Professor, dúvida. Tiga. É o primeiro encontro seu é da tua aula hoje. Isso. Esse é o primeiro. Esse é o primeiro. Então a gente tá iniciando hoje. É porque eu tava perdido. Perdo muito tempo. A gente a gente tá iniciando hoje, tá? Eh, vou aproveitar então já para me apresentar, falar um pouquinho sobre como que vai funcionar esses nossos encontros, nossa dinâmica licenciatura em artes. Excelente. Deixa eu aproveitar antes dar boa noite para vocês, né? vocês dedicaram tempo aí do dia de vocês para estar aqui hoje aprendendo, estudando. Então isso já diz como que vocês
estão comprometidos com a futura atuação profissional de vocês e e consequentemente, né, eh, com a construção de um repertório intelectual, acadêmico, porque essa é a vivência mesmo da da academia da universidade. Então, muito obrigado, Ana, e boa noite a Seissa. Sei se é assim que pronuncia, não sei se tô pronunciando corretamente. Johnny, o José, a Michele, a Rita, Roseli, provavelmente mais alguns outros alunos vão entrando ao longo desse nosso encontro de hoje. Eu sou o professor Lucas Benat. Esse é o nosso primeiro encontro, como eu tava dizendo aqui pro José, mas provavelmente nós vamos nos
ver em muitas outras semanas, né? Então, eu estou ingressando agora na instituição. Eu já trabalho há um bom tempo no ensino superior. Então, vou falar um pouquinho aqui da minha formação, então me situar para que vocês também possam conhecer da de que lugar que eu tô falando, né? Quem é que está aqui conversando com vocês? Eh, eu sou formado em artes visuais, eu sou mestre, tô concluindo meu doutorado. Semana que vem eu defendo a minha tese, então na no nosso próximo encontro, na semana que vem, já estarei doutor, já serei doutor. Eh, já há algum
tempo que eu trabalho no ensino superior, mas também tenho uma experiência na educação básica. faço questão de ter também essa experiência no chão da escola, porque se nós vamos formar futuros professores, todo mundo tá aqui em licenciatura em artes ou então licenciatura em artes visuais, eh precisa conhecer da realidade da escola, né? Eu costumo dizer que eu trabalho ali em dois eh dois pontos, né? então, com a teoria, com a estética, com a história da arte, que é justamente eh esse primeiro tripé aqui que nós vamos começar a dialogar na na aula de hoje. E
num segundo ponto, principalmente com a prática de ensino, com esses aspectos criativos e pedagógicos do ensino de arte, certo? Eh, nós teremos encontros semanais, então, basicamente todas as semanas vocês estarão aqui me vendo, né? Claro que com uma dinâmica diferente, cada semana uma proposta diferente. Haverão semanas em que nós estaremos dedicados ao estudo. Nesse caso aqui serão 10 encontros, tá, pessoal, de teoria estética história da arte. Eh, mas alguns outros encontros, o a última quarta-feira do mês, toda a última quarta-feira do mês, e aqui eu já vou aproveitar para fazer esse convite para vocês. Toda
última quarta-feira do mês, sempre é esse mesmo horário, tá? Às 19:30, horário de Brasília, nós teremos o encontro do nosso grupo de pesquisa. Então, teremos um grupo de pesquisa agora no nos cursos, né, tanto de artes visuais quanto da licenciatura em artes, que é o LAEC, é o meu grupo de pesquisa, eu já venho eh com elaborando, né, trabalhos, pesquisas há um tempo no LAEC. Então, um grupo de pesquisa meu coordenado por mim, que é o laboratório de arte e educação criativa. Então, no grupo de pesquisa, a ideia eh realizarmos ali um estudo de alguns
textos, realizarmos encontros nesse sentido de um aprofundamento teórico mesmo. E eu gostaria que todos pudessem participar do grupo de pesquisa também, né? É importante ter essa presença em grupo de pesquisa, realizarmos leituras acadêmicas e no caso do LAEC, nós teremos um foco maior para pensarmos a educação. Então, um laboratório de arte e educação criativa. Então, pensaremos esse amálgama, esse encontro entre as estéticas, as poéticas, as expressões artísticas, as linguagens expressivas junto com essa dinâmica da prática de ensino, tá? Que é esse meu lugar em que eu se situo, justamente como eu comentei aqui com vocês,
tá? Eh, sintam-se muito à vontade. No início da aula eu já disse isso, mas eu vou reforçar. Professor, tô com alguma dúvida? Esse é um momento pessoal. Isso eu quero fazer assim um elogio a à própria instituição, porque não são todas as instituições que possibilitam isso, principalmente o D, de termos um momento de troca ao vivo. Então, vocês estão diante de um professor que tem ali uma certa bagagem de referências, que já atua no ensino superior, na educação básica. Então, sou parecerista de eh periódicos científicos no campo da história da arte, já escrevi livros no
campo da história da arte. Então, é uma possibilidade mesmo de trocas, de aprendermos de uma maneira conjunta, tá? Eh, não se sintam assim, eu sei que às vezes o Meite, né, porque eu estou vendo vocês e isso para mim é ótimo, tá acuados no sentido de ai não vou fazer uma pergunta, vai que o professor acha que a pergunta não é válida. Toda pergunta é válida, tá pessoal? Se existe essa dúvida, nós vamos sanar essa dúvida. E essa oportunidade, vocês já têm lá o material da disciplina, vocês já têm os livros, né, as aulas, enfim,
mas essa é uma possibilidade de troca síncrona, certo? Então, me apresentei um pouquinho para vocês. Acho que essa faz parte da da minha trajetória enquanto um professor, enquanto pesquisador, tal também enquanto artista, eu acho que essa tríade ela é fundamental da gente incorporar, então ser artista, ser professor, ser pesquisador. Como eu tava comentando com vocês, esses nossos encontros eles acontecem de uma maneira eh interdisciplinar. Então, tem alunos aqui que estão em fases diferentes da graduação, né? Tem alunos que estão na licencientem artes visuais. C centura em artes. Tem alunos que estão cursando uma disciplina, tem
