Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. A vida eterna é esta: que conheçam a Deus como único Deus e Aquele que enviou Jesus Cristo.
Como é possível que o conhecer, o ter consciência, um ato de inteligência seja a vida eterna? Para nós, um ato de inteligência parece uma coisa tão desencarnada, tão fria, tão morta. Bom, vamos primeiro entender o que é vida eterna.
Vejam, existe a vida humana, existe a vida divina. Vida eterna é esta vida do próprio Deus; aquilo que no Novo Testamento se chama de “zoé aiónios”, ou seja, uma vida ilimitada, sem limites, não somente temporal. Aqui, a realidade não quer dizer somente que é uma vida circunscrita no tempo e uma outra sem circunscrição temporal.
Não, é uma vida plena em todos os sentidos; é a vida de Deus, a vida do próprio Deus, a vida infinita. Ora, como é que é possível que eu, homem limitado, viva a vida infinita do próprio Deus? Isso objetivamente não é possível, a não ser que eu seja inserido em Deus como um ramo enxertado em outra árvore.
E aí, aquele ramo enxertado começa a viver e a receber a seiva que vem daquela árvore. Ora, este enxerto, este plugue, esta conexão com a vida divina se dá através da fé, a virtude da fé. Por quê?
Porque é a virtude da fé que nos põe em contato com o amor de Deus. Eu acho que é importante a gente refletir isso constantemente, voltar sempre a essa Verdade. Veja, o amor que nos salva não é o amor que eu realizo.
O amor que me salva é o amor que Deus tem por mim, que Deus manifestou na Cruz, que Deus manifestou morrendo por mim. Este é o amor que me salva. Depois, eu reajo a esse amor e o amo de volta, mas o amor salvador para nós, seres humanos, é um amor passivo, ou seja, é receber amor.
Mas como é que eu recebo amor? Não é possível receber amor se você não faz um ato de fé. Veja, eu não estou nem falando de fé sobrenatural, não.
Vamos descer o nível, vamos olhar para o plano da fé humana, a mais simples, a mais básica. Olhe os atos de amor de uma pessoa, como sua mãe, por exemplo. Como é que você sabe que sua mãe ama você?
Você não tem acesso ao amor dela, porque você não é capaz de entrar no coração dela e ver se tem amor lá dentro. Você vê no seu coração o amor que você tem pelas outras pessoas. Mas como é que você tem acesso ao amor que está lá no coração do outro?
Você não tem acesso, você só tem acesso às obras. A pessoa fez obras; você reflete sobre aquelas obras e aquelas obras têm duas interpretações. Sua mãe fez aquilo e sofreu porque ela realmente ama você?
Ou ela fez aquilo e sofreu porque ela simplesmente é vaidosa e quer se achar o centro do mundo? Você escolhe. Quando você, então, reflete e vê pelo todo da vida de sua mãe que ela não fez aquilo por vaidade, que aquilo foi por amor e doação, você então crê.
Você faz um ato de amor, de amor que é recebido e que é dado de volta. Então, quando você crê, você recebe o amor. Diga: “Eu creio que tem amor ali naquele coração”.
E aí você vai e decide amar de volta. A vida eterna é isto. Participar do amor eterno é isto.
Um ato de fé em primeiro lugar, porque somente assim eu vou receber esse amor. Se não, Cristo pode ter morrido por mim na Cruz, mas este amor nunca será aplicado a mim, porque eu não creio n’Ele e, portanto, não o recebo, porque só é possível receber amor por um ato de fé. Só é possível entrar na vida eterna de Deus, que é amor infinito, com um ato de fé.
Deus abençoe você. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.