Sobre um fundo preto, surgem sequências logomarcas de São Poético, filme e distribuição, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal, Fundação Elias Mansu e Governo do Estado do Acre. Na tela, o título do documentário, Além da escuridão, um passo de cada vez. Em uma sala de paredes bege, Thago está sentado em uma cadeira.
É um homem branco, magro, com cabelos e olhos pretos que refletem a luz. uma barba curta e veste uma camisa branca estampada com o símbolo do alfabeto Briley. Sou pessoa com deficiência visual, né, de nascença.
Meu caso é cegueira mesmo, cegueira total. Eh, importante a gente ressaltar que a deficiência visual se classifica baixa visão, né? e segueira baixa visão para as pessoas entenderem uma linguagem mais informal e aquelas pessoas que enxergam pouco, aquelas pessoas que não enxergam 100%.
No meu caso, eu sou cego total. Eu sou cego. Francisco Wellington, homem parado de cabelos curtos e grisalhos, usa óculos, está sentada em uma sala com um grande armário de livros ao fundo.
Tem uma amiga minha que fala que a gente precisa dar algum salto quântico na vida. E eu saltei da do meu individualismo paraas causas sociais, paraa busca por algo para a coletividade, a partir do momento em que eu reconhecia a minha identidade de pessoa com deficiência, quando em 2005 eu tive complicações de saúde e o meu nervo ótico atrofiou e eu fui gradativamente perdendo a função visual ficando com apenas 10%. Eu procurei uma reabilitação porque eu já era casado, dois filhos na época e eu tinha a perspectiva enquanto provedor de dar maior qualidade de vida, né?
E eu só tinha um ensino fundamental na época. Então eu procurei ascender socialmente através dos estudos, mas paralelo a isso, eu procurei me reabilitar para ser inserido socialmente. Jean Aquino, homem branco, óculos escuros, boné marrom, camisa cinza e calça jeans.
Segura um violão e está em uma sala com instantes de livros. Ah, foi muito difícil que no começo eu tentei numa depressão, né? Passei uns três, 4 anos com depressão, não saía dentro de casa.
Às vezes eu queria sair. Aí meus irmãos, meu irmão trabalha, minha mãe que Deus a levou já e disse: "Mãe, eu quero ir para quero ir na casa de um amigo meu, no tal canto assim". Aí disse: "Ah, quando eu puder eu te levo".
Aquilo ali para mim era uma Ah, sábado eu te levo. Sábado eu vou ver se dou um jeito para te levar. Passar uma semana para mim, entendeu?
Aí foi quando eu conheci o CADV. Aí um professor até chamado professor França, aí veio, foi lá, não, vamos, vamos, não, não vou não. Aí acabei vindo.
Aí eu vi que não era só eu. Claro que não. Todos não foram de ti, né?
Peru a visão de glaucoma, outros diabetes, outros eh deslocamento de retina e assim. Aí eu eu vi que não era só eu que tava passando por isso, né? Francisco Wellington reaparece com a mesma camisa cinza e óculos na sala com armários de livros ao fundo.
Eu procurei me reabilitar para ser inserido socialmente. Reabilitar no sentido de procurar usar meus sentidos remanescentes. Além da visão, a gente tem também a audição, o tato, a sinestesia, o olfato, o paladar, que pode proporcionar a substituição do sentido afetado, prejudicado.
E aí eu procurei o Centro Estadual de Atendimento, a pessoa com Deficiência Visual, CADV, que hoje é o CAPDV, o Centro de Apoio Pedagógico. Francisca Tavares, mulher parda, camisa azul, óculos escuro, sentada em uma sala clara, ao fundo um armário cinza. Minha vista começou assim por causa do sininosite que deu e inflamou muito.
Aí inflamou o nervoótico. Aí eu não fui, eu não fui logo no médico, eu fui foi no oftalmologista, tinha que ter ido no no neuro. Ele falou que eu demorei muito a ir, né?
E aí atrofeou o nervo ótico porque inflamou muito. Thago reaparece ainda na sala de paredes bege. Ele continua usando a camisa branca com detalhes do alfabeto em Brail.
A causa da minha deficiência foi glaucoma congênita. Eh, com meses nós viajamos para São Paulo e meus pais para tentar solucionar, mas aí os médicos falaram que é irreversível, né, o meu caso. E aí não teve jeito.
Tanto eu como a minha irmã nascemos com deficiência visual, né? Temos 3 anos de diferença. Eu acredito que a maior dificuldade que nós podemos encontrar hoje se chama eh pauta-se na barreira atitudinal, né?
