quer saber tem um segredo na minha família que nunca foi muito falado era coisa que só os mais velhos comentavam de vez em quando e ninguém dava muita bola até agora meu bisavô foi um dos trabalhadores que uir o Cristo Redentor lá no Morro do Corcovado ele sempre dizia que aquele lugar tinha algo estranho uma energia que não dava para explicar mas ninguém ligava muito para isso era só o velho João falando sabe como é né só que teve uma noite uma noite que ele nunca conseguiu esquecer Dizem que ele voltou para casa pálido Tremendo
e não quis contar para ninguém o que viu no morro só muitos anos depois já perto de morrer ele finalmente contou essa história para minha avó e olha até hoje ninguém sabe se ele tava dizendo a verdade ou se era só medo do que aconteceu lá em cima meu bisavô não era um homem de se assustar fácil ele cresceu na lida subindo e descendo morros antes de o rio ter Bondes ou calçadas decentes por isso quando chamaram para ajudar na construção de um dos maiores projetos que o Brasil já tinha visto ele foi sem pensar
duas vezes o Cristo Redentor era mais que uma estátua era Promessa de algo grandioso pra cidade e pro país Logo no início do trabalho a empolgação tomava conta Vamos mudar a história diziam os engenheiros o pessoal da obra era uma mistura de gente do Rio e de Fora trabalhadores com mãos calejadas e simples No entanto não demorou muito PR os primeiros boatos começarem certa manhã meu bisavô contou que algo peculiar aconteceu uma grande pedra essencial para a base da estátua parecia não se fixar eles usavam os melhores equipamentos disponíveis na época mas de alguma forma
a pedra sempre escorregava ou ficava desalinhada alguns diziam que era apenas falta de técnica mas outros bem outros tinham explicações diferentes isso aqui está maldiçoado murmurou um dos trabalhadores mais velhos Ele contou que antes de a obra começar o local era usado por indígenas para rituais quando os colonizadores chegaram os povos locais foram expulsos e muitos acreditavam que algo ruim havia ficado preso ali o episódio mais estranho aconteceu durante um dos turnos noturnos por economia a obra não parava e o trabalho seguia madrugada dentro meu bisavô fazia questão de evitar esses turnos mas um amigo
próximo chamado João não teve a mesma sorte João era responsável por vigiar os materiais e equipamentos durante a noite segundo ele tudo parecia tranquilo até ouvir um estranho vindo da Mata primeiro era como um sussurro depois uma risada abafada quando foram procurar João na manhã seguinte ele estava com os olhos arregalados sentado perto de uma fogueira apagada não volto lá Nunca mais foi tudo que disse antes de abandonar o emprego as coisas começaram a ficar mais assustadoras trabalhadores juravam que viam figuras à distância andando lentamente perto da obra eram sombras sempre no limite da Visão
mas nunca tão perto a ponto de serem identificadas quando um grupo decidiu investigar encontrou apenas rastros no chão marcas que pareciam de pés descalços mas muito maiores do que o normal meu bisavô dizia que mesmo sem acreditar nessas histórias sentia que o lugar era diferente não era medo era desconforto ele explicava era como se o ambiente estivesse amaldiçoado como se o próprio morro tivesse nos expulsando certa noite durante uma tempestade meu bisavô e alguns colegas Ficaram presos no canteiro de obras a chuva era tão forte que parecia que o céu ia desabar enquanto esperavam o
tempo melhorar decidiram se abrigar em um dos barracões foi lá que ouviram os primeiros barulhos passos na água como se alguém andasse descalço pelo canteiro mas não havia ninguém a lanterna de meu bisavô piscava quase sem bateria quando ele decidiu sair para ver o que estava acontecendo foi nessa hora que viu algo que nunca esqueceu uma figura alta e magra de costas caminhando lentamente em direção a ele chamou mas não obteve resposta quando a luz piscou novamente a figura havia desaparecido apesar de todos os relatos os engenheiros não davam atenção para eles tudo era superstição
ou imaginação de trabalhadores exaustos é só um morro como qualquer outro Dizia um deles rindo mas curiosamente os próprios Engenheiros evitavam ficar no canteiro de obras após o pôr do sol um dia meu bisavô e outros trabalhadores encontraram algo que chamou a atenção uma pedra maior que as outras com marcas que pareciam cortes mas não eram marcas comuns pareciam desenhos quase como símbolos um dos trabalhadores que tinha descendência indígena olhou e murmurou essas marcas significam algo mas não posso explicar depois do episódio com a pedra marcada os boatos se espalharam ainda mais rápido alguns dos
