Boa tardes. Vai chegar o quê, Samira? Açog. O açogue não é a carne, é o açogue inteiro. É interior. Eu sei. Vocês estão ouvindo uma máquina de corta grama? Não, não. Tá. Eh, a gente já tá gravando, tá? Boa tarde, Luciana, Patrícia, Gele, Elise, Samira, Mar, você já tá gravando, não pode falar as sensações mais, né, Casper? Ele nem me ouviu. Vocês estão ouvindo o barulho ou não? Não. Tá. Eu não tô ouvindo vocês. Vou tentar fechar minha janela aqui. Oiê. Nossa, você sumiram de vez mesmo agora, hein? Olha só, eu já nem escrevo mais
para você, porque eu chamei você já uma vez das últimas vezes. Luciana Melo, ela parece artista aquela da Caça de Papel. A inspetora Alícia. Igualita. Igualita, não assistiram. Tá sem áudio. Parece graça. Parece, né? Tava tentando ver com quem que ela parecia. Você foi no ponto. Alícia caça de papel. A Lu, né? É. Então, boa tarde, time. Boa tarde agora todo mundo, né? Acho que sim. Então, beleza. Eh, então essa é a nossa terceira da rodada, né? Eh, Elisane que traz um caso pra gente hoje. Isso. Eis à vontade. Bom, eh, é uma paciente presencial,
então eu não anoto muito nos meus casos, mas presencial anoto ainda menos. Então, eu vou fazer uma associação livre com vocês aqui sobre o relato do caso. Então, talvez eu vá paraa infância, volte para atualidade. Vá, eu acho que que vai, vocês vão me entender, mas eh Porque eu realmente anoto muito pouco, principalmente quando é presencial e é um caso muito bacana. Oi, Elis. Essa é uma recomendação do Freud, né? Que a gente não anote, né? É, eu não gosto de anotar, eu me perco seu anot. Ah, porque se a gente fica anotando, a gente
se desvie, né? Esquece de hospital. Bom, essa paciente eh agora em fevereiro fez do anos que eu a atendo. Eh, ela inclusive foi um dos meus primeiros casos assim que que chegou para mim. Eh, ela chegou com uma demanda de muita angústia, muita ansiedade. Ela tinha 27 anos, agora ela tá com 29. Ã, muito insegura com a vida, muito insegura com os desejos dela, com o que ela deveria ou não fazer, eh, sem saber muito bem o que ela queria. Um dia ela queria muito uma coisa, no outro ela não queria nada daquilo. Então foi
um caso que principalmente por ser um dos meus primeiros atendimentos no início, me gerou bastante angústia eh por ver a angústia dela, né? Então, eh, foi um trabalho onde nós duas fomos crescendo juntas, eu acho, nesse trabalho. Foi uma construção. E, eh, hoje, inclusive, eu a atendi de manhã e vou trazer o que o que ainda me traz uma certa dificuldade de manejo nesse caso. Eh, então eu vou começar a relatar um pouco da história dela. Ela é uma moça do interior e de Goiás que veio pra minha cidade no F de Iguaçu é há
uns 6 anos atrás, mais ou menos. E ela, quando ela tinha 11 anos de idade, o pai dela, ela, o pai e a mãe deixaram ela e o irmão mais novo, eles são dois irmãos na casa de uma tia, porque eles iam fazer alguma coisa e as crianças não poderiam ir numa cidade vizinha. Eles tinham um sítio eh aos arredores da de Brasília. E aí ah esse pai, algumas horas depois que eles deixam as crianças, ele sofre um infarto e morre. E para ela foi uma grande dificuldade a separação desse pai na hora que eles
deixaram ela lá. Quer dizer, ela não tinha nenhuma noção de que isso ia acontecer, mas ela relata que ela chorava muito e pedia muito para que eles não a deixassem lá, que ela queria estar junto com eles. E aí algumas horas depois a mãe dela liga pra tia e avisa que o pai morreu, teve um infarto, um mal súbito e, né, não teve o que fazer. E ela tinha quantos anos, oi. E ela tinha quantos anos? 11. 11. 11. E foi muito doloroso para ela, porque a família ficou tentando esconder. Ela entendia que tinha alguma
coisa errada, porque esse pai e essa mãe já tinham que ter chegado para buscá-los e não chegava e não chegava. E ela via que tinha um uma coisa acontecendo, mas Ela não sabia o que que era. Até que então a mãe dela volta para buscá-los e informa que o que o pai havia morrido e ela se sentiu abandonada e traída. Ela culpou a mãe dela muito tempo porque ela pedia para ir e a mãe é que não deixou, a mãe é que se posicionou, não, você vai ficar. Então, nessa cabeça infantil dela lá atrás, a
mãe foi quem separou ela do pai. Isso foi o que ficou inscrito nela durante anos. Então, a partir da morte desse pai, eh, a mãe era doméstica, né? Ela trabalhava, ali tinha um sítio, uma pequena terra, mas ela também fazia trabalhos domésticos. ficou com as duas crianças, sem o pai como provedor. Então, ela não tinha com quem como cuidar dessas crianças e trabalhar. Então, ela começou a ficar na casa de parentes. Ela não morava mais com a mãe. A mãe deixou numa tia, depois deixou na outra, depois deixou na outra e assim foi. Aos 13
anos de idade, essa menina começa a beber muito, a beber. Então, ela saía, ia para barzinhos e bebia. Ela é muito tímida. Eh, ao longo desses dois anos que eu a atendo, ela melhorou muito nesse aspecto. Depois eu vou falar um pouco sobre esse progresso dela. Eh, mas ela era muito tímida, então ela se soltava quando ela bebia. E aí, quando ela bebia, ela sempre foi mais gordinha, ela sempre teve um problema com peso. E hoje ela me trouxe, ó, vocês estão Vendo, né? Eu tô vindo e indo porque hoje ela me trouxe uma questão
em relação ao peso que eu achei fantástico. Ela entendeu lendo uma uma alguma frase, alguma coisa em algum lugar que ela tava vendo na internet sobre a compulsão alimentar em ser vista. E ela chegou à conclusão de que ela comia para ficar grande pro pai enxergá-la. Olha que louco isso. Ela falou isso para mim hoje. Achei assim uma conclusão dela fantástica, uma super elaboração. Por que ela me traz isso hoje? Porque hoje também, depois de 2 anos escutando essa moça, ela me traz que ela nunca foi a menininha do papai. Eh, o irmão mais novo
era, segundo a a visão dela, predileto pelo pai. Então o pai saía e levava o irmão em tudo e ela não. Ela sempre ficava para trás. E quando ela sabia onde eles estavam e que era próximo para ela ironde eles estavam, ela ia mesmo sem o pai levar e o pai mandava de volta. Hoje ela entende que é porque era um lugar que tinham homens, então ele se sentia, ele tinha preocupação de ela estar exposta em relação a homens e algum homem fazer alguma coisa contra ela. E aí ela traz uma frase do irmão dela
que ela falou assim para mim: "O que o meu irmão me falou tem muito a ver com o que eu vejo do meu pai e o meu irmão sendo filho do meu pai, com certeza ele ouviu isso do meu pai. Então, ela já Construiu isso como uma certeza vinda do pai dela, que ele disse assim para ela: "Amana, nunca confie nos homens, eles podem te fazer muito mal. Eu sou homem e eu não sei até onde eu posso ir. E você pode encontrar alguém que também não vai saber o limite e pode te fazer mal."
E ela ela disse para mim isso hoje, dois anos depois, né, que a gente tá aí trabalhando. E então ela traz também uma questão muito de repetição, e isso a gente veio eh trabalhando nesse período de repetição de de relacionamentos com homens casados. Então, quando algum homem solteiro se interessava por ela, ela não conseguia eh dar atenção, não se interessava. Agora, se ela visse que um homem casado tinha se interessado por ela, ela olhasse na mão e ela visse uma aliança, aquele homem a interessava. E a gente veio trabalhando isso ao longo desse tempo. Hoje
ela não se relaciona mais com homens casados. Ela conseguiu sair desse desse desse looping que ela tinha, mas ela também não consegue se relacionar com homens solteiros. Ela falou hoje para mim: "Será que eu vou ter que morrer sozinha, que eu nunca consegui me relacionar com alguém?" E aí a gente chegou a outros lugares, né? Hoje que foi essa essa frase que ela diz: "Eu nunca fui a menininha do meu pai". Então é como se ela não Conseguisse relacionar com nenhum homem, porque ela não sabe ser a menininha de ninguém. ela tem que dar conta
dela sozinha, ela teve que se virar sozinha. E nesse período todo, eh, aconteceu uma, duas, eh, dois episódios bem graves antes do pai morrer. Eh, um deles, ela ela sofreu abuso físico eh de violência física, não abuso sexual, de uma diretora de uma creche. Ela e o irmão estudavam numa crechezinha pequenininha lá nos nos arredores do sítio deles. E ela disse que a diretora era muito, muito, muito brava. E aí qualquer coisa que acontecesse, essa diretora colocava eles n salinha de joelhos e permaneciam horas de joelhos nos nessa salinha. Loucura, loucura total. quando ela me
relatou isso, isso ela me relatou bem no início da da das sessões dela, assim, tipo uns dois meses mais ou menos que a gente tava eh fazendo já o acompanhamento dela e eu perguntei para ela o que que ela sentia. E o o interessante é que ela traz uma uma emoção diferente do que naturalmente a gente se espera. Ela traz assim: "Ah, eu ficava chateada, né, porque o os filhos dela também estudavam lá e os filhos dela não não, ela não fazia nada disso e os filhos podiam fazer tudo e só eu, meu irmão e
os Outros coleguinhas aqui eram punidos." Então ela ela entendia a injustiça, não a punição em si, né? E ela falou que às vezes ela tinha um pouco de vergonha porque ela tava nua e que tav os coleguinhas estavam vendo ela nua, mas ela não retrata isso como uma questão de violência sexual, de uma exposição do corpo. É mais pela injustiça de que os filhos da diretora não sofriam o mesmo castigo. O outro relato que ela me traz nessa mesma época ali, que ela tinha uns 5, 6 anos de idade, que também ela não transfere isso
como um com muita revolta, que ela tinha uns seis, 5, 6 se anos de idade e ela ficava muito na casa de um casal de amigos dos pais dela, que eram muito muito próximos dos pais dela. Eh, ficava ela e o irmão com esse casal. E chegava uma certa hora que eles estavam lá, a mulher mandava ela ir pro quarto com com o marido e a mulher ficava com o menino num outro lugar da casa que ela não sabe. Ela só sabe que ela ia pro quarto com esse homem. E esse homem ele baixava a
calça, ele botava o pênis para fora e fazia ela masturbá-lo. Ela tinha se 6 anos de idade, né? Só que ela também não relata isso como um abuso, né, para ela ainda, eh, eu Acho que até hoje ela não entende na no como um trauma de abuso. Ela entende como é feio isso que ele fez, mas ela não não escreveu porque eu acho que a dor da perda do pai dela que aconteceu depois foi tão maior do que isso que é meio que ela parece que ela deixou meio de lado assim. Só que ela também
