Boa noite a todos e a todas. Só um instante, só um instante. Boa noite a todos e a todas. É uma alegria estar aqui, é uma honra apresentar o segundo webinário interinstitucional Universo Unitri, cultura indígena. Quero aqui agradecer ao Dr. Isidório, nosso assessor de extensão de Salvador, que muito nos honra e fez o convite pro nosso convidado de honra, Senr. Rosivaldo Ferreira da Silva, mais conhecido como Cacique Babaú. Eu sou professora Cristina, assessora de extensão e pesquisa da Universo Goiânia e faço parte da equipe de extensão e cultura. da SOEC. Antes de apresentar o nosso
convidado de honra, eu quero lembrar vocês que estão aí no chat que para interagir com o nosso evento, vocês podem deixar suas perguntas, os seus comentários no chat, que no final 10 minutos, eh, antes da finalização do nosso webinário, eu trago pro nosso convidado. E lembrando que não podemos admitir mensagens fechatórias, caluniosas, difamatórias, além de não serem boas atitudes, podem ser caracterizadas como cyber bullying. No final do evento, será fixado um link do formulário de presença na parte superior do chat para você confirmar sua presença. Boa noite, Pacique Babaú. É uma honra estar aqui com
você. Eh, o CCI Babaú é da aldeia ah da Serra do Padeiro, localizada na terra indígena Tupinambá de Olivença, no sul da do estado da Bahia. Ele representa um dos maiores nomes de lideranças indígenas que t um papel de destaque a nível nacional, internacional pela sua atuação na denúncia das violações do dos direitos indígenas. Está inserido no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos por ter sido preso quatro vezes ilegalmente e sofrer constantes ameaças de morte. recebeu a comanda 2 de julho, Alba a medalha Chico Mendes de Resistência, bem como o título de Dr.
Os caos da Universidade do Estado da Bahia. títulos que reconhecem o engajamento e atuação do CCI Bauba na luta pelo reconhecimento e pela garantia dos direitos indígenas, mas também como defensor dos direitos humanos de forma geral, destacando-se na luta antiracista, na luta pela autonomia, autossuficiência e bem viver dos povos e das comunidades tradicionais no Brasil. Seja bem-vindo. >> Obrigada. Estamos aqui. Obrigado pelo convite. Fico muito honrado estar. Eh, professora, como falamos no início, eu falei, cultura é muito ampla, né? E para fazer uma fala, a gente tem que pegar um um aspecto da cultura que
talvez seja num momento importante para esse binário, né? E aí o eu mesmo tô achando que seria um dos melhores para os próprios alunos conhecer um pouco mais nós nós indígenas. Eu tô colocando essa expressão porque eh a sociedade ela molda as falas e os contextos e a forma que as pessoas se organizam de forma que as pessoas ficam engessadas, que tem até vergonha de falar for falar fora daquele contexto. Então, geralmente o índio chega aqui e vai falar basicamente sobre a questão territorial, violência, eh, 500 anos de descoberta e genocídio, vai falar da pintura,
cocar, essas coisas, né? e foca nisso. Mas a cultura não é só isso. A cultura mais importante é que aquela que faz a gente existir sobre a terra e que nos mantém vivo sobre ela. E a partir dessa aspecto da cultura que eu vou falar é que demanda todas as outras coisas, que é sobreviver cultivando o sol, viver da agricultura, né? Então eu pertenço à nação Tupinambá, não posso nem dizer povo especí, mas é uma nação que nós realmente o nosso povo tupi são uma das maiores nação do país. E nós somos povo da guerra,
mas também somos da agricultura. e da agricultura, nós trabalhamos com sustento de todo o nosso povo, né? E a partir daí é que se explica muita coisa, principalmente o avanço que esse país nosso tem em várias da agricultura e que a gente, nós indígenas não recebemos os créditos, só recebe a violência, mas a o que mantém o pai de pé são criação de nós indígena, principalmente na nação do PI, né? Eh, nossos familiares trabalha coletivamente, o qual até hoje o país ele reconhece agricultura agronegócio, reconhece agricultura familiar e a partir daí ele, o estado brasileiro,
quer enquadrar todo mundo nesses dois aspectos que eles criaram. Eu sou um cacique inconformado com esse tipo de situação, pois minha realidade não é nenhuma e nem a outra. Nós vivemos milenamente trabalhando em grupos familiar, mas em grupos grandes, porque o país reconhece família, pai e mãe e filhos. Nós indígena reconhece a hierarquia total de bisavor até chegar um tio, primo, sobrinhos, exato. Tudo é um grupo familiar que vive conjuntamente e que faz a maior troca de experiência, que é a partir desses grupos que sai, um para pescar, outro para caçar, outro para criar as
roças produtivas de mandioca, de cacau, de banana. de batata, de inhames e etc, né? A gente trabalhamos com a diversidade de frutas e plantas enorme. E com isso aqui também é a nossa escola de ensinamento para nossos filhos, aonde ele aprende a agricultura conjunta, aonde o peso não fica sobre um, mas o peso é diluído sobre o grupo familiar. E quando retornamos, alguém que já tinha secado com a casa, outro com peixe, outro que tava fazendo a farinha, já tá com os beijus, com E aí a festa, todo mundo chega e aí vamos trocar experiência
de conversar, cada um falar sobre o que fez e trocar experiência e com isso gera as festas, com isso gera o que mais nos fortalece, que é a unidade. coletiva e isso no meio indígena, ele começa a sofrer um bac e um ataque. Eu entendo como um ataque direto do Estado brasileiro, porque a nós recuperamos os nossos territórios, boa parte de nós indígenas, trabalhamos na nossa terra, mudou a forma de agricultura. Vocês são cientes que hoje nós nós estamos em universidade. Eh, hoje nós temos até casa de venda de produtos agrícolas, temos tudo isso, mas
