Hoje vamos falar sobre um tema essencial para compreender as relações humanas, a psicologia social, a psicologia comunitária e a psicologia social comunitária. Essas áreas investigam como os indivíduos interagem entre si e com a comunidade, revelando a importância dos grupos, das práticas sociais e do compromisso ético e político do psicólogo. Ao longo da história, pensadores como Dorquirin, Tarde, Meade e Vunde abriram caminhos para entendermos a sociedade, os conflitos e as transformações coletivas.
E é justamente nessa intersecção entre indivíduo e comunidade que surgem novos paradigmas de atuação voltados para a mudança social e o bem-estar coletivo. A psicologia social, a psicologia comunitária e a psicologia social comunitária tem raízes históricas distintas, mas que se entrelaçam. Todas surgem como respostas à necessidades de compreender o ser humano em suas relações, mas cada uma enfatiza níveis diferentes da realidade social.
Para compreender essa trajetória, precisamos olhar primeiro para os fundamentos da psicologia social, depois para o surgimento da psicologia comunitária e, por fim, para a integração crítica que deu origem à psicologia social comunitária. A construção da psicologia social não pode ser entendida sem as contribuições da sociologia no século XIX. Emily Dorkyhein entre 1858 e 1917 foi um dos principais nomes desse período.
Ele defendia que a sociedade exerce uma força sobre os indivíduos que se manifesta nos fatos sociais. Esses fatos são normas, valores, regras e estruturas que existem independentemente da vontade individual, mas que influenciam profundamente a conduta. A contribuição de Dorky Hain foi destacar que o comportamento humano não pode ser explicado apenas pelas características individuais, mas deve ser entendido à luz das forças coletivas que moldam e organizam a vida social.
Gabriel Tard, contemporâneo de Dorhein, trabalhou em outra direção. Entre 1843 e 1904. Destacou os processos de imitação, interação, invenção como forças fundamentais da vida social.
Enquanto Dorky Hain privilegiava o macro, tarde concentrava-se no micro, nas relações interpessoais. Sua obra mostrou que a sociedade se constrói nas pequenas interações cotidianas, onde os indivíduos influenciam mutuamente. Essa perspectiva deu ênfase ao caráter dinâmico e relacional da vida social.
Auguste Conte, considerado o pai do positivismo, também aparece nesse cenário. Entre 1830 e 1842. Desenvolveu estudos descritivos que buscavam sistematizar as ciências sociais.
Sua proposta era tratar o estudo da sociedade de forma científica, com base em observação e descrição. Embora não tenha desenvolvido diretamente uma psicologia social, sua tentativa de sistematização serviu como base para o campo. Esses três autores formam a tríade de origem da psicologia social, Durkhain, com seu olhar estrutural, tarde com sua atenção às interações e conte com a tentativa de sistematização científica.
No final do século XIX, surge uma nova leva de contribuições. Em 1895, Gustavo Lebon publicou Psicologia das Multidões, considerado o primeiro estudo sistemático sobre o comportamento de grupos. Lebon observou que quando reunidos, os indivíduos podem perder sua racionalidade, tornando-se suscetíveis a emoções coletivas intensas.
Sua ênfase estava no irracional coletivo, mostrando que o grupo é mais do que a soma de seus membros. Essa visão foi importante para destacar que o comportamento muda no contexto da multidão. No mesmo ano, George Herbert Mead começou a desenvolver suas ideias sobre o interacionismo simbólico.
Para Mead, a identidade não é um dado individual, mas um produto da comunicação. Através dos símbolos e da linguagem, os indivíduos constróem o eu. Sua contribuição foi mostrar que a subjetividade é sempre social, pois surge da interação mediada pela comunicação.
Essa perspectiva trouxe um enfoque inovador para psicologia social, conectando identidade, sociedade e linguagem. Entre 19 e 1920, Vilhelm Wund publicou sua psicologia dos povos. Nessa obra, Wundigou os mitos, os costumes e a linguagem como expressões coletivas.
Sua contribuição foi trazer a cultura e a história para o centro da análise psicológica, mostrando que não se pode compreender o comportamento humano sem considerar a herança cultural. Vund, que já era reconhecido como fundador da psicologia experimental, acrescentou aqui uma dimensão social e histórica ao estudo da mente. Na década de 1920, Floyd Portata publicou obras que consolidaram a psicologia social como disciplina científica nos Estados Unidos.
Aortata enfatizou o estudo empírico do comportamento humano em grupos, considerando variáveis de contexto. Sua abordagem deu um caráter experimental e observacional à psicologia social, afastando-se de especulações filosóficas e aproximando-se de métodos científicos. Essa consolidação também teve reflexos na formação de instituições.