alunos que estão cursando outra disciplina, tem alunos que estão em fases diferentes ali da graduação. A proposta desses nossos encontros é justamente fortalecer esse vínculo acadêmico, permitindo o debate de temas que são importantíssimos para pra formação de vocês, seja lá em qual nível, seja lá em qual grau. Por isso que eu pensei esses nossos encontros a partir de algumas temáticas. Essa nossa primeira temática é justamente falarmos sobre teoria estética e história da arte. Como eu comentei com vocês, são 10 encontros pra gente falar sobre isso, sobre teoria, sobre estética, história da arte. Nesse nosso primeiro
encontro, nós iremos tratar sobre a artificação. Alguém aqui já ouviu falar em artificação? O que é artificação? Sim ou não? Não, nunca ouvi falar. Ainda não. Vai ser essa a proposta então da gente aprender sobre artificação. Pessoal, é um termo que a gente utiliza para nos referirmos ao processo de transformação daquele objeto que não é arte em arte, como algo se torna arte, quando algo é arte. Então, o pensamento essencialmente ali conceitual e teórico. Eh, sempre faço o couro dessa necessidade de nós termos uma boa biblioteca de referência nesse sentido de uma construção mesmo. Eh,
essa esses nossos encontros estarão pautados nesse tripé. Então, nós vamos lidar com a teoria da arte, como é o caso desse nosso primeiro encontro. Nós vamos discutir sobre arte. Nós vamos refletir sobre arte a partir de teorias, a partir de teóricos. senão nós vamos refletir sobre quando algo se torna a, certo? Eh, mas também nós temos outros dois pilares, que é justamente a estética e história da arte. Então, nós vamos ter semana que vem a gente vai falar sobre leitura de imagem e interpretação de obras de arte. Como eu faço a leitura de uma obra
de arte, como eu interpreto uma obra de arte, certo? vocês, enquanto artistas, enquanto professores, pesquisadores, precisam ter, acho que essa eh esse contato com essas ideias, porque como que eu ensino o meu aluno a fazer uma leitura de uma obra de arte, por exemplo? Como que eu me coloco ali como esse sujeito que vai visitar uma exposição no museu e é capaz de formular algum pensamento a partir das obras que eu estou olhando ali, que eu estou contemplando, que eu estou experienciando, que eu estou eh tendo esse contato ali naquele espaço? e a história da
arte, obviamente, porque toda a arte contextual, toda a arte ela se situa num tempo e isso a a agrega pro nosso processo criativo, agrega como nosso referencial, porque eu vou precisar ensinar os meus alunos, vou precisar ensinar diferentes momentos da história da arte, né? Então, por isso que nós vamos começar justamente com essa essa dinâmica: teoria, estética, história da arte. Depois desses 10 encontros, nós teremos ali, né, outras temáticas transversais. para serem trabalhadas, mas por por enquanto nós iremos partilhar nesse percurso. Então hoje nós vamos falar sobre artificação, sobre quando a não arte se transforma
em arte, quando é que isso ocorre? Não sei se vocês já pararam para fazer essa reflexão sobre o que é que caracteriza um objeto artístico, o que faz com que algo seja arte, né? Por exemplo, essa minha garrafa é um objeto de arte? Não, todo mundo sabe que isso daqui não é um objeto de arte, mas por que que ele não é um objeto de arte? E talvez essa é a reflexão que a gente precise realizar. Então, eu sei que essa garrafa não é um objeto artístico, mas o que é então at e por que
que essa minha garrafa em específico, esse meu objeto específico não é um objeto artístico? Eu particularmente gosto muito de etimologias, então voltar à origem das palavras. A nossa palavra arte, ela deriva do latim, ars, artes, que era o equivalente grego da palavra tecn, eram palavras irmãs. Tanto é que poética é basicamente a mesma coisa de poetique, a mesma no mesmo sentido de tecnê, certo? E o que que significa a tecnê, né, dentro dessa raiz etimológica? produzir com determinado fim, produzir com determinado objetivo. Então, em síntese, o que é que torna algo arte? A intencionalidade de
fazer com que aquilo seja arte. Porque se eu tô entendendo que na própria raiz etimológica da palavra arte, nós tínhamos essa intencionalidade de produzir arte, significa que não é qualquer coisa que é arte, mas qualquer coisa potencialmente pode vir a se tornar arte. Essa minha garrafa não é uma obra de arte, mas ela poderia ser, certo? Então essa reflexão que eu gostaria de trazer. Isso impera pra gente uma distinção, talvez significativa entre a noção de arte e de estética também. A palavra estética, ela também deriva do grego, nossa palavra estética, né? Mas não vem de
tecnê, vem de estes e significa justamente nossa capacidade de sentir e de perceber as coisas. É uma questão do sensível, da percepção. Eu sempre gosto de brincar porque eu sou um sujeito das artes, né? Então, obviamente que eu vou puxar a sardinha pro nosso lado, né? Sempre gosto de brincar e falando assim: "No princípio era a arte, depois se fez o verbo, justamente porque nessa ideia de que primeiro nós sentimos, depois nós produzimos uma linguagem". Então, a experiência estética é justamente essa experiência que antecede a linguagem. E eu vou dar um exemplo para tentar tornar