trabalhadores especialmente os mais velhos começaram a dizer que o morro tinha sido um lugar sagrado meu bisavô não era muito de acreditar nessas coisas mas ele contou que naquela época certas coisas começavam a parcer bem bem diferentes era como se o ar no corcovar ficasse mais pesado à noite o barulho da Mata era estranho como se tivesse algo espreitando mas nunca revelado não era só ele outros trabalhadores também sentiam o mesmo foi aí que começaram a surgir histórias sobre antigos rituais no local certa vez enquanto descansavam após o almoço um dos trabalhadores mais velhos começou
a contar uma história Ele disse que muito tempo antes da chegada dos os povos indígenas que viviam na região usavam o Corcovado para cerimônias especiais quando eram forçados a abandonar suas terras eles realizavam um ritual que segundo a lenda conectava A Montanha ao espírito de quem foi arrancado eles chamavam isso de a despedida que nunca se encerra contou o homem segundo ele esse ritual era feito com cantos e oferendas para que o lugar jamais esquecesse seus donos pros trabalhadores era só uma história para meu bisavô porém os detalhes faziam sentido afinal ninguém conseguia explicar os
rastros ou as marcas nas pedras as noites no Corcovado ficaram cada vez mais tensas as sombras antes apenas rumores começaram a ser notadas por mais trabalhadores eram movimentos rápidos quase sempre acompanhados por um silêncio repentino meu bisavô contava que às vezes dava para ouvir passos no cascalho mas ao olhar só havia o vazio uma noite um grupo decidiu que era besteira ficar com medo Eles resolveram acampar mais perto da área de construção achando que ficariam mais seguros em conjunto foi então que algo realmente estranho aconteceu no meio da madrugada enquanto Todos estavam sentados ao redor
da fogueira a Néa começou a se formar de forma muito rápida cobrindo a área meu bisavô jurava que ouv uma voz naquela névoa era baixa quase um sussurro mas carregava uma melodia que não era deste mundo ninguém se mexeu ele dizia mas eu sabia que não estávamos sozinhos não era só a névoa que assustava depois de uma dessas noites um dos trabalhadores desapareceu o homem chamado Elias era conhecido por ser corajoso mas naquela manhã não estava no acampamento alguns achavam que ele tinha simplesmente desistido do trabalho e ido embora sem avisar outros porém não tinham
tanta certeza dias depois encontraram as ferramentas de Elias perto de uma árvore no limite do canteiro de obras estavam limpas como se tivessem acabado de ser colocadas ali meu bisavô acreditava que isso era um sinal mas nunca soube o que significava enquanto esses eventos aconteciam os engenheiros tentavam manter a obra em andamento eles viam essas histórias como besteira mas meu bisavô achava que eles também sentiam o peso do lugar muitos evitavam ficar no topo do morro após o anoitecer e alguns até sugeriram aumentar a segurança no local foi nessa época que meu bisavô ouviu pela
primeira vez sobre a possível origem das marcas nas pedras ele dizia que nas semanas seguintes os trabalhadores começaram a Encontrar objetos enterrados peças de cerâmica e até algo que parecia ser um colar antigo esses objetos eram sempre retirados discretamente pelos Engenheiros e nunca mais vistos os engenheiros decidiram guardar a placa mas ela desapareceu misteriosamente alguns dias depois avô disse que depois desse evento o clima no canteiro de obras ficou ainda mais tenso era como se o lugar estivesse tentando dizer algo mas ninguém sabia exatamente o qu mesmo com os esforços para continuar o trabalho a
sensação de desconforto persistia à medida que a construção avançava os eventos estranhos se tornavam mais frequentes meu bisavô começou a perceber que que alguém se aproximava das áreas mais isoladas do canteiro os sussurros na névoa pareciam mais altos Ele contou que certa vez ouvi claramente uma palavra não sabia o significado mas tinha certeza de que era algo indígena naquela noite el não conseguiu dmir a cada rajada de vento parecia ouvir aquela mesma palavra novamente repetida como um aviso João estava mudado quem olhava para ele naquela manhã no Corcovado via um homem tenso os olhos Fundos
e atentos a cada sombra que o sol projetava na montanha não era só cansaço era medo algo que ele não sabia explicar tava ali presente no ar no chão em tudo ao redor E ele não era o único outros trabalhadores começaram a se queixar de sensações estranhas como calafrios repentinos dores de cabeça ou até pesadelos com a construção e as coisas só pioraram a estátua do Cristo começava a tomar forma as bases já estavam erguidas e a figura monumental que hoje é símbolo do Brasil já se tornava reconhecível mas conforme os dias passavam algo parecia
