convém fazer. >> Vamos então começar. >> Tá tudo pronto?
>> Bom, fala, então, se faz favor, diz o nome, como queres ficar referida e a função na casa museu. >> Eh, Mafalda e Cas de Portugal, eh, gestora de coleções da Casa Museu Dr António Anastácio Gonçalves. Sempre a olhar para Isabel, tá?
>> Sempre é isso. >> Pronto, pode mudar o olhar de vez em quando, mas foca a Isabel. Tá bem.
Estamos agora aqui na na sala de jantar na casa museu da Universidade Gonçalves. E o que memória que o que é que por que é que o que é que tu gostarias aqui de referir, de caracterizar, de que memórias te trazem esta este espaço? >> Eh, a casa de jantar eh é um sítio que todos os visitantes que aqui vêm ficam encantados.
é algo eh que nós quase nem precisamos de dizer nada. Eh, desde logo porque tem este belíssimo vitral francês de que o pintor José Malhoa, eh, que foi quem mandou construir a casa, eh, encomendou em Paris este e um outro vitral. Eh, e aliás tem ali a assinatura soci artistic de Panteurver.
E, portanto, é uma sala impactante e é uma sala também eh muito interessante, desde logo, porque foi construída em 1905 eh tal como o todo o edifício, eh tem este vital e vitral integrado, tal como também este e escaparate. E isto tem a ver com a a novidade da época da arte Nova, de uma arquitetura com integração das artes aplicadas. E, portanto, aqui temos a arte aplicada do Vitral, que foi assim uma uma moda fantástica, eh, já desde finais do século XIX em todo o ocidente e depois vai se prolongar no século XX, na primeira metade.
E aqui na zona das avenidas novas, se pensarmos na pastelaria Versalhes, que é posterior à Casa Museu, a Casa Malhoa, melhor dizendo, a também é algo muito importante os seus vitrais. Eh, a casa de jantar, como eu dizia, é uma novidade eh do século XIX, é um uma divisão das casas eh que pensa-se que corresponde também a a uma afirmação de valores da burguesia, de estar em família. E porque até então nas casas ricas, nas casas importantes, o senhor da casa estava num determinado sítio, no dia a dia, não estamos a falar das salas dos banquetes, estava num determinado sítio e quando eh queria tomar uma refeição, chamava aos criados e dizia-lhes para pôrem a mesa.
Portanto, nós ainda hoje usamos a usamos os termos de pôr e tirar a mesa. hoje em dia dizemos em sentido figurado, porque não vamos carregar a mesa, eh, não andamos a deslocar a mesa de um lado para o outro, mas vem vem dessa, vem dessa razão histórica. E, portanto, no século XIX, eh, temos, por exemplo, o Palácio da Ajuda, que também tem uma casa de jantar com características e é anterior a esta e tem características semelhantes.
Portanto, isto é um gosto, é uma novidade do século XIX esta divisão como a função de juntar eh a eh a família eh no mesmo local eh ao longo das refeições diárias. Eh, e que este o gosto para esta divisão vai se manter eh durante uns uns eh um um uma uns anos seguintes para depois hoje em dia quase desaparecer, não é? Hoje em dia temos a sala, a sala que dá para tudo.
No geral, a a casa de jantar, como eu estava a dizer, tem características e que são estes apanelamentos de madeira, eh, os lambris de madeira, neste caso, os embotidos também não é uma sala grande, portanto não tem os aparadores, eh, foi tudo embotido e este teto também é algo muito característico dessas salas. E depois as prateleiras na parede, a onde também se põem a a peças relativas à mesa e ainda mesas de apoio. Mais uma vez aqui, como não há os aparadores, eh, estão aqui colocadas mesas de apoio, que também são mesas da coleção, mas que eh nós costumamos fazer mesa, uma mesa cénica, pelo menos eh uma mesa por estação do ano.
Agora temos aqui a mesa posta à mesa de outono, mas eh mas isto vai mudando. A, e nas mesas de apoio também acaba por ser a um apoio precisamente à mesa. A a casa de jantar.
A também temos a memória a aqui mesmo neste local da Maria Lucília Moita, que foi a uma priminha muito mais nova do Dr António Anastácio Gonçalves e que ela era de Alcanena, tal como o Primo António, eh, como ela o tratava e os restantes primos também. E ela tinha muito desejo eh de aprender a pintar. e o Dr António, eh eh o Dr Anastácio Gonçalves, de facto, sempre foi uma pessoa eh muito preocupada com o bem comum, com o bem o bem de todos.