isso que eu estou dizendo um pouco mais visível. Imaginem vocês aquele sujeito lá na pré-história, no início da humanidade, lá na Gênese, antes dele começar a fazer as primeiras pinturas ainda, antes dele começar a erguer os primeiros menires, antes dele começar a as primeiras criações tridimensionais. Então esse sujeito lá na origem da humanidade mesmo, tá? antes dele ter um sistema de códigos, antes dele ter um sistema de linguagens, ele não sabe nomear as coisas. Por exemplo, se está chovendo, ele não tem um conceito para se referir à chuva. Ele também não tem uma explicação para
chuva. Ele não sabe dizer porque chove, mas se estiver chovendo, ele vai sentir a chuva. Esse é o princípio da estética. Ele ainda não tem uma palavra, tá vendo? Ele não tem um sistema de códigos, ele não tem um sistema de linguagens, ele não produz um conceito, ele não tem um processo de comunicação, ele não sabe dizer o que é aquilo, mas ele sente aquilo. E aí, qual que é o oposto de estética? Isso na raiz etimológica também, anestesia. Então, o posto de estética não é o feio, não é o grotesco, não é o horror,
não é aquilo que nos causa repulsa, mas justamente aquilo que não nos permite sentir nada. Então, se eu anestesiar meu braço, eu posso cortar meu braço, eu posso arrancar meu braço fora, que eu não vou sentir absolutamente nada. Por que que eu tô fazendo essa distinção e trazendo esses dois conceitos aqui pra gente pensar no início da dessa nossa aula sobre artificação? Para que nós possamos entender que o próprio campo da estética ele é um campo maior do que o campo das artes. O objeto tópico da estética são as artes, mas a estética é algo
maior do que as artes. Porque se ele é um campo da percepção, se ele é um campo do sensível, eu não posso ter uma experiência estética contemplando o pôr do sol. Posso? Não posso uma experiência de admiração, de contemplação, porque é uma experiência do sensível, certo? Mas o pôr do sol é uma obra de arte, não certo? Então, o pôr do sol é uma produção da natureza, não depende da minha ação. E a gente precisa lembrar que o objeto artístico é um objeto intencional, então é produzido pensando naquele objetivo, seja lá qual for a finalidade
que ele deva cumprir. E a gente vai ver ao longo dessas nossas aulas que ao longo também desse processo histórico, a finalidade desse objeto artístico foi muito diferente. Eu tenho uma finalidade política, eu tenho uma finalidade religiosa, eu tenho uma finalidade pedagógica, eu tenho uma finalidade crítica, reflexiva. Então, ao longo desse processo histórico, a finalidade desse objeto artístico se alterou, porque consequentemente nós estamos falando disso a partir de uma inscrição da cultura. Então, uma inscrição no tempo, mas essencialmente todo qualquer objeto artístico é um objeto intencional. Que que isso significa pra gente? Somente nós, seres
humanos, produzimos arte e nunca deixou de existir uma sociedade, uma civilização que não tenha produzido arte. Somente nós, seres humanos, produzimos arte. Todas as comunidades humanas produzem e produziram arte. Eh, é bonito falar isso porque arte é essencialmente aquilo que nos humaniza. Arte é essencialmente aquilo que nos dá essa condição de humanidade, porque somente nós produzimos arte, somente nós, certo? Ao longo de todo esse passado histórico, temos registros, temos vestígios da produção artística. Em todas em todas as culturas, em todas as civilizações, existe essa produção de um objeto diferente. Existe a produção desse objeto que
tem um valor diferente, existe esse objeto que tem uma construção diferente. E é exatamente nesse ponto que entra o nosso debate sobre a artificação. Então, o que é esse objeto diferente? O que é que diferencia esse tal objeto diferente? Alguém conseguiria me dar uma resposta? Tá fazendo sentido até agora? Sim, sim. Sim. Então, ótimo. Eh, alguém conseguiria me dizer quando algo se torna arte? Difícil, né, respondermos? Ou eu vou vou mudar a pergunta? É uma pergunta que é um pouco mais simples no sentido de como que nós pensamos. Você quer dizer, Seisa, Seisa, o seu
áudio eu não tô conseguindo te ouvir. Hum, hum. Tá chiando. Tenta ver se tem um fone, ver se funciona. Hum, hum. Sem ouvir. Seis. É seis. Eu tô pronunciando seu nome direito. Ai, que bom. Tenta dar uma olhadinha aí, ver se você consegue. Às vezes sem sem o fone. Peace. Não consigo. Não consigo ouvir. Não vou conseguir. Vai ter que deixar. Ou escreva para mim. escreva para mim, fazendo o favor, porque senão não vou conseguir te ouvir. Pessoal, mas Oi, você tá conseguindo me ouvir? Estou, Janine. Eh, eu pensando aqui, eu não sei se tá
certo, mas eu vou falar o que eu achei que que é assim, o que eu penso da arte. É, a arte é algo que nós produzimos para que seja admirado, que seja reconhecido pelas pessoas como uma coisa, uma expressão minha. Ó, isso é interessante, viu, Janine? Isso é interessante. Algo produzido para ser admirado, algo para ser reconhecido como uma expressão minha. Eu vou pegar nesses dois pontos que você trouxe na sua resposta. Muito obrigado, porque é uma boa resposta também. Primeiro ponto, algo a ser admirado. Eu gosto da palavra admirar. Vocês vão perceber que eu
gosto muito de etimologia de palavras. A palavra admirar, ela tem uma aproximação tanto com aquilo que é maravilhoso, quanto com aquilo que produz um espanto. Então, quando nós admiramos, nós conectamos isso com aquilo que é essencialmente maravilhoso, quanto com aquilo que de alguma maneira causa esse espanto. Eu estava esses dias justamente falando que o amor deveria ser a gente aprender a admirar a imperfeição do outro, porque é justamente aquilo que traz o maravilhoso e traz o espanto ao mesmo tempo. E conseguir fazer uma definição entre ser o maravilhoso e ser o espanto é muito difícil
