[Música] Olá o nos da educação começa agora no programa de hoje vamos conversar sobre educação especial com ênfase em surdez vamos ver quais as metodologias de ensino como funciona a língua brasileira de sinais e também a educação hoje o nós da educação apresenta Sueli Fernandes que é Doutora em letras pela Universidade Federal do Paraná e professora de educação especial como que surgiu o seu interesse por educação especial principalmente por surdez e inclusão bem na verdade as pessoas que trabalham com educação especial geralmente T algum familiar Ou colega né E esse foi o motivo também que
me levou a estudar né Eu tinha uma colega muito amiga de infância que teve uma filha surda na época em que eu tive meu filho também E aí a troca de informações entre os filhos enfim levou a interesse pela área né mas não foi assim imediato quando eu comecei a a atuar em escola pública na escola onde eu trabalh viia trabalhava viia alunos surdos matriculados uma classe especial e aí eu me interessei por isso e comecei a investigar então examente estudou que exatamente você investigou no teu mestrado e no teu doutorado então no mestrado eu
tinha uma preocupação específica Porque como professora de surdos O que é que eu percebia né comparando os surdos com os alunos ouvintes eu era alfabetizadora e percebia que tudo aquilo que eu usava com os meus alunos pela manhã ouvintes em salas de aulas regulares e que dava certo com os alunos surdos à tarde na classe especial na qual eu trabalhava na época não funcionava tão també né porque a alfabetização pressupõe essa relação letra som você diz assim para aluno ah o a da abelha o b da Bola e pro surdo Isso não funciona né então
eu tinha que pensar assim em estratégias mais visuais Então nesse momento e e me deparando com a forma de escrita deles que era muito peculiar eu fui eh apresentei um projeto de pesquisa tentando investigar se a língua de sinais tinha alguma no mestrado né tinha alguma interferência na eh produção escrita do português porque a gramática era um pouco diferente e aí começou a investigação no mestrado então concluí que sim e o meu trabalho de Mestrado foi a avaliação diferenciada em língua portuguesa para surdos critérios diferenciados de avaliação no doutorado aí já tive uma preocupação mais
metodológica em desenvolver uma estratégia de ensino de português como segunda da língua né E não como língua materna como acontece com as crianças que se alfabe e por exemplo se você falou assim que lógico a gente não pode falar o b de bola Como que como que se trabalha então pois é Então veja o surdo Ele tem conhecimento do português pela Via visual né então justamente pela perda auditiva né que interfere na aquisição da oralidade quando ele tá aprendendo a escrever o que ele tá vendo é uma palavra é um símbolo visual que não tem
relação não com a audição como acontece pra gente então Eh você acaba elegendo estratégias visuais mostrando a figura e usando nesse caso a língua de sinais né Nós vamos falar dela daqui a pouco mas usando a língua de sinais na mediação para significar aquela palavra escrita então se você tem lá árvore a palavra árvore Você não vai falar árvore Mas você vai fazer um sinal árvore que é o sinal eh convencional né seria E aí assim por diante você vai mediando a escrita pela visão pela ilustração pela língua e existem diferentes graus de surdez sim
existem diferentes graus de surdez e isso implica no desenvolvimento da linguagem da criança então por exemplo eh Há uma uma fronteira nós podemos dizer assim entre crianças que TM perdas parciais né perdas leves e moderadas e que por conta da dessas perdas e a linguagem oral elas desenvolvem com problemas mas enfim elas conseguem falar elas conseguem ouvir e se comunicar oralmente estabelecer relações pela língua oral e aprender em salas de aulas regulares vamos dizer assim já as crianças com perdas severas e profundas se elas não forem submetidas a um programa uma espécie de treinamento até
da desenvol movimento da linguagem oral elas não vão oralizar E aí elas recorrem a uma forma Alternativa de comunicação n que seria a língua de sinais Então na verdade os há uma diferença sensível metodológica pro professor entre os dois grupos porque com um grupo ele vai agir naturalmente da forma como ele está acostumado e o outro grupo já necessita dele uma outra postura é e uma outra aprendizagem né requer dele o uso de outras metodologias Então vou te dizer que é incorreto você eh utilizar A nomenclatura surdo mudo é é completamente equivocada né Essa nomenclatura
porque a criança surda ela não é muda ela pode falar se ela for ensinada ela apenas não fala se é porque ela não ouve né Então na verdade há muito surdos que falam que aprendem a fazer isso é uma minoria é verdade né Há uma estatítica que coloca lá que 15% dos surdos que começam a aprender a falar de 0 a 3 anos eh São só 15% né de cada 100 15 conseguem ter sucesso nesse processo e os demais eh embora não falem eles conseguem emitir sons guturais gritos enfim sons né normais como as demais