Nós nós temos barreiras atitudinais, temos a barreiras arquitetônicas, mas para mim a maior dificuldade é a barreira atitudinal, ou seja, é o preconceito, a discriminação, capacito, como você estava falando agora a pouco. E você falando de concurso público, nós enfrentamos muito, principalmente quando escolhemos cargos que para a sociedade as pessoas com deficiência são incapazes de exercer. Jean Aquino reaparece usando a mesma blusa cinza, calça jeans e boné.
Ele permanece sentado segurando o violão. Depois que eu perdi minha visão, eu ando bastante, viajo só, entendeu? Eu vou, se der vontade de ir para um canto, eu vou São Paulo, Mato Grosso, tudo eu viajo sóco no ônibus tranquilo e não só eu, como tem muitos também.
E andar na cidade. Andar na cidade eu ando bastante. Eu só não ando assim nos bairros novos, né, que eu não conhecia, que eu tenho um mapa da do na cabeça quando enxergava.
Aí esses bairros mais veterano, antigo, eu ando tudinho, no ando todo, né? Mas eu sei me localizar bastante. Ó, o problema é não ter medo, é perder o medo.
E porque o problema também não todos começa de dentro de casa, entendeu? que a família segura muito, protege. Esse proteger muito é aonde a gente tá perdendo, entendeu?
que, ah, eu tenho medo de meu filho sair, tenho medo de cair no buraco, tenho medo de o carro bater. A gente não pode pensar nisso, porque a gente tem que, né, viver do jeito que quer para ser, não ficar eh dentro de casa, que você ficando dentro de casa só, você fica estrufando os ossos, porque prender muito a a família, isso é bom pra família, mas pra gente assim que é deficiente não é bom. E quando a mãe e o pai for, como é que a gente vai, a pessoa vai sobreviver de sair, de querer ir no mercado, querer ir comprar uma roupa, pegar o ônibus, querer dar uma passeada?
Isso para mim é normal e pros outros amigos também. Mas tem muitos que ainda não é, porque capaz de cima dentro de casa, né? Durante a narração, são exibidas cenas de homens com deficiência visual que caminham com o auxílio de bengalas.
A câmera foca apenas nas pernas e nos pés, enquanto eles percorrem um caminho, seguindo o piso tátil. Deficientes visuais consegue transitar livremente em lugar com o auxílio do piso tátil. é um recurso de acessibilidade utilizado para auxiliar a locomoção de pessoas com deficiência visual.
Ele consiste em faixas ou placas com texturas diferenciadas aplicadas ao solo para orientar e alertar sobre mudanças no caminho, obstáculos e direções seguras. Francisca Tavares ressurge vestindo a camisa azul e usando óculos escuros. Foi difícil quando eu quando eu fiquei assim, logo quando eu fiquei, para mim o mundo tinha acabado, para mim as pessoas iam rir de mim, ai ela ficou desse jeito.
Ai que e eu ri falar, entendeu? Mas não foi nada disso. Logo logo eu vim, eu conheci aqui, né, o centro e aí eu vim para cá.
Aí eu vi que não era só eu assim, né? Aí eu até passou mais aquela ansiedade, eu era muito ansiosa também. Aí acabou.
Tudo aquilo ficou bem. Ah, os desafio é tipo assim, porque aqui a gente tem aula de orientação mobilidade para andar sozinho. Eu andava sozinha porque eu fiz meu segundo grau, eu ia sozinha lá pro sejo.
Aí agora eu não consigo mais andar sozinha porque assim, tipo, eu fico nervosa, entendeu? Aí aí eu fui no médico de novo e agora deu catarata. Não sei se é por causa disso, né?
Fiquei, o buto ficou menos, diminuiu. Aí eu não consigo mais andar só. Eu ando só com a minha neta, ela que me me traz até aqui.
Aí é assim. E em casa para mim, pr as coisas que é que eu acho difícil é no fogão, na cozinha. No fogo.
Eu tenho muito medo que aconteceu muitas coisas assim de eu derrubar panela, cair assim no chão a comida, entendeu? Mas assim, lavar roupa, arrumar casa, tudo eu faço. Eu tenho mais medo só no fogão, que é difícil.
Eu aprendi que pessoas totalmente cegas, né, sem nenhuma visão, sem nenhum eh grau de visão, elas estavam tendo condições de se relacionar socialmente, trabalhando, estudando, namorando, casando, se locomovendo pela cidade. E eu ainda na época era andante, né? andava com a bengala branca, né, mesmo sendo baixa visão.
