Você já tem a sua Bíblia aberta no livro de Obadias. Eu vou chamar a sua atenção para dois versos. Nós vamos começar por ele.
Ele tem a alma daquilo que nós vamos explorar na manhã de hoje. Versos 11 e 12 do livro de Obadias. Na minha versão leio assim: "No dia em que você ficou por perto, quando estrangeiros roubaram os bens dele e estranhos entraram por suas portas e lançaram sorte sobre Jerusalém, você fez exatamente como eles.
" Você não deveria ter olhado com satisfação o dia da desgraça do seu irmão, nem ter se alegrado com a destruição do povo de Judá. Não deveria ter falado com arrogância no dia da aflição dele. Olhe para mim.
Nós estamos no sexto episódio de uma série e talvez alguns de nós precisamos de alguma contextualização. Nós nos propomos há alguns meses atrás a tentar entender um pouquinho um bloco da escritura, que é o bloco dos profetas menores. É um conjunto de 12 profetas pouco badalados que ocupam a última parte do Antigo Testamento.
Eles são agrupados e são chamados assim, eh, não porque sua relevância é pequena, mas porque parte do seu conteúdo, em termos proporcionais a outros profetas, é um conteúdo menor, menos extenso. Mas já temos visto nos episódios anteriores que é um conteúdo muito relevante e eles não apenas tratam de questões milenares. Nós não estamos apenas lidando com questões muito antigas de um povo que falava um outro idioma que o nosso, que tinha uma outra cultura que a nossa, que habitava num lugar diferente do nosso.
Mas nós estamos entendendo que o conteúdo dos profetas menores tem aplicações globais, tem aplicações, tem princípios que afetam os negócios da nossa vida. Mesmo nós vivendo no ocidente, mais de 2500 anos depois, falando um outro idioma, vestindo um outro tipo de roupa, comendo um outro tipo de comida, existem princípios ali estabelecidos que afetam a conduta daqueles que servem a Deus, o único Deus verdadeiro. Temos visto nesta série que existe uma chave de interpretação que vai decodificar o conteúdo de todos estes profetas.
E a chave é a aliança, um conserto, um contrato que Deus fez com Israel. Poderia ter sido uma outra nação, poderia que não Israel, poderia, mas Deus precisava e na sua sabedoria, Deus que se revela no fluxo da história, Deus precisou revelar seus propósitos à humanidade e precisou escolher alguém. Quando Deus escolhe alguém, ele escolhe alguém que não tinha estatura, que não tinha relevância.
Na realidade, Deus escolhe uma pessoa no meio de uma geração completamente contaminada pelo paganismo, mas que preservava a ideia original de que havia apenas um único Deus verdadeiro, de que nós não deveríamos nos prostrar a pau, pedra, metal, de que nós não deveríamos prestar reverência aos astros, ao sol, à lua, às estrelas. Este alguém preserva a verdade desde o Éden, é fiel, mesmo quando sua casa já tá contaminada. Deus olha para essa pessoa e diz o seguinte: "Escuta, eu preciso me revelar.
Quero usar você. Em você vou abençoar todas as nações da terra. A partir de sua descendência, eu vou te dar filhos e vou colocar você para habitar num lugar e vou abençoar você grandemente, se você for fiel a mim, você e sua descendência".
Foi assim que começou o lance da aliança. Deus escolhe Abraão não porque Deus não gostava dos outros. Deus escolhe Abraão porque ele queria abençoar todos os outros.
Então ele tinha que se revelar através de alguém. Só que a descendência de Abraão, que vem de uma maneira extraordinária, porque a mulher não podia ter filho. Depois o filho dele, a mulher, a a a nora, a nora dele também não podia ter filho.
Depois as as mulheres dos netos dele também não podiam ter filho. Então Deus vai dando condição dessas pessoas terem filhos. E uma grande nação se forma a partir do nada.
E Deus vai se revelando. Problema é que nesses séculos de história dos descendentes de Abraão, eles são a o que que mais marca a história deles é mais a desobediência, a apostasia, a rebeldia do que a fidelidade. Essa é a grande ironia.
E não nos enganemos. Talvez se nós estivéssemos lá atrás, nós teríamos até nos comportado pior do que eles. Porque com toda a luz que a gente tem, com toda a revelação que a gente tem, a gente hoje continua fazendo tão ruim quanto eles.
Porque essa é a marca do ser humano. O ser humano tá contaminado, tá estragado. Nós estamos na carne já completamente comprometidos.
