Zé, a gente não veio aqui à toa, cara. Você não tá entendendo nada, bruão. Quem não tá entendendo é você, Zé Mula.
Você tá querendo me vender um prédio, me enfiar um prédio, goela baixo. Mas a gente tinha combinado uma parceria. Você é um excelente construtor.
A gente trabalha com acabamento. Isso. Isso tem um nome é fusão ou merger?
Merger. Merger. Merder.
Não, não, não, não. Para tudo. Para tudo.
Que que é isso? Quando vocês começam a falar essas coisas difícil aí, dá merja entre a gente, viu? Ó, eu não manjo nada história de merja.
Eu eu parei na oitava série. Ô ô ô burrão, você sabe alguma coisa aí de merger? Não, não.
Merger não é comigo, eu parei na quinta. É justamente por isso que eu trouxe a minha engenheira Sara. Car, tá com a gente faz um tempão.
Essa menina manja tudo de cálculo, cara. Modéstia parte. Eu gostaria de apresentar para senhores.
Olha, modéstia parte, queridinha. Você deve entender muito de engenharia, mas tá vendo aquele prédio ali? Eu construí ele sem arquiteto, sem engenheiro, sem advogado, sem merger nenhum.
E tudo saiu daqui, ó, do tutano desse tiozinho que parou na oitava série. Tá legal, cara? Mas eu te indiquei o o André, um excelente engenheiro.
Você contratou? Tá contratado, rapaz. Tá trabalhando com a gente, você não sabe?
O o rapaz trabalhando assim é uma maravilha. É mesmo. E tá na função de dinheiro.
Não, imagina. Ele tá num cargo muito mais altura que o diploma dele. E e que que ele faz?
Olha, o responsável pela logística, distribuição e temperatura da xícara. Da da xícara. É cafezinho, senhores.
Opa, eu não acredito. Pô, André, que legal, cara, que você tá contratado pelo Zé Mula. Cara, esse é um excelente engenheiro.
Que é isso? Ficar dando abraço aí, carinho em subalterno. Para com isso.
Vamos focar no nosso trabalho, rapaz. Calma aí, Zé. Não é subalterno.
Esse cara é um colaborador. Que mano? né?
Colaborador. Se fosse o oposto, você acha que ele ia ficar te dando abracinho? Ainda mais que você ficou só na quinta série?
É claro que não, meu. Zé, arrogância não tem nada a ver com escolaridade. Ah, claro que tem.
A vida é assim, quem pode mais chora menos. Não, quem pode mais grita mais. Esse café tá fraco, tá frio, tá uma porcaria.
Desculpa, seu Zé Mula, eu não tenho essa competência toda, né? Minha especialidade são cálculos numéricos. Essa questão da fervura da água ideal pra fusão do café é uma questão mais de física.
Sim. Não, fica tranquilo. Porque para mim esse café, hum, ele é N não não esquece o café.
Vamos focar que a gente tá aqui com dois engenheiros e a gente pode somar. É, você fala três línguas, né? Então, olha, olha o que que você achou daquela parte do projeto que fala, desculpa, é pegadinha.
[risadas] Essa mulher não sabe meer nenhum. Mulher no volante, perigo constante. [risadas] Zé, numa boa, cara.
Respeito aqui. Vamos, vamos focar na parceria. Para mim tá fechado.
Você compra o prédio, a gente tem a parceria. Só nos só que coisa linda. Não, não, Zé, Zé.
Pera, pera um pouquinho. Olha só que maravilha. Eu construí tudo isso sozinho, eu e a minha equipe.
Então, Zé Mula, mas você construi um prédio de 10 andares sem cálculo nenhum de engenheiro. Ah, que mane engenheiro. Eu tenho essa competência toda, rapaz.
Mas eu não, justamente por isso que eu trouxe a Sara, né, Sara? Se Isso, a gente identificou um problema na estrutura. Na estrutura?
Mas onde? É, pelo que ela falou, na fundação, né? Que fundação?
Que seu Jeg? Jeg? Ele é burro.
Burro. Não, burrão. Burrão sou eu.
Eu sou mula. E eu sou Jeg. E você tá demitido.
Não, não, não, Zé. Calma. Não precisa demitir, cara.
Deixa o orgulho de lado. Desculpa, cara. Não, não, não vou escutar mais nada.
Não vou escutar mais nada. Eu vou fazer o seguinte, eu vou contar até cinco. E se você não fechar esse negócio comigo, você nunca mais vai ver a minha cara.
Um, dois, três. Cal, não falei. 30% de desconto.
50% não se fala mais isso. Mulher no volante. Eh, Zé, eu acho que a nossa parceria vai ter que esperar mais um pouco.
Não, burrão, por favor, não, não faz isso comigo. Você precisa me ajudar. Eu investi a maior grana nesse negócio.
Se eu não vender esse edifício, eu tô ferrado. Nós vamos fazer o seguinte, Zé. Eu vou ficar com terreno.
Eu vou te liberar um capital, você recontrata o André, só que agora como engenheiro. E aí vocês vão reerguer esse prédio junto e a nossa parceria começa do zero. Muito obrigado, hein, Fernando.
Não, Fernando não. É burrão. Burrão.
É melhor a gente ver o estrago mais de perto, tá? Tá. Ela que manda aqui esses cara.
Ô, me desculpe, viu? É que essa coisa do ser humano, poder, tudo meio tá tranquilo. Eu sei exatamente o que você tá passando, já aconteceu comigo, mas eu aprendi, né?
Então, bora trabalhar? Bora. Ah, primeiro a gente vai quintuplicar o meu salário, me dar um carro com motorista, uma plaquinha escrito doutor engenheiro André Ventura na minha própria sala, senão eu vou queimar você com ele que você não faz negócio nenhum com burrão.
É pegar ou largar. Tá bom. Claro, Zé, você me desculpe a urgência, mas eu tenho que ser muito sincero com você.
O meu pessoal do jurídico analisou a obra, vai ficar embargada por uns 10 anos. A gente tem que rever a parceria. Não, não, não, não acredito.
Não, não, não. Mas eu vou dar um jeito de te ajudar. Você tem o ramo de restaurante, não é?
Então a gente vai dar um upgrade nesse lugar. Desculpa, mas e a construção civil? O cara vai ter que ficar estacionado por um tempo.
Dá um mais um cafezinho, senhores. Ah, queridão, aceito, sim. O meu é sem açúcar, daquele jeitinho que você faz.
O meu amargo também. OK. Você vai ver se rapaz leva muito jeito pra gastronomia.
É, mas o café é meio frio, né?