tem um perfil eh de muita eh como é que palavra? Eu vou eu vou tentar descrever e vocês me ajudam com a palavra, mas é tipo ã ah, era assim, era o que tinha para ser, então tá bom. Eh assim, né? Meio conformada, meio conformada. Conformismo. É, não tenho muito o que fazer, então. Então, tá bom. Então ela ela traz muito essa essa essa questão de não falar, de não expor os sentimentos, de se guardar para para si e tal. Depois que o pai dela morreu e que aos 13 anos ela começou a beber, ela
se relacionava com rapazes, começou se agarrando nos cantos, se beijando até que ela teve a primeira relação sexual. E ela falava que ela bebia para se sentir poderosa e conseguir se relacionar com alguém. Porque Sã, ela não conseguia nem abrir a boca. Ela é muito tímida, muito tímida. Então, eh, quando ela bebia, ela disse que até em cima da mesa ela subia para dançar. Então, ela se tornava alguém que ela podia tudo, né? Só que no dia seguinte, quando passava a bebedeira, vinha ressar com a moral dela. Se sentiu um lixo porque ela tinha feito
aquilo e os rapazes não olhavam na cara dela. Então ela entendia que aquilo tinha acontecido porque ela tinha consentido, mas ã ela tinha consentido na esperança de que alguém olhasse para ela com amor, com carinho. E o que ela tinha no dia seguinte era mais rejeição e abandono. Então ela ela queria, desculpa, ela ela ela bebia na esperança de que alguém a olhasse nessa nessa amor e carinho. É a vista que gostasse dela, que se apaixonasse por ela, né? Já que quando ela tava sã, ela não conseguia nem conversar, né? Então não é só a
comida, né? Que vem com essa coisa de ser olhada, né? A bebida também. Também também. Só que a bebida ela conseguiu parar, né, no com uns 19, 20 anos mais ou menos. Ela parou, ela parou de beber. Ela hoje eh, eu acho que ela bebe quase nada depois que a gente começou a análise. E quando a gente começou a análise, ela ainda bebia quando ela saía e ela ia quando ela perdia o controle e saía, bebia e saí transar com o cara que ela tinha acabado de conhecer. E no dia seguinte vinha ressaca moral e
e essa repetição acontecia. Mas ao longo da análise isso Foi diminuindo e eu fui mostrando para ela que ela não precisaria beber eh para se relacionar com alguém e que ela se relacionar com alguém sans seria mais proveitoso para ela. Ela saberia o que que ela tava vivendo e sentindo. E ela foi experimentando isso e ia me trazendo. Mas eu percebia muita vergonha dela de me relatar quando ela não se segurava e repetia, como se eu fosse uma mãe punidora. E eu tive que trazer muitas vezes isso para análise. Eu não sou sua mãe. Eu
não estou aqui para te julgar. Eu preciso que você me diga o que você sente vontade de dizer, mas eu não sou sua mãe. E aí isso foi, ela também foi se soltando nesse, nesse quesito e foi conseguindo falar um pouco mais. Mas ela ainda é travada nisso. Tem horas que ela não fala mesmo. Enfim, ela tinha quando ela chegou para mim um excesso de eh de baixa autoestima no sentido de incapacidade, no sentido de beleza, no sentido eh de quem ela poderia ser. Ela não acreditava absolutamente nela em nada. Ela era uma feia, uma
gorda, uma incapaz, uma burra. Ela usou essa palavra burra. Muitas vezes. Ela trouxe uma situação da escola que uma professora eh corrigiu alguma coisa que ela fez errada e falou: "Você é uma burra?" Essa esse episódio ela traz com muita mágoa. Esse episódio com muita mágoa dessa professora não ter acolhido o a dificuldade que ela tava tendo no aprendizado e e chamá-la de burra. E ela guardou isso. Eh, ela se colocou como a burra e ela tratou da da vida dela como uma burra. Ela entrou numa faculdade de história, desistiu e desde que ela iniciou
a análise, o que que você quer fazer da sua vida? Seu algum desejo? Você tem vontade de fazer alguma coisa? E aí ela oscilava, ela sempre falava em nutrição, mas daí ela oscilava, da nutrição da ela começava a trabalhar em algum lugar que ia exigir dela alguma coisa. Ai não, mas eu posso fazer isso porque no meu trabalho e ela ia mudando o tempo inteiro o que que ela ia fazer. E também foram muitas conversas a respeito disso. Ela se inscreveu no num vestibular em 2023 e ela esqueceu a data das provas. E aí eu
perguntei para ela na época o que a fez esquecer. E aí ela falou: "Ah, eu só esqueci". Eu falei: "Você só esqueceu?" Aí ela falou: "Ah, eu não sei se eu quero fazer isso". Eu falei: "Então você esqueceu propositalmente, né? Teu inconsciente te fez esquecer, né?" E aí a gente foi trabalhando e ela, por que que ela dizia isso? Porque ela tinha vergonha, medo de que eu reprimisse, assim como a mãe dela, você tem que fazer uma faculdade, você tem que Terminar a faculdade. E ela ia me colocando nesse lugar o tempo inteiro. Ah, Elisane,
vai. Um dia ela, um dia ela verbalizou, aí você vai ficar muito brava comigo. Eu falei: "Por quê? Aí ela não, porque é porque eu tinha que fazer isso, isso, isso. Eu não fiz. Eu falei assim: "Mas a vida é sua, não é minha, porque que eu vou ficar brava com você?" E eu saio desse lugar de mãe o tempo inteiro que ela tenta me colocar. Tempo inteiro ela tenta me colocar nesse lugar. E ela é uma menina assim extremamente agradável, sabe? É, é uma graça. Não é difícil você cair na tentação de se colocar
no lugar de mãe dela. Então, ela é doce como filha. Como filha. Ela se coloca como uma filha doce. como uma filha doce. É. E é difícil, foi difícil para eu não ocupar esse lugar. Foi bem difícil, mas eu resisti. Mas foi difícil. Mas enfim, eh, que mais que eu trago para vocês? H, nesse período que a gente veio fazendo eh o trabalho com ela, ela foi tendo um grande avanço no trabalho. Então, ela entra eh quando ela tá trabalhando, começa a trabalhar comigo na análise, ela trabalhava como repositora de produtos num posto de gasolina
e ela achava que ela não era capaz de fazer nada mais do que aquilo que ela tava fazendo. A gente foi trabalhando essa questão da capacitação dela, do que ela podia fazer e tal, tal. E ela foi ela foi se se posicionando em algumas coisas, foi acreditando um pouco mais nisso, naquilo e tal. Ela conseguiu uma vaga paraa Caixa. Ela chegou na análise, ela tinha ganho o milhão do do do Silvio Santos lá, o show do milhão. Ela estava emase porque ela tinha conseguido uma vaga no caixa. Eles confiaram em mim, eles acreditaram que eu
sou capaz, eles me deram uma oportunidade e tal. Falei: "Olha aí, tá vendo você quem se poricotava" e tal? E fui indo, fui indo, fui indo. OK. Nesse meio tempo, ela recebe uma segunda promoção e ela se torna chefe do RH do posto. São três postos e ela se torna a chefe do RH dos três postos, sem nunca ter trabalhado no RH, né? Então ela trabalhava com RH e com a com e com o financeiro. Ali deu uma bagunçada na cabeça dela, porque aí ela ficou mega feliz com a oportunidade que ela recebeu, né, de
de se tornar eh alguém de confiança dos donos do do posto de gasolina. E ao mesmo tempo aquela vontade que ela tinha desenvolvido de ser uma profissional autônoma, então ela queria escolher uma profissão que ela pudesse ser autônoma e não mais empregada, ela falou: "Eu quero ganhar dinheiro, mas eu quero ser dona do meu negócio". E eu, tá, mas que negócio. Ela nunca sabia o que dizer, sempre ficava ali rodeando a nutrição, tal, tal, tal. A nutrição, sim, por conta do peso dela. Tudo começa. O namoro com a nutrição é pela questão do peso que
ela foi obesa e ela conseguiu emagrecer com regime, academia. Mas é sempre uma luta para ela isso. E te digo, Cásio, uma coisa que fez com que ela eh melhorasse essa questão da compulsão alimentar, eh você sabe que às vezes eu saio um pouco do padrão da psicanálise e falo umas coisas aí que talvez não se enquadre muito, mas o que eu disse para ela foi: "Quando você come, você já se perguntou se você come porque tá com fome ou se você só tá com vontade de comer? E ela começou a fazer essa pergunta antes
de comer. E isso foi um controle para ela espetacular. Hoje ela nunca come sem perguntar: "Eu tô com fome ou eu tô com vontade de comer." E aí ela passou a fazer essa pergunta e ela conseguiu controlar muito o peso dela. E ela hoje ela tá um violãozinho, ela vai pra academia todo dia, ela cuida da dieta dela, ela faz a dietinha dela, tá tudo perfeito, mas ela e a bebida também tá controlada nesse sentido. Ela então viaja no final do ano pra casa dos pais da da mãe que que mora em Brasília. O irmão
mora lá, acabou de ter um filho. Ela sozinha aqui da parte deles, então ela mora com uma tia, tem uns primos e tal. E ela falou: "Ai, tô sentindo muita falta da minha família. Eu não convivi com eles, eu vivi sempre longe." Ela chegou aqui em F quando ela tinha 23 anos, então já faz eh 6 anos que ela mora aqui. E ela falou: "Vou embora". Eu falei: "Você tá certa disso?" Ela falou: "Tô falando o que que você vai fazer para isso?" E aí ela foi trabalhando para ir embora. Então, ela fez o Enem,
ia fazer nutrição, fez o Enem e conversou lá com a família dela para ir embora para lá. Pediu as contas do posto, esse posto que deu todas as oportunidades para ela, ela deu um pé na bunda do posto. E eu falo isso com orgulho dela, porque ela deixou de ser a repositora e passou a ser alguém que pode trabalhar em qualquer lugar. Ela já passou esse medo dela de que ela não era capaz. E aí quando ela tava tudo certo para ela ir embora, que ela ia embora no logo no ali no carnaval, ela ia
embora, ela até a gente tinha suspendido uns dias as sessões dela, ela tava pediu para para deixar uns dias que ela tava se organizando para ir embora. Ela me liga essa semana pedindo para marcar que ela não tinha ido embora, que ela não vai mais embora e que ela se matriculou e está há um mês fazendo biomedicina. Ela mudou completamente a área e tá mega feliz. Ela disse que ela tá amando o curso e porque ela recebeu uma proposta para trabalhar numa clínica de estética com uma médica aqui que faz estética E ela decidiu fazer
biomedicina e ela tá super feliz. Ela vai começar a trabalhar na clínica agora essa semana. Eh, e tá um mês já fazendo faculdade de biomedicina. Ela foi pesquisar o que que ela não no que que ela poderia trabalhar. Ela viu que ela tem muitas possibilidades, que ela não precisa trabalhar só em clínica, que ela pode trabalhar em laboratório, enfim, ela fez toda uma pesquisa e tá amando o curso. O que que ela me trouxe de muita angústia hoje? que ela entra na sessão, ela era um sol de felicidade porque ela tava fazendo a biomedicina, que
ela ia começar a trabalhar na clínica, que ela tava muito feliz e ao longo da sessão ela vai despencando. Então ela me relata que o ex-patrão eh ela saiu do trabalho, continuou fazendo extras lá para eles. Então ela não saiu dos grupos do trabalho porque ela ainda estava fazendo extra, então ela precisava conversar com os funcionários. E num certo dia eh ele exclui ela de todos os grupos e ela disse que ela se sentiu muito mal e abandonada de novo. Ela colocava esse rapaz como um pai para ela. Hum. Ela colocava a a esposa dele,
