Eu já quero começar perguntando algo que todo assidante quer saber e de forma objetiva, antes da gente entrar em economia, quais as chances, como é que tá a conversa sobre service ou a posição é de agenda econômica? É uma boa pergunta. [risadas] Eu também queria saber, tem que convidar o presidente Marcos Pereira e o Flávio e o Rogério Marinho pro programa.
Não, eu, mas brincadeiras à parte, eh, tenho uma honra de ter meu nome lembrado, mas acho que essa eleição não é sobre a Dani, Malu e Camila, não é sobre a Dani, não é sobre o Flávio, é sobre que país a gente quer pro futuro. O país hoje a gente tá com país falido moralmente, falido institucionalmente, falido economicamente e precisa com gente com capacidade de diálogo e construção e principalmente uma equipe técnica para mudar a direção do modelo econômico, que claramente são os números que dizem: "Não sou eu" que não tá funcionando. Então eu eh tive uma experiência no no governo do presidente Bolsonaro, empreendi minha vida inteira no mercado financeiro, fui empresária, trabalhei em mesmo de operações, mas lá é um aprendizado da vida como ela é, né, que ela vai além da técnica e é através da política e do diálogo que a gente vai construir os avanços que o Brasil precisa.
Então, eu sou mãe de dois filhos e quis botar, me dispor a a servir ao Brasil de novo, a ajudar nessa mudança. Não via nada agora nos próximos 60, 90 dias nada mais importante do que da minha contribuição como brasileira para essa mudança. Então, acho que é menos sobre mim, menos sobre o cargos, os cargos, qualquer cargo que eu venha ocupar, se for convidada, e sim, em que país a gente quer.
E aí é nisso que eu tô focada, tô focada é em fazer essa mudança e promover pelo país que eu quero pros meus filhos. Dani, antes de mais nada, um prazer estar aqui com você, mas eu já quero ir direto pra economia, porque eu sei que isso é uma coisa que mexe com os mercados e é o tema da discussão hoje, né? A gente tá falando aí de uma dívida, uma relação dívida PIB que tá aumentando, a necessidade de um ajuste fiscal, eh, gastos em ano eleitoral, tem tudo isso, tá contando aí.
Então eu queria começar perguntando para você sobre como corta gastos. Você tem falado que é importante fazer um ajuste fiscal de 1% do PIB, mas todos os economistas que a gente eh conversa, mesmo os menos ortodoxos, vamos dizer assim, os caras que não são considerados ortodoxos, dizem que não tem como você fazer um ajuste fiscal real sem cortar salário mínimo, eh fazer eh cortar salário mínimo, não, desculpa, sem cortar o aumento real do salário mínimo, eh sem fazer uma nova reforma da previdência, sem mexer em alguns benefícios fiscais importantes, como o Simples, eh, e a zona franca de Manaus. Tudo isso, porém, quando a gente pergunta para para vocês, vocês dizem que não vão fazer.
Como é que vocês vão fazer eh ajuste fiscal? Então, e me explica sobre essa coisa do salário mínimo. Malô, obrigado pela pergunta.
Eu acho que tem uma coisa que antecede isso tudo e eu tô num grupo de discussão. Eu sou vice-presidente do Conselho de Economia da Fiespe hoje, presidido pelo Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central. E essa projeção do corte e não fim daí, tá?
O Brasil precisa, antes de qualquer corte, recuperar a credibilidade. Então hoje a o governo não tem credibilidade e essa falta de credibilidade, de confiança reflete na curva de juros. Então quando você faz um leilão, como teve duas, três semanas atrás, a juro real de inflação, mais 8,5 de juro real e não aparece ninguém e por isso esse governo vem perigosamente encurtando as emissões para sobreviver até a eleição, isso coloca o país quase numa situação que a gente chama tecnicamente de dominância fiscal.
Então, precisa resgatar a credibilidade. Eu acho que é unânime que esse arcabolso fiscal ele é inóco, né? Ele tá mais para um calaboço do que para um arcabolso.
Não funciona, não tem credibilidade. E vale para mim o compromisso que o Flávio Bolsonaro fez de, primeira coisa, ato um, pós eleição, é a gente recuperar a credibilidade. O que que me leva a crer no sucesso disso?
O coordenador político da campanha, Rogério Marinho, talvez seja o senador o político com maior legado de reformas de estado, né, individual. Ele relatou a reforma trabalhista ainda no governo Temer, ele relatou, ele ele foi o secretário que liderou quando a gente estava lá e trabalhou junto à reforma da previdência, teve participação muito ativa no marco saneamento e outras. E é nessa via do diálogo é que a gente vai construir justamente quais são os cortes.