No Brasil, um marco importante foi a criação da Associação Brasileira de Psicologia Social, Abrapso em 1980. Essa associação nasceu com o propósito de reunir psicólogos sociais interessados em compartilhar práticas e fortalecer a pesquisa na área. Abrapso deu visibilidade a temas como preconceito, violência, desigualdade e representações sociais, sempre buscando uma psicologia social alinhada à realidade brasileira.
A psicologia comunitária surgiu nas décadas de 1960 e 1970 em contextos diferentes. Nos Estados Unidos apareceu vinculada à saúde pública como forma de ampliar o alcance das práticas psicológicas para além do consultório, alcançando populações inteiras. Na América Latina, assumiu um caráter marcadamente político.
Prado, em 2002, destacou que a psicologia comunitária na região buscava um novo modelo de atuação para enfrentar problemas sociais. No Brasil, a psicologia comunitária nasceu em meio à ditadura militar. Line, em 2007, recorda que havia questionamento sobre a ausência de psicólogos nos centros comunitários.
O desafio era tornar a psicologia relevante para a vida cotidiana das pessoas, especialmente em contextos de exclusão. A comunidade passou a ser entendida como espaço privilegiado de interação. Guarei em 2007 destacou que os grupos se constituem como sistemas de relações dinâmicas que mudam conforme entram novos integrantes ou ocorrem transformações sociais.
Outros autores resgataram experiências históricas importantes para a psicologia comunitária. Vasconcelos, em 1985, apontou o psicodrama de Jacob Moreno, desenvolvido em Viena em 1908 como marco inicial. Moreno introduziu a arte dramática como forma de intervenção comunitária.
Vhelmich na década de 1920 com sua proposta de higiene sexual, também foi lembrado como pioneiro em levar a psicologia para a vida social de forma crítica e transformadora. A psicologia social comunitária nasceu na década de 1970 na América Latina como resposta à insatisfação com a psicologia social tradicional. Segundo Monteiro, em 2000, essa nova vertente surgiu porque a psicologia social não conseguia responder às demandas concretas da sociedade.
A psicologia social comunitária uniu fundamentos da psicologia social, que estuda relações e representações, e da psicologia comunitária, que trabalha com grupos e comunidades, acrescentando a elas um compromisso ético e político de transformação. Ramos e Carvalho, em 2008, reforçaram que a psicologia social comunitária é um paradigma voltado para a transformação social. Ela não se limita a observar ou descrever fenômenos, mas busca intervir.
Scarparo e Guareesi, em 2007, destacaram que essa abordagem utiliza uma visão crítica para analisar problemas sociais. Campus, em 2007, afirmou que a construção do conhecimento deve se fundamentar na interação entre o psicólogo e a comunidade. Freitas, em 2007, acrescentou que o princípio da humanização é essencial nesse processo.
Álvaro e Garrido, em 2006, enfatizaram que o objetivo é promover mudanças estruturais dentro das comunidades. Assim, a psicologia social comunitária representa a síntese e o avanço das duas áreas anteriores. Seu surgimento mostra a busca de uma psicologia mais comprometida, que reconhece a importância da participação, da ética e da política no trabalho com comunidades.
A psicologia social tem como conceito central o estudo das relações interpessoais e dos processos que emergem quando indivíduos interagem entre si e com o ambiente. em 1981, Myers em 2000 e Rodrigues em 2002 ressaltam que a área se baseia no método científico para compreender como as pessoas se relacionam, produzem pensamentos e expressam comportamentos em contextos específicos. Esse campo não olha apenas para o indivíduo isolado, mas para a maneira como o meio socultural influencia cada conduta.
O ambiente é uma variável fundamental e, por isso, as representações sociais, as atitudes e a linguagem são vistas como chaves de investigação. Rodrigues, Asmar e Jablonski, em 1999 destacam que a psicologia social busca compreender tanto processos cognitivos quanto comportamentais que organizam a vida coletiva. Lin em 1984 acrescenta que um de seus objetivos é identificar a dinâmica da linguagem e das percepções individuais.
As representações sociais construídas em interação são a principal fonte de análise, pois seam como os grupos compartiram sentidos e orientam práticas cotidianas. A psicologia comunitária, por sua vez, tem como conceito fundamental a comunidade como espaço de interação. Lein em 2007 lembra que é na comunidade que as pessoas constróem laços e Guarexi em 2007 aponta que os grupos são sistemas de relações em transformação.