que é a a outra dona do posto, como a mãe dela mesmo. O ex-patrão era como um pai, o ex-patrão e a ex-patroa. Então ela coloca as pessoas como pai, como mãe, mesmo que sejam migalhas, Porque a relação que eles tinham era no trabalho. Ela não frequentava a casa deles, ela não era amiga deles. Mas o fato de eles terem acreditado nela e dado oportunidade para ela subir dentro da empresa fez com que ela se sentisse amada. Então ela confunde um pouco esse tipo de sentimento entre ser valorizada como profissional e ser amada como pessoa,
porque ela não teve isso, né? E aí ela tenta ser a menininha do papai, mesmo que esse papai também seja só o patrão dela, né? E eu acho que ele também ficou puto porque ele deu oportunidade, investiu, botou ela para fazer curso e tal e aí ela pediu as contas e eu conheço o cidadão, por isso que eu tô falando. Ele fez de sacanagem mesmo para botar ela no lugar dela, né? Mas enfim, eh, ao contrário da esposa, que quando ela se despede do único grupo que ele não tinha tirado, porque ele não fazia parte
desse grupo, era só a esposa e mais ela e duas pessoas, ela se despede, agradece por toda a oportunidade e sai do grupo. A mulher coloca ela no grupo de novo e fala: "Como assim você se despede, sai do grupo? Nós também temos o que agradecer". E aí a esposa coloca ela lá em cima, agradece, nã. Aí ela sai do grupo Feliz da Vida porque a mãe foi mãe, mas o pai não foi. E aí ela traz essa angústia dessa relação com esse patrão, ela traz essa angústia da relação com homens. Isso é Uma coisa
que angustia ela muito. E eu eh confesso que eu não tô sabendo eh manejar muito essa questão da transferência, desse abandono que ela sente desse pai, que tem a ver com a morte súbita dele, mas também tem a ver que ela só trouxe hoje em relação a ela não ser a menininha dele. Então ela reproduz isso nas relações dela. não consegue, ela falou: "Eu não confio em ninguém. Eu não consigo confiar nas pessoas, principalmente nos homens. Eles só querem nos usar." E ela traz isso aí. Ela tenta se relacionar, algo vem e trava. Tenta se
relacionar, algo vem e trava. Eh, e a outra questão que ela traz é dessa questão da relação e se ela vai sustentar essa decisão que ela tomou de sair de tudo que ela já tinha pensado, que até contabilidade ela tava tentando pensando em fazer por causa do do posto, ela tava entre contabilidade e e nutrição por causa do posto. e aí entra biomedicina porque ela recebeu uma proposta de trabalho. Então quer dizer, ela nada conforme a onda leva. Então se ela a mãe, em vez de ser chamada para trabalhar numa clínica de estética, ela tivesse
sido chamada para ser cabeleireira, ela ia fazer um curso de cabeleireiro. Então ela vai se agarrando à oportunidades conforme vão aparecendo e ela não sustenta nenhum lugar. Então, mas o posto, no posto, no posto ela foi bem, né? Foi, ficou um tempo, progrediu, sim, e tava indo embora por saudade da família. Essa é a fala dela. E ela permanece falando isso. E saiu por decisão própria, saiu do grupo até, né? Sim. Depois que o patrão tirou ela dos outros grupos, ela saiu do grupo com a com a patroa, né? Aí a patroa pôs ela de
volta. Mas deixa eu lhe perguntar uma coisa. A Samira até colocou, ela ela ela não nada, ela boia, né? É. Eh, você trouxe isso também, né? Já começando, né, a conversa, mas eu acho que você ainda vai continuar um pouco o relato, né? Sei. É pouca coisa que falta, tá? Só uma coisa assim, eh, me parece que ela é uma pessoa que melhora, ela é uma ela é uma pessoa que troca os sintomas. né? Assim, eu bebia, ela não bebe, ela bebia, transava, tinha uma ressaca moral, não acontece mais, comia, tá? Ela tem uma, a
libido dela é de certa forma fluida. Essa coisa dela eh nadar conforme a corrente, de certa forma, é interessante, né? Porque ela pega a oportunidade. Uhum. ou não? Que que você acha? Não, eu acho que sim. É porque você falou em surfar, né? Quer dizer, certo, dá uma remada ali, a onda vem, mas ela vai com a força, né? Parece que ela ela aproveita a oportunidade também, assim, isso muda um pouco, né? Muda. Mas sabe qual a minha preocupação, Cái? Eh, é que ela vai conforme ela faz exatamente você tá falando, ela vai conforme a
onda leva, né? Só que aí como não é uma decisão que parte dela é uma oportunidade, ela não sustenta, entende? Então ela vai trocando o sintoma porque ela não, na, ao meu ver, ela não sustenta porque sempre remete ela algum tipo de abandono. É, é essa a minha, a minha impressão em relação a ela, sabe? E ela, só que uma coisa que eu queria pontuar para vocês assim é que quando ela chegou para mim, eh, como a gente tá em vídeo, talvez eu consiga demonstrar, ela sentou na minha frente, ela fazia isso aqui com as
mãos, assim, ó, hoje não, no primeiro mês. Ah, ela fazia isso aqui, ela ela quase arrancava as mãos dela de tanto que ela se apertava de ansiedade e ela não com ela não tinha linguagem Para falar das emoções dela. Ela não conseguia eh simbolizar nada do que ela sentia. foi bastante difícil acessar essas emoções porque ela não conseguia nominar ao longo do desse trabalho. E eu acho que muito também ao longo das experiências que ela foi tendo nesse trabalho, onde lá oposto que ela foi subindo eh em conjunto com a análise, ela foi aprendendo a
dar a dar a dar nomes aos sentimentos. Então, às vezes, ela vinha pra sessão com uma angústia, eu tô angustiada, não sei o que que é. E daí a gente ia levando, conversando, daqui a pouco ela falava: "Já sei o que eu tô sentindo". Mas eh isso foi uma construção dela, sabe, de de entender o que que ela sentia e conseguir falar sobre isso. Isso eh eh mudou muito ao longo desse período. Então, assim, essa ansiedade que ela tinha eh logo que ela chegou e que durou um bom período, posso te dizer assim, com se
meses assim de uma ansiedade muito forte, ela deu uma boa melhorada, depois caiu, afundou assim de um tanto que eu falei: "Meu Deus, onde que essa mulher foi parar, né?" Ela tava no topo e entrou num abismo. E aí fomos nadando de novo. E eu falo: "Fomos porque a [ __ ] tava perdida no meio do nada, sabe? E aí tem que nomear tudo de novo, né? Aquilo que ela sentia". E aí ela ela caiu, ela caiu depois do quê? Depois ela ela chegou nesse nessa angústia dela deu uma melhorada, começou e aí ela deu
aquela afundada que a gente sabe que é clássica da psicanálise, que é quando começa a sucessar aquele monte de coisa, né? que ela começou a cessar quando ela começou a falar, então ela afundou muito. E aí hoje ela é mais constante, ela já não tem mais deixa só perguntar uma coisa, mais uma. Eh, na hora que você falou, foi falar e ela começou a dar nome, você quase fez um ato falho que era ela, ela voz de falar, ela começou a dar nome, você colocou, ela começou a dar mor. Você reparou? Não tá. Que eu
fiquei curioso para saber o que que o que que eração. Não sei. Tava falando em dar norma. Tudo bem, vamos em frente, tá? É, pode ser. Mas eu não percebi, então não vou conseguir te ajudar. Que que eu pensei? porque eu não percebi. Bom, eu acho que eh ah uma outra situação que ela sofreu, ã, quando ela tinha 18, 19 anos, ela morava na casa de uma tia e a tia, o tio e mais duas ou três primas que eram filhas desse casal. Ela morou um tempinho lá e ela disse que a tia tratava, primeiro
ela falava que a tia tratava ela muito bem, que era como uma mãe, que o que o tio era como um pai. Depois ela foi trazendo que não era tão bom assim, que ela que a tia fazia diferença dela com as com as filhas, que as filhas eram Tinham tudo, que ela era meio que empregada da tia. Eh, ela traz dela muda um pouco essa conversa e traz uma angústia desse lugar. Ela se muda da casa da tia, aluga um lugarzinho para ela morar e ela vai morar sozinha e ela continua colocando esse tio como
um pai, porque ele acolheu ela na casa dela e tal, na casa dele, né? E enfim, esse tio vai fazer uma visita para ela e ele tenta agarrar ela na casa dela e aí esse pai se desmorona também, né? Esse fato ela traz como uma tentativa de abuso. Esse fato ela traz como um trauma. os outros que eu relatei que ela era pequenininha, eu não vejo a mesma emoção. E a impressão que eu tenho agora falando para vocês é que me veio, tá? Então, não é uma coisa que eu tinha pensado. Eh, sempre quando é
alguém de confiança, para ela é uma traição além do abandono. Então, quando ela, o, quando o patrão tira ela dos grupos, poxa, eu idolatrava ele. Ela falou isso para mim, eu coloquei ele num pedestal e ele me tirou dos grupos sem mais nem menos, né? Então, quando é alguma coisa relacionada a alguém que ela coloca num lugar de ocupar esse pai, eh, ela ela fica pior, ela recebe como um trauma. E olha que o irmão dela avisou, né? Exato. E que vai de encontro com o que ela relata em seguida falando que o pai não
a tinha como a menininha do papai e que preferiu o irmão a ela. Então, parece que somam-se as histórias nesse sentido e ela vem para essa repetição. Então, qual a minha a minha dificuldade nesse manejo, né, que eu tô trazendo para ver se vocês têm um outro olhar que talvez eu não esteja tendo, que é dessa repetição na busca de encontrar esse pai. na repetição de ela não conseguir sustentar nenhum lugar, porque na verdade ela vai conforme a onda e não porque ela tomou uma decisão. E o fato dela não conseguir se relacionar com os
homens, que eu acho que tá conectado também com essa primeira questão do abandono, eh ela se trava, né? Então assim, ela traz isso, essas coisas como angústia, as duas principais, né, do do de relacionamento, mas confesso que para mim a maior angústia e aí como analista é de ver ela nessa instabilidade eh sobre a própria vida. Ela não sabe se ela quer ir para pra esquerda ou pra direita, se ela quer ser nutricionista, contadora ou biomédica, né? E e eu acho que posso trazer também um pouco essa questão pra contemporaneidade, né, da nossa juventude, que
não tá acabando lá nos 18, 20 anos e ela tá com 29 e é uma adolescente adulta. Não sei se faz sentido isso, mas é assim que eu a vejo. Uma menina doce, sim. Eh, e que muitas vezes me convocou a esse lugar de mãe dela. Acho que é isso. Começar e depois vocês continuam. Graça, já vai continuar. Eh, ah, só uma coisa, acho eu que isso que você coloca no final que te causa mais angústia, que é ela não saber para lá ou para cá, eu acho que essa angústia você vai ter que suportar.