porque não tem palavra para isso. O que reside entre o maravilhoso e o espanto, eu não sei. Então, gostei de que você tenha trazido justamente essa palavra, admirar, né? E no segundo ponto, em relação à expressão, hoje talvez seja uma das formas mais comuns da gente definir arte, né? Se a gente perguntasse inclusive numa sala de alunos, a grande maioria das pessoas, né, vocês perguntam assim, eh, o o que que é arte para você? A grande maioria das pessoas dizem: "Ate é expressão, pois o artista tenta colocar em algo visível aquilo que muitas vezes não
sabemos explicar com palavra. Sim, eh, Roseli, é aí que tá essa dimensão estética, porque é aquilo que não cabe em palavras. Eu vou fazer um parênteses aqui, porque eu gosto muito de falar sobre isso, tá? Eh, nas artes existe um lugar do indisível, que é justamente esse lugar da estética. Por mais complexa, por exemplo, que possa ser a nossa língua, a linguagem, de um modo geral, a língua portuguesa, nós pensamos em português, por mais complexa que possa ser, ela ainda é falha, ela ainda falta. Vocês já tiveram a aquela experiência de um sonho, de tentar
contar um sonho? E todo mundo já teve isso. Eh, e você começa assim: "Era você, mas não era você. Eu tava aqui, mas eu não tava aqui. Aconteceu isso, mas não era isso. E ao mesmo tempo que era aquilo, não era aquilo. A gente tenta traduzir essa experiência. Muito difícil de explicar. Exato. A gente tenta traduzir essa experiência do sonho, mas não dá pra gente traduzir essa experiência do sonho, justamente porque o sonho ele não é linguagem. O sonho ele é sensação. Como que eu traduzo mais sensação? É o que eu tava falando com a
Joanine. Como que eu traduzo esse lugar entre o maravilhoso e o espanto? Como é que eu faço isso? É muito difícil, né? Então, então eu concordo. Mas voltando lá para pra noção de expressão, hoje talvez seja uma das mais comuns, né, da gente ouvir. Então, se eu pergunto para alguém, né, o que é arte? expressão, expressão de sentimento. Mas sabe quando foi que essa definição apareceu pela primeira vez? Somente no final do século XIX, no início do século XX. Pessoal, dá pra gente ter uma noção de que até o final do século XIX a arte
ela nunca havia sido traduzida ou expressa ou definida como expressão. É aí que tá o conhecimento da história e da arte que a gente precisa ter. Ao longo de toda a trajetória da humanidade, a arte ela foi muita coisa. A arte ela só passa a ser entendida como expressão no final do século XIX. Então, ela foi uma experiência religiosa, ela foi um propósito político, ela foi um propósito histórico de registro, mas ela só passa a ser expressão no final do século XIX. E hoje é a forma mais corrente da gente definir, né? E aí, obviamente,
com um movimento que faz muito sentido, que se chama expressionismo. E aí a ideia, né, principalmente da o expressionismo, eu vou falar sobre isso mais para frente. O expressionismo ele possui duas correntes, o Dibrook e o Derblay Haid. Dibrook é a ponte, a ideia de que a arte era uma mediação, a ideia de que a arte era uma ponte entre o sujeito e o mundo. Certo? Desde o início a arte existe, mesmo que não soubessem que era arte. Exato, Roselie. Perfeito. Perfeito. Colocaria da mesma forma. Colocaria da mesma forma. Eh, mesmo a gente sem saber,
mesmo às vezes a gente sem conseguir na na aula que vem a gente, eu posso trazer alguns exercícios para a gente vai falar sobre leitura e interpretação de imagem. Então, como que eu interpreto uma obra de arte, né? interpretar uma obra de arte é essencialmente produzir um pensamento sobre a arte, né, sobre uma obra. E aí é nesse momento que entra esse não saber falar, o que eu vou falar sobre, né? Porque nem tudo cabe, obviamente em linguagem. Definir o que é arte fácil. Definir o que a arte não não é uma tarefa fácil. Eh,
mas a gente sabe diferenciar um objeto artístico de outro objeto que não é artístico. Hoje, na nossa cultura, na nossa sociedade, todo e qualquer objeto artístico é um objeto que produz valor, seja lá qual for esse valor, seja lá o que eu estou entendendo por valor, certo? Mas hoje na nossa cultura, na nossa na nossa sociedade, o objeto artístico é aquele objeto que produz um valor, um valor financeiro, porque pode ser também, porque existe um mercado das artes, né? um valor sensível, um valor crítico. Então, todo qualquer objeto de arte produz algum valor, seja lá
qual for esse valor. É isso que a gente vai percebendo sobre a possibilidade de nos aproximarmos de uma definição sobre esse objeto artístico ou isso que nós estamos chamando justamente de artificação, quando a não arte se transforma em arte. Esse processo de artificação, pessoal, ele sempre aconteceu. Então, por exemplo, transformar o barro em uma escultura. O barro não era at, mas eu transformei esse barro em um objeto, em um objeto que tem um valor. É esse valor diferenciado que constitui a essência do objeto artístico. Seja lá qual for o valor, valor espiritual, valor político, seja
lá qual for esse valor, né? Eh, ou quando do Champ, acho que todo mundo conhece essa obra, né? Quando do Champ pega esse mictório e simplesmente desloca esse objeto dos seus usos e das suas funções. O do Champ vai ser um o dadaísmo. Eu tô colocando aqui na figura do Duchamp, mas vou vou ampliar um pouco mais. O dadaísmo, pessoal, vai ser um dos mais importantes movimentos ali do século XX para fazer essa passagem para, né, a arte contemporânea e produzir um conceito sobre a produção artística. É eles que inaugura inclusive essa ideia da arte