O que que era esse estudo que a gente discutiu muito lá, que é de um economista chamado Thiago Berriel, que foi do Banco Central, e tem outros papers acadêmicos, só para citar um, é que se você promove um corte de 1,5, que todo mundo sabe que não não por si só não resolve, mas a própria curva de juros, né, hoje a gente tá com uma despesa de juros acima de R$ 1 trilhão deais, então quando você promove um corte que te faz recuperar a credibilidade, a própria curva promoveria um ajuste de 2 a 2,5. Antes desse corte, o que que eu tenho dito? e a gente tem construído eh dentro dessa PEC.
Hoje a gente tem os três poderes ordenando gastos, né? Não é só o poder executivo que ordena. Esse governo lidera a pauta da gastança.
E eu tenho dito também, quem não cuida das contas não cuida das pessoas. E essa pauta dasgastanças o Congresso acompanha e o judiciário acompanha e agora até o TCU acompanha. Então, penduricos, privilégios, expansão de plano de saúde e vai pauta bomba em cima de pauta bomba.
Então, quando você tem três poderes ordenando gastos e só um controlando e sendo responsável pelo pelo controle das contas, é muito difícil. E a gente teve situações quando passamos por lá com o ministro Paulo Guedes que você ficava refém, né? Então você é aí que eu queria pegar porque você falou do ministro Paulo Guedes.
Ministro Paulo Guedes também falou em reduzir muito em reduzir ajuste fiscal eh em reduzir reduzir benefício fiscal. Também defendeu no governo do do Jair Bolsonaro não teve aumento real pro salário mínimo e ele também defendeu a desvinculação dos do da dos do dos recursos, né? eh, do orçamento.
Eu e vocês não estão defendendo mais isso. Então, eu não tô entendendo. Você também não me falou do salário mínimo.
Eu vou dizer o que a gente tá defendendo. Vamos lá. Então assim, primeiro antecede de novo o aprendizado que a gente teve lá, Malu, é que você tem o que é a vontade técnica e você tem o que é a realidade e o caminho político.
Então para mim, eu sou otimista e você pode pegar um cardápio dos técnicos, que esse cardápio é mais ou menos unânime, mas vai ter que haver uma via de diálogo e principalmente trazer os outros poderes pra mesa para ajudar a trazer luz e governança técnica a discussão do orçamento brasileiro. Então o que que a gente tá defendendo? Primeiro ter uma um órgão de governança, porque hoje tá tudo descontrolado e o poder executivo, ainda que queira, não tem esse poder.
Outros órgãos ordenam, você vai lá, a gente teve várias situações que o Congresso mandava despesa sem compensação, a gente tinha que cumprir o veto, orientava o pedido de veto, o Congresso ia lá e derrubava o veto e você fica com o ônus do controle e o gasto. Então, qual é o primeiro passo do que a gente tá propondo? O primeiro passo é um Conselho Superior de Governança Fiscal, uma instância onde, assim como tem na política monetária, através do COPOM, que a decisão vem instrumentalizada por dados técnicos e ela é transparente, a gente traga eh uma governança e os presidentes de todos os poderes da mesa para dar luz.
Você acabou de falar uma coisa que é que é fato, o Bolsonaro defendia, vetava determinados assuntos, o Congresso ia lá e derrubava. Nós tivemos um governo Bolsonaro em que o Congresso era muito pró Bolsonaro, pelo a Câmara tinha como presidente da Câmara o Artur Lira, né? E ainda assim, não só ele fez uma PEC de reduzir benefício fiscal que não rolou, como também as emendas parlamentares aumentaram muito durante o governo Bolsonaro, de 16 para R bilhões deais.
O que que vai fazer? Como que a gente deve acreditar? Como é que a gente pode acreditar que num governo Flávio Bolsonaro que não consegue botar nem o centrão na aliança dele, ele vai conseguir fazer esse acordo?
Porque a governança é uma coisa, outra coisa o congresso, o dia a dia, as votações, né? Como é que vai ser feito isso? Se que você segundo passo que eu ia dar.
Então vamos lá. Deixa eu dar os quatro passos e aí a gente chega aí que é uma ótima pergunta. Então você tem que ter uma governança.
Dois, você tem que ter uma revisão do arcabolso criando um mecanismo que controle a trajetória de dívida PIB, que a gente tá indo para 100% do PIB. Três, promover um gasto da ordem, promover um corte de gasto da ordem de 1,5% do PIB. Quatro, um choque de gestão e modernização da estrutura administrativa, porque o Brasil tá sendo sequestrado pela própria estrutura de governo.