E neste caso concreto da sua família, eh diz-se que até foi ele que foi sugerindo aos pais e da Lucília Moita, da mais tarde moita do marido, mas da Lucília, da prima Lucília, priminha Lucília, eh para ela vir para Lisboa. E então a os pais estabeleceram-se cá temporadas, sobretudo a mãe com ela e o primo António convidava para ela vir quinzenalmente, isto na década de 1950, para ela vir quinzenalmente almoçar com ele, eh, e mostrar-lhe os seus trabalhos, o que ela fazia. E então temos a descrição dela em que eh o prim António se sente, esse era o lugar dele, aliás nós pomos sempre a campainha na mesa, é uma pista, uma pista para o visitante perceber onde é que se sentava o dono da casa e e ele sentava propositadamente, virava, como ela diz, para o belo Vitral, Arte Nova.
Eh, e depois ela tem uma série de memórias e muito muito interessantes. A, aliás, a família do Dr Anastásio, a ainda hoje mantém relações com esta casa e ajudam imenso o nosso trabalho e a missão desta casa museu. Eh, o que é excelente.
pensando e voltando ao ao Vitral Arte Nova, e de facto e este grande janelão também teve possibilidade de ser construído por causa de todas as mudanças e as inovações técnicas e da segunda metade do século XIX, como fosse a arquitetura do ferro, que que permite, portanto, era ferro e depois permitia grandes andelões. Daí ter havido também uma possibilidade técnica para estes grandes janelões na arquitetura civil, porque até então o Vitral destinava-se sobretudo à arquitetura religiosa e, aliás, Portugal tem uma grande tradição nisso. Só se pensarmos na batalha, no mosteiro da batalha, eh pensamos logo nisso.
E e portanto, como eu tinha dito, isto tornou-se uma grande uma grande moda, um grande gosto. moda no sentido de é moda mesmo, era gosto, um grande gosto na arquitetura civil e aqui a zona das avenidas novas eh tem muitos vitrais. Este vitral, o mestre José Malhoa foi buscá-lo a Paris.
A e é um Vital arte nova. Os vidros e isto é uma técnica muito antiga, uma técnica muito antiga que se mantém muito semelhante ao longo de séculos. E aqui eh estes vidros foram todos à mofla.
Portanto, depois houve uma assimilação por parte eh da matéria vítria, eh uma assimilação dos pigmentos por parte da vítrio. E depois isto é tudo montado eh com chumbo e o próprio chumbo também vai salientar os motivos decorativos e depois está virada a poente. Portanto, a partir da tarde, a de facto, a é muito impressionante no no sentido de ser ser realmente muito bonito.
No verão, nós temos que tapar o vitral por questões de conservação. E, aliás, como na maior parte dos museus, a Casa Museu a trabalha em estreita articulação, não só com normas internacionais definidas pelo International Council of Museums, mas também a em parcerias com investigação, por exemplo, neste caso, investigação mesmo científica da Faculdade de Ciências e Tecnologia e da Universidade Nova de Lisboa, que em 2017 fizeram um projeto e de estudo, de investigação dos vitrais da Museu e nós seguimos as diretrizes deles eh para uma conservação preventiva e, portanto, no verão eh este belo vitral fica tapado com as portadas originais de madeira e que são colocadas. Isto é uma janela e e são colocados.
>> Boa. Tá ótimo. Tá.
>> Se calhar não falei de muitas outras coisas. Vamos então. Então vamos continuar então.
Eh, agora podemos nos focar na nas coleções. >> Hum. >> Se achares, >> se quiseres retomar alguma ideia a reforçar alguma ideia.
>> Não, >> não. Começamos. Então, olhando para a coleção legada pela Dr.
Anastácio Gonçalves, quais são as os o no fundo as coleções representativas do gosto do colecionador e o que é que a Casa Museu também eh mostra ao visitante? Qual é que é a intenção na recreação desta desta? Pronto.
Eh, eu quis dar a tónica do edifício. >> Só uma coisa agora a resposta tem que tentar enfatizar a figura dele, ou seja, falar da perspectiva dele. >> Sim.
Doutor arrastar. >> Não. E e na dele não a casa museu oferece, mas >> claro >> ele ele escolheu isto por isto, por isto e por aquilo.
Ou seja, vamos um bocadinho atrás, não é? A perspectiva é dar um bocadinho antes de ser casa museu. >> Claro.
