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IA - Aula 1-2

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9063,021 Parole15m readGrade 18
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Daniel Simião
o olá pessoal hoje nós vamos falar um pouquinho de boas e de malinowski mas para a gente entender a importância desses dois autores na construção da moderna antropologia a gente tem que ser um pouquinho melhor o que que era o tal do evolucionismo cultural e e o que é que muda a partir do boas e do malinowski e para isso vamos voltar um pouquinho no tempo o ser humano faz parte então da mesma família a humanidade mas como explicar que haja formação diferentes desse ser humano formas de vida tão variadas e o evolucionismo pensava já
falamos disso que na verdade essa diferenciação seria porque alguns ainda estão na infância estão mais lá para trás né ou seja uma diferenciação que se faz ao longo do tempo uma linha de progresso e e ela natural do século e como é até hoje que a gente pensa que o progresso afinal é bom progresso é um é o que nos inspira o progresso é uma necessidade as coisas estão constantemente se transformando e mudando do mundo e o ser humano é o agente do seu próprio caminho e pode transformar-se em progredir e isso é bom isso
aí me evitável é isso não sempre foi assim né houve uma época na no pensamento europeu em que mudança era ruim e em que as coisas eram feitas para existir para sempre e por que a figura de deus estava no centro de todo o universo que existia e deus tinha criado aquele universo para existir como tal para todo sempre e quando o ser humano mudava alguma coisa um isso era para pior é o mito da expulsão do paraíso esse é o pecado original às mudanças as transformações eram sempre degenerativas em relação a um tempo de
ouro que que era aquele original e a gente tinha que permanecer o mais fiel possível aquela eternidade e é isso que começa a mudar no renascimento europeu quando o homem tira deus do centro das referências e coloca assim mesmo né o iluminismo o pensamento a época das luzes e o renascimento artístico vai colocando o homem no centro das coisas e junto com essa ideia de um homem no centro das coisas vem a ideia de que o homem é capaz de criar o homem não é só criatura de deus ele é também criador de mundos e
de muitos que podem se transformar e podem evoluir é claro que isso foi uma transformação com a cida me próprio pensamento europeus e querem um bom exemplo a reação romântica que dizia pera aí esse homem pensa que pode tomar o lugar de deus isso pode não acabar bem e e até hoje a gente tem um clássico desse pensamento que é um conto escrito pela mary shelley chamado frankenstein então para gente entrar um pouquinho nesse clima né vamos aqui ver um trechinho de uma das inúmeras versões cinematográficas desse conto frankenstein de mary shelley que não é
um monstro em um monstro não tem nome na história original franken stein é o nome de um cientista dr victor frankenstein que era esse homem iluminista do renascimento esse homem que acreditava no poder da ciência e da criação humana e que como uma espécie de moderno prometeu hum vai roubar o fogo dos deuses e para fazer o homem colocar o homem no centro no poder de criação o serviço de táxi em frente e as galinhas vamos apresentar sempre não sei lá ele é 37 ou fita life on e aí e a classe de yoga para
ficar i took us on e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí [Música] e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí g1 g1 e não e aí e aí e aí e aí olá pessoal live tim e aí e aí g1 e aí e aí e aí [Música] e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí
e aí e aí e aí os alunos e aí e aí e aí e aí em que lugar aí e ela vai dar e eu que foi que eu fiz o enfrentou deles quis bancar deus esse moderno prometeu lembra o grego que roubou o fogo dos deuses para dar ao homem mas apesar dessa crítica romântica o homem toma o lugar de deus no século 19 e o novo deus do século 19 passa-se a ciência ea por meio do método científico que esse homem do século 19 vai querer explicar os mistérios do mundo inclusive esse misterioso