nós não temos como resto da sociedade o suporte financeiro pelo Estado brasileiro. Por nós não nos enquadrar em nenhum do sistema. Eu falo que a gente vive de gambiarra e o que vai acabar com a fome, com a desigualdade dentro dos territórios indígenas, não é só devolver a terra, porque essa terra não é suficiente para aquela fala que eu iniciei paraver você viver de caça, de pesca e de agricultura e de subsistência. As famílias são grandes e a terra é pequena. Vamos pegar, por exemplo, nós Tupinambá, daqui da Bahia, do sul da Bahia, terra indinambará
de Oliveira. Foram eh demarcado para nós 47.000 haar de terra. Nós somos um pouco mais de 8.000 indígena vivendo em 22 aldeias diferentes, cada uma com sua organização própria, pois nós somos povo de Cran. Povo de Cran, cada um se organiza individualmente, não tem um agrupamento de outros juntos. Então, na aldeia do Pinabo Padiro, eu sou o Capsique, que governa e trabalha com 251 famílias. Até o momento, essas 251 família, elas têm demandas diversas internamente. Nosso território, 70% é mata atlântica preservada, a qual nós culturalmente não mexemos. A outra parte, nós precisamos fazer agricultura, mas
ela tá degradada porque foi invasão, ela tem vários alguns problemas. E quando nós precisa do investimento para melhorar essa agricultura, o estado não chega quando chega para as outras pessoas. Nós não temos terra como garantia porque nós somos fruto usuário, nós não somos proprietários da terra. A terra pertence ao estado brasileiro. Então qualquer transação a terra, e isso é um um direito de nós não querer que ela seja envolvida por nós não termos garantias. Também nós não pode acessar a questão bancária para fazer os plantilos em escala melhor para as famílias realizar sonhos e desejos
quando todo mundo tem. Aqui na na aldeia Cro Padeiro funciona um pouco diferente por nós se autopranejar e fazer o enfrentamento e plantil em escala grande suficiente para todas as famílias viver com a vida que podemos no Brasil dizer que são todo mundo classe média, né? Porque todo mundo consegue comprar carro, moto, comprar casa na cidade, apesar que nem lá vai, mas alguns conseguem adquirir com a produção. Mas quando a gente sofre um retrocesso nessa produção, os empresários, familiar, o governo sócre no nosso caso, não. Por exemplo, agora nós na aldeia do padeiro, nós trabalhamos
e produzimos, nós temos em torno de mais de 3.000 1 tarefas de cacau. Investimos muito, cacau sobe de preço, nós trabalhamos muito, de repente o cacau sai de R$ 900 para R$ 120@a e aí como tocar? Porque a demanda de trabalho para essa produção é grande. Eh, na a gente tem saúde interna, educação, mas nós também ajuda bancar essa educação e essa saúde junto com o estado brasileiro. Porque a Serra do Padeiro não admite que sejamos governado pelo Estado brasileiro. Nós queremos o estado brasileiro como parceiro e como parceiro você divide algumas coisas. E aí
nós não temos um índice de pobreza na aldeia Tupinaba Serra do Padilho, mas o estado em volta e meia faz projeto, cria sistema que nos fragiliza internamente. Isso eu considero muito grave. Como é que um estado não monitora suas ações que pode atingir diretamente eh os grupos coletivos do país? Ele sofoca a política, tanto o governo federal na sua boa parte, como o Congresso Nacional no PIB brasileiro. E o PIB esmague quem ele quiser pela frente. Não importa. Isso. Eu considero grave, porque isso aniquila qualquer cultura. Ela pode levar extinção do principalmente quando sabe que
tem minério em algum lugar, eh, que algum grande empresário tem interesse de investir em determinada região, aquele povo indinobrecido e sofre ataques direcionado para não eh não questionar isso, tá? Tá certo? Não. O que nos fortaleceria e nos fortalecer deixaria forte se o governo através do Congresso Nacional criasse quando nem criou a agricultura familiar e agricultura do agronegócio, também recurso específico para investimento para agricultura coletiva daqueles que fica sob proteção do estado brasileiro, principalmente que aí entra indígena, quirombola, É, e tem muitos sem terra que trabalha também em agrupamentos familiares, não trabalha isoladamente só pai,
mãe e filho, né? Isso abriria um horizonte para o país radicalizar vários problemas que tem hoje da agricultura. Quando eles muda a ordem da questão de preservação ambiental, sem consultar os povos indígenas, sem conversar, isso é uma violação direta. A, o recurso que eles trabalha com indígena é CESAI, saúde, bancar funcionário, 5 a 6% que sobra de recurso, fazer alguma intervenção que não dá para atender 10% nenhum dos povos no Brasil. criam ministérios dos povos indígenas que também não vem com essa propriedade de investir nos territórios indígenas. Se isso não é um projeto de exclusão
e expulsão desse povo, de seus territórios, eu digo porque ninguém vai ficar dentro de uma terra aonde não tem como se alimentar. Os rios poluídos que parem das terras indígenas vem das cidades poluídas pelos esgotos. Então esquece o peixe de qualidade. As matas não tem a quantidade de caça necessária para sustentação, porque tá cercado mesmo que o povo indígena conhece, vive, sabe como também comprar no supermercado, sabe como idealizar, vender sua mercadoria. Aí nós não tem um projeto de escoação de produção indígena no país. E essa é a questão cultural muito muito importante das nações
indígenas, porque tinha sempre existia o processo de troca de produtos entre os povos. Um trocava por um dia. Então isso é um comércio. Hoje é trocado por dinheiro para comprar o que precisa. Então, quando é que vão avançar? Quando é que as universidades também vai se mobilizar para trabalhar junto aos povos mostrar que a produção dos povos indígenas é muito maior do que as pessoas imaginam, porque é medido a a produção pela agricultura familiar e é nossa. E aí a indígena vai entrar no meio aí e ninguém nunca vai saber qual é a produção indígena.