E aí eu procurei a ter essa atitude de me reconhecer dentro da minha reabilitação enquanto pessoa com deficiência. E aí pensar que precisávamos nos organizar socialmente para então pontuar pra sociedade que existia e ainda existe a necessidade de adaptarmos ou criarmos condições de acessibilidade para as pessoas com deficiência visual acessarem os mais diferentes espaços na sociedade desde a própria casa até os espaços públicos de uso coletivo ou até mesmo privados de uso coletivo, né? Eu fiz um concurso para assistente administração, assistente administrativo, para você ter ideia, nafac.
E quando você passa na alfa, você passa por uma perícia médica, onde você examinado por três médicos. Teve dois médicos que não queriam que eu exercesse o cargo porque achavam que eu não tinha capacidade de exercer o cargo. Então assim, é muito complicado quando você trabalha ou quando você olha para uma sociedade que ainda assim hoje resiste.
Eu não vou aqui estar jogando pedra, mas muitos se resistem em contratar pessoas com deficiência visual pro mercado de trabalho. E muitas vezes quando contrata é para funções como secretário, atendente. Muitos acreditam que pessoa com deficiência visual não pode, por exemplo, ser um promotor, não pode ser um advogado, não pode exercer, enfim, qualquer profissão que ele almeja exercer.
E a palavra-chave que eu uso sempre quando eu vou responder perguntas como essas é superação. A pessoa com deficiência, ela tem que se superar. Enquanto a narração segue, cenas sequenciais mostram pessoas com deficiência visual usando seus celulares.
As mãos de cada uma deslizam sobre as telas com habilidade e concentração, conectando-se ao mundo digital de forma independente e poderosa. No mundo digital, a visão parece ser um elemento essencial, mas e se a tecnologia pudesse falar? Para milhões de pessoas com deficiência visual, o Talkback e o voiceover é essa voz que transforma toques em palavras e gestos em acessibilidade.
A chave para acessibilidade digital está nas ferramentas desenvolvidas para auxiliar os deficientes visuais, entre elas os leitores de tela, softwares que convertem texto em áudio e permitem a navegação por comandos de voz e atalhos do teclado. A acessibilidade digital ainda enfrenta desafios, mas os avanços tecnológicos e a conscientização sobre inclusão estão tornando o mundo digital mais democrático. A tecnologia assistiva não é apenas uma ferramenta, mas um instrumento de empoderamento.
O futuro é acessível e a inclusão digital beneficia a todos. Essa necessidade de ter oportunidade das pessoas com deficiência exige que os espaços sejam acessibilizados e que barreiras físicas e atitudinais caiam, sejam derrubadas. E isso eh tem tem prejudicado consideravelmente eh a ascensão à saída do ostracismo de outras pessoas.
Eu falei que várias pessoas se juntaram a nós, mas inúmeras outras, um número considerado considerado muito maior ainda permanece em suas residências. Porque ora, porque a família superprotege ou ignora o direito dela de conviver socialmente e de ascender também socialmente. porque as políticas públicas ainda não foram pensadas, elaboradas e e tão pouco executadas em prol também dessas pessoas que merecem alguma alguma acessibilidade.
Por exemplo, a gente tem sinais sonoros nos semáforos, né, nas travessias, nas faixas. Existe isso, existe essa tecnologia assistiva nos semáforos e existe essa necessidade da gente ter semáforos sonoros com avisos sonoros em todas as travessias, em todas as faixas que tenham que tenham semáforos. Porém, a gente só encontra hoje na cidade de Rio Branco, lá em frente ao CAPDV.
Isso é um exemplo de que existe um capacitismo estruturado na sociedade, o capacitismo estrutural, onde a gente olha para o nosso redor e percebe o preconceito e percebe também a discriminação. Não adianta a gente ter uma escola, é necessário ter uma escola acessível falando de barreiras arquitetônicas? É sim, é imprescindível, mas não adianta nós termos uma escola ou uma faculdade ou qualquer outro ambiente acessível, falando de uma maneira arquitetônica, né?
Rampas, enfim, piso tátil, no caso para as pessoas com deficiência visual. Não, mas não adianta a gente ter tudo isso se nós se nós temos pessoas que não estão eh de acordo em trabalhar, em atender esse público que somos nós. Não adianta a gente ter uma escola estruturada se você não tem funcionários capacitados, preparados para atender esses alunos.