A nossa inclinação sempre é para aquilo que não presta. Então, quando a gente consegue fazer alguma coisinha que que presta, é pela graça de Deus. E aqueles que se deixaram usar ao longo da história pela graça de Deus e foram fiéis, Deus conseguiu aos trancos e barrancos se revelar.
O que que acontece com os profetas? Os profetas eles entram no cenário da história porque as cláusulas do contrato foram quebradas. Então o que um profeta faz?
Esses profetas estão dizendo: "Ei, temos um acordo. Ei, temos um contrato. " E aqui tá dizendo que se o contrato, se essa cláusula fosse violada, Deus ia acionar as cláusulas aqui.
E Deus, em sua misericórdia diz: "Olha, se quebrar o contrato, eu vou eu vou punir vocês". Só que essa punição de Deus, ela é progressiva. Deus não descarrega tudo de uma vez.
Deus não despeja de uma vez, certo? Deus não desapropria, Deus não machuca. Então isso vem de maneira progressiva.
O que a gente vê ao longo do Antigo Testamento é um povo se corrompendo, se degenerando cada vez mais e cláusulas mais complexas do contrato sendo acionadas até a destruição final. E enfim, né? São coisas que ao longo da série a gente está vendo.
Hoje a gente entra dentro de um profeta que é o profeta Obadias. Porém, o profeta Obadias, ele quebra um pouquinho esse fluxo e essa lógica dos outros profetas. E nós vamos entender porquê.
E aí, refletindo um pouquinho sobre talvez a mensagem central do livro de Obadias, eu me lembrei de um episódio de uma história. Eu devia ter talvez 11, 12, no máximo 13 anos de idade, mas eu posso imaginar que 11, 12 anos de idade. Nós moramos num apartamento durante mais de 30 anos.
Meus pais e os filhos moraram nesse mesmo endereço e eles saíram de casa no dia que foram casar. Minha irmã aos 19, meu irmão aos 27. Eu saí um pouquinho num contexto um pouco diferente, porque eu fui saí de Santa Catarina para São Paulo para estudar no NASP, para ir pro seminário de teologia, me preparar para ser um pastor.
Então, dos três filhos, eu fui o único que não saí no dia do casamento. Eles saíram no dia do casamento. Era um apartamento apertado e havia quatro eh unidades por andar.
E nós moramos nessa nesse prédio, no no piso térrio. Havia uma vizinha de janela, amiga da minha mãe. Elas se conversavam ali quando estavam lavando roupa na cozinha e tal.
E e gente, tudo que acontecia no outro apartamento a gente sabia do lado de cá. O que acontecia do lado de cá a gente ele sabia do lado de lá. Era um negócio assim, né?
Então todo mundo ali era um negócio que, né? Você sabe como é que funciona. Privacidade zero, né?
E uma vez essa vizinha deu com a língua nos dentes e me dedurou pra minha mãe. Ela me entregou pra minha mãe. Ela presenciou uma cena.
Eh, na minha rua onde eu morava viviam havia vários desses prédios. Cada prédio com cinco andares, 20 apartamentos cada edifício desse. Só que havia vários edifícios.
Se eu fosse dizer aqui para você, eu diria que tinha sete ou oito desses apartamentos. Então, e tinha um campinho de que a gente jogava futebol eh na frente do meu prédio, assim, um pouquinho mais pro lado. Ali crescemos, ali jogamos os meus dias e a minha vida girava em torno daquele campinho.
Eu passava aspirador na casa, lia os livros, fazia lição, fazia o ano bíblico, tinha uma lista de coisas que eu tinha que fazer para poder sair de casa para jogar bola. Se eu começasse tarde a minha lista, era complicava, porque quando eu saía para jogar bola, já tava todo mundo quase voltando para casa para tomar banho, pro almoço para ir pra escola à tarde. Então eu tinha que, né, né, e não tinha como.
A minha mãe, ela jogava, ela fazia uma série de barreiras para eu não sair para jogar bola. Então, quando eu conseguia dar conta da lista, eu ia jogar bola. E numa dessas vezes, era num período e acho que de férias, que havia um fenômeno.
Havia parentes dos pessoal dos prédios ali, que nas férias vinham, né, às vezes na casa de uma avó, de um primo, de um tio e tal. E numa dessas férias me aparece o primo de alguém que vai ali e passar umas semanas ali e de alguma maneira o santo não bateu nem o dele com meu, o meu com o dele, não é? E houve um entrevero, houve um desentendimento.