Uhum. Porque ela ainda não sabe. É, eu sei. Eu tenho suportado o C tem doído. Não vou negar essa desorientação, né? Mas enfim, vamos. Não sei, na verdade, não sei. Vamos, vamos lá. Graça. Tá certíssimo. Para essa não tem remédio não. Eu ten que aguentar. Não tenho o que fazer. É, posso me pôr no só um pouquinho, graças a disso, só não posso me pôr nesse lugar de mãe que ela me convoca, né? Aí, será que é no lugar de mãe, Elis? É por qu que que você sugere? Porque ela tem medo do abandono, da
traição com o pai, com os homens que ela não confia, né? Uhum. Então, será que não tem uma ambivalência aí? um certo de repente eu estou também um pouco no lugar desse pai que a qualquer momento vai, né? Mas assim, ó, queria algumas coisinhas que eu vi assim, quando tu diz que ela chegou com as mãos e tu fez questão de mostrar, ã, me perdoem aqui se eu for ser um pouco grosseira, sei lá o que, vulgar, mas não é um gesto dessa masturbação aos 6 anos de idade, essa ansiedade por ela ficava apertando as
mãos. É, ela é bem sexualizada. Pode ser. Assim, tu diz que ela não, ela ela passou por essa situação e ela relatou como sendo ela se distanciou afetivamente da situação, né? Então ela racionalizou, ela te contou, mas dentro de um mecanismo de racionalização desse processo, né? E ao mesmo tempo negação disso, né? Então ela racionalizou e negou. Por isso que me chamou a atenção do gesto, né? Bem como o inconsciente dela falando essa ansiedade, né? De como eu vou ser recebida aqui. Uhum. Né? Como que eu vou ser recebida aqui? Também na situação da escolinha
com a professora, né? A gente não sabe qual era a perversão da professora, mas dentre as inúmeras formas de punir alguma criança, colocar nu chama atenção atualmente. Então, por favor, né? Ah, e a e ela era uma pequena, uma criança no atualmente, nós não estamos falando lá da minha geração, né, 1970, era o atualmente, né? Então, chama muito atenção essa coisa do nu, né? Mais uma vez ela se distancia e ela racionaliza lidando com a injustiça. Então ela se afasta em né, do afeto e lida com a injustiça. Que mais? E detalhe, em relação a
isso que você tá falando, Graça, ela não contou pros pais porque eu perguntei: "Você contou pros seus pais?" Ela disse: "Não". Eu falei: "Por quê?" Ela disse: "Porque eu tava errada. Eu tava cometendo um erro na escolinha. Eu tava sendo castigada." Ah, olha aí que importante o que tá dizendo, Elias. Então, e essa esse evento da escolinha foi mais ou menos na mesma época do evento do homem. Isso. E esse homem foi uma situação recorrente ou foi uma situação era recorrente? Não, ela falou que foram algumas vezes, umas duas ou três vezes. Daí ela pediu
pra mãe que ela não queria mais ir e a mãe não entendeu muito, mas daí ela Disse que se perneou, chorou e a mãe não levou mais. E ela acha que a mulher abusava do irmão, mas o irmão nunca falou nada, porque o irmão é homem, né? Ele aprendeu que quem são os abusadores são os homens, né? Então, volte a quatro, né? Sim. Mas ele também racionalizou, né? Uhum. De alguma forma e também talvez tenha tido as suas experiências, como tu diz, né? E e racionalizou. Então, chama muito atenção isso, né? o fato dela, dessa
recorrência, esse distanciamento afetivo, o que é muito natural também, uma forma de mecanismo de defesa do ego mesmo, né, essa racionalização, essa distância afetiva, né, e aí ela vai sentir, foram tanto, é, que foi indo, indo, eu também fui anotando, né? Enfim, ela vai sentir isso aos poucos depois, mas não entra exatamente no sentido em relação a isso, né? Ela sente raiva. Raiva? Raiva não. Ela não sente raiva nunca não. Ela é doce. É isso que eu tô te falando. Ela é doce. Ela não sente raiva. Ela é conformada. Ela é doce. Conformada. Ela sentia
raiva. Ela sentia raiva. Eu acho que é importante. Não, ela sentia raiva. Eu tô Esquecendo de um detalhe bastante importante. Foi bom que você perguntou da mãe. É, isso ficou claro iso dizendo na sequência, porque o teu relato o tempo todo, muito pouco a mãe entrou, né? É. a mãe, porque a mãe não deixou ela ficar com o pai, o pai morreu e porque a mãe abandonou ela para ir trabalhar e ela ficou na casa de todo mundo. Então, ela tem raiva porque a mãe não cuidou deles depois que o pai morreu. Então, eh, e
aí todas os encontros com a mãe era na cobrança. Você tem que estudar, você tem que isso, você tem que fazer aquilo, você tem que lidar. E tudo que a mãe mandava ela fazer, ela parava. Aí, ah, se a mãe mandou aí que ela não seguia mesmo, porque agora não, agora ela tá numa ótima relação com a mãe, mas foi pela análise que ela chegou nesse lugar. Isso eu não tenho dúvida que hoje ela tem uma, ela reconstruiu uma relação com a mãe bem mais positiva, bem mais eh otimista assim pros do pros dois lados,
assim. Acho que elas são bem elas estão mais conectadas, elas se falam todos os dias, sendo que antes elas passavam meses sem nem se ligar. Então, a análise ajudou ela a entender um pouco o lugar dessa mãe que ficou sozinha, que não tinha muito para onde correr, mas a raiva que ela tinha da mãe não ter deixado ela ir com a mãe e o pai e o pai morrer, essa ela relatou diversas vezes em análise. Engraçado, né, a sambivalência nesse sentimento com esse pai, né, que ela ela tem a ela não era a como é
que é menininha do pai. A menininha do pai, né? No entanto, ela ficou com raiva da mãe não deixara ela ir com o pai. Uhum. É graça. Mas eu eu não sei porque parece que na verdade pelo menos da forma com que a Elisane traz, a impressão que eu tenho, acho que daí você tenha perguntado, ela não sente raiva porque não pareceu que ela sentisse, né? Agora parece parece que a mãe sente raiva dela. Ela chega a falar para Elisâ: "Você vai ficar muito brava comigo". Ela te coloca no lugar, porque você fala que ela
é doce, né? A menina doce não é exatamente uma menina revoltada. Não, essa menina, aliás, não é uma menina revoltada, né? Não, não é. Pois é, mas ela bebeu até os 19 anos. Ela era gordinha, mas ela não era revoltada, ela bebia para se sentir aceita nos lugares. Não era por revolta, não era para atacar ninguém, era um mal contra ela mesma. Então assim, ó, só vou uma última frase assim e saio, deixa todo mundo falar. Não tá na hora dela se revoltar um pouquinho, não para poder começar a tomar as decisões dela. Talvez, talvez.
É, talvez seja isto mesmo, né? Gostei. Graça. Muito bom. Pode passar pro, já que ela não é a menininha do pai, né? Já que ela não é mesmo a menininha do pai, né? Vamos em frente, Mário. É o Mário. Boa tarde. É, foi nesse ponto também que que me chamou atenção essa coisa da de ser a menininha do pai. Eu fiquei na dúvida se quando ela decidiu sair do emprego, foi simplesmente por uma questão externa. Eh, eu, ela ela disse, eu eu tenho que eu não tenho outra opção, eu tenho que ir eh ver a
minha família. Não, eu porque ele ela disse que escolhe não foi com dor, não. Ou ela consegue sair do lugar. Ela abandonou esse ex-patrão que ela via como pai, que ela mesma. Eu também tô escutando isso, Mário. Ela abandonou. Ela não tem dificuldade de de decidir, ver, não é que ela não tem dificuldade, é claro, ela tá trazendo as coisas para você. O que eu quero dizer é que isso daí me parece do pelo relato que ela é perfeitamente capaz de de fazer o que o que é melhor para ela. Talvez ouvindo o relato parece
que vai aparecendo umas pedras no meio do caminho que ela vai tropeçando e aí isso atrapalha ela de exercitar essa essa capacidade que ela tem. Mas talvez, Não sei se ela chegou a perceber nessa situação dela escolher deixar o pai patrão, se ela enxergou nessa situação e essa capacidade que ela tem. Então eu acho assim que rapidinho, eh eh ela demorou para tomar essa decisão. Ela ficou meses pensando se ela deveria ou não abandonar tudo aqui e ir pra Brasília. Eh, ela ponderou isso várias vezes em análise, o que que ela faria, só que eu
acho que ela só entendeu que o patrão era como um pai quando ele tirou ela dos grupos. Foi ali que ela teve um estalum e daí ela, tanto que ela traz hoje para mim isso e chora copiosamente que o patrão tirou ela dos grupos. Mas o Elis, eu acho, eu eu ia entrar exatamente aí depois onde Mário entrou, porque você coloca e essa questão dela não decidir ou sustentar as decisões dela como um dos pontos de uma certa angústia, né, sua como analista. E eu escutei muito disso que o Mário trouxe. Por mais que ela
não tivesse tivesse dificuldades de tomar decisão aqui, ela tá decidindo. Sim, sim. Ela tá decidindo a E tudo bem que ela venha a se conscientizar ou ou assim a Atuar esse sofrimento do abandono do pai depois que ele tira o grupo, ela do grupo. OK. Mas enquanto ela tava lá, ela já ela ela eles já eram como pais para ela. Sim. Sim. E ela toma a decisão. E essa decisão eh primeiro que não é uma decisão qualquer, né? Uma decisão de você abrir mão de um trabalho no qual apostaram em você. Você progrediu, você foi
de repositora caixa gerente de três lojas. Ela toma essa decisão. Eu assim, não sei se ela não tinha essa dificuldade, se você tá falando que tinha, eu acredito, mas que ela tá mudando. Eu eu acho que o Mário trouxe isso assim, talvez ela precise ver isso. Ela foi a menininha do do patrão. Ela foi a menininha do pai patrão e ela saiu desse lugar. Ainda que ela não tivesse percebendo isso na hora, mas ela escolheu sair do lugar de menininho do pai. E nada mais normal do que o patrão tirá-las do grupo. Aqui ela reage