crianças Só que não é fala organizada né consoante vogal enfim como nós estamos acostumados então nomenclatura surdo também não deve ser utilizada é pejorativo eh algumas pessoas julgam que seja né geralmente senso comum acha que sim mas é bem interessante que hoje as pessoas surdas com perdas severas e profundas e que usam a língua de sinais para se comunicar Elas preferem eh a terminologia surdo ao invés de deficiente auditivo justamente porque a palavra deficiente traz aí tem um estigma muito forte né o estigma da da incapacidade da da incompetência E aí parece que o sujeito
ele é todo deficiente que o problema não tá só no ouvido né parece que ele é tem uma deficiência mental de aprendizagem e não é isso que acontece com as pessoas surdas e a aprendizagem professora ela pode ser dificultada pela perda parcial ou pela perda total da audição sim é na verdade a principal implicação de uma perda auditiva na aprendizagem é a aquisição da linguagem isso em todos os aspectos mesmo que a perda seja leve ou moderada o que que pode vir a acontecer uma criança pode trocar letras né na escrita ou fonemas na fala
aquela história de troca P pelo B T pelo D que são sons muito semelhantes né ela vai escrever vaca ela escreve faca e assim por diante Então isso é comum em crianças com perdas leves e moderadas Mas isso acontece também por causa da leitura labial ou não não no caso de perdas leves e moderadas não acontece porque o som a percepção do som é dificultada e geralmente a sala de aula não é um espaço de silêncio né um espaço com muito som com muito barulho interação então isso pode dificultar a a audição da criança né
e nas perdas mais significativas isso prejudica mais o o aprendizado da escrita principalmente no caso das Crianças com perdas severas e profundas eh é bem mais complicada a questão da aprendizagem porque o mundo ele é cercado de sons né Você tem os sons da natureza você você tem os sons eh urbanos aí né que muitas vezes interferem na tua qualidade de vida e na por exemplo você tá caminhando e houve uma buzina né você já fica atento que pode estar numa situação de perigo então uma criança surda muitas vezes Severa e profunda ela pode eh
passar por situações em que é de perigo justamente por não ter esses eh e tem outras situações engraçadas também né como por exemplo eh os sons que são eh proibidos em sala de aula soltar o pum o arroto né então a criança surda não tem noção disso né e muitas vezes ela faz não tendo a consciência dos sons né então é é bastante interessante porque esse é um aprendizado que você tem que proporcionar a criança olha comer com a boca aberta faz barulho Olha quando você bate a porta arrasta a cadeira faz barulho o telefone
toca tá fazendo barulho então mesmo que ela Não ouça ela tem que ter consciência de que há um mundo de sons Em volta dela né então Há muitas histórias engraçadas em rel como trabalhar isso em sala de aula eu acho que a apontando a todo momento eh que o o som né interferir em alguma dinâmica da sala de aula mesmo que os surdos eh não estejam percebendo a professora deve fazer menção a isso né vamos dar um exemplo a o sinal do Recreio né o alarme pro Recreio muitas vezes o que que acontece toca o
alarme e todas as crianças levantam e saem e a criança surda Fica sem entender o que que tá acontecendo Então a gente costuma orientar que a escola tenha o sinal luminoso também né então que é uma luz que pisca então pra criança o sinal vai ser visual ou na impossibilidade disso né que a criança seja avisada Olha o sinal tocou tá na hora do recreio geralmente antes para que ela não seja Surpreendida né com uma uma reação coletiva e que ela não sabe né o e professora existe muito preconceito de que forma o preconceito acontece
na escola existe sim né o preconceito é mais acentuado em relação às crianças com perdas mais significativas justamente pela forma de comunicação que não é oral que vai ser mais gestual né e eh as crianças acabam como não tem conhecimento Acerca das implicações da surdez acabam achando que o surdo é deficiente mental que ele não aprende se ele não fala ele não pensa se ele não pensa ele é ele é deficiente mental isso é é bastante comum né que os surdos sejam tidos como deficientes mentais no contexto escolar então Eh isso contribui de forma negativa
né pra inclusão porque a desinformação é o principal motivo do preconceito e da discriminação né que é o preconceito em Ação Então deveria haver um trabalho nesse sentido né para prevenir essa quest podemos dizer assim que o aluno apresenta um estigma existe sim o estigma do não ouvir né e do não falar né leva o estigma do não pensar né e é ser diferente por exemplo é sim ele carrega essa diferença né primeiro é ele é taxado como o surdo mudo ou mudinho né que são eh ambas as as expressões são pejorativas e que fazem
aumentar aí o o o estigma acerca dessas crianças e depois isso se perpetua numa série de outr outas questões então na sala de aula como ele não fala ele não participa ele não estabelece relações com outros colegas há uma tendência a se isolar né dos demais porque aí ele não não é chamado para para brincar ele não é chamado para dividir trabalhos participar de trabalhos em grupo e ele acaba se isolando então Eh o estigma eh visto pelo outro colabora pra sua própria autoestima rebaixada e faz com que ele se feche para mesmo né E