Eu vou dizer a você, eu sempre fui um dos menores da turma, um dos mais novos. A força física não é uma marca, né, como você pode ver. Então, porém, mesmo faltando força física, o que nunca me faltou foi o tal do ímpeto, da coragem.
E eu queria dizer para você, se eu tivesse vindo um pouquinho menos audacioso, teria sido melhor. Eu teria inventado vários problemas. O rapaz em questão era mais forte, maior do que eu, mais velho.
E ele foi impiedoso e houve um desses momentos em que fomos às vias de fato e não tinha a mínima chance de eu prevalecer. A mínima chance. Você lembra?
Você lembra aquele, você lembra aquela descrição daquela briga dos animais no capítulo oito e não prevaleceu contra ele? Era aí? Pois é.
Só que o que esse outro camarada não sabia é que eu tinha um amigo muito leal chamado Charles. Vou mandar o link para ele depois. Assiste isso aqui, cara.
Falei de você no sermão. E esse meu amigo, eu nem me lembro da minha vida sem ele, da minha infância, da minha juventude. Eu não me lembro.
Todas as minhas memórias mais antigas, todas as minhas, o Charles está ali ou ele na minha casa ou eu na dele, sua família, sua mãe, seu pai. Então, e no meio dessa confusão toda, percebendo a minha desvantagem, ah, ele não deixou barato ele. E eu me lembro uma coisa, ele disse assim, ó: "Tu não vai bater no meu amigo".
Eu me lembro dessa frase: "Tu não vai bater no meu amigo". E o Charles foi para cima dele e resolveu a questão. E quando eu lembro disso e eu abro esse sorriso, quando eu lembro dessa história e abre esse sorriso, é um indício de que Deus ainda precisa fazer alguma coisa no meu coração, porque eu tenho uma certa satisfação quando eu lembro que o outro tomou uns tabéf.
O problema é que a vizinha viu, rapaz, e contou pra minha mãe, né? E aí eu não sei o que foi pior, tomar os primeiros tab do rapaz ou a minha mãe, né? Tipo, me cobrar ali o o, né?
Que o testemunho que eu tava dando na rua. Ô Deus amado, quanta vergonha eu sinto de algumas coisas. O que que isso tem a ver com Obadias?
Vamos tentar descobrir o grande problema de Obadias. O grande problema de Obadias é uma situação envolvendo alguém que estava sob ataque e um outro que não saiu para defender ou agiu com indiferença e com certo grau de satisfação. Há momentos que a maldade ela não vem como um ataque direto, ela vai se manifestar como indiferença.
Porque a gente sabe que nem sempre o que machuca é uma agressão direta, mas pode ser a ausência de uma resposta, de uma reação de alguém que você acha que podia confiar ou que podia te ajudar e a pessoa decide não fazer nada. O que Obadias está tentando fazer nesses 21 versos do seu livro é levar a gente exatamente para esse lugar. Um povo que sofre e um outro povo que apenas observa.
E Obadias vai nos revelar como é que Deus interpreta o silêncio de quem deveria ter feito alguma coisa. Então vamos ao contexto. Jeremias é um dos contemporâneos de Obadias.
Jeremias é o famoso profeta Jeremias. Talvez tenha sido de todos os profetas o que tenha o registro mais amplo, mais detalhado sobre a queda de Jerusalém. No capítulo 39 do livro de Jeremias, ele dá as referências.
Noo ano do rei Zedequias, veio Nabuco Nozor, cercou Jerusalém e a cidade foi tomada. Isso foi no ano 586 antes de Cristo. No capítulo 52 de Jeremias, ele diz que nessa invasão, Nabuco Donozor, ele queima a casa do Senhor.
Todo o exército de Nabuco Donzor derruba todos os muros de Jerusalém. Foi uma coisa horrorosa, o ataque, a devastação. Isso é o que Jeremias fala.
Então, a cidade foi invadida, os muros foram rompidos, o povo foi levado e essa primeira invasão, como eu disse, 586. Houveram três invasões, né? A a última mais terrível delas.
E o cenário ele é descrito aqui por por Jeremias. Zerequias é o rei, Nabuco Donzour é o invasor. O povo é levado paraa Babilônia.
Mas o interessante é que Obadias ele não vai olhar primeiro para o povo invasor. Obadias. O assunto de Obadias não é a violência de Nabuco Donozor e do seu exército.
