Qual dessas três imagens traduz melhor para você a questão das eleições na sua casa espírita? Uma corrida de revezamento onde os atletas trocam entre si o bastão, visando tirar o maior proveito possível da diferença entre os diversos membros da equipe. Ou uma um voo de gansos onde as pessoas revezam as posições visando aliviar os colegas do cansaço de estar à frente dos trabalhos.
ou uma disputa de poder, como se fosse uma briga de leões, onde cada um procura estabelecer o seu domínio sobre o território, impondo as suas ideias, as suas opiniões, o seu ponto de vista. Eleições na Casa Espírita é o assunto deste nosso [Música] bloco. Hoje nós vamos tratar de um assunto e, vamos dizer assim, espinhoso, porque é mal, muito mal compreendido no meio espírita, que é a questão das eleições.
Nós fizemos Espinhoso porque no estudo que nós fizemos junto a mais de 40 casas espíritas ainda em 2016, esse estudo evidenciou algumas questões muito interessantes, como por exemplo que em muitas casas espíritas as eleições não acontecem. O pequeno grupo decide quem será o próximo dirigente. Eh, chega essa conclusão.
Eh, até um caso interessante que também apareceu nessa pesquisa no campo de observações, esse pequeno grupo que assumia a direção da casa simplesmente elaborava a ata e saía colhendo a assinatura das pessoas para depois registrar. né? Eh, houve denúncias, por exemplo, de que famílias controlam a instituição e que os demais nem sequer são chamados a participar.
Então, infelizmente, isso é um terreno delicado no meio espírito e a gente precisa conversar sobre isso porque essa é uma prática que precisa ser melhor ajustada, até porque isso envolve questões de ordem legal graves, sérias, forjar uma ata eh como eleição, isso inclusive do ponto de vista criminal é delicado porque constitui crime de falsidade ideológica. A legislação brasileira considera que uma associação é um conjunto de pessoas em igualdade de direitos e deveres que se reúne tendo em vista uma determinada finalidade. Então essa igualdade de direitos e deveres, ela precisa ser preservada para que a gente possa ter uma instituição funcionando com o mínimo de legalidade e vamos dizer dentro de princípios minimamente éticos, minimamente evangélicos, minimamente espiritualizados.
Nós não temos como conceber um mundo de regeneração, onde esse tipo de prática continua acontecendo. E nós vamos começar eh lembrando de uma passagem do Novo Testamento, quando Judas Iscariotes suicidou e os discípulos precisavam colocar alguém no lugar dele, porque a tradição judaica valorizava muito a figura dos 12 apóstolos, porque 12 eram as tribos de Judá. E é muito interessante o método que eles usaram, o método sorteio.
Ah, que bom se todos nós estivéssemos prontos para reunir todos os colegas e sortear entre nós quem seria o nosso nosso novo presidente. Olha que maravilha. Um pastor evangélico chama atenção que mais à frente em Atos dos Apóstolos 6 os discípulos já usam outro método, a escolha, né?
A escolha onde eles oram, pedem a Deus iluminação para que eles façam escolha segura e em seguida eles fazem essa escolha através de voto. Então nós temos que entender que nós estamos no exercício da democracia, que é um princípio muito importante pra sociedade moderna, que pressupõe igualdade de direitos, igualdade de deveres, igualdade de participação de todos os membros que constituem aquela associação. E do ponto de vista espiritual, alguém já me falou em meritocracia uma vez, falou: "Olha, no espiritismo é meritocracia".
Ok, meritocracia lindo, mas quem decide quem tem mérito? Uma vez um dirigente de uma casa espírita me disse o seguinte: "Eu só passo o poder o dia que eu encontrar alguém que esteja em condições de assumir a direção. Me desculpe, mas desse jeito ele não vai encontrar ninguém nunca.
E segundo, isso não é a decisão dele diante da lei. " Isso é uma decisão que é da assembleia geral. é a assembleia geral que vai avaliar, pode ser com base na meritocracia, sim, quem é que está melhor preparado para exercer determinado cargo na instituição.
Às vezes, algumas pessoas, alguns dirigentes, principalmente manifestam a preocupação de que eleições na casa espírita traduz em situação de conflito. Eu quero fazer uma ponderação. Eh, situação de conflito, se não houver evangelho nos corações.
um grupo evangelizado, eleição pode ser sinônimo de harmonia, de entendimento, de companheirismo. Agora, onde há muita disputa de poder, aí realmente eh o conflito é inevitável. Então, a gente precisa refletir sobre é que o conflito acontece.
Porque se estamos experimentando conflito entre nós, com toda certeza está faltando evangelho nas nossas [Música] relações. Então, para proceder uma eleição dentro do que a ética, dentro do que a dignidade, dentro do que os princípios evangélicos e sobretudo dentro que a lei humana estabelece, nós precisamos entender algumas coisas de partida. Primeiro, a eleição, ela deve ser procedida conforme está estabelecidao no estatuto da instituição.
O estatuto precisa ser respeitado. E é muito interessante que no estatuto esteja estabelecido como critério o uma eleição através de voto direto e secreto. E por que secreto?
