O trabalho é uma forma de identificar e questionar os pensamentos que causam todo o sofrimento do mundo e todo o sofrimento da sua vida. Passei três anos quando o trabalho me encontrou completamente sozinha no deserto, só querendo me afastar de tudo e de todos, com uma fome enorme de entender. Havia uma mercearia bem pequena e um dia entrei.
Perto das maçãs, viu uma mulher com duas sacolas grandes, uma em cada mão. De repente, perdi toda a noção de quem eu era ou do que estava acontecendo, o que por um tempo acontecia com frequência. Olhei para ela e disse: "Você pode me abraçar, por favor?
" Na mesma hora, ela largou as sacolas, me abraçou com força e começou a me embalar e cantar uma canção de Ninar. Isso é o que eu chamo de um universo amigável. É assim que eu enxergo todos os seres humanos.
Cada gato, cachorro, árvore. É quem nós somos quando deixamos de lado nossas histórias. Acho que se você perguntasse, as pessoas diriam que sou comum.
Não há nada em mim que chame a atenção. Tive uma vida bem comum, ensino médio, do anos de faculdade, me casei, tive três filhos, me divorciei, depois me casei de novo e então uma depressão profunda me atingiu, tão escura, tão constante, tão sem fim. Passei anos, mais de uma década, vivendo com agora fóbica, com pavor de sair de casa.
Muitas vezes eu nem conseguia sair do quarto. A vida era muito dolorosa. Meus filhos me viam naquele estado e eu sentia uma culpa e uma vergonha imensas.
Foi um pesadelo, como se eu estivesse numa prisão sem saída. Um dia, meu marido me levou para uma casa de apoio recomendada por um médico. Fui apresentada a três mulheres.
Elas disseram que eu as assustava tanto que não queriam que eu ficasse ali, mas sugeriram que eu ficasse no sótam. E eu simplesmente disse sim para tudo. Eu estava completamente entregue.
Minha autoestima era tão baixa que eu achava que não merecia nenhuma cama para dormir. Certa noite, enquanto eu dormia no chão, uma barata passou correndo pelo meu pé. Abri os olhos e, por um breve instante, antes do ego reagir, eu vi como todo o meu mundo era criado.
O ego dando nome a tudo que eu via, luz, janela, teto, parede. Ele dava nome até ao que não pode ser nomeado. Antes disso, não havia a identificação, não havia eu, não havia mundo.
Eu olhava pro corpo e via isso. Esse corpo se levantou, andou, saiu pela porta, parou diante de um espelho e olhou no fundo daqueles olhos. Foi como se eu me encontrasse pela primeira vez.
O amor simplesmente aconteceu. Percebi que sempre que eu acreditava nos meus pensamentos, eu sofria. E quando eu não acreditava neles, eu não sofria.
Meu marido e meus filhos vieram me buscar. A mudança que viram em mim foi tão grande, eles nem me reconheciam. Eu nem sabia que tinha uma família até começarem a me identificar de novo.
Sou mulher, tenho marido, tenho três filhos, tenho uma casa. Eu estava saindo da porta ainda com toda a gorafobia e meu marido dizia: "Onde você pensa que vai, Kate? " E eu pensava, essa é uma das perguntas mais incríveis que já ouvi.
Onde eu acho que estou indo? A alegria de não saber. Eu não fazia a menor ideia.
No deserto, o vento às vezes soprava forte por vários dias e eu amava isso. Encontrar o mundo era como se apaixonar por tudo e por todos. Alguns diziam: "Tem uma mulher meio doida que fala em fazer amizade com o vento, mas outros ligavam para mim e diziam: "Você pode me ajudar?
" E claramente essas pessoas tinham a mente aberta. Eu respondia: "Sim, só ouvia. Elas contavam seus problemas.
Meu marido me deixou. Tem algo de errado comigo. Nunca vou conseguir o incrego.
Estou com câncer. Vou morrer. Então eu fazia quatro perguntas.
Um. Isso é verdade? Dois.
Você pode ter certeza absoluta de que isso é verdade? Três. Como você reage quando acredita neste pensamento?
Quatro. Quem você seria sem este pensamento? Aprendi que o sofrimento é opcional, mas para quem tem coragem de responder sinceramente a estas perguntas, a vida se transforma num presente e qualquer um pode fazer esse trabalho se a mente estiver aberta para isso.
A partir dessa descoberta, Byron Kate criou um processo simples chamado o trabalho. A maior parte do sofrimento que sentimos vem de um lugar, dos pensamentos que acreditamos sem questionar. pensamentos como ele não me valoriza, eu nunca vou conseguir, ela deveria me tratar melhor, isso não deveria estar acontecendo.