de modo infantil. Ela tem uma atitude de adulta, mas um sentimento de infantil. Se eu tomo uma decisão como uma pessoa que quer decidir a própria vida, que pode, né, renunciar, mudar lugar e tal, mas quando o meu patrão fala, OK, então então saiu do grupo, aí ela sente como abandonada. Ela não tá sendo abandonada nesse caso, né? Não, mas eu acho assim que eu eu entendo o que vocês estão trazendo. Eu não é que eu discorde de vocês de forma alguma. Eu só penso eh que de todas as mudanças que ela fez, de todas
as decisões que ela tomou nesse período, eh, desde lá 16, 17 anos para cá, ela sempre toma decisões por fuga. A primeira decisão pensada foi essa, só que aí ela pensou, tomou a decisão e depois ela mudou de novo, decidiu ficar aqui porque surgiu uma oportunidade e ela mudou tudo de novo. Gente, eu falei com ela final de janeiro, ela tá fazendo faculdade tem um mês. Então assim, ela ela ela ela, desculpa, Elise, ela ia voltar para lá pra Brasília e aí ela decidiu de voltar para lá para ficar e estudar biomedicina para porque surgiu
esse emprego na clínica e daí de nutrição que ela ia fazer lá em Brasília, ela mudou para viver biomedicina por causa desse trabalho. Então assim, eu entendo o que vocês estão dizendo. Ela realmente toma decisões, mas as decisões que ela havia tomado até então sempre foram decisões de fuga. E agora ela tava querendo se aproximar da mãe, desse irmão, desse sobrinho que acaba de nascer. E do nada ela muda por conta de uma proposta de emprego, permanece aqui e muda o curso. Eu assim, a o meu olhar para ela é de uma decisão de fuga
de novo. Mas de fuga do quê? da mãe, pá. Mas daí eles, eu vamos lá, eu entendo que vocês não tem a mínima noção do que que é isso, né, gente? Já vou passar para essa mira e tal, mas eu a a a eu não estou na frente dela, né, Elis? Quem está é você. Uhum. Mas a forma que eu escuto é de quem tomou uma decisão e tomou outra, tá? Será que ela queria mesmo ir pra mãe? É, que que ela vai fazer com a mãe? Será que ela tava realmente? Ela falava que ela
tinha medo da mãe morrer e ela não ter vivido nada com a mãe, por o sobrinho ia crescer e ela não ia ver o sobrinho e tal. E aí eu cheguei a questionar essas questões que ela me trazia para ela, para ela, né? E ela demorou um tempo, ela ficou assim, acho que sei lá, seis, se meses pensando se era viável ou não ela mudar. E aí ela decidiu um dia ela chegou lá na sessão e falou: "Eu decidi, já falei com o meu irmão, ele vem me buscar no no carnaval, eu já pedi minha
conta, já tô cumprindo aviso." Foi assim, já deci então. E agora decidiu que não vai. Eh, talvez, eu juro que agora eu vou falar só isso, daí eu vou ficar quieto meia hora, gente. Vou passar para vocês. Mas daí, ô Elisane, talvez, talvez o único valor dessa decisão que ela tenha tomado tenha sido esse deixar de ser menininha do pai. E agora deixou de ser menininha da mãe de novo porque Não vai para casa, talvez, né? Eh, eu não sei exatamente qual é o valor desse ato para ela, mas para você como analista, talvez você
pudesse se aproveitar disso dessa maneira. Eh, se aproveitar em proveito dela. Uhum. Né? Eh, valorizar essa quebra. O valor dessa decisão aqui não é que ela é efêmera que você tomou e já tomou outra. O valor dessa decisão é você ter deixado de ser na menininha do pai e, claro, se sentir abandonada, blá blá blá blá blá, na verdade, quando você tomou, né? Mas enfim, vamos lá. Vamos, deixa eu passar a dólar. Samira, complementar. Deixa de ser a menina do pai e tira a mãe desse lugar da Mejera quando faz essa decisão agora que até
então ela só não era porque tinha o pai, porque triangulou tudo. Pelo que eu através do que eu tava escutando, eu só fiz as triangulações, tá? Inclusive quando vai se relacionar com pessoas comprometidas. Quando você Vou voltar num ponto aqui, abuso físico que ela não tem condição de ver. O casal de amigos que ela não ela não sente como como abuso, ela não sente ou ela não tem condição de sentir ainda. É um ponto a ser trabalhado futuramente. É, não sei. Ela pode ser que ela não tenha esse essa condição ainda de se conectar ali,
porque ela tem reações infantilizadas, embora tenha atitudes adultas. Elas não sustenta as atitudes adultas. Uhum. Mas, mas quando você fala assim, ela não se relaciona, ela se relaciona o tempo todo, ela só não se vincula. Sim, sim. Eh, eu acho que a angústia é essa, ela em vez de não relacionar que ela traz é o vincular. E claro que ela não vai se vincular, ela vai ser deixada, alguém vai vir e vai tirar. E em relação aos homens casados, isso que você tá falando é interessante até pelo ponto A, porque eu questionei para ela, então,
por que que você se interessa por homem casado? o que que te atrai nesse lugar? E aí ela disse, ela ficou pensando, pensando, pensando. Ela ficou um tempo em silêncio, assim, eu vi que ela buscava uma resposta. Ela não conseguiu me dar resposta na sessão. A gente encerrou a sessão, ela foi embora, não voltou no assunto na sessão seguinte, passado, não lembro quantas agora, não vou me lembrar, ela volta e ela fala sobre a questão do homem casado de novo. A gente entra nesse assunto e eu faço a mesma pergunta. o que te atrai nessa
relação? E aí ela falou: "Com este eu sei que eu não vou ser abandonada porque ele já é de outra". Ah, uma ótima o risco. Ótima, uma ótima, um ótimo passo. Eu não corro o risco de ser abandonado. Uhum. Porque ele já não é meu. Eu já sei que ótimo passo. Um ótimo passo no sentido da análise, né? A análise chega num lugar de implicação mesmo para ela. É de de posição. Exato. De posição de quem quer dizer esclarece alguma coisa. Hoje ela falou isso até de uma hora quando falou do sobre a questão do
eh do qual que foi a questão que a gente trouxe hoje? da menininha do pai que ela traz. E aí eu trago isso de novo para ela e aí ela fala do do de ser gorda para ser vista. E aí ela faz assim, pum, ela faz assim para mim, dê um estalo agora. Que sentido que fez isso para mim? Hum. Então, ela faz umas coisas assim e ela é tão tímida que quando ela tem uma reação dessa até eu falo: "Opa, que que tá acontecendo?", né? Foi um boom para ela, foi um sentido para ela
de entender aquele lugar que ela tava do irmão e tudo mais, né? E foi, ela falou isso, achei bem legal dela trazer como um boom. Ela faz, eu eu tão bom, eu vou me autorizar assim entrar com pequenas inserções entre um e o outro. Ah, sem levantar a mão. Eh, só uma coisa, me parece que ela é uma pessoa que trabalha, que eh se desenvolve, né? Eh, uma coisa só para chamar a atenção, eh, que corrobora isso, né? Por exemplo, quando ela fala dos tios que eram, ah, meu Deus, chega, né, tudo, todo mundo para
ela é como uma mãe, né? Como uma mãe, como um pai. Eh, os tios que eram como uma mãe, que você fala que no início eram uma beleza, né? Tá, tá, tá, depois ela começa a dizer que, na verdade, não eram tão bons assim, né? que ela trabalhava, então um escravizava ela ali, o outro é eh aqui também é uma oportunidade de de você notar e de retornando isso, entender que os pais também não seriam tão bons, né? O pai se tivesse permanecido, a mãe não é, né? Porque senão fica o lugar da menininha, né?
Como uma coisa muito idealizada mesmo, né? Que não existe, né? E e e enquanto, na verdade pais reais são como esses tios, são como esse chefe, são pessoas que vão te tratar, não como uma menininha vida inteira, né? Mas o o pai eh, Co, a a análise toda, ela traz a mãe como uma mãe insuficientemente boa, usando oord. E o pai ela traz nesse endeusamento. Hoje foi a primeira vez que ela apontou esse pai que não olhava para ela como uma Menininha. Foi a primeira vez em mais de dois anos de análise que ela fala
desse faltoso. É cando. Hoje de manhã eu atendi ela e ela foi que surgiu essa história da menininha e que foi a primeira vez que ela falou ele preferia meu irmão e eu fale eu até pontuei isso para ela. Eu falei faz dois anos que a gente que você que a gente tá trabalhando. Você nunca trouxe essa questão para mim. Ela baixou o olhar, ela falou: "É, eu acho que eu nunca trouxe mesmo". Eu falei: "Por quê?" Ela só levantou os ombros assim, tipo, não sei. Mas hoje ela apontou um defeito desse pai. Só para
concluir, Elisane, quando você trouxe muito que é uma uma angústia dela, a questão do relacionar, relacionar, ela se relaciona o tempo todo e com todas as pessoas, ela só não vincula. Aham. Aham. É bem interessante isso. E e alguma coisa você falou do do espatrão de migalhas. Uhum. Aí vem uma compulção alimentar. É verdade. É. É verdade. Eu não queria ser vista. Eu tinha vergonha. Nua pequenininha, mas aí eu como, como para ficar grande para ser vista. É, tem muita coisa interessante para ser trabalhado ainda. Ah, ela é uma graça ou para não me desejarem
sexualmente, né? Oi. Desculpa. Intervenção assim atropelada. Ele disse: "Ou eu como como para não me desejarem sexualmente, né?" Sim, sim. Uma defesa. Eu coloco as barreiras ao meu redor para não chegar. É, mas ela tem uma ambiguidade de ser desejada absurda, porque ela é mega sexualizada, mas ela triangula o tempo todo. Então é comum que tem essa ambiguidade, mas é interessantíssimo. E eu até vou dizer que a gente não falou sobre isso. Eh, eu nunca fechei um diagnóstico dela assim, mas eu penso que ela tá na neurosopsicila. Eu ia te perguntar, eu escutei isso, cuidade
dessa culpa, dessa repetição que ela faz, essa essa indecisão que tu refere de vai para cá, vai para lá, não se posicionar. Ah, tem muito disso aí trabalha de repositora, né? O patrão investe que a gente repõe a falta e se pega nisso. Interessante. Repõe o que falta. Não repõe a falta, vai repor o que tá faltando e ela vai entrando nessas triangulações aonde falta, no lugar dessa falta. Não, isso você falou da reposição. Adorei esse jogo que você fez aí. Muito bom. Eu vou entrando no lugar da pata de qualquer Mira tá piada hoje.
