Queridos alunos e alunas, eu sou o professor Alexandre Viana Verde, professor do curso de licenciatura em pedagogia, EPT, IFMA do campus Caxias. Daremos continuidade à nossa disciplina metodologias de ensino da língua portuguesa. Esta é nossa videoaula número dois, BNCC, o ensino da língua portuguesa.
Vamos lá. Quais são os tópicos desta aula? Tópico um, a BNCC como política curricular.
Tópico dois, concepções de linguagem na BNCC. E o tópico três, organização do componente em língua portuguesa. Aqui trago uma pequena reflexão, né?
O aluno fala: "Professor, se a aula for de história, pisque o olho uma vez, ciências duas vezes, português. Eh, por que que eu trago aqui essa reflexão? Eu trago essa reflexão porque o processo de estruturação da política curricular no Brasil dentro da das atuais reformas, né, principalmente a partir de 2015, ela foi muito articuladas com eh outras políticas de cerceamento, né, quase que de criminalização do trabalho docente.
trago para vocês como grande exemplo, né, uma uma lei que ficou muito famosa, um projeto de lei que foi a escola sem partido. Junto com a escola sem partido, nós tivemos também o a lei antiterrorista, que na verdade nós sabíamos que era uma lei antimovimentos sociais dentro do contexto brasileiro. Então, o currículo brasileiro, o atual currículo brasileiro, ele foi construído dentro de uma proposta política extremamente conservadora e extremamente eh autoritária, uma vez que, por mais que tenhamos dentro desse processo alguns mecanismos de participação, sobretudo com consultas públicas, nós sabemos que a ideologia que está por trás desse dessa proposta curricular lá é uma ideologia que favorece a lógica do mercado, certo?
Vamos lá. BNCC de organização curricular, tópicos críticos, padronização curricular. Então, uma das questões assim muito clara da BNCC que ela mesmo se propõe e diz que ela veio para isso é para padronizar o ensino.
Durante muito tempo se buscou na na história da educação brasileira uma forma de organização curricular que os alunos do Sul tivessem os mesmos conteúdos do Nordeste, tivessem as mesmas propostas curriculares do Norte, do Sudeste, para tentarmos unificar de de forma curricular, a partir dos processos de ensino aprendizado, essa organização da educação brasileira, né? E nós sabemos que nós vivemos em um país continental e que esse processo ele é extremamente complicado, complexo e que não é feito de forma unilateral. Dentro desse contexto, a BNCC tende a homogeneização dos conteúdos de práticas pedagógicas.
Eh, por mais que ele não seja uma lei, mas uma proposta curricular, né? Essa é uma questão também que nós devemos deixar isso muito claro. A BNCC, ela parte de concepções que elas não compreendem esse aluno a partir de uma complex complexidade e uma homenilateralidade, porque ela se envolve a partir da construções de competências, né, eh, muito específicas, né, de de de da estruturação de saberes para alcançar determinadas competências, né, e isso reduz também a autonomia das redes, das redes e das escolas.
uma vez que quando ela foi aprovada, as redes estaduais e municipais elas tinham que se adequar, né? Claro que no contexto, por exemplo, Maranhense, nós tivemos a proposta da BNCC Maranhense, que é uma, ela tenta trazer umas questões mais regionais, mais de identidade, por exemplo, que é muito bom que nós tenhamos acesso a esse documento e e apropriação também por parte dele e o risco de desconsiderar os contextos locais e regionais. Quando a gente constrói um currículo eh em proporção nacional dentro de um país como o Brasil, né, que ele é múltiplo, pluri, né, nós podemos cair nesse tipo de armadilhas, que é o silenciamento de determinadas regiões, determinadas culturas, por exemplo.
E quem vem fundamentar todo esse debate é o Saquistã, Michael Epo e o Stefan Ball, tá certo? Eh, e uma das principais críticas à BNCC é isso, né? É essa educação para eh o alcance de determinadas competências e o desenvolvimento de habilidades e competências.
Então, a partir da BNCC, o conteúdo ele deixou de ser central dentro de um processo de organização curricular e o direcionamento foi para o alcance de habilidades e competências, que traz sim uma lógica mercadológica, uma lógica muito tecnicista dentro da sua estruturação conceitual, tá bom? E isso traz o quê? uma aproximação com a lógica gerencialista e de performatividade.