E aí a campanha nacional para não demarcar terra indígena, que os índios não precisam de terra porque não vai eh viver da terra, porque eles passam fome na terra, porque eles Sim, o estado não dá subsídio de trabalho para os indías por nem dá para os outros. não dá condição nenhuma agrícola para nenhum povos indígenas no Brasil. Mesmo assim, nós temos eh índice incríveis e que o governo também depois fez coisas que retrogiu e que nunca quis corrigir. Por exemplo, com a transposição do rio São Francisco, meus parentes amado povo trucá, que fica entre Bahia
e Pernambuco na ilha de Assunção, eles eram maior produtores de arroz, porque a a enchente do rio São Francisco alargava a ilha, eles plantavam arroz, saía carretas mais carretas de arroz. Eles também trabalhavam com cebola. Depois fez a transposição do rio, o rio baixa. Só quem se beneficiou foi o branco, porque os índios não pôde mais produzir arroz. As cebolas também não pode. Nós aqui somos os maiores produtores de banana da prata, farinha, mandioca e cacau. Junto com os patachorran, ainda somos os maiores produtores de leite. Mas isso é divulgado no país. As pessoas sabem
que o foco maior da dos indígenas é na sua própria agricultura e subsistência interna e que beneficia todo o comércio regional e que melhora o PIB brasileiro lá no final. Não, porque a medição é para nos apagar, não deixar que ninguém saiba o que é produzido pelos grupos que é coletivo, que é coletivo. Então isso é que eu considero muito sério, esse apagamento, invibilizar, nos invibilizar diante disso e nos colocar muitas vezes como pessoas pedintes, pessoas que dependem de cesta básica, que eu acho uma coisa, desculpe, humilhante ter a pessoas que precisar viver de cesta
básica ter na terra, não é melhor investir pra agricultura desse povo? em vez de mandar sexta abat que vai acabar uma semana depois. Mas isso é explicado porque eles não entende isso aqui como sendo a cultura. Eles entende que a cultura é você tá com o corpo pintado com maracá fazendo canto. O canto, a pintura nós fazemos para produzir exatamente a agricultura. É um agradecimento a nossos encantados, a Tupã, por nos proteger e nos dar boas agriculturas, boa produção agrícola, boas safras, não deixar ninguém doecer, nos manter saudável, unido. É, é isso aqui que o
Brasil ainda não entendeu. O cacau não foi o branco que criou, foi nós indígena, o Cupuaçu, o açaí, eh, a mandioca, muita os inhames, os cará, que na língua da gente fala nossos cará. E aí, entre muitos outros produtos, fazer enxertia, fazer cronagem de planta, isso existe milenarmente, fazer produtos que é venenosos, ao pouco ele se tornar menos tóxico, pronto para alimentação. E as pessoas não entender que isso é que é a origem e o que é a fórmula da da cultura das nações indígenas é o maior desconhecimento, né? E é a primeira vez que
eu faço uma palestra pegando essa linha. E as roças, ela não tem só um fator para os humanos, ela também faz com que todas as espécies de animais fiquem perto do homem. as roças que hoje ela é algo isolado para manter a as coisas distantes num conceito indígena é o contrário. Ela serve para trazer os animais, as as casas para perto e elas não fiquem tão bravas e tão longe, uma vez que no a base alimentar principal é a mandioca, o milho e a caça e o peixe. Então, como dissociar isso aqui? Como ter um
bem um bem viver? E hoje em pequena primeiro nós podia andar o país todo. Hoje nós ficamos sitiado bem de território. O território pinambá de Olivença é dividido da 4 haar para cada um. Se você olha que tem brejos e serra, quando tira os brejos e serra que nós temos muito dentro do nosso território, cada um vai ficar com torno de 2ar para trabalhar e viver. E aí, como que isso é real? sem um investimento, sem tecnologia moderna que as nossas de uma certa forma um pouco ultrapassado, porque hoje você tem que produzir uma quantidade
maior e pequeno espaço para fazer a venda, para comprar roupa, comprar remédio, eh comprar outras demandas que tem do dia a dia, pagar esse uma internet, né, essa que eu tô falando com vocês, como é que a gente vai se ligar o mundo se nós não tiver recurso para manter essas questões. No nosso tempo, os pais e nem as mães não tinha esse negócio de pensão de filhos, todo mundo criava dentro a hoje indefin lá fora dentro das aldeias também hoje tem a mesma coisa, não tem essa questão, tem pensão familiar, tem tudo. Então isso
requer ainda mais fortalecer ainda mais a agricultura e e essa é uma agricultura que mantém os ritos e cantos. O ritos e cantos não pode também. Por isso que eu peto, falo de uma do governo criar um programa específico agricultura familiar, eh, agricultura coletiva para que não desqualifique o que os nossos sagrados. Porque os empréstimos, as coisas que faz na agricultura familiar, eles desreconhecem qualquer linha do sagrado dessas famílias. Eles vão paraa questão fria e exige coisas que as pessoas às vezes não tão acostumad, não sabem. E aí nós precisamos repensar essa questão da agricultura
individual que transformam em muito poderosos a ponto que possa esmagar os demais, né? E como vamos fazer para o estado entender que a agricultura coletiva é importante e ela precisa ser medida em nosso país, que eu conheço outras pessoas que não são indígenas e que eles vivem também em regimes coletivos. com esses famílias que tem o pai e o avô, eles tinha duas roças, três. E ali as filhas casaram, os filhos casaram, tiveram neto, bisneto e todos vivem dentro daquela propriedade trabalhando. E o estado, os indivídu de divide de cada um dizendo assim: "Ah, se
essa fazenda pegou o empréstimo, os outros não pode porque usou o nome dele. Então o que que acontece? Um pega, os outros fica sem poder porque pegou em nome daquela propriedade. Aí o quê? Obriga a dividir aquelas propriedade. Cada filho, cada neto tem que rachar e criar como se fosse uma propriedade individual. Criar. E aí você divide as famílias, você bota elas para brigar entre si em vez de de entender. Não, eles se tornaram coletivo. Então a propriedade como é do pai e verdade do avô. Eles podem individualmente pegar o recurso para trabalhar cada um
