Hoje eu vim aqui compartilhar um algo muito importante com vocês, porque eu sei que vocês têm um carinho muito grande pela vovó e vocês têm me perguntado por ela, então eu deveria dar essa explicação. Há 12 dias a vovó sofreu um AVC e é um momento bem delicado. E neste momento não quero falar nada demais, nada além daquilo que realmente importa, que é a oração.
Eu já fui visitar, já vi como ela tá. Agora eu vou respeitar da forma mais tranquila possível, porque eu não quero alimentar nenhuma desavença ou qualquer situação que tire o foco do que realmente a gente precisa neste momento, que é a oração. E então eu peço para vocês tirar um tempinho, fazer uma oração para que Deus faça o melhor por ela.
Eh, porque eu acredito muito na força da oração e no poder que existe quando várias pessoas se unem em fé. Eu agradeço, tá? Pelo carinho de cada um e eu peço que todos tenham empatia, que aqui só mandem mensagens positivas e porque a nossa página só foi de ensinamento de amor, de cuidados e aqui a gente só incentiva a paz, tá bom?
Então eu peço a oração e Deus abençoe cada um de vocês. Vim aqui comunicar vocês que infelizmente hoje a vovó veio a falecer, [roncando] ela tava internada, tava muito mal. E eu e meu vô decidimos ontem de noite que nós ia vir hoje cedo, né, para nós cuidar dela lá no hospital.
Chegando [roncando] aqui, nós passou no Assis, nós recebeu a notícia que ela tinha falecido e muito ruim para nós, porque nós fez, nós fez tanto para nós vir, né, tentar ver ela bem, tentar [roncando] eh cuidar dela, né, mas infelizmente ela faleceu. [roncando] E eu queria deixar só avisado pra vocês aqui que eu tenho certeza que ela ajudou muita gente, né? Ela ajudou muita gente a sair da depressão com os vídeos que nós fazia com ela.
Ajudou muita gente que tava num momento horrível da sua vida. E eu agradeço muito por Deus dar essa oportunidade, né? E eu tenho certeza que Deus já garantiu o lugarzinho dela no céu.
Hoje a avó Valdeci faleceu e eu tô muito triste, arrasado, de verdade. Eu acompanhava ela com carinho porque ela lembrava muito a minha avó Amália em tudo, no olhar, no jeitinho, nas gracinhas, naquela forma doce, engraçada, que fazia a gente se apegar. Eu sempre conversava com a Patrícia no WhatsApp, sempre perguntava como elas estavam, queria saber como estavam as coisas, porque eu tinha um carinho enorme por elas.
Patrícia, já falei com você no WhatsApp, mas eu espero que você fique em paz. Você foi incrível nos cuidados com a VC, cuidou com amor, com paciência, com presença, com verdade. Quem acompanhou sabe o quanto ela foi amada por você.
Mas eu preciso falar uma coisa que eu sei que talvez nem seja o momento, mas eu também não consigo deixar passar batido. Dói muito o que aconteceu quando tiraram a avó Valdeci de perto da Patrícia. Eu falei sobre isso na época, fiz um vídeo, infelizmente era nítido que aquilo tinha grandes chances de dar errado.
Não era só mudar uma idosa de lugar, era tirar uma pessoa com alzarme de uma rotina, de um vínculo, de um cuidado, de uma segurança que ela já conhecia. Eu não estou dizendo que isso foi a causa da morte dela. Isso eu não posso afirmar.
Mas também não dá para fingir que uma mudança dessa não pesa. Pesa e muito. E que fique esse alerta antes de tirar um idoso com Alzheim, onde ele é amado, cuidado.
Pense bem, porque quando ele já não consegue falar, ele sente que Deus receba a avó Valdeci com muito amor e que a avó Amália receba ela lá no céu também. Descanse em paz, vó Valdeci. Olhar as fotos da pessoa falecida é uma forma de elaborando o luto.