resistir ao avanço ferramentas desapareciam equipamentos quebravam sem explicação e havia um silêncio opressivo que parecia tomar conta de tudo quando o sol começava a se pôr João não conseguia esquecer o que tinha visto na noite anterior as marcas no chão descalças tão fundas que parecia que alguém tinha pisado com força em um solo mole mas o mais estranho era o padrão como se formassem um círculo ao redor do local onde João e os outros haviam encontrado aquela pedra misteriosa ele Ele não disse nada mas sentia que algo havia sido despertado na cidade os jornais começaram
a relatar eventos que pareciam pequenos mas causavam estranheza aumentos de furtos em bairros que antes era considerados Seguros e calmo para viver brigas acaloradas em lugares onde o pessoal costumava se reunir para jogar conversa fora era como se uma tensão invisível começasse a pairar sobre o Rio de Janeiro e sempre que João Lia aquelas notícias ele sentia que havia algo mais por trás daquilo tudo algo que começava lá no alto do Corcovado um dia durante o trabalho um dos Engenheiros subiu correndo gritando algo que fez todos pararem ele segurava um papel um esboço antigo que
havia sido enviado pelo arquiteto responsável pela obra mas o que chamou atenção não foi o desenho e sim o que estava no verso símbolos estranhos quase como gravuras que ninguém sabia o que significavam isso veio junto com o projeto Inicial disse o engenheiro nervoso mas não me lembro de ninguém ter falado sobre isso João que já estava assustado com as marcas e os pesadelos sentiu um arrepio percorrer sua espinha os símbolos pareciam familiares não que ele já tivesse visto algo assim mas era como se algo dentro dele soubesse que aquilo tinha um peso maior e
ele não estava sozinho outros trabalhadores ficaram em silêncio trocando olhares desconfiados como se de alguma forma todos soubessem que aquilo não era algo para ser ignorado O silêncio que pairava sobre o grupo parecia ainda mais pesado depois da descoberta dos símbolos João mal tinha dormido na noite anterior e não era o único os trabalhadores geralmente barulhentos e cheios de piadas estavam quietos naquela manhã parecia que todo mundo sentia que algo havia mudado mesmo que ninguém tivesse coragem de dizer em voz alta Foi então que o índio aquele que sempre se mantinha afastado resolveu falar ele
se aproximou de João com uma expressão tão séria que até os mais céticos ficaram atentos Eu já vi esses símbolos antes disse ele olhando para o chão como se as palavras fossem pesadas demais para serem ditas eles são marcas de proteção mas também podem ser marcas de aviso Depende de quem as colocou o grupo se reuniu ao redor dele criando um pequeno círculo de olhares desconfiados e Curiosos por você nunca falou disso antes perguntou um dos trabalhadores o índio suspirou profundamente como se carregasse o peso de séculos de História porque há coisas que é melhor
deixar quietas mas agora Agora vocês mexeram com algo que não pode ser ignorado Ele contou que aquele morro era sagrado pros povos indígenas antes de ser tomado era um local de conexão espiritual onde nossos antepassados vinham para honrar a terra e os espíritos quando fomos expulsos o que estava aqui não foi destruído só ficou quieto até agora as palavras dele causaram uma mistura de reações alguns trabalhadores riram dizend era apenas história antiga outros ficaram inquietos como João que sentia o peso de tudo aquilo como uma pedra no peito mas o que veio a seguir foi
o que realmente dividiu o grupo eu sei como podemos tentar desfazer isso disse o índio olhando diretamente para João podemos realizar um ritual Não prometo que vai funcionar mas é a única chance que temos de tentar acalmar o que foi despertado a sugestão gerou um burburinho imediato alguns trabalhadores começaram a discutir dizendo que aquilo era bobagem que não deveriam perder tempo com suti outros no entanto comearam a ponderar João foi um dos primeiros a se manifestar E se ele es certo a gente já viu coisas que não dá para explicar e Se isso for nossa
única chance depois de muita discussão decidiram fazer uma votação não foi fácil mas a maioria concordou eles fariam um ritual naquela mesma noite o vento estava muito calmo algo incomum para aquele horário no Corcovado o silêncio era quase ensurdecedor e cada som parecia amplificado o índio pediu que todos se mantivessem em silêncio absoluto enquanto Ele começava a entoar cânticos na língua ancestral de seu povo a princípio tudo parecia calmo mas conforme o ritual avançava o vento começou a soprar calmo no início do ritual mas logo se transformou em rajadas que pareciam cortar o ar as