como uma proposição. O artista ele é um intelectual, o artista é um sujeito que pensa, ele não precisa ser necessariamente o executor, ele não precisa ter o saber fazer, ele precisa ter o saber conceber, né, que é diferente uma coisa da outra. E essa obra é um grande marco na história da arte, porque demonstra justamente esse caminho, esse percurso desse artista que produz um gesto. O do Champ tem um texto e aí o a palavra que eu utilizei não foi à toa. O do Champ tem um texto que se chama gesto criador. E aí nesse
texto ele vai falar sobre criação, sobre criatividade, principalmente o que é que caracteriza o artista, porque é o artista que produz arte, né? É alguém que faz a arte. A arte ela não se faz sozinha, porque como a gente viu lá no início da da nossa aula, a arte ele é um produto intencional, um processo intencional. Então alguém faz a arte e aí é justamente esse sujeito que nós estamos chamando de o artista que faz a arte, né? E nesse texto, né, que se chama o gesto criador, ele começa problematizando, tá? O que diferencia o
artista das demais pessoas? O que faz com que o artista ele seja um artista? E ele diz, não é porque o artista é um sujeito mais sensível do que as outras pessoas, não é porque o artista ele é dotado de um dom, de um talento. Então ele nasceu com isso inato. E essas duas concepções são concepções muito errôneas mesmo, né? O artista não é um sujeito mais sensível do que outra pessoa, é uma pessoa qualquer, né? A gente não sente mais do que outras pessoas. O artista também não é dotado de um dom. Ninguém nasce
com dom, certo? Porque senão é a mesma coisa da gente ignorar. Não haveria motivo de existir um curso, de formar professores de arte se bastasse você está lá sentindo ou não aquilo, né? Todo mundo, por exemplo, pegar aqui a questão do desenho, todo mundo que desenha sabe que para você desenhar você precisa de muita prática, de muito tempo. Então isso não é um dom, isso é um ensino, isso é um treino, isso é uma eh você adquirir habilidades e competências, basicamente isso. Então, ótimo, sabemos que então não é porque o sujeito é mais sensível, não
é porque ele é dotado de nenhum talento excepcional, um dom. O que é que vai diferenciar então o artista das demais pessoas? O gesto, a intencionalidade de produzir á. E é basicamente o que que o Dhamp faz com essa obra que vocês estão vendo aí. Ele não cria, ele pega um mictório, ele assina com pseudonomo escrito ali Rutch, certo? Então ele não criou essencialmente esse objeto. Ele cria a obra, não o objeto. Não foi ele que foi lá, pegou a porcelana, cerâmica, modelou, colocou, não for nada disso. Não tenho saber fazer. Não preciso ter o
saber fazer. eh ele desloca esse objeto dos seus usos, das suas funções. Então, a partir de agora, ninguém mais pode tocar nesse objeto, ninguém mais pode utilizar esse objeto. Então, ele perde a sua função prática utilitária. Essa é uma outra característica, pessoal, além dessa noção de valor, como eu comentei com vocês, dos objetos artísticos na nossa cultura, na nossa sociedade. Quando esse objeto ele é deslocado, ele passa a ser considerado arte, é como se ele perdesse a sua função utilitária, a sua função prática. Qual que é a função prática utilitária desse urinol? É que os
homens ali no banheiro, né, diz, inclusive existem muitos espalhados aí, os meninos devem já ter visto, já devem ter usado, eh, certo? Para você fazer o seu xixi lá no banheiro, certo? Essa é a função desse objeto. Agora, alguém vai fazer xixi nessa obra do Ducha Champ? Alguém vai urinar no urinol? Ninguém. Então esse objeto ele passou a ter um status diferente. Se quebra um mictório de qualquer banheiro lá, no shopping, na escola, qualquer lugar, ninguém vai chorar por aquilo. Você pode até talvez se lamentar, vou precisar gastar dinheiro, né? Mas não é pela essência
do objeto que você vai se lamentar. Certo? Diferente da obra do Ducha Champ, que é uma obra. E aí a gente começa a fazer um debate sobre o que é que faz com que esse objeto tenha esse valor, fazer com que esse objeto tenha essa particularidade tão essencial assim. E aí para fazer essa discussão, eu vou chamar aqui um outro artista que é o Andron, né? Então, olha, primeiro, né, vamos fazer um uma breve leitura, que isso também é importante. Que que é essa tal artificação? Então, trata-se de requalificar as coisas, enobrecê-las, dar valor, equalificar,
atribuir o novo sentido. Objeto torna-se arte, o produtor, então, torna-se artista, o sujeito que fez. A fabricação, criação. Os observatores se torna público, o espectador. As renomeações ligadas à artificação indicam também mudanças concretas. como a mudança de conteúdo e da forma de uma atividade, a transformação das qualidades físicas das pessoas. Então, o produtor se transforma num artista, objeto se transforma em arte, reconstrução das coisas, a importação de novos objetos, a reestruturação de dispositivos organizacionais, a institucionalização das artes, tá? Como eu tava dizendo, nós precisamos então passar a entender o que é que dá esse valor
para esse objeto artístico que o diferencia dos demais, né? O que é que faz com que esse urinoldo do Champ não seja o mesmo urinol ali do banheiro. E por mais que os dadaístas eles tivessem desconstruído inúmeros aspectos da arte, ainda nós temos uma certa presença daquilo que nós chamamos da aura da obra de arte. Alguém já ouviu falar em aura da obra de arte, gente? Que que seria a aura? Que que seria aura quando a gente pensa a palavra aura? Não, a Rita ainda não. Mais alguém? Sim ou não? Já ouviam falar da Aura?