mistério da diversidade das culturas humanas como que na mesma família se produz irmãos estão diferentes formas de vida organização social tão diferentes e o caminho do evolucionismo cultural segue por aí procurar um método científico para explicar a produção dessa diversidade como uma diferenciação feita ao longo do tempo e mais ao mesmo tempo o romântico para um mesmo fim é o jeito científicos você fazer o produzir uma teoria uma explicação sobre isso é baseado na ideia de comparação e o que que você teria que comparar entre os diferentes povos humanos e não seriam os povos em
si e mais as instituições dentro de cada um deles então ao invés de comprar a pó vamos comparar a família pega-se uma forma de organização familiar de um povo daqui uma forma de organização familiar de um povo de lá e outra de lá e vai então se tentando encontrar é a luz vínculos e o que que teria vindo primeiro o que que teria evoluído do que e pega se por exemplo formas de governo outra instituição e uma forma de o governo de organização do governo de um povo daqui outro de lá outro de lá e
tenta assim então produzir a história da evolução de cada uma dessas instituições ao longo do progresso da humanidade e queriam as essas informações e como pegar essas informações todas para elas virem basicamente de relatos dos administradores coloniais nas colônias européias mundo afora cuestionarios que você podia mandar para esses administradores coloniais para missionários perguntando como é que é organização da família aí como é que as pessoas formam uma organização política quem manda o que não manda então essa coleta de formulários mundo afora seria um primeiro caminho para isso é mais para o final do século 19
começa a se organizar expedições científicas e em que o próprio antropólogo vai então a bordo de um navio e ficam um tempo numa ilha aqui um tempo numa ilha de la coletando essas informações a moda de um naturalista e se tivesse coletando espécimes vegetais e registrando identificando como é que se dá a cada uma dessas instituições naqueles lugares para o pouco aos poucos e produzindo um acúmulo de dados para permitir essa comparação de formas de instituições sociais em busca da história do desenvolvimento das instituições humanas na produção de uma unificada história do progresso humano ao
longo dos tempos essa política de comparar instituições descoladas do seu contexto original acabava sendo até bastante útil para um projeto de justificação da expansão colonial europeia porque de alguma forma facilitavam a compreensão do senso comum e de que a europa tinha as instituições mais desenvolvidas então em 1850 por exemplo na inglaterra faça a missão universal da indústria para celebrar justamente esse progresso alcançado pela ciência e tecnologia humanas e em todo o mundo e claro que ali se punha se organizavam as sessões no grande centro de exposição construído para esse fim que era o palácio de
cristal no raio park em londres para o qual afluíram milhares de pessoas vindas de toda parte da grã-bretanha e da europa e vindo chegando a londres naqueles trens nas linhas as grandes linhas férreas recém-construídas celebrando o progresso da humanidade sua capacidade infinita de desenvolvimento que a ciência ea tecnologia prometido para o ser humano e e chegavam nessa nesse prédio todo de vidro uma coisa cuja própria arquitetura celebrava aí o desenvolvimento tec o e lá dentro você tinha diferentes pavilhões de diferentes nações do mundo para expor na sua as suas tecnologias e suas as suas os
seus produtos os seus engenhos uma espécie de celebração do engenho humano mas ali também se organizavam as coisas de maneira comparativa então você tinha as grandes armas europeias os canhões tanques ao lado das machadinhas dos grupos indígenas dos assim chamados primitivos para mostrar como que pondem minha como que a essas instituições evoluíram de formas muito simples para as atuais formas complexas produzindo a sua ideia de que a nossa forma europeia de meados e fins do século 19 era é o ápice do desenvolvimento era o que se chamava de civilização enquanto os povos primitivos produtores sem
de cultura esses eram povos da cultura não exatamente da civilização ainda tinham que evoluir para chegar a esse estágio civilizado de vida e essa leitura que incomoda um pesquisador alemão radicado nos estados unidos chamado franz boas com formação original e em física e o boas e ver algo um pouco científico na maneira como essa comparação está sendo feita por quê para ele quando você tira um elemento do seu contexto de origem para colocá-la em exibição com outros elementos que vieram de outros contextos você tá comparando coisa e incomparáveis isso não seria científicamente correto o metodologicamente