Então, não é razoável que você gaste mais de R$ 450 bilhões deais só em estatais dependentes, Malu. São mais de R. 000 30.
000 1000 funcionários pendurados lá com o custo acima de R$ 6 bilhões deais. E hoje no governo do PT a gente sabe que eles preenchem com os quadros sindicalistas e tá no próprio estatuto do partido que tem que pagar um dízimo pro partido desse salário. Então tem que enxugar essa estrutura e dar eficiência e trazer muita tecnologia e inteligência artificial.
O Brasil é o país que mais tem ministérios, mais que a Venezuela e mais do que todos os países da América Latina com 38 ministérios. E aí na via da política, eh, eu discordo um pouco de você nessa história do Central, assim, o Congresso terá maioria de centro direita, porque essa é a vontade da população hoje. A pauta hoje que predomina, né, o ideal, principalmente a força empreendedora que o Brasil tem, são mais de 10 milhões só de mulheres empreendedoras, são mais de 20 milhões de me micro, pequenas empresas.
Então, o brasileiro, ele quer empreender, ele quer ser dono do seu negócio, ele quer liberdade para isso, ele não quer o estado trabalhando nisso. E essa pauta eh junto com a pauta da família, né, e da fé e outras, eh, nos leva a crer que essa maioria de centro direita será ampliada. Então, no governo Bolsonaro, começou com o presidente Rodrigo Maia, foi com o presidente Artur Lira, como você falou, as emendas chegaram a 30 B e hoje estão em 60 B.
E nem por isso o governo do PT tem governabilidade. Então assim, de que importa a opinião da Dani, se não é no caminho da política para você rever prioridades orçamentárias dentro do colégio de líder? E por isso eu sou entusiasta e tô contribuindo num projeto liderado pelo Flávio Bolsonaro, porque o Flávio é um político, tem 20 anos de vida pública ou mais de 20 anos, é um cara reconhecido pela capacidade de diálogo.
O Rogério a mesma coisa, é um cara reconhecido pela capacidade de diálogo em ambos os espectros políticos e e os avanços institucionais, as reformas políticas e a revisão da estrutura e do modelo econômico. O caminho na política. Malu, a gente pode ficar mais 20 anos discutindo papers acadêmicos.
Eu participei de várias discussões. Eu acho que existe uma visão unânime hoje entre os técnicos das reformas de estado que o Brasil precisa. Não tem como mais eh você tendo uma dívida de quase R 10 trilhões deais e a maior carga tributária do mundo, os números falam por si que o modelo colapsou.
Colapsou. Eu peço só licença porque a gente vai te ouvir, obviamente não é nenhuma interrupção, só pra gente conseguir dialogar mais com vários pontos que procante fica mais claro. E ainda dentro do que você tava falando, a gente tá tratando aqui de programa econômico, né, planejamento econômico paraa campanha.
Eh, eu quero saber se a senhora defende o tal do orçamento base zero, que a senhora até já defendeu em entrevista, e se a senhora acha que funciona mesmo para um governo, porque governos eles têm em tese aí pelo menos 90, 80, 90% do orçamento mais amarrado. Isso é opinião de vários especialistas que dizem que isso funciona muito mais para empresas, funciona pro governo. O que que é isso paraante entender?
Vamos lá. Ô, Camila, ótima oportun. Eu nunca defendi em nenhuma entrevista minha um orçamento base zero e obviamente é uma obviedade que hoje mais de 90% do orçamento tá comprometido em despesas obrigatórias.
Então o que eu disse é que hoje não existe transparência e assim que a gente deve olhar de forma mais ampla e holística para onde está indo o dinheiro do pagador de impostos, né? Como se assim fosse pra gente ter uma discussão técnica e produtiva, não só sobre a medida A, B ou C. E é muito fácil a gente fazer esse ajuste na previdência, como você falou, ou é muito conveniente quando a gente tem um país que tem R 600 bilhõesais do privilégio tributário, que paga mais de R bilhões deais em penduricalos, férias de 60 dias e outros gastos, em que a própria máquina pública custa R 450 bilhões deais, enquanto todos os programas sociais custam em tornos, né, o BPC, Bolsa Família e outros em torno de 300.
Então eu disse assim assim, a gente precisa dar transparência de para onde está indo o dinheiro do pagador de impostos e hoje eh junto com a política pensar como é que a gente tem mais flexibilidade para construir a gestão. Senão o governo que entrar com o orçamento todo carimbado e vinculado não vai ter nenhum o que fazer. Então, só pra gente deixar claro para assinante, numa entrevista recente que a senhora deu, a senhora disse o seguinte: "Hoje eu acho que precisa de um orçamento base zero e uma governança, como você tem na política monetária.