Não, a sexta também não tá fazendo sentido até agora, gente? Sim. Fazendo sentido, sim. O sentimento que ela carrega. Interessante. Interessante. Nunca ouvi falar. Então, ótimo. Existe um texto em vários, na verdade, em vários autores, em vários filósofos, né? Mas isso vai aparecer muito fortemente num texto do Walter Benjamin, A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, onde ele vai questionar justamente essa noção da unicidade. Isso é basicamente a aura, a essência, a singularidade. Por exemplo, existe somente uma Monalisa no mundo. Eu posso ter cópias, eu posso ter reproduções. Sim, posso, mas elas
são justamente cópias, reproduções. Não é a obra. Existe somente uma única Monalisa, uma única obra a Monalisa. É isso que a singulariza. Então, a aura é essa ideia de singularidade. E durante muito tempo, a aura ela foi vista como uma qualidade, um atributo dos objetos. Então, a qualidade da Monalisa se restringe a ela mesma, ao objeto monaliza, a essência monaliza, a singularidade monaliza. Óbvio, sabemos então que existe apenas uma única monalisa, inclusive somente existe também o um urinoldo do Champ. Então, por mais que ele tenha pego um objeto que é reproduzido em massa, só existe
um urinoldo do Champ, certo? Então, deixa eu mostrar aqui. Só existe essa daqui é um pouco mais ousada, depois eu vou falar. Essa é uma outra obra. Então, aura, singularidade uma obra. Exato, Rita. Exato. É aquilo que a particulariza, tá? Quando se torna único. Exatamente isso. Tá. Mas aí a gente tem que pensar que hoje nós temos técnicas artísticas que não se enquadram mais nessa noção. Por exemplo, a fotografia. Existe uma prin, né? Onde é que tá a singularidade da fotografia digital? Existe um único objeto, a fotografia digital, certo? Ou então se eu pego o
cinema, existe um único filme, né? Essa singularidade, ela não pode mais estar no objeto em si. Essa singularidade, essa experiência ela precisa estar relacionado muito com o olhar de quem vê a obra. E aí que eu tomo de empréstimo as palavras da Andy War. Andy War, pessoal, acho que todo mundo conhece, né? né, Indar, um artista da pop arte, um sujeito muito irreverente. Eh, dele, a segunda obra de arte mais cara, já vendida inclusive. E ele tem esse livro que que tá aqui comigo, inclusive que se chama Filosofia de Andarro, de A a B e
de volta a A. E nesse livro o Andrew Arro, ele quer filosofar, ele quer falar sobre tudo. Ele quer falar sobre amor, ele quer falar sobre trabalho, ele quer falar sobre relacionamento, ele quer falar sobre dinheiro, ele quer falar sobre tudo. E ele também vai querer falar sobre aura, o que é essa tal aura. E ele traz, eu acho que pra gente uma noção de aura muito mais ampliada, que faz com que a gente pense que existe uma centralidade do sujeito que olha paraa obra quando nós falamos desse processo da da artificação ou dessa singularidade
ou desse valor que é produzido na obra de arte. Então, não basta apenas o objeto, mas principalmente a pessoa que olha esse objeto. Sempre gosto de um trocadilho, né? Quando a gente olha pra obra, como se a olha, a obra olhasse de volta pra gente. Então, esse olhar de volta pro sujeito. Eu vou ler um trechinho justamente do que o Andy War comenta a respeito da aura e aí eu vou fazendo comentários a partir da leitura. É um texto que vocês vão perceber muito irreverente, muito no estilo assim do do Andro mesmo. Era um artista
irreverente, né? Então, não tem nada de um compromisso denso com conceitos filosóficos, mas ao mesmo tempo, apesar de não ter essa terminologia filosófica, é um texto muito bom pra gente pensar a arte, até porque é um artista que escreveu, né? Então ele diz o seguinte: "Recentemente uma companhia qualquer estava interessada em comprar minha aura". Então ele já começa assim. Acho que todo mundo sabe que a Pop Art foi um grande negócio. Acabei de citar para vocês que a segunda obra de arte mais cara já vendida do Andr. Eles não queriam meu produto, ficavam dizendo: "Queremos
sua aura". Então que ele já tá dizendo: "Olha, o pessoal tá querendo comprar minha aura". Eles não querem o produto, eles não querem o objeto, eles querem a aura. Nunca entendi o que eles queriam, mas estavam dispostos a pagar muito por isso. Então pensei que se alguém estava disposto a pagar muito por isso, eu devia entender o que era isso. Você tá falando: "Olha, eu não faço ideia o que seja isso, mas se alguém tá disposto a pagar, eu preciso pelo menos saber o que que é". E aí ele continua, né? Acho que aura é
alguma coisa que só os outros podem ver e só vem o que querem ver. Está tudo nos olhos do outro. Frasinha interessante, né? Você só pode ver uma aura nas pessoas que não conhece bem ou não conhece nada. Anteontem à noite, eu estava juntando com todo mundo e meu escritório. Os meninos do escritório me tratam como lixo porque me conhecem e me vem todos os dias. Mas aí havia esse bom amigo que alguém tinha trazido que nunca tinha estado comigo. E esse rapaz mal podia acreditar que estava juntando comigo. Todos os outros me viam, mas
ele estava vendo a minha aura, né? Depois ele vai continuar. Então é só um trechinho mesmo para para contextualizar aqui a fala. O que que o Andio Arrol tá querendo dizer pra gente? Então essa aura tá no olho de quem vê. E essa experiência dessa singularidade com a obra de arte diz menos sobre se existe um, se existe 10 objetos e muito mais sobre como é que esse sujeito se relaciona com esse objeto. Deixa eu tentar traduzir isso uma forma talvez didática. Sabe aquele trocadilho? Não sei se vocês já ouviram que quem mora na praia
não vê a beleza do mar. Alguém já ouviu isso? Faz sentido, pelo menos para vocês? Quem mora na praia não vê a beleza do mar. Por que que quem mora na praia não vê a beleza do mar? Porque ele tá vendo aquilo todos os dias. Não tem a experiência do estranhamento. E aí a gente vai, eu vou voltar, acho que foi Janine, né, que falou da ideia do admirar. é o espanto e o maravilhoso. Eu só posso ter esse espanto, esse maravilhoso com aquilo que talvez eu não conheça tão bem. E aí entra essa ideia
do indisível que a gente tava falando. Olha como é interessante que a gente retorna no início da nossa discussão para fechamento, né, de dessa questão. Então, pouco importa se existe uma, se existe 10, se existem 20 obras, o valor que é produzido é pelo sujeito que olha. E é justamente deste olhar, dessa experiência, desse espanto maravilhoso que nós temos essa referência da hora da obra de arte, que é o que diferencia ela dos outros objetos. Basicamente isso. Basicamente isso. É engraçado, né? A gente tá um tempão falando e eu digo basicamente só isso, como se
fosse pouca coisa, né? E é muita coisa isso, né? é muita coisa. E o que torna tudo isso ainda mais interessante? O fato de que essa experiência artística, de que essa experiência com esse espanto maravilhoso, eh, pode ser dar de ordens do sensível muito diferentes. Eu posso odiar uma obra de arte e se ela faz com que eu tenha esse sentimento de ódio, ela tá cumprindo a função dela. Eu posso ter repulsa por uma obra de arte. E se ela faz com que eu tenha essa experiência da repulsa, ela tá cumprindo ainda a função dela.
