Eu vou começar aqui contando algumas histórias para vocês que podem parecer diferentes, podem parecer desconectas num primeiro momento, mas eu presto peço aí que vocês prestem atenção no fio que vai unindo todas elas. Em outubro do ano passado, um trabalhador abria o aplicativo em uma das maiores corretoras do país e aplicava R$ 68. 000 em um produto que ele acreditava que era renda fixa.
Os senhores conhecem a realidade dos seus estados. acredito eu, e sabem muito bem o esforço que um trabalhador faz, trabalhador médio brasileiro faz para juntar 68. 000.
É a poupança de uma vida inteira. E o produto que ele colocou era o CODAMBIPAR. Meses depois, essa aplicação valia R$ 5.
000. Numa plataforma de reclamações, ele deixou registrada uma frase que eu faço questão de trazer aqui para essa comissão. Não sou especialista, acreditei na consultoria.
A gerência garantiu que os papéis eram bons. Esse homem não caiu em pirâmide, ele não jogou na Bet, muito menos foi enganado por um estelionatário. Sem questionar, ele fez uma uma aplicação que aquele acreditava que era segura num ambiente regulamentado com o assessor certificado orientando ele.
E foi aí que ele perdeu. Mas ele não tava sozinho. Em 12 dias, 145 reclamações idênticas apareceram no Reclame aqui, eando as mesmas frases.
Eram os coss lastrados na Ambiipar e na Brasquen, que perderam até 95% do valor. Quem aplicou R$ 10. 000 ficou com 700.
Avançamos para novembro agora, quando o Banco Central liquidou o máster. O máter oferecia CDB pagando 140% do CDI. acima da média, mas não nível que escancarasse a fraude.
Era tipo uma rentabilidade que você poderia classificar como um banco agressivo e que ninguém parou para fazer a conta do prêmio e do risco. Onde da onde viria o retorno extra acima do CDI? O que sustentaria aquilo no longo prazo?
O banco ainda usava o FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, como marketing. Era um produto regulado, com taxa atrativa, plausível e com rede de segurança institucional. Era isca perfeita, exatamente porque não parecia isca.
Lá dentro era o esquema pone. Dinheiro novo entrava para pagar o investidor antigo. E quando isso não ia parar na triangulação bilionária dentro dos fundos da própria instituição.
Na semana da intervenção do Banco Master, ele tinha 4 milhões em caixa para honrar 127 milhões de obrigações. 1. 600.
000 600. 000 1 pequenos investidores foram atingidos aqui. E a gente não tá falando de grande investidor, a gente tá falando do pequeno investidor pulverizado em escritório de assessor independente pelo país todo.
E isso culminou no acionamento bilionário do FGC, R1 bilhões deais, maior acionamento da história. E se a gente acha, senadores, senadoras e todos que estão presentes, que a gente já viu de tudo aqui há duas semanas, praticamente ontem, a NASCAR, que é uma fintec, simplesmente evaporou com R 900 milhões de reais de 3. 000 investidores.
Eles operavam há 13 anos, prometendo 2% ao mês. Blindados por contratos de mútuo, modalidade que escapa da supervisão do Banco Central e da CVM. Um aposentado aplicou 1 milhão, um bancário 2.
300. 000 e 13 anos de promessa que matematicamente é impossível de se sustentar sem captações novas. Indo para outra esfera, só em 2025 a China Análisis trouxe aqui números que mostram que os golpes de cripto no mundo geraram 17 bilhões de dólares de prejuízo.
Esses quatro casos pertencem a a universos regulatórios completamente diferentes. Um é estruturado, um é regulado, outro é um CDB de um banco com FGC, um é contrato de muto, outro é cripto. Mas no final o formato pode ser diferente em quatro universos, mas a essência é a mesma.
Eles vendem a mesma promessa, a ilusão do ganho, e muitas vezes a ilusão do ganho rápido. E todos exploram a mesma falha. O brasileiro nunca foi ensinado a exigir duas coisas antes de colocar o dinheiro dele.
A primeira é entender da onde vem o retorno e qual é o risco daquela operação. A segunda é compreender o que sustenta o investimento se tudo dá errado. Quem tem essas duas premissas não vai comprar coia achando que é renda fixa.
não acredita em Banco Médio pagando 140% do CDI sem desconfiar do risco ou entrega poupança da vida inteira para quem promete 2% ao mês. Essa mesma ilusão volta agora sobre uma velha roupa colorida que não deveria servir mais, mas voltou, que tá alimentando o maior problema social, eu acredito, que o Brasil enfrenta hoje em matéria de finanças domésticas em 2024. Aqui até complementando o que o Marcelo falou, os brasileiros gastaram R bilhões deais por mês em apostas.
Segundo o Banco Central, em 2025 esse número subiu para R bilhões por mês. É o dinheiro saindo da mesa, é o dinheiro saindo da compra das famílias para plataformas que majoritariamente nem no Brasil tão. Só 19% dos apostadores reconhecem o jogo pelo que de fato ele é.
Aposta jogo de azar. O resto enxerga como investimento, esporte ou possibilidade de renda extra. Entre os brasileiros sem educação financeira, 77% acham que aposta em investimento de baixo risco.
