Tu fez antropologia, tu fez o quê? >> Literatura francês, mas com muito foco em literatura francesa. >> Comecei com russo, troquei para alemão, troquei para política.
>> O quê? >> Trocou muito. >> Porque eu tenho eu tenho indecisão crônica e isso é Ya, realmente eu troquei demais, demorei demais para me informar.
>> Tá de boa, deu certo no final. >> É, mais ou menos. >> Mas é é muito mais sobre quem indica lá, quem indica e a sua o nível da sua faculdade.
A gente estudou em faculdades boas. >> Sim. Eh, >> e também o jeito que você entrevista.
Essa é uma coisa que as nossas escolas particulares ensinaram a gente entrevistar bem. Eu nunca fui para um uma entrevista de trabalho que eu não consegui, porque nossa escola ensina a gente a falar de >> É sobre ser gente boa e não ser pau no cu, quem quer trabalhar com pau no cu, né? >> E tem uma certa confiança, eu acho.
>> Não sabe fazer nada porque estudando falando na Inglaterra. Os cara tem que te ensinar a não ser um pau no cu, porque senão tu é um pau no cu sem querer. >> Entendi.
>> Genético. Tem que ensinar. É, >> e assim, o diferencial das escolas [ __ ] é que ela é [ __ ] em te ensinar a não ser um pau no cu.
Entendi. >> Eu acho que, >> na verdade, muitas escolas particulares produzem muita gente pau no cu. Todos os nossos polí a maioria do povo é pau no cu, velho.
>> Todos os nossos políticos foram para essas escolas. Etan Harrow, extremamente cara, gente, 60. 000 por ano.
E eles são os maiores para um preconceito com quem estuda em colégio particular e porque é só 4% da população, então é muita pouca gente, né? Eh, então assim, eu evitava quando eu jogava bola, eu não falava, eu falava que eu eu tinha bolsa para ser diferente, né? Não, eu estudo lá, mas eu eu tenho bolsa de matemática, que é a minha pia matéria.
>> E você escondia seu sutaque um pouquinho, né? Não >> tem gente que faz isso. >> Então, pera aí.
Sobre isso. Sobre isso. Eh, isso para mim fui curioso.
>> Eh, ele disse que o teu inglês é levemente diferente porque você tava convivendo com uma galera, entre aspas, de uma casta >> muito sinística. Tu. >> Pois é.
Eu acho que esse é o grande diferencial entre a minha escola e a escola de Joe, não é? O fato que minha escola foi 20. 000 libras e a escola de Joe foi 15.
000 libras. Foi o fato que minha escola foi um bairro extremamente nobre, o mais nobre de Londres que é South Kensington. >> O dinheiro era só um detalhe.
>> É, não. Joe falou essa coisa de 15. 000, 20.
000 para ser comciso, porque ele não quer explicar explicar essa. É, >> pois é. E a escola de Joe Joe foi num bairro mais residencial.
Então sim, a galera tem dinheiro, mas são médicos, advogados. >> Diferente. Era inglês, Novo, Rico.
E o de Júlia era tipo princesa do Catar, >> Princesa da Grécia. Tataravô era dono de escravo. >> É assim, colonizou algum país, tá tá vivendo dinheiro.
É, tá vivendo desse dinheiro até agora. Então são dinastias. >> Tinha muito dinheiro internacional, mas também tinha uma porcentagem menor que era aristocracia inglesa, tipo camela, queen camela, a a rainha atual.
Então tem um certo certo jeito de falar quando você tá tem essa descendência aristocrata, >> mas é pouca diferença no sutaque. Eu acho que o dela está um pouco mais assim, >> eu entendo, eu entendo. Mas calma, vamos lá.
Isso aqui é muito interessante. Vamos lá. Eh, essas pessoas eh que são de dinastias, que são eh com quando tu quando é que tu sacou que tu tava no meio desses caras?