Mira tá piada hoje. Tá fantástica. Eu tô ligando com férias, gente. Isso porque assim, eu vou repondo qualquer falta, em qualquer triangulação falta. Vamos chamar, vamos chamar repositória. Tem que ver se ela não tem prazer de ficar aí, hein? É, acho que é, vou olhar para isso, porque faltou a faltou a biom faltou a biomédica que eu abri mão do meu desejo e fui lá fazer e biomedicina. É, é. Não, eu achei que eh sair da nutrição, além de ser uma oportunidade da vida, é sair um pouco desse negócio alimentar também. É porque a a
nutrição não era o interesse genuío em nutrição, era uma questão com o próprio peso, eu acho, né? Que essa que essa outra eu trouxe essa questão para ela, Cáo, se a nutrição não era uma escolha e ela falou que sim, que era. É, agora ela já vai pra estética, que é uma outra coisa também, né? também tá aí, mas já tá numa outra, num outro lugar, digamos assim, né? Vamos lá, Géliquinho. Vamos lá, então. Eh, o que me chamou atenção foi, né, o quanto que se repete isso, né, o que o meu pai não me
considerava uma menininha. E aí me veio Essa essa essa vontade de perguntar, mas então o que ele te considerava? Como ele te via ele não te via como uma menininha? Porque será que talvez ali não tem algo até desse porque que será que de repente essa sexualidade não tem algo de um olhar também diferente que não te para uma menininha? H, porque eh eu fiquei pensando que dentro dessa situação desse dela ser esse doce, né, que que tá conformada com tudo, né, será que dentro não existe, internamente não existe, né, escondida nesse marasmo, não existe
uma revolta interna para com esse pai que talvez não tenha não tenha eh tido tempo de se resolver ou de entender, de assimilar, já que esse pai ele morre repentinamente assim. E aí, automaticamente essa essa revolta se vira contra essa mãe, né? Algo do não entendível ali, porque ele ela ele morre, ela tinha 11 anos. Isso. Isso. Uhum. Então, talvez ali ela ainda não ela não tem não teria uma psiquê assim para poder entender que olhar era esse que esse pai tinha, né, de mim, que não uma menininha, né? E por que por que que
se existia isso que esse filho eh eh traz, né, dessa olha, tu tem que se cuidar com homens, né? Então assim, eu vejo ali algo parece velado, sabe? que talvez nem ela queira se deparar e que talvez eh como eh eh se confunde um pou um pouco, se mistura com essa Sexualidade, com talvez um desejo que nem ela eh não entenda, porque o que dá para entender ali nessa troca de de escolhas profissionais é que ela vai muito pelo desejo do outro, muito, né? Então, tipo assim, ela tá trabalhando no posto, ela vai fazer contábeis,
ela vai, ela tá trabalhando, ela recebe uma proposta ali, de uma clínica de estética, ela vai fazer biomedicina, né? E de repente ali quando ela se depara com alguma questão angustiante dela, de repente ela pensa numa nutrição que é algo da compulsão, que é algo da oralidade, que eu vi muita coisa assim, muita mistura. Talvez por isso que a Elisane, né, fique nessa nessa situação, tá? É um lugar de mãe, mas se é um lugar de mãe, ao mesmo tempo que ela é doce como filha, o Cássio diz, mas aí ela foi doce com essa
mãe durante quanto tempo? Porque pelo que eu entendi, ela resgata essa relação com essa mãe há pouco tempo. Então eu vejo assim bastante eh me parece que tem algo que não tá sendo, ela não tá querendo ver, ela não tá querendo ã mostrar, não tá querendo ã olhar. Sabe, eu tive essa impressão. É isso que você tá falando, G faz muito sentido, porque assim, ela teve muita dificuldade, como eu disse para vocês, de nomear os sentimentos, né? E ela não tinha lembranças infantis. As lembranças Dela foram surgindo muito tempo de análise, assim, eu eu ficava
tentando voltar com ela, lembrar e tal. E aí que as memórias foram chegando. Eh, faz muito sentido. Eu sempre acho que ela tá tampando alguma coisa, que tem algo que ela não tá vendo ainda. Eu também tenho essa sensação que você teve, G, é a que eu tenho escutando ela. Sempre falta algo a ser dito que ela não consegue ainda, né? Eu tenho essa sensação. E outra coisa que você falou, eh, que eu queria pontuar é que essa história da menininha foi falada hoje e ela não tinha nenhuma, quase nenhuma lembrança da infância até bem
pouco tempo atrás, como eu acabei de dizer. E ela tem junto com essa com essa lembrança da men dessa elaboração da menininha, ela tem uma lembrança do pai indo com filho. Isso tudo hoje, tá gente? Essa sessão de hoje foi uma das mais ricas que ela já teve, assim, ela veio muito preparada hoje, aberta, eu quero dizer assim, ela traz uma lembrança eh de que o pai saiu com o irmão, foi no curral, ela queria ir junto, o pai não a levou, ela espera o pai e o irmão irem e vai sozinha para esse curral
aonde eles estão. Quando e ela vai chegando, o irmão fala: "Oi, mana, você veio?" Aí o pai fala: "Volte imediatamente para casa. Eu não Quero você aqui com esse monte de homem te olhando." Então, isso que você acabou de falar fez muito sentido para mim, porque talvez ela entendesse que o olhar do pai já fosse para uma mulher e não para uma menininha, porque qualquer homem poderia desejá-la. Mas aí ele, desculpa, mas aí eu eu vou querer pôr uma coisa, porque agora a gente já vai se encaminhando pro fim ainda. A Maria vai a Maria
Cristina vai falar, Patrícia e tal, mas para que eu já não esqueça, eu acho que não ser vista como uma menininha é uma, é óbvio, é uma abertura, né? é uma abertura para ela sair desse lugar da terceira, né? Como diz a Samira, né? Porque quando ela fala assim que ela só pega um homem casado porque esse não vai abandoná-la, é, então ela não é a mulher do cara, né? Eh, também é um lugar de filha, talvez, talvez um lugar de, né? Não sei, mas não é um lugar de mulher, né? é um terceiro. Eh,
eu acho que não ser vista mais como uma menininha do papai é uma abertura para que ela possa, enfim, ser vista como uma mulher nesse sentido, porque se ela abriu isso agora, isso agora vai ver, né? Não sei se me faça entender. Quer dizer, eu acho que isso é uma abertura Uhum. do inconsciente dela gente no sentido assim, é, você já você já não foi vista como uma menininha, então por que que você vai querer ficar sendo vista como uma menininha? Uhum. Né? Então agora talvez você possa ser vista de outra maneira. E eu perguntei
para ela se isso seria um poderia ser um um uma trava para ela se relacionar com ou com os outros homens. Aí ela falou: "Sim, porque eu não sei como é que é ser a menininha de ninguém. Ela se coloca mesmo como uma menininha. Menininha não se relaciona. E será que de repente, né, será Elis que de repente ela se colocar nesse lugar de menininha, que daí também tem a ver com essa birra que ela faz quando, né, ela toma decisões, daí ela de alguma forma ela se sente rejeitada? Será que não é uma defesa
que ela criou? talvez para um olhar lá anterior de que ela não fosse uma menininha, porque ainda me chamou bastante atenção a a a própria o teu próprio, né, conforme tu vai transcorrendo ali o histórico, essa essa naturalização dessa parte mais sexual, né, do ficar de castigo nu, de não contar pra mãe porque ah, eu também fiz coisa errada, né? Depois ali, eh, quando eles ficam na casa dessa desse casal, que daí o irmão fica com a a mulher e ela vai com o homem ali pro quarto. Enfim, depois também me surgiu uma curiosidade que
foi quando esse tio que ela confiava muito, quando esse tio abusa dela, ela conta para alguém, ela pensa em denunciar ou ela também guarda isso para ela? Guarda e se afasta da família inteira. Aí ela vem aí logo depois ela vem embora pra F. Isso. É isso que tá para mim. Tá. parece que tem algo que quer dizer por que aquele que eu confio eu eu acabo naturalizando e eu guardo isso por será, sabe? Foi uma foi algo que chamou a minha atenção. Então era era algo que eu gostaria de pontuar. Ã Co, antes de
passar para pra Cris, eu queria só responder uma pergunta que o Mário fez ali. Você queria saber qual o motivo que ela desistiu de história? Porque a mãe queria que ela fizesse a história, não ela. Para pirraçar a mãe, ela largou o curso. Ah, é, desculpa rapidinho. Eh, quando você falou isso, que as coisas que ela queria, quer, as coisas que a mãe dela queria que ela fizesse, ela não fazia, né? Aí eu ouvi um pouco dessa coisa que você fala dela, não insistindo nas coisas, né? né? Quer dizer, até que ponto que eventualmente essas
coisas não passam por um desejo da mãe, desejo ao qual ela necessita sempre frustrar. Isso. Não sei. Só que agora com essa relação que ela tá com a mãe, o que ela me trouxe hoje, eh, ela vem me trazendo essa melhora, né, ao longo do tempo. Mas hoje, inclusive, foi o que fez ela pensar ir embora, porque a relação com a mãe melhorou muito, né? Eh, ela me trouxe hoje que hoje ela conversa com a mãe todos os dias. Que a mãe tem sido a maior apoiadora dela e que ela não teria tomado essa decisão
de ficar e mudar o curso se não fosse pelo apoio da mãe dela. Então hoje mudou essa relação bastante bastante, né? Então isso é muito positivo, né? Porque é um sofrimento ao menos para ela, eu imagino. Ana Cris um pouquinho, Cris. Então, voltando nessa coisa da menininha, né, do Você pegou todo mundo. Pegou todo mundo. Mas talvez uma visão diferente. Você falou logo em seguida que você falou que ela repete homens casados. Uhum. A próxima frase que eu anotei foi: "Ela não consegue ser a menininha de nenhum homem". Uhum. Então, eh eh eu acho que
a análise que você tá fazendo com ela tá tá tá surtindo muito efeito, porque ela tá descobrindo que ela não precisa ser uma menininha para fazer as coisas que ela quer. Uhum. Ela pode mudar, ela pode decidir fazer outra coisa. E eu acho que na situação dela, que ela não é uma pessoa que tem apoio financeiro, eh, oportunidades financeiras, como algumas, muitas de nós deve, ah, pai, eu Quero fazer odontologia, vai lá o pai tal, né? Ela foi atrás do cavalo encilhado. Ela saiu do lugar de menininha e você ainda falou, ela não consegue ser
menininha de nenhum homem. Primeiro que a gente não precisa ser menininha para ser de homem. A gente pode ser um menin uma meninona para um homem nos amar, né? Então, ela tá descobrindo que ela pode decidir e que ela tá aproveitando as oportunidades que a vida modesta dela tá dando. Ela aceitou ser caixa, foi em frente. Ela aceitou ser gerente, foi em frente. Parou tudo, vou fazer outra coisa. Parou tudo e foi fazer outra coisa. Então eu acho que o caminho que você tá tomando com ela tá caminho tá tá sendo muito profíico para ela,
porque ela está montando no cavalicilhado. Agora ela tem oportunidade de trabalhar numa clínica de estética. Uhum. Que pode levar ela a ser até sócia dessa médica como médica a fazer procedimentos outros. Ela tá visualizando isso. Então eu acho que tá dando certo. Ela tá largando o lugar de menininha, de qualquer pessoa para ser um mulherão como ela quer. Eu eu eu vou também vou por aí. E acho que eh talvez sintetizaria, não, não sei, ressoaria isso que você tá falando, que também é o que eu tô ouvindo do caso da Elisane na seguinte, na seguinte
intervenção, talvez, Elisane, que você pudesse fazer a sua maneira e tal, mas assim, dá para ver que é uma pessoa muito marcada por um abandono. Traição e são duas palavras, abandonada e traída. Eh, a acho que a Graça uma hora perguntou, era pela mãe ou pelo pai, né, Graça? Eu acho que pela mãe, fundamentalmente, porque ela fala: "A mãe é eh eh a mãe é é o é o Freud lá, né, gente? Recai sobre a mãe, né? É a mãe que me castrou, é a mãe que me tirou fala, é a mãe responsável pela pelo