a de quatro nossa pelos que comparar assim para conseguir entender o movimento da história mas temos que comparar as coisas que possam ser comparadas e quando a gente retiram elemento do seu contexto original fica complicado compará-lo com o outro elemento retirado do seu contexto original as coisas perdem o seu sentido original e aí é comparação também perde sentido por exemplo qual é o significado da cor vermelha é depende o vermelho pode ter um sentido numa sinalização de trânsito por exemplo como um sinaleiro e o que você tem um sistema de relação entre as cores no
vermelho se opondo ao verde e e ali o vermelho significa pai mas o vermelho pode ser um sentido completamente diferente em um outro sistema por exemplo no sistema político-partidário em que o vermelho está associado a um partido de esquerda por exemplo por oposição ao azul que em geral é usado para partido de centro-direita e por isso seu significado muda então como é que eu vou entender o sentido daquele elemento fora do seu contexto original eu preciso entender qual é o sentido daquele elemento no seu contexto para daí poder fazer uma comparação entre os contextos e
é assim que eu não posso preço porque uma machadinha seja comparável a um canhão porque o canhão tem uma função em um significado no seu contexto na sua sociedade origem que associado a guerra uma machadinha não necessariamente pode ser no contexto de origem dele um objeto ritual de um evento religioso e pode ser um instrumento de uso cotidiano para cá ser para alimentação não é necessariamente uma arma de guerra não é preciso entender o que que aquele objeto significa em relação aos outros objetos ou as outras instituições daquela sociedade de origem e e não comparar
instituições descoladas do seu contexto e qual é esse contexto para o boas que dá sentido a uma há um elemento qualquer esse contexto ele vai chamar de cultura a cultura de um povo que tem que ser entendida é para aí dentro dela eu entender o significado dos vários elementos que a compõem eu preciso portanto estudar antes de qualquer comparação estudar muito bem cada uma daquelas culturas como um elemento em si e por si mesmo eu tenho que entender a sua história eu tenho que entender e a sua trajetória a sua língua os seus costumes e
porque cada cultura forma uma totalidade em si que precisa ser estudada independentemente de outras depois que eu entendo muito bem aquela cultura eu posso começar a fazer comparações e interculturais mas eu preciso primeiro entender uma cultura nos seus próprios termos e essa é a crítica mais forte que o boas vai fazer o evolucionismo antropologia não pode comprar coisas incomparáveis nem reti em seus contextos ela precisa ser uma ciência comparativa mas que primeiro se dediquem entender cada um desses contextos como uma totalidade em 5 e esse contexto é a cultura e por voz portanto a antropologia
é uma ciência complexa porque você tem que entender a história do desenvolvimento daquele povo e para isso é preciso fazer pesquisa para ver por onde que aquelas pessoas passaram é como era a sua forma de vida do passado você vai precisar de uma arqueologia eu de uma antropologia física e você precisa entender como se desenvolveu a linguagem daquele povo não só a sua língua presente mas a história dela e o quê que é a estrutura linguística daquele povo diz sobre a sua forma de vida você precisa portanto da linguística e você precisa também entender como
que hoje aquele povo se estrutura enquanto sociedade e e o contexto das suas regras de organização social presente você precisa portanto uma antropologia cultural então uma antropologia biológica a arqueologia uma linguística uma antropologia cultural e os quatro campos de estudo da antropologia por boas e é que são necessários para combinar um todos os elementos que vão te permitir entender e compreender adequadamente aquele povo no seu contexto de origem enquanto boas faz a crítica o método comparativo do evolucionismo nos estados unidos e um outro autor na europa tá fazendo uma crítica a produção dos dados empíricos