" Porque só que a senhora deixasse claro se defende ou não defende o que que seria esse orçamento, que a senhora base perfeito, Camila. Assim, base zero não é porque aí existe um conceito técnico de empresas privadas de você poder ter a flexibilidade de passar a borracha e recomeçar. O Brasil não tem a possibilidade de passar uma borracha e recomeçar.
Então o base zero é justamente dar luz na alocação e na qualidade desses gastos. Obviamente se você for no distrito técnico da do conceito do que é orçamento base zero, eu, como qualquer pessoa técnica, sabe que não é possível porque 90%, mais de 90% do orçamento hoje ele tá vinculado em despesas obrigatórias. Por isso que a discussão e eu tenho dito 1 vezes que é o caminho é na política e com certeza o governo que vai ter mais viabilidade política será um governo Flávio Bolsonaro, tá?
Então é bom deixar isso bem claro. Perfeito. Agora esclareceu pro assidante não ter dúvida.
Falou sim, mas com essa explicação. Na obrigado, Camila. Daniela, eh você mencionou que é preciso fazer um corte de 1 e meio ponto percentual do PIB.
Eh, o senador Flávio já disse que não vai mexer na regra do salário mínimo, como a Malu mencionou aqui, que não vai alterar os pisos de saúde e educação, que não quer uma reforma da previdência. Onde é que vai sair 1 e meio ponto do PIB? já que o prejuízo das estatais soma R$ 15 milhõesais por ano, eh, analisando os dados deste ano.
Isso dá 011 do PIB. Onde vai vir esse dinheiro? De onde vem?
parte dele. E aí foi bom você levantar essa pergunta da o hoje ativos da União, não só estatais. Se você pegar e a gente tá vai propor uma reestruturação desses ativos, porque é um escárnio que tá acontecendo com eh o bem público, né, que é um bem, é um patrimônio da população brasileira e financiado com dinheiro do pagador dos impostos, só a endivida ativa corrigida a CDI pela PGFN, detida pelo governo federal são mais de R trilhões deais, que já tem um projeto aprovado, proposto pelo José Serra lá atrás, que permite securitizar parte dessa dívida.
Agora, se você carrega o seu ativo a CELIC e se individa a CDI mais alguma coisa, não faz sentido nenhum você carregar esse prédio negativo. Então, primeira vertical e securitização de dívida. E aí, facilmente você tem hoje em ativos performados algo em torno entre 200 e 400 bilhões deais para fazer só no primeiro ano.
Vai performando, daria para fazer uma média de 200 a 400 por ano. Segunda vertical, imóveis. A União hoje, Malu, tem mais de 700.
000 imóveis lá registrados no balanço com valor de contábil acima de R 1 trilhão deais e gasta líquido mais de R$ 1 bilhãoais de aluguel. Se isso não é mais gestão ou um escárnio, eu não sei o que é. Como se tivesse 700.
000 casas, tá endividado, indo pro AGOT e ainda paga aluguel. Então a gente vai fazer um fundo imobiliário para conseguir monetizar parte desses ativos. Nem todos são monetizados e aí daria para fazer algo em torno de mais R$ 100 bilhões deais.
Aí você vem estatais, entre estatais, eh, só as estatais dependentes, elas consomem de folha mais de R$ 5 bilhõesais. Não existe mandato para liquidar. Então, precisa revisar o processo de gestão e governança dessas estatais.
Houve um retrocesso muito grande nesse governo em relação à lei das estatais, o que tá permitindo o aparelhamento das estatais de novo. E por isso a gente vê um uma estatal como Correio que deu lucro no governo Bolsonaro, o conjunto das estatais deu lucro no governo Bolsonaro, trazendo um buraco gigantesco. Então o problema não é um buraco de um ano, o problema é a sequência e como esse buraco vai dragando e principalmente o que consome de despesa essas estatais.
O terceiro é um programa de de antecipação dos royals, então existe ali mais bilhões para monetizar e por fim a gente fortalecer a segurança jurídica e encurtar caminhos com amplo programa de concessão e parceria público privada. Daniela, muito obrigada pela entrevista. Passamos aí por vários assuntos, todos bem explicados.
Mais uma vez, obrigada pela presença. Obrigada, Daniela. Até.
Eu que agradeço. Um bom dia para vocês. Boa semana e sucesso na no radar.
Muito obrigada. Ja.