que tem essa visão sobre si também negativa né e de que forma isso pode atrapalhar no aprendizado ou até mesmo nessa construção da identidade bem eh eu creio que de forma fundamental porque a a questão aprendizagem né ela decorre de um organismo em equilíbrio né então se você não tá bem você não aprende né se você se sente mal a gente adulto também né passa por essa experiência na aprendizagem então a criança quando não interage quando não tem a possibilidade de viver infância na troca na interação com os colegas porque você não aprende só com
o professor você aprende prioritariamente nas trocas com seus pares então obviamente que isso vai interferir na na sua aprendizagem e tem uma outra questão a língua da Escola Oficial na língua das relações é a língua portuguesa é a oralidade as aulas são são faladas a a língua dos livros né e das provas e das avaliações e das atividades é o português escrito e essa é uma língua desconhecida pra maioria dos surdos é desconhecida no sentido da experiência auditiva e quando ele chega à escola para aprender para sistematizar a língua escrita todos esses fatores né Eh
que interferem pro preconceito enfim para ele não interagir normalmente com as crianças acabam dificultando a aprendizagem do português escrito também então quer dizer ele não domina a língua pela qual o conhecimento na escola é imediado pela qual as relações na escola se dão E como que o professor pode lidar com isso em sala de aula bem eh nós costumamos dizer que a inclusão pro surdo Depende de uma mudança da política linguística não só da escola mas do sistema de ensino porque se a escola trabalha apenas com uma língua e com inglês como língua estrangeira é
a a a primeira atitude é reconhecer a diferença linguística do surdo e isso se faz pela informação então se a escola eh vai contar com alunos surdos matriculados é fundamental que haja antes um trabalho de informação de esclarecimento a comunidade escolar como um todo porque muitas vezes o preconceito da criança reflete o preconceito dos pais então os pais também TM que ser informados O que é A surdez o que ela demanda Que tipo de interação né Eh as crianças vão passar a ter com uma criança surda Que tipo de aprendizagem o seu filho vai ter
por exemplo da língua de sinais ele vai começar aprender a língua de sinais para poder interagir com esse coleguinha surdo e isso tem que ser visto como um aspecto Positivo né porque Muitos pais por desconhecerem acabam julgando que aquilo prejudica o seu filho quem é mais preconceituoso as crianças ou os pais ah certamente os pais né As crianças refletem As Visões de mundo que estão no Imaginário social e que claro a família é a primeira célula que que reproduz isso na forma dos valores morais que passa para as crianças então eh a inclusão Depende de
um trabalho em rede né que envolve a informação a conscientização e o conhecimento porque o o preconceito é o ao não conhecer né A medida que você conhece você passa a encarar os fatos de uma outra forma professora como fazer com que os alunos partilhem desses projetos de aceitação das diferenças e até mesmo da inclusão bem eh Não é muito fácil né Eh oferecer fórmulas né prontas porque essas fórmulas não existem o que nós percebemos é que os projetos de inclusão bem-sucedidos eles acontecem naturalmente quando você convive com as enças e as aceita em situações
em que nada é imposto né como uma novidade para as crianças por exemplo nós temos uma experiência de inclusão na educação infantil com crianças surdas e ouvintes nas na qual eh ambos os grupos estão aprendendo a língua de sinais porque a criança surda também precisa aprender a língua de sinais pela interação com modelos adultos surdos não é e nessas interações o que nós percebemos é que ao aprender os sinais o as crianças ouvintes percebem a interação em sinais e reproduzem ao se comunicar com as crianças surdas naturalmente mesmo que isso não seja verbalizado não por
exemplo um instrutor surdo aponta as cores né da dos lápis vermelho amarelo eh como forma de já e introduzindo os sinais para as crianças surdas e as Crianças ouvintes repetem isso na interação então nós temos uma cena né em que a criança ouvinte pega pede o lápis paraa criança surda e faz isso não verbalizando mas fazendo o sinal vermelho e a ponta naturalmente sem que ninguém a obrigue ou peça que ela faça assim então conviver com as diferenças é um pouco vivenciar na prática né Essas possibilidades né Então as as interações com a pessoa com
deficiência desde sempre ou seja desde a educação infantil as vivências né você eh um dia levar uma cadeira de rodas paraa sala de aula por exemplo no caso de outras deficiências e fazer com que as crianças caminhem pela escola né tentem se locomover são formas de se perceber no lugar do outro né e perceber que também é possível fazer com alguma dificuldade e que essa dificuldade deveria ser superada E aí a na verdade a superação desse desafio é construído coletivamente não vem como uma imposição né do governo ou do professor né então a ideia da
inclusão é essa então já voltamos a conversar sobre isso no próximo bloco voltamos a conversar sobre educação especial para surdos [Música]