O assunto de Obadias, diferente, por exemplo, de Abacu, que também vai tratar desse assunto. O assunto de Obadias é Edom, uma nação vizinha de Israel. E aqui tá o ponto importante pra construção da mensagem, do episódio dessa nossa série.
Porque vários profetas, eles vêm a mesma cena. Jeremias enxerga o juízo. Jeremias chora pela destruição.
Jeremias profetiza sobre a restauração. Abacuk vai questionar a justiça de Deus. Quando a gente for ver o profeta Abacuku, que a gente vai sentir isso diante da aproximação da Babilônia.
Daniel, por exemplo, vive as consequências dentro do exílio, vai revelar de dentro a soberania de Deus. Mas Obadias não vai tratar de Nabuco Donzor e nem tampouco da destruição em si. Obadias vai observar quem teve ao lado da invasão, mas que não fez nada, teve uma postura inadequada.
É a mesma crise, vários profetas, só que cada um tá explorando um ponto de observação diferente. E a pergunta de hoje é: porque Obadias é relevante para nós, Igreja Brasileira de Dallas, depois de tanto tempo? Como nós lemos no verso 11, no início do da da nossa reflexão, Obadias revela que Edom esteve presente quando estranhos levaram os bens de Jerusalém.
Mas Obadias diz que Edom inclusive se tornou um deles. A crise não apenas trouxe destruição, a crise revelou algo. Porque crises são reveladoras.
Olhe para mim aqui, meus irmãos. Chutar quem já tá caído, chutar quem já tá no chão, dizer bem feito, bem feito diante da desgraça alheia é um sinal grave de que alguma coisa não tá certo com o nosso coração. Eu quero que você me ouça aqui.
A humanidade não tá dividida entre brancos e pretos, ricos e pobres. A humanidade não tá dividida em Ocidente, oriente. A humanidade tá dividida entre salvos e perdidos.
E os salvos têm uma característica, chama-se bondade, compaixão. Se você não tem desenvolvido bondade no seu coração e se a dor alheia de certa maneira traz algum grau de satisfação para você, eu vou dizer, existe um sinal de alerta que se acendeu aí. E o livro de Obadias vai tratar exatamente disso.
Alguém que olha e diz assim, ó, bem feito. Tem um paralelo nas escrituras bem desconfortável. Você deve lembrar os amigos de Jó, lembra deles?
No capítulo 2 do livro de Jó, depois do segundo round ali de pancadaria, quando Jó perde tudo e depois fica doente e tem a morte e a vida dele vira do avesso do dia pra noite, literalmente. Você vê os amigos de Jó, três deles, depois vem um quarto lá que Deus depois até até ignora ele, mas vem esses três amigos dele e ali no no verso 11, 12, 13 diz que esses amigos eles eles chegaram ali, se assentaram com Jó no chão, calados, não falaram nada, mas apenas para demonstrar empatia. Então eles ficaram ali, demonstraram através da sua presença, do seu silêncio, eles demonstraram respeito por Jó.
Mas depois de alguns dias, essa lógica que eles vão desenvolver ao longo do livro de Jó, ela substitui a compaixão inicial. E aí nos discursos você começa a perceber alguma coisa. No capítulo 4ro, por exemplo, alguns dele perguntam de maneira retórica: "Algum inocente já pereceu?
" Em outras palavras, você deve ter feito alguma coisa para isso ter acontecido com você. No capítulo 8ito, um outro, num outro discurso diz assim: "Se você for puro, Deus vai despertar em teu favor". Então eles deixam de sofrer com Jó e agora passam a explicar ou tentar explicar o que tá acontecendo com Jó.
Mas a gente não deve se esquecer de uma coisa. Lá no capítulo no 42, quando Deus se manifesta no 38, 39, no 42, Deus olha para esses três amigos de Jó e fala o seguinte: "Vocês não falaram nada de certo a meu respeito, nada. " Ou seja, o discurso era lógico, mas em vez de demonstrar compaixão por quem estava caído, eles acabaram acrescentando uma dor a Jó, tentando encontrar uma lógica naquele sofrimento.
Edom, vizinho de Israel, não levantou uma espada. Edom não liderou o ataque. Edom não arquitetou a invasão a Jerusalém, mas Edom participou.
O que o Obadias está reclamando com Edom é uma participação. E como que eles participaram? Nos versos 12 e 13, você não deveria ter olhado com prazer para o dia do teu irmão, nem ter lançado mãos aos seus bens.
