoluta, é a causa para a transcendência da consciência individual. Quando essa personalidade chamada ego se rende totalmente à Deus, toda a força do cosmos entra nela, e então, ela sente uma força interior que não pode ser comparada a nenhuma outra força deste mundo. Em outras palavras: “Esvazia-te e Eu te encherei”; quando você se esvaziar de si mesmo, o mundo entrará em ti como uma inundação ciclônica; o universo inteiro entrará em ti em um segundo, como um redemoinho, tudo virá e se chocará sobre você, te invadirá, tomará posse de ti e te derreterá por completo.
Quando o indivíduo desaparece de cena completamente, tudo é visto como um processo da atividade universal de Deus, ou do Absoluto. Então, neste ponto, deixe de experimentar a si mesmo como um corpo físico, mas tente experimentar a si mesmo como o centro do Ser em todas as coisas, o coração de tudo. Torne-se o Princípio Imanente do Cosmos.
Transfira a sua consciência para uma posição que não seja este corpo – mas algo muito maior – entre o sujeito e o objeto, transcendendo ambos e, ao mesmo tempo, sendo imanente em ambos. Deixe que aquilo que você considera como o seu “sujeito físico” seja apenas um objeto, e você estará tão desapegado dele quanto está desapegado de qualquer outra pessoa – pois você não é isso. Quanto mais você crescer espiritualmente, mais você se tornará impessoal.
Mais você superará as limitações deste corpo, e de tudo o que está relacionado a ele. A independência absoluta é alcançada quando não temos mais nada a ganhar ou a perder, nada a saber ou aprender, nada a desejar e nada a fazer como um dever ou uma obrigação. Quando o homem age com essa consciência – com o profundo sentimento de que ele é apenas um instrumento nas mãos do Absoluto – ele alcança a prosperidade, a vitória e a verdadeira felicidade.
Quando você opera a sua consciência como aquilo que subsiste entre o vidente e o visto, você está realmente no colo de Deus. Esse despertar superior é chamado de consciência de Deus. Nessa condição, você verá que todos os objetos do mundo são o seu próprio Ser universal.
Quando a meditação do homem sobre Deus termina e Deus começa a meditação sobre toda a Criação, a consumação é atingida. É aqui que todas as perguntas são respondidas e todos os problemas são resolvidos. O indivíduo funde-se no Todo Universal.
E então, tudo o que existe é o Absoluto.