que eram então comparados no nos autores evolucionistas como eu disse o evolucionismo os autores evolucionistas trabalhavam com dados não eram dados de primeira mão e eram os dados coletados aí por meio dos funcionários dos impérios coloniais ou dos missionários ou quando eram deprê o messenger rápidas expedições que ficavam não mais do que um mês em algum lugar coletando informações sobre aqueles povos para depois em voltar ao gabinete voltar a a universidade no centro e de sistema de produção do conhecimento e ali elaborar as suas teorias e esse autor era o polonês bronislaw malinowski e fazendo
seu doutoramento em antropologia na inglaterra e que foi fazer pesquisa de campo e na oceania e enquanto irrompeu a primeira guerra mundial e teve que ir lá ficar durante muito tempo essa experiência a gente vai trabalhar isso mais à frente na disciplina fez ele perceber a importância desse convívio de longa duração com a sociedade que você tá estudando e portanto para entender e esse outro nos o seu contexto de origem não bastavam questionário respondido por um administrador colonial ou por um missionário não bastava uma visita de algumas semanas com entrevista superficiais era preciso um trabalho
de campo de longa duração era preciso viver com esse grupo durante um tempo para entender vai dizer o malinowski e a ossatura da organização social dessa sociedade mas também a carne e o sangue e o espírito da vida local seriam elementos fundamentais para você conseguir compreender adequadamente o que que estava em jogo naquela forma de vida humana aquela forma de organização social e isso os autores evolucionistas não fazia ah e assim combinando então uma crítica a uma comparação fora de contexto com uma crítica a dados coletados de maneira é pouco densa e profunda e especializada
que surge a antropologia moderna no começo do século 20 assentada na ideia de uma etnografia é um esforço um exercício de produção do conhecimento sobre o outro e que se baseia nos seguintes pontos no lugar de exemplos avulsos retirado de contexto para ilustrar uma teoria geral do desenvolvimento da humanidade busca-se uma compreensão de uma cultura como uma totalidade em si mesmo do lugar dos dados de segunda mão e o obtidos por meio de rápidas expedições um trabalho de campo de longa duração a do lugar da recusa de um conhecimento localizado em busca de uma explicação
geral do desenvolvimento humano uma recusa da comparação diz contextualizada ou seja uma preocupação e entender sistemas locais saberes locais formas locais de organização e estruturação da vida social que só a partir de um conhecimento exaustivo desses locais é que você poderia dar um passo para uma produção teórica mais alargada sobre regras gerais da estrutura social humana a antropologia passa-se no começo do século 20 a ser uma ciência da alteridade uma ciência que estuda as diferenças culturais as diferenças de ser humano das formas de ser humano mais preocupadas em vê-las nos seus detalhes e explicá-las nos
seus próprios termos e ao invés de reduzi-las a uma explicação geral produzida num gabinete a partir de um olhar centrado na própria filosofia europeias agora vejo ela não deixa de ser uma ciência europeia filha de um processo de compreensão de uma tentativa de compreensão da alteridade a partir das preocupações europeias das discussões que se fizeram aí desde o século 16 no pensamento social europeu era uma disciplina acadêmica e que se diz em um diálogo com esse modelo europeu de ciências aí mais o começo do século 20 muito preocupado em estar atento ao as tendências etnocêntricas
desse conhecimento e preocupada em entender a importância de se valorizar as formas locais de saber de conhecimento para a compreensão da diversidade de formas de organização social humanas com isso quer dizer então que a gente não pode mais fazer uma relação entre cultura e evolução podemos mas isso a gente vai discutir a nossa próxima unidade como fazer essa uma reflexão sobre a relação entre cultura e evolução sem cair nas armadilhas do nos preconceitos do pensamento do evolucionismo cultural do século 19 e vamos deixar isso para nossa próxima aula e por enquanto ficamos por aqui e
a gente se encontra a aula síncrona para conversar aí sobre esse primeiro momento da formação da antropologia moderna e aí
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