E aí a gente vai vendo, eu vou dar um exemplo aqui para vocês. Ai, cadê? Ah, eu vou mostrar tá nos slides. Deixa eu vou compartilhar com vocês. Isso que é bom a gente ter um Niet. Existe um artista ligado à arte conceitual chamado Piero Manzone. O Piero Manzone, ele tem um trabalho que se chama merda de artista. O que é que dá para vocês imaginar o que seja esse trabalho? Alguém chuta? Deixa eu compartilhar. Isso é um trabalho da década de 1960. Certo? Do Piero Manzone, que se chama Merda de Artista. Em que consiste
esse trabalho? Primeiro que é um pouco misterioso, né? Não se sabe essencialmente o que deu errado. Eh, ele enlata fezes. Esse é o trabalho do Pier Manzone. Ele enlata feeses. São latinhas de fezes, tá gente? Latinha de cocô. Ele enlata essas feeses. E quando ele vende esse trabalho, isso na década de 60, ele colocou o peso das feeses com o mesmo preço do quilo do ouro. Então, um peso de fees de cocô teria o mesmo valor do quilo do ouro. E vendeu, vendeu, vendeu no último leilão que teve. Se eu, isso não me falha a
memória, tá gente? Isso não me falha a memória. Então pode, pode ser que seja um outro valor. Cada latinha de fees dessa foi arrematado por 275.000€ cocô. O que que o Piero Manzone tá querendo dizer com isso? Alguém deixou conhecer esse trabalho, gente? Mas é um, meu Deus, que nojo. Aí que Tarrosi, ele ele causa esse espanto, ele causa nojo, ele causa repulso, ele causa indignação, ele causa surpresa. E é isso, ele tá cumprindo o papel dele, né? Inclusive de fazer com que a gente odeie essa obra, que eu não goste dessa obra, né? Eh,
às vezes a gente tem um um olhar muito desse gostar de produzir um juízo de gosto, né, sobre objeto artístico, gosto ou não gosto, mas isso pouco importa. Diga, José. É muito engenheiro. José, quer falar alguma coisa? Um minuto. Calma aí. Tá bom. Deixa, deixa eu continuar. Isso é loucura. Eu nunca tinha visto. É, mas ô Roseli, a nossa última aula dessa desse nosso ciclo de 10 encontros vai ser justamente sobre arte contemporânea. Então, se você achou um pouco chocante isso, é porque você não viu que tá lá na frente pra gente ver. Mas essa
é a ideia do choque, essa a ideia que o artista quer traduzir, né? Essa é a intenção dele, né? E no caso do Pier Manzone, qual que era a intenção do Pier Manzone? é fazer uma crítica ao próprio mercado das artes. E ele tá sendo espertíssimo fazendo isso. Em síntese, ele tá querendo dizer o seguinte: qualquer merda vende. É isso. Qualquer merda vende, inclusive, literalmente, né? Acho que é por isso que eu gosto dos períodos das artes anteriores. Osel, mas eu eu a gente vai aprendendo a lidar com contemporâneo, né? a gente vai compreendendo, talvez,
né, inclusive nessa própria ideia de o artista ele tá querendo fazer uma crítica ao sistema das artes, ao mercado das artes, quando a arte ela se torna uma mercadoria que eu não tenho valor algum, né? Então eu vou fazer merda e ainda assim vai vender e vai vender muito caro, porque as pessoas elas vão pagar por isso, elas vão comprar por isso, né? Eh, eu gosto muito desse desprendimento que a gente consegue ter quando nós nos colocamos como um teórico das artes e é uma postura assim que eu sempre procuro ter também. Depois de um
certo tempo, olhando para muitas obras de arte, eu escrevo também, pessoal, para exposições. Então, artistas me contratam para que eu possa escrever, por exemplo, textos histográficos, textos curatoriais, textos críticos, enfim. Eu gosto de falar sobre arte, como deu para perceber, né? Então, falar sobre arte para mim é muito prazeroso. Falar, escrever é uma linha muito ta, né? Então, também gosto de escrever muito sobre arte. E uma das coisas assim, depois de um tempo neste trabalho com as artes, a gente vai ficando meio acostumado. Pouca coisa consegue produzir essa experiência estética na gente, porque a gente
acaba ficando anestesiado, né? Então, estar diante de uma obra que consegue reverter isso é muito difícil. E mas por que que eu tô comentando sobre isso? Ter essa abertura, né? Nos permitir essa abertura de conhecer obras de arte cada vez mais diferentes. Isso enriquece a gente de uma forma tão grande. É aquilo que eu comentava no início para vocês. Somente nós produzimos arte. Então, somente nós também podemos ter um pensamento sobre arte. Quanto mais eu conheço sobre, maior é a minha possibilidade de me de me significar, de me singularizar. A arte contemporânea é chocante. Exato,
Roseli. Exato. E a ideia dela é essa, né? É difícil a gente estabelecer esse parâmetro do contemporâneo pro moderno às vezes também, porque as pessoas são muito apegadas ainda à arte moderna. E aqui falando agora o meu juízo de gosto, né? Eu tenho um apego muito grande com a arte moderna, né? Eu escrevi livros sobre arte moderna, então acho que dentro dos recortes não seria nenhum contemporâneo meu meu favorito, ainda que o juiz de gosto não não coubesse aqui, mas seria justamente arte moderna. E não é à toa que eu destinei dois encontros para falar
sobre arte moderna. Então, é difícil a gente estabelecer esses limites da arte moderna, mas na arte contemporânea, eu acho que eu, por mais que exista essa dificuldade, porque não tem um distanciamento histórico, ela faz com que a gente tenha um pensamento, uma reflexão maior. Um primeiro ponto importante, toda a arte um dia já foi contemporânea. Toda a arte já foi contemporânea. Então, porque contemporâneo é aquilo que é produzido no tempo presente, né? Então, arte bizantina um dia foi arte contemporânea. A arte barroca um dia foi contemporânea. Inclusive a grande maioria da nomenclatura que é atribuída