de suas roças e avançar sem precisar criar propriedade, dividir, criar vários intra, eh, que se fala, é do inra, sei lá, tipo interno. Então, para mim é isso que é ruim no país. O país esmaga todo mundo e aí é a origem de matar muitas culturas. E as pessoas se torna triste. As pessoas quando vê que precisam um irmão brigar com o outro para dividir uma propriedade, transformar em duas propriedades para que cada uma possa acessar recursos suficientes para gerar sua subsistência, as pessoas se entristecem. Muitos abandona, vende, vai viver trabalhando pros outros. Isso nós
Tupinambar não gostamos de ver. Nós não entendemos que uma governância de um país ou de um povo ou de uma nação pode se originar pelo individualismo, pelo que fala mais forte ou pelo que tem mais força, mas sim pelo que tem mais força, competir junto com os que têm inteligência para criar uma coletividade. sub suficiente para que todos tenham acesso. Não tenha medo de chegar. Então eu espero que você esteja entendendo a linha do que eu estou colocando, do que eu estou falando, que eu na recentemente foi conversado comigo, aliás, a semana passada lá em
Minas, eh eu fazendo uma palestra para UMG, FMG, e alguns convers Conversando sobre a questão, o professor fala para mim, Ccife, como tá a questão lá em sua aldeia? Os jovens estão saindo muito da aldeia? Falei ele, não. Nossa aldeia é o contrário. Os jovens não quer sair e eles não só para permanecer, eles são felizes em permanecer. E eles nenhum quer ficar nem dois dias fora de casa, porque nós geramos sonho e esperança todos os dias. Todos os dias tem uma esperança nova, todos os dias tem um sonho novo e ele se sente realizado
com seus sonhos sonhado anterior de ter determinadas coisas. Porque nós humanos, nós nos frustramos quando a gente não consegue ter um veículo para chegar até a cidade para fazer as compras e poder voltar para casa mais cedo. E tem que ficar lá sentado implorando para ver se alguém que tem um carro nos deu uma carona para voltar para casa. Ninguém é feliz fazendo isso. E aqui na aldeia nós vivemos e nunca permitimos que isso possa acontecer. E se algum parente a gente tiver na rua esperando, outro parente pega um carro, vai lá e busca ele
e traz para casa. Então essa é a nossa maior cultura, preservar corpo e mente através da nossa agricultura, da nossa sabedoria, aquilo que você, se você tem alimento suficiente dentro de casa, você nunca vai mendigar a ninguém. Você sempre vai sorrir e todos que chega se abraça e traz e diz: "Vamos comer". Isso é que nos deixa bem, mentalmente garantido. Mas quando você chega, visita em sua casa e você não tem o que oferecer, você fica batido, você fica triste, fica sem saber o que dizer para aquela pessoa que chegou. Isso mata qualquer cultura, qualquer
sociedade, qualquer povo. Muito obrigado. >> Muito interessante. Deixa eu ver aqui. Eh, o, tem uma aluna que colocou aqui, a Jocásia, com muita simplicidade, você fala com muita clareza e reflexão sobre as políticas públicas que deveria ser abordada de forma constante. Excelente explanação. >> Obrigada. Então, os nossos alunos aqui no chat, eles estão admirados, gostando. E a Mel, Mel Portela, né, que tá aí, não perde um webinário. Mel Portela tá na sua segunda graduação, tem 80 anos, maravilhosa. Ela colocou: "Quando mais jovem, pesquei muitos peixes de água doce no Rio Grande, em Parreiras. Não como,
não como frutos do mar. Toda contaminação está presente nos seres vivos e nas águas. o meu ambiente está morrendo. Então, acredito que estamos aqui para tentar, né, eh, restaurar esse meio ambiente. E eu achei muito interessante quando você trouxe para nós a questão da agricultura, o tanto que vocês, né, a, os indígenas colaboram com o PIB nacional da agricultura. É muito interessante nos lembrar, né, que o açaí que é maravilhoso, vem daí, mas o açaí puro, né, porque tem um açaí que chega aqui em Goiânia, dá um pouquinho misturado. Quando meu pai morava no Maranhão,
ele trazia um que era maravilhoso, que é um açaí que vocês cultivam e que vocês trazem. E a os alunos estão aqui agradecendo e poxa, são muitas dificuldades mesmo, muitas, né? E como que o jovem eles se divertem? Como que é a o cotidiano dos jovens na tribo de vocês? >> Ah, a gente tem um negó que é tudo integrado, nada separado de nada. Então, escola, roça, brinquedo e tudo é gente. Então, um aluno hoje tá estudando, amanhã tá com a equipe de professores dentro de uma roça aprendendo, depois volta, mas eles pratica muito esporte,
eles brinca aqui. Nós tem um grupo de jits na comunidade que já ganhou vários prêmios nacionais de luta. Nós temos outro grupo de jovens que o Bahia, o a o time do Bahia ajuda e patrocina junto com o governo do estado. E eles têm uma Copa indígena do estado da Bahia agora mesmo iniciou agora. Eles já vieram me contar os CCI que só fica sabendo, né? Aí nós temos vários parceiros e de jogadores de times também junto com o Bahia que acompanha os vídeos aqui, dá um apoio. Então isso ficam muito feliz. Imagine jovensia com
sua internet conversando. A esses dias eles chegaram felizes que Ronaldo Fenômeno conversou com eles, eh, que o Juninho Pernambucano eh mandou um recurso para que eles pudessem jogar não sei aonde e aí eles ficam maravilhados, né? Aí, eh, essa semana o governador chamou eles lá em Salvador para, eh, assinar o recurso da Copa Indígena deles que vai ter estado. >> Aí eles voltam. É que aí eu sou assim, eu sou cas, eu não, eles que p, esses que discut aí eles vem, pá, amanhã é dia de reunião que eles vão passar para mim tudo que
eles fizeram esse mês, do esporte, na educação, na saúde, na agricultura. E nossa aldeia ela é do povo do Piram assim, ela é mais comandada pelo jovem e pelas mulheres, né? Pelas mulheres jovens, né? É tudo na mão deles, né? E os os mais velhos só acompanha e observa para quando não tiver saindo muito dos trilhor. Não é assim, porque nós entendemos que se os idosos fica no poder das hierarquia comandando, esfraquece os jovens. Então os mais velhos botam os jovens e eles vão ensinando como não errar para ir porque depois que um idoso morre
para um jovem ir aprender a fazer, fica muito complicado. O povo vai a extinção. Então no estupinambá, um jovem com 12 anos, 13 anos, tá assumindo responsabilidades incríveis, né? A gente tem essa questão desse diferenciado dentro. E por isso também que os jovens se sentem valorizado. Eles podem trazer as propostas e sabe que ele não vai receber um não. Porque a gente trabalhamos que é diferente do lugar é por universidade. Você trabalha para ninguém errar, né? Nós aqui fazemos o contrário. Nós trabalha para todo mundo errar porque quem não erra é quem nunca fez nada.