Tem três coisas nos versos 12 e 13. Primeiro, eles observaram a invasão sem intervir. Eles não se levantaram.
Eles não demonstraram nenhum tipo de ajuda para impedir aquela bagaceira que estava acontecendo em Jerusalém. Segundo, eles se alegraram com a queda de Jerusalém. Terceiro, eles se aproveitaram da vulnerabilidade depois do estrago que Nabuco Donozor causou dentro da cidade.
Você vê uma indiferença que vai escalonando. Primeiro eles vêm e não agem. Depois eles ficam endurecidos.
Eles deixam de sentir a dor do outro. Há uma falta de empatia, um sadismo carnal, como se concordassem com aquilo que se estava fazendo. E a Bíblia vai falar sobre isso, viu?
Salomão diz lá no capítulo 17 do livro de Provérbios, ele diz assim, ó: "O que se alegra da calamidade do outro não ficará impuno". Então olha aqui para mim, meu irmão. Deixa eu falar um negócio aqui para você.
Muito sério. Esse negócio de a gente ficar feliz quando o outro se dá mal. O livro de Obadias está dizendo que Deus ficou chateado.
Só que olha só, responde para mim. Quem permitiu que Nabuco Donzor chegasse no território e invadisse Jerusalém? Responde para mim.
Quem permitiu? Há momentos em que o próprio Deus diz assim: "Ó, eu estou conduzindo os caldeus para irem lá para julgar o meu povo. " Então, a minha pergunta, Deus tá envolvido nessa invasão ou não tá?
Só que apesar de Deus estar permitindo que o seu povo seja punido, porque o contrato foi quebrado, quando alguém olha pro sofrimento do outro com certo grau de satisfação, o que que Deus tá dizendo através do profeta Obadias? Você não pode fazer isso. Eles mereciam?
A gente acha que sim. Eles tinham que tomar abordoada. A gente crê que sim, mas a satisfação de ver o outro sofrendo aos olhos de Deus, ela é condenável.
Porque mesmo quando Deus pune o ímpio, quando Deus castiga o transgressor, o que que a Bíblia diz? Tenho eu prazer na morte do ímpio? Não.
Antes eu quero que ele o quê? Se converta. Então, meu irmão, se você quer ostentar esse negócio de ser chamado de cristão, olhe para mim que eu estou falando sério para vocês.
Vocês sabe que quando vocês vêm à igreja num sábado, vocês vão perdendo cada vez mais a inocência, né? Vocês sabe que é um risco vir pra igreja, não é? É um risco vir pra igreja, porque agora é o seguinte, nós não somos mais ignorantes, não.
Tem gente que anda tomando as borddoadas e merece, tem. Mas o que que a Bíblia tá ensinando pra gente? Não nutra satisfação no seu coração quando alguém é punido e está sofrendo.
É o que o livro de Obadias tá tentando dizer pra gente. Isso é sério. Nós precisamos desenvolver em nós as características.
Nós precisamos ter recuperado em nós a imagem de Deus na nossa vida que foi perdida pela queda. E parte disso é a gente desenvolver uma compaixão pelo sofrimento dos outros. mesmo que quem está sofrendo merece as consequências das suas ações.
Nós não deveríamos nutrir nenhum grau de satisfação diante da dor e do sofrimento do outro. E diante disso, eu não sei você, mas a única coisa que eu sinto no meu coração é assim, ó: Misericórdia, porque eu não vou te enganar. Não são raras às vezes quando eu vejo algumas coisas que eu olho e digo assim, ó, bem feito.
Talvez o nosso senso de justiça, talvez a nossa vontade de que as coisas saiam certo possam nos trair nessa questão. Nós não estamos aqui dizendo que as pessoas não precisam de uma resposta diante de suas maldades, diante de suas transgressões, diante de suas injustiças. Nós não estamos aqui defendendo isso.
Não, não, não, não. O que o livro do profeta Obadias está dizendo é o seguinte: não se alegre com o sofrimento do outro, mesmo quando o outro merece. Merece.
Puxa vida, gente, isso aqui é certa gente em cheio. O Badias tá deixando claro que na visão de Deus não é apenas o que se faz que tá errado, é o que se permite, é a omissão, é o fazer de conta que não é com a gente. Talvez alguns de nós precisamos lembrar quem é Edom.
Quem é Edom? Gênesis 36:8 diz: "E Esaú é Edom". Edom é um outro nome para Esaú.