E eu tô aqui olhando uma por uma e enquanto eu olhava, uma pergunta não saía da minha cabeça. O que faz a vida valer a pena? Porque quando a gente fala sobre Alzheimer, sempre falamos sobre aquilo que foi perdido, a memória, as histórias, a autonomia.
Mas olhando para essas imagens, eu me dei conta de que existe uma pergunta mais importante. O que permaneceu? E o que permaneceu pra vovó Valdeci foi o amor.
Porque o Alzheimer pode apagar lembranças, mas não apaga a capacidade de sentir, de sentir acolhimento, de sentir segurança, de sentir afeto, de sentir que se pertence a algum lugar. Ninguém escolhe ter Alzheimer, mas nós escolhemos como vamos cuidar de quem vive com ele. E cuidado não é apenas sobre dar medicamentos.
Cuidado é presença, é paciência, é segurar a mão, é incluir na conversa, é continuar enxergando a pessoa quando a doença insiste em esconder quem ela é. E olhando para essas fotos, eu vejo isso com muita clareza. Eu vejo uma mulher que continuou sendo amada, que continuou sendo incluída, que continuou sendo escolhida.
E vejo também o amor de quem cuidou. E aí entra minha mãe que me ensinou que o cuidado acontece na repetição do amor, nos pequenos gestos, na presença constante, na escolha diária de preservar a dignidade de alguém. E talvez por isso essas imagens têm me emocionado tanto, porque eu não vejo alguém que foi definida pelo Alzheimer.
Eu vejo alguém sorrindo, alguém querendo dançar, alguém vivendo. E hoje fica só essas boas lembranças, que o tempo em que a avó Valdeci ficou com a gente, foi um privilégio poder aprender, porque mesmo quando a memória falhava, o Valdeci continuava falando: "Graças a Deus, você é uma bção de Deus. e continuava fazendo gracinha e continuava chamando para dançar e continuava encontrando motivos para dar aquela gargalhada.
E sem perceber nos ensinou uma coisa muito importante, que a felicidade não mora na perfeição e que o amor encontra caminhos que a memória não consegue explicar e que vale a pena viver, vale a pena amar, vale a pena cuidar, porque no final o que permanece não são apenas lembranças, são os afetos, são as marcas de amor que deixamos uns outros. Hoje fica saudade, mas a certeza de que houve cuidado. Enquanto pôde, houve cuidado, houve dignidade, houve presença, houve amor.
E talvez seja exatamente isso que faz uma vida valer a pena. Que carinho gostoso da avó. Eu te amo de coração, minha filha.
Você é uma bção de Deus. O tempo de coração, graças a Deus. Viu, minha linda?
Eu também te amo de coração. Te amo, minha filha. Te amo.
Eita, eu te amo tanto. Amo. Graças a Deus, de coração.
Eu também amo, amo, amo, amo, amo, porque a senhora é uma bênção de Deus. Tá, minha filha. Graças a Deus.
Graças a Deus, né, minha filha? Uhum. Lizinho.
[risadas] Gente, tem carinho mais gostoso que isso. Toda vez que eu sento na escola da avó e ela começa a fazer esses carinho, eu lembro da minha avó, final da avó Paulina. Eu deitava assim no colo dela, ela ficava passando a mão nos meus cabelos, no meu rosto.
Ai, que delícia. Ai, que saudade, que lembrança boa, né? Só quem teve esses carinhos que sabe, viu?
Minha mãezinha, eu falo assim, cantando com ela. Você fala cantando com a sua mãe? Como que a senhora fala?
Cantando assim, ó. Minha minha mãezinha. Eu te amo de coração.
[risadas] Que é uma bção de Deus. Ai, vó, a senhora é um amor, né? Graças a Deus, né, filha?
A bção de Deus. E a sua mãezinha é amorosa? É.
E pro seu paizinho você canta assim também? Como que você canta pro seu pai? Eu amo meu pai.
de coração. Ah, é assim. Ah, entendi.
Bem um pouquinho para ela que senão tomar Tá.