sumisso do meu pai. Eh, daí ela fica abandonada e traída e desde então ela vem sendo abandonada pelo pai e pela mãe dela até agora. Então eu acho que isso que a Cris tá falando, eu eu colocaria na seguinte frase: "Ela também pode abandonar", né? Ela fez isso com aí que tá, talvez, né, Elisâ? Eh, ela também pode abandonar a si mesmo, né? E ela abandonou. Uhum. O patrão, o chefe, o ex-patrão, que era como um pai. Sim, porque pai a gente tem que abandonar um dia, né, gente? Vários. A gente às vezes tem que
sair quando ele não quer. Às vezes a gente tem que casar quando ele não quer. Às vezes a gente tem que deixar ele ir quando ele morre. Você tem que soltar. A gente tá aqui é só de passagem juntos, né, gente? Mas a gente não dá para ficar ali, né? Então, eh, não dá para você demorar, né? Ela também pode abandonar. E fez isso com esse suposto, com esse patrão que era como pai. e logo na sequência deixou de ir paraa casa da mãe por uma nova oportunidade que eu acho que a Cris coloca muito
bem, [ __ ] foi lá de repositora, né? Foi a Caixa gerente, agora ela já vai para uma para uma graduação superior, uma outra área. Eh, sabe? Eu acho que ela, a crise resulta. Ela trouxe uma coisa, Cáio, hoje bem hoje, tô te falando, hoje foi parece brincadeira, até por isso que eu te mandei mensagem, falei, mudei o caso, porque foi assim uma sessão enriquecedora e ela trouxe eh eh essa questão da Ah, você falou um negócio agora aqui que eu queria trazer sobre o que ela me falou. Ah, eh, que ela tá se sentindo
culpada de ter saído e não justificar para paraa patroa dela. Por que que ela não foi embora? Porque ela pediu para fazerem acerto com ela, porque ela ia embora, vivia com a família. Só que em seguida ela recebeu essa proposta e decidiu ficar. e que ela está pensando em ir lá se justificar com a patroa. E aí ela traz a uma conversa com um amigo que fala assim: "Ela nem lembra que você existe, você era só mais uma Funcionária. Por que você se sente na obrigação?" Um amigo falou isso para ela. Por que você se
sente na obrigação de lá da satisfação? Ela nem lembra que você existe, cara. Você é só mais uma. E ela fala isso e começa a chorar. Mas a dona G me tratava como uma filha. É porque é dona G, não sei o quê, entendeu? Aí eu falei, aí eu tô pensando ir no posto e falar pro pessoal por que que eu não fui embora. Daí vai chegar na dona Gi. Aí eu falei: "Aí você vai tá fazendo uma baita de uma merda, uma lambança lambança, porque vai chegar tudo atravessado na na fulana, né? Então vocês
veem como é forte esse laço, né? É, mas eu acho que eh talvez tenha tenha que trabalhar mais a culpa dela. Sim, porque ela não tem ela ela não tem culpa de querer melhorar. Ela muita culpa mesmo, Cris. E o patrão fez exatamente o que um empresário faria. Você não trabalha mais aqui, você vai sair das nossas conversas porque não te interessa mais empresarialmente as conversas que eu tenho com os meus funcionários. Ponto. É uma firma, é uma empresa, né? Então, se ela quer ir lá falar com a com a mulher, fala: "Vim aqui agradecer
que você me acolheu, vim aqui comunicar que estou saindo." É, mas eu fiquei, eu não quis me colocar nesse lugar de conselheira, eu deixei no ar para Não, nem devia, né? É, porque assim, mas acho que tá andando bem a tua a a Deixa eu passar pra Patrícia ali também. Não sei se a Cris terminou, Cris. Já, já, já. Tá. por por enquanto, né, Elis? Eu escutei um pouquinho do seu relato quando você traz. Eu até anotei algumas vezes, mas já foi até comentado antes. O Castro trouxe a Samira também, mas eu escutei um pouco
em alguns momentos e até no finalzinho até anotei eh sobre a sua preocupação de não comprar o lugar de mãe que ela traz, né? Mas algumas vezes eu vi uma preocupação muito de mãe, muito materna ali. Sim. E aí você traz uma das suas angústias que você trouxe o caso, né? Aí eu anotei a frase que eu achei muito interessante. A minha angústia é com a instabilidade da vida dela. Aí eu me perguntei na hora quando eu escutei você falando isso, mas qual estabilidade que você queria para ela? O que parece é que você queria
que ela tivesse já uma estabilidade com 30 anos. E aí quando a gente quando e aí você decorre bastante no relato e a gente começa a ver o que eu enxergo também no que você traz é que sim, ela vem num crescente de estabilidade muito coerente para uma menina relativamente nova, né? E sozinha, né? Sozinha. Bem sozinha, né? Elis, ela é meio sozinha assim, não sozinha? É. É. Uhum. E com o co traz bastante isso, né? né? E você coloca muito claramente, ela estuda, ela trabalha e ela vai sempre subindo e aí ela consegue já
pensar que ela vai largar tudo para se aproximar de novo da família. Mas aí a Cris trouxe agora no final, a Maria trouxe agora no final, ela recebe uma proposta de emprego. Então ela estuda o que que essa profissão faz, ela deseja seguir, ela se matricul proposta, né, Patrícia? Uma proposta. É uma boa proposta, né, Elisane? É assim, uma médica bem conceituada aqui. Aham. Estudar, trabalhar na área diferente. É isso. E parece que ela pesquisou, não, você falou, ela pesquisou sobre o que faz, que não precisa ficar só em clínica. Então eu vejo um crescente
de maturidade sendo composto aí nesse caminho. E aí, por isso quando você traz as suas angústias com casa, é claro, né? Somos humanos, totalmente compreensível, mas eu vejo uma angústia muito de mãe, sabe? Aquela mãe que quer pegar a filha no colo, que tá com medo de que alguma coisa dê errado, mas ao mesmo tempo ela não aceita as propostas que a mãe dela traz. Ela diz: "Não pra história porque não é o que ela quer, né? Então eu não vejo nem como birra. Pode vai pode ter, pode não ter. Eu acho que você com
ela consegue perceber melhor esses nuances. É que ela verbalizou, que ela largou a história para para afrontar a mãe verbalizado. É você que traz. Ela fez um tempo faculdade de história e aí ela abandona a faculdade. E aí eu perguntei por que ela abandonou. Ela falou porque era o que a minha mãe queria, não o que eu queria. Entendi. E aí eu fiz, ela faz como birra, né? Ela falou assim: "Eu não, eu fiz por birra. Ela não pode me obrigar a fazer o que eu não quer". Agora vocês vejam, né? É agora vocês vejam.
Patrícia pode continuar. Não, CO, por favor. Eh, Patrícia, deixa eu só falar um negócio para você que você trouxe eh muito assertivamente para mim. Eu tenho um filho de 23, quase 24 anos, que tá completamente estável na vida dele. Então, pode ser que sim, eh, esteja a minha, claro que eu não vivo para ela, eu não não fico com ela no meu, é só quando eu faço a sessão, né, que essa angústia surge, mas eh pode estar fazendo um atravessamento, com certeza e e faz todo sentido que você trouxe e eu me coloco aqui de
peito aberto para receber isso, porque Mas você já tinha dito, Elis, eu sou mãe, né? Você não, você já tinha dito, é muito difícil não se colocar. Ela me coloca e é uma menina doce e é difícil se colocar. E e é engraçado porque apesar de você, eu disse a vocês, é natural que isso seja. Por quê? Porque a angústia é angústia do analista é sempre um sinal dele se colocando enquanto sujeito de desejo, não como analista, né? Uhum. Só que embora você fale, eu tô entrando que a Patrícia falou, mas embora porque eu tô
entrando nisso, Patrícia, porque eu acho que eh isso é fundamental no seguinte sentido. Apesar de você falar da angústia, o que eu vejo mais é uma é um carinho, né? Então você tanto pode eh atuar, digamos assim, poderia atuar o lugar de mãe, quer dizer, não de analista, pelo lado da angústia, também pelo lado do carinho. Eu vejo que você é uma pessoa e isso é natural, né, gente? Os nossos pacientes despertam na gente diferentes sensações. Uhum. Agora essa questão, eh, e você sabe disso, você já diz, né? Eh, ela me coloca no lugar de
mãe. Era esperado que ela te colocasse no lugar de mãe, porque ela coloca todo mundo. Imagine você. E o que que ela espera de uma mãe? Abandono e traição, né? Eh, ou seja, a esse é um é um é o Que você vai ter que ter bastante cuidado. E a Patrícia disse exatamente aquilo que eu queria dizer quando eu disse isso, você vai ter que sustentar. Uhum. Lembra lá no começo? Quer dizer, ela ainda não sabe o que que é da vida, então é isso. Você vai ter que sustentar. Patrícia agora retomou, né? Pô, tá
com 30 anos, não sei. É bem é bem dos pais, né? No pô, tem que saber o que você quer e tal, né? É qual? Só é muit porque a gente escutando. Fala, Maria. Não, só dando mais um pitaco, essa coisa de ela ter afrontado a mãe, porque todas algumas atitudes da mãe quando ela era criança levaram ela ao abuso de ficar naquela creche, de ficar com o tio, de ficar com com aquela família. Então agora ela tá tomando as decisões dela, certas ou erradas. Ela tá tomando as decisão. E imagine se você entrar entrasse
no entrasse assim bem inadvertida no lugar de mãe. O que que ela faria com o teu desejo? Se ela deixa de fazer história porque a mãe deseja para ela? Você já vocês percebem o quão o quão quão delicado é trabalhar com transferência? Então, de repente você fala: "Então, então vamos lá, então vou agir como se fosse a mãe, porque agora eu quero que ela melhore. Eu quero que ela fique mais autoconfiante. Então eu vou fazer o papel de mãe que ela não teve antes." É beleza. O problema é que ela quer frustrar o desejo dessa
mãe. Então, eventualmente, se você deseja como mãe que ela melhore, ela pode piorar para sabotar o teu desejo, porque essa é a é a sinuca do do Desejo dela. Ele tá fraturado. Eu se me lembrar de uma sessão agora que tem a ver com isso, que vai fazer muito sentido do que você tá falando. Eh, um dia a gente tava na sessão, ela trouxe essas questões profissionais, não. E aí na outra sessão, quando ela volta, ela vem assim com com muitas dúvidas sobre o que tinha sido conversado, do que ela ficou pensando, que ela pesquisou.
E daí ela falou assim: "Você acha que eu deveria fazer o quê?" Ela ficou entre psicologia e nutrição. E daí ela falou assim: "Olha para onde que ela foi, porque daí a psicologia era um espelhamento comigo, né? Ficou claro isso para mim, que ela queria fazer psicologia num espelhamento comigo. E aí ela falou: "Eu preciso fazer psicologia para ser igual a você". Então ela foi construindo isso. Eu tive que sair desse lugar várias vezes. Por isso que eu tô te falando, foi pesado. É pesado para mim nesse nessa questão. Porque ela me convoca, ela me
convoca. Eu falei: "Não sei". Ela ficou tão frustrada quando eu disse para ela: "Não sei". Eu falei: "A vida é sua, a escolha é sua, você tem que se dar conta do que você quer." Não, eu. Eu acho que é mais. Hã? Eu acho que é mais térico. Você acha que é uma estérico? Eu acho que sim. Se você se coloca no lugar de mãe dela, você acha que ela ia fazer o quê? E aí eu aí ela volta, daí outro dia ela me convoca de novo nesse lugar e daí eu perguntei para ela, eu
fui clara com Ela, eu falei: "Você tá me colocando no lugar de mãe? Você espera que eu me que eu responda como a sua mãe responderia?" E aí ela olhou e riu, sorriu assim e ela falou: "Acho que sim". Eu falei: "Não é aqui que você vai encontrar isso". E ela ficou, sabe assim, foi um corte mesmo que eu fiz. E aí a partir dali ela me convocou outras vezes, mas com menos ênfase, ao ponto dela chegar e falar assim: "Ai, que que você acha?" Não sei o quê? Daí ela para: "Ah, já sei, eu
que tenho que saber, não é você". Então ela tenta convocar e volta, sabe? Então assim, ela e ela é ela trabalha muito, gente, ela é muito trabalhadora na análise, assim, ela é muito envolvida com a análise dela, apesar de ela tentar me convocar o tempo inteiro para esse lugar de mamãe dela aí e eu me segurar para não ir. Só queria finalizar, trazer um outro olhar sobre a menininha do pai, que ela falar que nunca foi, nunca foi. Eu também posso enxergar porque eu escutei no relato que você traz dessa última sessão de hoje, né?