Então, do que se está se tratando aqui não é apenas de um vizinho territorial. O que está se tratando aqui são os descendentes de Jacó e os descendentes de Isaú. E Esaú, os descendentes de Esaú, esse povo, os edomitas, Edom, que o profeta Obia está dizendo é que os parentes são tudo filho de Abraão, gente.
São tudo filho descendente de Isaque. Só que a descendência de Jacó, ela ela herda os termos da aliança, ela herda o concerto. Os descendentes de Isaú, vocês sabem, era um bando de fanfarrão.
Eles não estavam muito aí para essas coisas. Só que eles, o parentesco existia. A bênção da aliança de Abraão, de Isaque, que se renovou em Jacó e respingou em Isaú, também existia.
Ou seja, Esaú não é inocente. Esaú tem o conhecimento, ainda que eles ignorassem, eles têm o conhecimento do Deus verdadeiro. E eles olham pro seu irmão Israel com satisfação diante da invasão babilônica e Deus fica uma arara com eles.
Ou seja, se eu e você somos instruídos a nutrir a compaixão, quando a gente vê alguém sofrendo, muito maior a responsabilidade quando existe uma relação com quem tá sofrendo. Então, pode ser que eu esteja falando para alguém que tenha sérias tretas com seus irmãos, irmãos de sangue. E pode ser que os seus irmãos de sangue mesmo não valham o que comem.
Pode ser mesmo que você tenha razão. Pode ser que eles tenham feito coisas horrorosas. Pode ser que eles tenham te dado um calote.
Pode ser que eles não tenham tratado os teus pais nos últimos dias com a descência que deveriam. Você pode ter as maiores razões do mundo para ter problemas com seus irmãos de sangue, os seus irmãos consanguíneos. Mas o evangelho chegou na sua vida.
O evangelho chegou em você. E o evangelho trouxe sobre você uma responsabilidade, a responsabilidade da compaixão, a responsabilidade da bondade. E você precisa superar esse negócio aí, superar essa essa essa bronca que você nutriu pelos seus irmãos.
Porque quem tem mais discernimento tem mais responsabilidade. E se você tem discernimento maior sobre o que é certo, entenda que acima de qualquer coisa de certo e errado existe um dever cristão, o vínculo da paz. Não deva nada ninguém a não ser o amor.
Perdoe, mas pastor não reconhece a culpa, não reconhece o erro, nunca admitiu que fez uma coisa errada. Isso é problema dele. Porque o perdão que foi oferecido à humanidade não depende da do entendimento da humanidade de que precisa de perdão.
O perdão está oferecido. E os cristãos, se você quer ostentar o nome de cristão, você precisa agir como Cristo. E Cristo dá o perdão a quem não merece, a quem não reconhece a culpa.
Tá disponível. Se a pessoa vai acionar esse perdão que você ofereceu, isso é problema dela. Tá claro?
Claro, né? Mas é difícil, não? Edom é Isaú.
E Esaú chegou a ter água na boca quando viu seus irmãos se dando mal. Edom cresceu ali muito próximo. Só que talvez os mais atentos saibam, quando o povo de Israel estava marchando em direção à terra prometida, depois que eles saíram do Egito, Deus deu uma orientação, tá lá registrado no livro de Deuteronômio.
Deuteronômio, capítulo 2, Deus diz a Moisés o seguinte: "Ó, vocês vão passar por fora do território dos seus irmãos. Não entrem em contenda com eles. Deus está se referindo a Edom como os irmãos de Israel.
E quando eles tinham que passar, tava no caminho. Quando eles tinham que passar para ir pra terra prometida, Deus fala para Moisés o seguinte: "Não entra no território de Edom. Vai pela fronteira, vai pelo lado de fora.
Eu não quero treta entre irmãos. Eu não posso promover isso. Passa por fora.
Não quero que vocês briguem. Então, quando Deus aciona o Badias para dizer: "Edom, vocês agiram mal? " Há uma coerência aqui, porque historicamente Israel havia poupado Edom.
Só que a resposta agora, ela vem numa direção oposta. Então, no verso 10 diz: "Por causa da violência feita contra o teu irmão Jacó". Essa é a expressão que Obadias usa.
Porque a aliança ela vai abarcar as relações. Quando o irmão cai, existe uma expectativa de a gente amparar, de a gente proteger, de a gente não explorar. Mas Edom rompe isso.
Edom rompe isso. E por trás de tudo isso tem uma raiz. No verso 3 diz que a soberba do teu coração te enganou.