Byron Kate percebeu que quando começamos a investigar esses pensamentos, ao invés de apenas acreditar neles, algo profundo acontece, a dor diminui e a mente se abre. Então, ela criou um método simples chamado o trabalho. Ele é feito com quatro perguntas que funcionam como chaves para destrancar a prisão da mente.
Vamos entender cada uma delas como se fosse uma conversa com você mesmo. Um, isso é verdade? Essa pergunta convida você a parar por um momento e olhar de novo para aquele pensamento doloroso.
Por exemplo, ele não me valoriza. Você pergunta: "Isso é verdade? " Talvez você diga: "Sim, mas o importante é se abrir para a dúvida.
Será? Dois, você pode ter certeza absoluta de que isso é verdade. Aqui a investigação vai mais fundo.
Você olha com mais atenção e pergunta: "Eu posso ter certeza total absoluta que isso é verdade? " Muitas vezes vamos perceber que estamos apenas interpretando, presumindo, criando histórias. Três, como você reage quando acredita nesse pensamento?
Agora é hora de sentir como você se sente quando acredita nesse pensamento? O que acontece no seu corpo? Você fica com raiva, triste, com medo?
Você se afasta das pessoas? Se fecha, se culpa? Essa pergunta mostra o peso que esse pensamento tem em você.
Quatro. Quem você seria sem esse pensamento? Aqui algo mágico acontece.
Imagine viver essa mesma situação, mas sem o pensamento ele não me valoriza. Sem o pensamento ele não me valoriza. Quem você seria?
Mais leve, mais presente, em paz? Talvez até capaz de ouvir ou ver o outro com mais clareza. Parece simples, mas quando você responde com sinceridade, algo dentro de você se solta.
Você para de lutar com a realidade e começa a perceber que não são os fatos que machucam, mas sim o que acreditamos sobre eles. Esse é o poder do o trabalho. Não é sobre pensar positivo, mas ver a verdade além das crenças.
E se tudo o que te faz sofrer for só um pensamento, às vezes o que mais dói não é o que aconteceu com você, mas o que você acredita sobre o que aconteceu. Foi o que Byron Kate descobriu no fundo do deserto, no fundo de si mesma. Ela passou anos mergulhada numa depressão profunda.
Tinha medo de sair do quarto. Sentia a vergonha dos próprios filhos e acreditava que não merecia nenhuma cama. O sofrimento era tão grande que ela não via saída.
Era como uma prisão, sem portas, sem janelas. Até que um dia, deitada no chão, uma simples barata passou por seu pé. E nesse exato momento, antes do ego surgir com seus nomes e histórias, algo se abriu.
Ela percebeu o que nunca tinha visto antes, que tudo o que ela sofria era construído por pensamentos. Pensamentos que diziam: "Você não é boa o bastante, você estragou tudo. Você está sozinha.
Você é um fracasso. E pela primeira vez ela viu que nenhum desses pensamentos era realmente verdade. Quando ela deixou de acreditar nos pensamentos, o sofrimento desapareceu e naquele instante ela conheceu algo que muitos passam a vida inteira sem encontrar.
Paz. Você já se perguntou se aquilo que você acredita com tanta certeza é mesmo verdade? Ou será que são só histórias inventadas pelo ego?
Veja esses exemplos práticos. Uma mulher dizia: "Meu marido me deixou porque eu não sou suficiente". Ao investigar, ela viu que era só um pensamento, uma história antiga que se repetia.
Sem esse pensamento, ela sentia alívio, leveza, liberdade. Outro dizia: "Nunca vou conseguir um bom trabalho". Mas quando olhou de verdade, viu que já tinha superado tantas coisas e que aquela frase era só medo com voz de certeza.
Quantas vezes você já sofreu por algo que só existia na sua cabeça? Quantas noites acordado revivendo cenas que talvez nunca tenham sido reais? E se tudo isso pudesse ser questionado?
Sofrimento é opcional, não porque a vida vai parar de te desafiar, mas porque você pode parar de acreditar em tudo o que a sua mente te diz. A vida é um presente, mas só se você tiver coragem de abrir. Faça as perguntas, duvide dos pensamentos e talvez você se encontre também no silêncio que existe antes de qualquer história.
Fim das contas, o que o trabalho de Byron Kate nos convida a descobrir não é algo externo, não é uma resposta do mundo, não é uma mudança milagrosa na outra pessoa, é um retorno silencioso a nós mesmos. A grande virada está em entender que não são os acontecimentos que nos machucam, mas os pensamentos que temos sobre eles. Isso pode soar estranho à primeira vista.
Como assim? Não é o que acontece, mas o que penso sobre o que acontece. Mas pare e observe.
Duas pessoas passam por uma situação parecida. Uma sofre profundamente, a outra segue em paz. O que muda?