ou copiou de alguém, por isso que acertou, ou alguém pegou na mão e fez por ele. Então, a gente tem que deixar a pessoa e na hora que ele erra, fala assim: "Vamos recomeçar, você errou aqui, vamos recomeçar. Você vai passar que aí ele aprende com os próprios erros. Não dá pra gente evitar e não deixar a pessoa errar. Porque uma pessoa que passa pela vida da juventude sem errar, quando ele chega na maturidade que ele comete um um erro e as pessoas chegam para ele e fala: "Você que tá errado", ele entra quase sempre
em depressão, se torna um alcólatra ou alguém que abandona todo mundo. Então é muito ruim deixar pro futuro. >> É uma lição de vida, né? Uma lição de vida. E tem uma aluna que ela perguntou aqui, a Rosana, como conseguir mudar esse cenário, como mobilizar as autoridades competentes para implementar as mudanças, que representatividade vocês têm politicamente? Ela fala essa mudança, né, que você trouxe a questão das políticas. Eu já tô trabalhando. Diga a ela que quando eu trago para aqui é porque eu já cessei o governo, já levei a proposta do governo Lula, já fui
no planalto duas vezes, já conversei com alguns setores lá conversando. Agora tô tentando ver se eu marco agenda com bolos para que ele também que ele tá lá numa numa secretaria muito importante no Planalto, porque a gente não consegue mudar um país com grito ou com violência, mas mostrando a eles algumas falhas que leva problema para eles. E se eles corrigisse pequenas coisas, menos problema teria para eles. Aí eu graças a Deus, sou bem recebido em todos os setores e venho conversando. O que eu falo, pessoal, o governo sempre falou, sensibilize o Congresso, que é
o talvez o que a gente tenha uma dificuldade grande, porque para se criar uma política dessa que eu tô falando, tem que passar pelo Congresso. O Congresso tem que estar disposto em votar orçamento, mas quando o orçamento hum fortalecerá indígena dentro de um Congresso que quer tirar os direitos indígenas, não é fácil, né? Mas nós vamos passar devagarzinho, vamos conversando, vamos mostrando e aí tem muitos bons empresários desse país também que sensibilizam também, que ajuda também a conversar. Eu tô conversando com muita gente. >> A nossa aluna aqui, ela no chat, ela colocou, sabe as
palavras, né? E tem outra aluna que disse aqui também, só um instante Belo Horizonte. Que bom que a esperança é alta e está crescente. É a que fez a pergunta, ela disse: "Que bom que a esperança é alta e está crescente". E a Jaqueline colocou: "Quem nunca erra é porque nunca fez nada". Exatamente. >> Acredito que essa forma de criar os jovens é uma forma maravilhosa para que eles possam assumir os próprios erros e sejam acolhidos, né? >> É, porque os jovens nossos aqui eles não conhecem algumas coisas que acontece na sociedade. Eles assistem televisão
e conversa muito com nós. Por exemplo, eles nunca viam um homem na aldeia matar uma mulher. Eles nunca viram um pai espancar a esposa. E também eles nunca viam um irmão espancado pelos pais. Então tem coisa da sociedade que o grupo familiar nosso, eles conhecem pela televisão, né? Conhece pela televisão. Então é um mundo distinto, isso >> é maravilhoso, né? Porque hoje na sociedade com tanto feminicídio, com tanta violência doméstica, violência com os idosos, isso é maravilhoso. >> Aqui tem uma coisa que a gente fizemos >> saudável, né? É, é uma coisa que a gente
fizemos aqui para enfrentar o estado brasileiro, que a escolas em muitos lugar, ela é criada por nucleado e bota os jovens tudo espalhado, um longe do outro. Nossa aldeia, nós não admitim. Nós obriga o estado para ver contratar carro e trazer todos os jovens para uma escola só. E eles ficam junto o dia todo. Eles brincam, eles conversam. Quando das férias eles reclamam porque eles não podem se vir. Então eles querem estar na escola porque conseguem ver todos e to furo. Porque a ausência das pessoas se verem também cria distâncias irreparáveis. Até irmãos criados separados,
eles não conseguem ser amigo. Mas quando você cria todo mundo se vendo todo dia, compartilhando as coisas no mesmo local, brincando, conversando e um isso dá uma vida a uma a comunidade que é maravilhoso, né? A Rosana que fez aquela pergunta, ela fez outra pergunta. Vocês votam? >> Sim. Fazemos questão. Nós não somos obrigados, mas fazemos questão. >> Maravilha. Minha avó dizia que minha avó era baiana e ela dizia que ela foi pra rua lutar pelo direito de votar, porque na época dela mulher não podia votar. E aí depois nós, os netos crescidos não queriam
votar e ela falava: "Isso não existe. Vocês não sabem a luta que foi pra gente adquirir esse direito. Uma coisa que eu quando os o eh a pessoa que não sabia ler não podia votar, lembra? Quem não sabia ler não podia votar? A aldeia quase todo mundo aprendeu a escrever o nome só para ir no cartão dizer assim: "Eu sei, eu escrevo o meu nome." >> Ai que maravilha. Os antigos nos ensinou muito essa questão e que vem >> exercer a cidadania é tudo de bom na vida. E a a Milena colocou: "Admiro a resistência
de vocês e o amor que transparece nas palavras." A Rosinda que fez a última pergunta, essa união é simplesmente maravilhosa. Esse exemplo que você nos trouxe, né, da união dos jovens, da união de vocês, da como que faz a comunidade de vocês, é um exemplo maravilhoso. E quando nós estupina bastante falando, não podemos só >> falar nós. Eu gosto de provar num dia que vocês quiserem formar um grupo, vim visitar a aldeia para ver com seus próprios olhos e tirar suas próprias conclusões, sintam-se convidados, porque falar até papagaio fala. >> Vou falar Isidório, né? Já
viu? >> Isso. Vai falaridório. Ele me >> falou aí. Vou falar Isidório vai ter que me levar lá na aldeia que eu fui convidada, né? E a Rosa Costa colocou: "Não pode parar de lutar com", Aí ela não acabou de escrever. Eh, não pode parar de lutar. É, é, é muito interessante assim a luta de vocês e o artesanato de vocês. Eu sou apaixon. Bem, aí você já tá falando de outra nação, porque nós no Brasil nós somos muitas nações indígenas e cada uma tem um aspecto da cultura diferente. Nós tupinambá nós somos o tipo