>> Rápido. >> É, >> no primeiro dia eu falei, gente, alguém tem um dinheiro para almoço? Eu tô sem dinheiro.
Eu tava querendo assim uns 3 L para comprar um sanduíche. A mina me deu 30 L, que é equivalente de R$ 210. Um mina de ou 12 anos na época.
A galera trazia bolsa de Chanel, de goiard. Aliás, não, desculpa. A primeira vez que eu percebi foi quando eu fui pra casa de interior da minha melhor amiga, que é que era é russa.
>> Uma casa, mas era a casa de interior dela. >> Era uma gente. Era um castelo de 800 anos.
Era desse nível. É, >> era sinistro o nível de dinheiro. >> Oligarca russo.
O oligarca mesmo. E tem coisa não. >> Meu Deus.
>> Tá bom, sei muitos detalhes, mas assim, >> muito, mas tinha e eh >> família, dinastias mesmo, então de do mundo, pessoas que >> Sim. Tipo, eu andava no no corro de Londres um bairro que é bem centro >> e >> quer café? >> Não, tô de boa.
Obrigado. >> Talvez. Aliás, tem chá.
>> Eu tomaria chá. >> Ah, os cara tomar chá. Verdade.
>> Qualquer um pode ser. Pé formática. Pé formática.
Ela não toma chá não. Quando o chá saiu da minha boca, eu sabia que eu ia falar. Quando eu tava andando no corredor assim, eu andava e as meninas apontavam: "Ah, essa essa é a princesa da Grécia".
Foi rápido que eu que eu que eu conheci. >> É. E aí e aí?
Tá bom. Aí tu >> descobri. >> Tu não é a princesa de lugar nenhum?
>> Não sou bem. >> Tu é a princesinha do seu pai. >> Exactly, >> né?
Tá bom. Eh, e como é estar no meio dela, como essas pessoas reagem com outras pessoas que não são necessariamente filhos de oligarcas russos? >> Sim.
Então, eu era a minoria, mas assim, existia pessoas com que eram classe média alta, mas não desse nível. Eu acho que a galera f, eu lembro que a galera ficava chocada que eu não tinha nenhum item de Chanel ou de Goiard e era realmente uma coisa meio estranha que não tinha nada designer, >> mas eu eu sentia orgulho disso que eu era era uma coisa diferente. Eu acho que na minha escola o status realmente era ligado com a quantidade de dinheiro que você tinha e minha visão do mundo ficou um pouco distorcida, porque eu acabei pensando que eu talvez não tinha tanto dinheiro.
A gente na verdade falou disso ontem. A gente tem o mesmo, a gente tem o mesmo, tinha o mesmo complexo, um pouquinho tão complexo, mas uma leva insegurança. >> Não fazia muito efeito na minha vida, mas era algo que eu percebia que, tipo, eu era o o pobre dos ricos, né?
>> Eu eu tinha meus amigos que eram os realmente meus amigos eram quem tinha bolsa no colégium. >> Uhum. >> E o povo falava muito de dinheiro, era muita, tipo, ostentação mesmo de carro, de roupa, de viagem.
E a gente, nosso pai, uma vez ele achou pão no lixo mofado e trouxe para dentro de casa para comer, porque ele é o jeito dele. >> E aí e também eu eu me lembro perguntar minha pra minha mãe, a gente é rico e ela falava que a gente era confortável, aí para mim isso era pobre. >> Aí eu não sabia.
A gente fica tinha essa essa leva insegurança. Então às vezes eu me lembro tinha um pouco de insegurança para trazer alguém pra minha casa, que hoje em dia eu amo minha casa. Tem uma casa grande para Londres, só que não era no mesmo padrão que a casa de todo mundo.
>> Aham. >> Né? Que era tipo piso branco de mármore, >> um certo bairro.
>> É, certo, num certo bairro, todo mundo com o mesmo carro. Eu, nosso pai tem um um Voxo Corsa de 2013. Eh, a janela é assim.