>> Isto é mais sobre ele do que da casa museu. A casa museu é uma consequência. >> Tá bem, tá bem, tá bem.
Obrigada. H, >> quer fazer? >> Pois, pois, exatamente.
O que é a coleção, o que é que a coleção deixa perceber sobre o perfil do colecionador? grandes grandes grupos, grandes temas aqui são >> o Dr Anastácio Gonçalves eh eh começou, ele nasceu em 1988 e começou a a colecionar arte, como ele chamava, a à sua coleção, era uma coleção de arte. eh começou a colecionar sobretudo pintura, pintura portuguesa eh dos naturalistas e com a temática predominante da paisagem, muito cara, aliás, aos naturalistas, mas que ele gostava imenso.
Aliás, grande parte e da coleção de pintura do Dr Anastácio eh tem o tema da paisagem. Eh, simultaneamente, eh, portanto, em finais dos anos 20, que foi quando ele começou a colecionar, eh também eh começou a adquirir peças de mobiliário. O Dr Anastácio Gonçalves tinha um gosto conservador.
Eh, ele não eh adquiria peças do seu tempo, ele adquiria antiguidades, era o que sobretudo lhe interessava. quando ele adquiriu algumas peças eh da sua época, feitas na sua época, depois acabou por se desfazer delas. Aliás, ele adquiria muito para fazer trocas e também é uma maneira que todos os todos os colecionadores têm de ir apurando eh a as suas coleções.
H o Dr Anastácio não comprava por impulso, era uma pessoa, isso também tem a ver com o seu caráter reservado e sobretudo e racional de uma racionalidade da área das ciências. ele era médico e um excelente médico e foi professor, enfim, eh, e era e tinha de facto um caráter meticuloso. E a sua biblioteca é reveladora disso e é algo que tem sempre que se que se cruzar eh com a com a construção a sua coleção.
A, portanto, como eu disse, a podemos considerar que há dois grandes focos, dois grandes núcleos de coleção, a pintura, essencialmente pintura portuguesa e do século XIX. A, e é mesmo interessante vir à Casa Museu e, por exemplo, podemos aqui encontrar a Portugal de quase todos os sítios e isso é é uma descoberta. eh também adquiriu algumas peças de pintura estrangeira, sobretudo europeia, e em termos de mobiliário, eh, mobiliário, sobretudo europeu.
A, e depois há um, há uma terceiro, um terceiro tipo de coleção que ele se vai lançar a partir dos anos 40 e que é cerâmica, sobretudo porana chinesa de exportação, portanto a porcelana que os chineses começaram a fazer, sobretudo a partir dos séculos XV, 16 para exportarem para o ocidente depois da rota eh da rota eh marítima eh para o Oriente, descoberta pelos portugueses. E aí também podemos traçar eh também podemos perceber muito dessas ligações entre Ocidente e Oriente. Mas, por exemplo, nesta sala também temos um outro gosto do Dr Anastásio, que é a cerâmica eh turca a e também persa a e que não é muito comum nest a em casas assim em colecionadores daquela época.
e que eh o Dr Anastácio Gonçalves também eh se interessou bastante. Eh, ele recebia eh catálogos eh de leilões e não só. eh era um viajante eh invetrado porque eh viajava imenso, tinha um gosto enorme por viajar, deu várias voltas ao mundo, ia regularmente às grandes capitais europeias e tudo isso para conhecer a cultura e para e comprar.
no entanto, nunca comprou praticamente nada no estrangeiro. Portanto, a isso também tem a ver com a conjuntura de Portugal. Na altura, por causa da na Segunda Guerra Mundial, houve uma série de pessoas que vieram da Europa mais de leste, tudo é toda a Europa é leste de Portugal, não é?
e vieram para Portugal para depois se encaminharem muitos deles para as Américas, mas muitos deles acabaram por ficar cá e várias dessas pessoas trouxeram objetos e também desenvolveram cá a sua atividade profissional ao nível de comércio, de arte e de antiguidades. E, portanto, o Dr Anastácio comprava sobretudo a essas pessoas e e é lógico que as relações de confiança se vão estabelecendo. E, portanto, ele às vezes também fazia encomendas, os e Marcha Chandarro eh também vinham cá regularmente eh à casa do Dr Anastácio e falar-lhe, conversar com ele para ver o que é que lhe interessava.