A interpretação, o pensamento, a história contada pela mente. O sofrimento psicológico, aquele que nos consome por dentro, nasce quase sempre de pensamentos não questionados. E quanto mais acreditamos cegamente neles, mais prisioneiros nos tornamos.
prisioneiros da raiva, da mágoa, da culpa, da ansiedade, da vergonha, prisioneiros daquilo que parece real, mas na verdade é só uma lente distorcida. O trabalho nos oferece uma saída, mas não uma saída que exija esforço forçado ou pensamento positivo. É uma saída que nasce da verdade.
E a verdade não machuca. O que machuca é resistir a ela. A simplicidade que liberta.
As quatro perguntas parecem simples e são, mas a transformação acontece quando respondemos com o coração nu, com a mente disposta a enxergar o que está por trás da velha narrativa. Quando perguntamos: "Isso é verdade", não estamos buscando uma resposta certa, estamos abrindo espaço quando perguntamos: "Quem eu seria sem esse pensamento? " Estamos abrindo uma fresta na cela da nossa mente e por essa fresta entra a luz.
Essa luz é a percepção de que não precisamos forçar o perdão. Ele surgem naturalmente quando vemos que o outro, assim como nós, estava apenas acreditando em um pensamento doloroso. Essa luz revela que talvez aquela pessoa não nos traiu.
Nós é que acreditamos que ela deveria ter agido diferente. Talvez ela só estava sendo quem é. E nós é que estávamos presos à ideia de como ela deveria ser.
E então vem a libertação. Não porque o mundo mudou, mas porque a visão interna se transformou. O retorno ao presente.
Quando deixamos de lutar com o que é, algo profundo acontece. Voltamos ao presente. E o presente, por mais simples que seja, é sempre mais leve do que o peso da história que carregamos.
Já se parou que o sofrimento vive no tempo psicológico? Ou é um pensamento sobre o passado, isso não deveria ter acontecido, ou sobre o futuro. E se isso acontecer comigo?
Mas a verdade está aqui, agora no que é. E quando a mente começa a questionar os pensamentos que a mantém refém, ela se torna livre para voltar ao presente. Livre para parar de brigar com a realidade, livre para descansar em paz, mesmo em meio ao caos.
A humildade de não saber. Talvez uma das maiores dádivas de o trabalho seja essa. Ela nos devolve a humildade de não saber.
Porque na verdade, quantas vezes você já teve certeza de algo e depois viu que não era bem assim? Quantas vezes jurou que sabia o que o outro estava pensando ou porque agiu daquele jeito? Quantas vezes a sua mente construiu histórias que mais tarde se provaram ilusões.
Quando você se pergunta, você pode saber com certeza absoluta que isso é verdade? Você está abrindo mão do orgulho de ter razão e está escolhendo a leveza de simplesmente ver com novos olhos. Essa abertura muda tudo, porque enquanto estivermos agarrados ao "Eu sei o que é certo", estaremos em guerra.
Mas quando admitimos, talvez eu não saiba, a paz entra surrateiramente, como quem não quer nada. e aos poucos silencia a tempestade interior. O amor que surge quando a luta cessa.
E talvez a parte mais bonita de tudo isso é que quando a luta mental cessa, o amor aparece. Não aquele amor romântico, condicional, cheio de expectativas, mas um amor silencioso, um respeito profundo por cada ser humano, uma compaixão espontânea que nasce quando você percebe. Todos estão apenas acreditando em pensamentos, assim como você.
A mulher que grita com o filho, o homem que te traiu, o colega que te ignorou, o pai que não soube te amar como você precisava, eles também estão sofrendo com as histórias que acreditam. E quando você vê isso de verdade, não como teoria, mas como verdade sentida, o julgamento perde a força. E no lugar da mágoa surge o perdão.
No lugar da resistência a aceitação. No lugar da dor, a paz que vem do entendimento. Um caminho simples, mas profundo.
O trabalho de Brian Katy não é uma técnica que você faz uma vez e pronto. É um convite constante à consciência. Um caminho que você pode seguir todos os dias, toda vez que sentir desconforto, dor, raiva, ressentimento, ansiedade, porque cada pensamento doloroso que surge é um sinal, um chamado para você parar, olhar e questionar.
Com o tempo, a mente aprende a confiar mais na realidade do que na história. E você começa a viver de forma mais leve, mais presente, mais amorosa. A paz está ao seu alcance.
Você não precisa mudar o mundo para encontrar a paz. Não precisa que o outro peça desculpas, nem que a vida seja perfeita. Basta começar a questionar o que te machuca por dentro.
O trabalho de Brian Katy é como um espelho. Ele não julga, não acusa, não impõe, apenas revela que a paz nunca esteve lá fora. Ela sempre esteve aqui, esperando você olhar para dentro e dizer: "Será que isso é mesmo verdade?
" E a partir dessa pergunta começa o retorno, não a um novo lugar, mas ao que sempre esteve aqui, o silêncio da mente livre, a verdade do coração presente e a paz de simplesmente ser.