>> Ele curte o carro, que eu sei, eu já vi no vídeo. >> O importante, o importante para ele é de de um lugar pro outro. É só isso mesmo.
Ele já ele ele falava quando a gente era criança que ele ele queria comprar um carrinho de leite. >> Não sei como fala isso em português. Aqueles carrinhos que transporta leite.
É, >> eu não sei se eu sei. Eu o carro do leite aqui no Brasil é outra coisa, né? >> É.
Não é não >> é? Pois é. >> Eu fuiístico aí.
La >> é, mas é ele que ele tipo ele reclamava de gente que tinha carro grande e falava qual a necessidade disso? Isso é uma grande diferença entre culturas mais internacionais, tipo árabe, russo, italiano, francês e o inglês. O inglês até tendo dinheiro não gosta de ostentar o dinheiro.
Você não, você concorda com isso? >> No meu colégio ostentavam. >> Ok.
Quem quem tinha dinheiro, quer >> dizer se o senhor era mais ya, new money. >> É, mas eu acho que é isso. Então, a gente tinha esse essa insegurança, mas hoje em dia quando a gente saiu do colégio, lá pro final do colégio, já a gente começou a perceber, na verdade, porque, né, a gente tinha amigos no Brasil também que realmente >> Aham.
eram pobres assim, eh, >> pobres mesmo. E dava para, mas era uma pobreza que não dava para comparar porque era muito diferente da nossa situação. Então, a gente não se comparava com ele, a gente se comparava com a gente que era mais ou menos a gente, só que muito mais também não tinha noção da das dificuldades da vida no geral.
Então, a gente não tinha muita noção. >> E aí a gente foi percebendo que, na verdade, [ __ ] a gente tava no melhor patamar aí. a gente eh não tem dinheiro para [ __ ] tá confortável aí, nossa família é unida, nossos pais estão juntos, eh, e que a maioria nos situação, que lugar esquisito para citar.
Eu acho que eu tô entendendo. Vamos lá, ver se eu entendi. Quando vocês estavam no Brasil, vocês eram eram e eu entendo.
É Salvador. Salvador. Eh, não conheço Salvador, mas eu faço uma ideia.
Eh, já fui a alguns lugares lá. umas algumas vezes. Então eu sei que dá para dá para ter uma diferença muito gritante entre classes em Salvador e dentro essa essas essas diferenças aí vocês estavam bem, quase no topo, vamos dizer, né?
Quase lou, mas quando a gente transporta isso para Londres, a diferença fica muito maior pro outro extremo. Tinha gente, vocês lidavam com pessoas que eram muito mais ricas, então você fica numa posição que tu não sabe se tu com onde é que tu, [ __ ] eu sou pobre, eu sou rico, especialmente sendo um jovem que você você tendo, você tem 24, você tem 26, vocês eram, estamos falando uma época que vocês tinham, sei lá, jovem jovens adultos ou não, adolescentes. Então, >> eh, eu consigo entender que é uma posição que é mãe, is tem o dinheiro, estamos confortável, [ __ ] Que diabo isso quer dizer, mano?
É, e também, tipo, minha mãe não, sempre o que eu comprava era a versão mais barata daquela coisa. >> Mas quando saiu o PlayStation 3, tu tinha um >> Não, eu fui comprar um Xbox 360 e quando o PlayStation, quando o Xbox One saiu, por quê? Porque não se interessava, não, eu me interessava muito, só que >> só todo dinheiro tava indo pra escola.
>> Eu tinha uma certa, eu não gostava de pedir assim. >> Aham. Eh, eu acho que muitas vezes quando eu pedia, eu não gostava de pedir, não gostava, precisa de um pequeno violino aqui, viu?