Então, acredito que tanto a barreira atitudinal como arquitetônica andam juntos, mas eu acredito que a as barreiras atitudinais são as que a gente mais enfrenta hoje. Então, é preciso a gente conscientizar essas pessoas e mostrar que nós temos capacidades e habilidades também para exercer qualquer função, desde que a empresa forneça suporte. Porque tem isso também, a empresa precisa oferecer suporte, precisa oferecer acessibilidade para que a pessoa possa trabalhar.
Por exemplo, a pessoa com defência visual tem que ter um computador com letor de tela instalado, tem que ter, dependendo do local que você for trabalhar, tem que ter algo voltado pro Braile, enfim. E a pessoa, as pessoas precisam se conscientizarem disso. Então, a gente tem políticas públicas que ainda não incluíram numa perspectiva de desenho universal as pessoas com deficiência.
quando os nossos eh membros, representantes do poder executivo, legislativo e judiciário, conseguirem compreender esse conceito de desenho universal previsto inclusive na legislação, no decreto 5296/2004, na lei brasileira de inclusão, na convenção da ONU sobre os direitos da pessoa com deficiência, que é a perspectiva da gente construir programas, projetos políticas que possam abranger as necessidades de todas as pessoas, sejam cegos, surdos, obesos, idosos, cadeirantes, todas elas. Isso também é um uma causa que de eu também não andar só, entendeu? Porque tipo assim, o sinal tem sinal que não tem não tem o sonoro, né?
Aí tem, é difícil, é difícil mesmo da gente andar. E as calçadas que a gente vai eh mesmo a gente andando de bengala, a gente pisa naqueles altos e baixos que não tem a calçada direito, né? Eu já até caí já nas calçadas.
É difícil, é muito difícil. Uma pessoa com deficiência visual aperta o botão de um semáforo, sinalizando o pedido para atravessar a rua. A travessia é adaptada com recursos de acessibilidade, com sinais sonoros e faixa elevada, garantindo a segurança e autonomia da pessoa ao atravessar a via.
A cena destaca a importância de um ambiente inclusivo e acessível para todos. Travessia com auxílio sonoro solicitada. Aguarde.
É importante que as pessoas olhem para nós, não com um olhar de pena ou de caridade ou algo do qualquer ou algo do tipo, mas como pessoas que apesar de suas limitações tenha capacidade e tem potencialidade também. Cada um tem potencial para alguma coisa. Todas as pessoas com deficiência, eu acredito que eu sempre falo que Deus tirar algo e dá em dobro, né?
Deus tirar a visão. No meu caso, Deus tirou a visão, mas me deu aí a me deu a audição, me deu a capacidade de aprender e também me deu forças para estar aqui falando sobre sobre um pouco da minha vida, um pouco da minha história para vocês. Thago agora está em um ambiente ao ar livre, sentado junto à sua irmã.
Taís Carvalho. Ao fundo um lago e muitas árvores. Lá no no CAP, no CADV, onde vocês já foram, ali é só o aluno e o professor.
Você não tem contato com outros alunos. Então é um ambiente diferente. Quando você sai, que não foi no meu caso, no segundo ano do ensino fundamental, que na época era segunda série, quando você sai para ir para uma escola onde você vai tá ali, junto com 40, com 30, 40 alunos numa sala, é um ambiente diferente.
Eu senti essa diferença e ali o que que eu precisava? Eu só queria um acolhimento, eu só queria ser bem acolhido. Claro que a grande parte dos alunos eram alunos lá do bairro, foi por parte dos alunos foi maravilhoso.
Mas, por exemplo, as brincadeiras no primeiro dia eu não participava, professor não me colocava para participar. Inclusive, eh, foi tão intenso que eu tive que mudar de turno por conta dessa professora. Eu fui pro turno da tarde por conta disso, dessa segregação que eu que eu passei, que eu vivi, porque não há nada mais constrangedor para uma pessoa com deficiência do que o preconceito.
Na faculdade tem aquelas pessoas curiosas, né, que vai na nossa mesa, aí fica perguntando: "Ah, mas como é que você faz isso? Como é que tu como é que você lê, né? " até aquelas pessoas curiosas.
No início eu tinha muita assim, muita gente assim ao meu redor, né, na minha mesa e tudo. Mas aí eu fui percebendo que depois depois de de eles terem, né, tirado essa curiosidade, como é que eu leio, como é que eu faço, como é que eu faço as aulas, como é que eu gravo, né, muitas coisas assim que a pessoa deficiente visual faz, que os que enxergam eles têm curiosidade de saber como é que é o mundo do deficiente. Inclusive até gente que já perguntou, né, ah, como é que é, né, o mundo que ela que ela vive, né, acho que a gente tem o nosso mundo, né, e a pessoa tem um deles, sendo que a gente vive uma vida normal.