Edom confiava nas suas fronteiras, nas suas fortificações, nas alturas de onde eles habitavam, por serem um lugar mais protegidos geograficamente. Eles estavam orgulhosos quanto a isso. Mas Deus diz no verso 4ro, ainda que você se eleve nas alturas da águia de lá, eu vou te derrubar.
Porque o orgulho cria uma ilusão perigosa. O orgulho diz assim: "Isso nunca vai me atingir". E Edom tava numa posição de vantagem.
E no seu orgulho, Deus diz: "Eu vou pegar você". Isso continua até hoje, sabe? A ilusão de que nós somos inatingíveis.
E talvez eu esteja falando para uma igreja, para alguns de nós que estamos vivendo um momento de vulnerabilidade, mas talvez eu esteja falando para algumas pessoas que possam olhar para mim e dizer assim: "Não, tá tudo bem, muito obrigado". Quando a gente tem dinheiro, a gente tem uma sensação de autonomia muito forte. Quando não nos falta saúde, a gente transmite essa invulnerabilidade.
Quando a gente tem conhecimento, a gente a gente pode produzir superioridade. Quando a gente tem posições de responsabilidade, pode ser que a gente fique distante das dores reais dos outros. Quando a gente tem estabilidade, isso cria uma falsa segurança.
Qualquer coisa que coloque você numa posição de autoconfiança, muito cuidado, isso pode te derrubar. Isso pode te derrubar. dinheiro, saúde, estabilidade, posição.
A vida numa ligação, num envelope que se abre. A vida pode virar numa noite. E eu vou dizer a você, não queira experimentar uma queda para você cair em si.
Use as vantagens que você tem agora, seja elas quais forem, mas adote uma postura não de orgulho, mas de humildade e responsabilidade com seus irmãos. O orgulho não apenas afasta a gente de Deus, ele afasta a gente um do outro. E muito do que acontece, da nossa falta de empatia pelos nossos irmãos tem a origem no orgulho, porque no fundo nós nos sentimos melhores do que as pessoas.
Mas o dia do Senhor vai alcançar a todos, diz o profeta Obadias. Não é só Edom. Olha o verso 15.
O dia do Senhor está para vir sobre todas as nações. Aqui o assunto se conecta com o que a gente viu em Joel. O mesmo princípio, a mesma lógica da aliança.
Como você responde ao outro, Deus vai responder a você. Tá no verso 15. Como fizeste, assim se fará contigo.
Com a medida que você tá julgando os outros, você será medido. Com a impiedade que você busca a justiça quando alguém faz alguma coisa contra você, assim Deus vai te tratar. Perdoa-nos assim como temos perdoados os outros.
Foi assim que Jesus mandou a gente orar, inclusive, porque a falta de compaixão que a gente tem pelos outros demonstra a falta de entendimento sobre a compaixão que Deus tem sobre nós. Quanto maior bondade você manifesta aos outros, maior o entendimento de que Deus é bondoso com você. A bondade é uma característica daqueles que entendem a sua posição em relação a Deus.
A falta de compaixão também indica isso. E eu vou dizer se tem um lugar que nós encontramos pessoas com falta de compaixão, é na igreja. Jesus trata disso reiteradas vezes.
Você lembra a parábola do filho pródigo? Você lembra o mais velho? Impiedoso diante do regresso do mais novo.
O mais novo era um fanfarrão, fez um bocado de coisa que não devia. Fez ou não fez? fez.
Só que na parábola, a única postura que nos interessa é a postura do pai, que ama ambos os filhos. Você lembra as parábolas dos do lavrador infiel, da dos dos trabalhadores da hora um déma? Gente, quando o assunto é a graça de Deus, o nosso senso de justiça tá completamente deslocado.
Deus tá dizendo e cobrando a compaixão de Edom. Você não deveria ter se alegrado com a ruína do seu irmão. Não deveria.
Puxa vida. Mas Deus [roncando] não vai julgar apenas indivíduos. Eu já tenho mencionado, Deus julga sistemas.
Deus julga julga governos. Você lembra que Daniel disse? Deus remove reis e estabelece reis.
Lembra nas palavras do rei Nabuco Donosor, humilhado, pastando igual bicho, quando ele volta a si, o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens. Deus confronta governos, sistemas, estruturas. E quando estes governos ou esses indivíduos se tornam instrumentos de injustiça, eles vão ter que prestar conta ao Deus todo soberano.