A lógica gerencialista é a estruturação, quando vocês viram lá em gestão escolar, é é a gestão da escola a partir da lógica mercadológica, a partir das empresas. Quando a gente tem um aluno competente, um aluno habilidoso para determinadas coisas, é como se nós tivéssemos um profissional, um bom um um bom profissional no futuro, um profissional que vai se comunicar adequadamente. Então é muito mais tecnificação do ensino do que o ensino dentro das suas múltiplas complexificações, tá OK?
E isso gera o quê? Uma fragilização dos conhecimentos críticos e teóricos, já que os objetivos deles são muito mais eh pragmatis, né? E isso o o o essa essa análise curricular moderna vem trazendo muito isso de como esse novo currículo ele dá pouco espaço para a criticidade, para reflexões do do das desigualdades sociais, porque está muito mais preocupada na formação de competências específicas.
O aluno tem que saber ler, tem que saber escrever, tem que saber calcular. Mas como, né? a partir de qual contexto, a partir de qual serventia esses conhecimentos vão vão ter na vida desse estudante?
Então, e essa essa essa nova proposta articular, ela tem essas grandes fragilidades, a articulação com avaliações externas. Então, quando a gente define o que se ensinar, é muito mais fácil se definir, né, o que se vai avaliar. Então, a BNCC ela foi muito inspirada a partir de conteúdos cobrados em avaliações externas.
Ela tem como seu grande fundamento o PISA, né, que é uma avaliação internacional. No caso aqui do Brasil, né, a partir das avaliações relacionadas ao SAEB, eh esse currículo ele vira algo orientado para resultados e indicadores e intensifica o processo de responsabilização docente. Então, o docente ele passa a ser não visto mais como um facilitador ou como um orientador ou como uma ponte entre conhecimento e o aluno, mas ele se torna uma forma que o aluno tem de acessar esses conteúdos que serão avaliados.
Quem está no campo da escola sabe o quanto nós somos diariamente bombardeados com avaliações externas. E aí essas novas organizações curriculares, elas são extremamente extremamente influenciadas e direcionadas a partir das esses organismos internacionais de caráter privatista, no caso brasileiro, sobretudo do Banco Mundial, da ONU, da OCDE, né, que que e foram essas organizações que estruturaram os principais discursos que fundamentaram a BNCC, né? Dentro disso tem uma reconfiguração do papel do Estado, porque o o Estado ele se exime dessa organização, dessa proposta curricular junto com sua população, com suas escolas, com seus profissionais, com os seus estudiosos e começa a pedir emprestado políticas internacionais, sobretudo políticas curriculares.
Então, dentro desta lógica, nós podemos chegar a uma conclusão de que a BNCC ela pode ser considerada um grande avanço dentro da lógica privatista da educação brasileira. uma vez que esse currículo, esses conteúdos são muito mais ligados essas organizações privatistas e como outra consequência gera uma tensão entre equidade e controle, né? Porque o discurso de equidade convive com práticas de controle curricular.
Eh, como que eu vou ensinar para uma igualdade, para uma equidade, para a emancipação? se esses conteúdos que estão elencados lá são conteúdos extremamente elementares e conteúdos muito mais relacionados à formação de competências específicas, né? Então isso gera uma contradição dentro do processo educacional e aí vem uma questão de igualdade de acesso, mas não é a garantia de justiça social, porque essa educação ela deixa de ser libertadora, porque se torna uma educação instrumental, certo?
Isso gera um grande risco de aprofundamento das desigualdades educacionais, porque aquele aluno, ele para de ter uma compreensão de mundo, ele para de ter uma educação crítica, emancipatória, para ter uma educação que vai levar ele somente para o mercado de trabalho, por exemplo. E aqui nós temos um vídeo de excelência sobre esse conteúdo, sobretudo a partir do processo de contextualização do ciclo político da BNCC, que vai enriquecer demasiadamente os nossos debates. E aqui eu trago uma análise para que vocês possam compreender qual é o papel do currículo na nossa vida enquanto educadores.
O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso.
O currículo é autobiografia, nossa vida. Currículo vita. No currículo se foge as nossas identidades.
O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade. Então esse currículo que nós temos hoje em dia, ele é um currículo muito instrumental que ele fragiliza e fragmenta a identidade desse estudante e sobretudo os projetos de vida desse estudante.
E é algo que nós enquanto professores e educadores, precisamos estar atentos. Aqui estão nossas principais biografias, nossas principais referências. Espero que vocês tenham gostado.
Encontro vocês na próxima aula.