E a pergunta que não quer calar, e não cala nunca: o bullying é uma coisa de crianças e adolescentes ou é uma coisa de adulto? Vamos conversar? Há pouco, o bullying passou a ser regrado, passou a ser algo penal.
E com isso volta tudo. Tudo vira um problema, porque é um problema. O que é o bullying?
Ele passa por muitas dúvidas, muitas questões, uma banalização gigante. Vamos combinar uma coisa: o bullying é um fenômeno social. O bullying não é mimimi.
Os adultos se escondem atrás disso, dizendo “No meu tempo. . .
” O nosso tempo é esse e agora ocorre isso. Para que o bullying seja caracterizado como tal, ele precisa três coisas básicas: agressor, agredido e plateia. E uma coisa muito importante, ele precisa de frequência.
Não existe: “fez bullying uma vez comigo. ” Não é bullying. Pode ser agressão, pode ser desrespeito.
. . Todo mundo tem que trabalhar com isso e não porque virou uma lei, e não porque virou um assunto penal.
O bullying, ele tem que ser tratado com a seriedade que merece, porque da mesma maneira que ele pode não ocasionar nada em algumas pessoas, ele pode ocasionar tudo em outras. Então, temos que partir do tudo. Todo mundo é responsável por isso.
A escola é responsável por isso, os meninos são responsáveis por isso e as famílias são responsáveis por isso. De nada adianta, os adultos se responsabilizarem de forma torta pelo bullying. É muito comum, quando acontece de fato um episódio, vários episódios, a família fala: “mas e o outro?
”, “mas ele também sofreu. . .
”. Ou tomar a frente disso. Quem precisa tomar a frente é sempre quem está envolvido de alguma forma.
De nada adianta um adulto resolver regrar as coisas e fazer valer a palavra do adulto. O adolescente e a criança, eles não têm repertório e eles só criarão esse repertório, se nós, adultos, permitirmos isso. Quando um adulto entra no cenário do bullying, na busca de resolver, tanto o agressor, quanto agredido, quando plateia, vão se abster disso.
Vão entender que eles não são parte e que o adulto vai fazer sempre por ele. Nós precisamos dar ferramentas, nós precisamos acompanhar, nós precisamos fazer a retaguarda. Resolver um problema dos meninos, não ajuda.
Muito pelo contrário, atrapalha. Eu vou dizer para vocês, no caso do adolescente e da criança, o bullying é uma questão deles. Precisa ser resolvida por eles, com a ajuda de um adulto.
Vamos conversar!