Eh, e portanto isso foi assim eh durante eh a sua vida nesta casa que foram 33 anos. Portanto, ele viveu aqui de 1932, teve muito gosto em comprar esta casa, porque era a casa de um artista naturalista, um grande artista português naturalista. Ele quando comprou esta casa já tinha a noção que aqui queria eh fazer para legar ao Estado português ou à nação portuguesa eh uma casa museu eh de acordo e um bocado inspirada e nas casas museu que ele tinha visto noutros países, nomeadamente a casa museu SA, do arquiteto SA em Londres.
Eh, e aliás, o seu testamento é muito interessante, eh, porque ele refere isso mesmo. E agora perdi-me. >> Tá, tá.
>> OK. Falaste da da do testamento, >> mas eu não disse uma coisa muito importante que é ele fazer o inventário. É importantíssimo.
>> Então, agora como é que o Dr Anastácio Gonçalves foi construída esta coleção? com que cuidado e o e que gosto é que revelam também os seus os seus espíritos. >> Há historiadores de arte que que referem que eh esta coleção é muito reveladora eh do gosto de um gosto do colecionador burguês português eh da primeira metade e meados eh do século XX.
Eh, e é verdade, eh, é um gosto conservador, como eu já disse. E o Dr Anastácio. A, portanto, ele aprofundava muito os seus conhecimentos, convivia a com pessoas do meio, à correspondência e entre ele e, por exemplo, algumas pessoas de museus ou leiloeiras estrangeiras, por exemplo, ele comprou uma peça que ficou na dúvida com o autor, por exemplo, e então faz aquilo que eh para para tirar as dúvidas e e até consegue que volte e meia algum desses especialistas estrangeiros e nacionais venham à sua casa apreciar as peças.
E outra característica muito interessante é que o Dr Anastácio faz um inventário telegráfico porque ele não era pessoa de escrever muitas palavras e ou seja sucinto, mas ele faz um inventário pormenorizado, sistemático da sua coleção e eh anualmente faz uma avaliação de tudo. E este inventário é feito por ele de 1926 a 1965. Portanto, são 40 anos em que o Dr Anastásio meticulosamente vai fazendo eh este inventário com citações bibliográficas e tudo.
Eh, e isso é é muito interessante, referindo a quem comprou, por quanto comprou, quanto é que custou o transporte, faz uma descrição sucinta, aliás, é como começa, faz uma descrição sucinta da peça. A, às vezes também refere que viu peças igual neste museu, este ou aquele, a, e até escreve o estado de conservação, como nós diríamos hoje, e quanto é que gastou com o restauro. Eh, e isso são tudo elementos muito interessantes eh para isto.
O Dr Estácio também comprou outras áreas ou outras eh outras áreas, como por exemplo peças de orivaria. Eh, e no caso da Orivezaria é muito interessante porque ele ele que eh se apresentava como ateu, embora a família diga que era um ateu, graças a Deus, desde logo e pelos seus valores e e ação benemérita, mas ele comprou imensas peças, não só de orivaria, também algumas de mobiliário e escultura, peças de arte sacra e portanto Portanto, nós a também já fizemos um estudo em relação a essa coleção periférica, como lhe chamou a um antigo diretor, José Alberto Ribeiro, e a professora Teresa Leonor Vale. E sendo e uma coleção eh digamos que periférica das três principais, não é?
da pintura, mobiliário e cerâmica tem algumas peças excecionais. E é muito interessante tudo isto e a a pessoa conhecer. Por exemplo, ao nível também tem alguns relógios eh que, aliás, se ouvem pela casa.
Felizmente conseguimos que continuem a a funcionar. E o Dr Anastácio Gonçalves também teve muito interesse em comprar relógios de bolso, que são joias autênticas. Eh, também há alguma escultura.
Eh, e ele comprou muito a estes marchandares antiquários, mas também, por exemplo, eh, alguns artistas e sobretudo a famílias de artistas e e até em casas de penhores. Portanto, a pessoa quando tá num círculo de interesses e vai aprofundando o seu interesse, vai onde onde acha que pode encontrar aquilo que quer. >> Tá ótimo.
Tá. >> Ai, eu acho que me falta tanta coisa porque a minha área não é a área das coleções, a minha área de formação. Isabel, >> tá bem.
Podes começar então o que é que é mais interessante, >> ó Isabel? atenção. >> Então o que é que também consideras interessante?