do chamado sedentário, que significa são agricultores e não faz artes o todo o artério que chama artesanato é para agricultura fazer caço fazer se para o trabalho da agricultura, nunca para o comércio. Quando a gente faz nossos escolares, as outros indígenas faz para vender. Nós tupinambá não, que faz parte da religiosidade nossa. Cada um tem um no corpo e não vende. No máx a gente pega e dá de presente porque chama você, eu tenho força e vou compartilhar e passa para a pessoa. Eh, a gente tupinambá nós não, agora os parentes patachó que é grupo
G, eles trabalham fortemente com o artesanato aí, né? Tanto lá em Coroa Vermelha, tem shopping deles deles vender, tem tudo muito bonito mesmo, mas é outro parente. >> Olha que interessante, né? É muito interessante eh a gente aprender, porque você fica com aquela noção de que todos têm artesanato, que todos vendem o artesanato, que o artesanato indígena é maravilhoso. >> Comida, >> né? as danças. É, eu sou apaixonada. >> E agora hoje em dia tem causa disso tá criando um problema no país, porque o IBAMA hoje quer proibir os indígenas de usar as penas em
algumas coisas, mas eles esquece que os índios que produz artesanato sempre trouxe ele para os índios que são agricultores porque fazia trocas, porque é muito bonita as coisas. E eu tendo um desconhecimento num país e uma generalizando, parece que todo mundo faz artesanato, que todo que é terrível, viu? É, isso tá acontecendo até nos órgãos governamentais, né? Não deveria. Eu não, a gente eu não fiquei sabendo, não, não vi nada sobre isso que você >> é, já teve várias prisões de coisa de artesanato do dos parentes recentemente de Pernambuco, já teve em Brasília, eventos que
os indígenas expõe coisas para vender, já foram recolhidos. Começou, não tinha isso até um tempo, mas agora começou. A gente tá tentando entender o que tá acontecendo. >> Deve ser alguma questão de preservação do das espécios nós indígena não produz cares e negócio matando os pássaros. Ou seja, a cada 3 meses os pássaros troca de pena para nascer outras penas. cair o que a gente chama das penas maduras, as penas velhas e nascer as penas novas para nós. Isso é uma questão natural da natureza. Quando nossos cabelos cresce, a gente vai cortando, não é isso?
>> Tudo. Então, há um conhecimento que eu acho que eles atribuem aos que os indígenas faz a matança em animais, que não tem nada a ver uma coisa com a outra. O Zina cria muito passarinho, muito perto de casa, tudo mansinho para capturar as penas. Não para matar, que senão você vai botar uma coisa morta na cabeça. Não tem sentido. >> Nossa, olha, você desmistificou algo que é muito interessante. >> É muito interessante assim. Eu nunca tinha, >> olha, o meu manto tem 5600 penas. Quando os encantados autorizou a gente fazer, ele mandou a gente
pegar diversos tipos de pássaro, pegar, pegar as penas e soltar ele de volta na natureza. Então é um trabalho danado você achar, localizar, você tem que ter essas penas, ter a certa do ano para que o ano, porque se você arranca a pena, se ela tá madura, ela tem sangue dentro da pena, então ela pudece, ela não presta. Tem uma série de coisa que realmente se não desmistificar as pessoas acham que o bicho que ele tá com pena pode arrancar e fazer alguma coisa. Não, não, não. A pena tem que tá madura. Se ela não
tiver madura, ela não serve. >> Olha que maravilha, que riqueza, que riqueza. A Michele colocou aqui: "É muito lindo a cultura indígena. Sou doida para conhecer, né? O Fábio eh colocou também, não acho nunca o site para fazer as inscrições, Fábio. É no portal da Universo, lá no portal você consegue fazer a sua inscrição. E pra gente poder encerrar essa noite maravilhosa, eu espero a Luciana abrir a sua câmera, que a Luciana tava lendo no chat. Eh, eu trago a palavras de Lene aqui. Eu eh orgulho do Brasil ser de origem indígena, povo muito lindo
na cultura, na dança, tudo. Eu também tenho muito orgulho. Eh, fiquei muito encantada, Cacique Babaú, você nos trouxe muita luz, muita alegria, muita esperança. né? De que forma que a gente pode acabar com essa violência que nós estamos enfrentando, essa violência doméstica, essa violência contra mulher, contra idosos, contra adolescentes. Eh, e acredito que os jovens, quando eles se envolvem no esporte, eh, e tão junto, eles crescem, eles amadurecem, eles se tornam adultos saudáveis. Então esse exemplo vamos trazer pra gente, né? Lu, você gostaria de falar alguma coisa antes de eu passar a palavra pro nosso
convidado de honra? somente agradecer, né, eh, pelas informações. Eh, foram foram muitas informações, grandes aprendizados nessa noite. Eh, eu, enquanto nativo aqui de Campos dos Goitacases, né, a terra dos índios goitacariro. >> É, é isso, já nem sabe, é terra do Pinambá, né? >> É isso aí. Então, morador aqui de Campos Goitacases, né? Nativo aqui de de do da terra dos Índios Goitacá, né? ficou muito exogada de tê-lo aqui conosco nessa noite, eh, falando da cultura indígena, que é muito importante, né, em relação à preservação da natureza, da gente realmente eh saber, né, o que
a natureza traz pra gente em relação a parte da agricultura, como você falou, dos animais e de, né, de de tudo, toda a cultura de vocês em relação eh eh a cultura indígena mesmo que a gente muitas coisas a gente não sabe, né? E por não saber acaba tendo, né, uma uma uma comunicação meio confusa ou, né, eh passando informações e conhecimentos que a gente não sabe se é verdadeiro ou falso. Enfim, você trouxe hoje pra gente grandes e grandes conhecimentos. Muito, muito obrigada mais uma vez. >> Vamos fazer um print? Podemos deixar? >> Podemos.