Então, na faculdade, algumas experiências de preconceito também, até mesmo na igreja, na igreja já vivi, já passei por uma situação de de exclusão dentro da dentro da igreja, né, quando eu participava de grupo de jovens. é tão tal que eu não participei muito, eu participei pouco. Então o preconceito, né, todo mundo alertava, né, até a minha família que eu di assim, ah, o preconceito vai começar, né, começa às vezes na família e a gente vai, a gente tem que estar preparado porque vai vir, vai vir muito preconceito e a gente tá de estar de cabeça erguida.
Eu também assim na escola no ensino fundamental não, não passei por nenhuma experiência, mas na faculdade e dentro da igreja que eu frequento, quando eu participava de grupo de jovens, eu sim vivenciei situações preconceituosas. Eu penso que o caminho paraa humanidade evoluir socialmente, mas sobretudo espiritualmente, passa pelo reconhecimento das especificidades das pessoas com deficiência e o tratamento para com elas mudar no sentido de integrá-las, incluí-las socialmente. e haver um movimento fraterno na sociedade para que elas todas se vejam não nessa estrutura corporal, não a partir dessa estrutura corporal que o homem carrega, mas a partir do que ele carrega dentro, né, da sua essência.
Ter deficiência visual e também física, ser usuário de cadeira de rodas é apenas uma característica humana que não define o sujeito enquanto pessoa. O que me define enquanto sujeito, enquanto pessoa, é toda a minha história de vida, é tudo aquilo que eu faço e contribuo para a sociedade. Perceba que eu não tô colocando como valor maior a minha capacidade física, mental e sensorial.
E para e como mensagem final desse desse momento aqui é assim dizer paraa sociedade, para todas as pessoas que enxergar as pessoas com deficiência, com outro olhar, em um olhar mais fraterno, humano, sensível, com empatia, vai ser algo fundamental. É algo fundamental para a evolução da humanidade. Nós, pessoas com deficiência, eu falo por mim, nós precisamos nos superar.
superar, porque não adianta só a sociedade fazer a parte dela. Sociedade somos nós. Sociedade somos nós.
Não adianta eu eu muitas vezes dizer: "Ah, fulano tem que tem que tem que acabar com preconceito. " Mas isso tem que começar a partir de nós. Isso tem que começar a partir de nós, porque infelizmente nós, pessoas com deficiência, nós somos muito acomodados.
Amém. Claro que tem casos e casos, mas essa é a verdade. Nós somos muito acomodados.
Então, então acredito que se a gente começar mesmo a a sair pras ruas, a estudar, mostrar pra sociedade que apesar das nossas limitações, nós temos capacidade, acredito que seria um bom caminho andado. E por outro lado, a sociedade iria iria nos respeitar. Porque nós estávamos ali mostrando que temos capacidade e aí as duas partes, né, ficariam de acordo.
Durante a narração passam cenas sequenciais. Jean Quino toca seu violão. Francisca Tavares aprende a usar o soroban.
Francisco Wellington, agora com camisa salmão e calça jeans, reflete em uma sala de paredes brancas. Tiago faz exercícios na academia, depois ensina soroban em sua sala e interage com um aluno no refeitório. Por fim, Thago trabalha no computador no Instituto Federal do Acre.
À medida que nosso olhar se volta para os desafios enfrentados pelos deficientes visuais, é impossível não refletir sobre as barreiras invisíveis que ainda existem em nossa sociedade. Eles não são apenas pessoas que enfrentam a dificuldade de enxergar, mas sim seres humanos que todos os dias lutam contra um sistema que muitas vezes ainda não está preparado para atendê-los de maneira plena e inclusiva. Caminhar pelas ruas, atravessar uma avenida, buscar acesso à informação ao transporte público ou até mesmo se inserir no mercado de trabalho, são tarefas que se tornam um grande desafio.
E muitas vezes os obstáculos não estão nas ruas ou nos prédios, mas em uma sociedade que ainda carece de empatia e estrutura para garantir a igualdade de oportunidades. No entanto, a transformação não depende apenas das autoridades. Cada um de nós, enquanto cidadãos, tem um papel fundamental.
A empatia, o respeito e a disposição para aprender sobre as necessidades do outro são os primeiros passos para criar um ambiente mais acolhedor. Juntos podemos e devemos transformar desafios em oportunidades e garantir que em vez de barreiras criemos pontes de inclusão, respeito e acessibilidade.