aos movimentos artísticos foi atribuído posteriormente. Provavelmente daqui alguns anos as pessoas elas vão olhar pra arte produzida nesse nosso tempo e vão dar um nome para isso que não contemporâneo, mas é um nome que ninguém sabe ainda também, né? Não, não, não saberia chutar, né? Mas foi assim que aconteceu com a arte gótica, foi assim que aconteceu com a arte barroca, foi assim que aconteceu com a grande maioria dos movimentos. Então é difícil se ter essa consciência atuante no momento que ela tava sendo produzida. Fazer a minha fala final, porque a gente já tá extrapolando
o nosso tempo do encontro de hoje e também depois no final, se alguém se senti à vontade, gostaria de abrir para que vocês também pudessem comentar, fazer perguntas, enfim. Eh, o que é a artificação? A artificação, ela envolve muitos sujeitos, ela envolve instituições, ela envolve eh simbolização, ela envolve deslocamento, ela envolve a produção de valores. E é por isso que às vezes é tão difícil a gente conseguir conceber um objeto tão distante dos nossos valores também como sendo arte, porque isso implica um um processo. Lembra que eu falei, quando a gente olha paraa arte, é
como se a arte olhasse pra gente também. Ela devolve esse olhar paraa gente e ela devolve fazendo com que nós passamos por um processo de autorreflexão, né? E isso é lindo, isso é bonito. Eh, então o que é a artificação? É, nada mais é do que esse processo que não tem um fim e nunca vai ter um fim de deslocamento, de atribuições de usos e sentidos que visam distinguir a produção de determinados objetos, certo? objetos artísticos, objetos não artísticos a partir da produção de um valor. A produção desse valor, ele tá centrado muito nessa experiência
que o sujeito tem com a obra de arte, que nós chamamos aqui de aura. E aí nós vimos também essas diferenças na concepção de aura. Com essa síntese, fez sentido tudo que nós dialogamos? Sim, gente. Então, muito obrigado. Que prazer imenso conhecer vocês. Que prazer imenso conhecer cada um de vocês. Como eu sou grato por ter cada um de vocês aqui hoje me ouvindo, gente. Eu ouvindo falar coisas loucas, sabe? Ouvindo falar barbaridades. E, principalmente como eu sou grato por vocês terem escolhido essa profissão, que é a minha profissão também, tá? Não é fácil ser
professor de arte. Não é fácil. Por mais que a gente tenha talvez um privilégio de ter escolhido a melhor disciplina, né? Por mais que a gente tenha um privilégio ter escolhido a melhor disciplina. Então isso inclusive me emociona. Eu choro fácil, gente, eu tava vendo. Isso me emociona sempre quando eu posso ter contato com outros professores de arte. Alguém tem alguma dúvida, gente? Tem alguma pergunta? Porque a gente já vai para passar aqui de vai chegar em uma hora de aula já. Fácil. Tudo tranquilo, então perfeito, gente. Semana que vem, quarta-feira, sempre quarta-feira 7:30, tá?
Quarta-feira, 7:30. Convide os outros colegas também, falem para que ele, né? Convide para que eles participem. Isso é importante, esse momento de troca, né, ao vivo. E aí eu sei que semana que vem a gente já vai ter mais estar mais íntimo, né? Porque já passou esse primeiro encontro. Primeiro encontro é sempre difícil de um relacionamento. Então, semana que vem a gente vai estar mais íntimo. Sintam-se sempre muito à vontade para fazer perguntas e para participar também. Semana que vem, qual que é a temática da nossa aula? Leitura de imagens e interpretação de obra de
arte. Então, vou apresentar para vocês algumas metodologias de como fazer leitura de imagem. E aí nós vamos pensar um pouco também, vocês vê que eu tenho uma pira meio filosófica, né? Eh, nós vamos pensar também um pouco sobre como interpretar obras de arte. Eu gosto, tem gente que não gosta. Mas eu gosto da palavra interpretação. Eu acho que a gente precisa valorizar a palavra interpretação, né? Que nada mais é do que produzir um sentido. Fica gravado assim, Janine. Estou gravando a aula. Depois eu vou disponibilizar para que o pessoal mande. Acho que é um link
no YouTube para vocês. E o último recadinho, toda a última quarta-feira do mês, o 7:30 também, que que nós teremos? LAEC, Laboratório de Arte e educação Criativa. E aí lá nós vamos falar sobre educação, sobre ensino de arte, práticas de ensino, muito nessa pegada também artística filosófica, porque isso aqui é o que me caracteriza enquanto sujeito. Então, no nosso primeiro encontro, nós vamos falar sobre estética e poética. Isso num encontro so para falarmos sobre educação, tá? para falarmos sobre educação e e um texto maravilhoso, gente, dentro da abordagem de Reg Emília. Se alguém ainda não
conhece abordagem de Regília, conheçam, sai da aula. Vamos dar uma pesquisadinha aqui. Abordagem de Regemília é uma abordagem que eu pesquiso, que eu oriento trabalhos. É uma abordagem acaba sendo mais voltado paraa educação infantil, mas que pensa o atelier, a arte como coração da escola. Ah, que é coisa mais bonita do que isso. Impossível, né, gente? Pessoal, vou colocar aqui Régio Emília. Pessoal, um prazer imenso. Beijo no coração de vocês. Até quarta-feira que vem. Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau. Tchau, Rita. Boa noite,