>> Há outro, começava logo assim. Há outro lá há >> há um pormenor. Há um >> há um pormenor e engraçado que eu agora me esqueci completamente o que é que é.
Ai desculpa. >> Nós estamos a falar da gestão de coleções do >> de Alberta. >> Ah, já sei.
Desculpem. >> Eu começar a ser há um pormenor. >> Posso?
Há um pormenor engraçado, eh, que o Dr eh, Anastácio houve certos objetos que ele não usou, porque ele tinha, de facto, o cuidado de querer eh que esses objetos viessem integrar o museu na melhor forma possível. E então, por exemplo, a cama eh a cama Dona Maria eh que está agora no seu quarto, ele nunca usou. E o Dr Anastá e por exemplo os serviços, sabemos também que os serviços melhores da China ele também nunca usou porque porque achava que que não era preciso.
Agora tinha tudo muito junto a si. a casa estava cheia eh de porcelana, de cerâmica, de peças por todo lado. Eh, é curioso que muitas peças de arte sacra ele tinha no seu quarto, portanto, num ambiente muito privado, onde, aliás, originalmente elas estariam, não é?
Porque tinham a ver com a devoção privada das pessoas, mas ele também conservou junto a si eh o seu espírito curioso, digamos, dizemos nós, curiosidade científica. e ele deixou até determinações para eh eh para que as peças menos boas e e os objetos do seu uso cotidiano eh não fossem integrados na futura Casa Museu e eh se fossem vendidos ou dados ou claro que houve várias dessas coisas que que não se respeitou. Portanto, ainda ainda há até inclusivamente eh alguma roupa dele, sobretudo o seu uniforme, os seus uniformes, porque ele fez parte eh do corpo expedicionário português da Primeira Guerra Mundial, onde esteve eh a de 1917 a 1919.
Aliás, ele foi herói da Primeira Guerra Mundial, precisamente porque não esperava que lhe trouxessem os feridos. ele avançava e é sempre o seu espírito e a sua ação muito disciplinada. Eh, e estava a falar de roupa e e lembrei-me que um outro núcleo eh que também tem peças interessantes eh foram os é são os têxteis eh em que inclus alguns têteis orientais, europeus e inclusivamente tapeçaria.
H, portanto, só que isso é mais difícil expor ao público, mas, portanto, ele tinha um gosto eh muito eclético, eh era muito criterioso nas suas aquisições, negociava brutalmente, eh até devia ser um bocado difícil e de lidar, embora tivesse relações amistosas no mercado da arte, mas até devia ser um bocado difícil, porque ele tentava ao máximo não perder dinheiro. Eh, até comprava algumas peças para depois vender, eh, porque ele tinha eh tinha bens que lhe tinham vindo da família, da indústria dos cortumes, eh, da Alcanena, eh, e, e da sua vida profissional, mas não era um Carlos Gbenken com quem, aliás, ele conviveu e de quem foi médico. A, aliás, os colecionadores da época conheciam-se e essa também é uma, isto agora é outra questão, mas essa também a é uma das razões pelas quais eh se considera que talvez ele, por isso tenha investido mais, por exemplo, na coleção de pintura portuguesa como um núcleo eh muito importante eh de ter um um corpo um corpo de coleção eh com muita qualidade, a porque estava a ao alcance do seu bolso e também porque os outros colecionadores da época não investiram tanto nisso.
Por exemplo, um senhor Medeiros e Almeida eh é um colecionador com semelhanças com a Dr Anastácio, mas e mas nisto a pintura portuguesa não. Eh e pronto, >> tá ótimo. Acaba, tá ótimo.
questão, a questão do testamento e não sei quê >> é ler agora, não é? >> Ah, ok. Mas ler então, mas é preciso dar alguma introdução.
>> Já disse, já disse favor do testamento e da casa s já, já, já. >> Então vamos lá um bocadinho sobre o testamento, não? De acordo com o seu espírito metódico, eh o Dr Anastácio eh fez testamentos eh e o último testamento dele eh que foi feito no verão de 1964, depois ele eh morreu em setembro de 1965, o ano depois.
Mas esse seu último testamento é uma peça interessantíssima, porque é muito revelador dele. Foi escrito pelo seu próprio punho e e merece ser ouvido e lido porque é ele quem está ali, de facto, e pode também explicar muito sobre a vida dele e sobre a a as coleções dele. >> Muito bem.
É ótimo. Isto >> está entrar agora depois entrou >> leitura. Sim.
Yeah.