É. tá falando que se que conta o que ela lembra dela ter ido atrás do pai e do irmão e o pai manda dela voltar. Então eu também posso enxergar que o pai naquele momento ele enxergou ela com uma menininha do pai, ele queria protegê-la e deu pro olhar dos outros pros outros homens. É, então ela tem que sair. É uma proteção de pai com a menininha. Nossa, faz muito sentido, Patrícia. Minha internet tá ruim, né? É, não, mas deu para entender. Fez muito sentido. Eu enxergo n aí eu posso estar enxergando a histérica, porque
é sempre o outro, né? Ele nunca me teve. Tanto que você diz que tem um momento que lá atrás ela traz também que o pai não, o pai e a mãe faziam algumas coisas, deixavam ela. Até foi o que aconteceu quando o pai faleceu, que ele saiu, ele não levou ela e o irmão, no caso, dessa vez também, porque não era lugar para eles. Então, eu posso pensar numa proteção de pai que não é adequado. Não é um pai que não tem noção, que não tem olhar paraa filha, pelo contrário, você não vai porque lá
não é lugar para você. Ou você não vem aqui, você volta porque você é menininha do pai, você não pode ficar aqui, você tem que ficar lá. Seu irmão não tem problema, mas não sei, pode ser uma outra possibilidade aí. Não sei se faz sentido isso que eu tô falando. Pode fez com o que você vê com ela ali. E aí já o Caso trouxe uma histérica. Talvez a gente possa pensar num outro olhar mais. Eu vou colocar uma questão, vou passar daí paraa Graça, mas aí depois pra gente ir fechando depois a Graça e
mais eh queria te queria saber de você depois isso, tá? Por que que você hipotetizou sobre neurose obsessiva? Tá, mas graça, não passava graça. C Então aí entra uma pergunta minha. Hum. Será possível que dentro da transferência que tá acontecendo com a Eliz, porque eu exatamente eu ia falar, cadê o caso? Ah, tá. some aqui, muda as coisas, a gente fica procurando ã dentro da transferência que tá acontecendo, né, nesse caso, ela não estará agora esterizando justamente a partir dessa transferência que está acontecendo. Quer dizer, ela começa o trabalho de análise mais para uma obsessiva.
E agora ao longo dessa transferência, porque Elisa, o que que eu vi ela quando tu diz que tu tá angustiada com o fato dela não escolher, e é o que todo mundo aqui já disse, né? Tá tudo bem, tá tudo bem. Ela tá em trabalho de escolha, né? Ela tá em trabalho de autossuficiência, ela tá encontrando essa autossuficiência, né? A angústia é tua, porque ela não está algo satisfazendo para ti, né? Aí nós talvez estejamos falando de uma contrransferência, né? Mas será que nesse ao longo desse processo não foi se construindo essa essa neurose estérica
nessa relação de transferência CO com a com a Elice? Então, então eu vou colocar a pergunta para vocês duas, porque Graça também escuta alguma coisa que vem pel uma neurose obsessiva e vai esticizando, né? De onde que você graça você, Elisane pensar num neurose obsessiva? Da culpa. Uhum. Uhum. Porque assim, ó, o que essa menina passou, veja bem, tu colocou uma coisa aqui, algumas coisas que foram me chamando atenção e foram, claro, a gente não tá tão preocupado com os fatos em si, mas como, qual é a posição subjetiva dela diante de certas, né, certos
fatos. Então a gente até imagina um cenário, né? Mas quando ela toma essa decisão, ela galgoou, saiu de uma estoquista, né? Não lembro bem o que que ela era, repositora, chegou num cargo de gerência de RH num posto e aí ela resolve conectar de volta lá com a mãe. Eu preciso voltar para casa. Uhum. e sai do emprego. Me ficou aqui, mas já, mas já muda de novo. Sim, mas nessa questão de sai do emprego e quero voltar para um lugar que supostamente seguro, tem uma posição subjetiva dela aí. Uhum. Né? Será que não aconteceu
alguma situação que desse chefe em relação a ela que ela sinalizou como uma tentativa de chegar nela, uma tentativa de abuso, Entendeu? algo que ela ela nunca ela ela sempre trouxe um tratamento. Eh, eu conheço eu conheço o o cara assim, eu não eu não vejo fazendo isso. Eu trabalhei para esse cara quando eu tinha 20 anos. Por isso que eu digo, posição subjetiva dela. Acho é, eu acho que tem mais a ver com uma posição subjetiva mesmo, até porque outros homens já fizeram isso, né? chega a ter com isso mu não é fato, é
posição subjetiva e a posição. Ah, mas é que ela verbalizou hoje. Talvez você tenha razão, porque ela verbalizou hoje ao contrário. O que é ao contrário? Como assim? Eu nunca nunca Ele é muito lindo, você sabe, mas eu nunca o desejei. Eu sempre o respeitei e admirei. Justificando talvez ter produzido um desejo nele. Sim. Ele é um cara com sexo, ó, vou falar, ele tem um sexapil que ele abala bangu aqui, tá? Então, ou talvez o dela, né? Porque pode ser que ela tenha deixado de vê-lo como um pai agora que ela abandonou pai. Então,
eu vejo a posição obsessiva dela, Cáio, nessa nesse jogo de culpa, entendeu? Esse jogo de culpa. Mas eu não sei porque eu escutei essa histeria na construção da transferência contigo. Porque quando tu diz assim, ó, ela ela tá fazendo o que ela quera, não tá preocupada com a tua angústia. E quanto mais ela percebe nessa transferência uma Angústia tua, mais ela faz o que ela quer. Porque nós estamos falando de inconsciente, talvez, né? Eh, eu eh eu nesse caso, graça, eu acho que eu vejo diferente. Eu vejo a neurosa, é, eu vejo uma eu vejo
uma neurose obsessiva pela culpa, pela ambiguidade, pela, eh, essa, essas repetições que ela faz, né, de alguns padrões aí. Eh, mas nessa questão de ela dessa de você colocar em relação a fazer o contrário do que eu quero, eu não sinto isso. Eu sinto que ela, por mais que a gente tá falando aqui, que se eu ocupasse o lugar de mãe, ela talvez caminhasse para um desagrado a ao meu desejo. Mas como eu não me Oi, t, talvez não. É como eu não me coloco nesse lugar de mãe, ela não vai contra o que eu
o que quando ela imagina que eu desejo ou que eu quero alguma coisa, ela vai mais ou menos para aquilo. E aí quando ela não atende, ela vem frustradíssima achando que eu vou ficar mal com aquilo. Mas eu não fico, porque eu não fico mesmo de verdade. Como por exemplo, a gente trabalhou, trabalhou, trabalhou, trabalhou a questão dela sair com homens casado, mas era uma questão que angustava ela e ela Mas ela continua, mas ela continua tendo algumas reservas, entre contar. Tem tem não mais em relação ao homem casado, mas em relação ao a uma
questão sexual aí. Aham. Axo, sim. A sexo, sim. E aí ela trouxe uma vez, eh, ela ficou um tempo sem sair com homem casado e aí num determinada sessão ela falou: "Ah, eu fiz uma coisa que você vai ficar com vergonha de mim". E aí eu perguntei o por que vergonha? Eu sempre pergunto isso, por que vergonha? Né? A questão é, ela tá me colocando, né? me convocando de novo nessa nesse lugar de julgamento. E daí ela falou: "Ah, eu saí com aquele cara tal de novo". Daí eu falei: "Por que que eu vou ter
vergonha de você? A vida é tua, a escolha é tua, né? E eu devolvo para ela isso." E aí ela, aí eu pergunto: "E como é que foi para você?" Aí ela falou assim: "Foi ótimo, é sempre bom sair com ele, mas já faz um mês." Interessante. Ela não se autoriza o desejo dela, né? Porque ela tá a fim de transar com o cara, seja casado, solteiro, desado, não interessa. Ela tá a fim do cara, ela vai, né? Exato. Mas ela lida, ela volta lá atrás naquela menininha pelada na sala e volta lá atrás naquela
menininha que teve que masturbar o cara. Então ela eu acho que ela é obsessiva. Eu acho. Não, por isso que eu acho que ela tá tá rompendo com a menininha do papai, né? Eh, faz sentido o diagnóstico de de estrutural de obsessão na medida em que ela ela tá sempre em débito, né? assim, É sempre ela que tá de certa forma eh eh tendo que ir lá e falar porque saiu e tal, né? Por outro lado, tem algumas questões com o corpo, né? Tem, né? Mas não tem nojo. Ela não tem nojo do sexo. O
a histérica tem essa questão do nojinho, ela não tem. Mas o obsessivo tem período de de esterização. É, pode. Não, mas sim, tudo bem. Mas ela não tem no É, é, é, é aí que tá, né, gente? Esse tipo de caso, eles não enquadram naquele eh, né, não vão preencher. É, é um detalhe, é, vai ser é uma clínica muito de um detalhe para você conseguir encontrar. Isso aqui é fundamental. Ela tá na cena. Hã, eu eu toda a escuta eu coloco lá na cena ainda. Por isso que eu disse para vocês, eu não bato
o martelo ainda em qual neurose ela está, mas eu acho que ela está mais para obsessiva do que préestérica. Mas eu, apesar de estar ouvindo ela 2 anos, eu ainda não fecho um diagnóstico, porque ela dá umas osciladas assim nessa questão de, por exemplo, você colocar como objeto de Desejo, mas o obsessivo também adora ser fálico. Claro, claro. Não, então por isso que eu digo, vai ser da ordem bem do detalhe. Ó, uma coisa que talvez não será muito da ordem do detalhe, essa e essa você tá bem eh situada e agora eu preciso e
pra gente encerrar, talvez só encerrar com isso. Eu nem olhei o chat hoje, gente, porque a conversa aqui tava rolando. Eh, mas a questão da transferência, né? Aqui eu acho que você sabe aquela coisa assim aqui talvez eles você uma coisa que talvez você possa ainda pensar como desenvolver é o seguinte, ela às vezes vai te colocar no lugar de mãe. Você já acho que mais ou menos umas du pelo menos duas vezes você colocou bem enfaticamente. Eu não sou, eu sou a mãe. OK. Agora, eu acho que talvez eh eu acho que talvez você
podia pensar em dizer isso para ela de outra forma, porque se você diz para ela, talvez, isso tudo que eu tô falando, talvez, não sei. Mas, por exemplo, às vezes acontece da gente dizer pra pessoa, olha, eu não sou o seu marido, eu não sou a sua mãe e a pessoa e ela depois ficar um pouquinho eh com uma vergonha de atuar a transferência de novo. Uhum. Né? Eh, e eu tô falando isso porque no caso dela, uma coisa é é a tua analista falar isso para você, por exemplo, né? Outra coisa é ela que
já tem uma certa sensibilidade em relação ao abandono, a tal t tal. Isso não significa que a gente vai pegar ela no colo, mas isso significaria talvez que você tenha que manejar, manobrar essa transferência sendo acolhedora. Uhum. Né? O que remete um pouco a um traço materno de acolhimento. Uhum. E se desviar. Uhum. Né? para permitir que essa transferência continue atuando em análise, porque quanto mais em análise ela tiver, menos ela fica se repetindo lá fora e mais ela pode ser analisada, porque essa é uma é uma é uma das é uma das angústias que
você traz também, né? Ela tá sempre procurando esse lugar de pai. Aqui não estão falando de pai, mas tá falando de mãe. Uhum. Mas no final das contas talvez seja uma coisa meio parecida. Claro, daí vai ter distinções lá em relação ao desejo, assim, né, a questão da sexualidade dela, mas eh sabe essa questão da transferência eu acho Que é um desafio, né? E é uma coisa com a qual você tem que ficar, porque você também é um pouco maternal, muito maternal. Muito bom. Que bom, bom, né? Isso. Hã, eu reconheço isso. Por isso que
eu fico atenta se eu não tô entrando nessa cilada. E assim, no dia que você tinha uma supervisão, daí um casão desse daí, né, gente? Daí fica fica fica fácil. Eh, bom, é isso, né, gente? Então, eh, encerramos por aqui. Eh, a gente continua, o grupo continua, né? Mas para quem tá assistindo esse grupo nas disciplinas, essa é a é a terceira, né? Então, obrigado para todo mundo. Valeu, Lisane. Obada, um abraço e bom final de semana. Ob. Ciao.