sombras das Árvores dançavam ao redor do grupo projetadas Pela Luz trêmula das tochas que haviam levado João sentiu um arrepio correr pela espinha quando ouviu um som que parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo era como um estalo alto e seco que fez todos congelarem o índio continuou mas sua voz parecia menos firme não parem de olhar para mim ele disse em um tom tão baixo que quase foi engolido pelo som do vento mas ninguém entendeu por João olhou para o lado e por um breve instante achou ter visto algo entre as árvores
pequenas figuras silhuetas que pareciam humanas não totalmente ele piscou e elas desapareceram deve ser coisa da minha cabeça pensou mas o desconforto permaneceu quando o ritual terminou o índio caiu de joelhos exausto e suando muito ele disse acabou ele parecia um pouco mais aliviado eu tava na dúvida ainda não sei talvez não trouxe aquela sensação toda que eu esperava de alívio era um silêncio de espera como se algo estivesse prestes a acontecer nos dias seguintes o canteiro parecia mais tranquilo as ferramentas pararam de desaparecer e os trabalhadores começaram a acreditar que o ritual tinha funcionado
acho que conseguimos disse um deles com um sorriso aliviado houve até uma pequena comemoração com risos e piadas voltando a encher o ambiente mas o alívio Não durou muito como diz o ditado que R por último e melhor na cidade asis comearam a mudar pequenos relatos de brigam nos jis alguns sequestros comearam a acontecer que nunca tin acontecio nessa magnitude comeou a acontecer em vários bairros que era considerados antes calmos e seguros era como se o caos estivesse descendo lentamente do Morro para as ruas do Rio de Janeiro João ao ler essas notícias não conseguia
evitar a sensação de que o ritual não só tinha falhado mas talvez tivesse piorado as coisas ele não comentou com ninguém mas a dúvida continuava martelando em sua mente Será que a gente fez a coisa certa ou será que só gravamos tudo João não era de acreditar facilmente em coisas sobrenaturais para ele a vida sempre foi prática trabalho suor e resultado mas desde o ritual na noite passada ele não conseguia ignorar o peso no ar não era apenas a sensação estranha no canteiro de obras era algo maior algo que parecia descer do Corcovado e se
espalhar pela cidade logo pela manhã alguns trabalhadores começaram a comemorar deu certo tá tudo tranquilo disse um deles rendo nervoso outros porém permaneciam calados como se esperassem Algo pior o próprio João não sabia o que sentir ele tentava racionalizar mas lembrava do vento gelado das sombras entre as árvores e principalmente da voz do índio ao final do ritual acabou mas será que tinha acabado mesmo João não conseguia tirar isso da cabeça enquanto o trabalho continuava no coro covado algo parecia mudar no Rio de Janeiro no começo eram coisas pequenas relatos de brigas entre desconhecidos em
Pontos movimentados Furtos estranhos em lugares como Copacabana e até rumores de pessoas desaparecendo em bairros do centro os jornais começaram a comentar o clima de tensão a cidade está mais inquieta dizia uma manchete conflitos em alta população preocupada Para muitos é era apenas coincidência resultado da rotina caótica de uma cidade grande mas João não via as coisas assim ele notava que esses eventos pareciam crescer dia após dia sempre mais próximos do Morro do Corcovado no canteiro de obras a situação não era muito diferente os trabalhadores começaram a olhar de lado para o índio que agora
ficava mais isolado do que nunca Ele trouxe isso pra gente sussurrou um dos homens essas coisas começaram depois do ritual outro retrucava Mas foi ele que tentou ajudar lembra e se tivesse piorado mais sem ajuda dele outro falou não dá para ter certeza se a intenção dele foi ajudar Ou prejudicar João tentava intervir mas sentia que o medo estava enraizado ele mesmo não sabia o que pensar por um lado o ritual Parecia ter trazido uma resposta Mas por outro as consequências estavam se espalhando de forma assustadora certa tarde enquanto trabalhava perto das Fundações da estátua