Isso significa que o psicólogo comunitário deve compreender os valores, as crenças e as necessidades que circulam nesse contexto, identificando linguagens, sentimentos e representações que guiam o grupo. em 2002 mostrou que na América Latina a psicologia comunitária foi marcada por uma visão política, pois entendia que não bastava oferecer suporte clínico, era preciso enfrentar desigualdades estruturais. Tovar, em 1994, defende que a análise comunitária deve contextualizar expectativas, atitudes e crenças culturais.
Assim, a psicologia comunitária é definida não só como campo de estudo, mas também como prática transformadora, voltada para autonomia e a emancipação dos grupos. A psicologia social comunitária amplia ainda mais esse conceito. Montero, em 2000, explicou que ela nasceu da insatisfação com uma psicologia social que descrevia, mas não intervinha.
Ramos e Carvalho, em 2008 reforçam que se trata de um novo paradigma em que o conhecimento deve ser construído junto com a comunidade e orientado por compromisso ético e político. Scarparo e Guarei em 2007 ressaltam que a psicologia social comunitária adota uma postura crítica diante dos problemas sociais. Campus em 2007 acrescenta que a interação entre psicólogo e comunidade é o núcleo da construção de conhecimento.
Freitas em 2007 lembra que a humanização deve estar sempre presente e Álvaro e Garrido em 2006 destacam que o objetivo é promover mudanças estruturais que transformem as condições de vida. Nesse sentido, o conceito de psicologia social comunitária integra teoria e prática, conhecimento e ação, ciência e política. A psicologia social tem como objetivo compreender a maneira pela qual as pessoas se relacionam, produzem pensamentos, sentimentos e comportamentos em contextos sociais.
Line em 1981 destacou que esse campo deve explicar como o ambiente influencia o indivíduo, considerando que fatores externos são determinantes nas condutas humanas. Myers em 2000 reforçou que o método científico é fundamental para garantir rigor e credibilidade nesse estudo. Rodrigues, em 2002, apontou que o objetivo central é analisar o modo como as interações sociais moldam atitudes e percepções.
Rodrigues, Asmar e Jablonski, em 1999, lembram que a psicologia social busca entender os processos cognitivos e comportamentais que sustentam as relações. Line em 1984 acrescenta que compreender as representações sociais é essencial, já que elas são construídas coletivamente e orientam o comportamento individual e grupal. Assim, os objetivos da psicologia social estão ligados a explicar preconceito, cooperação, liderança, identidade e todas as formas de interação humana.
A psicologia comunitária tem como objetivo promover mudanças concretas na vida das comunidades. Lein em 2007 destaca que o psicólogo comunitário deve identificar as linguagens, os sentimentos e as representações do grupo, ajudando a construir estratégias que fortaleçam a coletividade. Prada em 2002 mostrou que na América Latina esse objetivo se tornou político, pois havia a necessidade de enfrentar desigualdades sociais e de transformar instituições.
Paresi, em 2007, ressaltou que a intervenção deve desenvolver a autonomia dos grupos, permitindo que eles adquiram mais poder de decisão sobre sua própria realidade. Tovar, em 1994, apontou que os objetivos também incluem a contextualização das necessidades, atitudes e crenças culturais. Shimenes e Barros em 2009, inspirados em Vigotsk, lembram que a psicologia comunitária deve estudar os processos psicossociais que se formam no coletivo.
Portanto, o objetivo central da psicologia comunitária é fortalecer vínculos, estimular a participação e possibilitar que a própria comunidade se torne agente de mudança. A psicologia social comunitária vai além desses objetivos. Monteiro em 2000 defendeu que não basta observar ou apoiar, é preciso transformar.
Ramos e Carvalho, em 2008 reforçaram que esse campo nasceu para unir teoria e prática, ciência e engajamento político. Scarparo e Guarei em 2007 afirmaram que a psicologia social comunitária tem como objetivo adotar uma postura crítica diante dos problemas sociais. Campus em 2007 acrescentou que o psicólogo deve atuar como mediador, construindo conhecimento junto com a comunidade.
Freitas em 2007 destacou que a humanização é parte indispensável desse processo, enquanto Álvaro e Garrido em 2006 ressaltaram que a meta final é a transformação estrutural da comunidade. Dessa forma, a psicologia social comunitária tem como objetivo explícito a mudança social, colocando a ética, a política e a participação crítica no centro da prática psicológica. Esse foi o conteúdo de hoje.
Se você gostou, deixe o seu like, comente aqui embaixo o que achou e se inscreva no canal para acompanhar os próximos vídeos. A sua participação é muito importante para que possamos continuar produzindo e compartilhando conhecimento. Até a próxima.