Podemos. >> Tá. Só um instante. O nosso querido João conseguiu entrar. Vamos ter que fazer outro print. >> Com certeza. Ele tem que sair no print. João. >> Opa, tô chegando aqui. >> Ah, que maravilha. >> A minha imagem tá aparecendo. >> Aparecendo >> agora sim. Agora sim. >> Eu tava ouvindo o nosso professor doutor pela Universidade Federal da Bahia e grande CCIC. Eu não sei qual é a titulação mais importante, né, se é de professor eh doutor ou se é Ccique. Eu acho, particularmente, considerando a história desse torrão, eh, como vocês, povos originários, povos
primeiros, povos que fundaram o Brasil, eu acho que o título de Cacique é uma honraria, né? É uma honraria. Eu tava vendo a sua, o seu currículo e as suas atividades mundo afora, o respeito que lhe devotam e a sua luta expondo o próprio corpo, a própria vida, eh enfrentando os algozes. Eh, eu queria lhe fazer uma reverência em primeiro lugar. As minhas amigas estão aí, a Cristina, a a Lu, mas diante da cultura indígena, eu tenho uma postura que eu preciso falar aqui publicamente. Eu tenho uma postura de silêncio. Eu me silencio que faz
parte da cultura africana. Quando estamos diante de um mais velho, de um mais sábio, precisamos respeitar. E nós chegamos aqui, o meu povo negro que chegou aqui sequestrado e aprendeu tudo com vocês, tudo. Volta e meia eu descubro que uma comida que minha bisavó, minha avó faziam era uma comida indígena. volta e meia eu, os meus adereços, as coisas que eu uso, entendeu? Toda tudo é coisa indígena. As pessoas falam: "João, mas da onde você tira isso?" Eu digo: "Ah, eu ando por aí procurando porque eh vocês fundaram esse território, né? Vocês fundaram, nós chegamos
aqui, os negros na condição de escravizados, os primeiros brancos que eram considerados paras europeus que vieram para cá como punição. Depois é que começou lá um pouquinho de gente a vir. Eu tenho uma amiga que diz que as primeiras mulheres brancas, por exemplo, só chegaram aqui em 1700 e alguma coisa, pouquíssimas. Depois quando Dom João VI é que sexto veio é que chegaram um pouco mais de mulheres, mas quem tava aqui fazendo o Brasil eram os indígenas negros e pessoas que saíam pelo mundo, aventureiros e aventureiras que vieram para cá. Então, eu acho muito bonito
para que os nossos alunos, nossas alunas, nossos professores e professoras possam refletir sobre isto, né, sobre essa questão cultural. E agradeço o professor Isidoro de tê-lo convidado, porque a gente às vezes está diante de alguém que a gente não tem a dimensão da relevância, da importância. Então, eu quero agradecê-lo. Eu quero aqui fazer a minha a minha honraria como professor, como homem negro, como ativista negro. E eu terminei de ler recentemente um livro chamado Maria Altamira, um livro da professora Maria José Loureiro, alguma coisa assim, em que ela conta, ela conta sobre uma mulher peruana
que diante de uma tragédia em 1970, eh, de um desabamento que acabou com a cidade, ela ela praticamente fica perdida e e começa a andar pela América Latina. E ela como indígena, ela começa a ver, né, até que ela chega em Altamira, até que ela chega em Altamira, se apaixona por um homem indígena, que é o primeiro homem que sabe tratá-la depois do trauma, do trauma que ela sofreu. E aí é linda a história. Quero recomendar esse livro paraas pessoas, para as pessoas se entenderem indígenas, né? Os nossos parentes urbanos que são indígenas, muitos. Eu
fico olhando paraas pessoas como eu as identifico, né? Como eu as olho. Digo: "Ih, gente, esse aí tem um indígena na família. Esse aí tem um indígena." É igual os brancos que tem sangue negro que eu identifico também. Então, eh, nós somos um povo lindo, eu não tenho dúvida disso, mas precisamos de lutar muito para que as nossas belezas sejam garantidas, para que os nossos rios, para que a nossa, como disse, foi dito aqui, né, a mandioca, o peixe, o milho, sabe, sejam preservados. Então, obrigado. Obrigado por sua fala. luminosa, uma luminosa, uma fala de
muita luz, não no sentido espiritual, embora possa ser, mas no sentido acadêmico, técnico, né? Gratidão pelo seu povo ternos acolhido aqui lá pelos ídos de 1500 e pouquinho. Gratidão. Gratidão aos povos originários. >> Gratidão, professor João Luiz. Antes de eu passar a palavra pro nosso convidado, nosso CCI Babaú, eu trago aqui a palavra, né, do nosso aluno que colocou: "Excelente palestra! conhecimento. O intercâmbio entre os povos sempre agrega a vida de todos. >> Isso aí. >> E Ktia deixou também parabéns a todos da bancada, em especial ao CCI, que ministrou com muita sabedoria e informações
interessantes e muito lindas da cultura indígena. Excelente palestra, gostei muito. Gratidão, Ccique Babaú, passo a palavra para você paraa gente fazer um print, porque João tem outra outra palestra, não é, João? Podemos fazer um print antes de você encerrar? >> Podemos, mas eu depois vou revê-lo. Vou revê-lo e vou passar essa palestra pros alunos do ensino médio de uma escola onde eu estou fazendo um trabalho. Então, eu vou passar para eles, entendeu? E quero que eles façam uma síntese da palestra >> e eu recomendo >> da fala >> maravilhosa. Vamos lá. Um, dois e >>