jo notou algo estranho no chão eram marcas que não estavam ali antes não pareciam pegadas mas também não eram naturais elas formavam um círculo quase perfeito como aquelas que ele tinha visto na noite do ritual só que dessa vez havia mais detalhes ap O que é isso agora quando mostrou as marcas aos outros ninguém soube explicar o índio que estava por perto apenas Balançou a cabeça vocês mexeram com algo que não entendem disse ele quase em um Susu isso não para aqui nos dias seguintes o clima no Rio piorou roubos aumentaram em mercados da Lapa
grupos comearam a causarão Panema e até mesmo o bondinho do Pão de Açúcar foi alvo de um ataque inesperado era como se a cidade estivesse sendo dominada por uma energia que ninguém conseguia controlar em um fim de tarde Enquanto o Sol tingia o céu com tons de vermelho João encontrou algo próximo ao local do ritual uma pedra diferente com inscrições que pareciam recém entalhadas ele chamou índio que se aproximou lentamente olhar carregado de preocupação isso é um aviso disse o índio segurando a pedra com cuidado alguém ou algo quer que vocês saibam que isso não
acabou e não vai acabar nunca todos vocês vão pagar caro por ter violado aquelas terras não só vocês que estão trabalhando aqui todos vocês que vivem por aqui e por ali nos dias que seguiram ao ritual que a se segurar o Rio de Janeiro com sua energia vibrante e caótica agora parecia ser consumido por algo que ninguém podia ver mas que todos podiam sentir as ruas estavam mais tensas como se o ar tivesse mais pesado as pessoas andavam apressadas olhando para os lados com desconfiança pequenos crimes antes limitados a certos bairros começaram a se espalhar
de repente era como se ninguém estivesse Seguro nem mesmo nos lugares mais protegidos João tentava seguir sua vida mas as lembranças daquela noite no Corcovado não o deixavam em paz ele Lia os jornais agora cheios de manchetes que falavam sobre um aumento inexplicável de roubos brigas e desaparecimentos não era apenas uma coincidência ele sabia disso ele sentia isso algo havia mudado e não era para melhor é como se a cidade estivesse viva mas de um jeito ruim ele disse uma vez em voz baixa enquanto olhava para as manchetes sobre assaltos em Copacabana e tumultos na
Lapa o que era antes apenas tensão agora parecia ser o começo de um colapso João começou a conectar os pontos ele lembrava das palavras do índio algumas coisas não podem ser desfeitas Talvez o ritual não tivesse sido o fim do problema mas o começo de algo muito maior o peso da maldição não estava mais restrito ao topo do Corcovado Parecia ter descido e tomado a cidade inteira Será que o que fizemos só espalhou isso ainda mais ou foi culpa de termos tomado terra que não era nós ele pensava observando uma briga em um mercado próximo
de sua casa era como se a maldição tivesse sim filtrado em cada esquina em cada canto que desse brecha em cada pessoa que abria portas para isso a violência a desconfiança tudo parecia ser parte de algo que estava crescendo ficando cada vez mais forte João voltou ao Corcovado uma última vez ele precisava ver com os próprios olhos o que havia sido Deixado para trás ao chegar ao topo a cidade estava lá embaixo como sempre com suas luzes piscando no escuro da noite mas algo parecia diferente as luzes tremel luziam como se tivessem mais fracas como
se a cidade respirasse em agonia a estátua do Cristo Redentor agora completa olhava para baixo mas não transmitia paz para João parecia mais um olhar de advertência naquele dia ele desceu o Corcovado com a certeza de que algo maior havia sido despertado ele guardou tudo para si por anos carregando o peso desse segredo mas no leito de morte finalmente quebrou o silêncio nós tentamos eu juro eu tentei desfazer o que fizemos lá em cima mas não adiantou aquilo que foi ferido nunca vai cicatrizar ele disse a minha avó e o pior é que não ficou
só lá eu vejo isso em tudo no que essa cidade se tornou é como se algo maior tivesse tomado conta décadas depois é impossível não pensar naquelas palavras o Rio de Janeiro de hoje com suas ruas tomadas pela violência a desigualdade o caos constante parece mais uma extensão daquela ferida do que um simples reflexo de tempos difíceis E se o que começou lá no alto do Corcovado ainda está vivo alimentando esse ciclo de destruição E isso não para por aqui quando penso no Brasil de 20224 no que o país vive me pergunto será que essa
maldição também se espalhou para além da cidade um país que nunca encontrou paz que vive num caos constante será que isso também não é parte do que foi despertado naquela montanha Afinal uma cidade construída sobre uma ferida jamais cicatrizada pode encontrar redenção e o que dizer de um país que carrega as mesmas marcas talvez nunca saberemos ou talvez já tenhamos a resposta