Uma vez alguém me disse: "Não, o voto tem que ser aberto para que todos mostrem o que que estão escolhendo". é lendo do ponto de vista da teoria, mas na prática isso acontece às vezes como meio de subjugar as pessoas a determinadas relações de poder. Isso precisa ser evitado.
É preciso que a pessoa esteja livre para exercer a própria escolha com tranquilidade, sabendo que não vai ser censurada, que não vai ter nenhum olhar de recriminação. O outro ponto que é muito importante que a gente tenha clareza, a eleição deve ser divulgada antecipadamente. Deve haver um um uma total publicidade desse ato, uma total transparência desse ato.
Mesmo que a gente tenha em mente que na eleição só votam os associados efetivos, nada impede que os trabalhadores da casa espírita assistam a esse ato. É mais do que importante, é fundamental sim o recolhimento, a oração, a busca de inspiração superior para que aquele processo aconteça da maneira mais e evangélica, da maneira mais espiritualizada possível, sem que isso prejudique os aspectos legais, os aspectos relacionados à questão da democracia na casa espírita. Porque esse processo de deixar a espiritualidade à escolha dos dirigentes materiais, o próprio Kardec analisa isso com muita propriedade, onde ele diz que nós não podemos sobrecarregar o espírito, os espíritos com questões que são meramente humanas.
Então, a decisão da eleição é uma decisão nossa, material, dos seres encarnados. Nós estamos falando de buscar inspiração para que todas as pessoas votem com clareza e com segurança. Então, se o o modelo que a Casa Espírita escolheu eh envolve inscrição prévia de chapas, que isso não interfira de modo nenhum na nossa harmonia e nosso relacionamento.
Nós não podemos nos ver como chapas rivais. Nós temos que nos ver como possíveis opções. Nós não podemos fazer disso um processo de competição, de concorrência, de desentendimento.
Outra maneira que é interessante, sobretudo para casas espíritas menores, é interessante que a indicação e a escolha seja feita no próprio ato da assembleia após oração, após todo aquele momento de preparação. A os associados mesmos podem sugerir quem quem quem nós achamos adequados para ser nosso presidente, quem nós achamos adequado para ser nosso diretor de tal carro. No final nós temos duas ou três, quatro possibilidades.
Faz então a votação. Papelzinho picado mesmo, tem problema não. A gente pode picar o papelzinho, escolhe ali, vai lá duas pessoas para contarem os votos.
Ao final não teve nenhum que que que teve mais da metade dos votos. Faça uma segunda votação para escolher realmente alguém que tenha pelo menos 50% dos votos para que cada cargo seja ocupado de acordo com a a escolha das pessoas ali presentes na no momento da assembleia geral. Então, a alternância é muito interessante porque oferece a possibilidade de outras pessoas também contribuírem, oferece a possibilidade de buscar novas maneiras de se realizar aquele mesmo trabalho, buscar um novo espírito que possa estar oxigenando a casa, abrir novas perspectivas pro trabalho num clima de cordialidade, num clima de entendimento, num clima de respeito mútuo, onde não haja disputa de poder, não haja eh vaidade, não haja orgulho pessoal em relação a nenhum cargo.
Nós temos que ter clareza que nós somos uma grande equipe realizando um grande trabalho e que as pessoas se alternam na liderança desse trabalho. Então é interessante que a gente consiga suprimir na nossa casa espírita ciúme, competição, para que a casa espírita continue com todo o grupo empolgado, entusiasmado, se ajudando mutuamente, ainda que o bastão esteja na mão de outro corredor por um momento. Há algumas questões que a gente precisa também ter cuidado.
Ata. Ata não é um documento que você faz depois. Ata, o secretário já deve estar ali de prontidão, de preferência, com o notebook, computadorzinho desse aqui, olha, disponível para que enquanto a reunião acontece, ele já faça a ata.
Terminou, imprime a ata, todo mundo assina, pronto, tá resolvido, né? Esse é o procedimento adequado, esse é o procedimento legal, né? Ah, mas depois a gente assina a ata.
OK. Mas lembrando que quando nós assinamos uma ata, nós estamos validando o total teorquele documento. Portanto, é importante que a gente desenvolva esse hábito da legalidade de retratar na ata exatamente o que aconteceu e todos assinarem em seguida.
A pessoa que faz essa ata tem que ter noção de ata e das exigências legais de uma ata, porque essa ata vai ser registrada em cartório para que a diretoria então possa eh assumir o seu papel diante inclusive das dos aspectos legais da sociedade humana. [Música] Caso você queira estudar o assunto um pouquinho melhor, eh, pode baixar o livro Gestão da Casa Espírita, que está disponível no site Fronteiras do Pensamento Espírita. Se você gostou desse vídeo, por favor, eh, dá um likezinho aí e marca no sininho para receber os próximos vídeos, compartilha com seus colegas para que a gente possa estar ampliando essa discussão no Meio Espírita que nós entendemos que é muito carente desse tipo de abordagem.
M.