Sete em cada 10 leigos entram num aplicativo desenhado para viciar e perdem tudo achando que é baixo risco. A Confederação do do Comércio, desculpa, a Confederação Nacional do Comércio fechou essa conta. As betes retiraram 143 bilhões do varejo brasileiro entre 23 e março desse ano e contribuíram para 277.
000 1 famílias entrarem naimplência severa. A gente tá assistindo aqui, gente, de braço cruzado, a maior transferência de patrimônio das famílias pobres para nós da nossa história recente. Mas a ilusão do ganho rápido, ela não prospera no vácuo.
Ela se alimenta de algo muito ligado à desigualdade. A renda que não chega no final do mês e quando o brasileiro tá afogado em dívida, sem reserva, sem horizonte, ele se agarra no que parece flutuar. Mesmo que essa tábua de salvação seja de papelão, ele não avalia o risco.
Hoje, 80,9% das famílias brasileiras estão endividadas. recorde histórico desde 2010. Uma em cada cinco tem metade da renda comprometida só para pagar o que deve.
E a principal porta de entrada desse endividamento é o cartão de crédito. E aqui eu quero ser precisa com vocês, porque o argumento mais fácil é que o brasileiro não entende que cartão é uma modalidade de crédito. E isso é verdadeiro, isso acontece mesmo, mas é um pensamento incompleto.
A taxa do rotativo tá em 428% ao ano na média, tá? Então, tem acima e tem abaixo. Estamos falando de um produto lucrativo do do sistema financeiro brasileiro.
O nome diz crédito, tá entregando que é uma modalidade de crédito, mas a comunicação fala quer poder de compra, quer limite disponível, quer extensão da renda, quer compra agora e paga depois. Ninguém na cadeia tem incentivo para explicar o custo final. O banco porque o cartão é rentável, a fintec porque a conversão cai, o assessor porque ele vende investimento e não crédito.
O estado, eu acredito que é o único agente sem conflito de interesse direto nessa história. E esse estado ainda não veio da forma que deveria vir. Só no primeiro trimestre de 2026, o brasileiro consumiu R9 bilhões deais no rotativo do cartão em 3 meses.
Os cinco maiores bancos do Brasil tiveram em 2025 o lucro de R$ 123 bilhõesais. Aí eu deixo a conta para vocês fazerem. Vou me encaminhar aqui pro final porque eu não quero estender.
Mas o que me incomoda nessa história é que eu acho que deveria incomodar inclusive essa casa, é que o a o COIBAR, o Banco Master, eles não aconteceram numa plataforma de spam na nossa caixa de e-mail, não chegou no fishing do golpe. Aconteceu em plataforma regulada, com assessor certificado, com toda a documentação exigida por lei. O processo cumpriu que a regulamentação pedia.
Mas o que ela nunca entregou e que eu acho que ninguém pediu é que o cliente entenda o que tá comprando. Existe uma habilitação do assessor, mas não existe a compreensão de quem assina. Eu acho que essa é a principal lacuna.
E por isso que o trabalhador que eu contei lá no começo, mesmo fazendo tudo certinho, confiando no canal, no assessor, no certificado, no aplicativo com selo, perdeu praticamente tudo. Ele foi abandonado no ponto que o sistema podia ter protegido e não protegeu. A raiz tá no levantamento global do alfabetismo financeiro do Insper.
Só 35% dos brasileiros acertam conceitos básicos de inflação, juros e diversificação. A gente tá na 67ª posição de 143 países. A BNCC menciona a educação financeira como tema transversal, mas aí fica naquela responsabilidade que é de todos os professores e de nenhum ao mesmo tempo.
Quanto custaria implementar de fato a educação financeira numa escala nacional? uma fração dos 143 bilhões que as betes drenam das famílias todos os anos, uma fração eh dos 109 bilhões de rotativo num triestre, esse investimento praticamente paga a redução da inadimplência e a família sufocada por juros impagáveis ouve a Bet prometendo dinheiro rápido em momentos de necessidade e clica. Ela ouve o assessor oferecendo um produto milagroso e assina.
E a perda aumenta a dívida. O cidadão afunda mais e 77% dos brasileiros endividados afirmam que a dívida afeta a saúde mental e emocional e desestrutura toda a família, assim como a gente vê acontecer com as bets. Isso tudo deixou de ser problemática individual e virou uma questão de saúde pública, de proteção do consumidor e eu ousaria dizer, ainda com toda essa remessa de lucro para fora, de soberania econômica, também patrocinada pela ausência da educação financeira e de quem explora toda essa vulnerabilidade.
A próxima NASCAR vai aparecer, o próximo faraó das criptomoedas vai aparecer, o próximo máster vai surgir e vai aparecer porque o terreno é fértil paraa ilusão prosperar. E tem um trabalhador agorinha, agora mesmo, abrindo um aplicativo para colocar o dinheiro de uma vida inteira num produto que ele acredita ser seguro, sem saber perguntar da onde vem esse retorno e o que sustenta tudo isso se der errado. E eu acredito, pelo menos, que todos nós aqui, viemos também por ele.