eu tô com palavra. Sim, eu tirei. E, >> ô, professor, muito obrigado por tudo. Vocês são parte da minha família Tupinambá, porque a o senhor tocou num assunto muito importante, professor. Você eh o povo negro foi acolhido pelo meu povo Pinambá, foi ensinado como guerrear e como sobreviver nesse país para depois tocar a vida em frente. >> Exatamente. Mas também nós temos um povo que chegou na mesma época degradado de Portugal e que não tá hoje ainda temos os mesmos espaços, que é o povo cigano. >> Isto, >> o povo cigano, eles chegaram aqui na
Bahia por volta de 1533, degredado de Portugal, que ninguém os queria lá expulso, né, para ver. E foi lá na São Tupinabá que nos acolheu. E hoje nós, o povo indígeno, o povo preto, tem um espaço muito grande, a sociedade sabe, mas a carga de preconceito de racismo que hoje recai sobre a nação cigana, principalmente o a nação calon, é tão violenta que é imaginável que os dois povos, o indígena e o povo preto, não se uniu para defender esse povo. Aqui na Bahia, o só o ano passado, acho foi mais de 70 ciganos assassinados.
Os ciganos são presos por qualquer coisa. Eles são todos lugar alguém coloca uma taxa de alguma coisa ruim neles. Mas eles são uma tribo que nunca vi dizer que passasse assaltando alguém. Eles estão sempre trocando, comercializando e vivendo as margens da estrada porque não deram chance dele interiorizar nada. Leis foram criadas para tirar os direitos deles nesse país e eles precisa de espaço para falar da cultura deles junto a nós, né? Porque aí nós nos tornamos grandes. >> Exatamente. >> Eles tiveram junto com nós. Eu abro sempre um espaço onde eu tô para falar deles,
porque eu não toquei aqui, mas em 153 e pouco, assim como os negros começam a chegar, nós tupinambá brigou com a igreja católica e criamos uma igreja do desbatismo para desbatizar que era batizado pela igreja católica. E o povo preto, o povo cigano, fazia parte dessa igreja. É claro que você já sabe o fim dessa igreja, a Igreja Católica que trouxe a Inquisição paraa Bahia e nos queimou cupinambá na fogueira aquisição. Mas essa história e eu quero ficar aqui agradecer a todos vocês. Fiquei maravilhado. Obrigado pela consideração. Eu também recebi já tanto prêmio, professor. Eh,
eu sou também, eu recebi o prêmio de doutor também eh, >> por Minas Gerais, pela Universidade Federal de Minas, eh mestre dos saberes, outras, mas eu concordo com eu quando a Babau, por que que você não usa a as graduações você ganhou como comendador, bota? Eu digo porque tudo isso veio não porque eu sou babá, mas porque eu sou o cacique e tem uma postura que leva as pessoas a reconhecer que é um cacique responsável que traz alguma coisa importante para a sociedade no geral. Então eu digo, eu preciso levar o meu título de cass
e as outras coisas é muito importante, ajuda muito, ajuda muito, né, dentro da na gente não pode largar o princípio primeiro da caminhada. Esse é o mais sagrado de todos. E desde já muito obrigado. Agradeço a todos os alunos aí. Muito obrigado professores. E eu tô à disposição de vocês sempre que quiserem pode procurar. Gratidão, Cassige. >> Gratidão, CIG. Agradecemos a voz. Primeiro gostaria de agradecer Dr. Isidoro, de ter convidado, né, Isidoro da Universo. >> É, Isidoro, tá? Ele é campeão de convites maravilhosos. >> Ele é fora da curva. É. E agradecemos você pelo brilhantismo,
por trazer a sua cultura, por trazer a sua vivência que muito nos enriquece. e também nos traz esperança, como eu disse, da gente enfrentar e acabar com essa violência doméstica. E agradecemos ao nosso presidente, senor Wellon Salgado de Oliveira, representando o grupo SOEC, todos os reitores e reitoras, os mantenedores. Agradecemos a nossa reitora, professora Jaína, que nos apoia e nos inspira a realizar este trabalho. Agradecemos aos nossos diretores, coordenadores, professores. Agradecemos a equipe técnica digital, a equipe de extensão da SOEC e a cada aluno e aluna que está aí no chat ou que posteriormente irão
assistir esse vídeo e a comunidade também. Eh, lembrando que você precisa assinar sua lista de presença, que ela ficará nos comentários do vídeo e aguardamos vocês para o próximo webinário, para o clube da leitura e gratidão. Com certeza você, o senhor terá outros convites nossos para participar dos nossos webinários, das nossas live. Agradecemos de coração. Gratidão. >> Com certeza. Então, professor João, os seus fãs estão lá no seu chat dizendo que é muito importante a presença sua. >> Obrigado, gente. Obrigado. Tchau. >> Tchau. Gratidão. >> E viva o povo indígena. >> Viva o povo indígena.