Mas olha o que diz o verso 17 do livro de Obadias. No meu monte Sião haverá livramento. O livro vai terminar como uma inversão.
Edom vai cair, mas Sião vai permanecer. Sião não é apenas um lugar. Sião é onde Deus decide habitar.
É onde Deus governa, é onde Deus restaura. No Salmo 132 diz: "O Senhor escolheu a Sião". No Salmo 2 diz: "Constituiu o meu rei sobre o meu monte Sião".
Mesmo depois da disciplina, Deus não abandona o seu povo. Porque enquanto o rei Nabuco Donzou vem para punir a infidelidade, a apostasia, o abandono de Israel, também é dito através do profeta Obadias: "Aliança foi ferida, mas ela não foi cancelada". E Obadias deixa pra gente uma pergunta desconfortável.
A minha pergunta é a que eu faço para você. Em momentos de crise, de que lado a gente fica? A nossa tendência é dizer: "Não fui eu, não fiz nada".
Mas o profeta vai apresentar um tipo de infidelidade silenciosa. É quando a gente vê uma coisa e a gente não age. É quando a gente sabe e a gente não se move.
É quando o outro cai, a gente apenas assiste diante de Deus. Isso é um grande problema. Odias é curto, é apenas uma folha, quase um bilhete, mas a sua mensagem vai acertar a gente em cheio.
Deus não julga apenas a violência, ele julga a indiferença. E essa é uma verdade bem desconfortável. Não basta a gente não fazer o mal.
Há momentos em que a gente não fazer o bem também é uma maldade. Edom não derrubou Jerusalém, mas ficou do lado errado quando tudo aconteceu. Às vezes o maior pecado não é ferir o irmão, é assistir o irmão ferido e não fazer nada.
Tem alguém ferido perto de você? Tem alguém machucado perto de você? Nós já nos conhecemos o suficiente para vocês entenderem que não é papel nosso passar a mão na cabeça diante de questões que precisam ser julgadas.
E se nós precisarmos julgar algumas coisas, nós vamos julgar algumas coisas, fatos. Mas nós nunca, nunca, sob hipótese alguma, devemos negar a chance, a possibilidade da restauração. Porque enquanto a gente julga um fato, tudo isso é temperado com a compaixão e a misericórdia.
Talvez eu esteja falando para alguns pais e mães que já tiveram o desprazer de ter que disciplinar seus filhos e isso lhes trouxe muita dor, muita agonia. Mas fazer isso da maneira correta não busca o sofrimento, a dor, mas busca a restauração, busca levar a pessoa a cair em si. Justiça e misericórdia andam juntos e não deve faltar misericórdia e compaixão por parte da igreja diante da dor do seu irmão.
É isso que o profeta Obadias nos ensina no meio dessa série. Feche seus seus olhos, por favor. Querido Deus e amado Pai, nós te louvamos pelas instruções de tua palavra.
Israel pecou, transgrediu, apostatou, violou e eles sofreram as consequências previstas no contrato. Mas isso não deu direito do seu vizinho, irmão Edom, olhar com satisfação a tristeza, a dor, a angústia do seu irmão Israel. Não.
E a reação de Deus diante da indiferença e do prazer mórbido de Edom serve de alerta a nós aqui depois de tanto tempo. >> Que ainda que ao nosso lado pessoas estejam colhendo as consequências dos seus atos, nós não devemos olhar com satisfação para a sua tristeza e a sua dor. Nos ajuda, Pai, a ter a compaixão própria daqueles que são chamados pelo nome de cristãos.
nos ajuda a refletir quem o Senhor é, seus atributos e nos ajuda a desenvolver a bondade. Talvez um dos atributos mais nobres, mais necessários paraa vida de um cristão. Nos perdoa, Senhor, a nossa falta de sensibilidade.
Muitas vezes nos perdoa a nossa rigidez, porque o Senhor tem sido misericordioso conosco. E se nós tratássemos das pessoas com a mesma medida que o Senhor tem nos tratado, nós não poderíamos fazer uma outra coisa a não ser amá-las, ajudá-las e ampará-las, que é o que o Senhor tem feito com a gente. Despeça-nos, por favor, com a tua paz na manhã deste sábado.
Nos dá um dia produtivo pra gente poder servir, pra gente poder atender, pra gente poder amar. Nós oramos no precioso nome de Jesus Cristo, a quem nós amamos, a quem nós servimos. Amém.
>> Amém. Oh.