Tocando no lado. >> A vida era muito difícil, mas e assim tudo era sempre de >> como você lidava com as coisas assim, tu tinha tu tinha umas vontadezinhas, tu, ah pai, queria ter um iPhone assim, [ __ ] No sétimo ano, quando ela entrou pro colégio, ela recebeu um, ela recebeu um Android e ela queria um Blackberry, sabe? O BlackBerry.
>> E ela chorou. Oh, please >> chorou porque ela não tinha. Você sofria muito com essas essas.
>> Eu tinha mais que J porque >> não tinha não. Eu era de boa. >> Eu acho que outra coisa também era Instagram.
As minhas do meu ano usava muito Instagram, então a comparação tava bem aí. Então assim, é, eu era mais insegura, muito mais que Jo. >> Eu era feliz com o meu Xbox 360 de merda, >> mas assim, era sempre, eu não, nossa vida sempre foi muito boa, muito boa.
Eu só, eu só tô falando que essa comparação entre meus amigos era porque ele sempre recebia tudo assim de primeira mão, a coisa mais nova, o lançamento mais novo, e eu demorava mais para receber. E eu pensava, >> será que meus pais estão apertados? Ou será que, ou será que, ou pensava, ou será que ou será que meus pais só seguram mais o dinheiro?
>> E aí minha mãe falava que, ó, esse esse povo aqui gasta dinheiro, você vai ver, daqui alguns anos vão estar tudo quebrado. >> Eu sabia que aconteceu com vários amigos que, tipo, venderam a casa, foram morar num lugar menor, então ou >> prisão até >> eu acho que meus pais só >> tem alguns na prisão, >> tem muito. É verdade.
>> Os dois >> tem muito, tinha muita responsabilidade financeira. >> Uhum. Sim, >> entendi.
Cuidado. >> E o meu equivalente era tipo, Joe, era questão de do Xbox ou do carro, para mim era viagens, tipo, tem lugares específicos que a galera desse nível vai, tipo Egod, St. Moritz e Ruschvel para esquiar.
Tem esses lugares específicos para esquiar. A gente não esquiava, >> a gente era bem class. >> Pro Brasil que era melhor ainda.
E eu só queria ir pro Brasil mesmo. >> Pois é, mas eu tinha insegurança sobre isso no Instagram. A gente foi, isso é muito vergonhoso.
Você vai sardi? >> E a gente foi pro norte da ilha. >> Calma que ela vai entregar o ouro, [ __ ] >> Não, mas é esse é o ouro mesmo.
A gente foi pr pra Sardenha. >> Pro ilha. >> Não, a gente foi pro sul da Sardia.
Só que a cara parte legal da Sardia que todo mundo tirava foto do Instagram com aquela água bem azul, essa época de 2014 que todo mundo ligava muito pra água azul de Instagram. >> Só você e minhas amigas doidas da escola. Eu queria pra parte nó, eu vou ser cancelada, né, gente?
Eu vou aparecer no ato do Leblon, aquele aquela conta do Instagram. Mas eu queria ir pra parte norte da ilha porque água era mais azul para tirar foto do Instagram para mostrar pr minhas amigas. Eu tinha, >> é, eu surtava com isso.
>> [ __ ] 2014 você era uma criança. >> Andar, é, mas eu acho que andar com gente muito rica realmente subconscientemente me adoeceu um pouquinho. >> Adoeceu?
Não, adoeceu não sei, mas o bagulho que você falou lá no começo >> que é muda a tua percepção de mundo, ela fica meio perdida mesmo. Eu entendo que imagina eu explicar pra minha filha que eh eu dormi no chão uns 10 anos que eu não tinha cama. Tipo que é minha filha que tem um quarto, que tem a cama, que que fica tem o computador dela.
Não, eu fui ter isso aí. Eu fui, eu fui comprar videogame depois de velho. Aí hoje eu tenho uns videogame velho que eu queria ter na época e não tive, tá ligado?
Mas é, eu entendo que é difícil de explicar mesmo. E eu e eu entendo que pr, pra minha filha é difícil de entender mesmo.